psicodinamica_das_cores_em_comunicacao_modesto_farina_resenha

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RESENHA
Psicodinâmica das Cores em Comunicação – Modesto Farina
SIMÉIA DOS SANTOS PEDROSO
1. AS CORES E A NOSSA MENTE
A interpretação das cores dá se através de nossa mente. Os olhos são os responsáveis por
capturar os sinais de luz e enviá-los ao cérebro, este por sua vez, interpreta a cor que estamos
de fato enxergando. “É como se os olhos fossem nossa máquina fotográfica, com a objetiva
sempre pronta a impressionar um filme invisível em nosso cérebro”. (FARINA, 1990)
2. AS CORES NA PSICOLOGIA
Para cada pessoa, em cada lugar, em cada objeto, as cores têm um significado, ou seja, o
significado
de
uma
cor
depende
de
seu
contexto.
A cor vermelha, por exemplo, é considerada muito mais chamativa aqui no ocidente que no
oriente, pois lá eles têm formas naturais de extrair esta cor há muito mais tempo. Esta relação
do significado psicológico das cores dá a cada uma delas significados diferentes em diferentes
partes do mundo. Esta diferença de significado é ainda maior quando o clima de cidade para
cidade
é
muito
diferente.
Civilizações antigas como China, Índia, Egito e outras, sentiam na cor um profundo
psicológico, para eles, cada cor significava um símbolo. Para eles, deuses representavam
cores como a luz solar, o azul-esverdeado dos mares, o azul-esbranquiçado das nuvens na
imensidão dos céus, as cores do arco-íris, que de vez em quando se apresentava como
emanação divina num céu turbulento. “As cores faziam parte, assim, mais das necessidades
psicológicas do que das estéticas, e as que mais surpreendiam aos olhos humanos seriam para
enriquecer a presença de príncipes e reis, sacerdotes e imperadores, através dos deslumbrantes
vestuários e ornamentos que lhes eram atribuídos”. (FARINA, 1990)
Segundo FARINA (1990), “Nas artes visuais, a cor não é apenas um elemento decorativo ou
estético. É o fundamen0to da expressão. Está ligada à expressão de valores sensuais e
espirituais”.
A partir da Renascença, no início da Idade Moderna, a cor passou a ser individualizadora e
identificadora dos diferentes tipos de obra artística. Conforme o período, as cores nas obras
tinham certas tonalidades, vezes mais escuras, vezes acompanhando as formas dos objetos
criados, procurando certa sofisticação.
“Vincent Van Gogh deu a seus quadros sensações cromáticas deslumbrantes, que
correspondem a intensas cargas emotivas e psicológicas de eu autor. Georges Seurat tinha a
habilidade de multiplicar a vibração luminosa em suas pinturas pela justaposição das
pinceladas de cor. Ele achava que podia, desse modo, sensibilizar mais seus admiradores.”
(FARINA, 1990).
No século XIX, o Barroco conferiu à cor um caráter dinâmico, enquanto que o Romantismo
procurou as cores espirituais das paisagens. Foi quando ouve grande interesse no estudo das
cores, com participação de filósofos e escritores.
Através de estudos científicos, especialistas chegaram à conclusão que o problema estético
das cores está de acordo com três pontos de vista, são eles: óptico-sensível (impressivo),
psíquico (expressivo) e intelectual-simbólico (estrutural).
a. Óptico-sensível: Ocorre quando a retina vê em primeira instância uma cor
qualquer.
b. Psíquico: Ocorre quando a mente reage sobre a luz que recebeu.
c. Intelectual-simbólico: Ocorre quando o indivíduo pensa sobre o que viu.
Essa tríade pode ser comparada com o conceito de Walter Benjamin sobre Primeiridade,
Secundidade e Terceiridade, onde a Primeiridade consiste na incapacidade de poder situar-se,
como primeiríssimo contato com o objeto ou cor, aquele no qual ao pensar sobre ele, ele já se
foi. Na Secundidade é identificando o outro que o indivíduo tem consciência de si, ele percebe
a existência do outro e na Terceiridade é quando identificamos o que já conhecemos,
pensamos sobre o que já vimos e tivemos consciência, é quando pegamos um signo de
linguagem e transformamos em outro para interpretarmos da melhor maneira, conforme nossa
abrangência cultural, tudo que foi inicialmente visto pela nossa retina.
3. AS CORES A FAVOR DA COMUNICAÇÃO
A utilização das cores está em relação direta com as exigências do campo que a explora, pois
cada um destes campos utiliza uma linguagem específica que explicita seus pontos de vista e
por meio do qual procura atingir os objetivos propostos. Por isso, o estudo das cores é muito
importante nos cursos de comunicação visual, as pesquisas neste campo se apóiam em estudos
científicos da Fisiologia, Psicologia, Estudos Sociais e das Artes.
Se analisarmos as cores em função da comunicação, chegaremos à conclusão que ela nos
oferece amplas possibilidades e favorece a capacidade de liberar reservas de imaginação
criativa do homem, agindo não só sobre quem fruirá a imagem, mas, também, sobre quem a
constrói.
Sobre o Indivíduo que recebe a comunicação visual, a cor exerce uma ação tríplice: a de
expressar e a de construir. A cor é vista: impressiona a retina. É sentida: provoca uma
emoção. E é construtiva, pois, tendo um significado próprio, tem valor de símbolo e
capacidade, portanto, de construir uma linguagem que comunique uma idéia. (FARINA,
1990)
As cores influenciam pessoas diferentes de maneiras diferentes. O homem reage a ela
subordinado às suas condições físicas e às suas influencias culturais, mas sua sintaxe pode ser
aprendida por qualquer um que esteja interessado em estudar os inúmeros processos de
comunicação visual.
A cor possui como valor de expressividade fatores como movimento, peso, equilíbrio, o
espaço e as leis que definem sua utilização. Por exemplo, se os que manejam uma cor
souberem adequá-la ao fim proposto, sua mensagem poderá ser compreendida até por
analfabetos, sem sofrer as barreiras impostas pela língua.
Ela também permite obtermos efeitos de criação de espaço. Por exemplo, se pintarmos as
paredes de uma sala de cor clara, a sala parecerá mais ampla, pois é como se as paredes se
afastassem; já se pintarmos as paredes de preto, a sala parecerá menos, as paredes estarão
aparentemente mais próximas. Dependendo do ponto de vista sensorial, não podemos negar
que as cores recuam ou avançam, como uma força poderosa reagindo como uma espécie de
lei, como disse Modesto Farina. O próprio volume de um objeto pode ser alterado pelo uso da
cor.
4. INFLUÊNCIA DAS CORES NO DIA-A-DIA
As cores pode ser utilizadas para melhorar e ate piorar nosso bem-estar. Elas influenciam
também em plantas, insetos, doenças e outros.
Segundo FARINA (1990), “as larvas das moscas e dos besouros morrem sob influência da luz
verde; a luz vermelha estimula as funções orgânicas do homem e favorece a marcha da
catapora, sarampo e escarlatina; a luz anilada tem poder analgésico; a luz azulada faz parecer
as plantas, enquanto que a vermelha as torna mais vigorosas.”
O excesso da cor amarelo pode produzir indigestões, gastrites e úlceras gástricas; certas
variações do verde, doenças mentais e nervosas; variações do vermelho, doenças do coração e
reflexos na pressão arterial; o excesso de azul, a pneumonia, tuberculose pulmonar e
pleuresia, diz o Cromoterapeuta inglês Reginald Roberts. É Por estes motivos que os
laboratórios farmacêuticos dão cor apropriada aos comprimidos e cápsulas, relacionando-os às
doenças mencionadas.
Outros cientistas afirmam que existe mesmo relação entre as cores e as doenças, sendo que
muitas destas cores podem influenciar também na cura das mesmas. Por exemplo, o azul
ajudaria nas doenças de olhos, ouvidos, nariz e pulmões; o vermelho para estômago, o fígado
e baço; o verde para o sistema nervoso e aparelho digestivo entre outras.
As cores causam influências também em muitos outros campos, como funções biológicas
onde, por exemplo, a cor de uma fruta é determinada pela maturação e provém da luz solar.
Influencia também sobre a pele do ser humano onde após algum tempo de exposição esta
ganha tom diferente de uma parte não exposta.
O uso das cores é inegavelmente influenciado pelo clima. Por exemplo, aqui em Curitiba
usamos muitas roupas pretas e de cores mais opacas, pois o clima é frio e recomenda-se usar
roupas pretas e tonalidades escuras do azul, cinza e marrom porque estas cores absorvem
maior quantidade de calor; já na Bahia, as cores são muito mais chamativas porque seu uso é
influenciado pelo clima quente, pois é recomendado o uso de cores claras como branco, verde,
amarelo,e outras tonalidades claras.
O uso das cores de acordo com o clima pode ser influenciado apenas por um fator muito
poderoso que se chama moda. Isso faz a cor se desligar da influência climatológica, mas a
submete ao processo que caracteriza a sociedade de consumo em que vivemos passando a
funcionar dentro de um sistema pré-estabelecido cuja função principal é vender, e cuja
característica mais marcante é reforçar qualquer uso obsoleto, dentro do mais curto prazo de
tempo, impelindo o indivíduo a comprar para suprir novas necessidades que surgem.
5. A VISUALIZAÇÃO DA COR
O espectro eletromagnético é um campo vastíssimo de ondas, dos quais apenas algumas são
percebidas pelo olho humano, elas possuem a capacidade de estimular a retina, provocando
uma sensação luminosa que chamamos de luz.
A cor branca é composta por todas as cores existentes. Elas são todas absorvidas e refletidas
pelo objeto, mostrando-se assim o branco. Esta dispersão de luz origina o fenômeno chamado
de cromatismo. A cor preta é mostrada quando as cores absorvidas pelo objeto não são
refletidas, o objeto retém as cores em si, não refletindo nenhuma delas, é a absorção total de
todas as cores, a negação de todas elas.
“O termo cor é sempre equivalente à expressão cor-luz. Podemos dizer que a cor constitui um
evento psicológico. A Física nos explica que a luz é incolor. Somente adquire cor quando
passa através da estrutura do espectro visual. Concluímos, pois, que a cor não é uma matéria,
nem uma luz, mas uma sensação.” (FARINA, 1990)
6. CROMATISMO
Escalas cromadas são as cores propriamente ditas, elas podem ser monocromas e policromas.
As Monocromáticas são compostas por apenas uma cor, já as policromáticas apresentam
várias cores em uma modulação simultânea.
“A força da cor é de uma sugestionabilidade incomparável e, portanto, um recurso de alto
valor na Publicidade.” (FARINA, 1990)
a. Monocromatismo
Uma escala monocromática pode ser realizada utilizando apenas os tons de luminosidade de
uma cor, ou misturando-a com outra cor. Partindo do branco vai-se lentamente acrescentando
uma cor até chegar-se a uma determinada saturação. É uma escala de saturação, também
chamada escala do branco.
A escala de luminosidade é a que se consegue ao se acrescentar, aos poucos, a uma cor
saturada, certa quantidade de preto.
b. Policromatismo
Ao contrário das escalas monocromáticas, a escala policromática é realizada pela modulação
de duas ou mais cores, por isso chamado de policromatismo.
7. TOM
Tom é a variação qualitativa da cor diretamente relacionada aos vários comprimentos de
onda. Acrescentando a uma cor o branco e o preto, ou seja, o cinza, teremos uma tonalidade
definida, sendo que o branco nos dará uma matiz, e o preto, um sombreado.
8. SATURAÇÃO
Uma cor saturada é quando na cor não entram nem o preto nem o branco. Quando ela está
exatamente dentro do comprimento de onda que lhe corresponde no espectro solar.
9. LUMINOSIDADE
A capacidade de uma cor de refletir a luz branca que há nela é denominada luminosidade, que
decorre da iluminação, assim como a saturação e a cor. É por isso que a noite não vemos o
céu tão azul quanto de dia.
Quando a cor preta é acrescentada a uma cor, reduzimos sua luminosidade, o contrário
acontece quando acrescentamos a cor branca.
10. CONTRASTE
A combinação entre cores que possuem uma parte básica da cor em comum, cria uma
combinação harmônica. Já o contraste é criado de maneira diferente. É quando a combinação
é composta de cores totalmente diversas entre si, como azul, roxo, amarelo, verde, por
exemplo.
11. COR E LUZ
A relação entre a cor e a luz influencia em tudo. Há diferentes tipos de luz, e cada uma delas
reage á cor de maneira diferente. Com a Luz de Neon, por exemplo, que emite muitos raios
vermelhos e poucos azuis ou verdes que os objetos que sob uma fonte natural de luz
pareceriam verdes ou azuis, parecerão pretos, por absorverem muitos raios vermelhos.
Entre os tipos de luz mais conhecidos estão, além da luz natural e elétrica, as luzes de neon e
mercúrio que são utilizadas mais especificamente em equipamentos para indústrias, hospitais,
laboratórios e museus. A luz natural e elétrica é geralmente utilizada em moradias, e locais
públicos em geral.
A cor muda pela influência da luz que recebe, pois ela não é uma característica do objeto. A
beleza de uma cor depende da sua fonte de luz. Mesmo à luz do dia, um objeto apresentará
cores diferentes se o dia estiver azul-ensolarado ou nublado.
“A matéria só pode ser adequada e harmonicamente colorida graças à luz.” (FARINA, 1990)
12. CONCLUSÃO
Através das analise acima, podemos concluir que as cores fazem parte da nossa mente. Seu
aparecer é influenciado por muitos fatores como influência de deficiências pessoais,
influências culturais, por campo de estudo e luz.
As cores são sensações sofridas por nossa mente ao interpretar a informação recebida através
da retina, cuja informação é influenciada pelos fatores citados acima.
A cor não existe sem que haja luz.
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