Luciana de Jesus_2010

Luciana de Jesus_2010
Universidade do Minho
Escola de Engenharia
Luciana Aparecida Netto de Jesus
UMinho | 2010
Luciana Aparecida Netto de Jesus
Metodologia de Aplicação de
Conceitos de Sustentabilidade Edifícios
Metodologia de Aplicação de
Conceitos de Sustentabilidade a Edifícios
Dezembro de 2010
Este trabalho foi realizado ao abrigo da (BDE) - Bolsa de Doutoramento em Empresa com a referência
SFRH/BDE/15522/2004
Universidade do Minho
Escola de Engenharia
Luciana Aparecida Netto de Jesus
Metodologia de Aplicação de
Conceitos de Sustentabilidade a Edifícios
Tese de Doutoramento
Engenharia Civil
Trabalho efectuado sob a orientação da
Professora Doutora Maria Manuela O. Guedes de
Almeida
Universidade do Minho
Co-Orientador:
Professor Doutor Jaume Avellaneda
Universidade Politécnica da Catalunha
Coordenador Empresarial (BDE)
António Carlos de Almeida
Chamartin Imobiliária
Dezembro de 2010
AGRADECIMENTOS
Em apenas uma página seria difícil exprimir a minha gratidão por todos aqueles com que tive, durante o
desenvolvimento desta tese, a oportunidade de aprender, conviver, compartilhar alegrias, percalços e
vitórias, e que de algum modo contribuíram para o meu enriquecimento pessoal a diferentes níveis.
Assim, apesar de conter-me a um reduzido número de palavras, espero poder abranger a todos com o
meu muito obrigada.
Antes de mais, começo por agradecer a Deus pela sua inquestionável presença na minha vida, e que a
cada dia renova as minhas forças e convicções.
À Professora Manuela Guedes de Almeida, minha orientadora, pelo seu exemplo humano e profissional,
com quem durante estes anos tive a feliz oportunidade de conviver. Agradeço-lhe o seu apoio, incentivo
e a sua acção determinante para o enriquecimento científico deste trabalho.
À Fundação para a Ciência e a Tecnologia e à Empresa Chamartín Imobiliária pela oportunidade em
conceder-me uma bolsa de investigação que tornou este trabalho possível.
Ao co-orientador Professor Jaume Avellaneda, pelas nossas longas conversas e análises críticas,
ajudando-me na definição da metodologia deste trabalho.
Ao Coordenador empresarial, António Carlos de Almeida, pelo forte contributo profissional, sua elevada
capacidade enquanto gestor e integrador de competências, tornando assim possível o enriquecimento
prático deste trabalho.
Ao Professor Albert Cuchí (UPC), à Societat Orgànica e à Natural Works, pelo acolhimento em suas
instalações e pelas importantes e enriquecedoras conversas que resultaram em importantes passos
durante esta investigação.
Aos colegas da Chamartin Imobiliária, pela amizade e o agradável convívio, em especial agradeço à
Elza Gonçalves pela revisão ortográfica e à Joana Rodrigues pelos incansáveis incentivos. Também
agradeço a todos os gestores de obra envolvidos, em especial ao Eng. Henrique Costa, pela forma
como permitiu a minha integração nas equipas de projecto e no apoio à obtenção de informações do
Dolce Vita Braga.
Às empresas parceiras que trabalharam no Dolce Vita Braga e no Dolce Vita Tejo, em especial à VHM,
LMSA, PQF, Fluidinova, SuaKay, A Ramalhão, entre outras, pelo contributo, materiais e informações
gentilmente cedidos.
Ao Eduardo, meu marido, companheiro, amigo, agradeço-lhe e dedico-lhe todo este trabalho, pois sei
que sem o seu apoio e dedicação, este não seria possível. Considero esta etapa vencida como NOSSA.
À Catarina, minha filha que nasceu no final deste trabalho, agradeço a sua presença que veio renovar
as minhas forças para novos desafios a conquistar.
À minha família, em especial aos meus pais Arildo e Vania e à minha querida avó Martha, pela
confiança, pelo ânimo e pelo exemplo e fonte de inspiração que sempre foram para mim. Cada passo
que dou na minha vida, é mais um passo que dedico a vocês.
A todos, o meu muito obrigada.
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RESUMO
O desenvolvimento de mecanismos para a identificação eficaz de oportunidades e de
responsabilidades nas diferentes fases de um empreendimento, bem como o reconhecimento dos
resultados efectivos (económicos e ambientais) da sustentabilidade, são os principais contributos
para a prática e disseminação dos "três vectores" (social, ambiental e económico) essenciais no
ambiente construído.
Neste contexto, a presente tese apresenta os resultados do trabalho que teve dois objectivos
fundamentais: o primeiro refere-se à criação de uma base de dados de critérios-chave apresentados
através de diferentes perspectivas e nas diferentes fases de um empreendimento, de forma a
facilitar a aplicabilidade de critérios sustentáveis. O segundo objectivo, e principal, refere-se à
análise das implicações económicas e ambientais associadas aos critérios definidos pela
Ferramenta Britânica BREEAM (Building Research Establishment Environmental Assessment
Method), aplicados num centro comercial localizado em Braga em fase de construção de modo a
obter resposta a duas questões essenciais: quanto custa e qual a real mais-valia de aplicar
princípios de sustentabilidade a um empreendimento.
O mecanismo para a concretização do primeiro objectivo deve-se em grande parte ao levantamento
de medidas, definição de "timings" de actuação e a clara identificação do papel dos diferentes
"stakeholders" no ciclo de vida de um edifício. O resultado de parte deste trabalho foi importante
para o processo de criação do GPS (Gestão do Projecto Sustentável), ferramenta informática
desenvolvida para fomentar a prática de critérios de sustentabilidade em projectos desenvolvidos
pela empresa Chamartin Imobiliária (empresa co-financiadora deste trabalho enquanto BDE- Bolsa
de Doutoramento em Empresa).
No que se refere ao segundo objectivo, e tendo em conta a obtenção de resultados, uma das etapas
deste trabalho consistiu na definição de quatro cenários com diferentes níveis de sustentabilidade
(classificação definida pelo BREEAM, nomeadamente PASS, VERY GOOD e EXCELLENT), onde
foram evidenciadas as implicações económicas e ambientais de cada nível, bem como a
comparação entre cenários.
Além da definição dos diferentes cenários estabelecidos, destaca-se que os critérios BREEAM
utilizados foram primeiramente estruturados em quatro diferentes grupos de análise. Esta
segmentação teve como objectivo identificar os critérios facilmente adaptáveis e não adaptáveis à
realidade portuguesa, assim como identificar aqueles que exigiriam ou não investimento adicional
ao serem implementados no projecto.
Um dos elementos-chave neste trabalho foi a análise holística implementada, ao mesmo tempo que
se analisou a informação económica quer em termos de investimento inicial quer em termos de custos
operacionais durante um período de 20 anos. Dessa forma foi possível demonstrar os indicadores
simplificados para a análise de investimentos, como sejam o Valor Actual Líquido (VAL), a Taxa
Interna de Rentabilidade (TIR) e o Pay-back (Retorno de investimento), além dos benefícios
ambientais expressos através da redução dos recursos naturais e de emissões de CO2eq.
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ABSTRACT
The use and dissemination of the “triple bottom line” (social, environmental and economic) in a built
environment prompts the recognition of effective sustainable (economic and environmental) results
and also aids in developing mechanisms which can effectively identify opportunities and
responsibilities during the different stages of a construction.
Within this context, this thesis presents the results of a study which had two main objectives. The
first was to create a database of key criteria obtained from different perspectives during the different
phases of construction, so as to facilitate the application of sustainable criteria. The second and main
objective was to assess the economic and environmental implications associated to the criteria
defined by the British BREEAM standard, applied to a shopping centre still in construction, located in
Braga, in order to obtain answers to two key issues: costs and the true added value of applying
sustainable principals to a construction.
The mechanisms used to achieve the first objective were obtained from existing measures, from the
definition of “timings” and the clear identification of each different stakeholder’s role in the life cycle of
the building. The results from part of this study were essential in creating a GPS (sustainable project
management program), an IT tool developed to foster the use of sustainability criteria in projects
developed by the real estate company Chamartin Imobiliária (company co-financing this study as an
Industrial PhD scholarship).
In relation to the second objective and based on obtained results, one of the stages involved in this
study was to define four scenarios with different levels of sustainability (classification defined by
BREEAM, namely PASS, VERY GOOD and EXCELLENT) and the economic and environmental
implications for each level as well as a comparison across the scenarios.
In addition to the definition of the different established scenarios, the BREEAM ratings that were
used were first structured in four different groups of analysis. The objective of this division was to
identify criteria that could be easily adaptable and non-adaptable to the Portuguese reality, as well as
identify those that require or not additional investments when implemented.
One of the key-elements in this study was the use of a holistic analysis while at the same time
analysing the economic information in relation to the initial investment and operational costs during a
twenty-year period. It was thus possible to demonstrate simplified indicators to analyse investments,
such as the Net Present Value (NPV), the Internal Rate of Return (IRR) and Pay-back period (return
on investment), in addition to the environmental benefits resulting from the reduction of natural
resources and CO2eq emissions.
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METODOLOGIA DE APLICAÇÃO DE CONCEITOS DE SUSTENTABILIDADE A
EDIFÍCIOS
PALAVRAS-CHAVES
CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL
ANÁLISE CUSTO-BENEFÍCIO
FERRAMENTAS DE SUSTENTABILIDADE
EDIFÍCIO COMERCIAL
KEY WORDS
SUSTAINABLE CONSTRUCTION
COST-BENEFIT ANALYSIS
SUSTAINABLE TOOLS
COMMERCIAL BUILDING
ix |
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ÍNDICE GERAL
CAPÍTULO 1 – INTRODUÇÃO .......................................................................................................... 1
1.1
Fundamentação.................................................................................................................. 1
1.2
Objectivos........................................................................................................................... 4
1.3
Metodologia aplicada......................................................................................................... 5
1.4
Resultados esperados ........................................................................................................ 6
1.5
Conteúdo da tese (por capítulo) ........................................................................................ 7
CAPÍTULO 2 - ENQUADRAMENTO ................................................................................................ 11
2.1
Aspectos históricos e o surgimento da alerta .................................................................. 11
2.1.1
Alterações Climáticas ............................................................................................... 12
2.1.2
Contexto socioeconómico ........................................................................................ 15
2.2
Impacte ambiental dos edifícios ...................................................................................... 17
2.2.1
Uso do solo e redução da biodiversidade local ........................................................ 18
2.2.2
Consumos de energia e respectivas emissões. ........................................................ 22
2.2.3
Consumo de água ..................................................................................................... 25
2.2.4
Consumo dos materiais ............................................................................................ 27
2.2.5
Produção de resíduos ............................................................................................... 29
2.2.6
Qualidade do ar ........................................................................................................ 32
2.3
O efeito da mudança – Contextualizando a Construção Sustentável .............................. 33
2.3.1
Propostas e acções a nível Global ............................................................................ 34
2.3.2
Propostas europeias para uma Construção mais sustentável ................................. 37
2.3.3
Legislação Nacional .................................................................................................. 39
2.3.4
Princípios da sustentabilidade aplicados na construção.......................................... 45
CAPÍTULO 3 – MÉTODOS E FERRAMENTAS - COMO RECONHECER UM EDIFÍCIO
SUSTENTÁVEL? ............................................................................................................................. 53
3.1
Ferramentas de Sustentabilidade .................................................................................... 53
3.1.1
BREEAM (Building Research Establishment Environmental Assessment Method) . 55
3.1.2
Metodologia SBTool (Sustainable Building Tool) ..................................................... 60
3.1.3
LEED (Green Building Rating System) (versão V3) ................................................... 64
3.1.4
CASBEE (Comprehensive Assessment System for Building Environmental Efficiency)
68
xi |
3.1.5
LiderA (Liderar pelo ambiente para a construção sustentável) ............................... 74
3.1.6
SBToolPT (Sustainable Building Tool Portugal) .......................................................... 80
3.1.7
Aplicações futuras – Ferramentas para o Mercado globalizado. ............................. 84
3.2
Ferramentas de análise do comportamento do edifício - Ferramentas Auxiliares......... 87
3.2.1
Contextualização ...................................................................................................... 87
3.2.2
Análise do Comportamento térmico ........................................................................ 88
3.2.3
Ferramentas para adequado aproveitamento das condições endógenas (energias
renováveis) ............................................................................................................................... 93
3.2.4
Análise do ciclo de vida dos materiais...................................................................... 94
CAPÍTULO 4 - METODOLOGIA DE DESENVOLVIMENTO DO TRABALHO ................................ 99
4.1
Introdução ........................................................................................................................ 99
4.2
Metodologia aplicada ao primeiro objectivo deste trabalho......................................... 100
4.3
Metodologia aplicada ao segundo objectivo deste trabalho. ........................................ 101
4.3.1
Escolha da tipologia de edifício a ser analisada. .................................................... 102
4.3.2
Análise do método de avaliação escolhido. ........................................................... 106
4.3.3
Escolha dos critérios chave a serem analisados. .................................................... 111
4.3.4
Definição dos indicadores económicos e ambientais ............................................ 112
CAPÍTULO 5 – DESENVOLVIMENTO DA GESTÃO DO PROJECTO SUSTENTÁVEL (GPS).... 117
5.1
Introdução ...................................................................................................................... 117
5.2
“Guião para a Construção Sustentável”- Guia Geral (Base preliminar do GPS)............. 118
5.2.1
Definição das categorias contempladas no Guião. ................................................ 119
5.2.2
Resultados obtidos com o GPS. .............................................................................. 125
CAPÍTULO 6 - DESCRIÇÃO DOS EDIFÍCIOS DE REFERÊNCIA E CASO DE ESTUDO. ........... 131
6.1
Introdução ...................................................................................................................... 131
6.2
Descrição dos edifícios de referência ............................................................................. 132
6.2.1
Informações gerais dos edifícios de referência...................................................... 133
6.2.2
Características Construtivas ................................................................................... 138
6.2.3
Características das instalações ............................................................................... 139
6.3
Análise do desempenho dos edifícios ............................................................................ 140
6.4
Análise dos resultados finais (por categoria) obtidos. ................................................... 143
6.4.1
xii |
Gestão de energia .................................................................................................. 143
6.4.2
Gestão da água ....................................................................................................... 145
6.4.3
Gestão dos resíduos ............................................................................................... 146
6.5
Identificação dos casos de estudo ................................................................................. 147
6.6
Descrição dos casos de estudo escolhidos ..................................................................... 149
6.6.1
Informações gerais dos casos de estudo................................................................ 149
6.6.2
Características construtivas.................................................................................... 153
6.6.3
Características das instalações ............................................................................... 155
6.6.4
Medidas ambientais previstas em projecto. .......................................................... 155
CAPÍTULO 7- QUANTIFICAÇÃO DOS PRESSUPOSTOS ........................................................... 161
7.1
Levantamento da actual classificação dos casos de referência e do caso de estudo. ... 161
7.2
Análise e selecção dos critérios de sustentabilidade a serem introduzidos. ................. 164
CAPÍTULO 8 – ADAPTAÇÃO DOS CRITÉRIOS À REALIDADE PORTUGUESA ....................... 171
8.1
Introdução ...................................................................................................................... 171
8.2
Enfoque nos critérios que já estão abrangidos pela legislação local (Grupo A). ........... 172
8.3
Enfoque nos critérios inadaptados à realidade Portuguesa (Grupo B).......................... 176
CAPÍTULO 9 – CRITÉRIOS SEM A ANÁLISE DO RETORNO DO INVESTIMENTO ................... 203
9.1
Introdução ...................................................................................................................... 203
9.2
Critérios relacionados com a saúde e o bem-estar (acções que cumprem os critérios
estabelecidos) ............................................................................................................................ 206
9.2.1
Iluminação natural nos escritórios (Hea14) ........................................................... 206
9.3
Critérios relacionado com os meios de transporte (acções que cumprem os critérios
estabelecidos) ............................................................................................................................ 210
9.3.1
Instalações para ciclistas (Tra 3)............................................................................. 210
9.3.2
Segurança para pedestres e ciclistas (Tra 4........................................................... 212
9.3.3
Posto de informação sobre horários de transportes públicos (Tra 7) ................... 214
9.4
Critérios relacionada com a gestão da água (acções que cumprem os critérios
estabelecidos). ........................................................................................................................... 214
9.4.1
Sistema de detecção de fuga de água (Wat 3) ....................................................... 214
9.5
Critérios relacionados com a escolha dos materiais (acções que cumprem os critérios
estabelecidos). ........................................................................................................................... 217
9.5.1
Isolamento (Mat 6) ................................................................................................. 217
xiii |
9.6
Critérios relacionados com a gestão dos resíduos (acções que cumprem os critérios
estabelecidos) ............................................................................................................................ 222
9.6.1
Compostagem (Wst5)............................................................................................. 222
CAPÍTULO 10 – CRITÉRIOS RELACIONADOS COM A ANÁLISE DO RETORNO DO
INVESTIMENTO ............................................................................................................................. 231
10.1
Introdução ...................................................................................................................... 231
10.2 Oportunidade de melhoria para a adequada gestão da água (acções que cumprem os
critérios estabelecidos) .............................................................................................................. 232
10.2.1
Pressupostos utilizados .......................................................................................... 232
10.2.2
Consumo eficiente da água (Wat 1) ....................................................................... 239
10.2.3
Sanitários com sistemas de corte (Shut-off) (Wat4) .............................................. 247
10.2.4
Reaproveitamento e reciclagem da água (Wat 5).................................................. 253
10.3 Oportunidade de melhoria para a adequada gestão da energia (acções que cumprem os
critérios estabelecidos) .............................................................................................................. 262
10.3.1
Pressupostos Utilizados.......................................................................................... 262
10.3.2
Redução das emissões de CO2eq (Ene1).................................................................. 264
10.3.3
Tecnologia com reduzidas emissões de carbono (Cogeração) (Ene5) ................... 266
10.3.4
Tecnologia com reduzidas emissões de carbono (Fotovoltaicos) (Ene5) .............. 274
10.3.5
Instalações Frigoríficas (Ene 7) ............................................................................... 286
10.3.6
Elevadores (Ene8) ................................................................................................... 292
CAPÍTULO 11 – RESULTADOS OBTIDOS ................................................................................... 301
11.1
Introdução ...................................................................................................................... 301
11.2
Comparação entre cenários estabelecidos. ................................................................... 303
CAPÍTULO 12 - CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................. 313
12.1 Conclusão ........................................................................................................................... 313
12.2
Perspectiva Futura ......................................................................................................... 317
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .............................................................................................. 319
xiv |
ÍNDICE DE FIGURAS
Figura 2.1- Evidências e paralelismo entre aumento da população (Fonte: United Nation, 2003) e emissões (CO2)
(Fonte: NOAA, 2005). ........................................................................................................................................................ 12
Figura 2.2 – Exemplo de degelo acelerado, verificado no Árctico em 2007 comparado com 2003 (Fonte: UNEP, 2007).
........................................................................................................................................................................................... 13
Figura 2.3 – Gases de Efeito de estufa (Fonte: UNEP & GRID Arendal, 2009). ............................................................... 14
Figura 2.4 – Custos económicos causados pela Alteração climática (Fonte: UNEP & GRID Arendal, 2008) ................... 15
Figura 2.5- Modelo de sistematização dos principais impactos da construção (Fonte: Pinheiro M., 2006). ..................... 18
Figura 2.6- “Pegada ecológica” por componente de 1961 a 2005 (Fonte: Wackernagel M. et al, 2008). ......................... 19
Figura 2.7- Países credores e em débito ecológico (Fonte: WWF, 2003). ........................................................................ 20
Figura 2.8- Principais produtos produzidos em 2007 (Fonte: INE, 2009). ......................................................................... 23
Figura 2.9- Consumo de energia num Centro Comercial típico (A.Ramalhão,2007) . ....................................................... 24
Figura 2.10 - Principais consumidores e encargos totais, relacionado ao consumo da água em Portugal (Fonte: LNEC,
2001) (adaptado)................................................................................................................................................................ 25
Figura 2.11 - Perdas de água durante os processos de abastecimento no Grande Porto (Fonte: Futuro sustentável,
2008). ................................................................................................................................................................................. 26
Figura 2.12 - Consumo de água potável em Lisboa (Fonte: Lisboa e-nova, 2007). .......................................................... 26
Figura 2.13 - Análise do consumo doméstico (Fonte: Lisboa e-nova, 2007). .................................................................... 27
Figura 2.14 - Análise do consumo de água potável realizado pela Câmara Municipal de Lisboa (Fonte: Lisboa e-nova,
2007). ................................................................................................................................................................................. 27
Figura 2.15 – Cartoon referente a “mochila ecológica” associada a um anel de ouro (Fonte: www.seppo.net). .............. 28
Figura 2.16 – Ciclo-de-vida dos materiais (Fonte: ITEC, 2006) . ....................................................................................... 30
Figura 2.17 - Principais trajectórias do Desenvolvimento Sustentável (Fonte:IISD, 2009) ................................................ 34
Figura 2.17 (cont.) - Principais trajectórias do Desenvolvimento Sustentável (Fonte:IISD, 2009) .................................... 35
Figura 2.18 - As três dimensões da sustentabilidade e seus objectivos fundamentais (Fonte: Serageldin e Steer, 1994)
(adaptado). ......................................................................................................................................................................... 46
Figura 2.19 – A evolução do conceito de competitividade na construção (Fonte: CIB, 1999). .......................................... 47
Figura 2.20 - Benefícios dos edifícios sustentáveis para os diferentes "Stakeholders" (Fonte: Arene, 2004)(adaptado). 48
Figura 2.21- Distribuição por percentagem do custo, durante um período de 30 anos da vida do edifício (Megan, D. et.
al, 2005). ............................................................................................................................................................................ 50
Figura 3.1- Critérios mínimos obrigatórios do BREEAM Retail (“Mandatory”) (Fonte: BRE, 2008). ................................. 57
Figura 3.2 - O peso aplicado as diferentes categorias abrangidas pelo BREEAM_Retail (Fonte: BREEAM, 2008). ........ 58
Figura 3.3 - O peso aplicado as diferentes categorias abrangidas pela metodologia SBTool versão 2007 (Fonte: IISBE,
2007). ................................................................................................................................................................................. 62
Figura 3.4 - Exemplo do Check-list – lista de critérios do LEED para novas construções (Versão 3) (USGBC, 2010). ... 66
Figura 3.5- Processo de verificação do LEED (Saunders T., 2008). ................................................................................. 67
Figura 3.6- Configuração base o CASBEE (Fonte: IBEC, 2004). ...................................................................................... 68
xv |
Figura 3.7- Hipotético limite definido entre o edifício e sua envolvente (Fonte: IBEC, 2004). ........................................... 69
Figura 3.8 - Peso aplicado às diferentes categorias abrangidas pelo CASBEE (Fonte: IBEC, 2004). .............................. 72
Figura 3.9- Resultado definido pelas categorias do CASBEE (apresentados por gráfico) (Fonte: IBEC, 2004) ............... 73
Figura 3.10 - Resultado global do CASBEE ( apresentado através da equação BEE) (Fonte: IBEC; 2004). ................... 73
Figura 3.11 - O peso aplicado as diferentes categorias (áreas de actuação) abrangidas pelo sistema LiderA 2.0 (Fonte:
LiderA, 2009)...................................................................................................................................................................... 78
Figura 3.12 - Estrutura do sistema SBToolPT (Fonte: IISBEPT, 2009). .............................................................................. 80
Figura 3.13- Classificação aplicada a cada parâmetro, definido pela ferramenta SBToolPT (Fonte: IISBEPT, 2009). ........ 81
Figura 3.14- Classificação final da ferramenta SBToolPT definida por categoria ( Fonte: IISBEPT; 2009) ......................... 81
Figura 3.15 - Classificação final da ferramenta SBToolPT definida por dimensão (Fonte: IISBEPT; 2009). ........................ 81
Figura 3.16- Processo de Avaliação e emissão do certificado (Fonte: IISBEPT, 2009)...................................................... 83
Figura 3.17 - Base para introdução dos dados do projecto (IDF editor - Input Data File) (Fonte: Energyplus, 2008). ..... 90
Figura 4.1- Análise prévia do BREEAM, para identificar o perfil do edifício que será analisado (Fonte: BRE, 2008). .... 108
Figura 4.2 - Folha de cálculo disponibilizada pela Ferramenta BREEAM (Fonte: BRE, 2008). ...................................... 110
Figura 5.1- Página principal para visualização da Ferramenta informática GPS. ............................................................ 126
Figura 5.2- Entrada alternativa para o GPS através dos diferentes empreendimentos da empresa. .............................. 126
Figura 5.3- Selecção dos critérios de sustentabilidade através das diferentes áreas de negócios. ................................ 127
Figura 5.4 - Análise de sustentabilidade através da escolha de filtros por fases do empreendimento. .......................... 127
Figura 5.5 - Análise de sustentabilidade através da escolha de filtros por especialidade. ............................................. 128
Figura 5.6- Resultado obtido no GPS, através de escolhas de filtros. ............................................................................. 128
Figura 6.1 – Entrada Principal do DVD ............................................................................................................................ 133
Figura6.2 – Planta do Piso 1 do DVD (Entrada principal) ................................................................................................ 133
Figura 6.3 – Entrada principal do DVC ............................................................................................................................ 134
Figura 6.4 – Planta do Piso 2 do DVC (Entrada principal). .............................................................................................. 135
Figura 6.5 – Vista do DVP da VCi (Via de cintura interna) .............................................................................................. 136
Figura 6.6 - Planta do piso 1 do DVP (Entrada principal). ............................................................................................... 136
Figura 6.7 – Áreas por funcionalidade do DVD. ............................................................................................................... 137
Figura 6.8 – Áreas por funcionalidade do DVC. ............................................................................................................... 137
Figura 6.9 – Áreas por funcionalidade do DVP. ............................................................................................................... 138
Figura 6.10 - Repartição do consumo de energia do DVD (áreas geridas pelo promotor) (Fonte: A.Ramalhão, 2006) . 140
Figura 6.11- Repartição do consumo de energia do DVC (áreas geridas pelo promotor) (Fonte: A. Ramalhão, 2007) . 140
Figura 6.12- Repartição do consumo de energia do DVP (áreas geridas pelo promotor) (Fonte: A. Ramalhão, 2007) .. 140
Figura 6.13- Base de dados para a recolha dos consumos mensais e tráfego dos três centros comerciais de referência.
......................................................................................................................................................................................... 141
Figura 6.14 – Exemplo de uma análise individual (Dolce Vita Douro DVD) onde foram comparados os consumos de
energia do ano 2006 e 2007. ........................................................................................................................................... 143
Figura 6.15 - Gráfico representativo da análise comparativa entre os três edifícios de referência (Fonte: Chamartin
Imobiliária, 2007) .............................................................................................................................................................. 144
Figura 6.16- Gráfico representativo da análise comparativa entre os três edifícios de referência (Fonte Chamartin
Imobiliária, 2007) .............................................................................................................................................................. 146
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Figura 6.17- Gráfico representativo da análise comparativa entre os três edifícios de referência (Fonte: Chamartin
Imobiliária, 2007) .............................................................................................................................................................. 147
Figura 6.18- Imagens do DVT em fase de projecto. ........................................................................................................ 150
Figura 6.19- Fotos do DVT em fase de obra (Fonte: Chamartin Imobiliária, 2007) ......................................................... 150
Figura 6.20 – Imagem em 3D do DVB. ............................................................................................................................ 152
Figura 6.21 – Planta de corte longitudinal do DVB. ......................................................................................................... 152
Figura 6.22 – Áreas por funcionalidade do DVT. ............................................................................................................. 153
Figura 6.23 – Áreas por funcionalidade do DVB. ............................................................................................................. 153
Figura 7.1 - Classificação dos edifícios de referência (valor médio) e Caso de estudo (proposta inicial) obtidos através do
BREEAM ("Pre-assessment"). ......................................................................................................................................... 162
Figura 7.2 - Comparação e análise associado aos diferentes cenários. ......................................................................... 163
Figura 7.3 - Classificação do Caso de estudo (proposta inicial) e os cenários de intervenção obtidos através da folha de
cálculo do BREEAM ("Pre-assessment"). ........................................................................................................................ 169
Figura 8.1- Estudos sobre mobilidade Urbana do Porto e Lisboa realizados respectivamente pelo INE (2000) e pelo
GEOTA (2002) (Fonte: BCSD, 2005) ............................................................................................................................... 184
Figura 8.2- Meios de deslocação dos visitantes aos Centros Comerciais “Dolce Vita” (valor médio: DVP, DVD, DVC e DV
Ovar) (Fonte: Chamartin Imobiliária, 2008). ..................................................................................................................... 184
Figura 8.3- Percentagem de agregados utilizados no DVB ............................................................................................. 196
Figura 9.1- Sistema SOLATUBE 21 (Ø 53 Cm) (Fonte: Polirígido, 2008) ....................................................................... 207
Figura 9.2 – Planta do escritório do DVBraga e em destaque a sala de reunião e central de segurança, onde foi proposto
a instalação do sistema SOLATUBE. .............................................................................................................................. 208
Figura 9.3- Sistemas proposto para o caso de estudo: estacionamento triângulo (Laurus) ............................................ 210
Figura 9.4- Sistema alternativo (mais económico) (Marca Doublet) ................................................................................ 210
Figura 9.5 – Fluxos de resíduos previstos para o DVBraga (Fonte: Sopsec, 2008). ....................................................... 224
Figura 9.6 – Espaços separados e refrigerados, destinados ao armazenamento dos RSUs (Fonte: Sopsec, 2008) ..... 224
Figura 9.7- Comparação entre produção de resíduos no DVP, durante 3 meses homólogos de 2008 e 2009. ............. 226
Figura 9.8 – Redução dos custos e das emissões associadas a valorização orgânica do DVP em somente um trimestre.
......................................................................................................................................................................................... 227
Figura 9.9 – Redução dos custos e das emissões anuais associadas a valorização orgânica do DVB. ........................ 228
Figura 10.1 - Autoclismo com duplo fluxo. ....................................................................................................................... 241
Figura 10.2- Comparação entre diferentes sistemas de autoclismo (Fonte: Geberit, 2005). .......................................... 241
Figura 10.3- Torneira electrónica (Fonte: Geberit, 2008). ................................................................................................ 242
Figura 10.4- Comparação entre o consumo de diferentes torneiras (Fonte: Geberit, 2008). .......................................... 242
Figura 10.5- Torneira pneumática (Fonte Geberit, 2008) ................................................................................................ 243
Figura 10.6- Comparação entre o consumo de diferentes torneiras (Fonte: Geberit, 2008). .......................................... 243
Figura 10.7 - Sistema de urinol sem água (URIMAT ECO com display) (Fonte: URIMAT, 2009). .................................. 243
Figura 10.8 - Sistema de funcionamento do urinol sem água (URIMAT) (Fonte: URIMAT, 2009). ................................. 244
Figura 10.9 – Electroválvulas (Solenóides) e sensores de presença. ............................................................................. 248
Figura 10.10 – Esquema de funcionamento do Sistema de corte (Shut-off) (Fonte: Robert Pearson, 2008). ................ 248
Figura 10.11 - Exemplo de sistema de depuração encontrado no mercado (fonte: 3Ptechnik, 2009). ........................... 255
xvii |
Figura10.12 – Área para captação da água pluvial no DVB (Fonte: Chamartín Imobiliária, 2010). ................................ 257
Figura 10.13 - Esquema de funcionamento da cogeração/Trigeração (Fonte: Brandão S., 2004). ................................ 268
Figura 10.14 – Esquema de produção eléctrica a partir de painéis fotovoltaicos (Fonte: Schott Solar, 2008). ............... 275
Figura 10.15 - Exemplo de aplicação do sistema fotovoltaico integrado ao edifício – Como clarabóia e na fachada
(Fonte: Sapa, 2009). ........................................................................................................................................................ 277
Figura 10.16 – Exemplo de aplicação de painéis fotovoltaicos integrados nos edifícios - Biblioteca de Mataró, Espanha
(Fonte: Jesus. L et. al., 2006). ......................................................................................................................................... 278
Figura 10.17 – Opções de células fotovoltaicas aplicadas em vidros (Fonte: Schott Solar, 2008). ................................ 278
Figura 10.18 – Custos associados a uma instalação convencionais comparados com um sistema fotovoltaico integrado
ao edifício (Fonte: Schott Solar, 2008). ............................................................................................................................ 279
Figura 10.19 – Diferença entre módulos disponíveis no mercado. .................................................................................. 280
Figura 10.20 – Módulos Thin Film (Fonte: Schott Solar, 2009). ...................................................................................... 281
Figura 10.21- Local de intervenção proposto para instalação de Fotovoltaico integrado ao edifício (Fonte: Chamartin
Imobiliária, 2009).............................................................................................................................................................. 282
Figura 10.22 – Resultado da Ferramenta PVGIS: cálculo da energia eléctrica mensal produzida em Braga. ................ 283
Figura 10.23- Bancos de Gelo instalados no Dolce Vita Porto. ....................................................................................... 287
Figura 10.24 – Produção total de electricidade no ano de 2007 e identificação das horas de procura de energia (Fonte:
Henriques A.C., 2008)(adaptado). ................................................................................................................................... 288
Figura 10.25 – Emissões de GEE referentes ao balanço energético diário (valores médios de 2007) (Fonte: Henriques
A.C., 2008) (adaptado). .................................................................................................................................................... 289
Figura 10.26- Cabo convencional comparado a um sistema Gen2Drive (Cinta plana)(Fonte: Otis, 2008). .................... 293
Figura 10.27 – Comparação entre um motor convencional e o Sistema Gen2Drive (Fonte: Otis, 2008). ....................... 294
Figura 10.28 – Comparação entre cabos de elevadores convencionais e as cintas planas do Sistema Gen2Drive (Fonte:
Otis, 2008)........................................................................................................................................................................ 294
Figura 10.29- Sistema Regen Drive (Fonte: Otis, 2008). ................................................................................................. 295
Figura 10.30- Consumos de energia (área a amarelo) e a energia gerada (área a verde) (Fonte: Otis,2008). .............. 295
Figura 10.31- Consumo e emissões variáveis pela facturação da fábrica em Zardoya (Fonte: Otis, 2008). .................. 296
Figura 10.31(cont.) - Consumo e emissões variáveis pela facturação da fábrica em Zardoya (Fonte: Otis, 2008). ....... 297
Figura 10.32- À esquerda, Sistema Gearlessdrive não regenerativo (com casa de máquina) e à direita, o sistema
Gen2Drive Regen (Otis, 2008). ........................................................................................................................................ 298
Figura 11.1 – Gráfico representativo das diferentes classificações do cenário 1 e 2. ..................................................... 303
Figura11.2- Gráfico representativo das diferentes classificações dos cenários 2 e 3. .................................................... 304
Figura11.3- Gráfico representativo das diferentes classificações do cenário 3 e 4. ........................................................ 307
Figura11.4 - Gráfico representativo das diferentes classificações do cenário 2 para 4. .................................................. 308
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ÍNDICE DE TABELAS
Tabela 2.1 - Mochila ecológica associada a 1 kg do produto final (Fonte Pinheiro M., 2006). .......................................... 28
Tabela 2.2 - Destino final dos resíduos produzidos na Comunidade Europeia entre1996 e 2006 (Fonte PERSUII, 2007).
........................................................................................................................................................................................... 29
Tabela 2.3 – Vida útil dos aterros e por sistema no final do ano de 2004 (Fonte: PERSUII, 2007). ................................. 30
Tabela 2.4- Níveis limites de ruídos definidos pelo Regulamento Geral do Ruído. ........................................................... 43
Tabela 2.5- Produtos abrangidos e teores máximos de COVs. ......................................................................................... 44
Tabela 3.1 - Estrutura da Ferramenta LiderA2.0, organizada pelas diferentes vertentes, áreas de actuação e critérios
(LiderA, 2009) .................................................................................................................................................................... 77
Tabela 4.1 - Critérios BREEAM utilizados durante a análise deste estudo (Fonte: BRE, 2008) (adaptado). .................. 109
Tabela 4.2- Classificação final definida pelo BREEAM ( Fonte: BRE, 2008) ................................................................... 109
Tabela 4.3.- Critérios da Ferramenta BREEAM analisadas durante o estudo económico e ambiental proposto (Fonte:
BRE, 2008) (adaptado). ................................................................................................................................................... 111
Tabela 4.3(cont.) - Critérios da Ferramenta BREEAM analisadas durante o estudo económico e ambiental proposto
(Fonte: BRE, 2008) (adaptado). ....................................................................................................................................... 112
Tabela 5.1 - Elementos chaves que poderão ser analisadas no GPS. ............................................................................ 125
Tabela 6.1 – Definição das áreas por funcionalidade, nos três centros comerciais de referência. ................................. 136
Tabela 6.2 – Principais características construtivas dos três edifícios de referência. ..................................................... 138
Tabela 6.2(cont.) – Principais características construtivas dos três edifícios de referência. ........................................... 139
Tabela 6.3 - Relação dos principais equipamentos utilizados nos três edifícios de referência (Fonte: A. Ramalhão, 2007)
......................................................................................................................................................................................... 139
Tabela 6.4 - Exemplo da análise realizada no DVP, no intuito de verificar os meios de transporte nas suas deslocações
ao CC, utilizados pelos visitantes. ................................................................................................................................... 142
Tabela 6.5 - Consumo de energia total nos edifícios de referência expresso em GJ (giga joule) ................................... 144
Tabela 6.6 - Consumo de energia por 1000 m2 de “mall”. ............................................................................................... 145
Tabela 6.7- Consumo de energia por 1000 convidados. ................................................................................................. 145
Tabela 6.8 - Consumo de água total nos edifícios de referência expresso em m3 (metros cúbicos) .............................. 145
Tabela 6.9- Consumo de água por 1000 m2 do "mall". .................................................................................................... 146
Tabela 6.10- Consumo de água por 1000 convidados .................................................................................................... 146
Tabela 6.11- Percentagem de resíduos reciclados nos três edifícios de referência. ....................................................... 147
Tabela 6.12 – Definição das áreas por funcionalidade, nos dois casos de estudo. ........................................................ 152
Tabela 6.13– Principais características construtivas nos dois casos de estudo. ............................................................. 153
Tabela 6.13 (cont.)– Principais características construtivas nos dois casos de estudo. ................................................. 154
Tabela 6.14 - Relação dos principais equipamentos instalados e previstos nos dois casos de estudos. ...................... 155
Tabela 6.15 – Medidas ambientais e de eficiência implementadas no DVT. ................................................................... 156
Tabela 6.15 (cont.) – Medidas ambientais e de eficiência implementadas no DVT. ....................................................... 157
Tabela 6.16 – Medidas ambientais e de eficiência implementadas no DVB. .................................................................. 158
Tabela 6.16 (cont.) – Medidas ambientais e de eficiência implementadas no DVB. ....................................................... 159
xix |
Tabela 7.1- Critérios abrangidos pelo Grupo A (com possível adaptação regulamentar local)(Fonte: BRE, 2008)
(adaptado) ........................................................................................................................................................................ 164
Tabela 7.1 (cont.)- Critérios abrangidos pelo Grupo A (com possível adaptação regulamentar local)(Fonte: BRE, 2008)
(adaptado) ........................................................................................................................................................................ 165
Tabela 7.2- Critérios abrangidos pelo Grupo B (critérios inadaptados à realidade nacional) (Fonte: BRE,
2008)(adaptado)............................................................................................................................................................... 165
Tabela 7.2 (cont.)- Critérios abrangidos pelo Grupo B (critérios inadaptados à realidade nacional) (Fonte: BRE,
2008)(adaptado)............................................................................................................................................................... 166
Tabela 7.3- Critérios abrangidos pelo Grupo C (quantificação complexa, mas com elevado valor ambiental) (Fonte: BRE,
2008) (adaptado).............................................................................................................................................................. 166
Tabela 7.3 (cont.) - Critérios abrangidos pelo Grupo C (quantificação complexa, mas com elevado valor ambiental)
(Fonte: BRE, 2008) (adaptado) ........................................................................................................................................ 167
Tabela 7.4- Critérios abrangidos pelo Grupo D (critérios quantificáveis) ......................................................................... 168
Tabela 8.1- Critérios da Ferramenta BREEAM associados à Regulamentação Portuguesa. ......................................... 173
Tabela 8.1(cont.)- Critérios da Ferramenta BREEAM associados à Regulamentação Portuguesa. ............................... 174
Tabela 8.1( cont.)- Critérios da Ferramenta BREEAM associados à Regulamentação Portuguesa. .............................. 175
Tabela 8.1( cont.)- Critérios da Ferramenta BREEAM associados à Regulamentação Portuguesa. .............................. 176
Tabela 8.2 - Critérios abrangidos pelo Grupo B (critérios inadaptados à realidade nacional) ......................................... 177
Tabela 8.3- Número de créditos disponíveis em função do Índice de CO2 do edifício analisado (Fonte:BREEAM, 2008)
......................................................................................................................................................................................... 179
Tabela 8.4- Número de créditos do LEED disponibilizados em função do custo com energia evitados (expresso em
percentagem) (Fonte: LEED, 2009). ................................................................................................................................ 180
Tabela 8.5- Tabela apresentada na versão 2006 do BREEAM adaptada à Realidade Nacional Portuguesa (Fonte:
BREEAM, 2006) (adaptação). .......................................................................................................................................... 181
Tabela 9.1 - Critérios abrangidos pelo Grupo C (quantificação complexa, mas com elevado valor ambiental) .............. 204
Tabela 9.1 (Cont.) - Critérios abrangidos pelo Grupo C (quantificação complexa, mas com elevado valor ambiental) .. 205
Tabela 9.2- Características térmicas dos difusores utilizados no SOLATUBE (Fonte: Polirígido, 2008) ........................ 209
Tabela 9.3 - Emissões evitadas (kg/ano) com a instalação de uma unidade SOLATUBE na substituição de iluminação
artificial em horas do dia (Fonte: Polirígido, 2008) ........................................................................................................... 209
Tabela 9.4 - Custos associados ao estacionamento para bicicletas. .............................................................................. 211
Tabela 9.5 - Fugas identificadas nos edifícios de referência (Fonte: Chamartin Imobiliária, 2009) ................................ 216
Tabela 9.6 – Eventuais fugas que poderiam ser evitados com a utilização de detectores de fugas de água. ................ 217
Tabela 9.7- Pontos obtidos em função da classificação do Green Guide definido para diferentes materiais de isolamento.
(Fonte: BRE, 2008) .......................................................................................................................................................... 218
Tabela 9.8 – Cálculo do índice do Isolamento do Poliestireno Extrudido (XPS) aplicado no DVBraga. ....................... 219
Tabela 9.9 – Cálculo do índice do Isolamento do Aglomerado Negro de cortiça aplicado no DVBraga. ...................... 219
Tabela 9.10- Características físicas dos materiais de isolamento analisados. ................................................................ 220
Tabela 9.11- Características ambientais dos materiais de isolamento analisados. ......................................................... 221
Tabela 9.12- Emissões evitadas com a substituição do Poliestireno expandido por aglomerado de cortiça. ................. 222
xx |
Tabela 9.13- Unidades de valorização orgânica de RSU em funcionamento (previsão para 2004) ( Fonte: ENRRUBDA,
2003 apud PERSU II, 2007) ............................................................................................................................................. 225
Tabela 9.14 – Taxas de resíduos cobradas por entidades gestoras de resíduos, em função do tratamento. ................ 226
Tabela 10.1 – Critérios quantificáveis (Grupo D). (Fonte: BRE, 2008) (adaptação) ........................................................ 232
Tabela 10.2 – Capitação e consumos específicos definidos para um centro comercial (Fonte: Ductos, 2007) .............. 233
Tabela 10.3 - Dados obtidos através da análise dos edifícios de referência para definição da população flutuante e fixa.
(Fonte: Chamartin Imobiliária, 2007) ................................................................................................................................ 234
Tabela 10.4– Análise comparativa entre dados estimados e consumo real dos edifícios de referência. ....................... 234
Tabela 10.5- Resultado do estudo 1: Consumo estimado do DVB. ................................................................................ 235
Tabela 10.6 – Consumo total de água no DVB e consumo diário estimado para sanitas e urinóis, resultante do estudo 1.
......................................................................................................................................................................................... 235
Tabela 10.7 – Cálculo do consumo estimado de água potável do Dolce Vita Braga (dados oficiais) (Fonte: Sopsec,
2008). ............................................................................................................................................................................... 236
Tabela 10.8 - Quantidade de equipamentos que serão instalados no DVB. ................................................................... 237
Tabela 10.9 - Consumo de água inicialmente estimado para o DVB. ............................................................................. 237
Tabela 10.10 – Custos médios associados ao consumo de água reais (2006) e estimados (2009). .............................. 238
Tabela 10.11 - Emissões de GEE associados ao tratamento de água (Fonte: EPAL, 2007). ......................................... 238
Tabela 10.12 - Emissões de GEE associados ao tratamento de água residual (Fonte: Henriques A.C., 2008) ............. 239
Tabela 10.13- Consumos de água e emissão de GEE por habitantes europeus ( Fonte: EUREAU, 2008 apud Aquapor,
2009) (Fonte: EEA, 2009). ............................................................................................................................................... 239
Tabela 10.14 – Autoclismo de descarga única comparado com autoclismo com descarga variável (Resultados
económicos e ambiental). ................................................................................................................................................ 246
Tabela 10.15 – Proposta inicial do DVB comparado com o sistema de urinóis sem água (URIMAT) – Resultados
económicos e Ambientais. ............................................................................................................................................... 247
Tabela 10.16- Perdas diárias associados ao vazamento visíveis dos lavatórios (Fonte: Oliveira L., 2002) .................... 250
Tabela 10.17- Perdas diárias associados aos vazamentos das sanitas e urinóis (Fonte: DECA, 2001 apud Oliveira L.,
2002). ............................................................................................................................................................................... 250
Tabela 10.18- Perdas estimadas em função do número de equipamentos sanitários previstos para o DVB. ................ 251
Tabela 10.19 - Perdas estimadas em função da estimativa de equipamentos sanitários irregulares. ............................ 251
Tabela 10.20 – Materiais necessário para aplicação do sistema de corte (shut-off) nos WCs do DVB (incluindo preços e
quantidade)(Fonte: VHM, 2008). ...................................................................................................................................... 252
Tabela 10.21 – Sistema de Corte (shut-off) a excluir aos gastos associados aos sensores de presença (substituídos
pelos contadores de pessoas, já previstos no projecto) .................................................................................................. 252
Tabela 10.22 – Resultados económicos e ambientais referentes à aplicação do sistema de corte. ............................... 253
Tabela 10.23- Coeficiente de escoamento em função do tipo de cobertura (Fonte: BRE, 2008). ................................... 257
Tabela 10.24 – Colecta da água da chuva aplicada ao caso de estudo DVB. ................................................................ 257
Tabela 10.25- Consumos referentes a proposta inicial do DVB, e consumos resultantes da aplicação de medidas
eficientes (Critério Wat 1- secção 10.2.2). ....................................................................................................................... 258
Tabela 10.26 - Investimentos associados ao aproveitamento da água pluvial com reservatório realizado “em situ” (VHM,
2008). ............................................................................................................................................................................... 259
xxi |
Tabela 10.27- Proposta alternativa ao reservatório realizado “in situ”: depósito pré-fabricado de chapa de aço carbono.
......................................................................................................................................................................................... 260
Tabela 10.28 – Captação (média anual) da água da chuva comparada com o consumo estimado de água para urinóis e
sanitas ( com medidas eficientes aplicadas) e rega. ....................................................................................................... 261
Tabela 10.29- Resultados económicos e ambientais associados ao aproveitamento da água da chuva aplicado ao caso
de estudo DVB. ................................................................................................................................................................ 262
Tabela 10.30 - Consumos de energia estimados para o DVB (Fonte: Chamartin Imobiliária, 2008) .............................. 262
Tabela 10.31 – Custos associados ao consumo de energia (Fonte: EDP, 2008). .......................................................... 263
Tabela 10.32 – Emissões indirectas de GEE associados aos consumos de energia eléctrica (Fonte: WRI, 2006). ...... 263
Tabela 10.33 - Emissões de GEE associados ao consumo directo de energia (Fonte: Henriques A.C.,2008). ............ 263
Tabela 10.34 - Consumos de energia e emissão de GEE por habitantes europeus (Fonte: EEA, 2009). ...................... 264
Tabela 10.35 - Cálculo do IEE (Cenário 2) ponderado pelas áreas das tipologias consideradas (Fonte: Fluidinova, 2008).
......................................................................................................................................................................................... 265
Tabela 10.36 – Características do sistema de cogeração proposto para o DV Braga (Fonte: Jenbacher GE, 2009 e
Chamartin Imobiliária, 2008). ........................................................................................................................................... 269
Tabela 10.37 – Resumo dos tarifários considerados na análise de viabilidade. ............................................................. 270
Tabela 10.38 – Cálculo do IEE aplicado ao DVB ............................................................................................................. 271
Tabela 10.39- Resultados económicos associados à cogeração e comparados com a actual proposta do DVB. ........ 271
Tabela 10.40 – Emissões de CO2eq associadas ao consumo de energia total do DVB.................................................. 272
Tabela 10.41 – Desempenho económico e ambiental associado a instalação de fotovoltaicos (BIPv) aplicados ao DVB.
......................................................................................................................................................................................... 285
Tabela 10.42 – Comparação entre os cenários estabelecidos, com descrição dos componentes e investimento
necessário (Fonte: PQF, 2008). ....................................................................................................................................... 290
Tabela 10.43 – Tarifário aplicado ao caso de estudo (EDP, 2008) ................................................................................. 291
Tabela 10.44 – Resultados associados aos encargos anuais dos dois cenários apresentados. .................................... 292
Tabela 10.45- Recursos e resíduos evitados durante a produção do Gen2Drive (Fonte: Otis, 2008). ........................... 296
Tabela 10.46– Custos associados ao consumo de energia (Fonte: EDP, 2008). ........................................................... 298
Tabela 10.47 – Custos associados a manutenção por equipamento (Fonte: Otis, 2008). .............................................. 299
Tabela 10.48- Resultados económicos e ambientais entre sistemas. ............................................................................. 300
Tabela 11.1 – Resumo dos critérios adicionados no cenário 2 (DVB – proposta base) .................................................. 303
Tabela 11.2 - Resumo das implicações económicas e ambientais dos critérios adicionados ao Cenário 3 ................... 305
Tabela 11.3 - Resumo das implicações económicas e ambiental dos critérios adicionados ao Cenário 4 ..................... 307
Tabela 11.4 - Resumo das implicações económicas e ambientais dos critérios adicionados ao Cenário 4 ................... 308
xxii |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Capítulo 1
Introdução
CAPÍTULO 1 – INTRODUÇÃO
1.1
Fundamentação
O actual cenário global apresenta-se perante uma crise ambiental sem precedentes, tendo-se
experimentado, durante os últimos anos, os efeitos resultantes de um modelo e societário de
progresso fortemente relacionado com as economias desenvolvidas. Esta relação tem primado por
uma forte intensidade de consumo energético associada ao crescimento populacional e bem-estar
geral das populações abrangidas. Este crescimento da intensidade do consumo energético, está
1|
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
intrinsecamente relacionado com a utilização de combustíveis fósseis, sendo estes fortemente
caracterizados pela elevada dependência petrolífera e seus derivados. Consequentemente, a
utilização dos combustíveis fósseis é responsável pelas emissões de CO2eq (Dióxido de carbono
equivalente) que estão na razão de ser da presente crise climática. Mais recentemente, os
mercados energéticos, e com reflexos sobre as populações, foram marcados pela forte oscilação do
preço do barril de petróleo. A referida oscilação, teve como origem a velocidade do aumento da
procura energética versus a capacidade de oferta dos combustíveis fósseis, consequência
sobretudo do forte crescimento económico dos Países em Desenvolvimento e da alteração do
controlo dos recursos petrolíferos por parte de países conflituosos e politicamente instáveis. O
binómio constituído, por um lado pela crise climática resultante das emissões de CO 2eq produzidas
pelas economias de elevado consumo ou em forte crescimento (quer económico quer populacional),
e por outro lado pelos desequilíbrios entre a oferta e a procura energética (agravados pelo fim do
“petróleo a baixo custo”), impõe severas necessidades e consequências sobre a alteração do
paradigma de desenvolvimento económico. Além da crise energética, existem outros elementos de
acção crítica, como seja a da depleção de recursos intrinsecamente associados às alterações
climáticas, que tenderão a intensificar-se no decurso desta problemática. Por exemplo, são
expectáveis elevados custos económicos associados às catástrofes naturais, fortemente
impulsionadas pelo degelo provocado pelo aumento da temperatura global (efeito do aumento das
emissões de CO2eq ). Assim, está em curso, além da crise energética, outras crises de recursos
resultantes das alterações climáticas.
A ampla abordagem a esta temática tornou-se inadiável, verificando-se assim, desde 1968, os
primeiros passos para as discussões sobre o ambiente. No entanto, foi a partir de 1987, que pela
primeira vez foi assumido um compromisso para a mudança, através do Tratado de Montreal, em
que os países signatários se comprometeram a eliminar a utilização de Clorofluorcarbono (CFC),
uma vez que estes gases são destruidores da camada de ozono. Mas é a partir de 1992, ano em
que ocorreu a Cimeira da Terra no Rio de Janeiro, que se verificou uma maior mobilização mundial
para a mudança, sendo esta de carácter ideológico e profundo na mentalidade actualmente vigente.
Grande parte das iniciativas geradas, deve-se não somente ao contexto ambiental e social, mas
também ao forte estímulo gerado em torno dos possíveis impactos económicos. O Relatório do
Economista Nicholas Stern, e que foi publicado em 2006, demonstra os eventuais custos
decorrentes das diferentes consequências resultantes, e dependentes, do nível de intervenção
política na acção ou inacção no que respeita às alterações climáticas.
2|
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Capítulo 1
Introdução
É neste contexto, que é assumido pelos diferentes países, o compromisso de mudança, bem como
são definidas as metas ambiciosas, para a redução de emissões CO2eq e para o aumento
significativo da utilização das energias renováveis (a acção imediata evitará que as medidas
necessárias venham a tornar-se ainda mais onerosas).
No caso da indústria da construção, esta possui um papel fundamental para o cumprimento e o
sucesso deste compromisso global perante as alterações climáticas. Os edifícios são responsáveis
por cerca de 40% das emissões de CO2eq, bem como pela utilização excessiva de determinados
recursos e causadora de outros impactes específicos. Assim, torna-se fundamental, a necessidade
de inclusão de medidas eco-eficientes neste sector, sendo esse contributo concretizado através de
iniciativas que promovem uma construção cada vez mais sustentável e pela utilização cada vez
mais recorrente de recursos renováveis.
Muitas dessas acções podem ser orientadas através de determinados indicadores estabelecidos
para os edifícios, e definidos, por exemplo, através de diferentes ferramentas voluntárias de
sustentabilidade existentes no mercado internacional. Dentre as referidas ferramentas, destacam-se
as mais conhecidas: Building Research Establishment Environmental Assessment
Method
(BREEAM), Leadership in Energy & Environmental Design (LEED) , Comprehensive Assessment
System for Building Environmental Efficiency (CASBEE) e o Sustainable Building Tool (SBTool).
O reconhecimento da sustentabilidade, e da aplicação de boas práticas ambientais realizadas por
meio destas ferramentas de avaliação, são relativamente recentes, verificando-se desta forma
possíveis falhas e constantes adaptações. Uma das principais dificuldades está relacionada com as
limitações geográficas e culturais, resultando assim numa disseminação relativamente reduzida,
bem como em difícil reconhecimento e expansão internacional.
No entanto, um outro problema, e que se define como principal enfoque deste trabalho, são os
efeitos, ainda pouco conhecidos, das efectivas implicações económicas e ambientais, resultantes da
comparação entre edifícios certificados e edifícios convencionais não certificados. De acordo com
um artigo publicado no New York Times1 em Agosto de 2009, referia-se que a falta de informação e
acompanhamento durante a fase de construção e utilização de um edifício com certificação, coloca
em causa a credibilidade e a transparência dos referidos estudos. Assim, propõe-se que o edifício
seja reconhecido não somente pelas intenções propostas durante a fase do projecto, mas também
pelos resultados efectivos que poderão ser alcançados e verificados pela monitorização através de
auditorias periódicas.
1
Navarro M. Some Buildings not living up to green label. USA: New York Times. Disponível online em:
[http://www.nytimes.com/2009/08/31/science/earth/31leed.html?_r=3&emc=eta1&pa...] em 31/08/2009.
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Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
Concluindo, o que se verifica é que a falta de informação, a ausência de métodos de avaliação
simplificados e a inexistência de resultados credíveis, acabam por desencorajar a expansão dos
edifícios certificados, e assim justificando a não adesão por parte do sector privado e investidores
do sector da construção.
Neste contexto, definiu-se como principal desafio deste trabalho, a condução de um estudo para
avaliar os efectivos impactes que a sustentabilidade poderia fomentar num determinado edifício,
analisando as suas (estimadas) implicações económicas e ambientais aplicadas a um Centro
Comercial em fase de construção (Centro Comercial da empresa Chamartín Imobiliária - cofinanciadora deste trabalho).
1.2
Objectivos
O presente trabalho teve como principal finalidade contribuir para a disseminação da construção
sustentável, apresentando, quer a promotores quer aos diversos especialistas do projecto, as
potencialidades do edifício na promoção da eco-eficiência em diferentes fases do empreendimento,
bem como as análises custo benefício associadas. A metodologia utilizada, teve como base uma
análise do ciclo de vida de um edifício, em termos de médio-longo prazo, contrariando assim a
tendência da indústria da construção em restringir-se à exclusiva análise do investimento inicial, e
assim, transferindo e impondo os elevados encargos operacionais aos futuros utilizadores do
mesmo.
Neste sentido, o trabalho consistiu na definição de dois objectivos fundamentais:

O primeiro objectivo refere-se à criação de uma base de dados informática denominada
Gestão do Projecto Sustentável (GPS). Esta assenta em medidas de sustentabilidade
aplicadas a edifícios, e direccionadas não somente por temáticas (categorias de
sustentabilidade), mas também identificadas através das diferentes fases do
empreendimento, especialidades e ferramentas de avaliação. A referida ferramenta
encontra-se em constante evolução e foi concebida exclusivamente para a gestão interna
da empresa co-financiadora deste trabalho.

O segundo e principal objectivo da tese, consistiu em analisar as implicações económicas e
ambientais associadas aos diferentes critérios de sustentabilidade, procedendo-se à
comparação entre diferentes soluções convencionais e sustentáveis aplicadas a um centro
comercial localizado em Braga e em fase de construção.
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Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Capítulo 1
Introdução
No decorrer do trabalho, e devido à existência de diferentes métodos de sustentabilidade
disponíveis no mercado para avaliar e reconhecer o desempenho ambiental de um edifício,
considerou-se mais apropriada a aplicação prática do segundo objectivo. Assim, utilizou-se um dos
referidos métodos de avaliação disponíveis no mercado, nomeadamente o BREEAM.
A análise das implicações económicas e ambientais, associadas às diferentes soluções
sustentáveis, teve como base os critérios do BREEAM que foram seleccionados e introduzidos
gradativamente no caso de estudo, com a finalidade de analisar cenários com diferentes níveis de
sustentabilidade ("Pass", "Very good" e "Excellent").
1.3
Metodologia aplicada
Definir uma metodologia para alcançar os objectivos propostos, foi um dos primeiros procedimentos
deste trabalho, e nesse sentido, e de forma resumida, foram estipulados os seguintes
procedimentos de actuação:

Contextualizar a construção sustentável - A definição concreta do que é a construção
sustentável e como alcançá-la num determinado empreendimento, foi um dos
procedimentos iniciais deste trabalho;

Tipologia a analisar - Foi necessário definir o tipo de edifício objecto de análise para, a partir
daí, conhecer as suas particularidades, características construtivas e outros factores
determinantes, tais como os principais consumos e variáveis a serem comparados. A
identificação de parâmetros de referência, para a tipologia em análise (através dos edifícios
de referência), foi fundamental para o conhecimento e para a definição de melhores práticas
(a serem aplicados ao caso de estudo proposto);

Análise do método de avaliação escolhido - Nesta fase definiu-se o método de avaliação
da sustentabilidade a ser aplicado neste trabalho, nomeadamente o BREEAM. Após o
reconhecimento da ferramenta, realizou-se a sua aplicação aos edifícios de referência
(valor médio) e caso de estudo proposto, a fim de verificar a classificação de
sustentabilidade deste empreendimentos, antes de propor novos cenários de melhoria.

Escolha dos critérios chaves a serem analisados - um dos primeiros procedimentos
realizados passou pela identificação dos critérios do BREEAM por diferentes grupos de
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Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
análise, de forma a desagregar os grupos de critérios que implicariam investimentos
adicionais ou não. Os critérios cujos investimentos já estavam a ser contemplados, devido a
práticas comuns no mercado ou para dar cumprimento a exigências regulamentares em
vigor no País, foram considerados com investimento zero. Os critérios do BREEAM
analisados neste trabalho, foram seleccionados e introduzidos gradualmente em função da
melhor adaptação ao projecto em fase de construção, bem como visando a optimização
económica do investimento associado. Estas componentes de decisão foram essenciais
para garantir a melhoria da classificação proposta no âmbito deste trabalho.

Definição dos pressupostos e indicadores utilizados – Como o trabalho implicava uma
análise económica de médio-longo prazo, foram definidas variáveis e taxas a serem
aplicadas durante um período máximo de 20 anos. Os indicadores económicos utilizados
foram os seguintes: Valor Actual Líquido (VAL) para 15 e 20 anos, Retorno de Investimento
(em anos) e a Taxa de Rentabilidade Interna (TIR). Os resultados ambientais foram
definidos através da redução de consumo de energia, da redução do consumo de água e da
redução de emissões de CO2eq. Os referidos resultados foram obtidos durante a análise e
por fim comparados com a média de consumo por habitantes europeus.
1.4
Resultados esperados
Com esta investigação, que ocorreu de acordo com o enquadramento e a realidade portuguesa,
pretendeu-se comprovar os resultados efectivos que vêm a ser alcançados por intermédio de
práticas sustentáveis num determinado caso de estudo, e quando comparadas com o mesmo
edifício utilizando práticas convencionais.
O desenvolvimento deste trabalho, tem-se revelado como uma oportunidade para orientar e
incentivar a disseminação de práticas de sustentabilidade, tendo em conta não só os impactes
positivos que poderão ser gerados na vertente ambiental mas também todos os benefícios sociais e
económicos associados, integrando assim o efectivo conceito de sustentabilidade. Espera-se, desta
forma, contribuir para o desenvolvimento de novos trabalhos que venham comprovar, de igual
modo, a relação custos-benefícios da construção sustentável, pois quer se queira quer não, a
vertente económica continua a ser o grande impulsionador de uma efectiva mudança no mercado.
6|
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Capítulo 1
Introdução
1.5
Conteúdo da tese (por capítulo)
A presente tese encontra-se organizada em doze capítulos, e que se desenvolvem da seguinte
forma:
O capítulo 1 refere-se à introdução da tese. Nesse sentido, é efectuada uma síntese da
Fundamentação, ou seja, o marco conceptual que vem definir o desenvolvimento da dissertação, os
objectivos do trabalho, a metodologia aplicada, bem como as expectativas e os resultados
esperados. É igualmente apresentada a estrutura da tese.
No capítulo 2 é abordado o enquadramento da tese, sendo neste contexto, primeiramente
apresentados os aspectos históricos e o “surgimento do alerta” numa perspectiva global. Neste
âmbito são tratados os temas sobre as Alterações Climáticas e o respectivo contexto
socioeconómico. Numa secção deste capítulo, também são referidos alguns estudos recentes que
reflectem os efeitos negativos sobre o ambiente, causados pelo modelo de desenvolvimento
económico adoptado pelos Países Desenvolvidos. O estudo mais representativo desta temática é
da autoria de Nicholas Stern 2 , em que se evidenciam os encargos económicos resultantes dos
diferentes cenários de intervenção (ou não intervenção) no âmbito das políticas associadas às
reduções de emissões de CO2eq.
De forma a direccionar a tese para o seu tema fulcral, na secção seguinte deste capítulo é dado
enfoque ao tema da indústria da construção, onde se referem os efeitos negativos directos que este
sector provoca sobre o ambiente. Assim, é apresentado um panorama geral dos impactes
produzidos através do uso do solo e da redução da Biodiversidade, no consumo dos recursos
(energia, água, materiais...), na produção de resíduos e na perda da qualidade do ar. Com base no
enquadramento apresentado nas secções anteriores, e para finalizar este capítulo, apresentam-se
as principais acções para a mudança a nível Global, Europeu e Nacional, bem como a
contextualização do que é Construção Sustentável, os seus princípios e desafios.
No capítulo 3 apresentam-se alguns dos métodos actualmente existentes de avaliação da
sustentabilidade em edifícios e de maior reconhecimento no mercado internacional. Neste capítulo,
são também fornecidas as informações gerais sobre o sistema britânico BREEAM, método
2
Stern, N (2006). Stern Review:The economics of climate change. UK.
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Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
escolhido para ser analisado durante o desenvolvimento deste trabalho. Realçam-se, neste mesmo
capítulo, as referências às actuais discussões em torno da internacionalização e normalização dos
diferentes métodos de análise. Por fim, são igualmente apresentadas outras ferramentas relevantes
e necessárias para a análise das potencialidades e de outras características de um edifício,
nomeadamente, o comportamento energético, as condições endógenas para eventual utilização de
energias renováveis e a análise do ciclo de vida dos materiais.
No capítulo 4 apresenta-se a metodologia de desenvolvimento do trabalho utilizada para atingir os
objectivos propostos. Após o enquadramento ao tema, apresentado nos três primeiros capítulos, o
capítulo 4 faz a conexão aos capítulos seguintes (capítulos 5 a 12), que denominam-se como os
componentes principais deste trabalho. Assim, neste capítulo, poderão ser verificados os
procedimentos utilizados, em cada capítulo, para alcançar os dois objectivos pretendidos.
No capítulo 5 é apresentada a estrutura e o desenvolvimento do "Guião para a Construção
Sustentável”, elemento suporte para a criação do GPS (Gestão do Projecto Sustentável), tal como
definido num dos objectivos deste trabalho. Dessa forma, apresenta-se a metodologia que foi
desenvolvida com o intuito de organizar inúmeras medidas de sustentabilidade numa lógica que
facilite a sua leitura e utilização nas diferentes fases de um empreendimento. O GPS (Gestão do
Projecto Sustentável), ferramenta informática desenvolvida com o apoio de uma equipa interna da
empresa co-financiadora deste trabalho, teve como objectivo assegurar a comunicação de critérios
de sustentabilidade entre as diferentes especialidades de um projecto.
Todos os capítulos seguintes, se referem aos procedimentos necessários para alcançar o segundo
e principal objectivo deste trabalho, ou seja, analisar as implicações económicas e ambientais
associadas aos critérios de sustentabilidade definidos pelo método de avaliação BREEAM e
aplicado aos Centros Comerciais (principal área de negócio da empresa Chamartín Imobiliária, cofinanciadora deste estudo).
No capítulo 6 apresentam-se os casos de referência, bem como os casos de estudo analisados
neste trabalho, sendo todos os empreendimentos, reconhecidos pela marca Dolce Vita, da empresa
co-financiadora. Os três casos de referência analisados, encontram-se actualmente em fase de
operação, enquanto os casos de estudos (apesar de serem referenciados dois casos de estudo,
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Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Capítulo 1
Introdução
apenas um será tratado nos capítulos seguintes), encontravam-se, no momento da realização do
estudo, em fase de construção.
Neste capítulo estão definidos os principais impactes e especificidades dos Centros Comerciais no
âmbito dos princípios da sustentabilidade bem como as principais características dos
empreendimentos analisados (construtivas, equipamentos, principais consumos, entre outros).
No capítulo 7 é referida a apresentação da metodologia aplicada neste trabalho. Neste contexto,
são apresentados, de forma geral, os sessenta e dois critérios do BREEAM seleccionados e
divididos em quatro diferentes grupos, nomeadamente: os critérios abrangidos (ou facilmente
adaptáveis) à legislação local (Grupo A), os critérios inadaptados à realidade nacional (Grupo B), os
critérios com elevado valor ambiental e de complexa quantificação (Grupo C) e, por fim, os critérios
denominados de quantificáveis (Grupo D).
Neste mesmo capítulo, apresenta-se o grau de sustentabilidade do caso de estudo (proposta inicial)
conforme o método BREEAM. Também se definem duas novas propostas de intervenção com o
objectivo de se obter a melhoria da classificação final, bem como o aumento do nível de
sustentabilidade do caso de estudo. É com base nestas duas intervenções que se propõe analisar
as implicações económicas e ambientais resultantes.
No Capítulo 8, e conforme referido no capítulo anterior, são referenciados os critérios do método
BREEAM abrangidos (ou facilmente adaptáveis) pelos Regulamentos Nacionais, e ao contrário
destes, os critérios considerados inadaptados à realidade portuguesa. Neste sentido, são
enumerados os critérios, bem como as eventuais adaptações conforme o regulamento já em vigor
no País. No caso dos critérios que constituem o grupo B, são apresentadas as dificuldades
relacionadas com as inadaptações, bem como se demonstra como estes critérios inadaptados são
tratados (ou não) por outros métodos de avaliação, nomeadamente o LEED, Lidera e SBToolPT. O
capítulo finaliza com a apresentação de propostas para as referidas adaptações.
No capítulo 9 apresentam-se os critérios que produzem benefícios sociais e ambientais (abrangidos
pelo grupo C). No entanto, estes definem-se como sendo de complexa quantificação em termos de
valor económico. Assim, os referidos critérios organizam-se em diferentes temáticas: saúde e bemestar, meios de transporte, gestão da água, escolha dos materiais e gestão dos resíduos, da forma
a que neste capítulo sejam reportados os investimentos iniciais necessários para a implementação
dos sete critérios e suas vantagens ambientais associadas.
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Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
No capítulo 10 descrevem-se os critérios constituintes do Grupo D, ou seja, os critérios
considerados quantificáveis, em termos de valor económico, e organizados por duas diferentes
temáticas: água e energia. Neste capítulo são analisados oito critérios e são reportadas as
características dos sistemas propostos e a sua aplicação prática no caso de estudo. Assim, e tal
como sucedido no capítulo 9, procede-se à determinação dos investimentos iniciais, mas com a
particularidade adicional de, nestes critérios, se proceder à análise custo-benefício comparada com
a proposta inicial do caso de estudo.
No capítulo 11 define-se a apresentação dos resultados económicos e ambientais obtidos através
da inserção dos critérios seleccionados. O objectivo define-se pela melhoria da classificação final,
conforme estabelecido pelo BREEAM, tal como inicialmente proposto. Em síntese, os resultados
são balizados em função dos seguintes indicadores:

Investimento inicial – Refere-se à diferença entre o investimento da proposta inicial e o
investimento da proposta sustentável;

Retorno do investimento (expresso em anos) - período (anos) que o promotor terá que
esperar até recuperar o investimento realizado no projecto;

VAL (Valor Actual Líquido) – De forma simples, o VAL refere-se à determinação do valor
económico líquido actualizado para o momento 0 (data de investimento), e sendo calculado
com base nos cash flows anuais gerados pelo investimento durante um ciclo de 15 a 20
anos. Este cálculo utiliza uma taxa de actualização aplicada sobre os cash flows anuais;

TIR (Taxa Interna de Rentabilidade) – Trata-se da taxa máxima de rentabilidade de um
projecto. Ou seja, consiste na obtenção de uma taxa de desconto (i) que seja superior à
taxa de desconto utilizada para o cálculo do VAL (t).
Os indicadores ambientais são expressos em função da redução do consumo de energia, de água e
de emissões de CO2eq, que no final são comparados com a média do consumo por habitante
europeu.
Por fim, apresenta-se o Capítulo 12 onde se definem as conclusões finais deste trabalho, bem
como as perspectivas futuras.
10 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Enquadramento
CAPÍTULO 2 - ENQUADRAMENTO
2.1
Aspectos históricos e o surgimento da alerta
O Planeta Terra tem aproximadamente 5 biliões de anos, tendo passado ao longo da sua história
por violentas transformações climáticas. Contudo, os últimos 12.000 anos do planeta estão
relacionados com o progresso da sociedade humana, e sempre inserida num clima que se manteve
comparativamente ameno e estável. A sociedade humana, ao longo do seu desenvolvimento (a
partir das actividades agrícolas e de criação de animais do neolítico, até á revolução industrial), e ao
11 |
Capítulo 2
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
mesmo tempo que se verificava o crescimento populacional, procurou que os benefícios desse
progresso pudessem ser simultaneamente usufruídos por toda a população. Presumivelmente, os
primeiros agricultores, eram livres de desenvolverem as suas actividades de forma arbitrária, no
entanto, quando a sociedade humana – milhares de anos depois – identificou, e reconheceu, que os
processos agrícolas não controlados poderiam provocar graves danos para a sociedade no seu
todo, passariam a ser estabelecidas regulamentações e controlo sobre o desenvolvimento agrícola
(IPCC, 2007). Hoje, o conhecimento de que as actividades humanas têm influenciado as alterações
no clima, ou seja, impõe à sociedade contemporânea a responsabilidade de agir e intervir perante
tais efeitos. Tal situação gera a necessidade de definir um novo modelo de relacionamento entre a
sociedade humana e o planeta.
2.1.1
Alterações Climáticas
O Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) conclui em 2007, que estas
alterações têm vindo a ocorrer e são responsáveis pelo incremento do sobreaquecimento do
Planeta (ver figura 2.1). O IPCC concluiu que existe 90% de probabilidades para que estas
alterações climáticas sejam provocadas pela actividade humana, sendo de referir que essa
actividade está a provocar o forte incremento das emissões de gases com efeito estufa, bem como
a diminuição e o desaparecimento da vegetação.
Figura 2.1- Evidências e paralelismo entre aumento da população (Fonte: United Nation, 2003) e emissões (CO2)
(Fonte: NOAA, 2005).
Contudo, a tendência de aumento da temperatura a longo prazo, é clara, e a evolução da
temperatura atmosférica na superfície da terra está a prosseguir a trajectória esperada pelas
projecções do IPCC. Desde o último relatório do IPCC, têm-se verificado constantes “updates” que
marcam uma acentuada tendência no que se refere à temperatura na superfície oceânica, pois
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Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Enquadramento
essas estimativas demonstram que os oceanos têm vindo a aquecer de forma significativa nos
últimos anos. As actuais estimativas indicam que os oceanos aqueceram 50% mais do que estava
inicialmente previsto pelo IPCC, o que vem ajudar a explicar o fenómeno tendencial relativo ao nível
das águas do mar (Domingues C.M. et al, 2008).
A mais dramática das consequências verificadas pelo último relatório do IPCC é a rápida redução
da área de gelo do Mar do Árctico durante os períodos de Verão (ver figura 2.2). Em 2007, a área
mínima coberta decresceu cerca de 2 milhões de km quadrados, quando comparado com os anos
anteriores, sendo que, em 2008 esse decréscimo ainda se acentuou mais dramaticamente.
Figura 2.2 – Exemplo de degelo acelerado, verificado no Árctico em 2007 comparado com 2003 (Fonte: UNEP, 2007).
A diminuição da área coberta de gelo é demasiado importante para o Clima em grande escala,
tendo em conta que o gelo e a neve reflectem grande parte da radiação solar, remetendo-a
novamente para a atmosfera, enquanto a água do mar absorve de igual modo, grande parte da
mesma radiação que chega à superfície e que não foi reflectida pelo efeito da estrutura do Mar do
Árctico. Quer isto dizer que o rápido degelo do Árctico irá permitir que os oceanos absorvam mais
calor do que em relação ao anterior cenário, em que a neve e o gelo concentrados conseguiam
reflectir parte da radiação solar para atmosfera.
A causa de maior importância no aumento de temperatura na superfície terrestre, são as
concentrações dos gases que provocam o efeito de estufa na atmosfera. Os gases com efeito de
estufa (o vapor de água, o CO2, o CH4 e N2O), presentes na atmosfera, absorvem o calor deixandoo livre na superfície terrestre, permitindo assim iniciar-se um processo de retenção de calor perto da
referida superfície (ver figura 2.3). Sem a existência do natural efeito de estufa, a temperatura média
na terra seria aproximadamente de 19ºC abaixo de zero.
13 |
Capítulo 2
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
Figura 2.3 – Gases de Efeito de estufa (Fonte: UNEP & GRID Arendal, 2009).
Um dos efeitos mais importantes resulta da actividade dos sorvedouros de carbono naturais
(florestas tropicais e oceanos), que removem uma fracção significativa das emissões de CO2
provocadas pela acção humana, tendo estes sorvedouros, especialmente as florestas tropicais,
vindo a diminuir a sua capacidade de retenção de CO2 durante os últimos 50 anos, o que quer dizer,
que esta capacidade de retenção continuará a diminuir nas próximas décadas e assim implicando o
consequente aumento das emissões de CO2.
Finalmente, um dos mais importantes efeitos das alterações climáticas é o observado aumento de
eventos extremos (ondas de calor, tempestades e inundações). A sociedade humana, no seu
processo de desenvolvimento e progresso, tornou-se dependente de um modelo assente de
condições climatéricas estáveis, questionando-se assim, o efeito brutal que a alteração desses
regimes climáticos estáveis (temperatura, chuvas ou os ventos) poderão ter sobre a evolução da
sociedade humana (Fig.2.4 – Consequências económicas decorrentes de eventos extremos).
14 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Enquadramento
Figura 2.4 – Custos económicos causados pela Alteração climática (Fonte: UNEP & GRID Arendal, 2008)
2.1.2
Contexto socioeconómico
A evidência dos efeitos negativos associadas às alterações climáticas, tornou-se necessária a
definição de objectivos para a redução das emissões de CO 2eq por forma de evitar as
consequências nefastas dessas alterações. Ao mesmo tempo, tornou-se um desafio demonstrar de
forma imparcial e clara a mensagem de que o modelo do ”business as usual” se encontra
decididamente eliminado a prazo. O desenvolvimento tecnológico, bem como as ferramentas de
Ciência Política e de Gestão estão hoje disponíveis para a condução da requerida transformação,
no entanto constata-se, que através do tipo de linguagem e conduta que presentemente é utilizada
na discussão em relação às alterações climáticas, se reflectem condicionalismos culturais que são
partilhados pela comunidade global no seu todo.
No entanto existem modelos e propostas de acção para a referida actuação. Em Outubro de 2006,
foi publicado um estudo com o objectivo de apresentar os impactes económicos na óptica dos
recursos e da Economia Mundial. Esse trabalho foi desenvolvido pelo antigo Economista das
Nações Unidas, Sir Nicholas Stern, resultando na publicação de um relatório de mais de 700
páginas para o Governo Inglês (Stern N, 2006). Neste estudo, Stern conclui que o aquecimento
15 |
Capítulo 2
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Tese de Doutoramento
global, eventualmente poderá custar aos Países entre 5% a 20% do actual Produto Interno Bruto
Mundial, deixando o aviso que uma falha ao combate das consequências associadas ao incremento
dos gases com efeito de estufa poderá resultar em custos globais de biliões (1012) de dólares.
Algumas das referências associadas ao relatório Stern podem ser resumidas da seguinte forma
(Stern N., 2006):
IMPACTO ECONÓMICO

Extremas condições climatéricas poderão reduzir o Produto Interno Bruto Global cerca
de 1%;

Um aumento da temperatura entre 2ºC a 3ºC poderá reduzir o crescimento económico
cerca de 3%;

Se as temperaturas médias aumentarem em volta de 5ºC, as perdas económicas
globais poderão ser de 10%, e no caso dos Países pobres esse número poderá ser
ainda superior;

No pior dos cenários estudados, ou seja, aquele que reflecte uma reduzida inacção em
relação às alterações climáticas, o consumo per capita global reduzirá perto de 20%;

Para se verificar a estabilização a um nível que seja considerado aceitável, as emissões
de gases com efeito de estufa necessitam permanecer inalterados nos próximos 20
anos, e a partir daí, começarem a decrescer a uma taxa de 1% a 3% ao ano. Isso
custaria 1% do Produto Interno Bruto Mundial.
OPÇÕES PARA A MUDANÇA

Reduzir a procura e o consumo de produtos e serviços que tenham uma carga
poluente;

Tornar mais eficiente o sistema de produção e fornecimento de energia à escala global;

Diminuir os níveis de desflorestação, de forma a reduzir significativamente uma das
fontes principais de emissões de CO2;

Promover tecnologias limpas e tecnologias de transporte, de forma a que em 2050,
60% da produção energética possa ser proveniente de fontes não fósseis.
ACÇÕES GOVERNAMENTAIS

Criar um Mercado global para a comercialização de Carbono;

Expandir o “European Emissions Trading Scheme (EETS)” a uma escala global,
trazendo para essa dinâmica Países como os Estados Unidos, a Índia e a China;
16 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Enquadramento

Definir novos objectivos, no âmbito do EETS, para a redução de emissões de CO2 em
30% até 2020 e 60% até 2050;

Estabelecer objectivos globais para a redução de emissões pela comunidade
internacional, ao mesmo tempo que é designado um órgão independente para
monitorizar esses progressos;

Criar novos enquadramentos para a dinamização de novos investimentos em “green
tecnhology” e em “green business”, de forma a constituir um modelo de criação
alternativa de empregos e novas qualificações;

Desenvolver juntamente com o Banco Mundial e outras Instituições Financeiras, a
criação de um fundo de 20 mil milhões (10 9) de dólares para ajudar e cooperar com os
Países pobres na resolução dos desafios decorrentes da adaptação às alterações
climáticas;

Desenvolver programas conjuntos com Países como o Brasil, Papua Nova Guiné e
Costa Rica no sentido de se promover uma política de sustentabilidade e protecção das
grandes florestas.
2.2
Impacte ambiental dos edifícios
A indústria da construção funciona como um dos mais importantes indicadores de desenvolvimento
económico de um determinado País, mas ao mesmo tempo, também é responsável pelos elevados
impactes sobre o ambiente (directos e indirectos), resultantes dos processos industriais de difícil
controlo devido às particularidades locais e à complexidade gerada pela junção de diferentes
componentes. Estas referem-se às diferentes dimensões, características, e processos construtivos,
bastante diferenciados, que se tornam de grande complexidade para a definição de regras de
controlo e qualidade em relação ao produto final, e tal como é realizado em outras indústrias.
As características climáticas locais, os recursos naturais disponíveis e a cultura local são outros
factores que dificultam a definição e a padronização de regras para um desenvolvimento sustentável
estratégico no sector. Além dos impactes gerados durante a fase de construção (e produção) e a
utilização de recursos naturais, estes, também se estendem prolongadamente durante todo o ciclo
de vida dos edifícios, ou seja, um conjunto de decisões indevidas na componente concepção, que
não só provocam uma “produção” (fase de construção) com fortes impactes, mas também
acarretam uma deficiente utilização, implicam elevados consumos dos diferentes recursos pelos
futuros utilizadores. Neste sentido, devem criar-se estratégias para uma construção sustentável
17 |
Capítulo 2
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
adaptada às diferentes realidades e países. No entanto, para que tal suceda, é necessário conhecer
e quantificar os principais impactes causados pelos edifícios, para que a partir daí, possa definir-se
um conjunto de acções e soluções em conformidade com as realidades locais.
Assim, será realizada uma breve análise sobre a influência do sector da Construção na Economia
Europeia, bem como os consequentes efeitos ambientais.
A seguir serão relatados os principais efeitos ambientais advindos da Indústria da construção. A
figura 2.5, representa de forma esquemática os principais impactes provocados pelo edifício, e que
a seguir serão detalhados.
Figura 2.5- Modelo de sistematização dos principais impactos da construção (Fonte: Pinheiro M., 2006).
2.2.1
Uso do solo e redução da biodiversidade local
O crescente aumento do movimento migratório para as cidades e o consequente desenvolvimento
de actividades associadas (a especulação imobiliária e a construção, utilização de matérias primas,
entre outros), provocam uma natural tendência para uma ocupação desordenada dos territórios,
fazendo com que importantes zonas verdes, ou até mesmo classificadas como de elevado valor
ecológico, sejam progressivamente destruídas.
Estas áreas de valor ambiental e ecológico, quando subordinadas ao confronto dos modelos
tradicionais de crescimento das cidades, enfrentam uma insustentável pressão da actividade
humana, contrapondo-se esmagadoramente com os níveis mínimos suportáveis (capacidade de
carga) para a preservação e diversidade biológica dessas áreas.
18 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Enquadramento
Uma forma de calcular este impacto é conhecida por “pegada ecológica” desenvolvida por William
Rees e Mathis Wackernagel, autores do livro “Our Ecological Footprint – Reducing Human Impact”
(Wackernagel M. et al, 2008). Este método tem a função de medir o impacto que a acção humana
exerce sob o planeta Terra, ou seja, o referido método clarifica os limites dos recursos disponíveis
quando comparados com as actividades e o consumo humano. A figura 2.6, representa a
configuração gráfica da pegada ecológica.
Figura 2.6- “Pegada ecológica” por componente de 1961 a 2005 (Fonte: Wackernagel M. et al, 2008).
Com base neste gráfico, pode constatar-se a utilização de aproximadamente mais 25% de recursos
do que o planeta consegue manter. Neste contexto, pode-se destacar o impacte da construção
responsável por 40% do consumo anual de matéria-prima ao nível global (Business and
Biodiversity, 2009).
Outra importante forma de análise da “Pegada ecológica” é através da biocapacidade disponível nos
diferentes países. A figura 2.7 apresenta quais os países que estão em débito ou crédito ecológico.
A principal relação entre a perda de biodiversidade e a Construção, em linhas gerais, está
relacionada com diferentes factores, tais como o consumo de recursos naturais (conforme
mencionado), a ocupação do território, a eventual contaminação do ar, da água e do solo
decorrentes da sua actividade durante e após a construção. Os impactes como a contaminação e a
impermeabilização do solo, a produção de resíduos, a fragmentação de habitats (ausência de
19 |
Capítulo 2
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
corredores ecológicos), os ruídos, iluminação nocturna e outros factores podem directamente
afectar o equilíbrio ecológico local, conduzindo à migração e redução das espécies de flora e fauna
locais (e em casos extremos à ameaça de extinção) entre outros, que provocam a desertificação do
solo e a desflorestação.
Figura 2.7- Países credores e em débito ecológico (Fonte: WWF, 2003).
Avaliar a longo prazo, os efeitos negativos provocados por um empreendimento isolado, pode ser
uma tarefa bastante complexa. No entanto, as formas de evitar ou minimizar estes impactes são
identificadas e devem ser contempladas em fases de prospecção e concepção do projecto. Entre
estas acções destacam-se as seguintes (adaptado de Business and Biodiversity, 2009):
Minimização (durante a Prospecção do projecto):

Evitar o desenvolvimento em áreas ecologicamente sensíveis, ou relativamente próximas a
estas (neste caso, o empreendimento poderia causar uma barreira ecológica para as áreas
fragmentadas locais). As informações relativas às áreas sensíveis podem ser obtidas junto
das entidades públicas e Municípios, bem como através do ICNB (Instituto da Conservação
da Natureza e da Biodiversidade). As áreas a ter em atenção incluem, além do PDM (Plano
Director Municipal), as áreas de REN (Rede Ecológica Nacional), RAN (Rede Agrícola
Nacional) e Rede Natura 20003.
3
Rede Natura – É composta por áreas de importância comunitária para a conservação de determinados
habitats e espécies. Nas quais as actividades humanas deverão ser compatíveis com a preservação destes
valores, visando uma gestão sustentável do ponto de vista ecológico, económico e social. (2009, ICNB)
Disponível online em: www.icnb.pt no dia 28/08/09
20 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Enquadramento

Durante a fase de prospecção, deve privilegiar-se a escolha de terrenos com reduzido valor
ecológico (áreas de “Brownfield”4).
Mitigar e Reduzir (durante as restantes fases do desenvolvimento do projecto)

Definição de reduzidas áreas de ocupação do solo, bem como evitar, sempre que possível,
a sua impermeabilização.

Catalogar e preservar espécies locais para sempre que possível, integrá-las no projecto
paisagístico local.

Prevenir e proteger as espécies locais dos ruídos, iluminação nocturna e alterações
térmicas (neste caso provocados pelo efeito "Ilha de calor"5), que possam contribuir para a
alteração do comportamento (alimentação e reprodução) das espécies.
Aumentar a qualidade ecológica local

Promover o estudo aprofundado do habitat local, de forma estratégica e coerente, para o
desenvolvimento das acções mais adequadas. Por exemplo: devem privilegiar-se locais que
necessitem de tratamento, áreas afectadas, ou contribuir para espécies sensíveis com
reduzida capacidade de reprodução.

Restaurar e ligar, sempre que possível, os diferentes habitats e paisagens fragmentadas.
Conhecidos como "corredores verdes”, estes têm a função de aumentar a diversidade
biológica local através do suporte à migração e à troca genética proporcionada ao habitat
existente.
Compensação

Compensar as perdas provocadas pelo empreendimento através da recriação e
reestruturação do habitat, sendo localizado o mais próximo possível do empreendimento, e
se possível, com o mesmo número e tipo de espécies que foram afectados. Este tipo de
acção é muito apropriado no caso de grandes empreendimentos, onde as áreas de
ocupação podem ser bastante significativas.
Monitorizar

Prever mecanismos de acompanhamento do habitat no local, durante a fase de utilização,
de forma a assegurar que o empreendimento não afecte o habitat local. Algumas
4
Brownfield – Definido por áreas previamente utilizadas, abandonadas e contaminadas (que possam ser
descontaminadas). Um exemplo concreto em Portugal, é a Expo 98 (Lisboa), compreende uma área
degradada (antiga zona industrial abandonada) que foi descontaminada e novamente urbanizada.
5
Efeito Ilha de calor - Refere-se ao aumento da temperatura em áreas urbanas comparado as outras áreas
periféricas (regiões rurais e arborizadas). Este feito deve-se a substituição de áreas verdes e permeáveis por
áreas construídas que acumulam calor devido a suas propriedades físicas , tais como, materiais com baixa
reflectância, com elevada capacidade térmica e impermeáveis.
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Capítulo 2
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Tese de Doutoramento
ferramentas de sustentabilidade (que mais à frente serão estudadas) definem um período
mínimo de 5 anos de gestão e monitorização da biodiversidade local.
2.2.2
Consumos de energia e respectivas emissões.
Os consumos de energia e as respectivas emissões de CO2eq podem ser identificadas nas
diferentes fases do ciclo de vida do edifício, quer de uma forma directa quer de uma forma
indirecta. Quando se verifica o consumo de energia de acordo com os diferentes sectores de
actividade, deve recordar-se que o efeito da construção está intrínseco (e a montante) nas
diferentes actividades, entre os quais se refere:
Sector da indústria: Neste sector deve ser analisado o efeito da indústria da construção em duas
vertentes, tanto indirectamente, quando relacionada com a indústria de fabricação de materiais de
construção, como directamente, através da construção de edifícios propriamente dito. Neste
sentido, pode referir-se que em Portugal, 16,5 % e 13% do consumo de energia, estão directamente
ligados ao sector doméstico e de serviços, respectivamente. Além disso, uma parcela dos 28,4% da
energia final utilizada pela Indústria em Portugal, está directamente relacionada com a produção de
materiais de construção, como por exemplo a Indústria de materiais não metálicos e metálicos que
representam respectivamente 8,9% e 11,5% deste total (INE, 2009) (ver figura 2.8).
Para uma análise mais completa sobre os impactes ambientais de um edifício, e apesar de sua
complexidade, deve considerar-se, também, a energia incorporada, conhecida por PEC - Primary
Energy Consumption. Esta componente (referida em relação aos consumos de materiais de
construção), trata-se de energia consumida em actividades indirectamente ligadas à produção de
materiais de construção, como seja nos processos de extracção, no transporte de matérias – primas
e na produção de outros sub-componentes dos materiais finais.
Quanto aos consumos de energia, associados à indústria da construção, podem considerar-se os
consumos directamente ocorridos em obra, bem como os indirectos, ou seja, aqueles consumos
que já se encontram vinculados a um dos sectores da economia (e que será analisado a seguir), ou
seja, o sector dos transportes. Os directos referem-se aos consumos relacionados com as infraestruturas dos estaleiros e as diversas maquinarias, e que assim, poderão ser facilmente
controlados e acompanhados.
22 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Enquadramento
Figura 2.8- Principais produtos produzidos em 2007 (Fonte: INE, 2009).
Sector dos transportes: Além da elevada utilização de meios de transporte menos sustentáveis
(rodoviário) em detrimento dos ferroviários e marítimo/fluvial, este sector é um dos principais
contribuidores para o consumo de energia durante a construção de um edifício, no que se refere ao
transporte de equipamentos, materiais e resíduos. Este facto vem contribuir para a sua classificação
como o principal consumidor de energia do País.
O controlo dos consumos provenientes do sector dos transportes durante a fase de construção é
bastante complexo de ser reportado, principalmente em edifícios de grandes dimensões. Esta
situação verifica-se devido ao grande número de intervenientes na obra (contratantes e
subcontratantes), bem como da dificuldade em controlar as entradas e saídas de camiões na obra,
os tipos de combustíveis utilizados, cargas transportadas e percursos realizados (elementos
fundamentais para se efectuar o controlo dos consumos e de emissões).
No entanto, a construção pode influenciar positivamente a redução do seu impacto, quer seja
através da escolha de fornecedores locais, quer seja através de escolhas de materiais de
construção mais leves e de uma gestão eficiente dos Resíduos de Construção e Demolição (RCD).
Desta forma, conseguir-se-á a obtenção de resultados directamente em obra, quer através da
redução da pressão do edifício, como também, na redução da utilização de combustíveis fósseis.
23 |
Capítulo 2
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Tese de Doutoramento
Sector doméstico e serviços: A energia consumida durante a fase de utilização de edifícios
(habitações e serviços) é responsável por 40% de toda a energia consumida na Europa. Esta
situação, em grande parte, é resultante do consumo excessivo de determinados equipamentos
introduzidos nos edifícios para o devido funcionamento dos empreendimentos, e que estão
normalmente associados às componentes de iluminação, arrefecimento e aquecimento (ambiente e
águas quentes). O gráfico (figura 2.9), abaixo representado, refere-se ao consumo energético de um
Centro Comercial. É importante ressalvar, que este representa um dos empreendimentos da
empresa onde decorreu esta investigação, e que à frente será analisado detalhadamente.
Figura 2.9- Consumo de energia num Centro Comercial típico (A.Ramalhão,2007) .
Conforme pode ver-se no gráfico, os principais consumos energéticos concentram-se em recursos
que procuram determinar uma melhoria do conforto dos ocupantes (climatização e iluminação), e
que muitas vezes, esse objectivo acaba por não ser garantido pelos espaços construídos. A
concretização do conforto em conjugação com a diminuição dos consumos energéticos, poderá ser
alcançada através de um projecto bem concebido, com adequada orientação solar, aproveitamento
da ventilação e iluminação natural, estruturado estudo de sombreamento, bem como, através do
reforço da implementação de outras medidas solares passivas.
No entanto, a situação em Portugal tem-se caracterizado, durante os últimos anos, por uma
construção que tem demonstrado uma deficiente acção na componente de Projecto, o que originou
uma crescente procura de sistemas de climatização. O aumento da produção destes equipamentos
encontra-se associado a um maior poder de compra verificado nos últimos doze anos, e que
inevitavelmente, implica um incremento do grau de exigência dos utilizadores em matéria de
conforto. O cruzamento das diferentes situações de mercado no sector da Construção em Portugal
provocou um acréscimo de 12% no custo energético, sendo esta a maior taxa de crescimento
energético no conjunto de todos os sectores da economia nacional (RSECE, 2006).
24 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Enquadramento
2.2.3
Consumo de água
A água é um recurso natural indispensável à vida humana, e de extrema importância para todos os
sectores da economia, sendo a principal base socioeconómica de um país. A ineficiente gestão e
utilização da água através da inapropriada actividade humana e dos diversos sectores da economia,
poderá causar consequências sobre a biosfera, e até mesmo, restringir a capacidade potencial de
um país em determinar políticas e estratégias para a sustentabilidade, tais como, as iniciativas na
área das energias renováveis ou associada aos processos de reciclagem.
Um exemplo concreto, entre a relação directa do recurso água e a política de energias renováveis,
verifica-se através do potencial de produção de energia hidroeléctrica no país, pois essa representa
aproximadamente 50% (4.578 MW em 9.102MW) do total de produção por fontes renováveis
(Apren, 2010). Esta situação poderá ser constatada sempre que num determinado período suceda
uma redução no índice de pluviosidade (consequentemente nos níveis dos rios), fazendo com que
um país tenha que recorrer à importação de combustíveis fósseis (83,3% exportados em 2008)
(DGEG, 2010), provocando assim um aumento das emissões de CO2eq no mesmo ano.
Outro exemplo em que se evidencia a dependência do recurso água, ocorre durante a produção de
materiais de construção (por exemplo o betão), ou seja, num processo de transformação química
em que a água é parte essencial na constituição dos aglomerantes.
Em termos gerais, os principais consumidores de fontes hídricas em Portugal encontram-se na
agricultura (87%), abastecimento urbano (8%) e Indústria (5%). No entanto, de uma perspectiva
económica (que representa 1,68% do PIB do País), os encargos associados com o consumo de
água para o abastecimento urbano, tornam-se os mais expressivos, ou seja, representando assim
58%, enquanto a agricultura é responsável por 28% e a Indústria responsável por 26% dos
encargos totais (LNEC, 2001) (ver Figura 2.10).
100%
90%
80%
70%
60%
50%
40%
30%
20%
10%
0%
Agricultura
Abastecimento
urbano
principais consumidores
Indústria
encargos associados
Figura 2.10 - Principais consumidores e encargos totais, relacionado ao consumo da água em Portugal (Fonte: LNEC,
2001) (adaptado).
25 |
Capítulo 2
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Tese de Doutoramento
Um dos aspectos fundamentais na análise do consumo da água não está somente associado ao
consumo descontrolado de um recurso limitado, mas também às perdas causadas durante os
processos de abastecimento, transporte e tratamento, bem como, à existência de sistemas pouco
eficientes. Este tipo de perdas corresponde aproximadamente a 50% dos consumos nos diferentes
sectores, e aproximadamente a 0,68% do PIB do país, que é igualmente desperdiçado (figura 2.11).
Figura 2.11 - Perdas de água durante os processos de abastecimento no Grande Porto (Fonte: Futuro sustentável,
2008).
Na vertente edifícios, ao considerar-se que apenas uma percentagem residual do abastecimento
público é utilizada para as necessidades vitais (hidratação e alimentação) (cerca de cinco litros), a
grande parcela do consumo é dedicado à função de limpeza (“veículo disperso de resíduo”),
constata-se que a situação de desperdício de um bem essencial se manifesta de forma
irresponsável em relação a toda a sociedade. Um exemplo concreto desta afirmação pode ser
comprovado através de um estudo realizado pela Agência Municipal de Energia e Ambiente de
Lisboa (Figura 2.12, 2.13 e 2.14), onde se apresenta o actual cenário de utilização da água na
capital do País.
Figura 2.12 - Consumo de água potável em Lisboa (Fonte: Lisboa e-nova, 2007).
26 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Enquadramento
Figura 2.13 - Análise do consumo doméstico (Fonte: Lisboa e-nova, 2007).
Figura 2.14 - Análise do consumo de água potável realizado pela Câmara Municipal de Lisboa (Fonte: Lisboa e-nova,
2007).
Como poderá ser observado, grande parte dos consumos habitacionais são direccionados para os
duches e descargas de autoclismo. Quanto ao consumo não habitacional, este é, maioritariamente,
resultante dos sectores da restauração e hotelaria, bem como relativo às actividades da Câmara
Municipal de Lisboa, onde, grande parte do consumo, é direccionado para a rega e lavagem das
ruas. Ou seja, parte substancial do uso de água poderia resultar directamente do aproveitamento
local das águas das chuvas e cinzentas, de forma a evitar-se a utilização de água potável para esse
tipo de actividades. Uma outra medida para a minimização do impacto com o desperdício de água
em relação a determinadas actividades (lavagens e rega), seria através da utilização de sistemas e
equipamentos mais eficientes, garantindo assim uma maior optimização na gestão do recurso água,
e sem acarretar quaisquer efeitos negativos na diminuição de outros consumos vitais associados à
qualidade de vida e à saúde pública.
2.2.4
Consumo dos materiais
O impacte dos edifícios no que se refere ao consumo de materiais é inegável. Com base em
diferentes estudos, verifica-se que a indústria da construção a nível mundial é responsável por
aproximadamente 75% dos recursos extraídos (sendo grande parte, materiais não renováveis)
27 |
Capítulo 2
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Tese de Doutoramento
(John et al, 2007). Numa escala nacional, conforme um estudo realizado pelo Instituto Nacional de
Estatística (INE) entre os anos 1990/2000, Portugal extraiu cerca de 136 milhões de toneladas de
materiais, além de 52 milhões de toneladas que foram importados.
Para além da extracção dos recursos naturais, o consumo de materiais tem sido associado à
poluição da água e dos solos durante o seu processo de fabricação, além de emissão de elevados
níveis de gases poluentes, durante as diferentes fases do seu ciclo de vida (extracção, produção,
transportes, utilização e deposição). Um exemplo concreto destaca-se na produção de cimento
Portland que representa 6 % das emissões de CO2eq no Mundo (John V.M., 2003).
Outro factor determinante, e não menos importante, refere-se à “Mochila ecológica” que está
associada a extracção dos recursos. A “Mochila ecológica” representa a quantidade total de
materiais que foram removidos/extraídos da sua localização natural, com o intuito de obter um
produto final (DGRC, 2009). Como exemplo, apresenta-se o alumínio que tem uma “mochila
ecológica” proporcional de 1:85, ou seja, é necessário extrair 85kg de outros materiais (que nem
sequer serão utilizados) para extrair 1 kg de alumínio. Para melhor compreensão desta terminologia,
apresenta-se a seguir a figura 2.15 e a tabela 2.1, com a descrição de diversos exemplos.
Figura 2.15 – Cartoon referente a “mochila ecológica” associada a um anel de ouro (Fonte: www.seppo.net).
Tabela 2.1- Mochila ecológica associada a 1 kg do produto final (Fonte Pinheiro M., 2006).
Para concretizar a minimização dos impactes associados aos materiais é essencial encontrar
soluções assentes na definição de critérios para uma adequada selecção sustentável. Na prática,
estas acções são bastante dificultadas, como se poderá verificar abaixo, devido aos seguintes
motivos (John et al, 2003):
28 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Enquadramento

Peculiaridades dos produtos,

Complexidade dos processos e variáveis ao longo do ciclo de vida,

Complexidade das questões ambientais, sociais e económicas,

Apenas um reduzido número de empresas fabricantes fornecem informações ambientais
dos seus produtos.
Ou seja, além dos impactes advindos deste consumo, verificam-se muitas dificuldades decorrentes
de um mercado ainda pouco preparado para responder às necessidades, de forma a que a escolha
dos materiais seja realizada conscientemente e através de critérios sustentáveis.
2.2.5
Produção de resíduos
Os edifícios são responsáveis directos e indirectos na produção de resíduos, que se verifica desde a
produção de sua matéria-prima até ao desmantelamento, no entanto, é na fase de construção e na
utilização que se verificam os seus principais impactes.
De acordo com estudo realizado pelo Eurostat (2003), os resíduos de construção e demolição
(RCD) são responsáveis por aproximadamente 22% dos resíduos produzidos na União Europeia, ou
seja, de acordo com os dados obtidos no referido período, dos 1,3 mil milhões de toneladas de
resíduos produzidos (excluindo resíduos agrícolas), pode dizer-se que 290 milhões de toneladas
são resíduos de Construção e Demolição, ou seja, em média 3,5 toneladas por habitante por ano.
Além da elevada produção de resíduos reportados pela União Europeia, os principais problemas
encontram-se na gestão ineficiente e no fim de vida inapropriado proporcionado a estes elementos.
Na tabela abaixo, é possível evidenciar que mais de 60% dos resíduos, durante dez anos
consecutivos, foram reencaminhados para aterros sanitários e para incineração, sendo que a parte
significativa poderia ter sido atribuído outro fim, através da reutilização, reciclagem, e produção de
energia por meio da biomassa e o biogás.
Tabela 2.2 - Destino final dos resíduos produzidos na Comunidade Europeia entre1996 e 2006 (Fonte PERSUII, 2007).
Resíduos Produzidos (EU)
Encaminhados para Aterro
Encaminhados para
Incineração
1996
60%
14%
2006
41%
19%
É inadiável consciencializar todos os "stakeholders" de que os resíduos devem ser vistos como
recursos, e que os seus produtores devem ser responsáveis por desencadear a sua adequada
reintegração na cadeia de valor de ciclo de vida. (Figura 2.16)
29 |
Capítulo 2
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
Figura 2.16 – Ciclo-de-vida dos materiais (Fonte: ITEC, 2006) .
As iniciativas europeias e nacionais na definição de importantes passos, de onde se poderão
verificar mais à frente, neste mesmo capítulo (secção 2.3.3), os regulamentos Europeus e
Nacionais, estão muito aquém da necessidade face ao ritmo desordenado dos resíduos produzidos,
tal como se verifica através do aumento do número de aterros sanitários com vida útil cada vez mais
reduzidos (devido a elevada carga recebida diariamente) (ver tabela 2.3).
No que concerne aos Resíduos de Construção e Demolição (RCDs) a situação é ainda mais crítica,
pois ainda existem reduzidas acções de controlo e de recomendações que promovam a adequada
valorização e eliminação dos resíduos. Facto que se verifica até mesmo pela morosidade em
legalizar e viabilizar unidades de tratamento de reciclagem, o que vem resultar na existência de
pontuais e dispersas unidades de tratamento licenciadas para recepção e valorização destes
resíduos (Apambiente, 2009).
Tabela 2.3 – Vida útil dos aterros e por sistema no final do ano de 2004 (Fonte: PERSUII, 2007).
Outras dificuldades estão relacionadas com as próprias características destes resíduos, que além
da elevada quantidade de produção (devido ao crescente aumento da actividade da construção civil
30 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Enquadramento
e de método construtivo aplicado), se constituem como elementos não homogéneos e bastante
diversificados, o que vem dificultar o controlo e a triagem em obra, bem como a classificação
(conforme o código LER6) e quantificação destes resíduos nesta mesma fase, além da escolha de
um espaço destinado para o seu armazenamento (conforme definido no DL 46/2008 de 12 de
Março).
Neste enquadramento, as medidas de controlo e de redução de resíduos são essenciais, e estas
devem ocorrer desde as fases iniciais do projecto, de forma que as decisões quanto à escolha de
materiais e de sistemas construtivos sejam realizadas em prol da minimização de desperdício,
reutilização e reciclagem dos materiais. Muitas destas boas práticas vão de encontro à nova
regulamentação, criada de forma a promover a correcta gestão e o reaproveitamento dos resíduos
de construção e demolição, recentemente desenvolvida e designada pelo Decreto-lei 46/2008 de 12
de Março. Este Decreto-Lei define metodologias e práticas a adoptar em fase de projecto e obra, de
forma a minimizar e reaproveitar os resíduos em obra (incluindo solos e rochas não contaminados).
Além do cumprimento dos Regulamentos acima mencionados, aconselham-se as seguintes
medidas de actuação:
Em fase de projecto:

Favorecer a escolha de materiais e sistemas pré-fabricados com tamanhos
estandardizados.

Evitar a utilização de materiais compósitos.

Privilegiar a fixação de materiais de forma mecânica ao invés da ligação química, ou seja,
utilização de pregos e parafusos em vez de colas.

Escolher materiais com conteúdo reciclado.

Escolher materiais que sejam duráveis, renováveis e recicláveis.
Em fase de construção:

Prever, no estaleiro, uma área central para corte e armazenamento de fragmentos por
forma a possibilitar a sua reutilização.

Armazenar materiais em locais seguros, secos e localizados acima do nível do chão, e
prevenir o contacto com materiais que possam causar corrosão, descoloração ou manchas.

Utilizar métodos, em estaleiro, de forma a que os materiais de trabalho possam ser
reutilizados em outras obras (por exemplo, utilizar parafusos e não pregas para fixação).
6
LER - Lista Europeia de Resíduos.
31 |
Capítulo 2
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Tese de Doutoramento

Exigir dos subcontratados, propostas de planos para a minimização de desperdícios,
incluindo todas as fases do processo de gestão de resíduos, como seja, o armazenamento,
a distribuição, a manipulação, a embalagem, a protecção, o corte e a reciclagem.

Reduzir o desperdício com embalagem, procurando fornecedores que distribuam, materiais
de forma segura com o menor desperdício possível, e através de embalagens mais
sustentáveis (exemplo: tiras de papel em substituição de espuma).
Além das medidas citadas, a formação e as sessões de esclarecimento para trabalhadores são
essenciais para o sucesso desta gestão.
Em fase de operação:

Deverá ser previsto (desde a fase de projecto) a melhor logística e espaços destinados à
separação, armazenamento e transporte dos resíduos;

Promover mecanismo de comunicação entre utilizadores de forma a maximizar a
valorização dos resíduos produzidos.
2.2.6
Qualidade do ar interior
A preocupação com a qualidade do ar interior é recente e ainda incipiente em alguns países, pois
muito pouco tem vindo a ser argumentado sobre o impacto da má qualidade do ar interior,
responsável pelos elevados índices de alergias (cerca de 20 a 30% da população europeia),
distúrbios neuro-psiquiátricos, Doença do Legionário, afecções cutâneas e em casos mais fatais, o
cancro do pulmão.
Desde a Revolução Industrial que os problemas de intoxicação se tornaram presentes, mas não
suficientemente evidentes quando comparados com outros considerados bastante mais relevantes,
como a exploração principalmente de mulheres e crianças, falta de condições de trabalho, falta de
higiene e elevada carga horária. Após uma fase de reivindicações e protestos foram ocorrendo
alterações significativas a partir do século XIX, gerando assim melhorias nas condições de trabalho.
No entanto, é no século XX que se verificam mais claramente as transformações.
Progressivamente, o homem, na execução da função laboral vai-se arredando cada vez mais da
componente física, passando por desenvolver cada vez mais um tipo de trabalho de cariz
intelectual, normalmente em espaços fechados e usufruindo dos novos edifícios climatizados. E é a
partir daqui que as consequências da má qualidade do ar interior se tornam mais evidentes,
conhecida pela denominação inglesa como “Sick Building Syndrome”, aumentando assim os
acidentes de trabalho e os problemas de saúde dos trabalhadores, com impactos económicos
negativos. De acordo com a Agência de Protecção Ambiental (EPA) dos EUA:
32 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Enquadramento
“Foi estimado que o custo do ar contaminado, resulta num custo médico de aproximadamente
mil milhões de dólares por ano e o custo do empregador é de aproximadamente sessenta mil
milhões de dólares por ano, com empregados que adoecem e diminuem a produtividade”(EPA,
2003).
Isto é revelador, não somente em ambientes de trabalho, mas também em residências, escolas,
hospitais, hotéis, e demais construções. As suas consequências, nestes locais, são também
bastante evidentes:
“40% das crianças desenvolverão problemas respiratórios, devido, em parte, aos produtos
químicos utilizados na construção de residências e devido ao processo vicioso do arcondicionado” (Jornal Inglês de Medicina, 2003).
“Secondhand smoke cause lung cancer in adult non smokers and impairs the respiratory health
of children. Only 15 other substances, including asbestos, benzene and Radon, carry the group A
carcinogen designation” (EPA, 1993).
Estes relatos somente vêm reforçar que a qualidade do ar está directamente relacionada com o tipo
de construção, da escolha dos materiais, dos produtos de conservação e manutenção, da irregular
(muitas vezes ausente) monitorização /manutenção dos sistemas de climatização e da contradição
destes com medidas de isolamento para a melhor eficiência energética (afinal necessárias, mas que
deveriam ser geridas em conjunto, para assegurar o mínimo de qualidade do ar no interior dos
edifícios).
Desta forma, verifica-se que o impacto ambiental da construção é determinante, quer seja numa
perspectiva global, quer seja numa perspectiva do seu futuro utilizador. De acordo com um estudo
promovido pela Agência de Protecção Ambiental dos Estados Unidos (EPA), o ar interior em novas
habitações é dez vezes mais poluidor que o ar exterior.
Assim, conclui-se que, além de medidas de monitorização e fiscalização de sistemas de
climatização, é preciso melhorar a qualidade do ar interior no sector da construção, quer através de
medidas sustentáveis aplicadas em diferentes fases de projecto, quer no controlo dos efeitos em
todo o processo da construção.
2.3
O efeito da mudança – Contextualizando a Construção Sustentável
Os esforços para inverter o actual cenário das alterações climáticas devem ser realizados no âmbito
global. Ou seja, a sua acção eficaz depende da alteração do modo de consumo actualmente
instalado em países desenvolvidos e na mudança antecipada do comportamento em países em
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Capítulo 2
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Tese de Doutoramento
desenvolvimento, onde se estima que as suas emissões de gases poluentes irão ultrapassar as dos
países desenvolvidos até 2020.
Com base nos impactes descritos na secção 2.2, é evidente que parte desta mudança deverá
passar pelo sector da construção e pela responsabilidade que será imposta aos diferentes
“stakeholders” envolvidos nesse processo.
Esta mudança passa pela identificação dos possíveis impactes e pela definição de métodos e de
novas tecnologias que possam minimizar danos e desequilíbrios provocados. No entanto, o mais
importante é ainda a própria mudança da mentalidade, que deverá estar incutida principalmente no
promotor imobiliário, no projectista, no empreiteiro, no investidor e no cliente final. O investidor e
cliente final têm aqui um papel crucial em tornar o mercado da construção mais exigente,
responsável e sustentável. Neste sentido, caminham também as autoridades públicas e as
autarquias através de uma definição estratégica e legislativa visando o respectivo enquadramento
por via de directivas e Regulamentos Nacionais, além de entidades multilaterais (EU, Banco
Mundial, PNUD), que funcionam como impulsionadores deste novo paradigma, com a introdução de
novos modelos de financiamento ou mesmo de apoio ao investimento directamente suportado, de
forma parcial.
É neste contexto que serão apresentadas de seguida, algumas acções desenvolvidas a nível
Global, Europeu e Nacional, bem como a própria definição do conceito que vem caracterizar e
enquadrar esta mudança necessária e inadiável, ou seja, a sustentabilidade aplicada à construção.
2.3.1
Propostas e acções a nível Global
Reconhecer que a degradação do meio ambiente está directamente relacionada com a actividade
humana e o seu modelo económico, foi o primeiro passo para criar ambientes de discussão em
relação à necessidade de desenvolver formas de actuação para um desenvolvimento
socioeconómico positivo sem que este prejudique os recursos naturais e futuras gerações.
Nesse sentido, apresentam-se infra, por ordem cronológica, as primeiras e decisivas iniciativas e
consequente discussão, que deram lugar a um novo conceito, o desenvolvimento sustentável
(Figura 2.17).
1968
Conferência intergovernamental, organizada pela UNESCO, para discutir sobre a conservação e uso
racional da Biosfera. Dá-se início as primeiras discussões sobre o conceito do desenvolvimento
ecologicamente sustentável.
1969
EUA é um dos primeiros países a estabelecer uma legislação nacional ligada à protecção do ambiente.
Figura 2.17 - Principais trajectórias do Desenvolvimento Sustentável (Fonte:IISD, 2009)
34 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Enquadramento
1970
1971
Primeiro Dia da Terra (Earth day). Estima-se que 20 milhões de pessoas participaram deste movimento em
diferentes partes dos EUA.
A organização “Greenpeace” dá os seus primeiros passos no Canadá e lança uma agenda no intuito de travar
os perigos globais através de protestos civis e interferências não violentas.
Conferência de Estocolmo, foi uma das primeiras conferências que reuniram diferentes países para falarem
sobre a relação do desenvolvimento urbano e o ambiente. Este evento conduziu a formação de Agências
1972
Nacionais para protecção do ambiente, bem como para a criação do Programa das Nações Unidas para o
Ambiente (UNEP). Neste mesmo ano, foi publicado pelo Clube de Roma o relatório “ Limits to Growth ” que
fala da relação entre o crescimento socioeconómico frente a degradação do ambiente.
1974
1980
1982
Cientistas constatam que o uso prolongado de gases CFC podem destruir a camada de Ozono.
Publicação do Relatório Global 2000, que reconhece pela primeira vez a biodiversidade como factor critico
para o próprio funcionamento do ecossistema planetário.
É fundado nos EUA o “World Resources Institute”, que, a partir de 1986, passaram a publicar de dois em
dois anos, a avaliação dos recursos mundiais.
Fuga de substância química tóxica na Índia, provoca 10.000 mortes e 300.000 feridos.
1984
Conferência Internacional promovida pela O.C.D.E. sobre Ambiente e economia marca os primeiros passos
para preparação do Relatório “Our Common Future ”
1985
É descoberto por cientistas Americanos e Ingleses, um buraco na camada de Ozono sobre a Antárctida.
1986
Acidente na estação nuclear em Chernobyl.
1987
É publicado o Relatório “Our Common Future” (Relatório de Bruntland) através deste relatório é definido
pela primeira vez o conceito “Desenvolvimento Sustentável”.
É adaptado o Protocolo de Montreal relacionado as substâncias que destroem a camada de Ozono, através
deste tratado, os países signatários comprometem-se em realizar a substituição destes gases.
1988
“Intergovernmental Panel on Climate Change ” estabelece a avaliação actualizada de todas as pesquisas
socioeconómicas, técnicas e científicas relacionada ao tema do meio ambiente.
Cimeira da Terra, também conhecida como Rio 92, foi a Conferência das Nações Unidas para o Meio
1992
Ambiente e o Desenvolvimento que foi sediada no Rio de Janeiro (Brasil). Importantes planos de acções foram
definidos neste evento para o desenvolvimento da Agenda 21.
É lançado o primeiro Índice de Sustentabilidade Global. Conhecida por Índice Dow Jones , esta ferramenta
1999
providencia um guia para investidores que procuram empresas rentáveis e que seguem os princípios do
desenvolvimento sustentável.
Cimeira de Johannesburg, também conhecida como Rio+10, esta conferência foi um importante evento, para
2002
a definição de objectivos mais concretos para o funcionamento prático da Agenda 21.
Global Reporting Initiative (GRI), após cinco anos de preparação, são lançadas as directrizes para
elaboração de Relatórios de Sustentabilidade.
2005
2006
O Protocolo de Quioto entra em vigor, estabelecendo, entre os países signatários, o compromisso para
redução das emissões dos gases que provocam o efeito estufa.
Relatório Stern é publicado e revela que o custo para remediar os efeitos da alteração climática será 20
vezes maior no futuro do que o investimento actualmente necessário.
2007
O IPCC e Al Gore são galardoados com o Prémio Nobel da Paz.
2009
Realiza-se a Cimeira de Copenhaga (COP15) onde inicia-se a discussão visando o enquadramento global
para as alterações climática (Pós-quioto).
Figura 2.17 (cont.) - Principais trajectórias do Desenvolvimento Sustentável (Fonte:IISD, 2009)
Dos vários documentos e iniciativas mencionados destacam-se o Relatório de Bruntland, o
Protocolo de Quioto e o Protocolo GEE (GHG Protocol), que serão a seguir mais bem detalhados.
35 |
Capítulo 2
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
“ O desenvolvimento sustentável que satisfaz as necessidades presentes, sem
comprometer a capacidade das gerações futuras”
(WCED, 1987)
Relatório de Bruntland: representa o resultado de um estudo realizado pela Primeira-Ministra da
Noruega, Dra. Gro Harlem Bruntland, quando esta chefiou a Comissão Mundial sobre Meio
Ambiente e Desenvolvimento, e que culminou na apresentação do referido relatório, do qual
resultou o principal e o mais conhecido conceito sobre desenvolvimento sustentável (acima
referido).
O relatório representa um apelo à acção colectiva, demonstrando que os problemas futuros serão
comuns a todos os países (denominado de “tragédia comum”), e que é necessária uma conjugação
articulada que se reúna em prol de um desafio comum, quer através de uma forte cooperação
internacional, quer pelo desenvolvimento e implementação de mecanismos legais.
Uma parte do relatório focaliza-se na interacção directa entre o ambiente e o desenvolvimento
económico e social, bem como incentiva as acções para limitar o crescimento populacional, o
desenvolvimento de indústrias com tecnologias ambientalmente responsáveis, a garantia da
existência e disponibilidade dos recursos básicos, a redução da utilização dos recursos naturais, a
preservação da biodiversidade e dos ecossistemas, e outras medidas definidas como “desafios
urbanos”.
Protocolo de Quioto: Através da integração de uma política comum no âmbito das alterações
climáticas, o Protocolo de Quioto vem consolidar um compromisso entre Países para reduzir as
emissões de CO2 (dióxido de Carbono) e CO2eq (Dióxido de Carbono equivalente). A abertura formal
para as assinaturas em relação ao compromisso estabelecido em Kyoto - Japão, ocorreu em 11 de
Dezembro de 1997 (após uma primeira discussão ocorrida em Toronto, ainda em 1988). No entanto,
somente após 8 anos, e seguido de muitas discussões (um dos importantes eventos foi o ocorrido
em Marrakesh - 2001, conhecido como “Acordo Marrakesh”), entrou oficialmente em vigor em 16 de
Setembro de 2005 (ou seja, somente após a ratificação de, pelo menos, 55% dos Países, condição
base para o avanço do Protocolo). Mais informações relativas aos principais obstáculos para a
consolidação, bem como, informações do método de funcionamento definido para a primeira fase
(2008-2012) e compromisso pós-quioto (a partir de 2012), poderão ser encontrados no site oficial
http://unfccc.int/kyoto_protocol/items/2830.php.
36 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Enquadramento
Protocolo de Gases do Efeito de estufa (GEE): Este protocolo, desenvolvido pelos World Business
Council for Sustainable Development (WBCSD) e World Resource Institute (WRI), define-se por
uma metodologia para a preparação de inventariação de emissões de CO 2eq de empresas e
Instituições, tendo como objectivo a sua minimização e compensação de forma voluntária.
Cada vez mais, têm-se difundido estas iniciativas voluntárias no âmbito das alterações climáticas
para os sectores da economia não abrangidos na primeira fase (2008-2012) do Protocolo de Quioto
(inclusive o sector da construção e dos serviços). Esta iniciativa surge como resposta às exigências
de mercado (investidores, parceiros, ONGs, entre outros…) cada vez mais centrados nos temas da
sustentabilidade, bem como assentando em estratégias de acção com um elevado factor de
diferenciação.
Neste sentido, os impactes das empresas relacionados com as alterações climáticas, têm-se
tornado numa fonte de informação fundamental nos relatórios Globais e de sustentabilidade,
evidenciando-se assim como um elevado factor de competitividade em processos para a obtenção
de fundos (no âmbito da EU ou EIB- European Investment Bank), apoios directos em países em
desenvolvimento (Banco Mundial, GEF- Global Environmental Facility), créditos bancários e
reconhecimento por parte de clientes e investidores. Mais informações poderão ser encontradas no
site http://www.ghgprotocol.org/files/ghg-protocol-revised.pdf.
2.3.2
Propostas europeias para uma Construção mais sustentável
A nível europeu podem encontrar-se diferentes iniciativas que promovem boas práticas ambientais e
energéticas entre os diferentes países. No site oficial da União Europeia7 , é possível encontrar
directivas, actualmente em vigor, temas em discussão e fundos europeus focalizados neste
enquadramento. Muitas destas acções vão de encontro ao compromisso assumido pela União
Europeia no que diz respeito às alterações climáticas, ou seja, o compromisso de reduzir em 20% o
consumo anual de energia primária até 2020 (equivalente a uma redução de aproximadamente
1,5% ao ano).
O facto de os edifícios (comerciais e residenciais) representarem 40% da energia final consumida e
36% das emissões totais de CO2eq na UE (COM, 2008), faz com que as principais iniciativas
europeias direccionadas para os edifícios estejam relacionadas com a eficiência energética dos
mesmos.
7
Site oficial da EU- http://ec.europa.eu/environment/index_en.htm
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Capítulo 2
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Tese de Doutoramento
É certo que a construção sustentável é muito mais abrangente, ao incluírem outros factores tais
como a maior eficiência do consumo da água, biodiversidade, qualidade do ambiente, gestão dos
materiais, gestão dos resíduos, entre outros. No entanto, constata-se que muitas das iniciativas
europeias que abordam estas temáticas, estão direccionadas para outros sectores, e não
especificamente para os edifícios e a sua fase de construção.
Já no que concerne à energia, conforme mencionado, verificam-se importantes iniciativas, que têm
como objectivo mobilizar cidadãos, decisores públicos, e outros intervenientes de mercado, como
também, designar normas para uma melhor conduta energética. Entre estas, destacam-se algumas
iniciativas direccionadas para o edifício:

Definição da Directiva 2002/91/CE e a sua reformulação, posteriormente denominada EPBD
(Energy Performance of Building Directive) – Esta directiva forneceu autonomia aos Estados
Membros para actuarem na definição de exigências mínimas de desempenho energético
para os edifícios novos e existentes. Em Portugal, esta directiva foi transposta através dos
Decretos-Lei 78/2006 de 4 de Abril, DL79/2006 de 4 de Abril e DL80/2006 de 4 de Abril (que
mais à frente serão analisados).

Definição da Directiva 2010/31/CE refere-se a uma reformulação da Directiva 2002/91/CE,
relativa a eficiência energética dos edifícios. Nesta Directiva foram introduzidas novas
alterações de forma a tornar o documento anterior mais transparente e eficaz. Objectiva-se
através deste, cumprir os compromissos assumidos pela União europeia, quer no âmbito do
Protocolo de Quioto, quer no compromisso de reduzir até 2020 as emissões de CO2eq em
20% (comparado ao ano de 1990).

Definição da Directiva 92/75/CE – Referente à etiqueta energética nos equipamentos
electrodomésticos, nos produtos consumidores de energia, e que deverão ser providos de
informação relativo ao consumo da mesma, devidamente representados por uma
classificação de A a G (A mais eficiente a G menos eficiente), o objectivo desta directiva é
incentivar o maior investimento dos produtores no lançamento de produtos mais eficientes
no mercado, bem como, promover novos parâmetros de escolha para os consumidores, ou
seja, incentivar a compra de produtos mais eficientes.

Definição da Directiva 2005/32/CE – Esta directiva define requisitos ecológicos que deverão
ser considerados durante a concepção de produtos que consomem energia, de forma a
poderem circular em território da União Europeia.
38 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Enquadramento

Definição da Directiva 2004/8/CE – A directiva em causa faz referência à promoção da
cogeração, devido à sua capacidade de poupança de energia primária e na redução de
perdas na rede (pelo facto de ser descentralizada).

Financiamento Europeu abrangido pelo programa “The Intelligent Energy” – Trata-se de
apoios direccionados para promoção e investimento de projectos que promovam o
desenvolvimento urbano sustentável e medidas contra as alterações climáticas, bem como,
novas tecnologias associadas à eficiência energética. Entre muitos projectos financiados
relacionados com edifícios, exemplifica-se o Projecto Green-IT. Este projecto, que integrou
instituições de diferentes países, inclusive de Portugal (Laboratório Nacional de Energia e
Geologia (LNEG) que integra competências desenvolvidas pelo Instituto Nacional de
Engenharia, Tecnologia e Inovação (INETI)), teve como objectivo identificar e promover
melhores práticas e a disseminação de ecoprodutos que estabelecessem os critérios de
performance necessários para cumprimento da Legislação EPBD.

Desenvolvimento da iniciativa “Build up” – Esta iniciativa tem o intuito de promover a
eficiência energética, através de exemplos práticos verificados em diferentes países
membros. O site está direccionado para autoridades locais, profissionais da construção e
clientes finais.
Estas são algumas das medidas implementadas e que foram transpostas para a realidade dos
diferentes países-membros. O objectivo destas acções conjuntas é uniformizar e concentrar
esforços no intuito de cumprir as metas assumidas.
Na secção a seguir será retratada a aplicação das directivas nos diferentes países, através da
apresentação de um caso concreto, onde se descreve o actual estado da arte em Portugal
nesta matéria.
2.3.3
Legislação Nacional
Na perspectiva nacional, verificam-se mudanças significativas, bem como o aumento de leis
aprovadas no que se refere aos edifícios e à sua relação com o ambiente e bem-estar social. Pode
afirmar-se que as medidas no âmbito da eficiência energética, e outras relacionadas com a redução
do impacte ambiental em obra (através de DIA8 e Recape9, regulamentos mais rigorosos), foram o
culminar destas alterações. A nova legislação em vigor, vem garantir melhor qualidade no modo de
8
9
DIA- Declaração do Impacte Ambiental
RECAPE - Relatório de Conformidade Ambiental do Projecto de Execução
39 |
Capítulo 2
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Tese de Doutoramento
vida dos seus habitantes, como também faz surgir novos preceitos e parâmetros a terem em conta
aquando da aquisição de um imóvel e fracção (principalmente no caso dos escritórios). Verifica-se
também, mediante estas novas regulamentações, o aumento da responsabilidade incutida aos
Promotores e aos empreiteiros em obra.
Neste sentido, apresentam-se a seguir alguns exemplos de regulamentos em vigor, que vão desde
medidas no âmbito da eficiência energética e qualidade do ar ao controlo do ruído. Estes
regulamentos, que se apresentam, foram intencionalmente seleccionados, pois vão de encontro aos
critérios de sustentabilidade que serão mais à frente analisados no âmbito deste trabalho.
No âmbito da Biodiversidade:

Recape (Relatório de Conformidade Ambiental do Projecto de Execução) – De acordo com
a Portaria 330/2001, toda a Análise de Impacte Ambiental (AIA) que seja realizada em fase
de estudo prévio ou anteprojecto, deverá apresentar, à entidade licenciadora e competente
(neste caso a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR)), o projecto
de execução com todas as recomendações da respectiva DIA (Declaração do Impacte
Ambiental), e que se refere à decisão do procedimento da AIA, a ser emitida pelo Ministério
do Ambiente ou órgãos competentes.
No âmbito da energia:

RCCTE – Regulamento das Características de Comportamento Térmico dos Edifícios
(Decreto-Lei 80/2006 de 4 de Abril), este regulamento refere-se a uma revisão do RCCTE
aprovado pelo Decreto-Lei nº 40/90 de 6 de Fevereiro. Possui no âmbito da sua aplicação
os edifícios residenciais ou não residenciais sem sistemas de climatização centralizados.
Através do RCCTE é possível prever a quantidade de energia que será consumida
anualmente pelo edifício, para situações de referência, tendo em conta os seguintes
parâmetros:

A quantificação de valores relativos às necessidades nominais anuais de energia
útil para aquecimento (Nic), para arrefecimento (Nvc), para produção de águas
quentes sanitárias (Nac), bem como das necessidades globais de energia primária
(Ntc) que não podem exceder um limite admissível de energia primária (Nt), fixado
no artigo 15.º do mesmo regulamento.

Em condições específicas, a definição dos coeficientes de transmissão térmica
(lineares e superficiais) da envolvente do edifício, a classe de inércia térmica, o
factor solar dos vãos envidraçados e a taxa de renovação do ar.
40 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Enquadramento
O país passa a ser identificado através de três diferentes zonas climáticas de Inverno (I1, I2
e I3) e outras três de Verão (V1, V2, V3) que poderão ser verificadas no Anexo III do
mesmo regulamento. Esta classificação será fundamental para a definição de graus-dias
(GD), que juntamente com o factor de Forma (FF), são elementos integrantes para a
definição dos valores limites para aquecimento (Ni), arrefecimento (Nv) e para as águas
quentes sanitárias (Na). Os valores resultantes da referida metodologia são então
comparados com os valores nominais estabelecidos pela Legislação.

RSECE – Regulamento dos Sistemas Energéticos de Climatização em Edifícios (DecretoLei 79/2006 de 4 de Abril), referindo-se a uma revisão do RSECE anteriormente aprovado
em 7 de Maio de 1998 - Decreto-Lei 118/1998 ). Este regulamento destina-se aos edifícios
novos e aos existentes (com mais de 1000m2, ou 500m2 no caso de piscinas,
supermercados…), com potência instalada para climatização superior a 25KW (seja
residencial ou não residencial).
Os parâmetros de caracterização do referido regulamento são definidos pelos seguintes
indicadores:

Caracterização energética: definida pela energia primária ou final por metros
quadrados de área útil por ano (Kgep/m2/ano) ou pelo factor de emissão de CO 2
por metro quadrado de área útil por ano, anualmente actualizados pela DGGE
(Direcção Geral de Geologia e Energia).

Indicadores de Eficiência Energética: nomeadamente a Potência instalada e a
Eficiência nominal de componentes.

Indicadores de Qualidade do ar interior: definida pela taxa de renovação do ar,
pela concentração de gases, presença de microrganismos e partículas em
suspensão.
Além dos indicadores acima citados, através do regulamento do RSECE são
disponibilizados os seguintes:

Métodos de cálculo para a obtenção do Indicador de Eficiência Energética (IEE) de
um empreendimento. Este valor é calculado com base nos diferentes consumos do
edifício num ano, tendo em conta os factores de correcção climática (conforme
anteriormente mencionado no RCCTE).
41 |
Capítulo 2
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento

Tabela com valores limites dos consumos globais específicos em função da
tipologia do edifício.

Definição dos requisitos e exigências quanto ao conforto térmico de referência e
qualidade do ar interior.

Estabelece a obrigatoriedade de inspecções e auditorias periódicas dos
equipamentos.
Outro tipo de informação bastante relevante para ser mencionada, está relacionada com a
introdução do sistema de energias alternativas em edifícios. Conforme descrito no artigo 32º, caso
se verifique um retorno de investimento inferior a oito anos, e a viabilidade económica seja
comprovada, este sistema deverá ser contemplado. O mesmo se aplica à realização de um estudo
de viabilidade económica dos sistemas de co-geração em alguns tipos de edifícios com mais de
10.000m2 de área útil (Artigo 27º, ponto 7).
Todos os elementos do RCCTE e do RSECE são fundamentais para a obtenção da classificação
energética de um empreendimento, conforme poderão ser verificados a seguir.

SCE – Sistema de Certificação Energética e da Qualidade do ar interior (Decreto-Lei
78/2006 de 4 de Abril) – Este sistema vem assegurar a aplicação regulamentar do RCCTE
e do RSECE, no âmbito do desempenho energético e da qualidade do ar interior. Este
regulamento aplica-se a diferentes situações, tais como:
1. Edifícios novos, e existentes sujeitos a grandes intervenções;
2. Edifícios de serviços existentes sujeitos a auditorias periódicas;
3. Edifícios existentes durante processos de vendas e/ou arrendamento.
A gestão do referido sistema é realizada pela Agência para a Energia (ADENE), sob a
supervisão da DGGE e do Instituto do Ambiente. Entre outras funções, a ADENE possui a
responsabilidade de formar e fiscalizar os peritos qualificados, que, por sua vez, têm a
função de proceder à análise de todos os trâmites necessários para emitir o respectivo
certificado energético e da qualidade do ar interior dos edifícios, bem como planos de
melhoria e auditorias periódicas.
Além do cumprimento regulamentar, o SCE tem como objectivo as seguintes acções:
1- Assegurar e divulgar aos utentes, bem como potenciais moradores, o desempenho
energético do edifício, através de uma classificação de fácil interpretação, identificada
por A+ (maior eficiência) a G (menor eficiência). No caso do Modelo de Certificado
42 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Enquadramento
Energético para edifícios abrangidos pelo RSECE, esta classificação é fundamentada
pelas necessidades anuais do edifício com base em valores nominais regulamentares
(IEEnom) e comparado com o valor máximo regulamentar (definido para cada tipologia),
denominada por IEEref
2- Fornecer, através do Certificado a ser emitido, informações detalhadas do edifício,
desde os materiais construtivos utilizados até à identificação parcial dos diferentes
consumos energéticos do mesmo (expresso em quilograma equivalente de petróleo por
ano (Kgep/ano)), nomeadamente: sistema de climatização, iluminação, Água Quente
Sanitária (AQS), e outros consumos, incluindo equipamentos. Além disso, através
destes certificados, é possível obter informações sobre os principais resultados
monitorizados durante as auditorias de qualidade do ar interior.
3- Identificar, ainda através do referido certificado, a eventual utilização de energias
renováveis, bem como, a descrição de medidas de melhoria energética aconselhadas
para o respectivo empreendimento.

Decreto-Lei 363/2007 de 2 de Novembro (alterado pelo DL 118-A/2010 de 25 de Outubro) e
Decreto-lei 225/2007 de 31 de Maio – Estes diplomas incentivam a utilização de energias
renováveis descentralizadas, tais como os sistemas de microgeração aplicados em
edifícios. O primeiro regulamento está direccionado para moradias e condomínios e o
segundo, encontra-se também direccionado para serviços, comércios e indústrias.
No âmbito da Qualidade do Ambiente Interior/Exterior:

Regulamento Geral do Ruído (Decreto-lei 9/2007 de 17 de Janeiro)– O regulamento em
causa aplica-se a actividades ruidosas (sejam estas permanentes ou temporárias) e outras
formas de ruídos susceptíveis de causar incómodo. Passam a considerar-se os seguintes
valores de exposição (ver tabela 2.4) :
Tabela 2.4- Níveis limites de ruídos definidos pelo Regulamento Geral do Ruído.
Zonas / níveis limites de ruídos
Valores limites de Lden
Valores limites Ln
(níveis dia-entardecer – noite)
(níveis noite)
Zonas mistas
65dB (A)
55dB (A)
Zonas sensíveis
55dB (A)
45dB (A)
No caso da ausência de classificação das zonas
63dB (A)
53dB (A)
43 |
Capítulo 2
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento

Regulamento dos Requisitos Acústicos dos Edifícios (RRAE) (Decreto-lei 129/2002 de 11
de Maio) – Este regulamento define requisitos para diferentes tipologias de edifícios, de
forma a garantir a adequada qualidade da acústica dos mesmos. No caso da construção de
edifícios comerciais e de serviços deverão ser cumpridos os requisitos de isolamento
definidos no artigo 6º deste regulamento.

Decreto-Lei 181/2006 de 06 de Setembro (transposição da directiva 2004/42/CE) – Este
diploma tem o objectivo de estabelecer o limite do teor de COVs (Compostos Orgânicos
Voláteis) das tintas e vernizes, como forma de redução da poluição atmosférica. Esta
legislação define os limites máximos de teor destas substâncias (gramas de COVs por litro
do produto pronto a utilizar) a serem cumpridos em duas fases distintas, uma primeira fase
em 2007 e uma segunda em 2010 (ver tabela 2.5).
Tabela 2.5- Produtos abrangidos e teores máximos de COVs.
No âmbito dos Resíduos:

Decreto-lei 239/97 de 09 de Setembro estabelece regras para a adequada gestão dos
resíduos nomeadamente recolha, transporte, armazenamento e tratamento.

Portaria 209/2004 de 03 de Março, definição do código LER (Lista Europeia dos Resíduos),
vem assegurar a harmonização da regulamentação vigente (DL239/97) através da
identificação e classificação dos resíduos (perigosos ou não perigosos) e classificação de
operações de valorização e eliminação.
44 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Enquadramento

Decreto-lei 178/2006 de 05 de Setembro, transpõe a Directiva Europeia n.º 2006/12/CE de
05 de Abril. Define as responsabilidades do produtor e estabelece regras de gestão dos
resíduos desde a fase de recolha até à valorização e eliminação dos resíduos. As
operações de gestão de resíduos passam a ser geridas sob a direcção de um responsável
técnico com qualificações adequadas. E o sistema passa a ser controlado através do
SIRER (Sistema Integrado de Registo Electrónico de Resíduos).

Decreto-Lei 46/2008 de 12 de Março – Define regras e práticas a adoptar em fase de
projecto e obra, de forma a minimizar e a reaproveitar resíduos de construção e demolição
(RCD) na mesma fase (incluindo solos e rochas não contaminados).
A evolução e o aumento da qualidade ambiental dos edifícios durante os últimos dez anos,
principalmente no que se refere aos edifícios de serviços, devem-se em grande parte às iniciativas
europeias e nacionais, impostas através dos Regulamentos relacionados com a preocupação e
objectivos ambientais, conforme foi possível verificar nas secções anteriores. No entanto, o conceito
da sustentabilidade deve ir muito além das obrigatoriedades regulamentares. Este conceito deve ser
incutido como uma acção voluntária e de compromisso ético. Neste sentido, e no intuito de melhor
compreender este contexto, na secção seguinte será apresentado o conceito da sustentabilidade
aplicado ao sector da construção.
2.3.4
Princípios da sustentabilidade aplicados na construção
O conceito de Sustentabilidade conforme definido no Relatório de Bruntland, exprime de forma
clara, quais os objectivos fundamentais desse desenvolvimento.
Neste sentido, o “Desenvolvimento Sustentável” deve ser visto como um desafio para as sociedades
actuais e uma responsabilidade que implicará fortes mudanças no actual modelo económico
implementado. O objectivo é garantir a integridade e a qualidade de vida para as gerações futuras.
“Uma verdadeira sustentabilidade deve criticar a visão economicista que não considere as questões
sociais e ambientais e que apenas tem enfoque na produção e nas taxas de crescimento económico
(PIB), refutando o antropocentrismo económico para o qual a natureza é apenas matéria-prima para a
produção de bens, e assim defendendo um novo estilo de vida, um novo projecto civilizacional”
(MONTIBELLER, 2004)
Neste sentido, e para o correcto desenvolvimento deste conceito, a sustentabilidade deve ser
assente de forma equilibrada em três pilares fundamentais: o social, o económico e o ambiental,
conhecidos em inglês como “Triple Bottom Line” (ver figura 2.18).
45 |
Capítulo 2
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Tese de Doutoramento
Práticas laborais e condições
de trabalho
Crescimento
Direitos Humanos
Factores
Sociais
Sociedade
Factores
Económicos
Eficiência
Saúde e Segurança e
Mobilidade social
Factores
Ambientais
Emissões de gases
poluentes
Biodiversidade
Integridade do ecossistema
Capacidade de
carga
Figura 2.18 - As três dimensões da sustentabilidade e seus objectivos fundamentais (Fonte: Serageldin e Steer, 1994)
(adaptado).
Uma abordagem da Sustentabilidade à Construção verifica-se bastante coerente, quando considera
a sua influência e impactes relacionados com os três pilares, tal como se evidenciou na figura 2.18..
De acordo com Charles Kiberts, a construção sustentável define-se como a “Criação e gestão
responsável de um ambiente construído saudável, baseado na eficiência de recursos e princípios
ecológicos” (Kibert C., 1994). Este conceito vem revelar a necessidade de mudança do paradigma
tradicionalmente utilizado, onde os aspectos considerados mais relevantes para o aumento da
competitividade, eram a qualidade, o tempo e os custos associados.
Para hoje se alcançar um estágio conceptual de competitividade na construção, com base no
equilíbrio entre as vertentes económica, social e ambiental, outros patamares evolutivos foram
ultrapassados, como seja a mentalidade ou a perspectiva exclusivamente focalizada na componente
ambiental (construção bioclimática e eco-eficiente) (ver figura 2.19).
Hoje, a construção sustentável é vista como uma mais-valia, um diferencial num mercado cada vez
mais competitivo. Entretanto, muito mais do que um investimento num estereótipo superficial, ou um
conceito estético, esta deve ser analisada de forma mais crítica e aprofundada, para poderem
identificar-se os verdadeiros benefícios e “outputs” a longo prazo advindos desta sustentabilidade
aplicada.
Desde logo, é possível afirmar que os benefícios da construção sustentável são muitos, tal como os
entraves para a sua disseminação. Grande parte destes percalços deve-se a uma reduzida
preocupação em quantificar e monitorizar estes benefícios, que poderiam ser utilizados para
justificar os investimentos financeiros.
46 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Enquadramento
Nas secções seguintes, através do estado-da-arte, serão apresentadas as vantagens advindas da
construção sustentável, assim como as dificuldades da sua implementação.
Figura 2.19 – A evolução do conceito de competitividade na construção (Fonte: CIB, 1999).
2.3.4.1
As vantagens e dificuldades da Construção Sustentável
São inúmeras as vantagens advindas da construção sustentável. Neste sentido e tendo como base
os três pilares da sustentabilidade, serão apresentadas de forma sucinta as principais vantagens de
cariz ambiental, social e económico.
Na componente ambiental podem destacar-se inúmeras vantagens, que directa ou indirectamente
irão afectar o contexto socioeconómico. As acções que privilegiam a gestão energética, a gestão da
água e dos materiais e dos resíduos, resultam em vantagens tais como:

Redução do consumo dos recursos;

Redução de consumo de energia em horas de ponta;

Redução de emissões de CO2eq ;

Aumento de eficiência dos edifícios;

Utilização de materiais mais duradouros;

Diminuição da produção de resíduos.
Na componente socioeconómico, verifica-se uma maior qualidade do ambiente interior, aumento da
produtividade e redução de custos de manutenção e outros custos operacionais.
Os edifícios sustentáveis privilegiam o conforto acústico, a qualidade do ar (que é determinante na
eliminação de diferentes doenças alérgicas), a qualidade térmica (reduzindo fortemente as doenças
associadas às mudanças de temperatura), a relação dentre a utilização dos espaços e o bem-estar
dos utentes (evitando assim diferentes efeitos a nível neurológico e psicológico).
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Capítulo 2
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
Numa escala global, o incentivo da sustentabilidade no sector da construção, poderá proporcionar
um aumento de 10 milhões de novos empregos (Sellier D., 2004), diminuição de níveis de impostos
associados à redução do impacte das despesas com saúde pública e redução de emissões de
CO2eq, bem como as suas consequentes reacções.
Como referido, os benefícios directos dos edifícios sustentáveis não se direccionam apenas ao
promotor e ao cliente final, mas também através de uma reacção benéfica em todos os
“stakeholders” envolvidos nas diferentes fases do empreendimento (ver figura 2.20).
Proprietário do Edifício
Utilizador do Edifício
Aumento das taxas de ocupação e benefício
resultantes de rendas mais elevadas;
Valorização do imóvel;
Menores custos ( manutenção, energia, água);
Melhores condições de habitabilidade e
trabalho;
Diminuição de riscos perdas físicas e reparações;
Redução de renovação das instalações
Diminuição de despesas com saúde;
Aumento de imagem.
Construtor
Arquitectos / Engenheiros
Posicionamento num mercado
emergente;
Desenvolvimento de serviço com elevado
valor acrescentado.
EDIFÍCIOS
SUSTENTÁVEIS
Sector Bancário
Menor risco em operações de crédito;
Desenvolvimento de novos produtos bancários;
Contribuição para a neutralidade nas emissões
CO2.
Melhoria na qualidade da construção;
Redução de riscos e acidentes de
trabalho;
 Aumento do prestigio.
Seguradora
Melhor gestão e controlo de risco;
Condições atractivas para planos
complementares de seguros de saúde e de pensões.
Figura 2.20 - Benefícios dos edifícios sustentáveis para os diferentes "Stakeholders" (Fonte: Arene, 2004)(adaptado).
Apesar das vantagens apresentadas, e advindas dos edifícios sustentáveis, estas práticas ainda
não se verificam como correntes no mercado, em parte pelos seguintes motivos:

A falta de apoio, incentivos e entendimento das vantagens associadas por parte das
entidades governamentais, instituições bancárias e seguradoras;

A procura, por grande parte dos construtores e promotores, de soluções que assentem num
custo inicial reduzido (na fase de construção), desviando-se assim os factores inerentes ao
período operacional (associado ao ciclo de vida) dos edifícios para o futuro proprietário do
imóvel;

A análise incompleta dos custos globais que são gerados durante a fase de construção e de
operação dos edifícios, que geralmente não contabilizam custos indirectos associados, por
exemplo, aos desperdícios dos consumos, doenças e emissões de poluentes.
48 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Enquadramento
Com base nestes factores, alguns países têm promovido ferramentas de análise económica, além
de financiamentos e incentivos, de forma a permitir a disseminação da sustentabilidade no sector
público e privado.
2.3.4.2
Actual Cenário da Construção sustentável no âmbito económico
Constata-se, em diversos países, a realização de estudos e a utilização de ferramentas financeiras,
com o intuito de justificarem a construção sustentável e a disseminação de uma nova mentalidade
direccionada para o mercado. Muitas destas acções baseiam-se em Ferramentas de Avaliação da
sustentabilidade, que são difundidas num determinado país de origem e adaptadas à sua realidade,
tais como, Leadership in Energy and Environmental Design (LEED) nos Estados Unidos, Building
Research Establishment`s Environmental Assessment Method (BREEAM) no Reino Unido,
Comprehensive Assessment System for Building Environmental Efficiency (CASBEE) no Japão,
Sustainable Building Tools Portugal (SBToolPT) entre outros, que mais à frente serão evidenciados.
Estas ferramentas são definidas por uma metodologia e um sistema de avaliação próprios, tendo
como objectivo classificar e reconhecer um edifício sustentável, ao mesmo tempo que funcionam
como linha de orientação para construtores e projectistas.
Um exemplo, bastante difundido, foi um estudo realizado nos Estados Unidos, onde se compararam
33 edifícios (certificados, ou ainda em processo de certificação pelo LEED) com outros edifícios
convencionais. Nesta análise foram utilizados os seguintes pressupostos (taxa de desconto de 5% para actualização de "cashflows", período de análise – 20 anos, Inflação de 2% por ano). Observouse no referido relatório “The costs and financial benefits of Green Buildings” (kats G., 2003), que um
investimento (em média) de 2% sob o custo inicial (comparado a um edifício convencional) produz
benefícios financeiros 10 vezes superiores em relação ao referido investimento (para um período de
20 anos), considerando a análise dos consumos, manutenção, emissões e produtividade.
Aplicado num exemplo real, e assumindo que o custo da construção na Califórnia é de $150/ft 2 (o
equivalente a $1.612/m2) a $250/ft2 (o equivalente a $2.688/m2), os 2% de aumento equivaleriam de
$3/ft2 ($32,25/m2) a $5/ft2 ($53,76/m2), enquanto os benefícios financeiros (devidamente ajustados
com taxa de actualização de 5%) analisados em 20 anos equivaleriam de $48/ft2 ($516/m2) a $75/ft2
($806,45/m2). E se estes valores não incluíssem os benefícios inerentes às emissões e à
produtividade, isto é, se considerássemos apenas a redução do consumo de energia, água e
resíduos, aproximadamente de $6/ft2 ($64,51/m2).
Outro estudo de elevado interesse, também nos Estados Unidos, foi o realizado por David Langdon
(2004), que procurou analisar apenas o custo associado à fase de construção de “green building”,
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Capítulo 2
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
argumentando ser este o custo que dirige as decisões sobre o projecto sustentável (ver figura 2.21).
Este trabalho, que comparou o custo da construção por área, de edifícios certificados e não
certificados pelo LEED, contou com uma base de dados, com informações do investimento,
associados a mais de 600 projectos (de 19 diferentes Estados, de variadas tipologias, localizações,
tamanhos e programas).
Neste estudo conclui-se que muitos projectos alcançaram a sustentabilidade com os seus
orçamentos iniciais, ou com pequenos fundos suplementares (em média 2%).
Figura 2.21- Distribuição por percentagem do custo, durante um período de 30 anos da vida do edifício (Megan, D. et.
al, 2005).
Além dos estudos apresentados, ressalva-se também dois recentes estudos publicados após 2008,
são eles (Montezuma J., 2009):

O artigo “Environmental certification for commercial real estate assets: the value impacts”
(Franz Fuerst and Patrick McAllister, 2008) propôs-se investigar a diferença de preços
existente entre edifícios certificados com LEED e Energy Star e os edifícios não certificados.
O estudo concluiu que os valores das rendas dos edifícios certificados eram cerca de 11%
superiores às rendas dos edifícios não certificados;

Assim como o estudo anterior, o recente artigo “Doing Well by Doing Good? Green Office
Buildings” (Eichholtz P. et al, 2009) publicado pela Universidade da Califórnia, refere-se
também à comparação entre edifícios certificados pelo LEED e Energy Star e edifícios não
certificados – ambos inseridos numa mesma localidade. O resultado mostrou claramente a
importância da certificação (principalmente do Energy Star) para valorização do espaço
comercial e o efectivo mercado de arrendamento. Verificou-se o aumento médio da renda
bruta de 3% por metro quadrado e a renda efectiva aproximadamente de 6% por metro
quadrado. Quanto ao preço de venda, verificou-se uma valorização de aproximadamente
16%.
50 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Enquadramento
Na Europa, destacam-se incentivos e nova legislação com o intuito de impulsionar políticas para a
difusão da sustentabilidade. No entanto, cada vez mais têm-se evidenciado inúmeras investigações
sobre a viabilidade económica da construção sustentável, muitas delas financiadas pela Comissão
Europeia. Um dos exemplos é o projecto realizado pelos HQE2R e Cenergia, realizado em 2004,
para a criação do modelo ASCOT: Assessment of Sustainable Construction and Tecnologies Cost.
Esta ferramenta vem auxiliar os utilizadores na optimização dos custos em projectos em que
tenham sido aplicadas medidas de sustentabilidade.
Além disso, observou-se uma presente preocupação pela viabilidade económica associada às
ferramentas de avaliação e projectos para a aplicação da construção sustentável, tais como o SHE
(Sustainable Housing in European) que teve a função de auxiliar na elaboração, análise do custo
(custo inicial e comparado a novos edifícios) e escolhas para a obtenção de uma maior viabilidade
de medidas sustentáveis em projecto.
Outro projecto que também se evidencia (também co-financiado pela Comissão Europeia), é o LCCIP -GuideBook-Integrated Planning for Building Refurbishment Taking Life- Cycle-Cost into Account,
sendo constituído por inúmeros estudos de casos europeus onde foram evidenciadas medidas
sustentáveis e a relação Análise Custo-Benefício.
Denotou-se nestas investigações, que grande parte dos custos adicionais em projectos sustentáveis
é na maioria das vezes, devida ao custo associado a simulações, à introdução de novas tecnologias
e à integração de práticas sustentáveis no projecto. No entanto, também se verificou que, quanto
mais cedo estas medidas forem incorporadas em fase de projecto, menores serão os seus custos
associados.
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Capítulo 2
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Tese de Doutoramento
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Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Capítulo 3
Métodos e Ferramentas
CAPÍTULO 3 – MÉTODOS E FERRAMENTAS - COMO RECONHECER UM EDIFÍCIO
SUSTENTÁVEL?
3.1
Ferramentas de Sustentabilidade
Conforme descrito no capítulo anterior, nos últimos anos tem-se constatado um progressivo
aumento da preocupação com questões relacionadas com a sustentabilidade. Neste contexto,
verificou-se a partir da década de 90 o surgimento dos chamados “Green Buildings”, sendo assim
uma resposta imediata no meio técnico para atender às actuais exigências do mercado. No entanto,
ao mesmo tempo que se verificou uma “vulgarização” do termo “Green Buildings” ou dos chamados
“Sustainable Buildings”, observou-se, em muitos casos, que estes edifícios eram maiores
consumidores de energia do que os edifícios convencionais (Gomes V., 2007).
53 |
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Tese de Doutoramento
Foi neste sentido que se aferiu a necessidade de melhorar as definições dos conceitos de
sustentabilidade e os critérios de avaliação (por uma entidade externa), onde fosse possível
determinar e reconhecer objectivamente os empreendimentos com elevado desempenho ambiental,
social e económico. Assim surge o importante desafio das Ferramentas Voluntárias de
Sustentabilidade, e que propõem os seguintes objectivos:

Aumentar a competitividade e as exigências do mercado na escolha de produtos e serviços
mais eficientes, responsáveis e sustentáveis;

Orientar o promotor e os projectistas nas diferentes fases do empreendimento,
principalmente nas fases iniciais do projecto, uma vez que é nesta fase que se evidenciam
as principais oportunidades para que um edifício se torne sustentável com menor impacte
de custo para o promotor;

Avaliar, reconhecer e certificar os empreendimentos que estejam a contemplar medidas e
acções definidas pelos diferentes métodos de avaliação.
O primeiro método de avaliação a surgir no mercado foi o BREEAM (Building Research
Establishment Environmental Assessment Method), e desde então, tem-se verificado o
desenvolvimento de novas metodologias em diferentes países. Ressalva-se que as primeiras
metodologias que surgiram no mercado tinham uma vertente mais orientada para o factor ambiental,
verificando, somente mais tarde, a introdução de critérios relacionados com as questões sociais e
económicas. Na maioria dos casos, estes sistemas de avaliação definem métodos básicos de
actuação, e que são os seguintes:

Organização por categorias, que são as bases da sustentabilidade na construção (ou seja,
gestão da energia, gestão da água, gestão dos materiais, …)

Definição dos critérios de sustentabilidade com atribuição da respectiva pontuação
(definidos para cada categoria). Estes critérios (também conhecidos por parâmetros) são
instrumentos de medida das categorias que têm como principal função alcançar os
objectivos da ferramenta. É importante ressalvar que a pontuação associada a um critério
deve ser reflexo de sua incidência ambiental. No entanto, deve haver sensibilidade para os
medir dentro de um âmbito de valores que se possa esperar dos seus utilizadores.

Os resultados são obtidos através da soma total dos critérios, que por sua vez se
encontram em função de uma escala de desempenho e de uma ponderação. A escala de
desempenho é determinada através de estudos de referência, e onde são definidos os
valores padrão e os valores óptimos.
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Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Capítulo 3
Métodos e Ferramentas
A seguir, para melhor compreensão dos diferentes métodos de avaliação, serão identificadas
algumas ferramentas, bem como serão descritas as suas características básicas e formas de
actuação. Identificam-se as seguintes como as mais relevantes neste estudo, e que serão
apresentadas por ordem cronológica:

BREEAM (UK) (1990),

Metodologia SBTool (1996),

LEED (US) (1997);

CASBEE (JP) (2004);

LiderA (PT) (2007).

SBToolPT (2009)
Optou-se por fornecer a informação referente a estas ferramentas de forma padronizada, no intuito
de serem claramente identificadas e comparadas entre si.
A informação fornecida segue a seguinte ordem:

Origem;

Dados gerais;

Classificação atribuída;

Categorias estabelecidas;

Ponderação dos critérios;

Materiais utilizados para a avaliação;

Procedimentos para a certificação;

Número de edifícios certificados;

Outras informações.
3.1.1
BREEAM (Building Research Establishment Environmental Assessment Method)
Origem: Reino Unido
Dados Gerais: O BREEAM desenvolvido em 1990 pelo BRE (Building Research Establishment),
tem como principal objectivo avaliar e reconhecer os edifícios com reduzido impacto ambiental e alta
performance. Através deste método de avaliação é possível verificar a performance de projectos em
diferentes fases do ciclo de vida do empreendimento, desde a fase de projecto (D&P – Design and
Procurement, aplicado a novos projectos ou extensão de projectos existentes), após a fase de
construção (PCR- Pos Construction Review - de forma a comprovar as medidas implementadas no
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Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
projecto), para renovação de edifícios existentes (Fill out) e durante fase de gestão e manutenção
do edifício (M&O – Management and Operation).
No início, esta ferramenta foi desenvolvida para analisar os edifícios de escritórios, entretanto,
actualmente, e através deste método de avaliação, é possível verificar a performance de projectos
de diferentes tipologias. E que são os seguintes:

Escritórios, Retalho (Retail), Habitações (ecohomes), Multi-familiares e alojamentos,
Tribunais, Indústria, Prisões, Estabelecimentos Hospitalares, Desenvolvimento (para
analisar desenvolvimento regional e planeamento urbano);

Além destes, para os edifícios que não estejam abrangidos por nenhuma das tipologias
acima especificadas, poderão recorrer ao denominado sistema "Bespoke" e no caso de
edifícios localizados fora do Reino Unido, poderão requerer o sistema "Bespoke
Internacional".
O método de avaliação do BREEAM é definido por 9 categorias, e dentro destas aproximadamente
70 critérios, que em grande parte vêm determinar as acções específicas que um edifício deverá ter
em consideração para ser considerado sustentável. As categorias abrangidas pelo BREEAM serão
à frente descritas.
Classificação atribuída: A classificação do BREEAM é definida através de determinadas
percentagens e, dependendo da percentagem obtida, é atribuído uma classificação que poderá
variar entre:

Classificado (“Pass”): ≥30%

Bom (“Good”): ≥45%

Muito Bom (“Very Good”): ≥55%

Excelente(“Excellent”): ≥70%

Fora de série, Notável (“Outstanding”) (nova classificação de forma a destacar os melhores
edifícios certificados):≥ 85%
Categorias estabelecidas: O BREEAM é definido por 9 categorias, e dentro destas são
especificados os critérios que serão considerados durante a verificação. É importante ressalvar que
dependendo da classificação que se deseja alcançar, existem alguns critérios de cumprimento
obrigatório (ver figura 3.1- os critérios obrigatórios. Exemplo BREEAM_Retail versão2008).
56 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Capítulo 3
Métodos e Ferramentas
Figura 3.1- Critérios mínimos obrigatórios do BREEAM Retail (“Mandatory”) (Fonte: BRE, 2008).
Uma característica que distingue o BREEAM de outras ferramentas voluntárias de
sustentabilidade é a forma como os critérios são definidos. Nas restantes ferramentas os
critérios determinam-se por objectivos finais, enquanto o BREEAM determina uma acção
específica a considerar. Por exemplo, enquanto o LEED determina como um dos seus objectivos a
redução do consumo de água potável em 20%, o BREEAM determina, através dos seus critérios, os
tipos de sistemas eficientes que deverão ser especificados no projecto.
As categorias do BREEAM contemplam desde as boas condutas de gestão da empresa, passando
pela biodiversidade do local, e até às medidas de eficiência para a diminuição de impacte do
edifício. A definição de uma categoria que privilegia práticas de gestão é uma característica
muito particular do BREEAM, pois além de analisar o edifício em questão, também beneficia
a política e a conduta das empresas. Esta característica não se identifica em outras
ferramentas.
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Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
As categorias contempladas pela Ferramenta BREEAM (versão 2008, BREEAM para “Retail”)
poderão ser verificadas na secção seguinte.
Ponderação dos critérios: Para cada categoria do BREEAM é atribuído um peso (uma
ponderação) que foi definido com base num consenso entre diferentes especialidades (autoridades
governamentais, profissionais dos sectores, investigadores), bem como através de diferentes
ferramentas de análise do ciclo de vida que têm a função de analisar quais das categorias
proporcionaram maior impacte no edifício.
Através da figura abaixo (figura 3.2), pode-se verificar a ponderação definida para o BREEAM_retail:
Pontuação máxima por categoria (BREEAM)
Inovação
10%
Poluição
10%
Uso do solo e Ecologia
10%
Resíduos
7,5%
Materiais
Água
Transporte
12,5%
6%
8%
Energia
19%
Saúde e Bem-estar
Gestão
15%
12%
Figura 3.2 - O peso aplicado as diferentes categorias abrangidas pelo BREEAM_Retail (Fonte: BREEAM, 2008).
Materiais utilizados para a avaliação: O BREEAM disponibiliza gratuitamente através do site
http://www.BREEAM.org/, a pré-avaliação ("pre-assessment") e o manual do utilizador (versão
2008). O "pre-assessment" refere-se a uma folha em Excel onde é possível localizar todos os
critérios identificados pelas categorias, a pontuação atribuída, bem como a classificação final.
Através desta folha de cálculo é possível determinar uma linha de orientação para as especialidades
e quais as medidas que deverão ser tidas em consideração, bem como ter conhecimento do grau de
sustentabilidade que determinado edifício teria perante o reconhecimento do BRE.
O manual, também disponibilizado gratuitamente, demonstra detalhadamente todos os
procedimentos para alcançar os critérios, (objectivos e requerimentos), com a excepção de algumas
fórmulas de cálculo auxiliares (somente acessíveis aos assessores), explicações teóricas, definição
de todo material que deverá ser preparado pelos assessores, e bem como outras informações
necessárias (sites e fontes).
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Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Capítulo 3
Métodos e Ferramentas
Procedimentos para a certificação:
Uma grande parte do processo de certificação do BREEAM centra-se na preparação de assessores,
pois são estes que serão os interlocutores com o BRE durante o processo de certificação. Neste
sentido, o BRE regularmente realiza formação e testes para assessores, bem como fornece
manuais e esclarecimentos necessários durante o processo de certificação.
Logo, para iniciar um processo de certificação BREEAM, é importante que seja contratado um
assessor para se realizar a primeira análise do edifício através do "pre-assessment".
Para a certificação, cada critério tem um procedimento a seguir para a preparação da
documentação que comprova o cumprimento dos critérios. Quanto mais cedo o assessor for
contratado para integrar a equipa de projecto, maior será a possibilidade de introduzir medidas
sustentáveis (com reduzidos investimentos). Pois o assessor tem o papel de realizar não só os
cálculos através do “pre-assessment”, a classificação do edifício e a respectiva preparação
de relatórios para o BRE, como também, orientar as diferentes especialidades de forma a
obter um empreendimento mais sustentável.
Neste sentido, para iniciar um processo de certificação habitual no UK, devem-se seguir os
seguintes passos:
1 - Contactar um assessor (através do site do BRE é possível identificar uma numerosa lista de
assessores para as diferentes tipologias abrangidas pelo BRE), a fim de realizar o “pre-assessment”
(e calcular a sua classificação);
2- Depois de realizado o “pre-assessment”, o assessor irá recolher todas as informações
necessárias para preparar o relatório final que irá comprovar o cumprimento de cada critério.
Durante esta fase, o assessor poderá contar com o apoio e esclarecimento de dúvidas através dos
manuais do BREEAM e contactos directos com o BRE;
3- Após a finalização desta fase, toda a documentação reunida será submetida ao BRE, e que terá
15 dias para analisar e comprovar a classificação atribuída pelo assessor. Todo o processo de
análise do BRE é realizado com rigoroso controlo de qualidade, e conforme as normas ISO9001
cobertas pelas UKAS (United Kingdom Accreditation Service);
4- Após a confirmação da classificação, a certificação é emitida directamente ao cliente. Entretanto,
caso seja verificada alguma discordância, a documentação retorna ao assessor para que sejam
realizadas as devidas alterações.
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Tese de Doutoramento
Número de edifícios certificados (até Março de 2008) (Saunders. T, 2008):
Até início de 2008 foram registados 110 808, entre estes, 109 450 habitações e 1 358 edifícios não
domésticos.
Outras informações:
Outras informações poderão ser encontradas no site oficial do BRE:
http://www.BREEAM.org/
3.1.2
Metodologia SBTool (Sustainable Building Tool)
Anteriormente conhecida por GBTool (Green Building Tool), a mudança contextual para SBTool
(Sustainable Building Tool), deve-se à inclusão de factores socioeconómicos (o que vem completar
os princípios base da sustentabilidade – factores ambientais, sociais e económicos).
Origem: Canadá
Dados Gerais: O método SBTool, foi desenvolvido em 1996 pelo GBC (Green Building Challenge).
Este processo internacional, desenvolvido para testar novos métodos de avaliação de ferramentas
de sustentabilidade, foi lançado inicialmente pelo Natural Resources Canada. Entretanto, a partir de
2002 passou a ser da responsabilidade do IISBE (International Initiative for a Sustainable Built
Environmental) também responsável pela sua implementação em mais de 20 países. O que
inicialmente diferenciava o SBTool de outras ferramentas voluntárias de sustentabilidade era
o facto deste definir-se como um método com elevada adaptabilidade e flexibilidade
internacional (este cenário ter vindo a ser alterado progressivamente por outras ferramentas,
inclusive pelo BREEAM). O SBTool foi preparado de forma a que seja facilmente adaptado a
outros países e regiões sem que seja alterada a sua metodologia base/comum. Ou seja, através
desta metodologia é possível inserir novas informações, tais como: características do país onde vai
ser aplicado, condições climatéricas, língua nativa, adaptação de calibrações, critérios e padrões de
desempenho mais adequados à realidade nacional. Além disso, torna-se um excelente veículo de
comparação entre diferentes benchmarking Nacionais e Internacionais.
Projectos novos ou renovados, e em diferentes fases (Ante-projecto, Projecto, Construção.
Operação e Demolição) poderão ser avaliados pelo Método SBTool. A sua lista de tipos de edifícios
actualmente disponíveis pela ferramenta é bastante extensa, e são as seguintes tipologias:

Escritório, Apartamentos, Habitações unifamiliar, Habitação multifamiliar, Centro de Saúde,
Teatro/Cinema, Retalho, Restaurantes /Refeições ligeiras, Supermercados, Shopping
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Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Capítulo 3
Métodos e Ferramentas
Centre, Estabelecimentos educacionais, Hospital, Laboratório, Pequena Indústrias, Parques
de estacionamento , Área exterior, Hotel/Motel, e outros.
Durante uma avaliação de um projecto ou edifício é possível considerar até 3 tipos de ocupação.
É importante mencionar que as informações seguintes são baseadas na metodologia original do
SBTool, tal como foi anteriormente descrito. Neste sentido, deve-se ressalvar que determinadas
características poderão ser alteradas conforme a sua adaptação as diferentes realidades e culturas
dos diferentes países onde se aplicar (conforme se poderá verificar a seguir na versão portuguesa
SBToolPT). Estas adaptações da ferramenta poderão gerar alterações nas classificações, no número
de critérios e até mesmo na ponderação (peso) previamente estabelecida. Assim, neste capítulo
serão relatadas as características da ferramenta no seu formato original.
Classificação atribuída
A classificação atribuída pelo SBTool pode variar entre os seguintes valores:

- 1: Insuficiente;

0: Mínimo aceitável;

+3: Boa Prática;

+5: Melhor prática.
Categorias estabelecidas:
O SBTool é estruturado por Assuntos (no total 8) que são divididos por categorias (no total 29) que
são formados por um conjunto de critérios (no total de 125 critérios, entre estes, alguns são de
análise obrigatória). Durante uma avaliação, os critérios poderão ser modificados (alargados ou
reduzidos) conforme a necessidade do projecto e o que se pretende avaliar. A ponderação dos
critérios é flexível e é a partir destes que são definidos os valores finais (em peso) considerados por
categoria (soma dos critérios).
No site oficial do iiSBE (http://iisbe.org/sbtoool), poderão ser identificados todos os assuntos e
categorias, bem como os critérios analisados.
Ponderação dos critérios:
Conforme foi anteriormente mencionado, a ponderação (definida em percentagem) é feita a partir de
critérios, ou seja, elementos base que determinam o total do peso das categorias e dos assuntos. A
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Tese de Doutoramento
ponderação dos critérios a ser utilizada, poderá seguir o modelo padrão (conforme já
disponibilizado) da ferramenta ou através de uma nova ponderação mais adaptada ao projecto e à
região específica. Ao mesmo tempo deve ser realizada por uma organização local e devidamente
autorizada (membro do IISBE do País).
Conforme a ponderação estabelecida pela metodologia original, pode considerar-se (figura 3.3):
Pontuação máxima por categoria SBTool
Aspectos culturais
2,7%
Aspectos sociais e económicos
5,4%
Qualidade dos serviços (Service quality)
16,2%
Cargas ambientais
27,0%
Consumo dos recursos e energia
Selecção do Local, planeamento e desenvolvimento
22,5%
8,1%
Figura 3.3 - O peso aplicado as diferentes categorias abrangidas pela metodologia SBTool versão 2007 (Fonte: IISBE,
2007).
Materiais utilizados para a avaliação:
A metodologia SBTool, desde a sua criação, tem passado por diversas alterações e principalmente
simplificações, o que poderá ser observado ao compararmos a versão de 2003 com a versão 2007
e a recente versão lançada em 2010. Neste contexto, constata-se que a antiga versão passa de seis
ficheiros em Excel, para uma versão mais simplificada composta por somente três ficheiros.
Conforme se referiu, a versão 2007, bem como a actual 2010, conta com ficheiros interligados que
deverão ser abertos em simultâneo para que qualquer informação inserida seja automaticamente
actualizada em todos os ficheiros. Sendo os seguintes:

SBT – A: este ficheiro corresponde ao cenário a ser estabelecido. Este ficheiro será
somente utilizado pela entidade/organização local (autorizada pelo IISBE), e que é
responsável pela ferramenta num determinado País. Através desta tabela será possível
alterar classificações, tipos de ocupações elegíveis, número de critérios (a avaliação poderá
ser realizada através de um número mínimo 14 até um máximo de 125 critérios), pesos e
padrões de desempenho mais adequados à realidade local;
62 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Capítulo 3
Métodos e Ferramentas

SBT – B: Ficheiro a utilizar para os dados estabelecidos no SBT – A. Este ficheiro será
utilizado pelo projectista, e com o intuito que sejam fornecidas informações sobre o local e
características do projecto/ edifício;

SBT – C: Ficheiro de avaliação que utiliza os dados estabelecidos em SBT-A e SBT -B.
Aqui poderão ser visualizados os resultados finais (resultado relativo e absoluto).
Estas alterações tiveram um efeito bastante positivo para o processo de simplificação e flexibilidade
da ferramenta.
Procedimentos para a certificação:
Os procedimentos para a certificação utilizando a metodologia SBTool poderá variar consoante a
aplicação definida pela organização IISBE local, definida em cada país onde o método seja
adoptado. No que toca a utilização da metodologia em diferentes países, de forma geral, segue o
seguinte procedimento:
1º Passo: IISBE providencia a estruturação do SBTool;
2º Passo: São nomeados os membros da organização (IISBE local) que têm a função de adaptar o
SBTool através da definição da classificação, contexto local, pesos e padrões de desempenho que
serão introduzidos no ficheiro A (file A) da ferramenta;
3º Passo: A equipa de projecto definirá as características básicas e detalhes do projecto que serão
introduzidos no ficheiro B (File B). Durante esta fase, deverá incluir simulações e outros cálculos
externos no intuito de obter informações quantitativas do edifício;
4º Passo: No ficheiro C (File C), a equipa de projecto introduzirá os objectivos de performance que
deseja alcançar e realizará a sua própria avaliação;
5º Passo: Revisão, pelo assessores independentes, dos objectivos estipulados e análise da
avaliação realizada pela equipa do projecto;
6º Passo: O IISBE local fará a revisão final. Este Organismo tem a autonomia para certificar a nível
nacional, além disso, somente estes membros do IISBE (local) podem dar continuidade ao processo
de certificação internacional, pois estes serão sempre os interlocutores entre projectistas
/assessores e IISBE Internacional (sede);
7º Passo: Submissão ao IISBE (sede) que realizará a verificação através de um processo de
reconhecida qualidade (tal como é realizado pelo BREEAM);
8º Passo: Certificação do projecto/edifício.
63 |
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
Número de edifícios certificados (até Novembro de 2007):
Actualmente já foram certificados aproximadamente 100 edifícios com a metodologia SBTool. Mais
do que este facto vale ressalvar a influência do método SBTool para o desenvolvimento de sistemas
em diversos países, nomeadamente: Espanha, Áustria, Portugal, Japão, Coreia e Itália.
Outras informações : Outras informações poderão ser encontradas no site oficial do IISBE:
http://www.iiSBE.org/sbtool
3.1.3
LEED (Green Building Rating System) (versão V3)
Origem: USA
Dados Gerais: Lançada em 1998 pela USGBC (US Green Building Council) e por especialistas de
diversos sectores, esta ferramenta estabelece metas de desempenho em seis diferentes categorias:
Locais sustentáveis, Eficiência da água, Energia e Atmosfera, Materiais e Recursos, Qualidade do
ambiente interior, Inovação e processos de projecto e Prioridade regional. Estas categorias somam
no total 8 pré-requisitos e critérios que poderão alcançar até 110 pontos. Nos últimos anos, a
procura por esta ferramenta tem crescido exponencialmente nos Estados Unidos, e pode afirmar-se
que tem um papel fundamental na mudança de mentalidade da indústria norte-americana que vem a
ocorrer nos últimos anos.
Existem actualmente 8 diferentes versões, sendo essas as seguintes:

LEED NC: Novas construções e renovações de maiores dimensões - analisadas durante o
projecto e na construção. No entanto, o certificado somente é atribuído quando a obra
estiver completa;

LEED EB: Operação e manutenção de edifícios existentes;

LEED IC: Interiores comerciais;

LEED CS: “Core and Shell”, abrange elementos base do edifício, estruturas e sistemas
AVAC, complementaridade para o LEED IC e LEED EB;
64 |

LEED H: Habitações;

LEED ND: Desenvolvimento de bairros e projectos urbanísticos;

Escolas;

Retalho;

Estabelecimentos hospitalares (em desenvolvimento).
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Capítulo 3
Métodos e Ferramentas
Classificação atribuída: O LEED trabalha com pontuações. Um determinado número de pontos
garante diferentes classificações, que podem variar entre quatro diferentes níveis, sendo eses:

Certificado (Certified): 40 a 49 pontos;

Prata (Silver): 50 a 59 pontos;

Ouro (Gold): 60 a 79 pontos;

Platina (Platinum): 80 a 110 pontos (110 - pontuação máxima atribuída pelo LEED).
Categorias estabelecidas: Conforme anteriormente mencionado, o LEED trabalha com diferentes
categorias que vão desde a preocupação com a localização do projecto até a definição de medidas
para a eficiência dos recursos e a qualidade do ambiente interior. Neste sentido, abaixo são
relatadas as categorias, uma a uma, bem como as possíveis pontuações que poderão ser
alcançadas. Em relação aos créditos pela qual são definidos as categorias, estes poderão ser
verificados no site oficial.
As categorias abaixo especificadas referenciam a versão 3 e aplicada ao LEED NC, sendo essas as
seguintes:
1- Locais sustentáveis (são disponibilizados 26 pontos)
2- Eficiência da água (são disponibilizados 10 pontos);
3- Energia e atmosfera (são disponibilizados 35 pontos);
4- Materiais e recursos (são disponibilizados 14 pontos);
5- Qualidade do ambiente interior (são disponibilizados 15 pontos);
6- Inovação e processos do projecto (são disponibilizados 6 possíveis pontos).
7- Prioridade Regional (são disponibilizados 4 pontos)
Ponderação dos critérios: até ao ano 2008, as versões disponibilizadas pelo LEED não tinham
critérios de ponderação, isto é, as categorias e seus critérios eram definidos em forma de check-list,
onde a cada critério era atribuída a pontuação (na sua maioria, cada critério equivale a 1 ponto, com
apenas duas excepções (EA credito1 (de 1 a 10 pontos), EA credito 2 (1 a 3 pontos)), onde se
podem atribuir mais pontos.
Esta forma de atribuição de valores (sem factor de ponderação), para muitos críticos, tem
sido
considerada desapropriada, pois, dependendo da tipologia a ser analisada,
65 |
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
determinados critérios deveriam revelar-se com maior peso do que outros, o que na maioria
dos casos não acontece.
Neste sentido, e devido à constante actualização e evolução de ferramentas voluntárias de
sustentabilidade, o USGBC, desenvolveu juntamente com a EPA (Environmental Protection
Agency), uma nova pontuação para os critérios LEED através da sua ponderação lançada na
nova versão 3.0.
Materiais utilizados para a avaliação: Através do site http://www.usgbc.org é possível aceder ao
LEED check-list gratuitamente (ver figura 3.4). Através deste check-list a equipa de projecto poderá
verificar a eventual pontuação que poderá alcançar o projecto em questão.
LEED 2009 for New Construction and Major Renovations
Project Checklist
0
0
0
Y
?
N
Y
0
0
0
Y
?
N
Y
0
0
0
Y
?
N
Sustainable Sites
Possible Points:
26
d/ C
C
Prereq 1
Construction Activity Pollution Prevention
d
Credit 1
Site Selection
1
d
Credit 2
Development Density and Community Connectivity
5
d
Credit 3
Brownfield Redevelopment
1
d
Credit 4.1
Alternative Transportation—Public Transportation Access
6
d
Credit 4.2
Alternative Transportation—Bicycle Storage and Changing Rooms
1
d
Credit 4.3
Alternative Transportation—Low-Emitting and Fuel-Efficient Vehicles
3
d
Credit 4.4
Alternative Transportation—Parking Capacity
2
C
Credit 5.1
Site Development—Protect or Restore Habitat
1
d
Credit 5.2
Site Development—Maximize Open Space
1
d
Credit 6.1
Stormwater Design—Quantity Control
1
d
Credit 6.2
Stormwater Design—Quality Control
1
C
Credit 7.1
Heat Island Effect—Non-roof
1
d
Credit 7.2
Heat Island Effect—Roof
1
d
Credit 8
Light Pollution Reduction
1
Water Efficiency
d
Prereq 1
Water Use Reduction—20% Reduction
d
Credit 1
Water Efficient Landscaping
Possible Points:
10
2 to 4
Reduce by 50%
2
No Potable Water Use or Irrigation
4
d
Credit 2
Innovative Wastewater Technologies
2
d
Credit 3
Water Use Reduction
2 to 4
Reduce by 30%
2
Reduce by 35%
3
Reduce by 40%
4
Energy and Atmosphere
Possible Points:
35
Figura 3.4 - Exemplo do Check-list – lista de critérios do LEED para novas construções (Versão 3) (USGBC, 2010).
66 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Capítulo 3
Métodos e Ferramentas
Procedimentos para a certificação: A própria equipa de projecto poderá realizar uma préavaliação através do check-list, e onde são abrangidos os critérios do LEED (pré-requisitos e
critérios) adequados ao projecto. Nesta avaliação não é obrigatória a presença de um profissional
acreditado pelo LEED, no entanto, um ponto poderá ser garantido caso um membro acreditado pelo
LEED faça parte da equipa (existem mais de 100.000 profissionais acreditados) (USGBC, 2010).
Após a finalização do check-list e da sua adequada pontuação, bem como comprovativos e
cálculos, este poderá ser submetido ao USGBC. A entidade realizará a análise e a revisão final
antes de concluir o processo de certificação (ver esquema de certificação LEED na figura 3.5).
Figura 3.5- Processo de verificação do LEED (Saunders T., 2008).
Número de edifícios certificados (até Março de 2008) (Saunders.T, 2008): 1823 (540 habitações
e 1283 edifícios comerciais).
Outras
informações:
Outras
informações
poderão
ser
verificadas
no
site
oficial:
http://www.usgbc.org/Default.aspx
67 |
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
3.1.4
CASBEE (Comprehensive Assessment System for Building Environmental Efficiency)
Origem: Japão
Dados Gerais: Ferramenta desenvolvida em 2004 pela JSBC (Japan Sustainable Building
Consortium), organismo formado em 2001, caracteríza-se pela integração de membros da indústria,
meio académico e organismos públicos com o apoio do Ministério dos transportes e Infra-estruturas.
O sistema CASBEE, que numa primeira fase contou com o contributo do IISBE (International
Initiative for a Sustainable Built Environmental) para o seu desenvolvimento, possui uma
característica única definida pela sua metodologia BEE (Building Environmental Efficiency). Ou seja,
a referida característica é uma equação onde é possível calcular o nível de eficiência ambiental
sustentável de um edifício, e baseado em princípios fundamentais de qualidade e redução das
cargas ambientais. O BEE é definido por valores determinantes que são definidos por duas
vertentes (Q-quality e L-Loud) (ver figura 3.6), estruturadas por 6 categorias, 22 subcategorias e
aproximadamente por 51 sub itens (critérios).
Figura 3.6- Configuração base o CASBEE (Fonte: IBEC, 2004).
Para melhor entendimento da estrutura e o processo de cálculo do CASBEE, apresenta-se a
equação BEE, conforme referida abaixo (Equação [3.1]):
BEE =
Q: Building environmental quality and performance
25 x (SQ-1)
=
L: Building environmental loadings
25X (5-SLR)
Onde:
Q = 25 x (SQ -1)
SQ: Pontuação da categoria Q e define-se pela seguinte equação:
SQ = 0.4* SQ1 + 0,3* SQ2 + 0,3* SQ3
L = 25* (5 - SLR)
68 |
[3.1]
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Capítulo 3
Métodos e Ferramentas
SLR: Pontuação da categoria L e define-se pela seguinte equação:
SLR = 0.4* SLR1 + 0,3* SLR2 + 0,3* SLR3
Sendo:
Q (quality) - Qualidade Ambiental e performance do edifício:
Q1: Ambiente Interior;
Q2: Qualidade dos serviços;
Q3: Ambiente exterior.
L (Loud) – Redução das cargas ambientais do edifício:
L1: energia;
L2: Recursos e materiais;
L3: Ambiente fora do local (off-site environmental).
Através da equação BEE, pode observar-se que quanto menor a carga ambiental do edifício maior
será o desempenho ambiental final. Além disso, é possível distinguir claramente as duas vertentes
que um edifício deverá ter em consideração e que representa a própria tendência histórica
observada em países desenvolvidos. Numa primeira fase a preocupação com a qualidade e
conforto dos ocupantes (Q – Quality), e numa segunda fase os impactes ambientais causados pelo
edifício em sua envolvente (L- loud) (ver figura 3.7).
Figura 3.7- Hipotético limite definido entre o edifício e sua envolvente (Fonte: IBEC, 2004).
69 |
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Tese de Doutoramento
Este processo evolutivo, onde o edifício é visto e analisado para além da sua fronteira física,
é uma preocupação que está presente nas ferramentas voluntárias de sustentabilidade, no
entanto, em nenhuma outra de forma tão evidente como no cálculo de avaliação final (BEE)
definido no CASBEE.
O sistema CASBEE tem a função de avaliar os impactos através de todo ciclo de vida de um
edifício, principalmente os impactes e problemas peculiares de regiões do Japão e dos restantes
países da Ásia (por exemplo, através da inserção de critérios relacionados a terramotos e ventos
ciclónicos).
Além da avaliação do desempenho de edifícios, também é possível identificar as seguintes
vantagens através do referido sistema:

Reconhecer e certificar edifícios sustentáveis;

Apoiar os governos locais através da sua introdução em directivas locais, tais como as que
foram realizadas e adaptadas para Nagoya, Osaka e Yokohama;

Auxiliar auditorias para obtenção de certificações (exemplo: ISO14001);

Utilizar em concursos públicos e privados (Nacionais e internacionais) e fundos
comunitários, de forma a demonstrar a eficiência ambiental das propostas.
Deste modo e para a sua devida difusão, foram desenvolvidos 4 diferentes versões (nomeadas,
família CASBEE) que abrangem as diferentes fases de desenvolvimento de um projecto, sendo
esses:

Prospecção e concepção (CASBEE PB - Pre-design): Para projectos ainda em fase de
planeamento e escolha do terreno;

Nova construção (CASBEE NC - New Construction): a utilizar na fase de projecto e
construção. É a principal versão utilizada, e é a partir dela que é possível certificar
empreendimentos (desde que reconhecido por uma terceira entidade) e propor versões
específicas (por exemplo: versões resumidas que podem ser realizadas em
aproximadamente duas horas, versões para construções temporárias, avaliação de
construções com um ciclo de vida reduzido, e onde é importante focar mais os aspectos de
materiais, gestão dos resíduos de construção e demolição);

Edifício Existente (CASBEE EB – Edifício Existente): para edifícios que tenham sido
ocupados no mínimo um ano;
70 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Capítulo 3
Métodos e Ferramentas

Renovação (CASBEE RN – Renovation) _ Esta versão também pode ser utilizada com o
intuito de averiguar melhorias e de aumentar o BEE durante fase de renovação do edifício,
sector cada vez mais relevante no mercado Japonês.
Todas estas versões podem ser aplicadas em diferentes tipos de edifícios, bem como em edifícios
mais complexos com utilização em diferentes tipologias. Nestes casos, será realizado um resultado
de acordo com o rácio da área de cada aplicação.
As tipologias abrangidas actualmente pelo CASBEE são:

Não residenciais: Escritórios, Escolas, Retalho, Restaurantes, Espaço multi-usos, Indústria
(excluir área de manufactura).

Residenciais: Hospitais, Hotéis, Apartamentos.
Classificação atribuída:
Uma vez que a avaliação esteja completa, os valores determinados nas categorias (Q e L) são
inseridos na equação BEE. Somente a partir do resultado desta equação, é que é possível ter
conhecimento do resultado final do desempenho ambiental do edifício, e classificá-lo (por ordem
crescente):

C: BEE de 0 - 0.49;

B-: BEE de 0.5 – 0.99;

B+: BEE de 1 – 1.49;

A: BEE de 1.5 – 2.99;

S: BEE de 3 (mais elevada classificação).
Categorias estabelecidas:
Conforme anteriormente mencionado, as categorias do CASBEE são definidas e identificadas por
duas vertentes fundamentais relacionadas com factores internos e externos do edifício. Estas
categorias são identificadas por subcategorias e subitens (critérios) que poderão ser identificados no
site oficial do CASBEE: http://www.ibec.or.jp/CASBEE/english/index.htm
Ponderação dos critérios:
A ponderação das categorias abrangidas pelo CASBEE foi definida pelo consenso comum entre
especialistas com conhecimentos científicos e com o contributo de diferentes stakeholders
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Tese de Doutoramento
envolvidos num determinado projecto, bem como através de votação e aplicação em casos de
estudos.
A ponderação foi definida para os diferentes tipos de utilizações, no entanto pode observar-se uma
pequena diferença entre a ponderação definida para a indústria quando comparado com as
restantes tipologias, onde se observa a maior importância dada à qualidade do ambiente exterior e
menor para o ambiente interior ( ver figura 3.8).
Figura 3.8 - Peso aplicado às diferentes categorias abrangidas pelo CASBEE (Fonte: IBEC, 2004).
É importante recordar que a ponderação distribuída entre os diferentes assuntos, não deverá ser
analisada de forma isolada, ou seja, deverá ser devidamente somada e inserida na equação final
(BEE).
Materiais utilizados para a avaliação:
O
material
utilizado
pelo
CASBEE
pode
ser
adquirido
através
do
site
http://www.ibec.or.jp/CASBEE/english/index.htm, e encontra-se disponível em japonês e inglês. É
composto por um Manual Técnico (com instruções de utilização passo a passo e apresentação de
casos de estudo), software de avaliação em formato em Excel, e composto por diferentes folhas de
cálculo que serão aqui descritas (mais informações poderão ser verificadas no site oficial):
1- Folha principal (Main sheet): nesta folha são inseridas as informações gerais do projecto
(localização, áreas, tipo de uso…) que serão transferidas para a folha de resultados;
2- Folhas de entrada de dados (Score Main Sheets): estas folhas são preenchidas pelo assessor e
estão subdivididas por seis categorias, cada uma numa folha de cálculo individualizada (Q1, Q2,
Q3, L1, L2, L3) que representa as características ambientais do projecto identificadas pelos seus
respectivos critérios. Caso algum critério (sub item) não seja aplicável ao projecto, é durante o
preenchimento destas folhas, que os referidos critérios deverão ser excluídos e o seu peso
redistribuído entre os restantes critérios;
72 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Capítulo 3
Métodos e Ferramentas
3- Folha de contagem (Score Sheet): é o resultado final de todas as informações e valores inseridos
nas folhas de entrada de dados. Nesta etapa os resultados obtidos pelos critérios são multiplicados
pelo peso final (ponderação), e assim são somados os valores resultantes de cada categoria (SQ1,
SQ2, SQ3, SL1, SL2, SL3), e de seguida utilizados na equação final (BEE).
4- Folha de resultado Final (Result): Documento onde são identificados os resultados finais (Relativo
e global) do desempenho ambiental do edifício. O resultado relativo por categoria, pode ser
visualizado através dos gráficos (radar e de barras)(ver figura 3.9), enquanto o Resultado Global
através dos resultados adquirido no BEE (ver figura 3.10).
Figura 3.9- Resultado definido pelas categorias do CASBEE (apresentados por gráfico) (Fonte: IBEC, 2004)
Figura 3.10 - Resultado global do CASBEE ( apresentado através da equação BEE) (Fonte: IBEC; 2004).
Procedimentos para a certificação: Mais informações sobre a certificação poderão ser verificadas
no site oficial do CASBEE: http://www.ibec.or.jp/CASBEE/english/index.htm
Número de edifícios certificados (até Março de 2008):
73 |
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
Até Março de 2008 foram certificados 23 edifícios (todos não domésticos) e estavam em processo
de certificação 2011 submissões (muito se deve a introdução do CASBEE as directivas e exigências
governamentais locais).
Dos edifícios certificados pode concluir-se que 70% (16 edifícios) obtiveram classificação S, 26% (6
edifícios) classificação A e somente 4% (1 edifício) B+.
Quanto aos profissionais (assessores) acreditados pelo CASBEE, a procura tem sido cada vez
maior, actualmente encontram-se inscritos 1600 assessores em todo o país.
Outras informações: Outras informações poderão ser verificadas no site oficial:
http://www.ibec.or.jp/CASBEE/english/index.htm
3.1.5
LiderA (Liderar pelo ambiente para a construção sustentável)
Origem: Portugal
Dados Gerais: Esta ferramenta, ainda bastante recente (em 2007 foram realizadas as primeiras
certificações), representa a primeira ferramenta voluntária de avaliação da sustentabilidade
realizada a nível nacional, e tendo sido desenvolvida pelo Professor Eng. Manuel Duarte Pinheiro.
Assim como outras ferramentas, o seu objectivo é avaliar os níveis de desempenho ambiental na
perspectiva da sustentabilidade. Esta avaliação constitui-se pela definição de seis vertentes
(princípios bases), vinte e duas áreas de actuação e através de quarenta e três critérios.
Os princípios bases do LiderA 2.0 (Pinheiro M., 2009) são definidos pelas seguintes categorias:

Valorizar a dinâmica local (Integração local) (composto por 3 áreas de actuação e 6
critérios);

Fomentar a eficiência do consumo dos recursos (Recursos) (5 áreas de actuação e 9
critérios);

Reduzir o impacte das cargas (cargas ambientais) (5 áreas de actuação e 8 critérios);

Garantir adequada qualidade do ambiente (conforto ambiental) (3 áreas de actuação e 4
critérios);

Fomentar as vivências socioeconómica (vivência socio-económica)(5 áreas de actuação e
13 critérios). Este princípio vem substituir a área de actuação - Durabilidade e
acessibilidade, definida na versão 1.2 ;

Garantir adequada gestão ambiental e inovação (2 áreas de actuação e 3 critérios).
Os princípios base do LiderA são verificados em três diferentes níveis (estratégico, projecto e
Gestão do ciclo de vida) e nas diferentes fases do empreendimento (desde a concepção até à
74 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Capítulo 3
Métodos e Ferramentas
demolição). Entretanto, e dependendo da fase em que este está a ser avaliado, poderá obter-se o
Reconhecimento do sistema (caso seja avaliado ainda em fase de projecto) ou a Certificação
(caso a avaliação seja realizada em fase de utilização do edifício).
Actualmente a versão LiderA 2.0 encontra-se destinada não somente para edifícios (habitações,
comércio e serviços, turismo...) como também para espaços exteriores e diferentes escalas
urbanas. A sua estrutura facilmente poderá ser adaptada a outras tipologias, basta que seja
identificado o padrão de limiares para que a partir daí seja definida a sua adequada classificação.
Quanto às entidades envolvidas durante o processo de avaliação do Sistema LiderA, podem-se
destacar três entidades fundamentais (Pinheiro M., 2005):
1- As equipas de desenvolvimento e de gestão do sistema:
Equipa de desenvolvimento é responsável pelo:

Desenvolvimento de requisitos;

Definição de limiares e ponderação;

Efectuar as publicações técnicas.
Equipa de Gestão:

Promover e gerir o sistema;

Assegurar a conformidade com o código de conduta LiderA
2- Verificadores
Os verificadores de um projecto são definidos pela equipa de desenvolvimento e gestão, sendo
esses especialistas na área, e independentes em relação ao empreendimento. Estes têm as
seguintes funções:

Concordar com a exclusão de determinados critérios propostos pelo assessor;

Rever a avaliação realizada pelo assessor;

Verificar a conformidade com o código de conduta LiderA;

Se desejarem, também poderão actuar como assessores.
3- Assessores (ou Facilitadores):
Os assessores são acreditados pelo sistema LiderA, no entanto, são contratados pelos agentes
responsáveis dos empreendimentos que queiram obter a certificação LiderA. Estes terão as
seguintes funções:

Avaliar e propor o âmbito, bem como atingir concordância com o verificador;
75 |
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Tese de Doutoramento

Recolher evidências e completar a folha de cálculo para a certificação;

Actuar como consultores, identificando por exemplo, soluções sustentáveis e promovendo
estudos de viabilidade das recomendações efectuadas;

Responder às questões levantadas pelo verificador;

Garantir a conformidade com o código de conduta do LiderA.
Classificação atribuída:
O sistema de classificação atribuído pelo LiderA possui uma estrutura bastante similar à definida
para a Certificação Energética dos edifícios (a nível Europeu) e selo energético dos equipamentos.
Esta é definida por uma classificação de A, A+ e A++ (para os edifícios com melhores desempenho)
e até G (pior desempenho), e tendo como base um valor de referência para o País (E), ou seja,
deve, no mínimo, cumprir os regulamentos nacionais. Neste sentido, a classificação aplica-se da
seguinte maneira:

A++: (superior a 70% de E);

A+: (de 55% a 69%);

A: (de 40 a 54%);

B: (de 30 a 40%);

C: (de 20 a 29%);

D: (de 10% a 19%);

E: Limiar (conformidade legislativa);

F: não identificado;

G: não identificado.
O Reconhecimento ou a Certificação de um empreendimento pelo sistema LiderA somente é
atribuído quando o desempenho ambiental for igual ou superior à classificação C.
Categorias estabelecidas:
Conforme anteriormente mencionado, as categorias (identificadas por Vertentes) são definidas por
seis princípios base, representados por vinte e duas áreas de actuação e quarenta e três critérios
(ver tabela 3.1).
76 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Capítulo 3
Métodos e Ferramentas
Tabela 3.1 - Estrutura da Ferramenta LiderA2.0, organizada pelas diferentes vertentes, áreas de actuação e critérios
(LiderA, 2009)
Ponderação dos critérios:
A ponderação é definida através das áreas de intervenção e é expressa em percentagem.
Observa-se na figura 3.11 que a ponderação global é identificada para cada vertente, e a
ponderação parcial é definida pelas áreas de actuação e não por critérios. Desta forma, caso algum
77 |
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critério seja excluído, em função do tipo e especificidade de um projecto, a pontuação é redistribuída
entre os restantes critérios de uma mesma área de actuação, ou entre as áreas de actuação
abrangidos por uma mesma vertente.
Observa-se no quadro abaixo (Figura 3.11) a ponderação predefinida para as seis vertentes do
Sistema LiderA:
Gestão
ambiental
e
inovação
Pontuação máxima por área de actuação - LiderA
Inovação
2%
Gestão ambiental
6,0%
vivência socioeconómica
Participação e controlo
4,0%
Amenidades e Interação social
4%
Diversidade económica local
4%
Custos no ciclo de vida
2%
Conforto
ambiental
Acesso para todos
Iluminação e acústica
5,0%
Conforto térmico
5,0%
Qualidade do ar
5%
Cargas ambientais
Poluição ilumino-térmica
1%
Ruido exterior
3%
Resíduos
3%
Emissão atmosférica
2%
Efluentes
Alimentares
Recursos
5%
3%
2,0%
Materiais
5,0%
Água
8%
Integração
local
Energia
Paisagem e Património
Ecossistemas naturais
Solo
17%
2%
5%
7%
Figura 3.11 - O peso aplicado as diferentes categorias (áreas de actuação) abrangidas pelo sistema LiderA 2.0 (Fonte:
LiderA, 2009).
Materiais utilizados para a avaliação:
O material utilizado pelo sistema LiderA resume-se a uma tabela de cálculo que poderá ser utilizada
como pré-avaliação, e para o próprio preenchimento realizado pelo assessor, que servirá como
identificação dos critérios cumpridos e linha de orientação para a preparação do dossier dos
comprovativos. A folha de cálculo deverá ser preparada com base na tipologia e especificidade do
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Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Capítulo 3
Métodos e Ferramentas
empreendimento. Neste sentido, será realizada a adaptação dos critérios e definição dos limiares
antes da sua utilização.
Procedimentos para a certificação:
O procedimento para a certificação deverá seguir os seguintes passos:
1º Passo: Manifestação de interesse e preenchimento da ficha de interesse de aplicação.
2º Passo: Reunião entre a equipa de desenvolvimento LiderA, assessor e dono da obra, de forma a
se realizar uma análise preliminar do projecto. Nesta fase são escolhidos os verificadores
(especialistas independentes em relação ao empreendimento), são definidas as datas, programas e
materiais que deverão ser disponibilizados no dia da verificação.
3º Passo: Reunião entre assessor, responsável do desenvolvimento e verificador do LiderA, para
definir aplicabilidade dos critérios base e definição dos limiares.
4º Passo: O Assessor contratado pela empresa deverá promover boas práticas, analisar e
evidenciar critérios, e por fim preparar o dossier de comprovativos.
5º Passo: Verificação do dossier de comprovativos e realização de auditoria por parte da equipa
LiderA /verificadores. Nesta fase, os verificadores analisarão a classificação do empreendimento e
apresentarão os elementos que deverão ser esclarecidos pelo assessor / dono da obra.
6º Passo: Após o esclarecimento das dúvidas, procede-se à avaliação final e à classificação do
empreendimento. É importante recordar que somente as classificações iguais ou superiores a “C”
poderão obter o Reconhecimento ou a Certificação LiderA.
Número de edifícios certificados (até Outubro de 2010): 17 empreendimentos certificados (5
certificados em Outubro de 2007). Dos edifícios certificados um obteve a classificação B e os
restantes obtiveram a classificação A+ (2 empreendimento) e A (14 empreendimentos). Estes
empreendimentos, conforme definido pela ferramenta, representam um desempenho ambiental
50% superior às práticas actuais do País.
Outras informações: Os encargos são definidos em função da tipologia e da dimensão do
empreendimento. Informações actualizadas poderão ser verificados no site oficial do LiderA:
http://www.lidera.info
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Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
3.1.6
SBToolPT (Sustainable Building Tool Portugal)
Origem: Portugal
Dados Gerais: O SBToolPT, denominado Sustainable Building Tool, refere-se a uma adaptação à
realidade Portuguesa da Metodologia SBTool, sendo esta de origem canadiana e desenvolvida em
1996 pelo GBC (Green Building Challenge). Actualmente, encontra-se sob a coordenação do IISBE
(International Initiative for a Sustainable Built Environmental), também responsável pela sua
implementação em mais de 25 países. Conforme anteriormente referido, o SBTool é reconhecido
por ser uma das primeiras metodologias a propor um sistema de avaliação com elevada
adaptabilidade e flexibilidade internacional, e assim sendo facilmente adaptado a diferentes países e
regiões sem que seja alterada a sua metodologia base/comum.
A versão Portuguesa, recentemente lançada em Julho de 2009, encontra-se disponível para ser
adaptada a diferentes tipologias, como seja a habitação (actualmente testada), escritórios, edifícios
públicos, empreendimentos turísticos, entre outros.
Através desta ferramenta é possível avaliar e classificar o desempenho de um empreendimento
através de dois níveis de referência (adaptados ao contexto nacional): melhor prática e prática
convencional (IISBEPT, 2009).
O SBToolPT, que possui como um dos objectivos a conformidade com a futura norma ISO CEN/TC
350 (Sustainability of Construction Works - Assessment of Environmental Performance of Buildings),
procurou em seu processo de avaliação limitar os critérios qualitativos e subjectivos, e com o intuito
de aumentar a transparência e a fiabilidade do sistema.
Na figura 3.12 apresenta-se a estrutura resumo do sistema SBToolPT, e que é definida pelas três
dimensões da sustentabilidade (ambiente, sociedade e economia). Nesta estrutura é possível
verificar que a avaliação do desempenho e a certificação de um edifício em avaliação é obtido
através da comparação de "benchmarks" existentes, e que foram definidos por dois níveis de
referência (conforme anteriormente relatado).
Figura 3.12 - Estrutura do sistema SBToolPT (Fonte: IISBEPT, 2009).
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Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Capítulo 3
Métodos e Ferramentas
Classificação atribuída: A classificação atribuída pela Ferramenta SBToolPT segue o mesmo
procedimento aplicado ao sistema de Certificação energética dos edifícios aplicado em Portugal,
afim, de manter a mesma métrica nacional estabelecida.
Neste sentido, a classificação de cada parâmetro, bem como da avaliação final definido por cada
categoria e pelas diferentes dimensões (ambiental, social e económica), encontra-se delimitada
entre E (pior prática) e A+ (melhor prática) (ver figura 3.13, 3.14 e 3.15). A conversão para esta
escala de valores, deve-se a um processo de normalização estabelecido e definido entre 0 (prática
convencional) a 1 (melhor prática), que tem como objectivo principal tornar possível a comparação
dos resultados dos diferentes parâmetros.
Figura 3.13- Classificação aplicada a cada parâmetro, definido pela ferramenta SBToolPT (Fonte: IISBEPT, 2009).
Figura 3.14- Classificação final da ferramenta SBToolPT definida por categoria ( Fonte: IISBEPT; 2009)
Figura 3.15 - Classificação final da ferramenta SBToolPT definida por dimensão (Fonte: IISBEPT; 2009).
Categorias estabelecidas: As nove categorias estão distribuídas entre as três dimensões definidas
pela ferramenta (ambiente, sociedade e economia). Dentro destas categorias, encontram-se
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Tese de Doutoramento
definidos vinte e cinco parâmetros. As categorias definidas pelo SBToolPT encontram-se
organizadas da seguinte forma::
Dimensão Ambiental:
C1- Alteração climática e qualidade do ar exterior (agrega-se o parâmetro 1 (P1));
C2- Biodiversidade (agregam-se 5 parâmetros: P2 a P6);
C3- Energia (agregam-se 2 parâmetros: P7 a P8);
C4- Materiais e resíduos sólidos (agregam-se 5 parâmetros: P9 a P13);
C5 - Água (Agregam-se 2 parâmetros: P14 e P15).
Dimensão social:
C6- Saúde e conforto dos utilizadores (Agregam-se 5 parâmetros: P16 a P20);
C7- Acessibilidade (Agregam-se 2 parâmetros: P21 e P22);
C8- Sensibilização e educação para a sustentabilidade (agrega-se o parâmetro P23).
Dimensão Económica:
C9- Custos de ciclo de vida (agregam-se 2 parâmetros: P24 e P25).
Ponderação dos critérios: O sistema de peso definido em percentagem, apresenta-se através de
três diferentes níveis de desempenho, ou seja, poder-se-á verificar que o processo de ponderação
apresenta-se aplicado a cada parâmetro e a cada categoria, e no final a cada dimensão do sistema.
Isto deve-se ao facto dos parâmetros não possuírem pesos equivalentes, além de poderem ser
alterados em função do contexto e das prioridades locais durante um processo de avaliação.
Materiais utilizados para a avaliação:
O material utilizado pelo sistema SbtoolPT resume-se à utilização de um guia de avaliação. Através
deste guia, o avaliador qualificado poderá quantificar o desempenho do edifício ao nível dos
parâmetros, categorias e dimensões, afim de calcular o desempenho global do edifício. Através
deste guia poderão ser encontrados os objectivos, a aplicabilidade e o contexto, bem como todo o
processo de cálculo vinculado aos diferentes parâmetros. (Mateus R., 2009).
Além do guia de avaliação, será disponibilizado aos avaliadores qualificados uma ferramenta de
cálculo, chamada Simulador SBToolPT, a ser disponibilizada online e com o intuito de facilitar o
processo de avaliação da ferramenta.
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Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Capítulo 3
Métodos e Ferramentas
Procedimentos para a certificação:
A figura 3.16 resume os procedimentos necessários para a avaliação e emissão do Certificado de
sustentabilidade, e que são definidos pela Ferramenta SBToolPT.
Figura 3.16- Processo de Avaliação e emissão do certificado (Fonte: IISBEPT, 2009).
Número de edifícios certificados (até Dezembro de 2009): Pelo facto da ferramenta ser ainda
muito recente, não existe até ao momento conhecimento do número de edifícios em processo de
verificação. No entanto, confirma-se a sua aplicabilidade prática e consistência dos resultados,
através de sua utilização-teste realizada por diferentes equipas de projecto e da existência de três
empreendimentos já avaliados e devidamente certificados.
Outras informações:
Os encargos são definidos em função da complexidade e da dimensão do empreendimento.
Informações actualizadas poderão ser verificadas no site oficial do SBToolPT:
www.sbtool-pt.com
Entre as ferramentas analisadas, observa-se que um dos principais factores para a sua
disseminação, é a utilização de mecanismos de pré-diagnóstico disponibilizados gratuitamente por
alguns métodos (exemplo: LEED e BREEAM), ao contrário do que se verifica em ferramentas
nacionais (LiderA e SbtoolPT). Este tipo de recurso acaba por transmitir mais transparência à
ferramenta, tornando-a assim mais esclarecedora e de fácil visualização. Estas ferramentas (LEED
e BREEAM), por usufruírem de sistemas de pré-avaliação ou de “check-list”, podem ser mais
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Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
facilmente utilizadas pelas equipas de projecto ou pelo público-alvo, de modo a terem acesso a uma
pré-classificação (provisória e não oficial) do seu projecto.
A existência de uma pré-avaliação facilitada e acessível ao público e projectistas, poderá ser um
importante recurso de disseminação da ferramenta de sustentabilidade. Dependendo da préavaliação realizada, este poderá ser um grande incentivo para as empresas darem continuidade ao
processo de certificação, de forma a torná-lo oficial, ou pelo contrário, quando não adequado, utilizálo no próprio processo de melhoria do projecto. Além disso, o acesso público aos critérios
estabelecidos pela ferramenta poderá ser um contributo para a mudança na mentalidade projectual
e construtiva.
3.1.7
Aplicações futuras – Ferramentas para o Mercado globalizado.
Actualmente, um dos principais desafios para os diferentes métodos de avaliação de
sustentabilidade anteriormente analisados, bem como outras ferramentas espalhadas pelo Mundo,
define-se na capacidade de internacionalizar e na obtenção do reconhecimento em outros países.
Devido à actual dinâmica do mercado globalizado, a tendência será a procura por parte de
investidores internacionais e promotores, de ferramentas que possuam o melhor reconhecimento
internacional. Não se identificando como tarefa fácil, este desafio prende-se em alguns obstáculos
definidos pela inadaptação de alguns critérios de sustentabilidade às realidades específicas
regionais ou nacionais.
Neste sentido, os procedimentos principais passam pela flexibilidade e a adaptabilidade que deve
ser permitida na análise de alguns critérios. Em suma, pretende-se que alguns requisitos devam ser
reavaliados de forma a permitir o seu melhor enquadramento em relação às especificidades dos
diferentes países e regiões, e assim demonstrar um claro interesse em promover a utilização
desses critérios. Neste processo deverá incluir-se:

Conhecimento dos regulamentos nacionais, dos métodos construtivos, as características
climatéricas, as diferenças culturais, os hábitos sociais e a oferta de mercado (produtos e
serviços);

Intervenção e apoio de especialistas locais nas diferentes categorias de critérios analisados;

Definição de dados de referência, com o fim de determinar modelos de melhores práticas
com base numa solução convencional.
Neste contexto, observaram-se algumas iniciativas criadas para adequar e preparar os diferentes
métodos de avaliação da sustentabilidade para este novo desafio. Entre estas destacam-se as
seguintes:
84 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Capítulo 3
Métodos e Ferramentas
 Método SBTool - Conforme anteriormente relatado (secção 3.1.2), a metodologia SBTool
define-se como uma estrutura base para classificar a performance de sustentabilidade dos
edifícios, bem como tem a característica principal de ser adaptável aos diferentes países. A
sua base metodológica contribuiu para o processo de desenvolvimento de ferramentas em
diferentes países, tal como ocorreu em Portugal, Japão, Espanha, Itália, ao mesmo tempo
que providencia dados absolutos para comparações internacionais (Larsson N., 2007).
 Organizações não governamentais (nomeadamente WGBC e IISBE) - Organizações como
World Green Building Council (WGBC) e International Initiative for a Sustainable Built
Environmental (IISBE), têm contribuído para a disseminação da construção sustentável,
promovendo uma rede de intercâmbio entre diferentes países através de Conferências e
Foros Internacionais, bem como definindo estratégias de redução da emissão de CO 2eq e
redução dos impactes dos ambientes construídos. Outras iniciativas promovidas por estas
entidades incluem o reconhecimento e o suporte técnico aos diferentes métodos de
avaliação da sustentabilidade desenvolvidos nos diferentes países. De acordo com uma
entrevista com Andrew Bowerbank (director da WGBC) e Nils Larsson (Director executivo
do IISBE) publicada pela revista GreenSource Magazine10, concluiu-se que o IISBE, com
uma vertente mais voltada para a comunidade académica e de investigação, acaba por não
produzir conflitos com o foco industrial do WGBC. Pelo contrário, o IISBE acaba por
incentivar os países filiados que pretendem realizar a certificação, a juntarem-se ao WGBC,
tal como ocorreu com o grupo em Espanha que se tornou membro de ambas instituições.

Organizações de Normalização, nomeadamente Centro Europeu de Normalização (CEN) e
a Organização Internacional de Normalização (ISO) - As organizações de Normalização, no
intuito de normalizar os sistemas de avaliação da sustentabilidade do edifício, estão a definir
parâmetros e indicadores comuns para analisar a sustentabilidade e os materiais de
construção constituintes em todo o ciclo de vida de um edifício. Entre os trabalhos em
desenvolvimento, destacam-se o CEN/TC 350 (“Sustainability of Construction Works –
Assessment of Environmental Performance of Buildings”), onde estão a ser contemplados
indicadores relacionados ao desempenho ambiental (prEN 15643-2), social (prEN 15643-3)
e económico ( prEN 15643-4) (CRWP, 2007).
 SBalliance - fundada pelo BRE Global e CSTB, em Maio de 2008, conta actualmente com
39 membros, entres estes UNEP, CIB e o IISBE (este último, foi convidado a desenvolver a
10
Nadav Malin (2009). A Council of Councils: Green building pursues a voice on the world stage. USA:
GreenSource Magazine. Publicada online em Maio de 2009
85 |
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Tese de Doutoramento
primeira fase dos indicadores comuns para o SBAlliance). Esta iniciativa possui como
objectivos principais: promover a homogeneização, compartilhando uma linguagem comum,
facilitando o intercâmbio de dados entre ferramentas, desenvolvimento de instrumentos
mais exigentes, bem como determinando os indicadores chaves que deverão estar
presentes durante a avaliação dos edifícios e áreas urbanas.
Ressalva-se que o SBalliance tem uma vertente de investigação e que não tem qualquer
consequência entre o relacionamento comercial entre membros (BREGlobal, 2009).
 BREGlobal (e International Building Alliance (ISA)) - Iniciativas promovidas pelo Building
Research Establishment (BRE) para a internacionalização do BREEAM, entre estas,
enumeram-se as seguintes acções:

Adaptação do método de avaliação BREEAM para os diferentes países europeus,
aplicando os Regulamentos Nacionais, bem como respeitando a cultura, processo
construtivo e hábitos locais. A Holanda foi o primeiro país a realizar esta versão e mais
recentemente identificam-se outros países como Irlanda, Turquia, Espanha,
Dinamarca, entre outros;

Lançamento em Outubro de 2009 da Ferramenta BREEAM_Europe, destinada aos
países europeus que pretendam certificar os seus empreendimentos (Comercial,
escritórios e Indústria) com o método BREEAM. Igualmente, e tal como acontece com
o BREEAM_Gulf (aplicado para a zona do Golfo Pérsico), ambas as ferramentas são
bastante flexíveis (no entanto, não menos exigentes) na adaptação à realidade local;

Formação de mais de quatrocentos assessores internacionais, que poderão actuar nos
diferentes países;

Definição de acordos com diferentes instituições, entre estes destaca-se o Memorando
de Entendimento ("Memo of Understanding") firmado com a Instituição CSTB, e com o
objectivo de alinhar o BREEAM e o HQE (Ferramenta de avaliação da Sustentabilidade
Francesa) afim, de evitar duplicação de trabalhos e eventuais distúrbios no mercado
Francês. Devido às diferenças técnicas e estruturantes, o alinhamento proposto
constitui um trabalho bastante complexo. Ambas as certificações continuaram
disponíveis no mercado, de forma independente, entretanto o processo de certificação
será garantido por um único órgão de certificação: a Certivéa;

Outro acordo firmado, destaca-se pelo Memorando de Entendimento entre as
instituições detentoras das três ferramentas BREEAM, LEED e Green Star, que tem
86 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Capítulo 3
Métodos e Ferramentas
como objectivo, desenvolver uma métrica comum para medir as emissões de CO2eq de
novos edifícios.
3.2
Ferramentas de análise do comportamento do edifício - Ferramentas Auxiliares.
Na secção anterior mostrou-se a disseminação em alguns países de diferentes métodos de
avaliação, a partir dos anos 90, para reconhecer e certificar os edifícios que tenham sido
desenvolvidos com base nos princípios da sustentabilidade. A utilização de uma destas ferramentas
voluntárias de sustentabilidade, bem como, a necessidade de manter-se em conformidade com
recentes Regulamentos Nacionais e Europeus, no âmbito da eficiência energética, cada vez mais,
têm-se verificado a necessidade em recorrer a diferentes ferramentas auxiliares para contribuir e
responder a especificidades relacionadas com as características e comportamento do edifício. Com
base neste contexto, esta secção dedica-se a analisar uma pequena amostra de ferramentas
disponíveis no mercado.
3.2.1
Contextualização
Durante muitos anos o processo projectual, no que se referia à disposição de aberturas para
ventilação e iluminação natural, aproveitamento solar, forma do edifício, e materiais a serem
empregues, era definido, em grande parte, de forma intuitiva, ou seja, os cálculos estruturais e
matemáticos limitavam-se à análise estrutural e da ergonomia dos espaços. Até mesmo os cálculos
das potências dos equipamentos a serem instalados, eram habitualmente realizados com base na
experiência e em cálculos empíricos, o que muitas vezes resultava em sobredimensionamento das
potências instaladas com o consequente aumento do consumo e custos de manutenção.
Esta prática dificultava, quer o processo de análise, quer a definição de metas que resultassem no
aumento da eficiência, e também gerava entropia no próprio processo de controlo regulamentar.
Outra matéria em que persistia uma forte dificuldade (e que ainda hoje se verifica), era na escolha
dos materiais a serem utilizados no desenvolvimento dos projectos. No entanto, e cada vez mais,
tem surgido uma maior preocupação com a adequada análise e diminuição dos efeitos relacionados
com a escolha de materiais na construção, com o intuito de diminuir o respectivo impacte, bem
como a energia incorporada nos mesmos.
Conforme inicialmente referido, a análise do edifício, assente em critérios de rigor e de coerência
integrada, é hoje, uma exigência necessária para se poder alcançar, determinar e comprovar um
conjunto de acções que foram recentemente estabelecidas por directivas europeias e legislações
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Tese de Doutoramento
nacionais, no intuito de estabelecer objectivos associados à performance energética e à qualidade
do ambiente interior (conforme descrito no capítulo 2). No outro lado do mercado, ou seja no topo da
diferenciação, e com base no modelo de construção sustentável, surgem as ferramentas voluntárias
de sustentabilidade (BREEAM, LiderA, LEED, SBTool), que igualmente se baseiam num forte
recurso às diferentes metodologias que envolvem a análise dos edifícios.
Na referida análise são utilizadas diferentes ferramentas, que além de serem adequadas para
atenderem às exigências do mercado (bem como definirem critérios e dinâmicas de acção que se
afirmem como um forte veículo de sensibilização), quando conjugadas com as diferentes fases de
desenvolvimento de um projecto, poderão contribuir para um inquestionável incremento dos níveis
de adaptação, bem como do portfolio de soluções potenciais a serem implementadas num edifício.
Neste sentido, esta secção identifica as ferramentas auxiliares de acordo com a sua funcionalidade,
e que serão a seguir apresentadas:

Análise do comportamento térmico;

Análise para adequado aproveitamento das condições endógenas (energias renováveis).

Análise do ciclo de vida dos materiais;
3.2.2
Análise do Comportamento térmico
As ferramentas de análise detalhada do comportamento térmico do edifício têm como função
determinar as condições ideais de conforto térmico, luminoso e da qualidade do ar, recorrendo ao
menor consumo de energia (eficiente), com a consequente redução de emissões de CO2 (Dióxido
de Carbono). Isto acontece devido ao elevado rigor no dimensionamento dos equipamentos,
incorporação e incentivo à utilização de soluções mais eficientes do mercado (piso radiantes, "free
cooling", entre outros), bem como na efectiva capacidade de optimizar a estrutura/soluções para a
envolvente dos edifícios (isolamento, tipo de vidro e sombreamento) (NaturalWorks, 2007).
Os programas disponíveis para calcular o consumo previsível de um edifício, podem ser
classificados da seguinte forma:

Modelos simplificados monozona: Estes modelos fazem à análise do comportamento do
edifício como um único volume, ou seja, apenas considerando condições e características
mais gerais associadas ao referido volume (localização, temperatura exterior, distâncias e
obstáculos, tipo de volume, tipo de envolvente, outros);

Modelos detalhados multizona: esta análise, sendo muito mais específica do que a anterior,
separa o edifício em zonas, quer por pisos existentes, quer atribuindo-lhe diferentes
características, como sejam, arquitectónica, dimensão, contacto com o exterior, actividade,
climatizadas e não climatizadas, com ou sem contacto com o exterior, etc. Desta forma,
88 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Capítulo 3
Métodos e Ferramentas
permite a obtenção de um resultado final muito próximo da realidade, desde que
assegurados todos os requisitos de informação exigidos pela ferramenta, que
contrariamente à anterior, apresenta características de elevada especificidade e
pormenorização.
Para a melhor utilização e optimização das características e "outputs" produzidos por estas
ferramentas, devem ser identificadas e fornecidas informações (elementos) sobre os factores
externos, bem como a especificação das condições de relacionamento entre o edifício e esse
mesmos factores externos, como sejam:

As características do local, tais como: A orientação solar, a direcção do vento dominante, o
sombreamento provocado pela envolvente, entre outras.

Intervenientes internos, onde são analisados: o factor forma do edifício, localização e
dimensão das aberturas, os materiais utilizados, a dimensão dos espaços e as actividades
existentes, as áreas climatizadas e não climatizadas, bem como outras características de
projecto determinantes para a sua adequada análise.
Para se realizar uma adequada simulação energética, é necessário fornecer os seguintes dados:

Desenho gráfico (geometria, aberturas, orientação solar, dimensões);

Localização, informações do clima local e da envolvente;

Informação dos materiais de construção a serem utilizados;

Informação dos equipamentos que serão utilizados para o adequado funcionamento do
edifício,

Horários e actividades que serão desenvolvidas no edifício, bem como o número de
pessoas por área.
A seguir serão exemplificadas algumas ferramentas que se encontram disponíveis no mercado,
algumas delas de utilização gratuita, e outras apenas acessíveis de forma comercial.
Assim, inicia-se a referida exemplificação pela ferramenta Energyplus, considerada como uma das
ferramentas mais completas, e mais disseminadas no mercado da construção.
Energyplus: Esta é uma ferramenta disponibilizada gratuitamente, que é reconhecida pelo
ASHRAE 140-2004, e que desenvolve a sua metodologia de acção com base no modelo de
simulação dinâmica multi-zona. O Energyplus foi desenvolvido nos Estados Unidos, e resulta da
fusão entre dois programas existentes, o DOE-2 e o BLAST- Building Load Analysis and System
Termodynamics, que foram desenvolvidos desde a crise do petróleo, bem como, aquando do
89 |
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Tese de Doutoramento
reconhecimento da importância dos edifícios na relação com o consumo de energia (ver figura
3.17).
Figura 3.17 - Base para introdução dos dados do projecto (IDF editor - Input Data File) (Fonte: Energyplus, 2008).
I. Vantagens do sistema:
Através do Energyplus, e baseado nas características dos edifícios, será possível determinar as
necessidades energéticas nos mesmos, de forma a alcançar-se uma previsão bastante detalhada e
próxima da realidade expectável. Assim, esta ferramenta incorpora uma relevante base de dados
com modelos desenvolvidos em todo mundo, informação sobre dados climáticos, e uma capacidade
de simulação que pode ser realizado em intervalos de 10 minutos (método de cálculo
dinâmico/transitório). Outra característica fundamental deste software é a capacidade de se adaptar
a novos sistemas e de assimilar novos componentes de simulação, o que é uma vantagem já que
lhe permite tornar-se numa ferramenta constantemente actualizada e dotada da flexibilidade
necessária (com o mínimo de investimento) para o desenvolvimento de novos projectos.
Além das vantagens já descritas, o resultado da referida junção, tem definido outras características,
entre elas (Energyplus, 2008):

Promover soluções simultâneas e integradas de todos os sistemas incorporados e
conforme as características do projecto;

Calcular as transferências de calor em superfícies exteriores e interiores;

Fornecer dados sobre condutibilidade térmica dos diversos materiais do edifício,
individualmente ou resultante da sua composição com outros materiais;

Produzir modelos de conforto térmico baseados na actividade dos ocupantes, calor
libertado pelos equipamentos, humidades entre outros dados;

Produzir dados com base nos sistemas de AVAC (elevada flexibilidade) e sistemas de
ventilação natural instalados;
90 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Capítulo 3
Métodos e Ferramentas

Simular trocas de calor com o terreno de implantação;

Simular modelo de “céu” anisotrópico;

Realizar cálculos de fenestração avançada;

Realizar cálculos de iluminação natural e híbridos, bem como o seu controlo;

Realizar cálculos tendo em conta as poluições atmosféricas no local.
II. Desvantagens do sistema:
O sistema é bastante complexo, pois além de associar o edifício a todos os equipamentos
existentes, também se caracteriza pela utilização de um modelo gráfico que não permite a
importação de desenhos de outros ficheiros, como por exemplo do AutoCad, tornando-o assim,
ainda mais exaustivo do ponto de vista funcional. Ou seja, o desenho tridimensional deve ser
realizado directamente no programa, através do fornecimento de coordenadas para a definição das
diferentes dimensões, o que o diferencia de outros softwares que já admitem este tipo de interface,
como é o caso do DesignBuilder (UK).
Uma solução bastante usual é conjugar a integração do Energyplus com outras ferramentas que
asseguram o interface com o próprio Energyplus, como seja o caso da aplicação do Designbuilder,
em que é possível a exportação do desenho "DWF", permitindo assim, que no Energyplus, se possa
proceder à preparação do modelo tridimensional de uma forma mais facilitada. Por outro lado, esta
integração, também usufruirá de outras informações que poderão ser tratadas e geridas em termos
de resultados no próprio software (DesignBuilder), como também permitir a exportação de
informações para o Energyplus, para assim se obter uma análise mais detalhada e precisa.
DesignBuilder: De origem inglesa (2005), esta ferramenta de simulação de carácter multizona,
destaca-se pela sua maior facilidade e rapidez para a modelação 3D de um determinado edifício,
bem como pela introdução de informações gerais relativos aos materiais de construção e a
equipamentos a serem aplicados (elementos necessários para iniciar a simulação, conforme
anteriormente mencionado).
I. Vantagens do sistema.
Além de ser uma ferramenta “amiga do utilizador”, o DesignBuilder foi a primeira ferramenta com
interface para o Energyplus, o que a torna bastante vantajosa e competitiva, uma vez que além de
apresentar resultados de simulação directamente através do seu programa (energia e emissão de
CO2eq), também é possível transferir dados para programas externos (ex. Energyplus), de forma a
obter informações mais precisas e específicas.
Outras vantagens:
91 |
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento

Podem ser inseridos dados climáticos de diferentes países;

É de fácil aprendizagem, devido a uma interface bastante intuitivo;

É possível realizar, de forma célere e eficaz, uma simulação detalhada em tempo reduzido,
e consequentemente minimizar os encargos;

Permite uma excelente visualização dos espaços (área e volume) e da área envolvente;

É possível realizar a alteração da modelação de acordo com a evolução de um projecto, o
que é bastante positivo, pois assim permite efectuar melhorias e novos testes com base nos
resultados da simulação.
II. Desvantagens do sistema

Os resultados são adquiridos através de cálculos pouco transparentes comparativamente
com os dados fornecidos pelo Energyplus, podendo-se gerar erros não detectáveis e de
difícil diagnóstico;

A ferramenta não é disponibilizada gratuitamente.
STE (Simulação Térmica de Edifícios): Desenvolvido e comercializado em Portugal, este software
conta com dois módulos, um de verificação do Regulamento das Características do Comportamento
Térmico do Edifício (RCCTE), e outro de verificação do Regulamento dos Sistemas Energéticos de
Climatização de Edifícios (RSECE). Ambos são do tipo monozona. O módulo para verificação do
RCCTE baseia-se em suposições fixadas, enquanto o método RSECE é baseado na simulação
dinâmica simplificada, tendo por base a análise do comportamento do edifício durante todo o ano,
de acordo com a metodologia adoptada e em conformidade com a EN ISO 13790 (INETI, 2007).
I. Vantagens do sistema:

Directamente fornece resultados de conformidade, ou não conformidade, com os
Regulamentos Nacionais: DL78/2006 de 4 de Abril, DL79/2006 de 4 de Abril e DL80/2006
de 4 de Abril.
II. Desvantagens do sistema:

As informações para determinar a modulação do edifício não podem ser directamente
exportadas de softwares gráficos (CAD)
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Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Capítulo 3
Métodos e Ferramentas
3.2.3
Ferramentas para adequado aproveitamento das condições endógenas (energias
renováveis)
Na secção anterior verificou-se a importância de utilizar ferramentas de simulação energética para
auxiliar numa construção cada vez mais eficiente e mais sustentável. Como passo seguinte, nesta
secção, serão apresentados alguns exemplos de ferramentas que, de alguma forma, vêm fomentar
o melhor aproveitamento das condições locais, através da utilização de fontes renováveis para
atender às necessidades energéticas atribuídas a cada habitação (microgeração) ou para um País
(Centrais de Produção por energias renováveis). Neste sentido, serão aqui apresentadas duas
ferramentas bastantes específicas, de forma a exemplificar as respectivas funcionalidades e
potencialidades:

Retscreen

Solterm5
Retscreen: Esta ferramenta de origem Canadiana, tem a funcionalidade de fornecer suporte de
decisão, bem como identificar e avaliar as potencialidades energéticas do projecto. Através desta
ferramenta de distribuição gratuita, é possível realizar um estudo bastante completo e avaliar as
seguintes componentes (Retscreen, 2009):

Verificar a produção de energia a ser gerada;

Economias de energia e emissões que foram evitadas;

Custos associados durante o ciclo de vida do sistema;

Análise financeira e riscos do sistema.
Para permitir uma avaliação a este nível, o Retscreen é constituído por um banco de dados bastante
completo, onde é possível identificar inúmeras tecnologias (fotovoltaicos, eólica, cogeração,
biomassa, entre outros) subdivididos da seguinte forma: Electricidade, aquecimento e refrigeração,
informações dos fornecedores, os dados climáticos de diferentes localidades mundiais (fornecidos
pela Nasa) e dados hidrológicos.
Actualmente esta ferramenta encontra-se em utilização em mais de 200 países e disponível em 35
línguas.
Solterm5 (Análise de desempenho de sistemas solares térmicos e fotovoltaicos): Desenvolvida em
Portugal (INETI), esta ferramenta de carácter oficial, é utilizada pela Nova Legislação Portuguesa
para determinação da contribuição solar de painéis solares térmicos ou fotovoltaicos e para a
análise da viabilidade económica de projectos de energia solar. Através desta ferramenta são
disponibilizados os dados climáticos de 308 Conselhos de Portugal, banco de dados de
componentes tecnológicas, e soluções para o adequado dimensionamento dos painéis. O seu
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Tese de Doutoramento
resultado apresenta os benefícios ambientais e a viabilidade económica do projecto, que poderá ser
utilizado (software oficial) para comprovar a compatibilidade ou não (caso o retorno do investimento
seja superior a 8 anos) da utilização de energias renováveis de acordo com o Sistema de
Certificação dos Edifícios (SCE) (Decretos-lei 78, 79 e 80 / 2006) (INETI, 2007).
Outras vantagens da ferramenta (INETI, 2007):

Facilitar a elaboração de caderno de encargos;

Contribuir para a apreciação de proposta em concursos públicos;

Promover a educação e sensibilização.
Desvantagens:

Não é uma ferramenta gratuita;

A ferramenta é limitada à análise de energia solar. Isto é, não analisa outras fontes de
energias renováveis.
3.2.4
Análise do ciclo de vida dos materiais.
O desenvolvimento de ferramentas de análise do ciclo de vida dos materiais surge como factor de
auxílio durante a tomada de decisão na escolha por materiais, produtos e serviços com menor
impacte ambiental. O principal papel destas ferramentas, assim como da Declaração Ambiental de
Produtos (EPD`s), é de ajudar os fornecedores e consumidores a conhecer os impactes de
diferentes soluções de produtos e sistemas, contribuindo assim para a melhor selecção sustentável
ao comparar directamente diferentes produtos.
Somente é possível reduzir ou prevenir os impactes através do conhecimento aprofundado de todas
as fases do ciclo de vida de um produto, processo e serviço, desde a sua extracção, transporte,
manufactura, distribuição, utilização, manutenção e demolição. Através deste conhecimento, que se
pode diversificar conforme a sua realidade local e processos utilizados, é possível medir os seus
efeitos e determinar estratégias, quer através de acções de melhoria do produto (no caso do
fornecedor) quer por intermédio de políticas de compra ambiental (no caso do contratante).
As ferramentas de análise do ciclo de vida também são fundamentais para verificar e comprovar
exigências presentes em ferramentas voluntárias de sustentabilidade, bem como para fornecer
informações e adquirir o reconhecimento ambiental (através de ecolabels, EPD`s – Environmental
Product Declaration, entre outros).
Conforme definido pela Norma ISO 14040 (Normas para Avaliação do Ciclo de Vida), a metodologia
aplicada a sistemas de ACV define-se através de quatro fases (Henriques C, 2008):
1 - Definição de objectivos e do âmbito da análise;
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Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Capítulo 3
Métodos e Ferramentas
2- Inventariação através da definição de "Inputs" (exemplo: recursos utilizados) e "outputs"
(exemplo: emissões) do produto;
3- Avaliação e classificação dos impactes, bem como a forma como determinado produto afecta o
ambiente;
4- Interpretação de resultados dos objectivos pretendidos. Nesta fase tem-se em conta a avaliação
de diferentes categorias de impactes, e que poderão ter diferentes pesos de avaliação em função de
uma região, ou objectivos esperados por uma instituição;
Dentre as categorias de impactes utilizados numa análise de ciclo de vida, destacam-se os
seguintes temas (Mateus R., 2009): Potencial de aquecimento global, Acidificação, Eutrofização,
Potencial de esgotamento das reservas de combustíveis fósseis, Qualidade do Ar Interior, Consumo
de água, Poluição da atmosfera, Potencial de oxidação fotoquímica (smog), Potencial de destruição
da camada de Ozono, Alteração dos habitats, Toxicidade ecológica e Toxidade para o ser humano.
Uma adequada análise do ciclo de vida dos materiais, através de diferentes softwares de ACV
disponíveis no mercado (que devem ser adaptadas a cada País, conforme os seus recursos
disponíveis, processo de fabricação, gestão dos resíduos…) apresentam-se como bastante
complexas para uma utilização corrente, além disso, ainda existem um reduzido número de
fabricantes que disponibilizam informações e EPD`s dos seus produtos.
Para melhor se evidenciar os diferentes métodos utilizados para a analise de ciclo de vida dos
materiais, dar-se-á, a seguir, um panorama geral sobre três métodos existentes no mercado, sendo
um referente a um software de domínio Internacional, outro sendo um guia amplamente
contemplada pela instituição Britânica BRE e por fim uma base de dados de domínio Nacional que
foi desenvolvida para auxiliar a análise de materiais da ferramenta SBToolPT. São respectivamente
os seguintes:

SIMAPRO;

The Green Guide to Specification;

SBToolPT : Base de dados LCA.
SIMAPRO- LCA: Estruturado de acordo com a Norma ISO14040, este software foi desenvolvido
nos Países Baixos pela PRÉ Consultants, encontrando-se distribuído em mais de 60 países. É uma
das ferramentas mais conhecidas globalmente para avaliar o ciclo de vida do produto, processos e
serviços. Dentre os vários métodos de cálculo disponíveis para a referida análise, destaca-se o
método ReCiPe, actual sucessor do Eco-indicator 99 e que foi lançado em 2009. Este método, além
de uma vasta lista de emissões, recursos consumidos e outras informações essenciais para a fase
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Tese de Doutoramento
do inventário, também possui a vantagens de auxiliar o utilizador no processo de interpretação dos
resultados da análise.
The Green Guide to Specification: Guia utilizado pela ferramenta do BREEAM para classificar
ambientalmente os materiais de construção utilizados nos empreendimentos em análise. Este guia,
que se baseia na Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) e no BRE- Environmental Profile Methodology,
resulta do esforço para se providenciar de forma objectiva a escolha mais adequada dos materiais.
Neste sentido, e após a escolha da tipologia a analisar, bem como dos elementos construtivos em
foco, a sua matriz organizacional é definida por materiais e componentes organizados numa tabela
em que são apresentadas as especificações e a classificação dos materiais (A+ a E), a fim de
proporcionar uma fácil visualização, comparação e selecção de materiais.
A classificação dos materiais, através do "The Green Guide to Specification", é realizada conforme
os seguintes procedimentos:
1º Caracterização de 13 factores ambientais;
2º Normalização dos factores (definição das unidades de medidas aplicáveis);
3º Os Factores de Ponderação são definidos e aplicados nos diferentes factores normalizados,
e com o intuito de definir 13 “ecopoints” (com a mesma unidade de medida A + a E);
4º A definição e classificação dos materiais e soluções construtivas.
SBToolPT- Base de dados de LCA: Este método que se constitui numa base de dados associada à
ferramenta SBToolPT, encontra-se definido por 5 categorias de impactes (os mesmos referenciados
pelo EPD`s), além de 3 outros indicadores, e que são os seguintes (Mateus, R. 2009):

Potencial de diminuição das reservas de recursos não - renováveis (excluindo energia)
(ADP);
96 |

Potencial do aquecimento global (GWP);

Potencial de destruição da camada de Ozono (ODP);

Potencial de acidificação (AP);

Potencial de formação de ozono troposférico (POCP);

Potencial de eutrofização (EP);

Energia não renovável incorporada (ENR);

Energia renovável incorporada (ER).
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Capítulo 3
Métodos e Ferramentas
A base de dados encontra-se organizada através de 52 soluções construtivas, 34 materiais de
construção e 12 equipamentos de climatização e aquecimento de águas sanitárias. Todas as
soluções encontram-se estruturadas através dos diferentes elementos construtivos do edifício.
Quanto à quantificação aplicada nas diferentes categorias de impactes, e no que se refere à fase de
Inventário do Ciclo de vida (LCI), foi utilizado prioritariamente o ECOinvent. Já na análise dos
impactes ambientais utilizaram-se os seguintes métodos LCA: CML 2 Baseline e Cumulaty Energy
Demand no caso dos indicadores relacionados com energia.
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Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
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Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Metodologia de Desenvolvimento do trabalho
CAPÍTULO 4 - METODOLOGIA DE DESENVOLVIMENTO DO TRABALHO
4.1
Introdução
Nos capítulos anteriores, observou-se o actual enquadramento e os motivos que vieram justificar a
necessidade de mudança, bem como se verificou a formatação de um novo paradigma de mercado
- a construção sustentável. Conjugada com diferentes modelos de actuação e ferramentas
voluntárias de avaliação (ainda bastante recentes), faltou atribuir ao contexto da construção
sustentável, os mecanismos que facilitam a sua disseminação, quer através da identificação de
99 |
Capítulo 4
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
oportunidades nas diferentes fases de um empreendimento, quer pelo desenvolvimento de estudos
que venham a confirmar os seus verdadeiros benefícios.
Neste contexto, justificou-se o desenvolvimento deste trabalho, que conforme descrito no primeiro
capítulo, se define através de dois objectivos fundamentais, e que são os seguintes:

O primeiro objectivo refere-se à criação de uma base de dados informática denominada
Gestão do Projecto Sustentável (GPS). Esta assenta em medidas de sustentabilidade
aplicadas a edifícios, e direccionadas não somente por temáticas (categorias de
sustentabilidade), mas também identificadas através das diferentes fases do
empreendimento, especialidades e ferramentas de avaliação. A referida ferramenta
encontra-se em constante evolução e foi concebida exclusivamente para a gestão interna
da empresa co-financiadora deste trabalho.

O segundo, e principal objectivo da tese, consistiu em analisar as implicações
económicas e ambientais associadas aos diferentes critérios de sustentabilidade,
procedendo-se à comparação entre as diferentes soluções convencionais e sustentáveis
aplicadas a um centro comercial localizado em Braga e em fase de construção.
De forma a atingir os objectivos pretendidos, procedeu-se à aplicação de uma metodologia,
(inicialmente apresentada de forma simplificada no primeiro capítulo), e que a seguir será mais bem
detalhada.
4.2
Metodologia aplicada ao primeiro objectivo deste trabalho.
No caso do primeiro objectivo, a criação de um guia informático contendo medidas de
sustentabilidade, responde a uma necessidade identificada pela empresa financiadora deste
projecto. O que se pretendeu, foi actuar com práticas sustentáveis durante o desenvolvimento de
um empreendimento. Assim, gradativamente, seriam fornecidas informações referentes às acções
estratégicas a ter em consideração nas respectivas fases do empreendimento, assim como
identificados os responsáveis pela eventual implementação.
Antes do desenvolvimento do GPS, procurou-se aprofundar o conhecimento conceptual, através da
análise de diferentes manuais e ferramentas voluntárias de sustentabilidade disponíveis
internacionalmente. Os manuais de sustentabilidade existentes foram importantes no contexto da
aprendizagem teórica, bem como fundamentais para a compilação de mais de quatrocentas
medidas que foram inseridas numa base de dados que antecedeu o GPS, denominada "Guião para
a Construção Sustentável".
100 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Metodologia de Desenvolvimento do trabalho
Este guião difere, em grande parte, do método adoptado pelos manuais de sustentabilidade
existentes (geralmente identificados por categorias: energia, água, materiais...). Assim sendo, o
referido Guião, além da estruturação por categorias, também se define pelas diferentes fases do
empreendimento.
No capítulo 5, será inicialmente apresentado o "Guião para a Construção Sustentável", bem como o
seu conteúdo teórico e conceptual, incluindo as categorias contempladas e a sua estrutura
funcional. Em seguida, apresentar-se-á o GPS, bem como as imagens do produto final adquirido, e
que foram disponibilizados pela empresa detentora desta ferramenta.
4.3
Metodologia aplicada ao segundo objectivo deste trabalho.
O factor económico continua a ser o grande impulsionador para a disseminação de novas práticas
no mercado, não sendo diferente com a sustentabilidade na construção. A primeira questão para
investidores, promotores e clientes finais, antes de adoptarem um projecto sustentável, é a
necessidade de esclarecer, “Qual o preço da sustentabilidade?” e quais as verdadeiras vantagens
económicas e ambientais advindas da prática da sustentabilidade.
A resposta a essas questões é muitas vezes adiada devido à falta de informações, bem como, de
uma análise a longo prazo dos benefícios resultantes da comparação que deve ser realizada entre
empreendimentos sustentáveis e outros com práticas convencionais. No caso específico de
Portugal, a dificuldade advém dos reduzidos exemplos de edifícios sustentáveis e a falta de
monitorização (e estudos económicos) dos mesmos durante as diferentes fases do projecto. O que
se verifica, a nível internacional e europeu, são estudos muito pontuais, conforme mencionado no
capítulo 2.
Tal como tantos produtos disponíveis no mercado, a Indústria da construção (e tudo o que a ela diz
respeito) deveria ser avaliada pela sua funcionalidade e operacionalidade ao longo do seu ciclo de
vida expectável. No entanto, o raciocínio traduz-se quase sempre numa análise a curto prazo,
contrariando assim a própria lógica de aquisição e endividamento (financiamentos bancários) que
são definidos a médio/longo prazo.
Nesse sentido, e de forma a alcançar os resultados propostos para o segundo objectivo, foram
definidos diferentes acções. Conforme referido no primeiro capítulo, o trabalho inicia-se com os
seguintes procedimentos (que serão a seguir fundamentados):
1. Escolha da tipologia a ser analisada, neste caso os Centros Comerciais;
2. Análise do método de avaliação escolhido, neste caso o BREEAM;
101 |
Capítulo 4
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
3. Escolha dos critérios chave a serem analisados;
4. Definição dos indicadores económicos e ambientais a serem utilizados.
A seguir serão apresentados os aspectos analisados em cada um dos procedimentos propostos.
4.3.1
Escolha da tipologia de edifício a ser analisada.
A escolha dos edifícios utilizados, quer para o caso de estudo, quer para os edifícios seleccionados
enquanto referência para a futura comparação, limitou-se à tipologia dos Centros Comerciais.
A escolha deste tipo de edifícios fundamentou-se no interesse da empresa Chamartín Imobiliária
S.G.P.S, S.A (empresa co-financiadora deste projecto de investigação), bem como, no objectivo
fundamental de analisar a sustentabilidade de edifícios com parâmetros específicos: dimensão,
complexidade, elevada qualidade e potencial para divulgação e consciencialização ambiental.
4.3.1.1
Definição e contributo dos edifícios de referência seleccionados.
Somente através do conhecimento adequado sobre as particularidades e funcionalidades de um
edifício, é que será possível definir limites, objectivos, e decidir sobre a aplicação de medidas de
melhoria e de outras medidas direccionadas para a sustentabilidade. Ou seja, é preciso adquirir
sensibilidade sobre a realidade económica e ambiental de um determinado produto ou tipologia de
edifício para se reconhecerem as diferentes falhas e possíveis oportunidades de melhoria. Neste
sentido, surgiu, durante este trabalho, a necessidade de estudar as características e o
comportamento de Centros Comerciais existentes e, dentro do limite organizacional da Chamartín
Imobiliária, considerados enquanto modelos construtivos padrão.
Estes edifícios, que fundamentalmente funcionaram como base orientadora, determinaram
resultados em termos de médias de consumo e outras referências, relativas aos edifícios existentes
e conduziram a uma adequada comparação com os novos edifícios que incorporaram soluções
inovadoras e sustentáveis. Neste caso concreto, foram analisados três centros comerciais
existentes, de forma a permitir a respectiva comparação entre si, bem como criar uma base de
comparação com os casos de estudo (um deles ainda em fase de construção, e outro recentemente
inaugurado em 2009). Assim sendo, os referidos Centros Comercias existentes considerados neste
trabalho são os seguintes:
102 |

Dolce Vita Douro (DVD);

Dolce Vita Coimbra (DVC);

Dolce Vita Porto (DVP).
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Metodologia de Desenvolvimento do trabalho
Um factor importante, com excepção do DVD, é o facto de todos os centros comerciais existentes,
bem como os casos de estudo, terem sido coordenados pelo Promotor, desde a fase de prospecção
(escolha do terreno) até à fase de utilização, conduzindo a um aumento da sua capacidade de
actuação, controlo, melhorias contínuas e novas propostas, bem como determinando o seu
interesse em definir estratégias de projectos mais eficientes, no intuito de obter uma redução de
consumo e encargos com manutenção e substituições de sistemas, durante a fase de utilização.
Com base nestes edifícios, realizou-se o acompanhamento mensal dos consumos de todos os
centros comerciais (em fase de utilização), de forma a reportar os diferentes indicadores de
eficiência (consumo por m2 por ano e consumo por convidado por ano). Esses indicadores incluem
os seguintes consumos:

Energia;

Água;

Emissão de CO2eq (dióxido de carbono equivalente);

Percentagem de resíduos reciclados e não reciclados, bem como a descrição do seu
destino final de acordo com o código LER (Lei Europeia de Resíduos);

4.3.1.2
Metas de redução de consumo, no caso dos Centros Comerciais em Gestão.
Recolha da informação
O processo de recolha de informação referente aos edifícios de referência iniciou-se com a
obtenção da maior quantidade possível de dados sobre os edifícios em questão, bem como
identificando as particularidades de cada um no decorrer do processo de inventariação, e que
poderão ser observadas a seguir, na estrutura organizacional definida para a recolha da informação:
Descrição dos edifícios de referência: Contém as informações relativas à localização, orientação
solar, características arquitectónicas (geometria, número de pisos (estacionamento e centro
comercial)), características construtivas (materiais e sistemas), bem como a identificação e
percentagem de áreas destinadas a diferentes funções (áreas comuns, áreas técnicas, cais de
carga e descarga, ABL (área bruta locável), estacionamento, armazém) e horários de
funcionamento.
Análise do edifício: nesta fase, identificaram-se todos os impactes que um centro comercial
poderia causar, realizou-se uma análise detalhada dos principais consumos e principais fluxos de
visitantes dentro de um centro comercial. Desta forma observou-se a afluência e a relação entre
103 |
Capítulo 4
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
consumo por visitante e consumo por m2. Com este propósito, preparou-se uma tabela de dados
ambientais e económicos, adaptada à realidade observada e que passou a ser preenchida
mensalmente pelos directores adjuntos 11 dos diferentes centros comerciais, através da leitura
directa dos contadores, facturas, guias (GARs- Guia de Acompanhamento dos Resíduos). Além
deste acompanhamento mensal, reuniram-se informações retiradas de auditorias energéticas
realizadas.
Dados de consumo excluídos durante a análise: O trabalho limitou-se a avaliar os consumos
comuns (responsabilidade da Chamartín Imobiliária), ou seja, tudo que foi consumido em áreas
comuns (“mall” 12, WCs, estacionamento, corredores técnicos), com excepção dos resíduos, cuja
recolha, segregação e encaminhamento para destino final, estão disponíveis a todos os ocupantes
do CC.
Os consumos referentes a iluminação e equipamentos das lojas, por serem individualizados e
estarem sob a responsabilidade dos operadores (lojistas), e devido à dificuldade de
acompanhamento e acessibilidade dos mesmos, não foram incluídos neste estudo.
Esse cenário de exclusão deverá rapidamente ser alterado, pois com o Decreto-lei 79/2006
(RSECE) – estas fracções, com excepção dos hipermercados e lojas autónomas (que têm sistemas
independentes), deverão reportar os seus consumos, e estes devem ser analisados juntamente com
as restantes áreas comuns, de forma a poder verificar-se o IEE (índice de eficiência energética)
global do edifício.
Assim sendo, deverá haver uma reformulação e uma adequada adaptação para que todos os
consumos possam ser monitorizados e controlados, quer através de um controlo manual
(apresentação obrigatória das facturas), quer através da Gestão Técnica Centralizada (GTC)13, bem
como através de contadores de entalpia com telecontagem (para medir energia térmica à distância).
11
Directores adjuntos – Possuem a função de realizar a gestão técnica dos centros comerciais.
Mall- áreas comuns utilizadas para circulação dos visitantes no Centro comercial.
13
Gestão técnica centralizada (GTC) - Sistema de gestão interna implementado pela empresa para interligar
os diferentes sistemas instalados (iluminação, AVAC, bombas, ventiladores...), tem a função de controlar os
diferentes consumos e níveis de qualidade do ar, manutenção das instalações e optimização das condições de
exploração do centro comercial.
12
104 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Metodologia de Desenvolvimento do trabalho
4.3.1.3
Particularidades e dificuldades encontradas durante o levantamento.
Durante a recolha da informação, e logo após a análise inicial dos centros comerciais de referência,
verificaram-se algumas disparidades nos resultados durante a comparação entre edifícios. Tal
ocorreu devido a algumas disparidades e dificuldades que serão apresentados a seguir:
Particularidades observadas: A identificação das particularidades permitiu inventariar as falhas e
oportunidades de melhoria dos casos de referência, durante o processo comparativo (entre anos
homólogos e entre edifícios). Nos exemplos abaixo, poderão ser verificadas as particularidades
identificadas e que foram tidas em consideração durante o processo de análise:
Exemplo1: Numa primeira análise, observou-se que o DVC tinha um consumo final de energia e
água bastante inferior aos restantes centros comerciais. Procurou-se descobrir o motivo que gerou
esta diferença (Teria o DVC implementado um sistema mais eficiente em relação aos que foram
utilizados nos restantes Centros Comerciais? Ou existiu alguma falha durante o processo de
inventariação?). Observou-se que o DVC, ao contrário dos outros centros comerciais, tinha
contadores distintos para o Centro Comercial (CC) e para o estacionamento, não sendo o valor do
último reportado na primeira análise. Nos restantes centros comerciais havia somente um contador
(totalizador) que abrangia todos os consumos (CC e estacionamento).
Após a identificação do problema, a análise foi refeita com base no consumo total.
Exemplo 2: Nas particularidades relativas ao consumo de água, em relação a cada um dos edifícios
de referência, existiam características diferenciadas (o que é previsível), ou seja, no DVP havia
consumo de rega e a existência de uma fonte de água, o que não estava presente nos restantes
CC. Esta situação não foi reportada separadamente, ou seja, a existência deste consumo de água
foi vinculado e considerada em relação aos consumos totais, assim resultando num maior consumo
(agora justificado) do DVP.
Muitos dos aumentos pontuais de consumo identificados estavam relacionados com fugas e
lavagem dos locais de estacionamento.
Dificuldades encontradas: As principais dificuldades encontradas neste trabalho, durante a
recolha de informação dos edifícios de referência, foram as seguintes:

Identificar os consumos parciais, ou seja, no caso da energia, somente através de
auditorias energéticas e da análise de todos os sistemas, potência instalada e horário de
funcionamento, foi possível determinar uma estimativa aproximada de consumos
105 |
Capítulo 4
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
destinados a iluminação, arrefecimento, equipamentos e transportes verticais,
separadamente.
(Observação: Em conformidade com as exigências do Decreto-lei 79/2006 e para os
respectivos cálculos do IEEi - Índice necessidades energéticas de aquecimento, IEE v necessidades energética de arrefecimento e Qout - outros consumos, em todos os novos
projectos estão previstos contadores parciais, que serão controlados pela GTC).

Sistema único de climatização, ou seja, os sistemas de climatização implantados nos CC
abrangem não somente o “mall” (áreas comuns) como também grande parte das lojas.
Numa perspectiva financeira, os custos estão sob a responsabilidade do Promotor (neste
caso, a Chamartín Imobiliária), no entanto, a nível ambiental deveria ser reportado somente
o consumo necessário para manter a adequada temperatura das áreas comuns (área sob a
responsabilidade da Chamartín). Neste caso, somente através de contadores de entalpia14
se poderia ter uma noção concreta do que é distribuído para as áreas comuns, bem como o
que é distribuído para as lojas. Nenhum dos três edifícios tem contadores de entalpia e,
neste caso, foi realizada uma estimativa de consumos com base nas áreas, através de
estudos de simulações de comportamento energético realizados em novos projectos da
empresa (inclusive do próprio caso de estudo - DVB (Dolce Vita Braga) que será
referenciado na secção seguinte.
Após a análise dos edifícios de referência realizados durante dois anos consecutivos (2006 e 2007),
foram definidos os valores de consumo médio. Os resultados obtidos durante a análise, foram uma
importante base de comparação com o caso de estudo (DVB). Como também sendo um elemento
fundamental para a definição de estimativas de consumo para o caso de estudo durante todo o
processo de análise económica e ambiental. Assim, consideram-se os valores apresentados, como
a fonte mais fidedigna para o desenvolvimento do trabalho.
4.3.2
Análise do método de avaliação escolhido.
Após finalizar o reconhecimento dos edifícios a serem analisados, seguiu-se o segundo passo desta
metodologia. Este refere-se à escolha do método de avaliação da sustentabilidade a ser aplicado
aos edifícios em questão.
14
Contadores de Entalpia – Realiza o registo dos consumos térmicos individuais (loja a loja)
106 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Metodologia de Desenvolvimento do trabalho
A proposta desta fase do trabalho consistiu em identificar os critérios de sustentabilidade da
Ferramenta Voluntária BREEAM (ver características gerais na secção 3.1.1). A escolha desta
ferramenta deve-se à preferência da empresa co-financiadora desta investigação – Chamartín
Imobiliária, por ser a ferramenta usada a nível internacional por outras empresas detentoras de
centro comerciais.
A referida empresa, enquanto membro do International Council of Shopping Center (ICSC), e tendo
em conta uma decisão conjunta entre os restantes membros, decidiu adoptar uma ferramenta única
para analisar a sustentabilidade dos seus empreendimentos nos diferentes países europeus. Neste
sentido, optou-se pela utilização do BREEAM (UK), pois a referida ferramenta foi identificada como
o método mais apropriado, uma vez que a mesma já tinha sido utilizada como mecanismo de
certificação em diferentes empreendimentos do sector, e evidenciando assim uma anterior
adaptação a determinadas necessidades da referida tipologia, bem como em relação aos
Regulamentos Europeus (ICSC, 2008).
Após a escolha do método de avaliação, foram analisados os critérios aplicáveis aos
estabelecimentos comerciais. A instituição BRE (Building Research Establishment), detentora da
ferramenta BREEAM, disponibilizou para consulta pública, a versão britânica para Centros
Comercias (designada por BREEAM_Retail_version2008) durante o ano de 2008 e parte de 2009
(período do decurso parcial deste trabalho). Somente, a partir do Outono de 2009, é que foi lançada
e disponível para acesso público, a versão internacional denominada por "BREEAM Europe". Esta
versão, definida para três tipologias de edifício (Retalho, escritórios e Indústria), define-se como
sendo mais flexível e adaptável aos diferentes países europeus. No entanto, pelo facto, desta
versão ter surgido em período posterior ao desenvolvimento deste trabalho, bem como outras
versões (nomeadamente a versão "Bespoke") estarem exclusivamente disponíveis para assessores
qualificados da ferramenta, optou-se por utilizar a versão britânica 2008.
O facto de se tratar de uma ferramenta aplicada à realidade britânica, levou a que se identificassem,
alguns critérios inadaptados ao contexto português, e que neste caso, foram realizadas propostas
de adaptação (estas podem ser identificadas no capítulo 8 - Enfoque aos critérios inadaptados à
realidade Portuguesa). Com a nova versão internacional ("BREEAM Europe"), recentemente
disponibilizada ao público, foi possível identificar que muitas das inadaptações verificadas na versão
britânica foram tratadas com resoluções compatíveis, enquanto outras não, tendo em conta as
propostas realizadas neste trabalho.
107 |
Capítulo 4
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
A versão britânica, na sua íntegra, está definida por sessenta e oito critérios de avaliação, no
entanto, e em função do edifício que será avaliado, alguns dos critérios poderão ser excluídos da
análise final. Para isso, ao iniciar-se uma pré-avaliação com o "BREEAM_Retail", realiza-se um
questionário rápido onde são identificados as características do projecto, e de forma a avaliar, bem
como a identificar as actividades que serão contempladas no empreendimento (Ver figura 4.1). Após
o preenchimento do questionário, realiza-se uma filtragem que no final disponibilizará os critérios a
serem considerados na análise.
Figura 4.1- Análise prévia do BREEAM, para identificar o perfil do edifício que será analisado (Fonte: BRE, 2008).
No caso dos edifícios de referência utilizados neste trabalho, bem como o caso de estudo (DVB), e
após análise prévia realizada, foram contemplados sessenta e um critérios, sendo os restantes
excluídos, devido ao facto de estarem desenquadrados do contexto destes edifícios. A versão final
utilizada durante este estudo poderá ser verificada na tabela 4.1.
Como se pode observar, cada um dos critérios estão identificados por diferentes categorias
("sections"), onde estão a ser contemplados pesos diferenciados. O processo de avaliação do
BREEAM é calculado em função destes pesos e pontuações máximas, e que se definem para cada
categoria. A classificação final, que daí resulta e se expressa em percentagens (ver tabela 4.2), é
também definida em função da pontuação mínima a ser alcançada por determinados critérios
considerados obrigatórios (ver tabela 3.1 no capítulo 3). Também, através de créditos adicionais,
verifica-se uma espécie de recompensa por medidas inovadoras que tenham sido aplicadas em
determinados critérios (alcançando um aumento até um máximo de 10%).
108 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Metodologia de Desenvolvimento do trabalho
Tabela 4.1 - Critérios BREEAM utilizados durante a análise deste estudo (Fonte: BRE, 2008) (adaptado).
15
6%
Wat1
Wat2
Wat3
Wat4
Wat5
Wat6
Wat7
12,5%
Mat1
Mat2
Mat3
Mat4
Mat5
Mat6
Mat7
7,50%
Wst1
Wst2
Wst3
Wst4
Wst5
10%
LE1
LE2
Sub-metering of substantial Energy uses
1
LE3
Ecological value of site and Protection of ecological features
1
Sub-metering of high energy load and tenancy area
External lighting
Low or zero carbon technologies
Building fabric performance & avoidance of air infiltration
Cold food storage
Lifts
Escalators & travelling walkways
Transport section credits
Provision of public transport
Proximity to amenities
Cyclist Facilities
Pedestrian and cycle safety
Travel plan
Travel information space
Deliveries and manoeuvring
1
1
3
1
3
2
1
LE4
LE5
LE6
10%
Pol1
Pol2
Pol3
Pol4
Pol5
Pol6
Pol7
Pol8
Mitigating ecological impacts
Enhancing site ecology
Long term impact on biodiversity
Pollution section credits
Refrigerant GWP- Building services
Preventing refrigerant leaks
Refrigerant GWP- cold storage
NOx emissions from heating source
Flood risk
Minimising watercouse pollution
Reduction of night time light pollution
Noise attenuation
3
2
2
CRITÉRIOS Breeam para Centros Comerciais (versão Britância)
12%
Man1
Man2
Man3
Man4
Man8
15%
Hea1
Hea2
Hea3
Hea4
Hea5
Hea6
Hea7
Hea8
Hea9
Hea10
Hea11
Hea12
Hea13
HEa14
19%
Ene1
Ene2
Ene3
Ene4
Ene5
Ene6
Ene7
Ene8
Ene9
8%
Tra1
Tra2
Tra3
Tra4
Tra5
Tra7
Tra8
Legenda
Management section credits
Commissioning
Considerate constructors
Construction Site impacts
Building user guide
Security
Health & wellbeing section credits
Daylighting
View out
Glare control
High frequency lighting
Internal and external lighting level
Lighting zones & control
Potencial for natural ventilation
Indoor Air Quality
Volatile Organic Compounds
Thermal confort
Thermal zoning
Microbial contamination
Acoustic performance
Office space
Energy section credits
Reduction of CO2 Emissions
Peso das diferentes categorias
Critérios Obrigatórios
Pontuação
Máxima
2
2
4
1
1
1
1
1
1
1
1
1
2+1
5
1
2
2
1
1
1
Water section credits
water consuption
Water meters
Major leak detection
Sanitary supply shut off
water recycing
Irrigation system
vehicle wash
Materials section credits
Materials Specification - Major building elements
Hard landscaping and boundary protection
Re-use of building façade
Re-use of building struture
Responsable sourcing of materials
Insulation
Designing for robustness
Waste section credits
Construction site waste management
Recycle aggregates
Recyclable waste Storage
Compactor/ baler
Composting
Land User & ecology section credits
Reuse of land
Contaminated land
3
1
1
1
2
1
4
1
1
1
3
2
1
3
1
1
1
1
1
1
1
2
1
3
3
1
1
1
Total de critérios BREEAM: 68 critérios
Total de critérios a serem contemplados no caso de estudo: 61 critérios
Critérios não contemplados no caso de estudo devido a
inexistência de escritórios >500m2 e espaços para
lavagem de carros
Tabela 4.2- Classificação final definida pelo BREEAM ( Fonte: BRE, 2008)
Com base neste processo de avaliação, foi realizada a análise dos edifícios de referência e do caso
de estudo (proposta inicial), através de uma folha de cálculo fornecida pelo BRE denominada "preassessment" (ver figura 4.2), onde foi possível identificar as classificações finais obtidas.
109 |
Capítulo 4
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
Indicative
Overall
BREEAM
Score
BREEAM Rating Benchmarks
PASS
≥30
GOOD
≥45
VERY GOOD
≥55
EXCELLENT
≥70
OUTSTANDING*
≥85
48,78%
User Instructions
BREEAM Retail 2008 Pre-Assessment Estimator
Minimum BREEAM Standards
Ref
BREEAM Issue Title
BREEAM Retail - Issue Criteria
Achieved?
Pass
Good
Very Good
Excellent
Outstanding
YES
YES
YES
NO
NO
Number of
BREEAM credits
available
Total predicted
BREEAM credits
achieved
2
2
1
1
1
1
2
2
0
-
-
-
1
2
4
2
-
-
-
-
-
Minimum required credits by BREEAM issue and rating
Notes
Management
Man 1
Commissioning
One credit where evidence provided demonstrates that an appropriate project
team member has been appointed to monitor commissioning on behalf of the
client to ensure commissioning will be carried out in line with current best
practice.
Two credits where, in addition to the above, evidence provided demonstrates
that seasonal commissioning will be carried out during the first year of
occupation, post construction (or post fit out).
One credit where evidence provided demonstrates that there is a commitment
to comply with best practice site management principles.
Man 2
Considerate Constructors
Two credits where evidence provided demonstrates that there is a commitment
to go beyond best practice site management principles.
One credit where evidence provided demonstrates that 2 or more of items a-g
(listed below) are achieved.
Two credits where evidence provided demonstrates that 4 or more of items a-g
(listed below) are achieved.
Three credits where evidence provided demonstrates that 6 or more of items ag are achieved:
Man 3
Construction Site Impacts
a. Monitor, report and set targets for CO2 or energy arising from site activities
b. Monitor, report and set targets for CO2 or energy arising from transport to
and from site
c. Monitor, report and set targets for water consumption arising from site
activities
d. Implement best practice policies in respect of air (dust) pollution arising from
the site
e. Implement best practice policies in respect of water (ground and surface)
pollution occurring on the site
f. Main contractor has an environmental materials policy, used for sourcing of
construction materials to be utilised on site
g. Main contractor operates an Environmental Management System.
One additional credit where evidence provided demonstrates that at least 80%
of site timber is responsibly sourced and 100% is legally sourced.
Figura 4.2 - Folha de cálculo disponibilizada pela Ferramenta BREEAM (Fonte: BRE, 2008).
Conforme se verifica na figura 4.3, e através da pré-avaliação, foi possível determinar o grau de
sustentabilidade atingido pelos edifícios de referência (valor médio definido para os três edifícios
analisados) (denominado cenário 1), bem como pelo caso de estudo - proposta inicial (cenário 2).
Observa-se que os valores definidos na tabela abaixo, referem-se às percentagens parciais obtidas
em cada categoria ("sections") e que foram resultantes da pontuação alcançada em cada critério
BREEAM analisado, conforme se poderá verificar no anexo I.
Management section credits
Pontuação Pontuação Edifícios
Pontuação DVB
máxima
de referência
(Proposta base)
BREEAM
(valor médio)
12%
4,80%
7,20%
Critérios
adicionados
Health & wellbeing section credits
15%
6,67%
13,33%
Hea 9,Hea 10
Energy section credits
19%
2,71%
5,43%
Ene 2
Transport section credits
8%
3,69%
3,69%
-
Water section credits
6%
1,33%
1,33%
-
Materials section credits
12,5%
0,96%
2,88%
-
Waste section credits
7,5%
2,14%
5,36%
Wst 1
Land User & ecology section credits
10%
6,00%
5,00%
não comparáveis
Pollution section credits
10%
6,15%
6,15%
-
Innovation
10%
Classificação final
0,00%
0,00%
34,46%
50,38%
PASS
PASS
Innovation
Pollution
Man 3
Pontuação DVB
(Proposta base)
Land User & ecology
Pontuação Edifícios de
referência (valor médio)
Waste
Materials
Pontuação máxima
BREEAM
Water
Transport
Energy
Health & wellbeing
Management
0%
5%
10%
15%
20%
Figura 4.3 - Classificação dos edifícios de referência (valor médio) e Caso de estudo (proposta inicial) obtidos através da
folha de cálculo do BREEAM ("Pre-assessment").
As informações referentes às diferenças encontradas entre edifícios de referência e o DVB
(proposta inicial) poderão verificar-se no capítulo 7.
Após uma breve análise comparativa entre edifícios de referência (cenário 1) e o caso de estudo proposta inicial do DVB (cenário 2), e ainda no capítulo 7, propôs-se analisar e apresentar o
resultado de dois novos cenários de intervenção (cenário 3 e 4) aplicados à proposta inicial do DVB.
110 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Metodologia de Desenvolvimento do trabalho
O objectivo foi aumentar a classificação do caso de estudo de “PASS”, gradativamente para “Very
Good” (classificação definida pela Ferramenta BREEAM para edifícios que cumpram mais de 55%
da pontuação global) e numa segunda intervenção para “Excellent” (cumprindo mais de 70% da
pontuação global).
4.3.3
Escolha dos critérios chave a serem analisados.
Para a definição de dois novos cenários de intervenção (cenário 3 e 4), contou-se com a introdução
de catorze novos critérios contemplados pelo BREEAM.
Para a definição e escolha destes critérios, recorreu-se primeiramente à identificação dos sessenta
e um critérios do BREEAM aplicados ao DVB, bem como em diferentes grupos de actuação dos
quais se destacam (mais detalhes poderão ser identificados no capítulo 7) os seguintes:

(Grupo A) - Os critérios abrangidos pela legislação Nacional e Europeia;

(Grupo B) - Os Critérios inadaptados à realidade Portuguesa;

(Grupo C) - Os critérios de quantificação e valorização complexa;

(Grupo D) - Os critérios quantificáveis.
O objectivo foi desagregar os grupos de critérios que implicariam ou não, investimentos adicionais.
Neste sentido, e conforme descrito no capítulo 1, os critérios cujos investimentos já estavam a ser
contemplados, devido a práticas comuns no mercado ou para dar cumprimento a exigências
regulamentares em vigor no País (neste caso, os critérios abrangidos pelo Grupo A), foram
considerados com investimento zero (ver capítulo 8, os critérios abrangidos pela legislação local).
Entretanto, os críterios-chave analisados neste trabalho (ver tabela 4.3), pertencentes ao grupo C e
D (conforme poderão ser verificados no capítulo 9 e 10), foram seleccionados e introduzidos
gradativamente em função da melhor adaptação ao projecto em fase de construção, bem como
visando a optimização económica do investimento associado. Estas componentes de decisão foram
essenciais para garantir a melhoria da classificação proposta no âmbito deste trabalho.
Tabela 4.3.- Critérios da Ferramenta BREEAM analisadas durante o estudo económico e ambiental proposto (Fonte:
BRE, 2008) (adaptado).
Ref.
Hea14
Ene1
Ene5
Ene7
Ene8
Tra3
Tra4
Tra7
Critérios BREEAM seleccionados para a análise
(Elementos do grupo C e D)
Office space
Reduction of CO2 Emissions
Low or zero carbon technologies
Cold food storage
Lifts
Cyclist Facilities
Pedestrian and cycle safety
Travel information space
111 |
Capítulo 4
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
Tabela 4.3(cont.) - Critérios da Ferramenta BREEAM analisadas durante o estudo económico e ambiental proposto
(Fonte: BRE, 2008) (adaptado).
Ref.
Wat1
Wat3
Wat4
Wat5
Mat6
Wst5
4.3.4
Critérios BREEAM seleccionados para a análise
(Elementos do grupo C e D)
water consuption
Major leak detection
Sanitary supply shut off
water recycing
Insulation
Composting
Definição dos indicadores económicos e ambientais
Um dos elementos principais para realizar a análise custo-benefício dos critérios chave
seleccionados, foi recorrer a uma análise holística, sempre que possível, contemplando não
somente o investimento inicial (custos da construção) como outros encargos (operação e
manutenção) verificados ao longo do ciclo de vida do caso de estudo - Dolce Vita Braga (para um
período de análise de 20 anos).
Os critérios quantificáveis seleccionados (pertencente ao grupo D), e conforme se poderá verificar
no capítulo 10, estão a ser identificados como proposta sustentável e foram comparados com uma
proposta base (soluções convencionalmente aplicadas em Centros Comerciais). Assim, a utilização
dos indicadores e factores de avaliação económica seguiu uma perspectiva muito conservadora,
pois não está na natureza deste trabalho procurar níveis de detalhe e de investigação em áreas de
ciência económica e financeira. Assim, com base na referida perspectiva conservadora, garante-se
que os resultados apresentados não possam ser de forma alguma considerados optimistas em face
de utilização de quaisquer factores mais arriscados numa óptica de previsibilidade futura. O que se
poderá afirmar é que os resultados económicos reais a ocorrer, decorrente da implementação
destas medidas sustentáveis, poderão vir a ser superiores aos aqui apresentados, resultante do
conservadorismo utilizado nos factores de análise económica utilizados.

Taxa de inflação - Desde 1995, que as taxas de inflação nunca ultrapassaram os 5%, e
desde a criação da Zona Euro em 1999, apenas superaram os 3% entre 2001 e 2003
(período de crise) e, marginalmente, em 2006 alcançaram 3,1%. Assim considerou-se uma
taxa média anual de inflação de 2% ao longo de 20 anos, minimizando assim o efeito do
incremento de valor de benefícios resultante de uma taxa de inflação mais elevada. Logo,
os valores de custos e proveitos considerados com energia, água e manutenção serão
ajustados anualmente com base na referida taxa de inflação.
112 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Metodologia de Desenvolvimento do trabalho

Taxa de crescimento de custos com energia – no ajustamento anual de custos associados
com energia, decidiu-se aplicar um ligeiro incremento adicional sobre a taxa de inflação
média anual, sendo já esta considerada conservadora. Nos dias de hoje verifica-se uma
forte instabilidade associada ao crescimento do preço do barril de petróleo, resultante do
forte crescimento económico impulsionado pelos países emergentes, especialmente os
BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China). Assim, num cenário de constante crescimento dos
preços de electricidade em todo o mundo, e muito acima da taxa de inflação média, decidiuse, para efeito de ajustamento anual dos custos com energia, acrescer um factor adicional
médio anual entre 0,4% e 0,2% ao longo de 20 anos 15 . Mais uma vez seguiu-se uma
perspectiva muito conservadora. Isto significa dizer, que para além do normal ajustamento
dos preços de electricidade através de uma taxa de inflação média anual, também se
acresce uma conservadora taxa de variação adicional sobre o preço de electricidade, num
equivalente aproximado de 6,5% num total de 20 anos. Um aumento deste nível, proposto
para um total de 20 anos de análise, têm vindo a ocorrer por vezes num só ano em muitos
países16, e adicionalmente aos ajustamentos anuais de inflação média. A esses aumentos
chama-se a correcção do deficit tarifário.

Taxa de Juro e período de financiamento – O incremento de investimento resultante das
medidas sustentáveis implementadas neste trabalho, pressupôs-se que se realizaria no
mesmo modelo de financiamento verificado para o investimento efectivo do DVB. Assim
considerou-se uma taxa de juro de 4,5% e um período de amortização do financiamento de
15 anos, condições negociadas para o referido empreendimento.

Retorno simples do investimento ("Payback") – refere-se ao período (em anos) que o
promotor terá que esperar até recuperar o investimento realizado no projecto. Este valor é
obtido através do quociente entre o investimento realizado (incluindo investimento inicial,
manutenção e exploração) ao longo do ciclo de vida e o rendimento anual do projecto;

Valor Actual líquido (VAL) – tem como objectivo verificar a viabilidade de um projecto
através da análise do valor actualizado de todos os fluxos de caixa anuais analisados
(também conhecido por “Cash flow”). Este valor actual refere-se ao valor que teria hoje o
montante que será obtido no futuro (neste caso 15 e 20 anos). Para se calcular o VAL, é
15
Os dados utilizados correspondem a valores inferiores aos indicados pelo estudo de referência: Randolph
J.R. (2009). Electricity and Coal Policy Analysis - The Future of Electricity. USA
16
Artigos de referência utilizados: Electricity Prices Are Moving Higher Across the Globe (Moors K.,
2010), $150 Oil (Moors, K., 2010).
113 |
Capítulo 4
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
importante que os fluxos de caixa futuros sejam actualizados através de uma taxa de
desconto (ver equação 4.1). A taxa de actualização considerada foi igual à taxa de juro
aplicada, ou seja 5%. Durante a análise do VAL os indicadores abaixo representam os
resultados obtidos:

VAL> 0: O projecto define-se economicamente viável;

VAL= 0: O projecto define-se economicamente viável (para o investimento realizado),
no entanto, existem riscos de se tornar inviável;

VAL < 0: O projecto define-se economicamente inviável.
[4.1]
CF i – Cash flow (em português fluxo de caixa) no ano i. Na óptica deste trabalho, é o benefício económico resultante dos custos
operacionais evitados com a implementação da proposta sustentável.
t – Taxa de desconto (valor considerado 5%).

Taxa Interna de Rentabilidade (TIR) - representa a taxa máxima de rentabilidade do
projecto. Ou seja, refere-se à taxa de desconto (i) que no final do período de vida do
projecto torna o VAL igual a zero. A viabilidade económica, verificada através da TIR,
consiste em obter uma TIR superior à taxa utilizada para o cálculo do VAL do projecto. O
cálculo da TIR é realizado através de um cálculo matemático por aproximação, no entanto,
a sua fórmula encontra-se disponível em folhas de cálculo do Excel (ver equação 4.2).
Durante a análise da TIR os indicadores abaixo representam os resultados obtidos:

i > t, implica que o VAL > 0: O projecto define-se como economicamente viável;

i < t, implica que o VAL < 0: O projecto define-se economicamente inviável.
i- Taxa de desconto para o cálculo da TIR
[4.2]
114 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Metodologia de Desenvolvimento do trabalho
Quanto aos indicadores ambientais, conforme referido no capítulo 1, estes foram definidos em
função da redução de consumo de energia, de água e de emissões de CO 2eq, e comparados a um
valor médio de consumo por habitante europeu.
115 |
Capítulo 4
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
116 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Desenvolvimento da Gestão do Projecto Sustentável (GPS)
CAPÍTULO 5 – DESENVOLVIMENTO DA GESTÃO DO PROJECTO SUSTENTÁVEL (GPS)
5.1
Introdução
Enquadrado no primeiro objectivo proposto deste trabalho, este capítulo vêm retratar o
desenvolvimento do GPS (Gestão do Projecto Sustentável). Este projecto realizou-se em
conformidade com as necessidades e objectivos da empresa Chamartín Imobiliária, e no intuito de
identificar, monitorar e comunicar as práticas de sustentabilidade aplicadas ao empreendimento.
O GPS é uma ferramenta (em contínuo processo de melhoria) desenvolvida no âmbito deste
trabalho, juntamente com as equipas internas (colaboradores da empresa), e cujo objectivo foi
disseminar os critérios abrangidos por diferentes ferramentas voluntárias de sustentabilidade na
117 |
Capítulo 5
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
construção (nomeadamente BREEAM, SBTool, LIDERA, LEED). Por outro lado, o GPS também é
resultado da experiência adquirida pela empresa e "stakeholders" envolvidos na construção de um
empreendimento. (Actualmente, somente as versões do BREEAM - Retail, Ecohomes e escritórios encontram-se disponíveis para consulta).
Tratando-se de uma ferramenta informática de fácil visualização, e do tipo “user friendly”, o GPS
identifica os critérios – chave sustentáveis que devem ser seguidos (sempre que possível) pelas
diversas especialidades do projecto envolvidas num determinado empreendimento, durante as
diferentes fases do ciclo de vida de um empreendimento (prospecção, concepção, projecto,
construção e operação). Enumeram-se a seguir os principais objectivos desta ferramenta
informática (Chamartín Imobiliária, 2008):

Preparação dos empreendimentos para a Certificação Voluntária da Sustentabilidade;

Minimização dos impactes negativos, sociais, ambientais e económicos na promoção
imobiliária;

Minimização de custos de operação e manutenção;

Identificação, analisa e avaliação das medidas de sustentabilidade aplicáveis a cada fase
de projecto;

Identificação das responsabilidades de cada especialidade no âmbito da Sustentabilidade;

Envolvimento dos parceiros no desenvolvimento de práticas Sustentáveis nos projectos;

Actualização permanente das soluções.
Para o desenvolvimento do GPS, além da utilização de ferramentas voluntárias de sustentabilidade,
contou-se com a formulação preliminar do "Guião para a Construção Sustentável", que a seguir será
apresentado.
5.2
“Guião para a Construção Sustentável”- Guia Geral (Base preliminar do GPS)
O “Guião para a Construção Sustentável” é composto aproximadamente por 400 medidas de
sustentabilidade, que foram compiladas a partir de manuais de sustentabilidade existentes 17 para
17
Manuais de referência utilizados:
 Ministry of Transport, Building and Housing (2001). Guideline for Sustainable Building.
Alemanha.
 Pentagon Renovation and Construction Program Office et. al (2004). Field Guide for Sustainable
Construction. USA
 Abraham L.E. et. al. (1996). Sustainable Building Technical Manual.USA: Public Technology,
INC.
118 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Desenvolvimento da Gestão do Projecto Sustentável (GPS)
além de Ferramentas de avaliação de sustentabilidade. No entanto, além das adaptações à
realidade Portuguesa, a estruturação do Guião, conforme mencionado no capítulo anterior,
encontra-se organizada por categorias e fases de empreendimento.
As categorias, bases para a sustentabilidade, consideradas no guião são as seguintes (ver no
anexo II): Biodiversidade e Uso do solo, Gestão de Energia, Gestão da Água, Gestão dos Materiais,
Recursos e Resíduos (esta categoria será abordada no GPS em duas categorias diferentes, em
Gestão dos Materiais e em Gestão dos Resíduos) e por fim, Qualidade do Ambiente Interior (QAI).
Posteriormente, foram acrescentadas novas categorias, sendo depois devidamente adaptadas às
necessidades da empresa e inseridas no GPS. Estas são as seguintes: Qualidade do Ambiente
Exterior, Bem-estar Social, Crescimento Económico e Envolvimento das Partes Interessadas.
Quanto à organização do Guião, definidas por fases de empreendimento, justifica-se pelo facto da
maioria das acções a ser implementadas num empreendimento, ocorrerem em fase de projecto.
Assim verifica-se, conforme demonstrado por diversos estudos, que quanto mais atempadamente
as medidas de construção sustentáveis forem incorporadas em fase de projecto, menores serão os
encargos para a sua efectiva implementação. Através do próprio Guião, verificou-se que mais de
60% das acções de sustentabilidade estavam definidas para a fase de concepção e de projecto.
Assim, as fases de empreendimento que foram inicialmente trabalhadas no Guião, são as
seguintes: Fases de concepção, projecto, construção e utilização. No entanto, e posteriormente no
GPS, bem como para o devido enquadramento do trabalho realizado pela empresa financiadora,
acrescentou-se a Fase de prospecção, que se define como a fase preliminar que corresponde à
escolha e análise do terreno.
Após a definição da estrutura do guião, serão apresentados os principais objectivos de cada
categoria contemplada neste projecto.
5.2.1
Definição das categorias contempladas no Guião.
De seguida, apresentam-se as categorias que representam as bases fundamentais para uma
construção sustentável, conforme contemplado em diferentes manuais e ferramentas de avaliação
de sustentabilidade. As categorias a seguir analisadas são as seguintes:


High Performance School (2002). Best Practices Manual- volume II. Califórnia. Informação
disponível online em: [ http://www.chps.net/dev/Drupal/node], em 20/05/2005.
Stanford University (2002). The Guideline for Sustainable Buildings. Califórnia: Environmental
Stewardship Committee1.
119 |
Capítulo 5
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
Uso do Solo e Biodiversidade – Esta categoria tem como objectivo criar equilíbrio e sinergia entre o
projecto e a sua envolvente, através do levantamento das características ecológicas locais e da
identificação de meios para a sua melhor integração. A proposta é diminuir o impacte ambiental
local, contribuindo para manter e eventualmente aumentar o número de espécies (flora e fauna) e
para beneficiar a qualidade de vida humana, privilegiando zonas degradadas para incremento do
seu valor ecológico. As acções chaves são:

Criação de um plano de selecção de terrenos e definição de acções para a sua integração;

Desenvolvimento de projectos em áreas de “Brownfield”ou de baixo valor ecológico;

Conservação de áreas verdes e incentivo à criação de outras formas de integração
(definição de corredores verdes);

Integração de espaços verdes e de áreas permeáveis no plano do projecto;

Enfoque e desenvolvimento em cidades já existentes.
Gestão de energia – Nesta categoria pretende-se promover a eficiência energética e a redução das
emissões associadas. A sustentabilidade é, muitas vezes, confundida com a sustentabilidade
energética. Apesar de o argumento ser controverso, pode admitir-se que os seus resultados são os
principais factores de disseminação da construção sustentável. Isto, pelo facto desta categoria ser
um dos elementos balizadores, facilmente quantificáveis e com resultados positivos a curto ou
médio prazo (dependendo das medidas, o retorno do investimento poderá ser bastante reduzido).
Algumas das acções a ter em atenção são as seguintes:

Redução dos consumos energéticos nos edifícios, através da introdução de medidas
solares passivas relacionadas com a análise das características térmicas dos materiais
aplicados na construção, com a orientação solar, com o factor de forma do edifício, com o
controlo da ventilação e iluminação natural, entre outras;

Utilização de recursos de simulação energética, a fim de verificar ainda em projecto o
comportamento térmico previsível do edifício e encontrar as possíveis soluções construtivas
para adequada minimização dos consumos;

Redução do consumo de energia, através de medidas solares activas, como seja a escolha
de iluminação, sistema de climatização e equipamentos eficientes, bem como, o
desenvolvimento de estratégias para utilização de energias alternativas;

Monitorização dos consumos e definição de medidas de melhoria como a criação de um
“manual do utilizador”, elemento fundamental para a concretização dos benefícios
energéticos, durante a fase de utilização.
120 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Desenvolvimento da Gestão do Projecto Sustentável (GPS)
Gestão da água – O principal objectivo para a gestão adequada da água, prende-se com a
minimização do consumo de água potável e seus efluentes (que poderá afectar a qualidade das
águas freáticas e superficiais). Assim como a gestão energética, esta medida é também um dos
factores aliciantes na disseminação da sustentabilidade. Além da potencialidade de ser
quantificável, o investimento inicial das medidas a serem implementadas revela-se relativamente
económica e o retorno do investimento bastante reduzido. Entre as oportunidades para adequada
gestão da água destacam-se as seguintes:

Minimizar a utilização da água através de um plano de conservação e de sua gestão
eficiente, principalmente durante as fases de construção e utilização;

Reaproveitar as águas pluviais /cinzentas, principalmente para a rega, sanitas e outros
consumos não humanos, de forma a minimizar o uso de água potável;

Incentivar a utilização de equipamentos eficientes;

Incentivar a utilização de materiais permeáveis (áreas externas / coberturas), a fim de evitar
poluição da água da chuva durante o escoamento em zonas permeáveis. Esta acção
também contribuirá para a redução do “efeito de estufa”, causado pela utilização excessiva
de materiais impermeáveis e com reduzida reflexividade. Verifica-se desta forma um
contributo desta acção para outras categorias como a Qualidade do Ar Exterior e Energia
(através da redução da temperatura envolvente, reduz-se a necessidade de arrefecimento)
e para a gestão das matérias (através de uma escolha mais adequada);

Controlar e minimizar perdas de água, através de detectores de fuga, sistemas de corte e
detectores de presença;

Incentivar a utilização de plantas nativas, que consumam menos água do que as plantas
exóticas.
Gestão dos materiais e dos recursos – A escolha dos materiais é determinante para diferentes
factores de qualidade interior, para a manutenção e para o fim de vida dos materiais. Apesar da
complexa quantificação, devido à diversidade de materiais existentes e das reduzidas informações
dos seus fabricantes, estes possuem elevada responsabilidade nas emissões de CO 2eq. Entre as
acções a ter em atenção durante a escolha dos materiais, destacam-se as seguintes:

Seleccionar materiais com alta performance em uso e com mínimo impacte ambiental em
fases de fabricação e transportes;
121 |
Capítulo 5
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento

Seleccionar materiais com reduzida energia incorporada (gCO2 por m2), que poderão ser
avaliados através de Ferramentas de análise do ciclo de vida; (ver denominação no capítulo
2 , secção 2.2.2)

Ponderar a “mochila ecológica” do material final, isto é, a quantidade (em Kg) de material
movido para obter 1Kg do recurso desejado;

Maximizar a utilização de materiais renováveis, reciclados e certificados;

Minimizar a utilização de materiais tóxicos;

Desenvolver sistemas construtivos que favoreçam o menor desperdício de materiais, tais
como materiais estandardizados e pré-fabricados.
Gestão dos resíduos – Esta categoria pretende fomentar o encaminhamento dos resíduos para a
reutilização, de forma a promover o adequado ciclo de vida dos recursos. Conforme mencionado no
segundo capítulo, o resíduo não deve ser visto como o fim de um ciclo, mas como oportunidade de
transformação num novo recurso. Além dos benefícios ambientais e sociais associados à
minimização dos resíduos, na vertente económica, esta categoria aplicada, por exemplo, a grandes
superfícies comerciais reflecte-se na redução dos encargos associados às taxas de deposição de
resíduos em aterros sanitários. Torna-se importante ressalvar que actualmente os encargos
associados à reciclagem são bastante mais reduzidos do que os encargos associados à incineração
e à colocação em aterros sanitários.
Entre os meios de actuação, destacam-se abaixo medidas de projecto que deverão ser
contempladas. No entanto, a educação ambiental e a boa conduta dos usuários dos edifícios são as
principais iniciativas para obter o sucesso e o resultado esperado com esta categoria. As medidas
de projecto são:

Definir espaços em projecto que privilegiem a correcta separação dos resíduos, quer
durante a construção, quer durante a utilização dos edifícios;

Privilegiar a reutilização (em primeiro lugar) e a reciclagem (em segundo lugar) sempre que
possível;

Promover a valorização orgânica, através da separação de resíduos orgânicos em locais
refrigerados, revestidos com material lavável e com pontos de água disponíveis;

Promover sessões de formação para os utilizadores do edifício.
Qualidade do Ambiente Interior (QAI) – A qualidade e o conforto do ocupante do edifício tem-se
reflectido directamente na sua produtividade. Cada vez mais esta afirmação tem sido estudada e
122 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Desenvolvimento da Gestão do Projecto Sustentável (GPS)
comprovada. Quer o conforto acústico, quer o conforto térmico, visual e de qualidade do ar interior,
são temas que devem ser tratados nesta categoria, devendo ser analisados, caso a caso, conforme
a actividade e o espaço. As medidas a tomar são as seguintes:

Monitorizar e evitar a reduzida qualidade do ar interior durante a renovação, demolição e
actividades de construção;

Assegurar adequado nível de iluminação natural, favorável às actividades de trabalho;

Assegurar adequado conforto acústico e isolamento de ruídos interiores e exteriores;

Providenciar medidas de controlo da iluminação e sistemas AVAC. Prever em projecto a
fácil manutenção e substituição de sistemas e materiais;

Projectar ambientes que aumentem o conforto, a performance e a produtividade;

Minimizar a utilização de materiais tóxicos.
Qualidade do Ambiente Exterior (QAE) – Esta categoria reúne as medidas que visem minimizar a
poluição que pode ser emitida por um empreendimento e que pode afectar a comunidade
envolvente, quer na fase de construção, proveniente de ruído e poeiras, quer durante a sua
utilização, causada pela deslocação dos seus utilizadores em diferentes meios de transportes e
pelas emissões de sistemas e equipamentos instalados no edifício. Entre as boas práticas que
poderão ser efectuadas destacam-se as seguintes:

Incentivar a utilização de energias obtidas por fontes renováveis, quer através de produção
local, quer através das energias “verdes” adquiridas através da rede;

Minimizar eventuais ruídos provocados por equipamentos e que possam afectar a
população envolvente;

Minimizar a poluição visual nocturna, que possa afectar a flora e fauna local, através da
escolha adequada do tipo e direcção da iluminação, e ajustando os horários de
funcionamento.
Bem-estar Social – No caso dos edifícios comerciais (tipologia que será analisada neste trabalho)
esta categoria foi adicionada ao GPS, de forma a promover a interacção e a sinergia entre o
promotor do empreendimento e os diferentes intervenientes locais, ou seja, os visitantes, a
comunidade local e organizações não governamentais. É importante reconhecer o papel das
grandes superfícies comerciais na promoção da verdadeira dinâmica social local. Ou seja, a
responsabilidade social deve ser vista como elemento chave da sustentabilidade a ser promovido,
123 |
Capítulo 5
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
nos casos das tipologias que envolvam e que possam influenciar uma mudança local. Podem
destacar-se as seguintes acções:

Identificar carências na comunidade local, para, de forma incisiva responder às
necessidades concretas dos “stakeholders” locais.

Promover o bem-estar social e criar dinâmicas entre operadores (lojistas), visitantes
(clientes) e comunidade local.
Crescimento económico – Sendo uma das vertentes da sustentabilidade, o vector económico não
poderia deixar de ser mencionado. Não se pode promover a construção sustentável desvinculando
a temática financeira, porque esta é, actualmente, o principal factor determinante para a introdução
da sustentabilidade na construção por parte dos promotores e dos investidores imobiliários.
Envolvimentos das partes interessadas – Todas as acções sustentáveis, que sejam efectuadas num
edifício, devem ser devidamente transmitidos aos diferentes “stakeholders” do edifício. A
participação e os contributos dos utentes do edifício, durante a fase de utilização, são fundamentais
para o sucesso e adequado desempenho dos mesmos. Das medidas a implementar, tendo em
conta as actividades envolventes de uma superfície comercial, destacam-se como boas práticas, as
seguintes medidas já implementadas pela Empresa Chamartín:

Preparação do Manual do Operador, onde se evidenciam informações gerais, contactos,
medidas de segurança, referências às medidas ambientais introduzidas em projecto, e
contributos necessários para o bom funcionamento do estabelecimento.

Divulgação das metas ambientais e dos resultados mensais obtidos a todos os visitantes e
trabalhadores dos Centros Comerciais;

Organização de conferências sobre os temas de sustentabilidade abrangendo todos os
Centros Comerciais em Gestão (em Operação);

Realização de reuniões para a prestação de informações e esclarecimentos conceptuais e
técnicos em relação às diversas especialidades e empreiteiros, de forma a assegurar a
correcta integração e continuidade no envolvimento (e participação) no domínio das
diferentes práticas sustentáveis.

Realização de acções de sensibilização ambiental para todos os operadores e prestadores
de serviço, equipas de gestão dos Centros e Gestão dos Projectos.
124 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Desenvolvimento da Gestão do Projecto Sustentável (GPS)
5.2.2
Resultados obtidos com o GPS.
Com base no trabalho anteriormente efectuado, e onde se incluem os critérios definidos por
ferramentas voluntárias de sustentabilidade, o passo seguinte foi promover reuniões internas na
empresa com especialistas (nomeadamente engenheiros e arquitectos). Nesta fase, o objectivo
passava por discutir e classificar os diferentes critérios em função da fase do empreendimento em
que estes critérios melhor se enquadravam, bem como, quem deveria ser o responsável pela sua
implementação.
Após a finalização desta etapa, o passo seguinte contou com o apoio do sector de informática para
desenvolvimento da programação final e sua aplicação na intranet. O resultado (apesar de ainda
bastante incipiente) demonstrou ser bastante satisfatório, como se poderá verificar a seguir.
A principal característica da referida ferramenta foi a sua facilidade na identificação de critérios de
sustentabilidade, através de diferentes perspectivas que poderão ser filtradas por (ver tabela 5.1):

Fases de Projecto (prospecção, concepção, projecto, construção e operação);

Por ferramenta Voluntária de Sustentabilidade (BREEAM, SBTOOL, LIDERA, LEED);

Por especialidades do projecto (arquitectura, energia, paisagismo, AVAC, água e esgotos,
segurança, promotor, etc. …);

Por categorias de interesse (energia, materiais, água, bem-estar social…).
Tabela 5.1 - Elementos chaves que poderão ser analisadas no GPS.
Ferramenta
Fases do Projecto
Especialidades
Categorias
BREEAM
Prospecto
Arquitec. conceito
Biodiversidade
SBTool
Concepção
Arquitec. execução
Energia e impacte
LiderA
LEED
outros
Projecto
Construção
Gestão
Estrutura
Gás
Águas e esgotos
AVAC
Electric. e telecom.
Acústica
Térmica
Água e impacte
Materiais, recursos e resíduos
Qualidade do Ambiente Interior
Qualidade do Ambiente Exterior
Bem-estar social
Cresc. Económico
Envolvimento das partes
Segurança
Paisagismo
Energias
Promotor
O GPS, que se encontra disponível na "Artnet" (intranet da empresa) para todos os colaboradores e
gestores de projecto, tornou-se num importante mecanismo de divulgação e de participação entre
os "stakeholders" da empresa. Ou seja, no decorrer das diferentes fases de desenvolvimento do
projecto, o gestor de projecto (colaborador da empresa) poderá consultar no GPS os critérios que
125 |
Capítulo 5
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
poderão ser contemplados pelas diferentes especialidades, ou mesmo, identificá-las através das
diferentes categorias da sustentabilidade. A consulta ao GPS poderá ser bastante específica, e tal
como se pode verificar nas figuras abaixo referidas, os resultados da consulta podem ser impressos
e distribuídos pelo gestor do projecto durante o desenvolvimento do empreendimento.
A seguir apresenta-se o procedimento aplicado para utilização do GPS. O exemplo abaixo refere-se
aos procedimentos de entrada no site (acesso restrito aos colaboradores da empresa) e que poderá
ocorrer directamente através da página principal da empresa (ArtNET) para utilização geral (Figura
5.1), como também identificada por empreendimento, tal como poderá se verificar na figura 5.2.
Figura 5.1- Página principal para visualização da Ferramenta informática GPS.
Figura 5.2- Entrada alternativa para o GPS através dos diferentes empreendimentos da empresa.
Na página principal, poder-se-á realizar a análise de sustentabilidade através das três diferentes
áreas de negócios da empresa (Retail, Residencial e Corporate), conforme se observa na figura 5.3.
Esta diferenciação serem por área de negócio deve-se ao facto de na maioria das ferramentas de
sustentabilidade são definidos critérios diferenciados em função da tipologia do edifício.
126 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Desenvolvimento da Gestão do Projecto Sustentável (GPS)
Figura 5.3- Selecção dos critérios de sustentabilidade através das diferentes áreas de negócios.
A seguir apresenta-se um exemplo de utilização aplicado a um dos empreendimentos (Dolce Vita
Braga), e onde se estabeleceu uma escolha de filtros por fases (ver figura 5.4) e por especialidades
(ver figura 5.5).
Figura 5.4 - Análise de sustentabilidade através da escolha de filtros por fases do empreendimento.
127 |
Capítulo 5
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
Figura 5.5 - Análise de sustentabilidade através da escolha de filtros por especialidade.
Na figura a seguir apresenta-se o resultado admissível ao analisar os critérios da ferramenta
BREEAM, e que se aplicam ao seguinte cenário:

Área de negócio: Retail

Fase do empreendimento: Projecto

Especialidade do projecto: Gás

Categoria a ser analisada: todas
Figura 5.6- Resultado obtido no GPS, através de escolhas de filtros.
O GPS tem sido uma ferramenta bastante útil para a promoção e divulgação de boas práticas nos
projectos da empresa. O próximo desafio será conjugar os critérios de sustentabilidade
128 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Desenvolvimento da Gestão do Projecto Sustentável (GPS)
estabelecidos com as possíveis soluções necessárias para alcançar a excelência do projecto
através o cumprimento destes critérios.
Neste sentido, além da apresentação de possíveis soluções de mercado, serão apresentadas
estimativas orçamentais aproximadas, bem como uma aplicação prática em relação a um dos
empreendimentos da empresa.
129 |
Capítulo 5
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
130 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Descrição dos edifícios de referência e caso e estudo
CAPÍTULO 6 - DESCRIÇÃO DOS EDIFÍCIOS DE REFERÊNCIA E CASO DE ESTUDO.
6.1
Introdução
Os centros comerciais tendem a produzir um relevante impacte na “Triple bottom line” (base da
sustentabilidade), ou seja, relativamente aos vectores económicos, sociais e ambientais. Desde os
anos oitenta, observa-se um rápido crescimento no número de centros comerciais em Portugal, o
que tem gerado mudanças significativas na realidade nacional, quer sejam de forma imediata e
directa, quando interagem com a localidade onde os Centros Comerciais se encontram inseridos,
quer de forma indirecta, quando interferem na própria alteração dos hábitos dos portugueses (Jesus
L., Almeida M. e Almeida A.C., 2007).
131 |
Capítulo 6
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
Estas mudanças poderão ter efeitos significativos nas três vertentes (Jesus L., Almeida M. e
Almeida A.C., 2007):
- Na vertente ambiental, observa-se:

Elevada utilização de recursos naturais, uso do solo e alteração da biodiversidade local e
impactes causados durante a construção e utilização dos centros comerciais;

Transformação de áreas permeáveis em grandes superfícies impermeáveis;

Aumento da poluição gerada no transporte de materiais de construção;

Elevado consumo de energia (principalmente relacionado com iluminação e arrefecimento,
que representam 80% do consumo de energia, verificado nos centros comerciais);

Aumento da poluição gerada pela deslocação de trabalhadores e visitantes aos centros
comerciais, bem como pelo transporte de mercadorias;

Aumento da produção de resíduos durante as fases de construção e utilização.
- Na vertente económica e social, admite-se:

Alteração e aumento do tráfego viário;

Existência de um elemento âncora na definição/redefinição de espaços construtivos e
urbanos;

Desenvolvimento económico da sua envolvente;

Geração de emprego;

Possibilidade de empreender modelos inovadores de gestão urbana, bem como dinamizar
projectos de cooperação institucional e parcerias estratégicas para a criação de nichos
urbanos sustentáveis;

Existência de locais com visibilidade para a divulgação de boas práticas ambientais e de
sustentabilidade.
6.2
Descrição dos edifícios de referência
A seguir será feita uma breve descrição das principais características dos edifícios de referência,
onde se destacam as seguintes informações:

Informações gerais dos edifícios de referência, onde se incluem informações do projecto e
áreas correspondentes.
132 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Descrição dos edifícios de referência e caso e estudo

Características construtivas dos diferentes centros comerciais (CC).

Características das instalações, bem como os principais consumos associados, nos
diferentes CC.
6.2.1
Informações gerais dos edifícios de referência.
DVD – Centro Comercial Dolce Vita Douro (DVD). Este CC foi inaugurado em 2004 e localiza-se na
nova zona de expansão de Vila Real (Lugar da Guia – S. Pedro), junto à Universidade de Trás os
Montes e Alto Douro (Ver figura 6.1 e 6.2).
Figura 6.1 – Entrada Principal do DVD
Figura6.2 – Planta do Piso 1 do DVD (Entrada principal)
Fundamentalmente, o edifício desenvolve-se em seis pisos. O espaço destinado às lojas, define-se
entre os pisos 1 e 2 (incluindo cinemas e restauração) e o piso 0 comporta o Hipermercado e as
133 |
Capítulo 6
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
pequenas lojas. Nos dois pisos inferiores (pisos -1 e -2) encontram-se os estacionamentos, e para
finalizar, o piso 3 comporta as áreas de administração, balneários e WC`s da restauração e as salas
técnicas. Uma das características que diferencia este edifício dos restantes Centros Comerciais, é o
facto de este edifício ter sido uma reestruturação de uma construção abandonada e inacabada, o
que resultou num aproveitamento de aproximadamente 25% da estrutura existente (estrutura de
betão pré-fabricada).
O regime de funcionamento do Centro Comercial efectua-se entre as 9h e as 23h, sendo a abertura
das 130 lojas somente a partir das 10h.
DVC- Centro Comercial Dolce Vita Coimbra (DVC). Este CC foi inaugurado em Abril de 2005 e
localiza-se em Celas, Distrito de Coimbra, Portugal (ver figura 6.3 e 6.4). Encontra-se localizado em
zona urbana desenvolvida, com muito bons acessos e transporte público.
O centro comercial, localizado entre o Estádio de Coimbra e um conjunto de edifícios de escritórios
e residenciais, é definido por quatro pisos de lojas (dois abaixo e dois acima do nível da rua) e um
“mezzanino” com dois restaurantes. Quanto aos estacionamentos públicos, estes encontram-se
intercalados com os pisos das lojas, distribuídos em 4 diferentes pisos, contabilizando no total 2.700
vagas de estacionamento para os visitantes. O horário de funcionamento das 115 lojas define-se
entre as 8h30 e as 24h, sendo o horário de abertura ao público somente a partir das 10h.
Figura 6.3 – Entrada principal do DVC
134 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Descrição dos edifícios de referência e caso e estudo
Figura 6.4 – Planta do Piso 2 do DVC (Entrada principal).
DVP- Centro Comercial Dolce Vita Porto (DVP). Este CC foi inaugurado em Maio de 2006 e localizase nas Antas - Distrito do Porto, Portugal (ver figura 6.5 e 6.6). Assim como o DVC, encontra-se em
área urbana bastante desenvolvida, possui bons acessos viários e meios de transporte público
bastante diversificados (inclusive metro à porta).
Fundamentalmente, este Centro Comercial define-se por 4 pisos de ABL (Área Bruta Locável),
sendo 3 pisos de lojas (pisos 1,2 e 3) e um piso ocupado por restaurantes e cinemas (piso4). O
hipermercado, bem como algumas lojas, funcionam no piso 0, e o estacionamento encontra-se
distribuído entre os pisos das lojas, com excepção do piso 0 e 4, sendo este constituído por pisos
intermediários (1A, 1B, 2A, 2B, 3A, 3B).
O regime do funcionamento das 119 lojas efectua-se entre as 9h e 24h, sendo o horário de abertura
ao público somente a partir das 10h.
135 |
Capítulo 6
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
Figura 6.5 – Vista do DVP da VCi (Via de cintura interna)
Figura 6.6 - Planta do piso 1 do DVP (Entrada principal).
Através da análise da tabela 6.1, poderá observar-se a subdivisão das áreas nos três Centros
Comerciais, com base nas diferentes tipologias e repartições comuns num Centro Comercial.
Tabela 6.1 – Definição das áreas por funcionalidade, nos três centros comerciais de referência.
DVD
DVC
DVP
Área
%
Área
%
Área
%
ABL (Área Bruta Locável)
30.214
38,1%
38.055
33,9%
39.000
33,2%
Mall
8.448
10,7%
9.003
8,0%
13.456
11,5%
Cais de carga e descarga
2.660
3,4%
2.809
2,5%
1.547
1,3%
Corredores técnicos
6.011
7,6%
5.074
4,5%
7.537
6,4%
WCs
568
0,7%
962
0,9%
961
0,8%
Administração
928
1,2%
318
0,3%
667
0,6%
Estacionamento
30.393
38,4%
55.596
49,5%
54.344
46,2%
total das áreas analisadas
79.222
100%
111.817
100%
117.512
100%
136 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Descrição dos edifícios de referência e caso e estudo
Através das figuras 6.7, 6.8 e 6.9, pode observar-se que, nos três centros comerciais, as áreas mais
expressivas são os estacionamentos (espaços não climatizados) e as áreas reservadas para as
lojas (cujas escolhas dos equipamentos e de iluminação são da responsabilidade dos futuros
operadores). Ou seja, uma grande parte das acções de melhoria do desempenho promovidas nos
edifícios de referência, e que serão analisadas mais à frente, foram realizadas nos espaços geridos
pelo promotor, sendo as áreas comuns e de estacionamento, em cerca de 20% e 45% da área total
do empreendimento, respectivamente. Ressalva-se que no caso dos estacionamentos, os elevados
consumos relacionados com a iluminação e ventilação mecânica foram os principais enfoques de
acção para a definição de estratégias de melhoria.
DVD
ABL (Área Bruta
Locável) 38%
Estacionamento
38%
Administração
1%
Mall 11%
WCs 1%
Cais de carga e
descarga 3%
Corredores
técnicos 8%
Figura 6.7 – Áreas por funcionalidade do DVD.
DVC
ABL (Área Bruta
Locável) 34%
Estacionamento
50%
Mall 8%
Administração
1%
WCs 1%
Corredores
técnicos 5%
Cais de carga e
descarga 2%
Figura 6.8 – Áreas por funcionalidade do DVC.
137 |
Capítulo 6
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
DVP
ABL (Área Bruta
Locável) 33%
Estacionamento
46%
Mall 12%
Administração
1%
Cais de carga e
descarga 1%
Corredores
técnicos 6%
WCs 1%
Figura 6.9 – Áreas por funcionalidade do DVP.
6.2.2
Características Construtivas
Os três centros comerciais são definidos por soluções construtivas bastante semelhantes (com
excepção do elemento estrutural e do revestimento exterior aplicado ao DVC; proporcionando assim
melhores condições de conforto térmico quando comparado com os restantes). As características
construtivas dos três casos de estudo, poderão ser abaixo evidenciadas na tabela 6.2, através dos
principais materiais utilizados:
Tabela 6.2 – Principais características construtivas dos três edifícios de referência.
Materiais na essência
mais evidenciados
DVD
DVC
DVP
- (20% a 25%) em betão préfabricado
(reaproveitadas da antiga
contrução)
Estrutura:
- Estrutura metálica e estrutura
de betão fungiforme nos
- Betão armado betonado em
- Betão armado betonado em situ estacionamentos.
situ
Revestimento exterior
- Fachada Sul: Parede dupla:
Bloco de betão+isolamento
+caixa de ar + bloco de betão.
- Restantes Fachadas: Fachada
ventilada: alvenaria + poliestireno
- Fachada com painéis pre
extrudido+ caixa de ar e granito
fabricados ( alvenaria+ poliestireno flamejado ou painéis de
extrudido + painéis de betão
"sanduíche" de alumínio (tipo
agrafados).
Alucobond)agrafados.
- Fachada com painéis pre
fabricados ( alvenaria+
poliestireno extrudido + painéis
de betão agrafados).
Divisórias entre lojas:
- Blocos de Betão
- Blocos de Betão
- Blocos de Betão
Divisórias entre corredores
técnicos:
- Blocos de Betão
- Blocos de Betão
- Blocos de Betão
Cobertura:
138 |
- Estrutura Metálica revestida com
PVC e isolamento térmico na face
superior e lateral e inferiormente
em Alucobond, com 3 clarabóias
sobre o mall
- Cobertura plana: Betão
- Cobertura plana: Betão
armado+ LECA+ betume+lâmina armado+ LECA+ betume+lâmina
alveolada com geotextil+
alveolada com geotextil+
microbetão.
microbetão.
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Descrição dos edifícios de referência e caso e estudo
Tabela 6.2(cont.) – Principais características construtivas dos três edifícios de referência.
Materiais na essência
mais evidenciados
DVD
DVC
DVP
Pavimento do mall:
- Terrazzo
- Terrazzo
Tecto do Mall
- Tecto falso de gesso cartonado
- Tecto falso de gesso
- Tecto falso de gesso cartonado cartonado
Fachadas de Vidro e
clarabóias:
- Caixilharia de alumínio c/
- Caixilharia de alumínio com
- Caixilharia de alumínio com corte ruptura + vidro duplo transparente corte térmico + vidro duplo
térmico+ vidro duplo
/ ou serigrafado.
transparente/ colorido
6.2.3
- Terrazzo
Características das instalações
É também importante conhecer as principais necessidades energéticas dos edifícios de referência e
os principais equipamentos utilizados para o seu adequado funcionamento. Na tabela 6.3,
identificam-se os principais equipamentos que foram instalados nos três diferentes centros
comerciais e nas figuras 6.10, 6.11 e 6.12, é possível observar as repartições energéticas
reportadas durante auditoria realizadas em 2006 e 2007.
Tabela 6.3 - Relação dos principais equipamentos utilizados nos três edifícios de referência (Fonte: A. Ramalhão, 2007).
Principais equipamentos
utilizados
DVD
DVC
DVP
- UTAN (Unidade de tratamento de ar
- UTAs (Unidade de tratamento de ar) 100% ar novo).
- UTAs (Unidade de tratamento de ar)
Climatização
Iluminação
Transporte vertical
- Arrefecimento: Chillers / Bancos de
Gelo e Permutadores de Calor.
- Arrefecimento: Chillers / Bancos de
Gelo e Permutadores de Calor.
- Estacionamento: Sistemas de
ventilação e desenfumagem.
- Estacionamento: Sistemas de
ventilação e desenfumagem.
- Arrefecimento: Chillers / Bancos de
Gelo e Permutadores de Calor.
- Estacionamento: Sistemas de
ventilação e desenfumagem.
- Aquecimento: Caldeira (gás natural) - Aquecimento: Caldeira (gás natural)
- Areas Comuns: Iodetos Metálicos +
fluorescentes tubulares com
balastros. (Excepto: Iluminação
decorativa)
- Areas Comuns: Iodetos Metálicos +
fluorescentes tubulares com
balastros(Excepto iluminação
decorativa).
- Areas Comuns: Iodetos Metálicos +
fluorescentes tubulares com
balastros (Excepto iluminação
decorativa)
- Estacionamento: fluorescentes
tubulares com balastros.
- Estacionamento: fluorescentes
tubulares com balastros.
- Estacionamento: fluorescentes
tubulares com balastros.
- 8 Montacargas,
- 7 Montacargas,
- 8 Montacargas,
- 2 elevadores,
- 4 elevadores,
- 8 elevadores,
- 4 tapetes com regulador de
velocidade,
- 4 tapetes com regulador de
velocidade,
- 6 tapetes com regulador de
velocidade,
- 12 escadas rolantes com regulador
de velocidade
- 10 escadas rolantes com regulador
de velocidade
- 10 escadas rolantes com regulador
de velocidade
- Bombas de água da rede ( c/
variadores de velocidade)
Outros
- Bombas de água da rede ( c/
variadores de velocidade)
- Bombas de água da rede ( c/
variadores de velocidade)
- Bombas das águas residuais,
- Bombas das águas residuais,
- Bombas das águas residuais,
- Bombas de água da rede de
incêndio.
- Bombas de água da rede de
incêndio.
- Bombas de água da rede de
incêndio.
- Bombas de circulação de água da
fonte luminosa
OBS: (Grande maioria dos sistemas são controlados pelo GTC (Gestão técnica centralizada).
139 |
Capítulo 6
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
Nas figuras abaixo, observa-se que grande parte dos consumos, durante a fase de utilização de um
centro comercial, está associado à climatização e à iluminação. Com excepção da climatização, os
valores abaixo representados, revelam os consumos somente de áreas comuns. Este facto justifica
em grande parte o elevado consumo associado à climatização, que representa o consumo de áreas
comuns e das lojas. O mesmo aconteceria, se fosse considerado a Iluminação das lojas, a sua
repartição seria relevantemente superior.
Transporte
vertical
2%
DVD
Outros
11%
Iluminação
27%
Climatização
60%
Figura 6.10 - Repartição do consumo de energia do DVD (áreas geridas pelo promotor) (Fonte: A.Ramalhão, 2006)
Transporte
vertical
2%
Outros
4%
DVC
Iluminação
33%
Climatização
61%
Figura 6.11- Repartição do consumo de energia do DVC (áreas geridas pelo promotor) (Fonte: A. Ramalhão, 2007)
Transporte
vertical
2%
Outros
7%
DVP
Iluminação
25%
Climatização
66%
Figura 6.12- Repartição do consumo de energia do DVP (áreas geridas pelo promotor) (Fonte: A. Ramalhão, 2007)
6.3
Análise do desempenho dos edifícios
A análise dos edifícios de referência iniciou-se em meados de 2005 e desde então, foram
mensalmente controlados no âmbito da política ambiental e de sustentabilidade entretanto adoptada
pela empresa. No entanto, neste estudo, apenas serão analisados os anos de 2006 e 2007, pois
são os anos que coincidem com a calendarização do trabalho. São os anos relativamente aos quais
140 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Capítulo 6
Descrição dos edifícios de referência e caso e estudo
se obtiveram as informações mais precisas para a comparação entre períodos homólogos, além
disso, somente a partir de 2006 é que se passou a reportar o número de visitantes por mês.
No documento do anexo III com a referência “Desempenho Ambiental”, poderão ser verificados os
trabalhos de acompanhamento ambiental realizados nos três Centros Comerciais em anos
consecutivos (2006/2007).
Conforme anteriormente mencionado, após a descrição das características dos edifícios, foi
realizada uma inventariação dos impactes dos edifícios de referência durante a fase de gestão,
como sejam, a identificação dos consumos directos e indirectos de energia e água, a produção e
encaminhamento adequado dos resíduos e por fim as emissões de CO2eq.
Todas as informações recolhidas foram reportadas de forma ordenada para o seu devido controlo e
monitorização, para além da definição de indicadores com base no seu consumo por áreas comuns
e consumo por visitantes (que também são controlados diariamente). Estas informações foram
reportadas mensalmente e organizadas numa folha de cálculo, conhecida por desempenho
ambiental, conforme poderá ser verificado na figura 6.13.
Dados Gerais
Desempenho (Ambiental e económico) de (Ano)
(Nome do CC)
Dados Gerais
(Ano)
Mall
ABL
Janeiro
Fevereiro
Março
Abril
Maio
Junho
Julho
Agosto
Setembro
Outubro
Novembro
Dezembro
Total
ENERGIA
E. Electrica (KWh)
0
Diesel (Lts)
0
Gasolina (Lts)
Gás Natural (M3)
0
0
Consumos identificados
recolhidos mensalmente
ÁGUA
água M3 (Centro)
0
água M3 (estacion.)
água M3 (fugas)
0
0
água M3 (total)
0.0
0.0
0.0
0.0
0.0
0.0
0.0
0.0
0.0
0.0
0.0
0.0
0
RESÍDUOS
reciclados (Kg)
0.0
não reciclados (KG)
0.0
total de resíduos
% reciclados
EUROS
0.0
#DIV/0!
0.0
#DIV/0!
0.0
#DIV/0!
0.0
#DIV/0!
0.0
#DIV/0!
0.0
0.0
#DIV/0!
0.0
#DIV/0!
#DIV/0!
0.0
#DIV/0!
0.0
#DIV/0!
0.0
#DIV/0!
0.0
#DIV/0!
0.0
#DIV/0!
% média
Dados necessários para a
definição dos indicadores ( por
área e por 1000 convidados)
Euros (E. eléctrica)
Euros (Diesel)
Euros (Gasolina)
Euros(M3-Gás)
Euros (Água)
0.00
0.00
0.00
0.00
0.00
total (Euros)
0.00
0.00
0.00
0.00
0.00
0.00
0.00
0.00
0.00
0.00
0.00
0.00
Conversões necessárias
Janeiro
Conversão Energia em TEP
Fevereiro
E. Electrica (KWh)
0
Diesel (Ltr para ton)
0
Gasolina (Ltr para ton)
G. Nat. (M3 p/1000M3)
0
0
Energia total (TEP)
0
Março
Abril
Maio
Junho
Julho
0
0
0
0
0
Para
adequada
soma
dos
0
0
0
0
0
consumos
de
energia
foi
0
0
0
0
0
necessária
para
0
0 a sua0 conversão
0
0
0
0
0
0
0
TEP
e KgCO2
0.00
(Ano)
Agosto
Setembro
Outubro
Novembro
Dezembro
total
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
KgCO2
0
Outros Dados
Janeiro
tráfego
Fevereiro
Março
Abril
Maio
Junho
Julho
(Ano)
Agosto
Setembro
Outubro
Novembro
Dezembro
total
0.00
Figura 6.13- Base de dados para a recolha dos consumos mensais e tráfego dos três centros comerciais de referência.
141 |
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
É importante ressalvar que, nesta análise comparativa entre Centros Comerciais e anos homólogo
não estão incluídos outros impactes (não menos importantes) relacionados com os meios de
transporte dos visitantes, lojistas e mercadorias.
A não contabilização de alguns impactes, é justificada pela ausência e insuficiência de dados (não
obtidos nos decorrentes anos de análise). No entanto, actualmente esse tipo de informação
encontra-se a ser trabalhada, bem como controlada através do GTC (Gestão Técnica Centralizada).
Exemplo disso, são as amostragens onde se pode averiguar a percentagem dos meios de
transporte mais utilizados pelos visitantes (ver tabela 6.4).
Tabela 6.4 - Exemplo da análise realizada no DVP, no intuito de verificar os meios de transporte nas suas deslocações
ao CC, utilizados pelos visitantes.
Com base na recolha de informação mensal e na definição de indicadores, foi possível realizar dois
tipos de análises:

Análise individual, que resulta da realização de um estudo detalhado dos diferentes
consumos anuais, para efeito de comparação entre períodos homólogos e para a
determinação de metas futuras (ver exemplo na figura 6.14). Através desta análise foi
possível realizar melhorias e acompanhar os progressos na redução de consumos, através
da identificação de falhas e da adequada monitorização dos sistemas.

Análise conjunta, que resulta da definição de um rácio entre os Centros Comerciais,
podendo-se assim identificar e comparar o índice de eficiência dos diferentes
estabelecimentos. Pode-se também identificar a média de consumos dos edifícios de
referência.
142 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Descrição dos edifícios de referência e caso e estudo
800.000
700.000
600.000
500.000
400.000
300.000
E. Eléctrica KWh 2006
200.000
E. Eléctrica KWH 2007
100.000
0
Figura 6.14 – Exemplo de uma análise individual (Dolce Vita Douro DVD) onde foram comparados os consumos de
energia do ano 2006 e 2007.
É importante ressalvar que a comparação é realizada de forma directa, sem que seja aplicado o
factor de correcção climática (não se estão a considerar as diferenças climáticas locais), ou seja, a
média utilizada é com base no consumo real, considerada a mais indicada para a análise
económica realizada internamente pelas equipas de melhoria da empresa.
6.4
Análise dos resultados finais (por categoria) obtidos.
6.4.1
Gestão de energia
Considerando os consumos mensais obtidos através da recolha mensal efectuada em cada edifício
de referência em 2007, verificou-se uma redução média de aproximadamente 11% relativamente ao
ano 2006. Entre estes estabelecimentos, destaca-se o DVP com uma redução energética de
aproximadamente 17,6% de um ano para o outro (ver tabela 6.5 e Figura 6.15). Pode afirmar-se que
o processo de monitorização e auditoria energética foi um dos primeiros passos para se poderem
efectuar medidas de eficiência, ou seja, sem a quantificação destes valores, seria improvável o
sucesso das medidas de eficiência implementadas. Destas medidas destacam-se as seguintes:

Optimização da estratégia e controlo dos horários de funcionamento dos bancos de gelo
(em horas do dia e durante horas de ponta);

Redução da Iluminação após o horário de funcionamento do Centro Comercial, mantendose somente iluminação de segurança;

Optimização dos horários de funcionamento da iluminação (com redução de
aproximadamente 50% da iluminação) nos cais de descarga, corredores técnicos e
estacionamento;
143 |
Capítulo 6
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento

Alteração das opções do tarifário contratado, de forma a estar melhor adaptado ao horário
de funcionamento do estabelecimento comercial;

Diminuição do consumo dos ventiladores nos parques de estacionamento e em função da
qualidade do ar medido no local;

Correcção do factor de potência da alimentação dos parques de estacionamento.
As medidas acima implementadas não acarretaram nenhum investimento adicional, verificando-se
somente a optimização dos recursos existentes. No entanto, a seguir destacam-se outras medidas,
com excepção da primeira (já implementada), que acarretam algum investimento adicional mas que,
após a realização de auditorias, se verificou a decisão da sua introdução nos edifícios de referência:

Substituição das lâmpadas de 150W para lâmpadas de 70W (medida já implementada no
DVD);

Instalação de sensores de iluminação natural associados com a iluminação artificial exterior;

Instalação de variadores de velocidade nos sistemas de ventilação nos parques de
estacionamento.
Tabela 6.5 - Consumo de energia total nos edifícios de referência expresso em GJ (giga joule)
GJ
DVD
DVC
DVP
Média
2006
2007
28.761
35.968
43.336
36.022
Variação (%)
25.711
34.566
35.713
31.997
-10,6%
-3,9%
-17,6%
-11,2%
Figura 6.15 - Gráfico representativo da análise comparativa entre os três edifícios de referência (Fonte: Chamartin
Imobiliária, 2007)
144 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Descrição dos edifícios de referência e caso e estudo
No intuito de comparar os diferentes edifícios entre si, recorreu-se a dois indicadores, sendo esses
os consumos (média mensal) de energia por área e os consumos (média mensal) de energia por
visitante. A utilização destes indicadores permitiu a definição de uma média de consumo que serviu
de referência para o caso de estudo que à frente será apresentado e que se define como objecto
deste trabalho. As tabelas 6.6 e 6.7 representam os resultados finais obtidos.
Tabela 6.6 - Consumo de energia por 1000 m2 de “mall”.
Tep/1000m 2 Mall
2006
DVD
DVC
DVP
Média
2007
21,06
26,82
21,62
23,17
Variação (%)
19,05
25,76
17,82
20,88
-9,5%
-4,0%
-17,6%
-9,9%
Tabela 6.7 - Consumo de energia por 1000 convidados.
Tep/1000conv.
2006
2007
Variação (%)
DVD
DVC
DVP
0,41
0,32
0,42
0,35
0,32
0,36
-14,6%
0,0%
-14,3%
Média
0,38
0,34
-10,4%
6.4.2
Gestão da água
Considerando os consumos obtidos através da recolha mensal efectuada em cada edifício de
referência no ano de 2007, verificou-se uma redução média do consumo de aproximadamente 12%
relativamente ao ano de 2006. De entre estes estabelecimentos, destaca-se o DVP com uma
redução do consumo de água de aproximadamente 20,5% (ver tabela 6.8 e Figura 6.16). A redução
do consumo deveu-se a um melhor controlo dos consumos e da usufruição de equipamentos já
instalados, como sejam os redutores de caudal e células fotoeléctricas nas torneiras. Uma
campanha de sensibilização junto dos utilizadores foi um dos principais factores responsáveis pelo
aumento da eficiência no consumo da água.
Tabela 6.8 - Consumo de água total nos edifícios de referência expresso em m3 (metros cúbicos)
m3
DVD
DVC
DVP
Média
2006
2007
12.653
21.383
21.305
18.447
11.265
20.404
16.933
16.201
Variação (%)
-11,0%
-4,6%
-20,5%
-12,2%
145 |
Capítulo 6
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
Figura 6.16- Gráfico representativo da análise comparativa entre os três edifícios de referência (Fonte Chamartin
Imobiliária, 2007)
De seguida apresenta-se nas tabelas 6.9 e 6.10, os indicadores de consumo (média mensal) por
área e por visitante, para efeito comparativo entre edifícios de referência. Observa-se que a média
de consumo por área do "mall" dos três centros comerciais no ano 2007, foi de 133,28 m3/1000m2
do "mall" e 2,11 m3 por cada 1000 convidados.
Tabela 6.9- Consumo de água por 1000 m2 do "mall".
m 3/1000m 2 mall
DVD
DVC
DVP
Média
2006
2007
124,82
197,92
131,94
151,56
100,73
188,86
110,26
133,28
Variação (%)
-19,3%
-4,6%
-16,4%
-12,1%
Tabela 6.10- Consumo de água por 1000 convidados
3
m /1000 conv.
DVD
DVC
DVP
Média
6.4.3
2006
2007
2,24
2,36
2,58
2,39
Variação (%)
1,91
2,31
2,11
2,11
-14,7%
-2,1%
-18,2%
-11,8%
Gestão dos resíduos
Uma das mais importantes informações a reportar neste trabalho é a percentagem de resíduos
reciclados nos três edifícios de referência nos anos de 2006 e 2007. Verificou-se na análise que, em
média, nos dois anos consecutivos, 30% dos resíduos foram enviados para a reciclagem,
percentagem essa que aliás, praticamente se manteve durante os anos subsequentes (ver Tabela
6.11 e Figura 6.17). Este constante resultado deve-se à elevada produção de resíduos sólidos
146 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Descrição dos edifícios de referência e caso e estudo
urbanos (RSU`s) verificada nestes CC e que somente através da valorização orgânica de parte
destes resíduos (implementada no DVP em 2009) será possível reverter este cenário.
Nos edifícios de referência foram previstos locais apropriados para recolha, separação e
encaminhamento dos seguintes resíduos:

Resíduos Indiferenciados, Resíduos Orgânicos, Papel e cartão, Madeiras, Vidro,
Embalagens plásticas, Lâmpadas, Latas, PET, Cruzetas, Plástico, filme, Esferovite,
Tinteiros/tonners, Pilhas, REEE e Resíduos higiénicos.
Tabela 6.11- Percentagem de resíduos reciclados nos três edifícios de referência.
Kg
DVD
DVC
DVP
Média
2006
2007
35,2%
24,0%
23,6%
28%
Variação (%)
35,9%
28,5%
26,6%
30%
2,0%
18,8%
12,7%
9,9%
Figura 6.17- Gráfico representativo da análise comparativa entre os três edifícios de referência (Fonte: Chamartin
Imobiliária, 2007)
6.5
Identificação dos casos de estudo
Através da análise dos edifícios de referência foi possível conhecer as particularidades dos Centros
Comerciais, identificar os principais impactes que poderiam advir desta tipologia de edifícios, assim
como as principais acções de melhoria que foram aplicadas.
Os consumos médios obtidos através da análise no período de dois anos consecutivos em relação a
três centros comerciais de referência, foram de grande valia durante a comparação directa com os
147 |
Capítulo 6
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
consumos previsíveis dos casos de estudo escolhidos, com ou sem a aplicação de medidas
sustentáveis.
Neste sentido, serão retratados neste capítulo, os dois casos de estudo que foram seleccionados,
dos quais se acompanharam o seu desenvolvimento bem como as decisões tomadas nas fases de
projecto e de construção.
Os dois casos de estudo analisados são o Dolce Vita Tejo (DVT) e o Dolce Vita Braga (DVB),
localizados, respectivamente, na Amadora e em Braga.
A seguir será realizada a apresentação destes casos de estudo, seguindo-se o mesmo
procedimento que foi desenvolvido com os edifícios de referência, ou seja, foram descritas todas as
características arquitectónicas, construtivas, os equipamentos, data de início, finalização da obra,
bem como outras informações relevantes, destacando-se a crescente preocupação da empresa
com as três vertentes da sustentabilidade (factores sociais, económicos e ambientais).
É importante ressalvar que na fase seguinte de aplicação dos critérios da ferramenta de
sustentabilidade BREEAM, tal como proposto neste trabalho, estes serão aplicados e validados
somente num dos casos de estudo. Ou seja, no que se refere à validação e quantificação dos
critérios de sustentabilidade seleccionados, no que concerne à análise custo benefício, bem como à
análise final, terá apenas como base o DVB.
Esta escolha devem-se aos seguintes motivos:

A análise do DVT iniciou-se durante a fase de construção: Quando se iniciou a análise do
DVT e da possível aplicação de novas medidas sustentáveis (definidas pela ferramenta
BREEAM), o DVT já se encontrava em fase de construção, ou seja, a maioria das decisões
já haviam sido tomadas e muitos dos materiais já haviam sido adjudicados contratualmente,
não sendo, por isso, possíveis alterações.
Já no caso do DVB, a análise iniciou-se em fase de projecto, ainda foi possível acompanhar
as reuniões de projecto com todas as especialidades envolvidas, bem como inserir medidas
sustentáveis, sem que isto implicasse investimentos substanciais. Ou seja, aumentaram
consideravelmente as oportunidades para a aplicação de soluções analisadas durante a
investigação, daí resultando uma forte sinergia e uma complementaridade essencial à
dinâmica deste trabalho.

Dificuldades na obtenção de informações: Além da complexidade do projecto DVT
associada, em grande parte, à sua dimensão, a recolha de informações, conforme prevista
na calendarização da investigação, coincidiu com a fase de construção, quando se
148 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Descrição dos edifícios de referência e caso e estudo
verificava uma forte pressão para a concretização dos prazos da referida fase da obra
dificultando assim a identificação e a recolha de informação para o desenvolvimento da
tese. No entanto, em relação ao DVB, observaram-se algumas outras dificuldades. Pelo
facto da recolha se realizar durante as fases de projecto e início da obra, verificou-se que
muitas informações ainda não estavam devidamente documentadas e quantificadas nos
mapas de medição.

Semelhanças com os edifícios de referência: o DVB, comparativamente com o DVT, tem
características mais semelhantes aos edifícios de referência existentes (apesar da sua
dimensão ser intermédia entre os centros comerciais de referência e o DVT).
6.6
Descrição dos casos de estudo escolhidos
A seguir será realizado uma breve descrição das principais características dos casos de estudo,
onde se destacam as seguintes informações:

Informações gerais dos casos de estudo;

Características construtivas;

Características das instalações;

Medidas ambientais previstas em projecto.
6.6.1
Informações gerais dos casos de estudo.
DVT – Dolce Vita Tejo. Este CC é considerado o maior Centro Comercial de Portugal e um dos
maiores da Europa. Iniciou a sua fase de construção no ano 2006, tendo sido concluído em Maio de
2009. O DVT localiza-se na Amadora (próximo da Urbanização do Casal da Mira), nos arredores de
Lisboa (ver figura 6.18 e 6.19).
Este centro comercial é certificado pela Norma ISO14001 desde a fase de construção, destacandose pela sua dimensão e complexidade. Resultante das suas necessidades energéticas, verificou-se,
no referido empreendimento, a experimentação de novas soluções de energia solares passivas e
activas que, mais à frente, poderão ser identificadas, bem como a aplicação de materiais inovadores
149 |
Capítulo 6
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
nunca antes utilizados em Portugal (um desses exemplos é a cobertura em ETFE 18 (Etileno
Tetrafluoroetileno)).
No âmbito social, o DVT introduziu factores diferenciais e preponderantes no que se refere à
integração social, o que se revelou uma característica muito relevante em todo o empreendimento.
Inserido numa região marginal de Lisboa, o DVT tentou criar sinergias e aproximar realidades
distintas. Neste sentido, além da sua localização estratégica, desde a sua fase de construção,
realizaram-se importantes trabalhos junto de instituições públicas e não-governamentais da
comunidade local, tais como: Feira de emprego, formação Profissional para mais de 1230 pessoas,
criação de Centro de Dia, criação da Orquestra “Dolce Vita” com aproximadamente 250 crianças do
Bairro Casal da Mira (Chamartín Imobiliária, 2008).
Quanto à sua organização, o DVT distribui-se em cinco pisos subterrâneos onde estão disponíveis
9.000 vagas de estacionamento (entre o piso -4 ao -1) bem como as zonas técnicas (no piso -5).
Nos pisos superiores (piso 0 e 1), distribuídos em dois lotes diferentes (Lote 2 e 3), encontram-se os
espaços destinados às lojas. No piso 0, localiza-se o hipermercado e as lojas, enquanto no piso 1
se encontra a área de restauração, cinemas, ginásio, lojas e o Kidzania - parque temático
internacional, direccionado para crianças.
Figura 6.18- Imagens do DVT em fase de projecto.
Figura 6.19- Fotos do DVT em fase de obra (Fonte: Chamartin Imobiliária, 2007)
18
ETFE (Etileno tetrafluoroetilino) - é um fluorpolímero desenvolvido com propósito de missões da NASA,
possui características de resistência à variações de temperatura, aos raios ultravioletas e a corrosão.
Comparado com a habitual cobertura envidraçada, o ETFE corresponde a 1% do peso do vidro, transmite
mais luz e acaba por ser uma solução mais económica. Quanto ao seu coeficiente de transmissão térmica (2,6
W/m2K), este define-se inferior ao do vidro duplo (2,9W/m2K) (Chamartin Imobiliária, 2007).
150 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Descrição dos edifícios de referência e caso e estudo
DVB – Dolce Vita Braga. Este CC encontra-se a norte de Braga e a 2 km do Centro da Cidade. Esta
obra iniciou-se em Abril de 2008 e a sua inauguração está prevista para Outubro de 2011.
Uma das características importantes deste empreendimento prende-se com a constante
preocupação com a biodiversidade local e respectiva implantação em áreas não sensíveis.
Apesar de não estar inserido numa zona de “brownfield” (terrenos abandonados e contaminados),
ou seja, áreas privilegiadas de acordo com os critérios definidos em diferentes ferramentas de
avaliação da sustentabilidade, houve uma preocupação crescente em minimizar o seu impacto local,
quer pelo devido cumprimento de exigências legais, quer pelo compromisso assumido no âmbito do
projecto “Business & Biodiversity (B&B19)”.
No que se refere aos cumprimentos legais, desde a fase de prospecção e estudo prévio, foi
realizado um rigoroso estudo de impacto ambiental, obtendo-se assim uma Declaração de Impacto
Ambiental (DIA) favorável.
Para comprovar que, durante a fase de projecto, todos os objectivos estabelecidos na DIA foram
devidamente cumpridos, foi apresentado o RECAPE (Relatório de Conformidade Ambiental do
Projecto de Execução), onde se evidenciam todos os procedimentos a ter em consideração durante
as fases de construção e gestão.
Outra característica importante é a sua cobertura verde em parte do edifício que será instalada
durante uma segunda fase de expansão. Esta solução contribuirá para a redução das áreas
impermeáveis do empreendimento, sendo essa uma característica invulgar em centros comerciais
em Portugal.
O Centro Comercial em causa consiste num empreendimento que ocupa um terreno de
aproximadamente 160.000 m2 e constituído por 7 pisos. Destes, os pisos enterrados (-1 e -2) e piso
0+ (piso de meia altura entre o piso 0 e 1) são totalmente disponibilizados para a área de
estacionamento, bem como parte do piso 0, somando assim um total de 2750 vagas (ver figura 6.20
e 6.21).
No piso 0, além da área de estacionamento anteriormente referida, encontram-se também o
hipermercado e pequenas lojas. No piso 1 e 2, concentram-se as zonas comerciais e o piso 3
integra um espaço de lazer (restauração, cinemas e health club), o escritório da administração do
CC, bem como um espaço aberto (deck e cobertura ajardinada).
19
Business and Biodiversity (B&B)- Define-se como uma iniciativa e o compromisso assumido por empresas
europeias para minimizar a perda de biodiversidade.
151 |
Capítulo 6
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
Figura 6.20 – Imagem em 3D do DVB.
Figura 6.21 – Planta de corte longitudinal do DVB.
Através da análise da tabela 6.12 poderá observar-se a subdivisão das áreas nos dois Centros
comerciais, com base nas diferentes repartições comuns num Centro Comercial.
Tabela 6.12 – Definição das áreas por funcionalidade, nos dois casos de estudo.
Principais áreas
ABL (área bruta locável)
Mall
Cais de carga e descarga
Corredores técnicos
Wcs
Administração
Estacionamento
Total das áreas analisadas
D VT
Área
104.500
22.000
683
11.673
1.320
336
272.526
413.038
D VB
%
25,3%
5,3%
0,2%
2,8%
0,3%
0,1%
66,0%
100%
Área
61.441
15.119
3.204
10.253
940
337
67.167
158.461
%
38,8%
9,5%
2,0%
6,5%
0,6%
0,2%
42,4%
100%
Com base nas figuras 6.22 e 6.23, foi possível observar que a maior parte do espaço do centro
comercial DVT foi destinada ao parque de estacionamento (66% do total), o mesmo acontecendo no
DVB (com 42,4 % do total). Este facto implica um elevado consumo com sistemas de ventilação e
iluminação. Neste sentido, ressalva-se que foram previstas medidas para promover o aumento da
eficiência nestes locais, tais como variadores de velocidade dos ventiladores, efectuou-se um
estudo rigoroso para distribuição adequada da iluminação, bem como a escolha de sistemas de
152 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Descrição dos edifícios de referência e caso e estudo
iluminação mais eficientes em áreas comuns e nos espaços destinados aos lojistas, sempre que
possível, limitando a potência a ser instalada.
DVT
ABL (área bruta
locável) 25,3%
Mall 5,3%
Cais de carga e
descarga 0,2%
Corredores
técnicos 2,8%
Wcs 0,3%
Estacionamento
66,0%
Administração
1%
Figura 6.22 – Áreas por funcionalidade do DVT.
DVB
ABL (área bruta
locável) 38,8%
Estacionamento
42,4%
Mall 9,5%
Administração
0,2%
Wcs 0,6%
Cais de carga e
descarga 2,0%
Corredores
técnicos 6,5%
Figura 6.23 – Áreas por funcionalidade do DVB.
6.6.2
Características construtivas.
Os dois centros comerciais apresentam soluções construtivas bastante semelhantes que, de
seguida, na tabela 6.13, são evidenciadas através dos principais materiais construtivos.
Tabela 6.13 – Principais características construtivas nos dois casos de estudo.
Materiais na essência
mais evidenciados
DVT
DVB
- Estrutura Geral : Betão armado
betonado em situ
Estrutura:
- Betão armado betonado em situ
- Estrutura na cobertura do piso 3
(praça de alimentação):
Estrutura de madeira
153 |
Capítulo 6
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
Tabela 6.13 (cont.) – Principais características construtivas nos dois casos de estudo.
Materiais na essência
mais evidenciados
DVT
DVB
Em contacto com zonas climatizadas:
- blocos de betão térmicos+ caixa-de- Em contacto com zonas climatizadas:
ar + painéis de betão agrafados).
- Bloco de Betão + isolamento +caixa de
ar+ painéis de betão
- Parede dupla de painel
sandwich(última fiada entre paredes e - Bloco de betão+caixa de
cobertura ETFE)
ar+isolamento+vidro opaco/cor
Revestimento exterior
Em contacto com zonas não
climatizadas:
- blocos de betão+ caixa-de-ar +
painéis de betão agrafados).
Divisórias entre lojas:
- Uma fiada de bloco de betão
(0,80m/ ou 1.20m)+parede
- Uma fiada de bloco de Betão (0,50m)
divisória(gesso cartonado) até a laje e e parede divisória(gesso cartonado) até
isolamento acústico no interior (lã de a laje e isolamento acústico no interior
rocha)
(lã de rocha)
Divisórias entre corredores
técnicos:
- Blocos de Betão
Cobertura:
Em contacto com zonas não climatizadas:
- Bloco de Betão + painéis de betão
- vidro opaco
- Bloco de Betão + caixa de ar+ placa de
gesso cartonado
- Cobertura sobre a restauração::
-Cobertura em geral:Betão armado + chapametálica+isolamento+impermeab
betão de inertes+isolamento+camada ização.
de enchimento+telas de
impermeabilização.
- Cobertura deck: Betão
armado+isolamento+ LECA+
- Cobertura sobre pontes: painéis
impermeabilização+lajetas filtrantes
sandwich.
- Pavimento geral: Betão armado +
betão de inertes+ camada de
enchimento com microbetão+terrazzo
- Pavimento geral: Betão armado+
betão de inertes+camada de
enchimento+microbetão+terrazzo
- Pavimento sobre os
estacionamentos: betão armado+betão
de inertes +isolamento+camada de
enchimento+ microbetão+ terrazzo
Pavimento
- Pavimentos entre os
estacionamentos:betão
afagado+endurecedor de superfície.
- Pavimento entre os
estacionamentos: Betão afagado+
endurecedor de superfície.
Revestimento do
pavimento (mall):
- Terrazzo
- Terrazzo
Tecto do Mall
- Tectos falso de gesso cartonado
- Tectos falso de gesso cartonado
- Claraboias Maiores: Caixilharia de
alumínio c/ ruptura + vidro duplo +
lâminas tipo Brisol
- Almofadas horizontais e verticais em - Clarabóias menores: Caixilharia de
ETFE (Etileno tetrafluoetileno).
alumínio c/ruptura+vidro duplo.
Vãos envidraçados
154 |
- Envidraçados verticais no food court: - Fachada de vidro:caixilharia de
caixilharia de alumínio (c/ corte
alumínio+ vidro temperado com
térmico) vidro duplo + ETFE
serigrafia
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Descrição dos edifícios de referência e caso e estudo
6.6.3
Características das instalações
Na tabela 6.14, listam-se os principais equipamentos que foram instalados e previstos no DVT e
DVB, respectivamente.
Tabela 6.14 - Relação dos principais equipamentos instalados e previstos nos dois casos de estudos.
Principais
equipamentos
utilizados
Climatização
DVT
DVB
- UTAs (Unidade de tratamento de ar)
- UTAs (Unidade de tratamento de ar).
- Arrefecimento: Chillers, Cogeração,
Chillers de absorção e Torres de
Arrefecimento.
- Arrefecimento: Chillers.
- Estacionamento: Sistemas de ventilação
e desenfumagem.
- Estacionamento: Sistemas de
ventilação e desenfumagem.
- Aquecimento: Não possui
- Aquecimento: Não possui
- Areas Comuns: Iodetos Metálicos +
fluorescentes tubulares com balastros.
(Excepto: Iluminação decorativa)
- Areas Comuns: Iodetos Metálicos +
fluorescentes tubulares com
balastros.(excepto iluminação decorativa)
- Estacionamento: fluorescentes
tubulares com balastros.
- Estacionamento: fluorescentes tubulares
com balastros.
Iluminação
- 13 Montacargas,
-10 Montacargas,
- 10 elevadores,
- 4 elevadores,
- 24 tapetes com regulador de
- 12 tapetes com regulador de velocidade,
velocidade,
- 12 escadas rolantes com regulador de
- 38 escadas rolantes com regulador de velocidade
velocidade
Transporte vertical
- Bombas de água da rede ( c/
variadores de velocidade)
- Bombas das águas residuais,
- Bombas da rega,
- Transformadores de Potência,
- Transformadores de isolamento,
- Bombas de água da rede de incêndio.
- Bombas de água da rede ( c/ variadores
de velocidade)
- Bombas das águas residuais,
- Bombas de água da rede de incêndio.
Outros
OBS: Grande parte dos sistemas são controlados pela GTC (Gestão Técnica Centralizada).
6.6.4
Medidas ambientais previstas em projecto.
No que concerne às preocupações ambientais, os dois casos de estudo procuraram promover boas
práticas que foram incorporadas de forma estruturada desde as fases iniciais dos empreendimentos.
Nas tabelas a seguir apresentadas (tabelas 6.15 e 6.16) , resumem-se essas acções, que poderão
ser identificadas através das diferentes categorias de sustentabilidade.
155 |
Capítulo 6
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
Tabela 6.15 – Medidas ambientais e de eficiência implementadas no DVT.
Medidas de Gestão
Exemplo de Medidas ambientais e de eficiência implementadas no
DVT
Resultados pretendidos
> No "Manual do Operador" (onde são definidas acções de segurança
e funcionam ento do Centro Com ercial para os lojistas), estão a ser
adaptadas ao novo cenário Mundial, através da inclusão de medidas
ambientais e de redução de carbono implementadas no DVT,
inform ações sobre transportes públicos disponíveis no local.
> Durante a fase de construção realizou-se m ensalm ente a
m onitorização da energia e das em issões, consum o da água, controlo
da qualidade da água e do ar, resíduos e definição de m etas.
Disseminar entre os
diferentes stakeholders
da empresa as práticas
sustentáveis.
- Aproveitamento da iluminação natural, através da im plantação de
35.000m 2 de cobertura de ETFE, conjugadas com sistem as eficientes
de ilum inação artificial.
- Escolha de m ateriais apropriados, isolam ento e som bream ento
adequado de áreas translúcidas, fundam entadas através de estudos
exaustivos e sim ulações energéticas.
- Utilização de sistemas eficientes com o: pisos radiantes (pisos
arrefecidos), Cogeração (produção de energia térm ica e eléctrica),
sistem as de produção centralizada, e outras.
- Um Sistema Integrado de Gestão da Manutenção, vector fundam ental
da Eficiência Energética e da Qualidade do Ar, que perm ite assegurar a
optim ização do desem penho e a redução dos consum os;
> Sistem as de Recuperação de Energia entre o Ar Novo e o Ar de
Exaustão;
> Sistem a de Gestão Técnica Centralizada, perm itindo optim izar o
funcionam ento dos diversos sistem as e m onitorizar o seu desem penho
e o consum o associado;
> Controlo de iluminação exterior por células fotoeléctricas e / ou
relógios com ando;
Qualidade do
ambiente interior. Gestão de energia
- Monitorização da Emissão de CO2 equivalentes, durante a fase de
obra, bem com o o cálculo das em issões de CO 2eq previstas durante a
fase de operação. O objectivo é avaliar a quantidade de CO 2eq afim de
estudar alternativas de com pensação que, no m om ento, se encontram
em análise.
> Instalação de tapetes e escadas rolantes com paragem ou redução
de velocidade na ausência de utilização;
Reduzir o consumo
energético e as emissões
de CO2eq, bem como dos
custos associados.
> Utilização de sistem as de Ventilação e Bombagem de Caudal
Variável, adaptando os consum os às necessidades m ínim as reais em
cada m om ento;
> Sistem as de m axim ização de Ar Novo, obtendo vantagens do “freecooling” em todas as unidades de tratam ento do Ar.
Promover maior conforto e
bem-estar aos visitantes
e operadores.
Gestão dos materiais
Gestão da água
> Torneiras temporizadas ou com células para garantir o m ais reduzido
consum o possivel. Adopção de sistem a de torneiras/chuveiro com
sistemas de venturi para introdução de ar no caudal de água, assim
providenciando um significativo potencial de poupança;
156 |
> Medição de caudais individualizada loja a loja , com totalizadores e
contadores parciais, com m onitorização inform ática para m elhor
funcionam ento e detecção de avarias;
> Aproveitamento de águas freáticas para rega e torres de
arrefecim ento;
> Opção de arranjos exteriores com espécies vegetais com
necessidades de rega reduzida;
Reduzir o consumo de
água potável e das águas
residuais, bem como os
custos associados.
> A escolha dos m ateriais teve em consideração factores com o:
durabilidade, energia incorporada (energia consum ida desde o seu
processo de extracção até à sua aplicação), potencial de reciclagem e
reutilização.
> A m aioria dos m ateriais de acabamento serão fixados e pregados,
no intuito de facilitar as substituições necessárias, bem com o a sua
futura dem olição e reutilização.
Reduzir a utilização de
> Utilização de m ateriais com tamanhos estandardizados afim de evitar recursos naturais e a
desperdícios.
energia incorporada.
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Descrição dos edifícios de referência e caso e estudo
Gestão dos
resíduos
Tabela 6.15 (cont.) – Medidas ambientais e de eficiência implementadas no DVT.
> Separação de resíduos durante a fase de construção, assegurando
que uma grande percentagem seja reencaminhada para a reciclagem.
> Separação de resíduos de operadores para adequado
reencaminhamento para a reciclagem e valorização orgânica.
Reduzir a produção de
resíduos e promover o
seu adequado destino.
> Avaliação dos valores ecológicos (fauna, flora e habitats) existentes
na área de implantação do DVT, assim como nas zonas verdes mais
próximas, até um raio de 10 Km, no intuito de compreender qual a mais
adequada intervenção paisagística.
Integração e Bem-estar social
Poluição e
Qualidade do
Ambiente
Transporte
Biodiversidade e Uso do solo
> Acções de formação em Gestão de Biodiversidade e Valores
Ecológicos aplicada à Construção Sustentável, para os diferentes
intervenientes do empreendimento.
> Desenvolvimento do Projecto " Orquídeas da Amadora", refere-se a
um Protocolo realizado entre o Dolce Vita Tejo, Ambiodiv - Valor Natural
Lda (empresa de consultadoria especializada em Gestão de
Biodiversidade, Avaliação de Ecossistema e Conservação da Natureza)
e Biofig-Centro de Biodiversidade, Genómica Integrativa e Funcional
(R&D), no intuito de desenvolver um projecto onde se propõe a
conservação e a reprodução de espécies de flora rara, endémica e
ameaçada da zona envolvente do DVT. As plantas resultantes deste
projecto serão introduzidas nos projectos de restauro ecológico.
> Escolha de materiais e cores aplicados no exterior, resultando na
procura do melhor enquadramento com o ambiente envolvente, de
forma a não causar impactos visuais negativos.
> Forte componente de transportes públicos ao nível da Alameda,
constituindo um verdadeiro hub com autocarros, táxis, metro de
superfície e parques de estacionamento grátis para viaturas ligeiras;
> Estacionamentos com provisão de espaço reservado para carros
eléctricos.
> Os sistemas de climatização estão providos com sistemas de
detecção de fugas de gás refrigerante.
> Previsão e estudos de redução de impacto acústico na envolvente.
Sempre que possível,
definir uma relação
harmoniosa entre o meio
ambiente e a envolvente
construída.
Promover sinergias e
dinâmicas, de forma a
fomentar uma integração
urbana com sucesso.
Minimizar, sempre que
possível, as emissões
associadas às
actividades que possam
reduzir a qualidade
ambiental envolvente.
> Desenvolvimento de diferentes iniciativas públicas no intuito de
fomentar o dinamismo e sinergia local. Actividades concluídas ou em
curso:
> Projecto Quick - criação de 21 empresas empreendedoras em
Protocolo com o ISCTE e o Conselho da Amadora.
> Realização da Feira de Emprego e a realização de cursos de
formação para aproximadamente 1500 pessoas em Protocolo com o
Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP).
> Co-financiamento, juntamente com a CMAmadora e a Santa Casa de
Misericódia, para a criação de um Centro para Idosos do Bairro Casal
da Mira.
> Parceria com a escola de Música do Conservatório Nacional e
Associação Unidos de Cabo Verde para a constituição da Orquestra
Geração Dolce Vita, constituida por 97 crianças do 1º Ciclo do Bairro
Casal da Mira.
Promover sinergias e
dinâmicas, de forma a
fomentar uma integração
urbana com sucesso.
157 |
Capítulo 6
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
Tabela 6.16 – Medidas ambientais e de eficiência implementadas no DVB.
Exemplos de medidas ambientais e de eficiência implementadas no
DVB
Resultados pretendidos
Medidas de Gestão
> No "Manual do Operador" (onde s ão definidas acções de s egurança e
funcionam ento do Centro Com ercial para os lojis tas ), es tão a s er
adaptados ao novo cenário Mundial, através da inclusão de medidas
ambientais e de redução de carbono implementadas no DVB,
inform ações s obre trans portes públicos , divulgação de s ites no âm bito
da eficiência energética e outros tem as de s us tentabilidade.
> Durante a fas e de cons trução es tão a s er realizadas m ens alm ente a
monitorização da energia e emissões, consumo da água, controlo da
qualidade da água e do ar, resíduos e definição de metas. Entre outras
m edidas , s em pre em conform idade com a DIA (Declaração de Im pacte
Am biental) e através da Ferram enta Voluntária BREEAM (Building
Res earch Es tablis hm ent Environm ental As s es s m ent Method).
> Reestruturação dos contratos realizados com diferentes
fornecedores e empreiteiros, no intuito de contemplar medidas
sustentáveis que irão reflectir-s e directam ente na m aior
res pons abilidade am biental, bem com o em relação aos recurs os
hum anos e, indirectam ente, na es colha adequada de equipam entos e
m ateriais ecologicam ente correctos .
Disseminar entre os
diferentes stakeholders
da empresa, as práticas
sustentáveis.
> Utilização de contadores individualizados loja a loja, por piso e por
diferentes consumos (ilum inação, arrefecim ento, trans portes verticais e
equipam entos ). Es ta m edida facilitará a m onitorização e futuras
alternativas para aum entar a s ua eficiência, bem com o de futuros
Centros Com erciais .
> Através de inúm eras s im ulações realizadas , foram testadas
situações ideais para a temperatura, ventilação, iluminação e análise
do conforto. Tais m edidas res ultaram na es colha adequada de
is olam entos , utilização de ante-câm aras para reduzir perdas térm icas ,
adequada orientação e abertura das clarabóias , entre outras m edidas .
> Um Sistema Integrado de Gestão da Manutenção, vector
fundam ental da Eficiência Energética e da Qualidade do Ar, que perm ite
as s egurar a optim ização do des em penho e a redução dos cons um os ;
Gestão de energia
> A utilização de elevadores mais eficientes, que pos s uem duas
caracterís ticas fundam entais , s endo es tas :
1- Configuração inovadora , perm itindo a utilização de es paços
reduzidos , redução do cons um o de m atérias -prim as e não
neces s itando de óleos lubrificantes poluentes durante a m anutenção.
2- Sistema regenerativo, perm ite que parte da energia dis s ipada
durante a utilização s eja reaproveitada no edifício, res ultando as s im
num a econom ia de aproxim adam ente 75%, quando com parado com
um s is tem a convencional.
> Sis tem a de Gestão Técnica Centralizada, perm itindo optim izar o
funcionam ento dos divers os s is tem as , m onitorizar o s eu des em penho e
o cons um o as s ociado;
> Controlo de iluminação exterior por células fotoeléctricas e / ou
relógios com ando;
> Ins talação de tapetes e escadas rolantes com paragem ou redução
de velocidade na aus ência de utilização;
Reduzir o consumo
energético e as emissões
de CO2eq, bem como dos
custos associados.
> Utilização de s is tem as de Ventilação e Bombagem de Caudal
Variável, adaptando os cons um os às neces s idades m ínim as reais em
cada m om ento;
Qualidade do ambiente interior.
> Aproveitamento da iluminação natural, através da im plantação de
clarabóias com s obream entos devidam ente s im ulados para prom over
m aior conforto aos ocupantes .
158 |
> Es colha de materiais de acabamento com reduzido Compostos
Orgânicos Voláteis (COVs), de form a a proporcionar elevado nível de
protecção da s aúde e do am biente.
É im portante res s alvar que todas as tintas propos tas já cum prem a 2º
fase da Lei 181/2006 (Trans põe a Directiva 2004/42/CE), e que entrará
em vigor em 2010.
> Para promover a adequada qualidade do ar, durante a fas e de
ges tão, foram realizadas m edidas es tratégicas para evitar a entrada de
fontes poluentes em áreas internas ocupadas . Entre as m edidas Promover maior conforto e
im plem entadas , inclui-s e um es tudo porm enorizado s obre a Qualidade bem-estar aos visitantes
do Ar, realizado pela Univers idade de Aveiro.
e operadores.
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Descrição dos edifícios de referência e caso e estudo
Tabela 6.16 (cont.) – Medidas ambientais e de eficiência implementadas no DVB.
> Utilização de sanitas com autoclismo com dupla descarga,
lavatórios com detector de presença e urinóis sem água . Estratégias
para menor consumo durante a gestão.
> Medição de caudais individualizada loja a loja, com totalizadores e
contadores parciais, com monitorização informática para melhor
funcionamento e detecção de avarias.
Gestão da água
> Aproveitamento de águas freáticas e pluviais para rega, urinóis e
sanitas.
> Todos os blocos de Wc serão providos com sistema de corte de
água em caso de ausência de pessoas. Esta acção reduz eventuais
perdas de água em equipamentos (em caso de avaria).
> Opção de arranjos exteriores com espécies vegetais com
necessidades de rega reduzida, além da utilização de sistemas de
rega eficiente acoplado a um sensor de humidade atmosférico (para
evitar regas desnecessárias, em dias de chuva ou de elevada
humidade)
Reduzir o consumo de
água potável e das águas
residuais, bem como os
custos associados.
Biodiversidade e Uso do
solo
Gestão dos resíduos
Gestão dos materiais
> A escolha dos materiais teve em consideração factores como:
durabilidade, energia incorporada (energia consumida desde o seu
processo de extracção até a sua aplicação), potencial de reciclagem e
reutilização.
> A maioria dos materiais de acabamento serão fixados e pregados, no
intuito de facilitar as substituições necessárias, bem como a sua futura
demolição e reutilização.
> Utilização de materiais com tamanhos estandardizados afim de evitar
desperdícios.
> Foram seleccionados materiais de isolamento com reduzida energia
incorporada, e com reduzido impacto ambiental conforme especificação Reduzir a utilização de
do "Green Guide to Specification" - Guia britânico para a escolha de
recursos naturais e a
materiais ecologicamente correctos.
energia incorporada.
> Separação de resíduos durante a fase de construção, em que uma
grande percentagem será reencaminhada para a reciclagem .
> Definição de locais estratégicos para separação de resíduos dos
operadores, durante a gestão.
> Estão a ser realizados os devidos procedimentos para a futura
compostagem dos resíduos orgânicas, através de adequada
separação dos resíduos indiferenciados.
Reduzir a produção de
resíduos e promover o
seu adequado destino.
> Os procedimentos, durante a fase de construção, foram
acompanhados e controlados por biólogos e engenheiros ambientais,
de forma a minimizar impactes e garantir a preservação do ambiente.
> Ao nível da recuperação do habitat local, foi realizado um estudo sobre
a biodiversidade local e de espécies sensíveis, bem como a
Sempre que possível,
possibilidade de introduzir novas espécies. Em resposta, está prevista a
definir uma relação
introdução de 85 novas espécies.
> Foi definido um Plano de Gestão de Sistemas Ecológicos e
Biodiversidade da área de intervenção do DVB
harmoniosa entre o meio
ambiente e a envolvente
construída.
Poluição e
Qualidade do
Ambiente
Transporte
> Estão a ser previstos locais para parqueamento de bicicletas, e
cuidados adicionais para segurança e bem-estar do seus condutores.
> Caminhos de pedestres e ciclistas foram previstos de acordo com as
melhores prácticas de segurança e sinalização. Os visitantes também
poderão contar com um espaço com informações relativo aos
transportes públicos em hora real.
> Utilização de gases refrigerantes ecológicos nos sistemas de
climatização.
> Previsão e estudos de redução do impacto acústico na envolvente.
Promover sinergias e
dinâmicas, de forma a
fomentar uma integração
urbana com sucesso.
Minimizar, sempre que
possível, as emissões
associadas às
actividades que possam
reduzir a qualidade
ambiental envolvente.
159 |
Capítulo 6
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
Este capítulo apresentou as particularidades associadas à tipologia de centros comerciais, bem
como os principais consumos, equipamentos e produtos utilizados. As informações obtidas referemse aos activos da empresa Chamartin Imobiliária e co-financiadora deste trabalho de investigação.
O desenvolvimento desta etapa de trabalho, proporcionou a aquisição de grande experiência no
processo de recolha, diagnóstico e na definição de soluções de eficiência. Através dos
procedimentos realizados, quer no tratamento de dados nos edifícios de referência, quer nos casos
de estudo, foi possível identificar impactes e propor medidas de melhorias significativas. A aplicação
de medidas de melhoria provocou reduções significativas nos consumos de energia (redução de
41,4% por convidado), água (redução de 42,5% por convidado) e resíduos (taxa de reciclagem de
54,1%), tendo por base os casos de referência entre os anos de 2006 e 2009, conforme se pode
verificar
nos
Relatórios
de
Sustentabilidade
da
Empresa
-
disponíveis
em
http://www.chamartinimobiliaria.com/sustentabilidade/.
Ressalva-se também, que uma grande parte das medidas implementadas nos casos de estudos,
conforme verificado nas tabelas 6.15 e 6.16, foi identificado e introduzido durante esta mesma etapa
do trabalho.
160 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Quantificação dos pressupostos
CAPÍTULO 7- QUANTIFICAÇÃO DOS PRESSUPOSTOS
7.1
Levantamento da actual classificação dos casos de referência e do caso de estudo.
Reconhecer a prática, bem como os investimentos iniciais associados a um empreendimento
convencional, é o passo inicial para poder avaliar e quantificar a análise custo-benefício das
medidas sustentáveis que possam ser aplicadas a um empreendimento.
Neste enquadramento, e após a análise dos edifícios de referência e do caso de estudo
apresentados no capítulo anterior, realizou-se uma pré-avaliação de sustentabilidade disponibilizada
pela ferramenta em análise (BREEAM) ver no anexo I. Assim pretendia-se verificar a classificação
161 |
Capítulo 7
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
(grau de sustentabilidade) do edifício de referência (cenário 1) e do caso de estudo (proposta inicial)
(cenário 2) sem quaisquer intervenções de melhoria. Conforme demonstrado no capítulo 4, o
resultado foi uma pontuação de 34,46% para os edifícios de referência (média dos três CC
analisados), o que, de acordo com os critérios do método, corresponde a uma classificação de
“PASS”, e 50,38% para o caso de estudo (classificação "PASS", apesar de possuir potencial para
ser um "GOOD"). Ou seja, apesar de ter pontuação suficiente para obter uma classificação GOOD,
a proposta inicial não cumpre com um dos critérios obrigatórios para alcançar a referida
classificação. Importa assim ressalvar que para o aumento da classificação bastaria o cumprimento
do critério Wat1. Este critério refere-se à instalação de válvulas de duplo fluxo em 100% das
instalações sanitárias do DVB com um investimento residual de aproximadamente € 3.500,00,
conforme se poderá verificar no capítulo 10 (ver figura 7.1).
Management section credits
Pontuação Pontuação Edifícios
Pontuação DVB
máxima
de referência
(Proposta base)
BREEAM
(valor médio)
12%
4,80%
7,20%
Critérios
adicionados
Pollution
Man 3
Health & wellbeing section credits
15%
6,67%
13,33%
Hea 9,Hea 10
Energy section credits
19%
2,71%
5,43%
Ene 2
Transport section credits
8%
3,69%
3,69%
-
Water section credits
6%
1,33%
1,33%
-
Materials section credits
12,5%
0,96%
2,88%
-
Waste section credits
7,5%
2,14%
5,36%
Wst 1
Land User & ecology section credits
10%
6,00%
5,00%
não comparáveis
Pollution section credits
10%
6,15%
6,15%
Innovation
10%
0,00%
0,00%
34,46%
50,38%
PASS
PASS
Classificação final
Innovation
-
Pontuação DVB
(Proposta base)
Land User & ecology
Pontuação Edifícios de
referência (valor médio)
Waste
Materials
Pontuação máxima
BREEAM
Water
Transport
Energy
Health & wellbeing
Management
0%
5%
10%
15%
20%
Figura 7.1 - Classificação dos edifícios de referência (valor médio) e Caso de estudo (proposta inicial) obtidos através do
BREEAM ("Pre-assessment").
Pode-se afirmar que as medidas adicionais que resultaram no aumento da classificação final no
caso do cenário 1 para o cenário 2, devem-se na sua maioria às novas exigências regulamentares
existentes em Portugal após o ano de 2006, que não vigoravam durante o licenciamento dos
edifícios de Referência. Assim como o cumprimento do critério Man3 (critério que defende a
redução do impacte da construção através de uma adequada gestão e monitorização em obra), que
se define como uma das actuais práticas da empresa e que foi necessária para a obtenção do
Certificado Ambiental (ISO14001) em obra.
Quanto aos critérios BREEAM relacionados com o uso do solo e ecologia (LE) e transporte (Tra),
não foram aqui avaliados devido aos seguintes motivos:
162 |

São definidos em fases preliminares do projecto,

São inalteráveis após a implantação do empreendimento.
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Quantificação dos pressupostos
Apesar disso, verifica-se que os edifícios de referência (nomeadamente DVC e DVP) possuem uma
melhor classificação nestas categorias (LE e Tra), quando comparados com o caso de estudo DVB,
pelo facto destes se localizarem em zonas urbanas já desenvolvidas (zonas não sensíveis) e bem
servidas com meios de transporte público (exigências essenciais das duas categorias do BREEAM),
enquanto o caso de estudo se localiza numa zona periférica com reduzida densidade urbana
(apesar dos reduzidos níveis de biodiversidade apresentados nos estudos de impacto ambiental
realizados).
Neste sentido, pode afirmar-se que somente metade dos critérios (LE 4 a LE 6) disponíveis na
categoria “Land user and ecology section credit” (ver anexo I) poderiam ser alcançados no caso de
estudo. Os créditos disponíveis nestes critérios referem-se às medidas de minimização que podem
ser promovidas, já após a fase de prospecção durante a construção e utilização do
empreendimento.
O procedimento seguinte pretende aumentar a classificação do caso de estudo (proposta inicial cenário 2), apresentando assim dois novos cenários de intervenção (cenários 3 e 4). Salienta-se
novamente, que um dos objectivos deste trabalho foi avaliar as implicações económicas e
ambientais de critérios de sustentabilidade baseados nestes cenários de intervenção. Ou seja, na
primeira intervenção, pretende-se avaliar as implicações em aumentar a classificação "PASS" (DVBProposta inicial) para "VERY GOOD" (cenário 3), e numa segunda intervenção promover o aumento
da classificação de "PASS" para "EXCELLENT" ( cenário 4), conforme a classificação definida pelo
BREEAM (ver figura 7.2).
“Excellent”
80%
70%
“Very Good”
60%
“PASS”
50%
40%
“PASS”
70,66%
30%
20%
60,18%
34,46%
50,38%
10%
0%
Ref erência
DVB inicial
DVB 1ª intervenção
DVB 2ª intervenção
Quais as implicações (económicos e
ambientais) associadas?
Figura 7.2 - Comparação e análise associado aos diferentes cenários.
163 |
Capítulo 7
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
7.2
Análise e selecção dos critérios de sustentabilidade a serem introduzidos.
O primeiro passo deste trabalho consistiu na identificação de sessenta e um critérios abrangidos
(definidos para o caso de estudo) pela Versão Britânica para a tipologia de "Retail" (conforme
referido no capítulo 4), através de diferentes grupos de análise pré-estabelecidos dos quais se
destacam:

Os critérios abrangidos pela legislação Nacional e Europeia (denominado Grupo A) Os critérios abrangidos por este grupo possuem requisitos já contemplados (ou
parcialmente contemplados) pela legislação Portuguesa ou pela Directiva Europeia, ou seja,
apesar destes critérios estarem originalmente enquadrados na Legislação Britânica,
poderiam facilmente ser adaptados a Portugal. Assim, estes critérios, em conjunto com
outras medidas consideradas práticas comuns da empresa, não foram considerados para a
análise (numa óptica de investimento sustentável) pois o enquadramento legislativo ou as
práticas comuns da empresa já os incorporam naturalmente.
Conforme referido, e como poderá observar-se na tabela 7.1, os critérios distinguem-se
como critérios regulamentares (R) e como práticas correntes da empresa Chamartín
Imobiliária (PE).
Tabela 7.1- Critérios abrangidos pelo Grupo A (com possível adaptação regulamentar local) (Fonte: BRE, 2008)
(adaptado)
Grupo A
Management section credits
Man1 Commissioning
Man2 Considerate constructors
Man3 Construction Site impacts
Man4 Building user guide
Health & wellbeing section credits
Hea4 High frequency lighting
Hea5 Internal and external lighting level
Hea8 Indoor Air Quality
Hea9 Volatile Organic Compounds
Hea10 Thermal confort
Hea11 Thermal zoning
Hea12 Microbial contamination
Hea13 Acoustic performance
Energy section credits
Ene1 Reduction of CO2 Emissions
Ene2 Sub-metering of substantial Energy uses
Ene3 Sub-metering of high energy load and tenancy area
Ene6 Building fabric performance & avoidance of air infiltration
164 |
Enquadramento
PE
PE
PE / R
PE
PE
PE
PE/ R
R
R
PE/ R
R
R
R
R
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Quantificação dos pressupostos
Tabela 7.1 (cont.) - Critérios abrangidos pelo Grupo A (com possível adaptação regulamentar local) (Fonte: BRE, 2008)
(adaptado)
Materials section credits
Mat7 Designing for robustness
PE
Waste section credits
Wst1 Construction site waste management
PE / R
Wst2 Recycle aggregates
R
Wst3 Recyclable waste Storage
R
Wst4 Compactor/ baler
PE / R
Pollution section credits
Pol2 Preventing refrigerant leaks
PE
Pol6 Minimising watercouse pollution
R
Pol8 Noise attenuation
R
Total de critérios: 22
Legenda
Critérios Obrigatórios
Critérios não contemplados no caso de estudo devido a inexistência de
escritórios >500m2 e espaços para lavagem de carros
PE Prática empresarial ( 7 critérios)
R
Regulamentar (10 critérios)
PE / R Prática empresarial e Regulamentar (5 critérios)

Os Critérios inadaptados à realidade Portuguesa (denominado Grupo B) - Este grupo
não se refere a uma adaptação Regulamentar (já abrangidos pelo Grupo A), mas sim a uma
adaptação cultural e construtiva local. Na impossibilidade de efectuar uma análise, em
termos de quantificação e valorização, apenas serão propostas, no capítulo 8, potenciais
soluções e perspectivas para a sua adaptação à realidade nacional (ver tabela 7.2).
Tabela 7.2- Critérios abrangidos pelo Grupo B (critérios inadaptados à realidade nacional) (Fonte: BRE, 2008)
(adaptado)
Grupo B
Management section credits
Man8 Security
Energy section credits
Ene1 Reduction of CO2 Emissions
Transport section credits
Tra3 Cyclist Facilities
Tra4 Pedestrian and cycle safety
Water section credits
Wat6 Irrigation system
Materials section credits
Mat1 Materials Specification - Major building elements
Mat2 Hard landscaping and boundary protection
Mat5 Responsable sourcing of materials
Mat6 Insulation
165 |
Capítulo 7
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
Tabela 7.2 (cont.) - Critérios abrangidos pelo Grupo B (critérios inadaptados à realidade nacional) (Fonte: BRE, 2008)
(adaptado)
Waste section credits
Wst2 Recycle aggregates
Pollution section credits
Pol1 Refrigerant GWP- Building services
Pol3 Refrigerant GWP- cold storage
Pol7 Reduction of night time light pollution
Total de critérios: 13
Legenda
Critérios Obrigatórios

Os critérios de quantificação e valorização complexa (denominado Grupo C) - Este são
os critérios cujos benefícios directos e indirectos (sociais e ambientais) são evidentes, mas
cuja quantificação económica é complexa. Desta forma, os critérios pertencentes a este
grupo foram apenas estudados numa óptica de custo de investimento inicial, como
contributo específico para alcançar a pontuação do sistema BREEAM, potenciando assim
uma forte valorização de mercado do imóvel. No caso dos critérios que foram considerados
como práticas comuns na empresa (critérios também contemplados no Grupo A), os
respectivos custos não foram contabilizados. Entre estes critérios, incluem-se as medidas
relacionadas com a biodiversidade, valores éticos, qualidade do ambiente interior e escolha
dos materiais e estão a ser analisados no capítulo 9. (ver tabela 7.3)
Tabela 7.3- Critérios abrangidos pelo Grupo C (quantificação complexa, mas com elevado valor ambiental) (Fonte: BRE,
2008) (adaptado)
Grupo C
Management section credits
Man1 Commissioning
Man3 Construction Site impacts
Man4 Building user guide
Health & wellbeing section credits
Hea1 Daylighting
Hea2 View out
Hea3 Glare control
Hea5 Internal and external lighting level
Hea6 Lighting zones & control
Hea7 Potencial for natural ventilation
Hea8 Indoor Air Quality
Hea9 Volatile Organic Compounds
Hea10 Thermal confort
Hea11 Thermal zoning
Hea13 Acoustic performance
Hea14 Office space
166 |
Critérios também
contemplados em
outros grupos
Relacionados Critérios
com a Fase de contemplados
prospecção
na análise
Grupo A - PE
Grupo A - PE/ R
Grupo A - PE
Grupo A - PE
Grupo A - PE/ R
Grupo A - R
Grupo A - R
Grupo A - R
Grupo A - R
x
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Quantificação dos pressupostos
Tabela 7.3 (cont.) - Critérios abrangidos pelo Grupo C (quantificação complexa, mas com elevado valor ambiental)
(Fonte: BRE, 2008) (adaptado)
Grupo C
Energy section credits
Ene6 Building fabric performance & avoidance of air infiltration
Transport section credits
Tra1 Provision of public transport
Tra2 Proximity to amenities
Tra3 Cyclist Facilities
Tra4 Pedestrian and cycle safety
Tra5 Travel plan
Tra7 Travel information space
Tra8 Deliveries and manoeuvring
Water section credits
Wat3 Major leak detection
Materials section credits
Mat1 Materials Specification - Major building elements
Mat2 Hard landscaping and boundary protection
Mat5 Responsable sourcing of materials
Mat6 Insulation
Critérios também
contemplados em
outros grupos
Relacionados Critérios
com a Fase de contemplados
prospecção
na análise
Grupo A - R
x
x
x
x
x
x
Grupo B
Grupo B
Grupo B
x
Waste section credits
Wst2 Recycle aggregates
Grupo B
Wst5 Composting
x
Land User & ecology section credits
LE1 Reuse of land
x
LE2 Contaminated land
x
LE3 Ecological value of site and Protection of ecological features
x
LE4 Mitigating ecological impacts
x
LE5 Enhancing site ecology
x
LE6 Long term impact on biodiversity
x
Pollution section credits
Pol4 NOx emissions from heating source
Pol5 Flood risk
x
Pol7 Reduction of night time light pollution
Grupo B
Pol8 Noise attenuation
Grupo A - R
Total: 34 critérios
Critérios contemplados no Grupo A: 11 critérios
Critérios a serem analisados: 7
Legenda
Critérios Obrigatórios
Critérios não contemplados no caso de estudo pela inexistência de escritórios >500m 2 (requisito
obrigatório para análise dos mesmos). Todos estes critérios estão contemplados no critério Hea
14 ( para escritórios com área inferior a 500m 2)

Os critérios quantificáveis (denominado Grupo D) - Este grupo representa os critérios
cuja viabilidade e performance económica foi estudada através da análise do VAL (Valor
Actual Liquido), da TIR (Taxa Interna de Rentabilidade) e do Payback (Retorno do
167 |
Capítulo 7
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
Investimento). Por outro lado, os valores também foram identificados e analisados em
termos de resultados ambientais (emissões de CO2eq e consumos de energia e água),
através da respectiva valorização.
Estes critérios, referem-se, na sua maioria, a medidas de gestão de energia e de água, e
representaram numa primeira análise as medidas que provavelmente poderiam fornecer
benefícios directos ao empreendedor, conforme poderá ser verificado no capítulo 10 (ver na
tabela 7.4, os critérios abrangidos por este grupo)
Tabela 7.4- Critérios abrangidos pelo Grupo D (critérios quantificáveis)
Grupo D
Health & wellbeing section credits
Hea4 High frequency lighting
Energy section credits
Ene1 Reduction of CO2 Emissions
Ene4 External lighting
Ene5 Low or zero carbon technologies
Ene7 Cold food storage
Ene8 Lifts
Ene9 Escalators & travelling walkways
Water section credits
Wat1 water consumption
Wat2 Water meters
Wat4 Sanitary supply shut off
Wat5 water recycling
Wat6 Irrigation system
Materials section credits
Mat3 Re-use of building façade
Mat4 Re-use of building struture
Total: 14 critérios
Critérios contemplados no Grupo A: 1 critério
Critérios a serem analisados: 7
Legenda
Critérios Obrigatórios
Critérios também Relacionados Critérios
contemplados em com a Fase de contemplados
outros grupos
prospecção
na análise
Grupo A -PE
x
x
x
x
x
x
x
x
x
Nos capítulos seguintes serão apresentados os resultados da análise dos critérios abrangidos por
cada um dos grupos predefinidos. No entanto, as principais temáticas deste trabalho debruçam-se
sobre os critérios quantificáveis (Grupo D) e os de complexa quantificação (Grupo C). Estes
permitiram o seguinte binómio-efeito:

Obtenção de resultados mensuráveis (benefícios directos) para os envolvidos no
projecto – este é um dos principais aspectos para a tomada de decisão por parte dos
promotores e também um dos maiores contributos para a disseminação da prática de
critérios de sustentabilidade;
168 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Quantificação dos pressupostos

Comparação e análise das implicações económicas e ambientais em diferentes cenários de
intervenção e conforme os diferentes níveis de sustentabilidade propostos para o caso de
estudo.
Conforme referido no capítulo 4, os catorze critérios seleccionados e utilizados nos dois cenários de
intervenção são pertencentes ao grupo C e D e foram introduzidos em função do seu impacte
financeiro e viabilidade técnica, ou seja, sempre que possível, foram gradativamente contemplados
em função do custo-benefício associado (ver figura 7.3).
Pontuação
máxima
BREEAM
Pontuação DVB
(Proposta base)
(cenário 2)
1ª Intervenção
(cenário 3)
Critérios
adicionados
2ª Intervenção
(cenário 4)
Critérios
adicionados
-
Management section credits
12%
7,20%
7,20%
-
7,20%
Health & wellbeing section credits
15%
13,33%
13,33%
-
13,33%
-
Energy section credits
19%
5,43%
6,11%
Ene 8
14,25%
Ene 1,Ene 5,Ene 7
Transport section credits
8%
3,69%
6,15%
Tra 3,Tra 4,Tra 7
6,15%
-
Water section credits
6%
1,33%
4,00%
Wat 1, Wat 3, Wat 4
5,33%
Wat 5
Materials section credits
12,5%
2,88%
4,81%
Mat 6
4,81%
-
Waste section credits
7,5%
5,36%
6,43%
Wst 5
6,43%
-
Land User & ecology section credits
10%
5,00%
5,00%
-
5,00%
-
Pollution section credits
10%
6,15%
6,15%
-
6,15%
-
Innovation
10%
Hea14 (+1crédito)
2,00%
Ene 5 (+1 crédito)
Classificação final
0,00%
1,00%
50,38%
60,18%
70,66%
PASS
VERY GOOD
EXCELLENT
2ª Intervenção
(cenário 4)
Innovation
Pollution section credits
1ª Intervenção
(cenário 3)
Land User & ecology section credits
Pontuação DVB (Proposta base) (cenário 2)
Waste section credits
Materials section credits
Pontuação máxima BREEAM
Water section credits
Transport section credits
Energy section credits
Health & wellbeing section credits
Management section credits
0%
5%
10%
15%
20%
Figura 7.3 - Classificação do Caso de estudo (proposta inicial) e os cenários de intervenção obtidos através da folha de
cálculo do BREEAM ("Pre-assessment").
Os resultados obtidos em cada um dos cenários de intervenção propostos, poderão ser analisados
com detalhe no capítulo 11.
169 |
Capítulo 7
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
170 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Adaptação dos critérios à realidade portuguesa
CAPÍTULO 8 – ADAPTAÇÃO DOS CRITÉRIOS À REALIDADE PORTUGUESA
8.1
Introdução
Uma das principais dificuldades de implementação de uma Ferramenta Voluntária de
Sustentabilidade de nível internacional prende-se com a incapacidade de adaptação de alguns dos
seus requisitos às realidades específicas regionais ou nacionais, conforme descrito no capítulo 3
(secção 3.1.7).
171 |
Capítulo 8
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
Presentemente, o maior desafio consiste em encontrar os mecanismos para que a certificação da
sustentabilidade seja reconhecida “além fronteiras” de forma mais uniformizada e estruturando-se
em standards mínimos. Esta situação é determinante para as empresas internacionais com
empreendimentos em diferentes países, bem como para a definição de “Benchmarking” e para a
definição de “rankings” entre empresas que actuam no mesmo sector, como é o caso dos
promotores dos Centros Comerciais.
A não existência desses “standards” na certificação implicaria a necessidade de os “players”
internacionais dominarem diferentes modelos nacionais e regionais de certificação (com diferentes
metodologias, critérios e factores de relevância), ou simplesmente se depararem com a ausência
dos mesmos, em determinados países.
Neste contexto, e tendo em conta que a versão “BREEAM Europe” somente ficou disponível ao
público no Outono de 2009 (fase posterior à execução da maioria deste trabalho) (conforme descrito
no capítulo 4), serão aqui apresentadas algumas propostas de adaptação dos critérios do BREEAM
(versão Britânica) de forma a promover a aplicabilidade deste método à realidade Portuguesa.
Assim, espera-se neste capítulo, contribuir para a regularização e adequado enquadramento do
BREEAM, como demais ferramentas internacionais, ao contexto português.
8.2
Enfoque nos critérios que já estão abrangidos pela legislação local (Grupo A).
Um dos primeiros procedimentos realizados neste trabalho consistiu na identificação dos critérios
BREEAM que possuíam semelhanças e que facilmente se adaptariam à legislação Nacional e/ ou
Europeia. Assim, os investimentos necessários para a implementação destes critérios seriam
justificados pela obrigatoriedade dos mesmos.
Desta forma, apresenta-se, na tabela 8.1, o paralelismo resultante dos critérios do BREEAM e do
seu enquadramento com a Regulamentação em vigor em Portugal. Assim, torna-se importante
ressalvar duas intervenções realizadas durante a análise deste grupo de critérios:

Na tabela 8.1, poder-se-á realizar uma comparação simultânea entre os critérios do
BREEAM, enquadrados com Regulamentos, sistemas e procedimentos Britânicos
comparados com os Regulamentos em vigor em Portugal. Nos casos em que o
enquadramento legislativo não tenha sido suficiente para cumprir as exigências definidas
pelo BREEAM, estes foram incluídos em outros grupos;
172 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Adaptação dos critérios à realidade portuguesa

Verificar-se-á nesta mesma tabela a inclusão dos critérios que sejam considerados como
práticas comuns da empresa co-financiadora, decorrentes dos objectivos e requerimentos
necessários para a obtenção da Certificação Ambiental ISO14001.
Tabela 8.1- Critérios da Ferramenta BREEAM associados à Regulamentação Portuguesa.
Critérios Breeam
Enquadramento legislativo local
Man1- "Commissioning"
Refere-se à nomeação de uma equipa especializada de forma
a monitorizar e assegurar o adequado funcionamento das
instalações e o cumprimento das regulamentações locais. Entre
as acções especificadas incluiem-se medidas preventivas.
Prática Habitual da Chamartin: Um mês antes da Abertura do empreendimento é
nomeada uma equipa de manutenção (constituida por responsáveis técnicos
especializados nos diferentes equipamentos instalados) que estará
permanentemente ao servico do Centro Comercial. Além disso, antes da
abertura e periodicamente são efectuadas medidas preventivas.
Créditos disponíveis: 2
Man2- "Considerate construction"
Refere-se a verificação de princípios de gestão aplicados em
obra, onde estejam a ser contempladas as melhores práticas
ambientais e sociais. A verificação decorre através da
avaliação de uma "checklist" composta por 131 requisitos,
subdivididos em oito diferentes temáticas,nomeadamente:
Segurança, boa vizinhança, responsabilidade, limpeza, entre
outros.
Prática Habitual da Chamartin: Dentre os requisitos contemplados neste critério,
pode-se afirmar que aproximadamente 60% são considerados práticas da
empresa em cumprimento com os sistemas de gestão internamente em vigor,
nomeadamente: a Política de Sustentabilidade, Código de ética e aplicabilidade
das normas internacionais ISO9001, ISO14001 e OSHA18001.
Créditos disponíveis: 2 (1 crédito para o cumprimentos de pelo
menos 50% dos requisitos e 2 créditos para o cumprimento de
80% dos requisitos).
Man3 Impactos na construção
Refere-se às boas prácticas que deverão ser implementadas
na obra, e relacionado com os seguintes temas:
A) Energia (ou emissões) consumidas nas actividades.
B) Energia (ou emissões) associado ao transporte de materiais.
C) Consumo da água
D) Poluição do ar
E) Poluição da água
F) O empreiteiro contratado deverá ter uma Política de compra
ambiental.
G) O empreiteiro contratado deverá possuir um Sistema de
Gestão ambiental reconhecido.
Os ítens D e E estão contemplados na DIA (Declaração de Impacto Ambiental)
como uma das exigências da CCDR (Comissão de Coordenação de
Desenvolvimento Regional) a ser implementada no Caso de estudo em Braga, e
de acordo com o cumprimento da Portaria nº 330/2001 (anexo II, IV E Vreferem-se aos procedimentos de recolha, elaboração dos relatórios e
monitorização) do Dec.Lei nº 69/2000.
Práticas habituais da Chamartin: monitorização, relatórios e metas anuais dos
itens A e C são consideradas práticas habituais da empresa para a
implementação e manutenção dos Certificados ambientais (ISO14001).
Créditos disponíveis: Com o cumprimento destas medidas seria
possível adquirir 2 de 3 créditos disponíveis.
Man4 - Manual do Utilizador
Neste critério o Breeam define uma lista de assuntos que Prática habitual da Chamartin: São fornecidos a todos os operadores (lojistas) um
deverão estar no manual. Dos conteúdos, destacam-se: "Manual do Operador" onde estão a ser contemplados todos os assuntos
Informações dos servicos do edifício, Informações de exigidos pelo Breeam.
emergência, estratégias ambientais implementadas no edifício,
Informações sobre meios de transportes, links de interesse,
entre outros.
Créditos disponíveis: 1 crédito.
Hea4 -"High frequency lighting"
Refere-se à utilização de balastros electrónicos em 100% das Prática habitual da empresa: verificou-se em todos os centros comerciais
lâmpadas fluorescentes existentes no edifício.
(Edifícios de referência) a presença de balastros electrónicos em 100% das
lâmpadas fluorescentes existentes no edifício.
Créditos disponíveis: 1 crédito.
173 |
Capítulo 8
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
Tabela 8.1 (cont.)- Critérios da Ferramenta BREEAM associados à Regulamentação Portuguesa.
Hea5- Níveis de iluminação interior e exterior
Assegurar que os níveis de iluminação em todas as áreas
Prática Habitual da Chamartin: Cumprimento da norma ISO8995/CIES 008 / E ,
internas e externas estejam em conformidade com os níveis de que definem os níveis de iluminância para espaço interior e exterior.
iluminância (em Lux) recomendados pelo CIBSE (The
Chartered Institution of Building Services Engineers)(UK).
Referências:
"Code for lighting:Part2", CIBSE 2004
Lighting Guide 7 "Office Lighting", CIBSE 2005
Lighting Guide 6 "The Outdoor Environmental", CIBSE 1992
Créditos disponíveis: 1 crédito.
Hea8- Qualidade do Ar interior (QAI)
Reduzir os riscos para a saúde associados à reduzida QAI. Os
itens a seguir são definidos em conformidade com as
recomendações do CIBSE (The Chartered Institution of
Building Services Engineers)(UK), sendo estes:
1) Ar-condicionado-Entre entradas e saídas do ar devem
existir 10 metros de distância e as entradas de ar devem estar
sempre afastadas mais de 20 m de fontes de poluição.
2) Ventilação natural-Quando existirem aberturas, estas devem
estar pelo menos a 10m de distância das fontes de poluição
externas.
3) Definição dos caudais mínimos de ar novo nos escritórios:
12 litros/ segundo/ pessoa e 8l/s.pessoa nos outros espaços.
4) Devem ser definidas medidas de controlo e monitorização
dos níveis de CO2 nos espaços interiores, incluindo a utilização
de sensores.
Créditos disponíveis: 1crédito.
De alguma forma, todos os itens definidos no critérios Hea8 são abrangidos pelo
Decreto-lei 79/2006 (RSECE - QAI), no entanto, verifcam-se algumas diferenças:
1) e 2) são definidas as medidas para promover a qualidade do ar interior tendo
em atenção as fontes externas, no entanto, não são definidas as distâncias
mínimas a cumprir.
3) No DL79/2006 (Anexo 6º pag 2438), os caudaís de ar novo definido para
áreas comerciais, são de : 5m3/(h .m2) e 30 m3/hora.ocupante (o equivalente a
8,33Litros/segundo.ocupante).
4) O DL79/2006 ( Capítulo IV art.12º pg2421) define a monitorização periódica
de níveis de poluentes (inclusive CO2). No entanto, não se verifica uma
exigência legislativa para a utilização de sensores de controlo de QAI.
Práticas Habituais da Chamartin: No caso de estudo, pode considerar-se o
cumprimento deste item, pois a utilização de sensores conjugados com a gestão
técnica centralizada, já é uma prática habitual nos centros comerciais da
empresa em estudo.
Hea9- Compostos Orgânicos Voláteis (COVs)
Tem o objectivo de encorajar a escolha de materiais com
reduzido COVs que tenham sido testados e que cumpram
determinadas Normas Europeias. No Manual do Breeam,
estão disponíveis as normas europeias para diferentes
materiais (incluindo painéis, estruturas e pavimentos de
madeira, revestimentos diversos, tecto suspenso, papéis de
parede, tintas*)
* as tintas e vedantes devem cumprir a 2º Fase da Directiva
2004/42/CE
Créditos disponíveis: 1 crédito.
- Decreto-lei 79/2006 4 de Abril Art.29 e anexo VII (RSECE) estabelece limites
de emissões para COVs.
- No que se refere às tintas, o Decreto -Lei 181/2006 transpõe a Directiva
2004/42/CE. A data limite para cumprimento da 2º fase (que se refere aos níveis
de VOC mais reduzidos) entrará em vigor em 2010. No entanto, todas as tintas
propostas para o caso de estudo (DVB) já estão a cumprir essa exigência.
- Todas as Normas Europeias listadas no Manual do Breeam, encontram-se
harmonizadas, ou seja, encontram-se publicadas no JOUE (Jornal Oficial da
União Europeia), podendo ser objecto de marcação CE, ou de o serem a curto
prazo.
Das normas consideradas pelo Breeam, verificam-se os seguintes períodos de
início (Dipc) e término (Dtpc) de coexistência. Após este período, somente
poderão circular produtos com Marcação CE, sendo esses:
EN13986:2002 (Dipc-01/01/2005_Dtpc-01/01/2006)já em vigor.
EN14080:2005 (Dipc-01/04/2006_Dtpc-01/12/2011)
EN14342:2005+A1:2008 (Dipc-01/03/2009_Dtpc-01/03/2010)já em vigor.
EN14041:2004/AC:2006 (Dipc-01/01/2007_Dtpc-01/01/2007)já em vigor.
EN13964:2004/A1:2006 (Dipc-01/01/2008_Dtpc-01/01/2009) já em vigor.
Hea10 - Conforto térmico
O Breeam exige que a temperatura interna esteja de acordo
com CIBSE AM11 Guide A "Environmental Design"
Temperatura interna recomendada: Inverno: 19ºC a 21ºC;
Verão 21ºC a 23º C.
Créditos disponíveis: 1 crédito.
174 |
Decreto-lei 80/2006 (RCCTE) Artigo 14º Alínea a, determina as condições
interiores de referência para temperatura interna e humidade.
Temperatura interna: 20ºC para estação de aquecimento e 25ºC e 50% de
humidade relativa para a estação de arrefecimento.
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Adaptação dos critérios à realidade portuguesa
Tabela 8.1 ( cont.)- Critérios da Ferramenta BREEAM associados à Regulamentação Portuguesa.
Hea12- Minimizar a contaminação da Legionella.
Hea12- Minimizar a contaminação da Legionella. O Breeam Decreto-lei 79/2006 4 de Abril Art.29 ( alínea 9), além deste regulamento está
neste critério exige que o projecto cumpra as medidas definidas disponibilizado pela Direcção Geral de Saúde (DGS) , um guia para minimizar a
no Manual "Legionnaires disease - the control of legionella contaminação da Legionella.
bacteria in water systems".
Prácticas Habituais da Chamartin: O caso de estudo está a seguir o DGS
"Doença do Legionário - Guia Prático", refere-se a um guia disponibilizado pela
Créditos disponíveis: 1 crédito
DGS- Direcção Geral de saúde, conforme acima referido.
Ene1- Redução das emissões de CO2
Baseia-se no EPC ranking (Energy Performance Certificate) No caso do DVB, foi realizada uma adaptação da redução de CO2 com base nos
Britânico.
limites do SCE-Nacional.
Esta medida integra-se com a solução de outros critérios (Ene5 e Ene7)
Créditos disponíveis : 15 créditos
Ene2 - Contadores por tipos de consumo de energia e Ene3 - Contadores por fracções
Identificação de contadores por tipos de consumo de energia Estas medidas são essenciais para verificar e cumprir as exigências legislativas
(iluminação, climatização, equipamentos…)
(Dec. Lei 78, 79 e 80/2006), principalmente no que se refere às diferentes
fracções. No entanto, não se verifica a utilização obrigatória de contadores por
Créditos disponíveis: 1 crédito
tipo de consumo (conforme referido no critério Ene2), com a excepção do
sistema de climatização, conforme referido no DL79/2006 Artigo14º:
Identificação dos Consumos pelas diferentes fraccções (lojas,
"Todo o sistema de climatização comum a várias fracções autónomas ou
áreas comuns, restauração)
edifícios, tem necessariamente de dispor de dispositivos para contagem dos
consumos de energia de cada uma das fracções autónomas ou edifícios servidos
Créditos disponíveis: 1 crédito
pelo sistema."
Ene 6- Performance do edifício e pontes térmicas evitadas.
O Critério está definido por 11 requisitos, entre estes, medidas
solares passivas (item 1 a 7) afim de reduzir as possíveis
perdas térmicas e outras medidas preventivas e inspeccções
(incluindo análise termográfica) (item 8 a 11)
- O Decreto - lei 80/2006 (RCCTE) visa as medidas para maior qualidade
térmica dos edifícios.
- O Decreto - lei 78/2006 (SCE) visa assegurar o cumprimento dos requisitos
impostos no RSECE e RCCTE , através de inspeccções periodicas e
identificação de medidas correctivas e melhorias.
Créditos disponíveis: 1 crédito
Mat7- Projectar para a robustez
Projectar para a robustez, através de adequada protecção aos Não se verificou uma legislação específica para este tema. No entanto, consideraespaços vulneráveis.
se este critério como prática habitual da empresa, e a sua aplicabilidade nos
diferentes Centros Comerciais existentes.
Créditos disponíveis: 1 crédito
Wst1- Promover a gestão adequada dos resíduos de construção.
Wst1- Promover a gestão adequada dos resíduos de Portaria 209/2004 de 3 de Março_ Aprova a Lista Europeia de Resíduos (LER)
construção.
transposto para a Legislação Portuguesa DL239/ 97.
A) Encorajar a redução dos resíduos gerados ( calculado em Todos os resíduos produzidos (inclusive resíduos de construção) devem ser
identificados e classificados de acordo com a LER. Este regulamento estabelece
m3 ou vol de RCD / 100 m2 ABC)
B) Encorajar a reutilização e a reciclagem (mais de 75% do regras para a gestão adequada dos resíduos , nomeadamente:recolha,
peso ou 65% do volume dos resíduos não perigosos devem transporte, armazenamento, tratamento, valorização e eliminação.
ser reencaminhados para a reciclagem).
Práticas Habituais da Chamartin: Em todas as obras que foram monitorizadas e
reportadas em fase de Obra (neste caso DVTejo, DVOvar e DVCoruña),
Créditos disponíveis: (A) 3créditos + (B) 1crédito. Existe ainda
verificaram-se o cumprimento e a obtenção do valor máximo do item A (3
mais 1 crédito extra, caso o item B tenha resultados superiores
créditos), ou seja, em todos os casos foi superior à melhor prática. (<4,7Ton
a 90% do peso ou 80% do volume de resíduos não perigosos
RCD/100m2ABC)
reencaminhados para a reciclagem.
Wst2 - Uso de agregado reciclado
Uso de agregado reciclado em estruturas e pavimentos dos Decreto lei 46/2008 de 12 de Março - Aprova o regime da gestão dos resíduos
edifícios, substituindo em mais de 25% (por peso ou de construção e demolição (RCD). No art. 6º privilegia a reutilização de solos e
volume)do total de agregados utilizados no edifício.
rochas da escavação, e no Artigo7º- a reutilização dos RCD em obra. Define a
reutilização, mas não a quantidade a reutilizar.
Créditos disponíveis: 1 crédito
175 |
Capítulo 8
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
Tabela 8.1 ( cont.)- Critérios da Ferramenta BREEAM associados à Regulamentação Portuguesa.
Wst 3 - Recolha e separação dos resíduos.
Espaços para adequada recolha e separação dos resíduos - Associado ao Decreto-lei 239/97 (conforme descrito no critério Wst1). A
durante a utilização do edifício.
recolha e a separação dos resíduos referem-se como requisitos necessários
para o adequado cumprimento do Regulamento.
Créditos disponíveis: 1 crédito
Wst4 - Compactadores
Identificação de compactadores de resíduos e pontos de água. Associado ao Decreto-lei 239/97 (conforme descrito no critério Wst1). Referemse como requisitos necessários para o adequado cumprimento do Regulamento.
Créditos disponíveis: 1 crédito
Práticas Habituais da Chamartin: A utilização de compactadores define-se como
prática habitual da empresa.
Pol2 - Detecção de fugas de gases
Refere-se a instalação de sistemas de detecção de fuga de Práticas Habituais da Chamartin: A utilização de sistemas detectores de fuga de
gases dos equipamentos.
gás define-se como prática habitual da empresa. Neste sentido 1 crédito ( no total
de 2) estará sempre garantido.
Créditos disponíveis: 2 créditos (1 crédito para a aplicação de
sistema de detecção de fugas e 1 crédito para o sistema de
corte).
Pol6 - Minimizar Poluição dos recursos hídricos
Pol6 - Minimizar Poluição dos recursos hídricos
Dec. Lei nº 226-A/2007 31 maio (art 14º)
Portaria nº1450/2007 12 nov - Anexo 1(descarga de águas residuais - ponto 3)
Créditos disponíveis: 1 crédito
Pol8 - Atenuação dos ruídos
Pol8 - Atenuação dos ruídos
Requisitos legais: DL 9/2007 de 17 de janeiro, NP 4361-2 de 2001.
Créditos disponíveis: 1 crédito
8.3
Enfoque nos critérios inadaptados à realidade Portuguesa (Grupo B).
Durante a análise da Ferramenta BREEAM (versão 2008) aplicada ao caso de estudo Dolce Vita
Braga (DVB), identificaram-se dificuldades para a implementação e ajustamento de determinados
critérios. A seguir, identificam-se os critérios considerados inadaptados (tabela 8.2), bem como a
metodologia de actuação para a sua adaptação e, sempre que possível, tendo em conta os
seguintes passos:
a) Identificar eventuais dificuldades;
b) Verificar como o tema abrangido neste critério é analisado em outras Ferramentas
Voluntárias de Sustentabilidade. Sempre que possível, recorreu-se à análise de três
diferentes ferramentas, uma internacional, nomeadamente o LEED_NC (versão 3) e duas
nacionais, o SBToolPT e LiderA.
c) Apresentar soluções de adaptação a aplicar.
176 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Adaptação dos critérios à realidade portuguesa
Por fim, será apresentado um breve paralelismo entre as soluções de adaptação propostas neste
trabalho com a primeira versão europeia (BREEAM-Europe), lançada posteriormente a este trabalho
em Outubro de 2009, conforme mencionado no capítulo 4.
Tabela 8.2 - Critérios abrangidos pelo Grupo B (critérios inadaptados à realidade nacional)
Grupo B
Management section credits
Man8 Security
Energy section credits
Ene1 Reduction of CO2 Emissions
Transport section credits
Tra3 Cyclist Facilities
Tra4 Pedestrian and cycle safety
Water section credits
Wat6 Irrigation system
Materials section credits
Mat1 Materials Specification - Major building elements
Mat2 Hard landscaping and boundary protection
Mat5 Responsable sourcing of materials
Mat6 Insulation
Waste section credits
Wst2 Recycle aggregates
Pollution section credits
Pol1 Refrigerant GWP- Building services
Pol3 Refrigerant GWP- cold storage
Pol7 Reduction of night time light pollution
Total de critérios: 13
Legenda
Critérios Obrigatórios
Sempre que surgiu a necessidade de utilizar algum dos critérios inadaptados (grupo B), e no intuito
de incrementar a classificação BREEAM nesta investigação (Very Good e/ ou Excellent),
assumiram-se as adaptações a seguir referidas:
Man8 – Segurança
Este critério reconhece e encoraja a implementação de medidas de segurança, de forma a
minimizar eventuais oportunidades de ocorrência de crimes.
Verificou-se que para o cumprimento deste critério em fase de projecto, seria necessária a
apresentação de um Relatório oficial da Entidade Policial (Departamento de Prevenção Contra o
Crime - Crime Prevention Design Advisor - CPDA ou Archictectural Liaison Officer- ALO), orgão
existente em Inglaterra. Este órgão não existe em Portugal.
177 |
Capítulo 8
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
No relatório, deveriam constar:

Auditoria do projecto e eventuais advertências;

A fase do projecto em que a auditoria foi realizada;

O resumo das recomendações.
Para o caso de outros países que não possuam este organismo (exemplo: Portugal), uma
alternativa para a sua adequada adaptação e respectivo cumprimento do critério, passaria por
apresentar o projecto, destacando os exemplos que foram seguidos em conformidade com o
documento “Secured of Design” (SBD), uma iniciativa promovida pela Polícia Britânica, facilmente
aplicável a outros países (apesar de pontuais inadaptações). Este refere algumas boas práticas a
ter em consideração durante um referido projecto, como por exemplo:

O projecto deve ser sensível ao contexto social e ambiental local, desta forma poderá
ajudar a estreitar a relação de vizinhança e contribuir para o aumento da identidade da
comunidade local;

As áreas públicas e semi-públicas devem ser facilmente visualizadas pelos edifícios mais
próximos;

Estudos que promovam a localização mais adequada da iluminação exterior, poderão
efectivamente ajudar a reduzir os riscos de crime.
Este documento pode ser consultado em: www.securebydesign.com
Enquadramento com a versão Internacional "BREEAM EUROPE" (Outubro de 2009):
 Este critério (Man8) encontra-se excluído na nova versão internacional do BREEAM.
Ene1 – Redução da Emissão do CO2
Este critério reconhece e encoraja as medidas que minimizem as emissões de CO 2. Neste critério,
estão disponibilizados 15 créditos que são fornecidos em função dos valores absolutos de emissão
de CO2 e estipulados no “EPC Rating”. O EPC (Energy Performance Certificate) é similar ao SCE
(Sistema de Certificação Energética) aplicado em Portugal e nos restantes Países da União
Europeia, estando estas, em conformidade com a Directiva Europeia 2002/91/EC (Conforme
referido no Capítulo 2).
A tabela 8.3 especifica os critérios do BREEAM disponibilizados em função do índice de CO2 de
cada edifício analisado (novos e reabilitados).
178 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Adaptação dos critérios à realidade portuguesa
Tabela 8.3 - Número de créditos disponíveis em função do Índice de CO2 do edifício analisado (Fonte: BREEAM, 2008)
a) Identificação das eventuais dificuldades:
Como poderá verificar-se na tabela 8.3, uma das maiores dificuldades na adaptação de um projecto
fora do Reino Unido é a inadaptação associada aos factores de emissão de CO2eq (diferenciado
para cada país), bem como os limiares de referência utilizados. Ou seja, assim como sucede no
Reino Unido, em outros países europeus, são determinados limites mínimos de eficiência energética
para cada tipologia. Em Portugal, esses limites são definidos como IEE referência (Índice de
Eficiência Energética), apresentados em quilogramas equivalentes de petróleo por unidade de área
útil do edifício (Kgep/M2.ano). No caso da aplicação destes critérios em relação a outros Países,
através do BREEAM Internacional, deveria considerar-se a flexibilidade para melhor adaptação
deste critério ao Sistema de Certificação Energética de cada país.
b) Como o tema abrangido neste critério (ENE1) é analisado em outras Ferramentas
Voluntárias de Sustentabilidade:
Recorreu-se à análise das seguintes ferramentas:

LEED-NC (versão 3):
EA Crédito 1- Optimizar a performance energética.
O LEED-NC disponibiliza para este critério 10 pontos, que poderão ser alcançados através do
aumento da performance do edifício (valor em percentagem), em comparação com a
performance de referência disponibilizada pela ASHRAE/IESNA Standard 90-1-2007. A
percentagem é definida pelo custo de energia evitado em comparação com uma solução
179 |
Capítulo 8
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
estandardizada. Na tabela abaixo (tabela 8.4), é possível verificar a pontuação distribuída em
função do custo que foi evitado.
Tabela 8.4- Número de créditos do LEED disponibilizados em função do custo com energia evitados (expresso em
percentagem) (Fonte: LEED, 2009).

SBTool PT:
Parâmetro P7- Consumo de Energia Primária não renovável na fase de utilização.
Este parâmetro é analisado em função dos valores considerados no RCCTE, e conforme os
requisitos do SCE, ou seja, a pontuação é atribuída em conformidade com os resultados obtidos
no Sistema de Certificação Energética, definido através do valor estimado de Energia Primária
não renovável (PENR).

LiderA:
Critério C7- Certificação Energética / Consumo de energia.
De acordo com a Ferramenta Lidera, a atribuição de pontos em função deste critério está em
conformidade com RCCTE e RSECE, bem como em relação aos valores relacionados com
certificados de eficiência energética. Ou seja, a classificação está directamente relacionada com
o resultado atribuído na Certificação Energética para o edifício analisado.
180 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Adaptação dos critérios à realidade portuguesa
c) Solução de adaptação a aplicar:
Conforme anteriormente mencionado, no caso da Aplicação do BREEAM Internacional, este critério
deveria ser adaptado ao Sistema de Certificação Energética aplicado a cada País Europeu, e não a
um índice fixo de CO2, que desconsidera o factor de emissão e limites regulamentares diferenciados
para cada País.
Verificou-se, nas ferramentas aplicadas ao Mercado Português (SBToolPT e Lidera), que ambas
utilizam directamente os resultados obtidos no Sistema de Certificação Energética para realizar a
classificação do critério (Parâmetro), atribuindo entre A (melhor desempenho) e E (Pior
desempenho).
A adaptabilidade do critério Ene1 (BREEAM) para a realidade Nacional poderia seguir a mesma
lógica verificada nas Ferramentas Voluntárias Nacionais. No entanto, devido à incompatibilidade das
classificações definidas pelas pontuações de 0 a 15 créditos (também se verifica no LEED-NC), e
ao invés da classificação estipulada entre A e G, conforme as ferramentas nacionais, propõe-se a
seguinte adaptação:
 Utilização das referências nacionais definidas pelo Sistema Nacional de Certificação
Energética e Qualidade do Ar Interior nos Edifícios (SCE) conjugadas com a classificação
definida pelo LEED, bem como pela anterior versão do BREEAM 2006 (ver tabela 8.5).
Tabela 8.5- Tabela apresentada na versão 2006 do BREEAM adaptada à Realidade Nacional Portuguesa (Fonte:
BREEAM, 2006) (adaptação).
% de redução de CO2 do
IEEnom comparado com o
IEEref
Créditos Breeam
• +1%
1 credit
• +2%
2 credits
• +4%
3 credits
• +6%
4 credits
• +8%
5 credits
• +10%
6 credits
• +12%
7 credits
• +14%
8 credits
• +18%
9 credits
• +22%
10 credits
• +30%
11 credits
• +40%
12 credits
• +50%
13 credits
• +60%
14 credits
• >70%
15 credits
A diferença resultante (em percentagem) entre o Indicador de Eficiência Energética de Referência
(IEEref) comparado com o Indicador de Eficiência Energética Nominal (IEEnom), deve ser
directamente reportada à tabela 8.5, que se encontra acima referida. O factor de conversão de
181 |
Capítulo 8
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
emissões de CO2 deverá utilizar o valor disponibilizado para a Certificação Energética (factor de
conversão: 0.0012 tonCO2 por Kgep).
É importante ressalvar uma característica imposta pelo BREEAM, aqui considerada neste critério, e
que de alguma forma poderia influenciar positivamente outras ferramentas. A característica em
questão refere-se à obrigatoriedade de cumprir com um determinado número de créditos para
alcançar uma classificação final prestigiante. Assim, conforme descrito na tabela 3.1 (Capítulo 3),
seria preciso cumprir pelo menos com 6 a 10 créditos deste critério, para atingir respectivamente a
classificação "Excellent" e "Outstanding". Dessa forma garante-se que um edifício certificado com
notoriedade tenha necessariamente um bom desempenho e elevada classificação energética, não
gerando desse modo eventuais conflitos conceptuais.
Enquadramento com a versão Internacional "BREEAM EUROPE" (Outubro de 2009):
 O critério (Ene1) na nova versão internacional, encontra-se adaptado ao
Regulamento de cada País e aos respectivos métodos de cálculo aplicado. São
fornecidas também duas outras opções de actuação, para o caso de países que não
possuem métodos de cálculo de energia.
Tra 3 – Instalações para Ciclistas
Este critério propõe uma infra-estrutura adequada com o objectivo de incentivar os utilizadores
(operadores e visitantes de Centros Comerciais) a utilizar bicicletas como meio de transporte. Neste
critério, são disponibilizados dois créditos, sendo o primeiro definido pelos seguintes requisitos:

O número de vagas deverá ser equivalente a 10% do número de trabalhadores a "full time";

Adicionando ao número anterior, deverá ser providenciada área de parqueamento para
bicicletas equivalente a 5% do total do número de vagas de estacionamento (carros) para
clientes (excluindo vagas reservadas);

Existe a possibilidade de considerar a instalação mínima de 50 vagas. No entanto, o critério
não é muito esclarecedor quanto à sua aplicabilidade em qualquer projecto, pois poderá
apenas limitar-se aos edifícios cujo resultado (soma dos requisitos anteriores) seja inferior a
50 vagas.
182 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Adaptação dos critérios à realidade portuguesa
O segundo crédito é fornecido caso o edifício contemple instalações de apoio aos ciclistas, tais
como duches, cacifos e balneários e espaços para secagem de roupa. Pelo menos duas destas
medidas deveriam ser contempladas.
No manual para assessores, são disponibilizadas notificações que deverão ser consideradas
durante a fase de projecto. Essas notificações referem-se a distâncias mínimas e medidas de
segurança.
Para o caso de estudo analisado (DVB), e conforme o critério original (conforme exigido pela
Ferramenta Britânica), seriam necessárias 144 vagas para bicicletas, 144 cacifos e 14 chuveiros.
a) Identificação das eventuais dificuldades:
Uma das principais inadaptações verificadas neste critério relaciona-se com o aspecto cultural, bem
como com os diferentes esforços públicos para a definição de infra-estruturas e incentivos fiscais.
Apesar do aumento das diferentes iniciativas que procuram incentivar o uso de bicicletas em
Portugal (que à frente poderão verificar-se), estas continuam a ser muito pontuais, desarticuladas
entre si e não integradas com outros meios de transporte. Contrariamente, poderá constatar-se que,
em outras cidades europeias, como em Paris, através da criação da “Vélib” (bicicletas de utilização
pública); em Amesterdão, onde a utilização de bicicletas como meio de transporte representa mais
de 20%; em Ferrara, na Itália, onde se verifica uma utilização de 31% destas como meio de
deslocação trabalho-casa; bem como em Inglaterra, onde se verificou um aumento de 87% de
ciclistas desde o ano 2000 (Caetano J.M., 2008).
Situação em Portugal
Iniciativas pontuais de incentivo ao uso de bicicletas:

Bugas em Aveiro: são disponibilizadas mais de 300 bicicletas para uso público. Tem-se
verificado uma significativa adesão, não somente para os turistas, mas também como
opção de transporte de rotina;

Bicas em Cascais: são disponibilizados aproximadamente 250 bicicletas para uso público;
As duas iniciativas apresentadas estão a ser promovidas pelas autarquias locais.

Bute nas Universidades: Conceito desenvolvido pela empresa Ideiabiba e iniciada na
Universidade do Minho. Esta iniciativa já integra mais de 400 bicicletas. O sistema difere
das iniciativas anteriores (aluguer ocasional), pois o utilizador torna-se o arrendatário e
responsável pela bicicleta por um período de três anos. Estava prevista a duplicação deste
sistema para outras Universidades (Porto e Lisboa) ainda durante o ano de 2009, no
183 |
Capítulo 8
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
entanto, devido à actual crise financeira Mundial, o projecto encontra-se suspenso de
momento.

Está em curso, promovido pela Câmara Municipal de Lisboa, um projecto para desenvolver
uma rede de uso partilhado de Bicicletas (tal como foi desenvolvido em Barcelona). A
proposta é criar 250 postos (próximos das paragens de transportes públicos) para receber
2500 bicicletas a serem utilizadas por associados (detentores de um cartão de sócio e
mediante o pagamento anual de uma quantia simbólica).
De acordo com estudos sobre mobilidade pública realizados no Porto e em Lisboa (Figura 8.1), bem
como através de estudos sobre deslocações de visitantes aos Centros Comerciais Dolce Vita
(Figura 8.2), pode verificar-se uma inexpressiva mobilidade realizada por bicicletas em território
Nacional (entre 2 a 5%).
Figura 8.1- Estudos sobre mobilidade Urbana do Porto e Lisboa realizados respectivamente pelo INE (2000) e pelo
GEOTA (2002) (Fonte: BCSD, 2005)
Comboio
1%
A pé
16%
Outro Meio
(inclui
bicicletas)
2%
Autocarro/
Eléctrico
8%
Automóvel
73%
Figura 8.2- Meios de deslocação dos visitantes aos Centros Comerciais “Dolce Vita” (valor médio: DVP, DVD, DVC e DV
Ovar) (Fonte: Chamartin Imobiliária, 2008).
184 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Adaptação dos critérios à realidade portuguesa
Neste contexto, pode afirmar-se que as quantidades de vagas exigidas pelo critério são
consideradas excessivas, acarretando uma desnecessária utilização de espaço, bem como de
investimento. Neste sentido, propõe-se, numa primeira fase, um número mais adequado de vagas a
serem implementadas neste caso de estudo, como mais à frente se evidenciará.
b) Como o tema abrangido neste critério (Tra3) é analisado em outras Ferramentas
Voluntárias de Sustentabilidade:
Recorreu-se a análise das seguintes ferramentas:

LEED-NC (versão 3):
SS Crédito 4.2 – Transporte alternativo: Parqueamento para bicicletas e Vestiários.
De acordo com o LEED-NC, define-se como requisito deste critério, a instalação de
parqueamento para bicicletas, bem como chuveiros para 5% (ou mais) dos utilizadores do
edifício. Não define requerimentos de projecto, tais como especificado no BREEAM.

SBTool PT
Não define como critério, a criação de infra-estruturas para bicicletas.

LiderA
Critério C29- Mobilidade de baixo impacto.
Entre outros parâmetros analisados, este critério disponibiliza dois de cinco pontos para
projectos que assegurem ciclovias e parques de estacionamento próprios para veículos de
baixo impacto (inclusive bicicletas). Não são especificados números de vagas mínimos nem
requisitos de projecto.
c) Solução de adaptação a aplicar:
De forma a promover a adaptabilidade do critério Tra3 (BREEAM) à realidade Nacional, propõe-se
uma maior flexibilidade para a definição do número de vagas, bem com a sua execução em duas
fases. Ou seja, numa primeira fase, seria definido um número mínimo de vagas a constar no
projecto, no momento da abertura do Centro Comercial. Quanto à segunda fase, seria previsto um
determinado espaço para expansão futura, de forma que pudesse ser utilizado em função do
incremento da fluência, mas definido através de um valor máximo inicialmente estipulado.
185 |
Capítulo 8
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento

Primeira etapa: número mínimo 20 de vagas: 50 vagas (valor mínimo estipulado pelo
BREEAM).

Segunda etapa: número máximo de vagas (a serem previstas no projecto, como futura
expansão): 144 vagas (valor inicialmente estipulado para o caso de estudo).
Considera-se pouco provável um aumento do fluxo de ciclistas de forma a cumprir com este
requisito. Este facto deve-se à topografia do local, assim como estar inserido numa área de tráfego
rodoviária pesado.
Enquadramento com a versão Internacional "BREEAM EUROPE" (Outubro de 2009):
 O critério (Tra 3) na nova versão internacional, disponibiliza cinco opções
alternativas ao uso de carros privados :
 opção 1 e 2: mantém-se os requisitos relacionados com as bicicletas,
 opção 3: Negociar com empresas de transporte público o aumento de
serviços próximos do empreendimento,
 opção 4: Disponibilizar parques para carros eléctricos,
 opção 5: Definir medidas que incentivem a utilização de "car sharing".
Tra4 – Segurança para pedestres e ciclistas
Este critério previne e encoraja a utilização de adequadas circulações e acessos para pedestres e
ciclistas no empreendimento. Entre as exigências do BREEAM para este critério, verifica-se a
inabilidade em cumprir um dos requisitos utilizados para a obtenção de um dos créditos disponíveis,
e que a seguir se refere:

As ciclovias devem ser projectadas e construídas em conformidade com os seguintes
documentos: Guideline and Practical Details – issue 2 (1997, Sustrain21) e partes relevantes
do Apêndice VI do documento “NCN Design and Construction checklist”.
20
Base de cálculo utilizado para definição do valor mínimo:
Número de vagas de estacionamento de carros do DVBraga (A): 2677 vagas de automóvel
Número de vagas proposto para bicicletas = (2%) do número de vagas de carro (% média de deslocação aos
CC através de bicicletas) = 53 vagas para bicicletas (será arredondado para 50 (número mínimo estipulado
pelo BREEAM).
21
O referido guia Britânico poderá ser encontrado no seguinte site:
http://www.sustrans.org.uk/resources/publications
186 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Adaptação dos critérios à realidade portuguesa
Para o cumprimento adequado deste requisito, os projectistas do caso de estudo DVBraga, optaram
por adoptar como documento alternativo (mais adaptado à realidade Portuguesa), o seguinte guia:
"Contributos para a regulamentação de percursos cicláveis em Portugal – Instituto Superior de
Agronomia – Centro de estudos de arquitectura paisagística"22.
Enquadramento com a versão Internacional "BREEAM EUROPE" (Outubro de 2009):
 O critério (Tra 4) na nova versão internacional, continua a manter as dimensões das
ciclovias e os caminhos de pedestre que devem ser cumpridos no projecto. No
entanto, não mais faz referência a utilização de normas e guias Britânicos, podendo
este ser adaptado aos guias e manuais nacionais.
Wat 6 – Sistema de Irrigação
O objectivo deste critério do BREEAM é reduzir o consumo de água potável utilizada para rega,
quer através de técnicas de irrigação mais eficientes, quer através do aproveitamento de águas
pluviais e de águas recuperadas (reutilizadas).
Qualquer um dos seguintes requisitos deverá ser contemplado:
a. Adopção de sistemas de irrigação tipo gota a gota ("drip feed subsurface") incorporados
com sensores de humidade do solo. O sistema deve ser instalado por zona, para permitir
uma rega variável em função das espécies de flora;
b. Utilização de águas reaproveitadas advindas de águas da chuva ou cinzentas;
c. Escolha de plantas com reduzida necessidade de rega, para que em determinadas
estações apenas utilizem a quantidade inerente à precipitação;
d. Escolha somente de espécies que estejam adaptadas a climas quentes e secos;
e. Quando não referido, os sistemas de rega (incluindo sprinkler e rega manual) devem ser
especificados, de forma a que apenas sejam controlados pelos ocupantes e proprietários.
a) Identificação das eventuais dificuldades:
Quanto aos requisitos acima especificados, apenas se destaca uma determinada incoerência no
que se refere à adaptação a Portugal, nomeadamente no critério a.
22
Mais informações poderão ser localizadas no site:
www.isa.utl.pt/ceap/ciclovias/new_page_15411111.htm
187 |
Capítulo 8
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
De acordo com a sua aplicação ao caso de estudo verificou-se:

Inadequada utilização do sistema “gota-a-gota” em toda a extensão do projecto, sendo
aconselhada a sua utilização conjugada com outros sistemas que tenham maior alcance.
Conforme declarado pela Arquitecta paisagista do caso de estudo DVBraga, destaca-se:
“O sistema de rega “gota-a-gota” é por definição uma técnica de dotação de água localizada
ao nível dos caules e junto dos troncos das plantas com maior desenvolvimento de porte
aéreo, como sejam as herbáceas vivazes, os arbustos ou árvores. Desta forma, este
sistema não é apropriado ou compatível com a rega de prados e relvados porquanto estes
necessitam de rega generalizada uma vez que se trata de plantas rasteiras de
revestimento. O sistema gota-a-gota apenas regaria os prados em círculos de 30
centímetros” (Lavrador. M, 2009).

Os sensores de humidade do solo poderão ser ineficazes, pelos seguintes motivos
(Lavrador.M, 2008):
a. As características edafo-climáticas e de evapotranspiração de Portugal, que tornam
pouco eficiente e até problemático o uso de sensor de humidade;
b. O teor de humidade de solo, “lido” numa determinada área, pode não ser igual em toda
a zona de intervenção, o que originará falta de água nas áreas com menor humidade de
solo. Este cenário poderá ocorrer em locais com variação de cotas altimétricas, ou seja,
locais com tipos de solos diferenciados (arenoso e argiloso);
c. Algumas empresas retiraram esse produto do mercado, porque o consideraram pouco
eficaz e de elevada necessidade de manutenção.
b) Como o tema abrangido neste critério (Wat 6) é analisado em outras Ferramentas
Voluntárias de Sustentabilidade:
Observou-se uma preocupação em definir a redução de água potável utilizada para rega, no
entanto, não foram identificadas, em qualquer das ferramentas, limitações quanto ao sistema a
utilizar, bem como em relação à restrição de sensores de humidade.

LEED-NC (versão 3):
WE critério 1:
(Opção 1): Redução do consumo de água potável nos arranjos exteriores em 50% (vale 2
pontos);
188 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Adaptação dos critérios à realidade portuguesa
(Opção 2): Redução do consumo de água potável nos arranjos exteriores em 100% (vale 4
pontos);

SBTool PT
Parâmetro (P5) - Plantas autóctones
Neste critério, a referida ferramenta enfoca a sua acção na escolha de espécies mais adaptadas
ao clima local e que, consequentemente, minimizem o consumo de água.
Parâmetro (P14) -Volume anual de água consumido per capita no interior do edifício.
Este parâmetro não inclui a análise da rega.
Parâmetro (P15) -Percentagem de redução do consumo de água potável
Neste parâmetro, encontra-se incluído o reaproveitamento das águas residuais e águas pluviais,
contemplando os usos internos e externos (inclui rega). O cálculo final é definido com base na
percentagem de redução do consumo de água potável em função da utilização da água pluvial
e residual reaproveitada.

LiderA
Critério C3- Valorização ecológica
Verifica o número de espécies autóctones e/ou adaptadas introduzidas, sendo essas espécies
com reduzida necessidade de rega.
Critério C10- Consumo de água potável
Através deste critério, foi possível identificar duas intervenções (num total de 6) que poderiam
estar associadas à utilização de sistemas de rega mais eficientes, sendo essas:
- Aquisição de equipamentos eficientes
- Utilização de águas pluviais para uso secundário.
Critério C11- Gestão das águas locais
Uma das medidas contempladas neste critério é a recolha de águas pluviais e a sua reutilização
para rega, lavagem de pavimentos, entre outras utilizações.
c) Solução de adaptação a aplicar:
A adaptação necessária seria facultar maior flexibilidade ao item a, ou seja, ao invés da definição de
requisitos específicos (que muitas vezes podem não se adequar à realidade do País, tal como
sucede com o uso de sensores de humidade do solo), este item deve permitir diferentes estratégias
de rega, desde que seja demonstrada a eficácia das mesmas.
189 |
Capítulo 8
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
Enquadramento com a versão Internacional "BREEAM EUROPE" (Outubro de 2009):
 Não foi realizado nenhuma alteração / adaptação do critério (Wat 6) na nova versão
internacional.
Mat 1, Mat 2 e Mat 6 – Critérios relacionados com a escolha de materiais
Os critérios do BREEAM relacionados com os materiais identificam-se como os critérios com maior
nível de dificuldade em termos de implementação no caso de estudo. Essa situação é devida às
inadaptações advindas de diferenças culturais, climáticas e da própria oferta disponível no mercado,
em que se evidenciam diferenças relevantes entre Portugal e o Reino Unido.
A análise dos materiais por si só, possui particularidades e inúmeros parâmetros de análise (ver
capítulo 3) que dificultam a sua classificação enquanto material “ecológico”, logo, para tal suceder,
seria necessário analisar, quer caso a caso, quer por localidade, ou em função de parâmetros
prioritários em cada caso específico.
No caso dos critérios Mat1, Mat2 e Mat6, o BREEAM tem como objectivo encorajar a escolha de
materiais com reduzido impacto ambiental durante o ciclo de vida do edifício. Esta escolha realizase através da utilização de materiais com melhor classificação, e conforme especificado no Guia
“Green Guide to Specification” (Anderson J. et al, 2009). Este guia, com mais de 1500
especificações, e que é actualizado periodicamente, tem os parâmetros identificados por tipos de
edifícios e por elementos construtivos. A consulta do referido guia pode ser realizada através do
formato digital (site do BRE), e sendo que ao seleccionar-se o tipo de edifício, bem como de seguida
os elementos construtivos que se pretende analisar, são fornecidas diversas composições de
materiais e as suas respectivas classificações (de “A” – melhor performance ambiental a “E” - pior
performance ambiental).
a) Identificação das eventuais dificuldades:
No que compete às dificuldades, principalmente no actual cenário de internacionalização da
Ferramenta BREEAM, admite-se que os critérios referentes à escolha dos materiais deveriam seguir
um procedimento mais adaptado às diferenças culturais, climáticas e da oferta de mercado. Neste
contexto, o Green Guide apresenta-se pouco enquadrado a alcançar esse objectivo, devido à sua
rigidez, e como poderá abaixo verificar-se:
190 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Adaptação dos critérios à realidade portuguesa

Verificou-se a necessidade de clarificar a forma como estão a ser definidos os parâmetros
para a classificação final dos elementos construtivos, o que vem dificultar futuras
adaptações para outros países;

Os materiais descritos no guia deveriam ser mais ilustrativos para facilitar o entendimento e
uma rápida visualização. Muitas das vezes a conjugação entre utilização de determinados
termos técnicos (numa outra língua) e as diferenças construtivas entre países dificultam
uma interpretação objectiva;

Algumas classificações atribuídas consideraram-se questionáveis, ou seja, um material ou
elemento construtivo na Inglaterra com valor A+, poderá ter em Portugal um valor mais
reduzido ou vice-versa. Por exemplo, na classificação dos isolamentos, e conforme o
"Green Guide", atribui-se ao Poliestireno Expandido (EPS) e à Lã de Rocha a classificação
de “ A+”, o que evidencia resultados superiores quando comparado com o painel de cortiça
(apenas com classificação “A”). Este resultado aplicado a Portugal, provavelmente deveria
ser reavaliado, devido à elevada produção deste material no país. Outro exemplo foi a
melhor atribuição às caixilharias de PVC (A+), comparadas com as caixilharias de alumínio
e madeira (D), sendo que muitos outros estudos contrariam esta afirmação.
b) Como o tema abrangido nestes critérios (Mat 1, Mat 2 e Mat 6) são analisados em
outras Ferramentas Voluntárias de Sustentabilidade:
De acordo com outras ferramentas de sustentabilidade, observa-se uma maior diversidade
de requisitos utilizados para comprovar a performance dos materiais escolhidos, entre estes
destacam-se:

LEED-NC (versão 3): Os requisitos do LEED- NC, associados aos materiais e recursos,
estão subdivididos em 1 pré-requisito e 8 créditos. Destes, cinco créditos estão a ser
dirigidos especificamente para a escolha adequada de materiais, nomeadamente:
MR critério 3 - Especificar a reutilização de 5% a 10% dos materiais de construção utilizados
em obra.
MR critério 4 - Especificar a utilização de materiais com conteúdo reciclado em pelo menos,
10% a 20%, baseado no custo, do total dos materiais utilizados em obra.
MR critério 5 - Especificar que o mínimo de 10% a 20%, baseado do custo, do total dos
materiais sejam advindos de produção local.
191 |
Capítulo 8
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
MR critério 6 - Escolha de materiais rapidamente renováveis em pelo menos 2,5%, baseado no
custo, do total dos materiais utilizados em obra.
MR critério 7 - Escolha de madeiras certificadas, em pelo menos 50% baseado no custo, do
total dos materiais à base de madeira utilizados em obra. (O BREEAM também possui este
requisito, no entanto, encontra-se integrado na categoria de gestão (critério MAN3).

SBToolPT: Os requisitos do SBToolPT, associados aos materiais, estão a ser definidos
através de cinco critérios, abrangidos pela categoria Materiais e Resíduos Sólidos. Destes,
três critérios estão a ser dirigidos especificamente para a escolha adequada dos materiais,
nomeadamente:
Parâmetro (P9) Percentagem em custo de materiais reutilizados
Este critério tem como objectivo promover a reutilização de materiais advindos do próprio local
da construção ou de localidades próximas. O critério define como melhor prática a reutilização
de 15% tendo como base os custos de materiais e produtos utilizados em obra (semelhantes
aos critérios Mat 3 e 4 do BREEAM).
Parâmetro (P10) Percentagem em peso do conteúdo reciclado do edifício
Este critério fomenta a utilização de materiais reciclados. A classificação final deste critério é
obtida através de uma tabela de cálculo auxiliar onde são encontrados "Benchmarks" de
práticas convencionais e melhores práticas nacionais para diversos tipos de materiais de
construção. Através desta tabela, procede-se ao cálculo para obtenção do valor normalizado
médio do conteúdo reciclado do edifício avaliado.
Parâmetro (P11) Percentagem em custo de produtos de base orgânica que são certificados.
Tem como objectivo incentivar a utilização de produtos e materiais de base orgânica com
certificado ambiental. Como melhor prática, define-se que, pelo menos 5%, dos custos dos
materiais de base orgânica sejam certificados.

LiderA
C12- Durabilidade
O objectivo é avaliar o aumento da durabilidade de materiais utilizados no empreendimento
(semelhante ao critério Mat7 do BREEAM).
C13- Materiais locais
Utilizar materiais produzidos localmente até um raio de 100Km, em que 50% dos materiais
totais utilizados (definido por peso ou equivalente) deverão cumprir o requisito.
192 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Adaptação dos critérios à realidade portuguesa
C14- Materiais de reduzido impacte
Fomentar a utilização de materiais reciclados, recicláveis e reutilizáveis, ou que sejam
certificados ambientalmente (assim como o critério Mat5 do BREEAM) e que não utilizem
substâncias perigosas.
c) Solução de adaptação a aplicar:
Assim como foi definido pelas diferentes ferramentas de sustentabilidade, propõem-se para os
critérios relacionados com materiais, primeiramente, a existência de uma maior flexibilidade na
análise de materiais, propondo diferentes parâmetros e formas de avaliação. Adicionalmente, ao
invés de utilização de um guia com uma lista de materiais muito específica (na sua maioria
adaptados ao mercado Britânico), deveria ser admitida a análise e a escolha de materiais através de
diferentes ferramentas de Análise do Ciclo de Vida (ACV) disponíveis no mercado internacional, tais
como SimaPRO 23 (apesar de ainda pouco adaptada à realidade nacional), ou de sistemas
desenvolvidos especificamente para a realidade de determinados países. Destes, poderiam ser
utilizados métodos desenvolvidos em países como a Espanha, com soluções construtivas muito
semelhantes a Portugal (Como é o caso, da ferramenta Espanhola Banco BEDEC 24- apesar de
apenas avaliar o peso, a energia incorporada e as emissões de CO2 associadas ao material
analisado), ou mesmo usufruir de sistemas em desenvolvimento no próprio país, como seja a base
de dados (LCA), elemento auxiliar preparada paralelamente ao Método SBToolPT , conforme se teve
a oportunidade de verificar no capítulo 3 (relacionado com o ciclo de vida dos materiais), em que
foram contabilizados cinco das treze categorias de impactes ambientais, em conformidade com os
critérios de avaliação definidos nas Declarações Ambientais de Produtos (EPDs).
Enquadramento com a versão Internacional "BREEAM EUROPE" (Outubro de 2009):
 Na nova versão internacional, os créditos relacionados aos critérios Mat 1 e Mat 2,
podem ser adquiridos através de duas opções:
 Opção 1: Através do "Green Guide to Specification"
 Opção 2: Através de outras ferramentas de análise do ciclo de vida,
reconhecidas no país.
23
SimaPRO – Software de Análise do ciclo de vida, desenvolvida nos Países Baixos, pela PRÉ Consultants.
Actualmente encontra-se distribuída em mais de 60 países. É a ferramenta mais conhecida globalmente para
avaliar o ciclo de vida do produto, processos e serviços.
24
Banco BEDEC – Desenvolvida pelo Instituto de Tecnologia da Construção da Catalunha (ITEC), esta
ferramenta possui um banco de dados com mais de 375.000 informação de produtos de construção, que vão
desde preços, empresas fornecedoras à informações ambientais ( custos energéticos, emissões e resíduos).
193 |
Capítulo 8
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
Enquadramento com a versão Internacional "BREEAM EUROPE" (Outubro de 2009):
 Não foi realizado nenhuma alteração / adaptação do critério (Mat 6) na nova versão
internacional.
Mat 5 – Materiais com reduzidos impactos
Este critério refere-se à utilização de materiais certificados ou resultantes de fontes renováveis em,
pelo menos, 80% dos materiais utilizados em obra, o que inclui uma vasta variedade de materiais de
construção (naturais ou sintéticos).
Apesar da controversa discussão que poderia advir da adaptação destes critérios para a realidade
Portuguesa, devido ao reduzido enquadramento em relação ao mercado Nacional (ainda pouco
adepto de processos de certificação de materiais), este critério não foi aprofundado neste trabalho,
em muito, devido ao acesso restrito a determinadas informações, que apenas se encontram
disponíveis para os assessores licenciados pela Instituição (BRE) (Exemplo: Responsible
Sourcing Calculator- Ferramenta de cálculo para facilitar a avaliação deste critério).
Enquadramento com a versão Internacional "BREEAM EUROPE" (Outubro de 2009):
 Não foi realizado nenhuma alteração / adaptação do critério (Mat 5) na nova versão
internacional.
Wst 2 – Agregado reciclado
Este critério reconhece e encoraja a utilização de agregado reciclado25 ou agregado secundário26 na
construção, no intuito de reduzir o consumo de recursos naturais.
O objectivo é substituir 25% (peso ou volume) do total de agregado utilizado no edifício ("High grade
aggregate27"). O agregado pode ser obtido:
I.
25
No local,
Agregado reciclado: Agregados adquiridos através do processo de construção e demolição, incluindo a
manutenção de estradas e escavações.
26
Agregado secundário: Agregados adquiridos através do processo pós-industrial e pós-consumo (não
resultante do sector da construção), sendo na sua maioria resíduos de carácter regional. Inclui cinzas volantes,
resíduos cerâmicos, vidro reciclado, plástico reciclado, pneus, escória, entre outros.
27
“High grade aggregate” consideram-se: elementos construtivos, piso térreo, pisos intermediários,
pavimento betuminoso, camada de regularização. Fora do limite do edifício, estão associados aos:
pavimentos, camadas granulares compactas, base e sub-base, fundações do edifício, assentamento das
canalizações e pavimento com britas soltas.
194 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Adaptação dos critérios à realidade portuguesa
II.
Através de resíduos de construção, demolição e escavação (RCD& E) produzidos num
raio de trinta quilómetros do local.
III.
Agregados secundários obtidos através de resíduos (pós-consumo) e desperdícios (da
produção industrial).
a) Identificação das eventuais dificuldades:
As principais dificuldades destes critérios foram identificadas através de uma lista de opções
sugeridas pelo BREEAM, que são as seguintes:
I.
“Utilizar agregado obtido no local”. Este seria possível através das seguintes formas:

Aproveitamento de resíduos produzidos durante a reconstrução e/ou revitalização - solução
que mais facilmente permite alcançar a percentagem exigida (25%). No entanto, não se
aplica ao caso de estudo (DVB), pois este define-se como uma nova construção, em terreno
desabitado.

Utilização de resíduos obtidos com a escavação ou com resíduos de construção e
demolição no local – Verifica-se como bastante comum, o reaproveitamento dos solos e
rochas das escavações na própria obra, ou em outras obras. Raramente este recurso é
reencaminhado para aterros, sendo na sua maioria utilizado como enchimento,
compactação dos solos e sub-base dos arruamentos exteriores da obra, o que acaba por
limitar, muitas vezes, a sua utilização para o referido destino – agregados em camada não
ligadas de pavimentos. Para se ter uma melhor concepção do que esta quantidade
representa numa determinada obra, apresenta-se, na figura 8.3, o exemplo do caso de
estudo (DVB), onde mais de 86% dos agregados utilizados foram incorporados no edifício
(Contenção, fundações e estrutura) em betões de ligantes hidráulicos. No que respeita aos
arruamentos exteriores (agregados utilizados para base e sub-base), estes apresentam
uma expressão máxima de 14% em termos de utilização de agregados na obra, ou seja,
valor inferior aos exigidos pelo BREEAM (25%).
Quanto aos restantes resíduos de construção da própria obra, tais como o betão (exemplo: cabeça
de estacas), tijolos, telhas e cerâmicos, verificam-se as seguintes dificuldades durante a sua
utilização directa:

Realizar uma previsão da quantidade de resíduos que serão produzidos. Numa obra onde
existe um controlo rigoroso da qualidade, a produção de resíduos tende a ser reduzida, e
quando assim é, na maioria das vezes, esses resíduos são insuficientes para cumprir os
25% estipulados pelo BREEAM;
195 |
Capítulo 8
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento

Admitir os encargos adicionais associados ao procedimento de separação, trituração e
ensaios necessários;

Conjugar a sua produção e utilização com o cronograma definido para a obra.
Agregados utilizados no DVB
Percurso pedonal
Percurso v iário
1%
13%
Contenção,
Fundação e
Estrutura
86%
Figura 8.3- Percentagem de agregados utilizados no DVB
II.
Resíduos (RCD & E) obtidos num raio de trinta quilómetros do local.
Em Portugal, verifica-se um reduzido número de empresas que comercializam resíduos de
construção e demolição, o que dificulta o cumprimento deste critério. Exemplo de empresas de
referência identificadas: Ecolabor (Sintra), Valnor (Porto Alegre) e Retria (Valongo).
Outra solução passaria por identificar as eventuais obras na proximidade do estaleiro, a fim de
conjugar a recepção dos seus resíduos que poderiam ser reaproveitados.
III.
Agregados secundários obtidos através de resíduos (pós-consumo) e desperdícios (da
produção industrial).
Este item define-se como a alternativa mais apropriada a cumprir. No entanto, na prática, poucas
empresas fornecem informações referentes ao conteúdo reciclado utilizado em determinados
produtos. Na tentativa de alterar este cenário, a Agência Portuguesa do Ambiente está a promover,
através do Projecto Remade, e como associada à MATREC28, a divulgação e o reconhecimento de
produtos que contenham na sua composição mais de 50% de agregados reciclados. Apesar da
louvável iniciativa, esta revela-se ainda como bastante recente, sendo grande parte dos produtos
divulgados pela MATREC, materiais não produzidos/ disponíveis em Portugal.
Uma alternativa bastante comum, e que poderia auxiliar no cumprimento deste critério, seria a
utilização de cinzas volantes durante a produção de betão. No entanto, algumas empresas
28
Informações disponíveis no site: http://www.remadeinportugal.pt e http://www.matrec.pt.
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Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Adaptação dos critérios à realidade portuguesa
cimenteiras referem-se à reduzida e inconstante disponibilidade deste produto proveniente das
centrais termoeléctricas. Devido ao incremento de outras formas de produção de energia com
menores emissões de CO2, a produção de energia através de centrais termoeléctricas tenderá a
diminuir, e consequentemente, a produção de cinzas volantes será reduzida. Além disso, prevê-se a
utilização de grande parte destas cinzas volantes na construção das novas hidroeléctricas (EDP),
que foram recentemente adjudicadas em Portugal.
Outra dificuldade identificada quanto à utilização das cinzas volantes, ou em relação a outro ligante
substituto do Cimento, resulta da forma como esta acção se pode tornar inexpressiva numa análise
global, tendo em conta que os cálculos são definidos por peso ou por volume.
b) Como o tema abrangido neste critério (Wst2) é analisado em outras Ferramentas
Voluntárias de Sustentabilidade:
Na maioria das ferramentas analisadas, verificou-se a preocupação em definir a redução de
matérias-primas, através da utilização de conteúdos reciclados, destacando-se:

LEED-NC (versão 3):
MR Credit 4 – Conteúdo reciclado (10% a 20% baseado no custo)
Incentiva a utilização de produtos que possuem conteúdos reciclados (em conformidade com a
norma ISO14021 29 ). A comprovação do critério é realizada através da soma do conteúdo
reciclado pós-consumo mais a metade do conteúdo reciclado pré-consumo, ou seja pelo menos
10 a 20% (com base no custo) do total de materiais implementados. Excluem-se, desta análise,
os materiais eléctricos, mecânicos e peças de elevadores.
O valor do conteúdo reciclado incorporado num material deve ser calculado através do seu
peso. A fracção reciclada do material é multiplicada pelo custo do material (composição) para
determinar o valor do conteúdo reciclado. Ou seja, se o conteúdo do material representa, por
exemplo, trinta por cento do peso do material, nesse caso, multiplica-se este valor pelo custo
total da composição do material.

SBToolPt
Parâmetro P10: Percentagem em peso do conteúdo reciclado do edifício.
Este critério incentiva a utilização de materiais reciclados, dentro e fora do local de construção.
O processo de cálculo deste critério efectua-se através de uma tabela auxiliar, onde é definido o
29
De acordo com a ISO14021, o conteúdo reciclado pode ser proveniente do pré-consumo (define-se pelo
resíduo gerado durante uma processo de produção) e do pós-consumo (resíduo gerado durante a fase de
utilização e que não esteja a cumprir a função principal para que foi destinado).
197 |
Capítulo 8
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
"Benchmarking" do conteúdo reciclado de diferentes materiais de construção (valor expresso
em % de massa, em conformidade com níveis de prática corrente e a melhor prática possível).
A Avaliação deste critério é concluída com o preenchimento da tabela com os materiais
utilizados em obra.
Os requisitos deste critério manifestam-se bastante semelhantes aos definidos pelo BREEAM.
No entanto, define um outro parâmetro (P12) somente utilizado para analisar possíveis
substitutos do cimento (como, por exemplo, cinzas volantes).
Parâmetro P12: Percentagem em massa de materiais substitutos do cimento no betão.
O objectivo deste critério é incentivar a utilização de substitutos de cimento por outros ligantes,
durante a fabricação do betão, como, por exemplo, as cinzas volantes provenientes de centrais
termoeléctricas. Este critério é também muito similar a uma das alternativas disponibilizadas
pelo BREEAM, ao referir-se à utilização de agregados secundários. No entanto, o processo de
cálculo proposto pelo SBToolPT para realizar a avaliação final baseia-se somente na
percentagem em massa do material substituto comparado ao total de ligantes utilizados, o que
parece bastante mais coerente, pois, apesar do impacte positivo que poderia causar esta
substituição, este não teria influência dentro de uma determinada escala, definida por peso e
volume, proposta pelo BREEAM.

LiderA
Critério C14 – Materiais de baixo impacte.
Este critério privilegia a utilização de materiais com reduzido impacte. Verificando desta forma
(em percentagem, face ao total) os materiais que são certificados, de baixo impacte, reciclados
e/ou renováveis.
Enquanto nas anteriores ferramentas, se verificam diferentes indicadores e especificidades para
analisar os materiais, este critério define-se como bastante abrangente, o que vem dificultar a
comparação com as exigências definidas nas anteriores ferramentas. Ou seja, não foi
identificado nenhum critério desenvolvido especificamente para analisar os materiais com
conteúdos reciclados.
c) Solução de adaptação a aplicar
O modelo mais adequado para a adaptação do critério Wst2, considera-se o proposto pela
Ferramenta SBtoolPT, ou seja, através da definição de dois critérios distintos foi possível premiar a
utilização de agregados reciclados, quer numa perspectiva de diferentes materiais, quer somente na
198 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Adaptação dos critérios à realidade portuguesa
perspectiva do cimento. A ferramenta LEED também encontra uma solução bastante coerente, ao
definir a percentagem do agregado reciclado em função do custo. Assim, ao invés do peso, torna a
análise mais equilibrada, sobretudo quando se compara, por exemplo, um suplente do cimento
(mais leve) em relação a um agregado que venha a substituir uma matéria-prima mais densa, como
a brita.
Com base nas referências apresentadas, e tendo em conta que o BREEAM somente disponibiliza
um crédito para este critério, considera-se satisfatório identificar as diferentes alternativas para
alcançar o crédito, ao invés do cumprimento de 25% do peso ou volume, de agregado reciclado em
função do total de materiais de construção utilizados (dentro ou fora do limite do edifício). Ou seja,
em primeiro lugar, considera-se válida a separação dos requisitos em objectivos distintos para os
materiais construtivos (dentro do limite do edifício), bem como em objectivos para fora do limite do
edifício.
Neste sentido, considera-se como proposta o cumprimento de um dos seguintes requisitos:

Pelo menos 70% do peso total dos agregados utilizados fora do limite do edifício
(enchimento/pavimento), sejam substituídos por agregados reciclados e secundários.
Assim, consideram-se nesta análise, os solos e rochas obtidos durante a escavação, os
resíduos gerados e acumulados durante a construção e os pavimentos pré-fabricados que
possam ser adjudicados durante a obra;

Pelo menos 10%30 do custo total dos materiais de construção seja investido em materiais
com agregado reciclado ou secundário. Este refere-se somente aos materiais de construção
utilizados dentro do limite do edifício. O cálculo deverá ser semelhante ao definido pelo
LEED, sem a particularidade de definir valores distintos para agregados pré e pós-consumo.
Enquadramento com a versão Internacional "BREEAM EUROPE" (Outubro de 2009):
 Não foi realizado nenhuma alteração / adaptação do critério (Wst 2) na nova versão
internacional.
Pol1 e Pol3- Refrigerante GWP (Global Warning Potencial).
A princípio pensou-se que estes dois critérios estariam inadaptados à realidade nacional, no
entanto, apesar de serem bastante exigentes, não se verificam como inadaptados.
30
Valor mínimo, definido como objectivo pela Ferramenta do LEED-NC (Versão 3).
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Capítulo 8
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
Os gases utilizados no DVB, R134a e R410a, apesar de serem considerados "gases ecológicos",
não cumprem as exigências do BREEAM (GWP <5). O R134A é uma boa solução no que se refere
à não utilização de CFC-11 (obtendo um ODP (ozone depletion potential) = 0), no entanto, ainda
tem um GWP=1300.
Sugestões aconselhadas pelo BREEAM e LEED: possíveis opções disponibilizadas no mercado.
Dentre estas opções, destacam-se: Sistemas AVAC sem refrigerantes ou seja, à base de água, CO2
(R744), amónia (R717) e hidrocarboneto, e outros gases ainda em estudo, tais como: R123/R290.
Em termos regulamentares, não existe uma legislação em Portugal que limite os equipamentos à
referência GWP < 5. No entanto, verificou-se a definição de regulamentos para substâncias
específicas como, por exemplo, o Regulamento (CE) nº 2037/2000 de 29 Junho, que limita a
produção e a comercialização de substâncias que contenham CFCs.
Enquadramento com a versão Internacional "BREEAM EUROPE" (Outubro de 2009):
 Não foram realizadas alterações / adaptações dos critérios Pol 1 e Pol3 na nova
versão internacional.
Pol 7 – Redução da poluição provocada pela iluminação nocturna
A única incompatibilidade identificada neste critério, refere-se ao horário estipulado para controlo e
ausência de iluminação nocturna (excepto lâmpadas de segurança), definido entre as 23horas e as
7 horas.
Tendo em conta que o horário de fecho dos Centros Comerciais é, geralmente, às 24 horas,
aconselha-se esta ligeira adaptação horária.
Enquadramento com a versão Internacional "BREEAM EUROPE" (Outubro de 2009):
 O critério Pol7, na nova versão internacional, encontra-se descrito de forma mais
objectiva, no entanto, os requisitos exigidos continuam os mesmos.
Este capítulo faz referência aos critérios do BREEAM, que durante o processo de
internacionalização, deveriam ser adaptados à realidade de cada País. O facto de esta ser uma
ferramenta Britânica, e estar enquadrada com princípios comuns à União Europeia, facilitou o
enquadramento regulamentar de muitos dos critérios definidos (critérios pertencentes ao Grupo A),
fundamentalmente devido ao facto de os objectivos desses critérios serem muito semelhantes aos
200 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Adaptação dos critérios à realidade portuguesa
de outros países-membros. Quanto aos critérios do Grupo B, a adaptação foi mais dificultada pois
estão enquadrados pelo comportamento humano e climatológico britânico, não se adaptando
facilmente à realidade Portuguesa. No entanto, na versão internacional, observa-se um esforço de
adaptação de alguns dos critérios identificados como inadaptados neste trabalho, tais como pode
ser observado no critério Ene1, Tra3, Mat 1 e Mat 2.
De qualquer forma admite-se que num processo de internacionalização os critérios devem ser mais
flexíveis e permissíveis às novas propostas de adaptação e substituição de critérios (desde que
estas mantenham o rigor e a coerência dos mesmos).
201 |
Capítulo 8
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Tese de Doutoramento
202 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Critérios sem a análise do retorno do investimento
CAPÍTULO 9 – CRITÉRIOS SEM A ANÁLISE DO RETORNO DO INVESTIMENTO
9.1
Introdução
A implementação de parâmetros de qualidade tem sido incutida cada vez mais no mercado da
construção. Apesar de repercutirem indirectas e inexpressivas vantagens económicas para o
promotor, muitas das vezes estes são introduzidos no projecto como elemento diferenciador. Isto
deve-se a um mercado cada vez mais competitivo e exigente, e que assim reconhece esses
parâmetros como factores tangíveis para a valorização do imóvel.
203 |
Capítulo 9
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
Os critérios pertencentes ao Grupo C que serão abordados neste capítulo, também devem ser
visualizados nesta perspectiva, ou seja, como um indicador de qualidade e de sustentabilidade
ambiental. Um exemplo concreto, refere-se aos materiais de construção, e como uma adequada
escolha por produtos sustentáveis poderá conduzir à utilização de materiais mais duráveis, menos
tóxicos, com menor energia incorporada e consequente redução de emissões de CO 2eq.. Por serem
habitualmente mais caros, e ainda existir pouca informação disponível por parte dos seus
fabricantes, faz com que a procura destes produtos ainda não esteja devidamente incutida /
incentivada como um parâmetro de escolha para o cliente final.
Neste trabalho, descrevem-se todos os critérios que foram introduzidos durante a análise, e que
foram necessários para aumentar a classificação do caso de estudo (da proposta inicial – Cenário 2,
para os Cenários 3 (1ª Intervenção) e 4 (2ª Intervenção)). Também serão apresentados os
investimentos iniciais associados, bem como os benefícios ambientais (redução das emissões de
CO2eq) resultantes da sua introdução no projecto (ver tabela 9.1).
Tabela 9.1 - Critérios abrangidos pelo Grupo C (quantificação complexa, mas com elevado valor ambiental)
Grupo C
Management section credits
Man1 Commissioning
Man3 Construction Site impacts
Man4 Building user guide
Health & wellbeing section credits
Hea1 Daylighting
Hea2 View out
Hea3 Glare control
Hea5 Internal and external lighting level
Hea6 Lighting zones & control
Hea7 Potencial for natural ventilation
Hea8 Indoor Air Quality
Hea9 Volatile Organic Compounds
Hea10 Thermal confort
Hea11 Thermal zoning
Hea13 Acoustic performance
Hea14 Office space
Energy section credits
Ene6 Building fabric performance & avoidance of air infiltration
Transport section credits
Tra1 Provision of public transport
Tra2 Proximity to amenities
Tra3 Cyclist Facilities
Tra4 Pedestrian and cycle safety
Tra5 Travel plan
Tra7 Travel information space
Tra8 Deliveries and manoeuvring
204 |
Critérios também
contemplados em
outros grupos
Relacionados Critérios
com a Fase de contemplados
prospecção
na análise
Grupo A - PE
Grupo A - PE/ R
Grupo A - PE
Grupo A - PE
Grupo A - PE/ R
Grupo A - R
Grupo A - R
Grupo A - R
Grupo A - R
x
Grupo A - R
x
x
x
x
x
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Critérios sem a análise do retorno do investimento
Tabela 9.1 (Cont.) - Critérios abrangidos pelo Grupo C (quantificação complexa, mas com elevado valor ambiental)
Grupo C
Water section credits
Wat3 Major leak detection
Materials section credits
Mat1 Materials Specification - Major building elements
Mat2 Hard landscaping and boundary protection
Mat5 Responsable sourcing of materials
Mat6 Insulation
Critérios também
contemplados em
outros grupos
Relacionados Critérios
com a Fase de contemplados
prospecção
na análise
x
Grupo B
Grupo B
Grupo B
x
Waste section credits
Wst2 Recycle aggregates
Grupo B
Wst5 Composting
x
Land User & ecology section credits
LE1 Reuse of land
x
LE2 Contaminated land
x
LE3 Ecological value of site and Protection of ecological features
x
LE4 Mitigating ecological impacts
x
LE5 Enhancing site ecology
x
LE6 Long term impact on biodiversity
x
Pollution section credits
Pol4 NOx emissions from heating source
Pol5 Flood risk
x
Pol7 Reduction of night time light pollution
Grupo B
Pol8 Noise attenuation
Grupo A - R
Total: 34 critérios
Critérios contemplados no Grupo A: 11 critérios
Critérios a serem analisados: 7
Legenda
Critérios Obrigatórios
Critérios não contemplados no caso de estudo pela inexistência de escritórios >500m 2 (requisito
obrigatório para análise dos mesmos). Todos estes critérios estão contemplados no critério Hea
14 ( para escritórios com área inferior a 500m2)
Assim sendo, tentou justificar-se alguns investimentos realizados neste grupo, através da
quantificação das emissões de CO2eq (emissões directas e indirectas) que poderiam ser evitados.
Desta forma, sempre que possível, os custos e benefícios destes critérios (convertidos em CO2eq)
foram analisados como medidas de investimento utilizando recursos internos, através de uma
espécie de “Banco de Carbono”, e que virá a ser desenvolvida internamente na empresa cofinanciadora deste projecto.
Tem-se tornado habitual, por parte de empresas com políticas mais responsáveis, o investimento
em compensações de emissões (offset) de CO2eq, e em projectos fora do limite do empreendimento,
quer seja através do financiamento de reflorestamento e preservação de florestas tropicais, quer de
cultivo de pastagens e produção de algas. O que se pretendeu neste estudo foi criar mecanismos
de compensação dentro da própria empresa, ou seja, uma espécie de compensação “on-site” e
205 |
Capítulo 9
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
directa. Este mecanismo consiste na contabilização das emissões de CO2eq nos empreendimentos
existentes, verificar o que se pretende compensar (convertido em euros), e aplicar este valor no
“Banco de Carbono”, que serviria como meio de financiamento de boas práticas em novos
empreendimentos (medidas com elevado valor ecológico, mas sem benefícios financeiros directos).
Além da compensação de CO2eq, este mecanismo poderia trazer um importante contributo para criar
novos hábitos construtivos e futuros empreendimentos com menores impactes.
Neste sentido, e conforme referido no capítulo 7, pretende apresentar-se neste estudo os critérios
com valores éticos que possam trazer benefícios para além do limite do projecto. Como se poderá
verificar, estes critérios são relevantes para o projecto, bem como para a sua envolvente, no
entanto, numa óptica financeira, acabam por se tornar pouco atractivos pois não se identificam, de
forma directa, os seus benefícios, tais como as medidas abrangidas pelo grupo D, que mais à frente
serão apresentados.
Nas secções seguintes, apresentam-se os critérios do Grupo C, organizados pelas seguintes
categorias: saúde e bem-estar, transporte, água, materiais e resíduos.
9.2
Critérios relacionados com a saúde e o bem-estar (acções que cumprem os critérios
estabelecidos)
9.2.1 Iluminação natural nos escritórios (Hea14)
Descrição: Este critério refere-se às medidas que possam garantir a qualidade do ambiente interior
nos escritórios de centros comerciais (os três créditos deste critério, estão apenas disponíveis para
escritórios com área inferior a 500 m2). Para adquirir os créditos atribuídos por esta categoria, foi
necessário demonstrar que 80% da área do escritório está de acordo com os seguintes números de
requisitos:
1 Crédito – conformidade com três de um total de sete requisitos;
2 Créditos – Conformidade com cinco de um total de sete requisitos;
3 Créditos destinados à Inovação (gratificação extra) – Conformidade com o total de requisitos.
Os requisitos são definidos pelas seguintes acções:
a.
Iluminação natural - Espaços com ocupação permanente (superior a 30 minutos,
devem ser providos de iluminação natural com factor de luz do dia (médio) superior a 2%;
b.
206 |
Os espaços deverão ser providos com vista para o exterior;
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Critérios sem a análise do retorno do investimento
c.
As áreas envidraçadas deverão ser providas com controlo solar (manual);
d.
A iluminação artificial deve ser definida por zona e ser controlada pelos ocupantes;
e.
Os espaços com maior permanência deverão ser providos de ventilação Natural;
f.
Os espaços deverão possuir apropriados níveis de conforto térmico;
g.
As salas deverão possuir boa performance acústica.
O objectivo neste critério foi alcançar a totalidade dos créditos (ou seja, 3 créditos). Como na
proposta inicial do caso de estudo DVB, somente o item a (Iluminação natural com FLD > 2%) não
estava a ser cumprido na proposta inicial, pretendeu-se neste caso, cumprir os requisitos mínimos
de factor de luz do dia (superior a 2 %) conforme estabelecido pelo requisito.
Através do cálculo dos níveis de iluminação natural, realizado com o software Energyplus pela
empresa Fluidinova, verificou-se que as salas de reunião, que correspondem a 40% da área dos
escritórios (excluindo a sala de segurança), obtiveram níveis de iluminação bastante reduzidos
devido à ausência de luz directa do exterior.
Neste sentido, e de forma a obter a pontuação máxima disponível para este critério, propôs-se a
aplicação de clarabóias, sendo assim designado o sistema tipo SOLATUBE® 21 DS “ (Ø 53 cm)
com base de cobertura metálica. A referida solução deveria ser aplicada sobre superfície plana com
difusor prismático redondo em suspensão (ver figura 9.1), e introduzido em duas salas de reunião e
parte da Central de segurança (como poderá ser verificado na figura 9.2). Cada equipamento
individual tem a capacidade de iluminar aproximadamente uma área de 40 m2.
Figura 9.1- Sistema SOLATUBE 21 (Ø 53 Cm) (Fonte: Polirígido, 2008)
207 |
Capítulo 9
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Tese de Doutoramento
Espaços a intervir
Figura 9.2 – Planta do escritório do DVBraga e em destaque a sala de reunião e central de segurança, onde foi proposto
a instalação do sistema SOLATUBE.
Créditos disponíveis: 3 créditos
Custos associados: Foram reportados os encargos associados à instalação de três sistemas tipo
SOLATUBE, sendo esse o número suficiente para o cumprimento do critério. A escolha por este
sistema, além de ter sido a escolha do dono da obra, revelou-se como o sistema mais apropriado
para permitir a entrada da luz ao mesmo tempo que são filtrados os raios ultra-violetas nocivos.
Para realizar o cálculo do investimento necessário, considerou-se a instalação de três SOLATUBE
21 DS (Ø 53 cm). O facto de os escritórios estarem localizados no piso mais elevado do Centro
Comercial, ou seja, em contacto directo com a cobertura, fez com que os encargos fossem menos
dispendiosos durante a instalação destes sistemas, devido à reduzida extensão da tubagem.
Com base num contacto com um fornecedor destes equipamentos, realizado em Junho de 2009,
obteve-se a seguinte cotação:

Com 0.97 metros de comprimento de tubo reflector: Preço por unidade: €703 + IVA 21%

Com 5.00 metros de comprimento de tubo reflector: Preço por unidade: €2044 + IVA 21%

Cada extensão (adicional) de 0,60 metros tem um custo de €145 aproximadamente.
Com base nestes valores e tendo em conta que serão necessários a aplicação de 3 sistemas “tipo
SOLATUBE 21 DS” com extensão de 2,50 metros de comprimento (os escritórios possuem 7 metros
208 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Critérios sem a análise do retorno do investimento
de pé-direito, sendo aproximadamente 2,50 metros reservados para passagem de condutas
técnicas no tecto), o investimento aproximado para alcançar os créditos máximos do HEA14 foram
aproximadamente € 3.500,00 (três mil e quinhentos euros) + IVA (investimento 1% superior ao custo
inicialmente previsto para a construção da área da administração).
Benefícios associados: Através do cumprimento deste critério, verificaram-se as seguintes
vantagens:

Aumento da qualidade do ambiente interior, proporcionando assim um maior conforto e
produtividade dos ocupantes;

Redução do consumo energético em iluminação artificial durante os períodos do dia, além
de não contribuir para o aumento do consumo em climatização. Isto deve-se, à presença de
dois difusores que têm a função de bloquear eventuais transmissões térmicas (ver na tabela
9.2 os valores de SHGC31 e U-factor (Coeficiente de Transmissão térmica)).
Tabela 9.2- Características térmicas dos difusores utilizados no SOLATUBE (Fonte: Polirígido, 2008)
Mod. Difusor
SHGC
U-FACTOR
Optiview
0,33
0,43
Vusion
0,35
0,43
Vidro duplo
0,76
1,40
Ao reduzir os consumos com a iluminação artificial, verificou-se uma consequente redução de gases
com efeito de estufa, bem como de outros prejudiciais à saúde humana. De acordo com um estudo
realizado pela International Solar Energy Society, a utilização de cada unidade de SOLATUBE,
poderia evitar entre 3 a 10Kg de CO2 e até 11,77Kg de gases nocivos por ano (ver tabela 9.3).
Tabela 9.3 - Emissões evitadas (kg/ano) com a instalação de uma unidade SOLATUBE na substituição de iluminação
artificial em horas do dia (Fonte: Polirígido, 2008)
Solatube Produção
CO2 emissão
NO2 emissão para a SO2 emissão para a
Modelo
Luz
para a atmosfera
atmosfera
atmosfera
(Lumens)
25cm
35cm
53cm
3.750
6.500
12.000
3,06 Kg
5,30 Kg
9,81 Kg
0,31 Kg
0,53 Kg
0,98 Kg
0,31 Kg
0,53 kg
0,98 Kg
TOTAL
ANO
3,68 Kg
6,36 Kg
11,77 Kg
No caso do DVBraga, com a colocação dos três sistemas e a considerar a substituição de 4
luminárias L37 e 2 luminárias L36 durante um período estimado de 7h/dia verificou-se uma redução
de aproximadamente 279,92 KgCO2eq /ano.
31
SHGC (Solar Heat Gain Coefficient) – mede a característica de bloquear o calor produzido pela luz solar.
Quanto menor o valor, menor o consumo energético em arrefecimento.
209 |
Capítulo 9
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
9.3
9.3.1
Critérios relacionado com os meios de transporte (acções que cumprem os critérios
estabelecidos)
Instalações para ciclistas (Tra 3)
Descrição: Este critério encontra-se descrito no capítulo dos critérios inadaptados (capítulo 8).
Nesta análise foram identificados os encargos associados à proposta de adaptação, ou seja, em
relação à instalação de 50 vagas para bicicletas, que estarão localizados nos estacionamentos do
piso 0 do caso de estudo (DVB) (ver nas figuras 9.3 e 9.4, os exemplos propostos).
O facto desta medida ter sido prevista em fase inicial do projecto, fez com que parte do investimento
com infra-estruturas necessárias (chuveiros e cacifos), fossem desconsideradas da análise, pois
conjugaram-se as referidas necessidades de forma integrada com outras medidas já previstas no
projecto. Um destes exemplos foi o aproveitamento e adaptação dos espaços afectos às instalações
sanitárias propostas para os funcionários, de forma a contemplarem a colocação dos respectivos
cacifos (com tamanhos especificados) e chuveiros.
Figura 9.3- Sistemas proposto para o caso de estudo: estacionamento triângulo (Laurus)
Figura 9.4- Sistema alternativo (mais económico) (Marca Doublet)
210 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Critérios sem a análise do retorno do investimento
Créditos disponíveis: 2 créditos
Custos associados: Foram reportados os encargos associados à instalação de 50 vagas de
estacionamento, de forma a cumprir a primeira fase da proposta de adaptação (ver critérios
inadaptados no capítulo 8) (ver tabela 9.4). O estudo teve como referência o sistema Tipo “Doublet”
apresentado na figura 9.4, sendo que este representa uma solução simples, mas que se enquadra
perfeitamente na localização proposta (estacionamento coberto - piso 0). Pensou-se inicialmente em
instalar estes mobiliários nos estacionamentos exteriores, no entanto, como estes seriam mais
dispendiosos e requereriam maiores cuidados estéticos, devido à instalação de abrigos cobertos e
medidas de segurança adicionais, considerou-se mais apropriado aproveitar os recursos disponíveis
nos estacionamentos cobertos (entre estes: adequada iluminação, sistemas de videovigilância e
proximidade com os principais acessos ao Centro Comercial). O aproveitamento das instalações
anteriormente propostas resultou num investimento residual, quando comparado com os encargos
previstos para o mobiliário e áreas exteriores do projecto.
Tabela 9.4 - Custos associados ao estacionamento para bicicletas.
Descrição
Parqueamento de bicicletas com 5 lugares
vagas requeridas
50
Equipamentos
necessários
10
custo unitário
85,00 €
custo total
850,00 €
Benefícios associados - Através do cumprimento deste critério, verificaram-se as seguintes
vantagens:

Encorajar o uso de bicicletas, e deste modo contribuir para a redução do número de
automóveis em circulação, redução das emissões de gases poluentes e incremento da
qualidade urbana;

Contribuir para os objectivos da Agenda 21, no que se refere ao desenvolvimento de
cidades mais sustentáveis;

Promover a prática do desporto, contribuindo desta forma para a melhoria e qualidade da
saúde pública.
De forma a quantificar os possíveis benefícios do uso das bicicletas, enquanto meio de transporte,
definiu-se uma simulação com o intuito de verificar as emissões de CO2eq que poderiam ser
evitadas, e utilizando o número de vagas previstas numa primeira fase (50 vagas).
Definiu-se desta forma um cenário bastante conservador e composto pelas seguintes
características:
No caso de uma família composta por 4 pessoas, residentes no centro de Braga, e tomando a
decisão de se deslocarem ao DVB de bicicleta em vez de utilização de um carro, poder-se-á
211 |
Capítulo 9
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
desenvolver uma aproximação conservadora de emissões de CO 2eq evitadas. Assim consideraramse os seguintes dados:

Distância média entre Centro de Braga ao DVBraga: 3 Km

Consumo em litros por 100 km de um carro a gasóleo: 8l/100Km

Factor de KgCO2 por litro de gasóleo: 2,780 KgCO2/Litro
Emissões de CO2 evitadas por esta família num dia de domingo (ida e volta): 1,33KgCO2 por dia
por carro (gasóleo).
Partindo da referida informação de base, e transpondo-a para o limite de vagas estipuladas (50
vagas), bem como supondo que este ocorra pelo menos num dia da semana (por exemplo, todos os
domingos do ano), nestas circunstâncias seria alcançado o seguinte resultado:
Dados a considerar (além dos pressupostos anteriores):

Considerando que 4 vagas de bicicletas ocupariam o espaço de um carro: 50 vagas
poderiam evitar a circulação de aproximadamente 12 carros. Considerou-se que durante às
14 horas de funcionamento diário de um centro comercial, funcionam 2 períodos principais
afectos à rotação de visita de clientes, pressupõe-se a multiplicação de 12 por 2, atribuindo
assim um total de 24 carros para o referido cálculo;

Número de domingos num ano: 52 dias.
Num cenário definido como bastante conservador, as emissões de CO2eq potencialmente evitadas
com a utilização das 50 vagas para bicicletas seriam de aproximadamente 1660 KgCO2eq/ano.
9.3.2
Segurança para pedestres e ciclistas (Tra 4)
Descrição: Este critério prevê e encoraja a utilização de adequadas vias de circulação e acessos
para pedestres e ciclistas no empreendimento. Desta forma, no Manual do Assessor do BREEAM,
destacam-se alguns procedimentos que devem ser considerados durante o projecto, para a
obtenção de até dois créditos independentes (ou seja, cada um dos créditos pode ser alcançado,
mesmo que uma das faixas (ciclista ou pedestre) não esteja a ser contemplada). É importante
ressaltar, que um dos requerimentos associados aos recursos cicláveis, se refere ao cumprimento
de requisitos abrangidos no Guia disponibilizado no Reino Unido (Guideline and Practical Details –
issue 2 (Sustrain, 1997). Conforme referido no capítulo dos critérios inadaptados (capítulo 8),
propõe-se o recurso a um guia alternativo, adaptado à realidade Portuguesa. Neste sentido, poderse-á verificar abaixo alguns exemplos requisitados pelo BREEAM para a obtenção dos créditos.
1º Crédito – Requerimentos para percursos cicláveis:

212 |
Definição de larguras mínimas das ciclovias:
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Critérios sem a análise do retorno do investimento
a.
Quando conjugada com percursos pedonais, devem ter uma largura mínima
de 3 metros;
b.
Quando separadas de percursos pedonais, devem possuir uma largura
mínima de 2 metros;
c.
Quando conjugadas com carrinhos de compra, a via para ciclistas deve ter,
no mínimo, 1.5 metros.

As ciclovias devem permitir acesso directo aos parques para bicicletas (providenciados no
empreendimento).
2º Crédito – Requerimentos para percursos pedonais:

Promover acessos aos principais meios de transporte públicos e serviços disponibilizados
fora do empreendimento e sinalização adequada;

Promover zonas de desembarque e paragem de autocarro (drop-off), fora das vias de
carros e com acessos directos ao passeio de pedestre;

Promover desnível entre pisos, no caso de haver cruzamento entre o percurso pedonal e os
carros (exemplo: a faixa de pedestres deverá estar mais elevada que a via de carros).
Crédito disponível: 2 créditos.
Custos associados: O estudo adequado de tráfego, de circulação e estacionamento foi previsto na
fase inicial do projecto do DVBraga, com o intuito de cumprir o decreto – lei 12/2004 de 9 de
Janeiro, e as exigências do Promotor, que assim encoraja o uso de transportes públicos entre
trabalhadores e visitantes. Somente as ciclovias não estavam contempladas nestes estudos, no
entanto, com a intervenção posterior do arquitecto paisagista (ainda em fase de projecto),
aproveitaram-se as vias pedonais (com três metros de largura) e concretizou-se a diferenciação do
piso sem alteração dos encargos iniciais.
Conclui-se que, desde que sejam previstos em fases iniciais do projecto, os encargos associados a
este critério seriam nulos.
Benefícios associados: Os benefícios obtidos com esta medida são semelhantes aos defendidos
no critério Tra3.
213 |
Capítulo 9
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Tese de Doutoramento
9.3.3
Posto de informação sobre horários de transportes públicos (Tra 7)
Descrição: Este critério vem assegurar a existência de um posto de informação no Centro
Comercial, onde sejam disponibilizados, quer aos visitantes, quer aos trabalhadores, os horários
(em tempo real) e outras informações referentes aos meios de transportes disponíveis no local. Este
Posto de informação deveria estar bem acessível, e deveria existir sinalização no empreendimento
que indicasse a sua localização.
Crédito disponível: 1 crédito
Custos associados: Não se verifica nenhum custo adicional com a introdução deste critério, desde
que este seja previsto na proposta de sinalética, durante a fase de projecto (adjudicação da obra).
Benefício associados: critérios vêm complementar os benefícios associados aos critérios Tra3 e
Tra 4.
9.4
Critérios relacionada com a gestão da água (acções que cumprem os critérios
estabelecidos).
9.4.1
Sistema de detecção de fuga de água (Wat 3)
O objectivo deste critério é reduzir as fugas de água através da instalação de sistemas de detecção
de fuga. Este sistema deverá possuir as seguintes características:

Deverá abranger as principais redes de distribuição de água;

O sistema de detecção de fuga de água deverá ser:

Audível quando activado;

Deverá ser activado quando o fluxo de água passar pelo contador e seja superior ao
mínimo estipulado (definido em função do período de funcionamento e dos diferentes
fluxos);

Quando apropriado, evitar alarmes falsos causados por operações normais de elevado
consumo (exemplo: chillers).
No caso do Dolce Vita Braga, o sistema de detecção de fugas foi associado ao sistema de Gestão
Técnica Centralizado (GTC), previsto nos diferentes empreendimentos, com a diferença que neste
caso o software a ser instalado deveria permitir as seguintes funções (Chamartin Imobiliária, 2009):

A partir das leituras dos diferentes contadores de água, deveria identificar os diferentes
fluxos e eventuais fugas durante períodos fixados (por exemplo, entre uma e as sete horas
da manhã). Sempre que o fluxo de água ultrapassasse um débito acima de um valor pré-
214 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Critérios sem a análise do retorno do investimento
definido para um determinado período de tempo, deveria ser activado um alarme (visual e
sonoro);

Permitir a elaboração de uma rotina de análise dos consumos diários, de forma a criar um
histórico da instalação, o que permitiria a comparação dos consumos ao longo do
funcionamento da mesma. A referida rotina executaria uma comparação entre o volume de
água medido no contador totalizador e o medido nos contadores parciais (instalados a
jusante do barrilete), permitindo a identificação de potenciais fugas.
Crédito disponível: 1 crédito
Custo associado: Para o devido funcionamento das funções esperadas, o GTC deveria contar com
a instalação dos seguintes equipamentos (Chamartin Imobiliária, 2009):

Medidores de impulso “channel pulse adaptor”: têm a função de medir dados de consumo e
transmitir valores para o GTC através de telecontagem. Estes deverão estar conectados
aos diferentes contadores que se pretendem que sejam reportados;

Contadores parciais e totalizador;

Concentradores de dados: fazem a recolha automática de dados dos contadores,
fornecidos pelos medidores de impulso e transmitem dados ao GTC;

Passagem de cabos de conexão.
Conforme cotação realizada para um dos edifícios de referência (DVPorto), este investimento
rondaria em torno de €20.000 (vinte mil euros), dependendo do número de contadores instalados.
(Schindler, 2008).
Tendo em conta que o sistema de Gestão Técnica Centralizada (GTC), e todos os equipamentos
referidos, já estavam previstos neste empreendimento (em fase de projecto) para o devido
cumprimento destes critérios, somente foram considerados os encargos adicionais. Os referidos
encargos adicionais estão associados ao sistema de programação a ser instalado e que cumpra as
características de detecção de fugas de água. Este valor seria de aproximadamente €150 (cento e
cinquenta euros) por ponto (contador), neste caso, para o DVB, e onde estavam previstos
aproximadamente 18 pontos, o investimento para adaptação dessa característica seria de
aproximadamente €3.500 (três mil e quinhentos euros). Este é um investimento residual (inferior a
0,01%) quando comparado com o investimento inicialmente previsto para a Gestão Técnica
Centralizada (GTC) do DVB.
215 |
Capítulo 9
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
Benefícios associados: Este sistema juntamente com o sistema shut-off, definido no critério Wat 4
(que será mais à frente referido), tem o objectivo de proteger o património construído e minimizar
ocasionais perdas de água. Através destes sistemas seria possível actuar de forma imediata (ou em
reduzidos espaços de tempo), em situações que de outra forma somente seriam identificados
através de danos evidentes ou através da factura mensal.
Os dois sistemas propostos pelo BREEAM (Wat 3 e Wat 4) actuam de formas distintas. Os sistemas
de detecção de fuga tendem a minimizar as fugas de água, principalmente nas canalizações e são
conhecidas como perdas não visíveis, sendo identificadas através da diferença entre o contador
totalizador e os consumos parciais (identificadas nas facturas mensais). Já o sistema “shut-off”
(critério Wat4, no capítulo 10) tende a minimizar as perdas visíveis nos equipamentos sanitários e
que normalmente são contabilizados como consumo final.
De forma a quantificar os benefícios deste critério, verificou-se a ocorrência de fugas nos edifícios
de referência em dois anos consecutivos analisados (2006 e 2007)(ver tabela 9.5). Nestas, somente
o Dolce Vita Porto (DVP) estava a reportar as fugas ocorrentes no ano de 2007. De forma a obter
mais informações, recorreu-se a um novo caso de estudo, o Dolce Vita Ovar (DVO), inaugurado em
Março de 2007, e onde foi identificado a ocorrência de fuga somente no mês de Setembro (motivo:
rompimento da conduta de incêndio). Veja na tabela abaixo, as fugas reportadas nestes dois
edifícios de referência e a percentagem da fuga comparado ao consumo anual.
Tabela 9.5 - Fugas identificadas nos edifícios de referência (Fonte: Chamartin Imobiliária, 2009)
Ano 2007
Fugas anuais
reportadas (m3)
Total de consumo
(Lojas+áreas comuns)
% de fugas de
água anual
DVPorto
871
38275
2,28%
DVOvar
1644
11471,6
14,33%
DVOvar
DVPorto
0
5000
10000
Fugas
15000
20000
25000
30000
35000
40000
Consumo
Com base neste estudo, e tendo em conta que os valores reportados pelo DVP reflectem situações
quotidianas de perdas de água, enquanto o DVO uma situação acidental, considerou-se neste
sentido, a percentagem reportada pelo DVP, de forma a definir um valor aproximado de fugas de
216 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Critérios sem a análise do retorno do investimento
água com probabilidade de ocorrer anualmente e que poderiam ser minimizadas com a instalação
de sistemas de detecção de fugas de água.
Ou seja, considerando uma percentagem de 2,28% de fugas estimadas comparando com o
consumo total do DVB, este seria aproximadamente um consumo anual de dois mil metros cúbicos
e uma redução das emissões em aproximadamente 17 tonCO 2eq (Tabela 9.6). Os pressupostos
utilizados neste critério para contabilização dos consumos e emissões poderão ser verificados no
capítulo 10. Os valores de CO2eq foram calculados com base nas emissões associadas ao
tratamento da água em fase anterior e posterior ao consumo.
Tabela 9.6 – Eventuais fugas que poderiam ser evitados com a utilização de detectores de fugas de água.
DVB (dados estimados)
Total de consumo anual
Fugas evitadas (estimativa)
Emissões de CO2eq evitados
9.5
88.324 m3/ano
2.010 m3/ano
17 tonCO2eq
Critérios relacionados com a escolha dos materiais (acções que cumprem os critérios
estabelecidos).
9.5.1
Isolamento (Mat 6)
Descrição: Encoraja a utilização de isolamento com reduzido impacte ambiental, que cumpra as
características térmicas desejáveis e que seja obtido através de fontes renováveis. Os créditos
atribuídos a este critério distinguem-se da seguinte forma:

1 Crédito – O isolamento escolhido para o empreendimento deveria ser classificado pelo
The Green Guide to Specification com valores iguais ou superiores a 2 pontos (isto seria
possível através da escolha de materiais com classificação A e A+, na sua maioria). A
classificação final seria obtida através de uma ferramenta de cálculo Mat 6 – Insulation
Índex Calculator Tool disponível para os assessores do BREEAM e que mais a frente será
demonstrada através da aplicação prática ao caso de estudo DVBraga.

2 Crédito – Pelo menos 80% do isolamento térmico utilizado deverá ser de fonte
responsável.
No caso de estudo DVBraga, verificou-se na proposta inicial a utilização de Poliestireno Extrudido
(XPS) em praticamente 100% dos espaços onde estava previsto isolamento térmico. A classificação
deste material no Green Guide corresponde ao nível E (numa escala de E a A+, E define-se como o
pior cenário). Como alternativa disponível com classificação A e A+, identificaram-se os seguintes
exemplos:
217 |
Capítulo 9
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento

Poliestireno Expandido (EPS) e Lã Mineral com classificação entre A+ e B (a depender da
densidade do material);

Aglomerado de Cortiça com classificação A.
Apesar do Green Guide considerar este último com classificação inferior aos demais, o que para a
realidade Portuguesa é pouco coerente (conforme referido no capítulo 8 sobre os critérios
inadaptados), foi este o material escolhido para referenciar e comparar com as características do
material inicialmente proposto para o empreendimento (Poliestireno extrudido – XPS). Optou-se
pela utilização do aglomerado de cortiça devido à sua disseminação no mercado Português, que é
líder mundial na sua fabricação, é natural e renovável, bem como é um material advindo de fontes
responsáveis certificado pela FCS (Forest Stewardship Council), garantindo assim o cumprimento
dos dois créditos disponíveis neste critério.
A tabela que será mais à frente apresentada, mostra o resultado comparativo entre os dois materiais
analisados (XPS e Aglomerado de cortiça), e obtidos através da ferramenta de cálculo Mat 6 –
Insulation Índex Calculator Tool, em que o índice do isolamento resulta da soma dos pontos do
Green Guide (ver tabela 9.7) dividido pela soma da resistência térmica (equação 9.1) e em função
da área ponderada do edifício (ver equações 9.2 e 9.3).
Tabela 9.7- Pontos obtidos em função da classificação do Green Guide definido para diferentes materiais de isolamento.
(Fonte: BRE, 2008)
RT = (( A * Esp)/ k)
[9.1]
Onde:
RT- representa a Resistência térmica da área ponderada;
A- representa a área onde se verificou a aplicação de determinado isolamento (m2);
Esp – espessura do isolamento expressa em metros (m);
k – coeficiente de condutividade térmica do isolamento (W/ mºC).
FG = RT* p
Onde:
218 |
[9.2]
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Critérios sem a análise do retorno do investimento
FG - representa Factor de Correcção do Green Guide;
p- representa a classificação do isolamento analisado no Green Guide.
Ii = Σ (RT / FG)
[9.3]
Onde:
Ii- representa o índice do isolamento aplicado.
Para melhor exemplificar o método de cálculo utilizado, apresenta-se nas tabelas abaixo o resultado
obtido nos dois diferentes cenários propostos para o caso de estudo, quer com Poliestireno
Extrudido (tabela 9.8) quer com Aglomerado de Cortiça (Tabela 9.9).
Tabela 9.8 – Cálculo do índice do Isolamento do Poliestireno Extrudido (XPS) aplicado no DVBraga.
Localização
Área (m2)
Condutividade
térmica
(W/ mºC)
Espessura
(mm)
Material de
isolamento
Classificação
Pontos
Resistência
térmica da
área
ponderada
(RT)
Factor de
correcção
do Green
Guide
(FG)
Deck
17096
0,035
Cobertura
30 XPS
E
0
14.653,7
0
Piso 2
16591
0,035
30 XPS
E
0
14.220,9
0
Entrada nascente
1889
0,035
30 XPS
E
0
1.619,1
0
Zona do deck (piso3)
1112
0,035
30 XPS
E
0
953,1
0
Zonas técnicas
1970
0,035
50 XPS
E
0
2.814,3
0
Fachada ( painéis sandwich)
Não será analisada neste capítulo, e sim no critério Mat1. Sua análise está conjugada com outros materiais
Entre pisos (área climatizada e não climatizada)
Piso sobre o
estacionamento
Total
5997
0,035
30 XPS
E
0
44655
5.140,3
0
39.401,4
0
Índice do isolamento
(Li)
0
Tabela 9.9 – Cálculo do índice do Isolamento do Aglomerado Negro de cortiça aplicado no DVBraga.
Localização
Área (m2)
Condutividade
térmica
(W/ mºC)
Espessura
(mm)
Material
Classificação
Pontos
Resistência
térmica da
área
ponderada
(RT)
Factor de
correcção
do Green
Guide
(FG)
Deck
17096
0,04
Cobertura
30 cortiça
A
2
12.822,0
25644
Piso 2
16591
0,04
30 cortiça
A
2
12.443,3
24886,5
Entrada nascente
1889
0,04
30 cortiça
A
2
1.416,8
2833,5
Zona do deck (piso3)
1112
0,04
30 cortiça
A
2
834,0
1668
Zonas técnicas
1970
0,035
50 cortiça
A
2
2.814,3 5628,57143
Fachada ( painéis sandwich)
Não será analisada neste capítulo, e sim no critério Mat1. Sua análise está conjugada com outros materiais
Entre pisos (área climatizada e não climatizada)
Piso sobre o
estacionamento
total
Índice de isolamento
(Li)
5997
44655
0,04
30 cortiça
A
2
4.497,8
8995,5
34.828,0 69656,0714
2,00
219 |
Capítulo 9
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
Como se poderá evidenciar, somente a segunda opção se encontra apta para validar o primeiro
crédito disponível (pontuação final maior ou igual a 2). Quanto às características físicas, procurou
manter-se soluções similares, conforme demonstrado na tabela 9.10.
Tabela 9.10- Características físicas dos materiais de isolamento analisados.
Características do material (Fonte: Dow e Amorim
Cortiça)
Características
Durabilidade
XPS - Poliestireno
extrudido
Aglomerado de cortiça
expandida
> 20 anos
> 20anos
(1250/600/30)
(1000/500/30)
Espessura (m)
0,03
0,03
Reação ao fogo
combustível
combustível
Condutividade térmica (W/ mºC)
0,035
0,04
Resistência térmica (m2 K/W)
0,86
0,75
3
0,2
Densidade dos materiais (Kg/m3)
32,5
120
Coeficiente de transmissão
térmica (U - W/ m2ºC) (1)(2)
0,75
0,77
Dimensão (comp/larg/esp) (MM)
Resistência a compressão
(Kg/cm2)
(1) Elementos constructivos analisados: chapa metálica + isolamento + Membrana de
Impermeabilização.Refere-se aos elementos da Cobertura sobre o Food Court (Deck) que
representa 38% do isolamento utilizado.
(2) Coeficientes térmicos máximos admissíveis de elementos opacos (RCCTE, 2006)
(I2V2): 1,6 W/ m2ºC
Em relação ao nível de transmissão térmica, e apesar de ser uma das únicas vantagens do
Poliestireno Extrudido quando comparado com a cortiça (além da densidade do material, ou seja, o
XPS é mais leve que a cortiça), o que seria na maioria dos casos uma vantagem para os edifícios,
no caso dos Centros Comerciais não se verifica, podendo afirmar-se que resulta numa excepção.
Ou seja, devido às elevadas cargas térmicas internamente produzidas, quanto menos isolamento
utilizado (maior coeficiente de transmissão térmica) maior será a eficiência energética do edifício.
Com base nos cálculos de simulação através do Energyplus, ao substituir o XPS pelo Aglomerado
de cortiça, verificou-se uma redução das necessidades de arrefecimento do DVB.
“Com base nos cálculos de simulação, a substituição do isolamento tipo wallmate (XPS) por
aglomerado de cortiça corresponde a uma redução de 60 Mwh/ano nos consumos térmicos de
arrefecimento o que equivale a uma redução de 10 MWh/ano em consumos de electricidade. Esta
redução deve-se ao facto da condutividade térmica do aglomerado de cortiça ser ligeiramente
superior à do wallmate o que favorece ligeiramente o arrefecimento natural do edifício. Esta redução
equivale a uma redução de 0.02 kgep/m2/ano” (Fluidinova, 2008)
220 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Critérios sem a análise do retorno do investimento
Créditos disponíveis: 2 créditos.
Custos associados: Foram reportados os encargos associados à substituição do Poliestireno
Extrudido por Aglomerado de Cortiça. Com base nos custos unitários fornecidos pelos
Fabricantes32, e tendo em conta uma área de 44.655 m2 para isolar, concluiu-se que o investimento
necessário para substituição seria aproximadamente de € 33.491,00 (trinta e três mil e quatrocentos
e noventa e um euros) (15% superior ao valor da proposta inicial).
Benefícios associados: Através do cumprimento deste critério, verificaram-se as seguintes
vantagens:

Não utilização de produtos químicos. A aglomeração dos agregados de cortiça é realizada
através de resinas da própria cortiça numa temperatura inferior a 100ºC (97% pó de cortiça
e 3% electricidade) . É renovável e reciclável. (Amorim Cortiça, 2004);

Na tabela abaixo (Tabela 9.11), poderão ser identificadas outras vantagens ambientais
tendo em conta a análise do ciclo de vida dos diferentes materiais, entre estes destacando se a redução da energia incorporada do material e de emissões de CO 2eq durante a
produção do material.
Tabela 9.11- Características ambientais dos materiais de isolamento analisados.
Características ambientais
XPS - Poliestireno
extrudido
PEC - energia primária
incorporada (KWh/m2)(1)
Energia incorporada para a
quantidade de isolamento
existente no edifício (KWh)
Aglomerado de cortiça
expandida
29,25
4,82
1.273.505
774.854
15,54
1,06
693.939
47.334
1650
277
Emissão de CO2eq (na produção)
(KgCO2eq/ m2) (2)
Dados Ambientais
Emissões de CO2eq associados a
produção do isolamento para o
DVB (KgCO2eq)
Potencial de aquecimento global
(g/ Kg) (1)
Gestão dos Resíduos
Raking "Green Guide
Especification"
Reciclagem/
Enchimento de terreno
Reciclagem/
Enchimento de
terreno/ Biomassa.
E
A
(1) Berge apud Mateus R.; Bragança L. , 2006
(2) ITEC (Banco Bedec) www.itec.es
32
Cotação 2008 disponibilizada pelos fornecedores (referentes às características físicas indicadas): Texsa
(Poliestireno Extrudido: 5,07 euros/m2) e Amorim cortiça (Aglomerado de Cortiça: 5,82 euros/m2).
221 |
Capítulo 9
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento

Com base no tarifário de energia utilizado neste estudo (que será detalhado no capítulo 10)
no valor de 0,076 euros/KWh, pode afirmar-se que a redução das necessidades de
arrefecimento (10 MWh por ano de energia eléctrica) gerada pela substituição dos
isolamentos, resultaria numa redução de encargos anuais de aproximadamente 750,00 €
euros, o que representa uma redução de 0,07% do total de consumo estimado para
arrefecimento e de 4,98 toneladas de redução de emissões de CO2eq.
Quanto aos benefícios quantificáveis desta análise, serão reportados na tabela resumo (Tabela
9.12), as emissões de CO2eq evitadas, quer indirectas (referentes à produção do material), quer
directas (referentes à redução das necessidades de arrefecimento do edifício).
Tabela 9.12- Emissões evitadas com a substituição do Poliestireno expandido por aglomerado de cortiça.
Emissões de CO2eq
evitadas
9.6
Indirectas
(Emissões evitadas na
produção)
Directas
(Emissões evitadas anualmente
durante a fase de utilização)
646,6 ton CO2eq
4,82 ton CO2eq
Critérios relacionados com a gestão dos resíduos (acções que cumprem os critérios
estabelecidos)
9.6.1
Compostagem (Wst5)
Descrição: Este critério incentiva a previsão de infra-estruturas que venham minimizar o volume de
resíduos orgânicos encaminhados directamente para os aterros sanitários. O Manual do BREEAM
identifica as seguintes medidas:

Evidenciar a separação e o armazenamento em contentores para resíduos orgânicos
produzidos diariamente no Centro Comercial;

Existência de espaços adequados para armazenamento dos resíduos orgânicos (devem terse cuidados adicionais em relação ao peso, humidade e o facto de ser perecível);

Pelo menos um ponto de água deve ser providenciado no local.
Quanto ao processo de compostagem, este poderá ser realizado no local, ou fora do
empreendimento, em unidades de valorização orgânica.
Crédito disponível: 1 crédito
222 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Critérios sem a análise do retorno do investimento
Custos associados: Em conformidade com o Decreto-Lei 239/97 de 9 de Setembro33 e Decreto-lei
178/2006 de 5 de Setembro34 (referido no capítulo 2), bem como é prática habitual da empresa
Chamartin Imobiliária, desde a fase de projecto, foram previstas soluções técnicas que
preconizaram a adequada gestão dos resíduos de forma a promover, sempre que possível, a
minimização e a valorização dos mesmos. Neste trabalho, foi realizada a previsão de produção e
tipos de resíduos que fazem parte da gestão de um Centro Comercial, e a partir desta análise foram
dimensionados os espaços, a adequada separação e a localização das áreas destinadas à recolha
e tratamento dos resíduos (a Figura 9.5 apresenta um estudo esquemático realizada para o DVB).
Neste âmbito foram preconizadas medidas apropriadas para o armazenamento adequado de
Resíduos Sólidos Urbanos (RSU) (Indiferenciados e Orgânicos), através de refrigeração, extracção
dos odores, pontos de água e ralos, tectos com pintura permeável ao vapor, paredes e pavimentos
com acabamentos laváveis (azulejos), além da utilização de compactadores e reservatórios com
volume reduzido (360 litros) e de forma a facilitar o transporte para as unidades de valorização
orgânica, que será realizado diariamente (ver figura 9.6).
Os encargos associados à infra-estrutura interna e transporte não foram aqui considerados, pois
definem-se como prática habitual da empresa, ou seja, o investimento a ser realizado neste âmbito
foi contemplado desde o arranque do projecto.
Neste caso, o que foi contabilizado foram os encargos associados à valorização dos produtos, ou
seja, a recepção dos resíduos orgânicos nas unidades de valorização (compostagem) em vez do
envio para os aterros sanitários. No entanto, o principal problema para o cumprimento adequado
deste critério deveu-se à oferta reduzida de mercado para o desenvolvimento desta actividade.
Conforme se poderá observar na tabela 9.13, o número de unidades de valorização é ainda muito
reduzido, mas, a tendência será a alteração deste cenário até ao ano 2016, conforme definido no
Plano Estratégico para os Resíduos Sólidos Urbanos II (PERSU II).
33
Decreto-lei 239/97 de 9 de Setembro - estabelece regras para adequada gestão dos resíduos, desde a
recolha, transporte, armazenamento, tratamento, valorização e eliminação.
34
Decreto-lei 178/2006 de 5 de Setembro - A deposição, recolha, transporte, armazenagem e eliminação dos
resíduos com uma produção superior a 1.100 litros/dia são da responsabilidade dos seus produtores não
podendo ser enquadrada num processo corrente de gestão pela Câmara Municipal de Braga. (Sopsec, 2008).
223 |
Capítulo 9
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
Figura 9.5 – Fluxos de resíduos previstos para o DVBraga (Fonte: Sopsec, 2008).
Figura 9.6 – Espaços separados e refrigerados, destinados ao armazenamento dos RSUs (Fonte: Sopsec, 2008)
224 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Critérios sem a análise do retorno do investimento
Tabela 9.13- Unidades de valorização orgânica de RSU em funcionamento (previsão para 2004) (Fonte: ENRRUBDA,
2003 apud PERSU II, 2007)
Em relação ao caso de estudo, foi prevista, num curto prazo de tempo, a abertura de uma unidade
de valorização a ser gerida pela Braval (em Braga). Sem a abertura desta unidade seria improvável
o cumprimento deste critério.
Enquanto se aguarda pelo desenvolvimento desta actividade, e com base na análise de dois centros
comerciais em gestão (DVP e DVT) que estão a promover a valorização orgânica, pode afirmar-se,
que, a nível económico, esta actividade define-se como bastante atractiva para as empresas, sendo
suficiente verificar os encargos associados aos tipos de tratamento (ver tabela 9.14).
Um exemplo verificado na Tabela 9.14 é a Lipor (empresa Gestora de Resíduos do Grande Porto)
que garante a recepção de resíduos orgânicos e verdes, sem nenhum encargo para o seu produtor,
sendo apenas necessário o preenchimento de um formulário e a sua aprovação por parte da
empresa gestora. O único inconveniente verifica-se no caso de não conformidade durante a
225 |
Capítulo 9
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
recepção do material onde poderia ser cobrada uma taxa de €95/tonelada (taxa de 2009, aplicada a
incineração do resíduo). Ou seja, com o correcto processo de separação e valorização orgânica dos
resíduos, o produtor poderia evitar os encargos associados aos resíduos indiferenciados
encaminhados para aterros sanitários.
Tabela 9.14 – Taxas de resíduos cobradas por entidades gestoras de resíduos, em função do tratamento.
Centros
Comerciais
Entidade
gestora
Resíduo
(Tratamento)
Custos associados
(Euros /ton)
RSU
55
DVP
Lipor
Incineração
95
DVT
Valorsul
DVB
val. Orgânica
0
RSU
val.Org.(< 5% de
contaminação)
val. Org (5 a 11% de
contaminação)
RSU
53,5
Braval
11,43
observação
Em funcionamento
Em funcionamento
22,86
40
Em funcionamento
Reciclagem
11,50
Em funcionamento
Val. Orgânica
não identificado
A partir de 2010
Para comprovar os benefícios advindos desta valorização orgânica, realizou-se um estudo
comparativo entre períodos homólogos (2008 e 2009) do edifício de referência – DVP, tendo em
conta que este centro comercial, a partir de Maio de 2009, passou a fazer a separação dos resíduos
orgânicos. Na figura abaixo (figura 9.7) mostra-se a redução de resíduos (RSU) verificados na
análise durante 3 meses de 2009, e comparados com o mesmo período em 2008.
Produção de RSU
(Maio a Julho)
135,00
120,00
105,00
90,00
75,00
60,00
45,00
30,00
15,00
0,00
40 toneladas
para valorização
Orgânica
2008
2009
Custos evitados
2.924,90 euros
Aprox. 11 ton. de CO2
foram evitados (em 3
meses). O equivalente
a 44 ton /ano.
Equivale a emissão efectuada
por 4 habitantes europeus.
Produção de RSU
Figura 9.7- Comparação entre produção de resíduos no DVP, durante 3 meses homólogos de 2008 e 2009.
A redução justificada pela valorização orgânica de aproximadamente 40 toneladas de resíduos,
promoveu não só o aumento da taxa de reciclagem do centro comercial, como também a redução
de aproximadamente 11 toneladas CO2eq e uma economia de aproximadamente de €3.000 (três mil
euros, em somente 3 meses). Ao verificar as emissões de CO2eq comparado com os meses
226 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Critérios sem a análise do retorno do investimento
homólogos de 2008, verificou-se uma redução de aproximadamente 11 toneladas de CO2eq (o
equivalente a 44 ton. /ano), o que equivale aproximadamente à emissão efectuada por 4 habitantes
europeus, conforme se verifica na figura 9.8.
70.000
60.000
8.000,00 €
50.000
6.000,00 €
40.000
4.000,00 €
30.000
20.000
2.000,00 €
10.000
0,00 €
0
2008
Emissões de CO2 (em KgCO2)
Custos associados ( em euros)
10.000,00 €
2009
CUSTOS
KgCO2
Figura 9.8 – Redução dos custos e das emissões associadas a valorização orgânica do DVP em somente um trimestre.
No que se refere aos factores de emissão utilizados, consideraram-se as seguintes conversões:

O factor de conversão considerado para RSU`s encaminhados para aterros sanitários foi de
0,540 KgCO2eq /Kg (Gomes J et al, 2008)

O factor de conversão considerado para RSU`s encaminhados para a valorização orgânica
foi de aproximadamente 0,42 KgCO2eq /Kg. Neste caso considerou-se que os RSU`s
desviados do aterro sanitário, para a valorização orgânica, evitariam a emissão de GEE em
média de 0,125 KgCO2eq /Kgevitados. O valor de 0,125 KgCO2eq /Kgevitados, refere-se a um
valor médio que teve em consideração o processo de valorização realizado através da
compostagem ou valorização orgânica (PERSU II, 2007).
Com base nos dados apresentados e tendo em conta as taxas de resíduos cobradas pela Braval
(para RSU), e supondo que esta entidade venha a estabelecer uma taxa para a valorização
orgânica semelhante à taxa para a reciclagem (conforme estabelecido pela Entidade Valorsul),
realizou-se a análise e a transposição destas informações no caso de estudo, DVB.
227 |
Capítulo 9
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
Sendo prevista para o DVB uma produção de 44,23 m3/dia de RSU`s (o equivalente a 2,2 toneladas
por dia), e sendo que destas 30% serão resíduos orgânicos, conforme previsto no Plano de
Resíduos, verificou-se que, num ano, seriam produzidos aproximadamente 807 toneladas de
resíduos (565ton de RSU e 242Ton de resíduos orgânicos). A gestão adequada destes resíduos,
garantiria uma economia de aproximadamente € 6.900 (seis mil e novecentos euros) e numa
redução das emissões em aproximadamente 29 toneladas de CO2eq (o equivalente a emissão
produzida por aproximadamente 3 habitantes europeus). Na figura 9.9, faz-se a comparação entre
dois cenários distintos, com e sem valorização orgânica, de forma a comprovar as afirmações
realizadas acima.
35.000,00 €
Custos associados ( em euros)
30.000,00 €
400.000
25.000,00 €
350.000
20.000,00 €
15.000,00 €
300.000
10.000,00 €
250.000
5.000,00 €
0,00 €
200.000
s/ valorização
custos evitados
Emissões de CO2 (em KgCO2)
450.000
c/ val. orgânica
KgCO2evit
Figura 9.9 – Redução dos custos e das emissões anuais associadas a valorização orgânica do DVB.
Benefícios associados: Através do cumprimento deste critério, verificam-se as seguintes
vantagens:

Evitar a decomposição de resíduos orgânicos em aterros sanitários, que têm vindo a
contribuir para o aumento de emissões directas de gases com efeito de estufa, sendo neste
caso o Metano (vinte vezes mais poluente que o CO2);

Evitar a ocupação de áreas e consequente diminuição da vida útil dos aterros;

Evitar a infiltração dos chorumes, responsáveis pela contaminação dos solos e águas
freáticas;

Reduzir a utilização de fertilizantes sintéticos produzidos a partir de combustíveis fósseis,
através dos compostos orgânicos valorizados;

Além dos benefícios directos advindos da valorização orgânica, pode-se incluir nesta
análise as emissões de CO2eq evitadas em outros sectores, sendo os seguintes (PERSU II,
2007):
228 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Critérios sem a análise do retorno do investimento

Na produção de energia, através de biogás, em unidades de digestão anaeróbica são
evitados cerca de 0,23 TonCO2eq evitados/ Ton valorizado.

No sector agrícola através da substituição de fertilizantes sintéticos (conforme acima
mencionado) são evitados cerca de 0,02 TonCO2eq evitados/ Ton valorizado.
Este capítulo apresentou os critérios de elevado valor ambiental/social, considerando-se como
indissociáveis de benefícios económicos, ou seja, dificilmente justificáveis pela perspectiva do
retorno do investimento. No entanto, e na maioria dos casos, os investimentos iniciais dos referidos
critérios são relativamente reduzidos. Também se refere, que após a análise de alguns desses
critérios, foi possível identificar algumas excepções em matéria de retorno económico, e para o caso
bem mais expressivos em uns do que em outros, especificamente para os critérios Wst 5 e Hea 14,
respectivamente. No caso do critério Wst 5, observaram-se ganhos significativos com a adequada
gestão dos resíduos, já que a implementação desse critério evitaria o envio de uma parte
significativa dos resíduos orgânicos para os aterros sanitários (assim como na incineração, os
aterros sanitários cobram taxas bastante superiores em relação ao custo com o envio para o
processo de reciclagem).
À parte dos benefícios económicos (ou não) que estas medidas possam acarretar, o que importa
ressalvar neste capítulo é o contributo destas medidas para tornar o empreendimento
ambientalmente responsável, e apenas com um esforço financeiro bastante reduzido. Assim, com
um investimento de € 34.441 (trinta e quatro mil e quatrocentos e quarenta e um euros),
correspondente a 0,05% do investimento previsto para a construção do DVB, foi possível alcançar
até 10 pontos do BREEAM e serem evitadas emissões em aproximadamente 665,29TonCO 2eq no
primeiro ano do empreendimento.
229 |
Capítulo 9
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
230 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Critérios relacionados com a análise do retorno do investimento
CAPÍTULO 10 – CRITÉRIOS RELACIONADOS COM A ANÁLISE DO RETORNO DO
INVESTIMENTO
10.1 Introdução
Neste capítulo será apresentada a análise individual realizada aos critérios considerados
quantificáveis (Grupo D) e que foram contemplados neste trabalho (ver tabela 10.1). O estudo
apresenta-se dividido em dois subcapítulos (gestão da água e da energia) e organizados da
seguinte forma(ver anexo VI):
231 |
Capítulo 10
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento

Indicadores de referência utilizados, incluindo um resumo final dos principais parâmetros
empregues;

Descrição e objectivos do critério BREEAM;

Descrição do sistema;

Aplicação prática ao caso de estudo.
Ressalva-se que a análise dos critérios BREEAM se realizou através de uma aplicação prática ao
caso de estudo DVB, onde estes critérios (denominados Proposta Sustentável) foram comparados
com uma proposta base (inicialmente prevista para o DVB).
Tabela 10.1 – Critérios quantificáveis (Grupo D). (Fonte: BRE, 2008) (adaptação)
Grupo D
Health & wellbeing section credits
Hea4 High frequency lighting
Energy section credits
Ene1 Reduction of CO2 Emissions
Ene4 External lighting
Ene5 Low or zero carbon technologies
Ene7 Cold food storage
Ene8 Lifts
Ene9 Escalators & travelling walkways
Water section credits
Wat1 water consumption
Wat2 Water meters
Wat4 Sanitary supply shut off
Wat5 water recycling
Wat6 Irrigation system
Materials section credits
Mat3 Re-use of building façade
Mat4 Re-use of building struture
Total: 14 critérios
Critérios contemplados no Grupo A: 1 critério
Critérios a serem analisados: 7
Legenda
Critérios Obrigatórios
Critérios também Relacionados Critérios
contemplados em com a Fase de contemplados
outros grupos
prospecção
na análise
Grupo A -PE
x
x
x
x
x
x
x
x
x
10.2 Oportunidade de melhoria para a adequada gestão da água (acções que cumprem os
critérios estabelecidos)
10.2.1 Pressupostos utilizados
Antes de iniciar a análise da aplicabilidade dos critérios da ferramenta do BREEAM relacionados
com a gestão da água, foi necessário obter informações cruciais sobre o projecto, tais como:
estimativas de consumos de água e outros custos associados a uma solução base (convencional).
Numa primeira análise, foram definidos os caudais de dimensionamento dos sistemas, com base
num número estimado de visitantes (população flutuante) e trabalhadores (população fixa), bem
232 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Critérios relacionados com a análise do retorno do investimento
como foi feita a contabilização de áreas significativas (rega e estacionamento) quer através de
dados históricos (através dos edifícios de referência) quer através de dados previsíveis (calculados
para o caso de estudo, ainda em fase de projecto).
Na vertente deste trabalho, apresentaram-se dois diferentes resultados que foram comparados
entre si, no sentido de comprovar a fiabilidade dos dados estimados e que resultam da análise de
duas empresas distintas no mercado - consultores da Chamartin Imobiliária.
Estudo 1: A primeira análise teve como parâmetro os seguintes indicadores (Tabela 10.2) (Ductos,
2007).
Tabela 10.2 – Capitação e consumos específicos definidos para um centro comercial (Fonte: Ductos, 2007)
Consumos específicos
Trabalhadores em geral
(pop.fixa)
Visitantes (População
flutuante)
50
l/hab/dia
1,5
l/hab/dia
Lavagem de pavimentos
0,02
l/m2/dia
Rega
1,0
l/m2/dia
Para calcular os consumos estimados do Dolce Vita Braga (DVB), foi necessário definir os valores
previsíveis relativos ao número esperado de visitantes (população flutuante) por ano e o número de
trabalhadores (população fixa), bem como definir as áreas específicas: ABL (área bruta locável),
estacionamento e áreas verdes (rega).
As informações sobre as áreas foram obtidas através do projecto, enquanto que para se calcular a
estimativa de visitantes e trabalhadores, se teve em consideração os dados de referência
existentes, e que poderão ser verificados na tabela abaixo designada (tabela 10.3).
Através da análise anual dos três Centros Comerciais de referência (DVP, DVC, DVD) foi possível
definir um indicador de visitantes por m2 (definida pela área do "mall"). Além disso, foi possível
atestar a veracidade dos indicadores utilizados internamente pela empresa para calcular o número
de trabalhadores do Centro Comercial, designado por 5% da área de ABL (os resultados obtidos
correspondem à realidade do número de trabalhadores actualmente empregados nos centros
comerciais em gestão).
233 |
Capítulo 10
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
Tabela 10.3 - Dados obtidos através da análise dos edifícios de referência para definição da população flutuante e fixa.
(Fonte: Chamartin Imobiliária, 2007)
Dados de referência
tráfego
mensal
(médio)
tráfego por
dia
área do
mall
visitante por
área do
ABL(excepto
m2
estacionamento
hiper)
% pop. Fixa
proporcional
a ABL
nº
população
fixa
DVP
670.253
22.036
13.456
2
54.344
24.174
5%
1.209
DVC
736.081
24.200
9.003
3
55.596
27.690
5%
1.385
DVD
491.500
16.159
8.448
2
30.393
22.259
5%
1.113
DVB
(estimativa)
943.175
31.439
15.119
2
67.167
61.441
5%
3.072
Dados reais
Dados estimados
Após a obtenção dos valores reais e estimados, foi possível calcular o consumo previsto para o
DVB com base nos consumos específicos definidos na tabela 10.2. Deve ressalvar-se que, antes de
realizar os cálculos relativamente ao DVB, foram realizados testes de fiabilidade em relação à tabela
10.2 e aplicados aos casos existentes, afim, de verificar a compatibilidade dos resultados à
realidade (tabela 10.4).
Tabela 10.4 – Análise comparativa entre dados estimados e consumo real dos edifícios de referência.
DVP - Consumos mensais
2.932
m3/mês
Consumo estimado
Consumo médio real
3.190
m3/mês
valor estimado é 8% inferior a realidade
DVC - Consumos mensais
3.306
m3/mês
Consumo estimado
Consumo médio real
4.166
m3/mês
valor estimado é 20% inferior a realidade
DVD - Consumos mensais
2.495
m3/mês
Consumo estimado
Consumo médio real
2.073
m3/mês
valor estimado é 20% superior a realidade
Como se poderá verificar na tabela acima, os dados apresentam uma margem de diferença, apesar
de, em alguns casos, serem justificáveis. É o caso do DVC, onde a diferença de 20% poderá ser
justificada com a ocorrência de fugas de água em dois diferentes meses (Julho e Setembro) durante
o ano analisado (ano 2007).
Quanto ao caso do DVD, não foi possível apurar a causa do reduzido consumo comparado com o
valor estimado, no entanto, é preferível que a estimativa seja superior às necessidades reais, desde
que considerada aceitável.
Após o teste de fiabilidade realizado e a respectiva aplicação dos consumos específicos, obteve-se
os seguintes resultados para o caso de estudo (tabela 10.5):
234 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Critérios relacionados com a análise do retorno do investimento
Tabela 10.5 - Resultado do estudo 1: Consumo estimado do DVB.
DVB
População fixa
3.072 hab/dia
População flutuante
31.439 hab/dia
Caudal da pop. fixa
50 l/dia
Caudal da pop. Flut.
1,5 l/dia
Lavagem de pavimento
0,02 l/m2/dia
Rega
1 l/m2/dia
153.602 l/dia
População fixa
47.159 l/dia
População flutuante
Total do consumo da
população (fixa+flutuante)
200.760 l/dia
1.343 l/dia
Lavagem de pavimento
39.880 l/dia
Rega
241.984 l/dia
Total de consumo
242 m3/dia
Total de consumo(m3)
7.501 m3/mês
Total de consumo mensal
Estima-se que o número de pessoas que utilizam os WCs num Centro Comercial seja
aproximadamente de quarenta por cento (40%) e que destes, setenta por cento (70%) utilizam
sanitas, enquanto que os restantes trinta por cento (30%) utilizam urinóis (Ductos, 2007).
Neste sentido, e tendo em conta um fluxo médio de 6 litros por descarga nas sanitas e de
aproximadamente 5 litros no uso de urinóis (este último tende a variar entre 5 a 9 litros), resultou
num consumo diário de água de, aproximadamente, 58.000litros e 20.707litros, respectivamente,
totalizando 78.707litros (este valor representa aproximadamente 40% da água consumida pela
população fixa e flutuante) (Tabela 10.6).
Tabela 10.6 – Consumo total de água no DVB e consumo diário estimado para sanitas e urinóis, resultante do estudo 1.
DVB
Total do consumo da
população (fixa+flutuante)
Consumo de água estimado
para sanitas (proposta inicial6 litros por uso)
Consumo de água estimado
para os urinóis (proposta
inicial - 5 litros por uso)
200.760
l/dia
57.979
l/dia
20.707
l/dia
Estudo 2: Representa a análise realizada pela empresa Sopsec, responsável pelo projecto de
águas e esgotos do Dolce Vita Braga, representando, os dados abaixo designados, o valor
oficialmente estimado para os consumos diários de água potável (tabela 10.7). Nesta estimativa
foram excluídos os consumos de rega e lavagem dos estacionamentos, bem como os consumos
previstos para as instalações técnicas, nomeadamente, para o ar condicionado. Como poderá ser
235 |
Capítulo 10
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Tese de Doutoramento
observado, a capitação é identificada pelos diferentes tipos de actividades desenvolvidas no Centro
Comercial, e o número de habitantes estipulado representa a percentagem equivalente de visitantes
e trabalhadores que irão utilizar as instalações sanitárias e cozinhas (restauração).
Tabela 10.7 – Cálculo do consumo estimado de água potável do Dolce Vita Braga (dados oficiais) (Fonte: Sopsec,
2008).
Com base na tabela 10.6 e na tabela 10.7, verificou-se uma aproximação dos resultados obtidos
nos estudos 1 e 2, tendo como resultados totais (população fixa+ flutuante) entre 200.760 litros e
206.484 litros (margem de erro de aproximadamente 2%). Assim, para este estudo, foram utilizados
os valores inferiores, e enunciados no estudo 1, de modo a que estes não favorecessem os
resultados das análises pelos critérios do BREEAM, referentes ao consumo de água, e que serão
de seguida analisados.

Resumo dos parâmetros utilizados
A seguir serão apresentados os parâmetros utilizados para analisar os critérios relacionados com a
água no caso de estudo – Dolce Vita Braga.
A- Número de equipamentos sanitários contabilizados para o empreendimento (tabela 10.8): A
tabela abaixo refere-se às instalações disponibilizadas ao público e aos trabalhadores (pessoal)
do Centro Comercial. Do total de sanitas analisadas no critério Wat 1 (mais à frente descrito),
realça-se que foram excluídas da análise cinco sanitas para portadores de mobilidade
condicionada, tendo em conta que nestes equipamentos já estava prevista a utilização de
autoclismo com duplo fluxo.
236 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Critérios relacionados com a análise do retorno do investimento
Tabela 10.8 - Quantidade de equipamentos que serão instalados no DVB.
Equipamentos
Número de
blocos de Wcs
Público
Total
Pessoal
18
sanitas*
58
24
82
lavatórios
61
16
77
urinóis
chuveiros
19
10
9
29
9
* do total das sanitas consideradas, 5 serão para portadores
de Mobilidade condicionada.
B- Quantidade de consumos previstos: Com base nos equipamentos inicialmente previstos,
referentes aos caudais das sanitas (6 litros por uso) e urinóis (5 litros por uso), e tendo em
consideração as estimativas de afluência aos WCs no centro comercial, consideraram-se os
seguintes valores a serem utilizados na análise (tabela 10.9):
Tabela 10.9 - Consumo de água inicialmente estimado para o DVB.
DVB
População (fixa +flutuante)
Total do consumo da
população (fixa+flutuante)
Consumo de água estimado
para sanitas (proposta inicial6 litros por uso)
Consumo de água estimado
para os urinóis (proposta
inicial - 5 litros por uso)
34.511 hab/dia
200.760 l/dia
57.979 l/dia
20.707 l/dia
C- Custo dos serviços: Os custos referentes ao consumo de água a serem utilizados para esta
análise foram adquiridos através da média entre os valores reportados no ano de 2006, em
relação aos três edifícios de referência, e actualizados ao ano de 2009 (onde foi considerada
uma taxa de inflação de 2%) (tabela 10.10). Os valores de referência utilizados são definidos
pelos encargos associados ao consumo de água (valores em euros, e referentes à
disponibilidade e tratamento de água potável e residual) divididos pelos totais de água
consumida nesse mesmo ano (valores expressos em m3). Do valor predefinido, ressalva-se que
35% da tarifa está a ser destinada para pagamento do tarifário referente ao tratamento da água
residual após consumo (ou seja, noventa cêntimos por m3 (0,90 €/m3)).
237 |
Capítulo 10
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Tese de Doutoramento
Tabela 10.10 – Custos médios associados ao consumo de água reais (2006) e estimados (2009).
Ano 2006
DVP
euros/m3
(média anual)
3,17 €
DVC
2,08 €
DVD
Valor médio
2006
2009
2,01 €
2,42 €
2,57 €
D- Principais pressupostos económicos / financeiros utilizados:
Os indicadores de avaliação económica utilizados neste trabalho foram baseados nos seguintes pressupostos:

A taxa de desconto (actualização) utilizada para o cálculo do VAL foi de 5%

O período de análise considerado foi de 15 e 20 anos

A taxa de inflação média anual considerada foi de 2%

Taxa de juro média anual de 4,5%

O período de amortização de financiamento foi de 15 anos
E - Factores de emissão de CO2eq :
Nos critérios relacionados com a componente água foram aplicados os factores de emissões de
CO2eq associados ao tratamento da água antes e após consumo (tratamento das águas residuais),
dados adquiridos no Relatório de Sustentabilidade de 2007 da EPAL, em conjugação com os dados
reportados pelo Inventário Nacional de Sistemas de Abastecimento de Águas e de Águas Residuais
(INSAAR) e pelo Plano Nacional para as Alterações Climáticas (PNAC) (tabela 10.11 e 10.12).
Tabela 10.11 - Emissões de GEE associados ao tratamento de água (Fonte: EPAL, 2007).
Emissões associadas ao tratamento de água.
(Epal, 2007)
2005
2006
2007
Volume total de água fornecida (milhões de
3
m )
218,8
211,2
209,1
Emissões directas (tonCO2eq )
1309
1322
1308
Emissões indirectas (tonCO2eq )
100193
90731
89577
Emissões totais (tonCO2eq )
101502
92053
90885
0,464
0,436
0,435
Factor de emissão (KgCO2eq /m 3)
Factor de emissão de CO2eq a ser utilizado neste trabalho.
238 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Critérios relacionados com a análise do retorno do investimento
Tabela 10.12 - Emissões de GEE associados ao tratamento de água residual (Fonte: Henriques A.C., 2008)
Emissões associadas ao tratamento residual
(porterior ao consumo)
3
Volume total de água residual(milhões de m )
2005
Fonte
327,35
2008, INSSAR
Emissões de CO2eq (MtonCO2eq )
2,55
PNAC- Residuos
(2005-2010)
Factor de emissão (KgCO2eq /m 3)
7,79
PNAC / INSSAR
Factor de emissão de CO2eq a ser utilizado neste trabalho.
F- Parâmetros Comparativos:
Por forma a verificar o impacte ambiental que as medidas relacionadas com a componente água
possuíam, utilizou-se como parâmetro de referência o consumo de água per capita (média
Europeia) fornecido pela EUREAU (Statistic Overview on Water and Waste water in Europe 2008)
(Aquapor, 2009) e as emissões de CO2eq por cada habitante europeu, conforme os dados de 2007
(EEA, 2009) (ver tabela 10.13).
Tabela 10.13- Consumos anuais de água e emissão de GEE por habitantes europeus (Fonte: EUREAU, 2008 apud
Aquapor, 2009) (Fonte: EEA, 2009).
Parâmetros de referência (EU)
Consumo de água
Emissões de GEE
183 litros/hab.dia
66795 litros/hab.ano
3
66,8 m /hab.ano
10,2 tonCO2eq per capita.ano
Os demais pressupostos que não estejam aqui contemplados, serão tratados individualmente
durante o desenvolvimento dos diferentes critérios relacionados com a componente água, tendo em
conta as suas especificidades. Exemplo: Estimativas de fugas de água dos equipamentos (critério
Wat 4) e dados climatológicos (critérios Wat 5).
10.2.2 Consumo eficiente da água (Wat 1)
Descrição e objectivos do critério
Os objectivos do critério são demonstrar que as especificações do projecto quanto às torneiras,
chuveiros, urinóis e sanitas, incluem sistemas mais eficientes, com reduzida utilização de água
potável, em comparação com sistemas standard. Os três créditos disponíveis para este critério são
atribuídos mediante o cumprimento dos seguintes requisitos:
Primeiro crédito:
1.
Todos os WCs (sanitários) devem ter um efectivo volume de descarga de 4,5 litros ou inferior;
239 |
Capítulo 10
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Tese de Doutoramento
2.
O sistema com duplo fluxo deve ser especificado (este deverá conter instruções para o
adequado funcionamento pelo utilizador).
Segundo crédito:
3.
O segundo crédito poderá ser alcançado, desde que obtida uma das seguintes medidas:
a. Todos os WCs devem ter um efectivo volume de descarga de 3 litros ou inferior;
b. Todos os WCs devem cumprir os requisitos do primeiro crédito e estes devem estar
providos de acção retardadora na entrada da válvula.
4.
O sistema com duplo fluxo deve ser especificado (este deverá conter instruções para o
adequado funcionamento pelo utilizador).
Terceiro crédito:
5.
Cumprir, pelo menos, duas das acções abaixo especificadas, com o intuito de reduzir o
consumo de água potável em termos anuais, sendo eles:
a. Todos os lavatórios, excepto torneiras de cozinha, devem ter uma taxa de fluxo inferior a
6 litros/min para uma pressão da água de 0.3 MPa, bem como assegurar o cumprimento
de uma das seguintes acções:

Torneiras temporizadas (pneumáticas);

Torneiras com sensor electrónico;

Torneiras de fluxo reduzido (reguladores de fluxo) e monocomando;

Torneiras spray (poderá ser mais eficiente do que as torneiras com filtro arejador, em
situações onde o fluxo da água seja reduzido. Por exemplo, para vazões de 1.7
litros/min a 3.5 litros/min).
b. Todos os chuveiros, quando especificados, devem ter uma taxa de fluxo não superior a 9
litros por minuto para uma pressão da água de 0.3MPa, bem como uma temperatura de
37ºC;
c. Todos os urinóis devem ter um dos sistemas abaixo assinalados:

Urinóis com detector de presença;

Urinóis com reduzido fluxo, ou mesmo sem água.
Créditos disponíveis: 3 créditos.
Descrição do sistema
De forma a alcançar os créditos disponíveis neste critério, apresentam-se a seguir algumas
soluções propostas pelo BREEAM:
240 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Critérios relacionados com a análise do retorno do investimento
Sistemas com duplo fluxo: Uma das medidas aceitáveis, para a atribuição de um ou dois créditos,
deve-se à introdução de sistemas com autoclismo de dupla descarga em 100% das instalações
sanitárias (ver figura 10.1). Esta medida, bastante simples e acessível, quer em termos económicos
quer em termos de oferta disponível no mercado português, refere-se a um sistema que permite a
utilização de mais ou menos água dependente da necessidade do utilizador. No caso dos Centros
Comerciais, não é aconselhável pelos fabricantes a utilização do sistema com 2 e 4 litros, pois
colocaria em causa a salubridade do local.
Figura 10.1 - Autoclismo com duplo fluxo.
Os sistemas com duplo fluxo, têm um tempo de vida de aproximadamente 25 anos, e que permitem
reduzir até 60% do consumo de água, quando comparado com um sistema convencional com fluxo
de 9 litros (ver figura 10.2)
Figura 10.2- Comparação entre diferentes sistemas de autoclismo (Fonte: Geberit, 2005).
Torneiras com sistemas eficientes: o BREEAM disponibiliza diferentes soluções de torneiras
eficientes. No entanto, como o enfoque deste trabalho se destina sobretudo a centros comerciais,
apresentam-se assim soluções mais direccionadas para espaços públicos, nomeadamente, as
241 |
Capítulo 10
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Tese de Doutoramento
torneiras electrónicas e as pneumáticas. As duas soluções apresentadas promovem maior
fiabilidade, robustez e redução da probabilidade de ocorrência de fugas e desperdícios, além do
facto de reduzirem o risco de contaminação, quando comparado com outros sistemas
convencionais.
As torneiras electrónicas (ver figura 10.3) funcionam através da aproximação das mãos ao sensor,
ocorrendo a respectiva interrupção através do afastamento da mesma ou após um minuto de
funcionamento. Este sistema reduz até 80% do consumo quando comparado com torneiras
convencionais. Quando comparado com sistemas de monocomando (Geberit, 2008) (ver figura
10.4) reduz o consumo em 70%.
Figura 10.3- Torneira electrónica (Fonte: Geberit, 2008).
Figura 10.4- Comparação entre o consumo de diferentes torneiras (Fonte: Geberit, 2008).
Quanto às torneiras com sistema pneumático (ver figura 10.5), estas actuam através de um sistema
de pressão no topo da torneira, libertando o fluxo de água em aproximadamente trinta segundos.
Este sistema reduz até 75% do consumo de água quando comprado com uma torneira
convencional. No caso de ser comparado com torneiras de monocomando (ver figura 10.6), a
redução de consumo é de 60%.
242 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Critérios relacionados com a análise do retorno do investimento
Figura 10.5- Torneira pneumática (Fonte Geberit, 2008)
Figura 10.6- Comparação entre o consumo de diferentes torneiras (Fonte: Geberit, 2008).
Urinóis eficientes: Uma das soluções que foi apresentada para os urinóis, e que foi tema de análise
neste trabalho, foram os urinóis sem água, tipo URIMAT ECO com display (ver figura 10.7). Este
sistema de patente Suíça, é constituído com policarbonato, o que lhe garante a característica de ter
um peso bastante reduzido (aproximadamente 4Kg).
Figura 10.7 - Sistema de urinol sem água (URIMAT ECO com display) (Fonte: URIMAT, 2009).
A utilização de um sifão eliminador de cheiros, uma superfície não porosa e a adição de um
granulado não bacteriano (impedindo o odor e o desenvolvimento de microrganismo), permite que o
243 |
Capítulo 10
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Tese de Doutoramento
sistema seja desprovido de canalização de água potável (ver figura 10.8). A limpeza é simples e
realiza-se através de quaisquer produtos biodegradáveis (desde que não contenha cloro e álcool),
de forma a impedir a concentração de calcário e a eventual obstrução na canalização de águas
residuais.
Figura 10.8 - Sistema de funcionamento do urinol sem água (URIMAT) (Fonte: URIMAT, 2009).
Aplicação prática ao caso de estudo
Durante a verificação da aplicabilidade deste critério ao caso de estudo DVB, bem como aos
edifícios de referência, observou-se que somente os lavatórios com torneiras eficientes estavam a
cumprir os requisitos pré-determinados do BREEAM, ou seja, 100% dos empreendimentos já
possuíam lavatórios com torneiras pneumáticas, e em alguns casos com sensores electrónicos. No
entanto, conclui-se que estas medidas, inicialmente contempladas, não iriam garantir nenhuma
pontuação neste critério. Assim, foi estudada a aplicação de novas medidas, nomeadamente, no
que diz respeito aos sistemas de duplo fluxo (4,5litros), e de urinóis mais eficientes, de forma a
alcançar no mínimo dois dos três créditos disponíveis.
Pontuação adquirida pelo caso de estudo: 0 créditos na proposta base (cenário2) e nos cenários de
intervenção (cenário 3 e 4) o objectivo foi alcançar 2 créditos.

Dados gerais da análise:
Foram realizadas duas análises distintas, em conformidade com as exigências de dois dos três
diferentes créditos disponibilizados pelo BREEAM, sendo eles:
1º Análise: Comparação de um sistema de autoclismo com um único fluxo com um sistema de
duplo fluxo (proposta do 1º crédito da ferramenta BREEAM).
244 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Critérios relacionados com a análise do retorno do investimento

Proposta Base (inicialmente proposta para o DVB) (A): Sistema Kombifix (Empresa
Geberit), autoclismo de descarga única (6 litros por uso);

Proposta Sustentável (B): Sistema Duofix (empresa Geberit), autoclismo de descarga
diferenciada (duplo fluxo 3/6 litros – consumo efectivo 4,5 litros por uso).
2º Análise: Comparação entre os urinóis previstos para as casas de banho públicas e dos
funcionários e um sistema mais eficiente (proposta exigida para alcançar o 3º crédito, em que
tiveram de ser adicionadas duas acções exigidas, no mínimo, para o cumprimento do critério em
referência (lavatórios + urinóis)).

Proposta Base (inicialmente proposta para o DVB) (A):
- 19 Urinóis Capri da SANITANA com fluxómetro electrónico para urinol VS anti-vandalismo
GEBERIT (a solução representa 65% do total dos urinóis) (A1).
- 10 Urinóis Mural da ROCA, série URITO com fluxómetros manuais (a solução representa 35%
do total dos urinóis instalados) (A2).
Parte desta solução, inicialmente proposta para o DVB, poderia ser considerada para
cumprimento de créditos definido pelo BREEAM (19 urinóis com fluxómetro electrónico), no
entanto, como não foi verificada a sua instalação na totalidade do Centro Comercial, invalidou a
obtenção de um crédito.

Proposta Sustentável (B):
- URIMAT eco com display, sistema de urinol sem água (a representar 100% das instalações
dos urinóis).

Resultados económicos e ambientais obtidos.
Relativamente à primeira análise realizada, e que é referente à substituição do sistema de
autoclismo de descarga único (Kombifix) pelo sistema de autoclismo com duplo fluxo (Duofix),
conclui-se que o investimento inicialmente realizado (investimento de aproximadamente 3.435
euros, 32% superior ao investimento da proposta inicial) seria rapidamente recuperado (num
período inferior a um ano), devido a ganhos anuais na ordem dos 13.597 euros, referentes a custos
associados ao fornecimento público que foram evitados.
Quanto ao aspecto ambiental, a pequena alteração do sistema conduziria a uma redução de 25%
do consumo de água, o que se reflectiria anualmente numa redução de mais de 5000m3 de água
245 |
Capítulo 10
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
por ano (o equivalente ao consumo de aproximadamente 75 habitantes), bem como numa redução
anual de 43 toneladas de CO2eq. (ver tabela 10.14).
Tabela 10.14 – Autoclismo de descarga única comparado com autoclismo com descarga variável (Resultados
económicos e ambiental).
custo unitário
custo total
(77autoclismo)
Custo inicial dos sistema A (sistema Kombifix)
139,26 €
10.723 €
Custo inicial do sistema B (Sistema Duofix)
183,87 €
14.158 €
Diferença do Investimento inicial
44,61 €
Dados Económicos
3.435 €
Encargos anuais (consumos) A
54.387 €
Encargos anuais (consumos) B
40.790 €
Ganhos económicos anuais ( da solução A comparado a soluçãoB)
13.597 €
% de Ganhos económicos
Retorno do Investimento (anos)
25%
<1 ano (inferior a 6 meses)
VAL (Valor actual líquido) (15 anos)
156.213,60 €
TIR (Taxa Interna de Rentabilidade)
>100%
Dados Ambientais
consumo anual consumo anual
(Litros)
(m3)
Total de água consumida na proposta A (sistema Kombifix)
21.162.276
21.162
Total de água consumida na proposta B (sistema Duofix)
15.871.707
15.872
Redução do consumo de água total
5.290.569
5.291
% de Redução do consumo de água
Toneladas de CO2eq evitados anualmente (TonCO2eq)
25%
43
Os resultados obtidos com a segunda análise, ou seja, a substituição dos urinóis inicialmente
propostos para o DVB pelo sistema URIMAT (urinóis sem água), também se revelaram bastante
significativos.
Na análise do investimento inicial das diferentes propostas teve-se em consideração os encargos
com as tubagens (entrada de água potável), e que na solução sustentável (URIMAT) foram
evitados, sendo previsto somente as instalações para tratamento de águas residuais. Quanto aos
encargos associados aos produtos de limpeza utilizados, e especificamente no caso do URIMAT,
aconselhou-se a utilização de produtos biológicos nas actividades de manutenção, o que
apresentaria custos mais elevados comparativamente com as soluções convencionais. No entanto,
pelo facto da utilização de produtos biológicos já ser uma prática comum nos Centros Comerciais
em gestão, devido à Política de Gestão Ambiental da Chamartin Imobiliária, estes encargos
acabaram por ser excluídos da análise.
Como poderá verificar-se na tabela abaixo (Tabela 10.15), o investimento adicional de 6.327 euros,
poderia ser recuperado em menos de um ano, devido a ganhos económicos anuais de
aproximadamente 18.757,09 euros, resultantes da não utilização de águas de fornecimento
público (neste caso, considera-se somente o custo para tratamento de águas residuais que foram
utilizadas durante o processo de limpeza dos equipamentos, ou seja, aproximadamente 750 m3 por
246 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Critérios relacionados com a análise do retorno do investimento
ano). Quanto aos resultados ambientais advindos destes, seriam bastante satisfatórios, com uma
economia de 6.817 m3 de água por ano (o suficiente para fornecer água a 102 habitantes por ano),
e equivalentes a uma emissão de gases de 56 TonCO2eq.
Tabela 10.15 – Proposta inicial do DVB comparado com o sistema de urinóis sem água (URIMAT) – Resultados
económicos e Ambientais.
Dados Económicos
Custo unitário
Custo inicial dos sistema A1(19 unidades) (inclui tubagens)
388,55 €
Custo inicial dos sistema A2 (10 unidades) (Inclui tubagens)
128,32 €
Custo inicial do sistema B (29 unidades)
517,00 €
custo total
8.665,59 €
14.993,00 €
Diferença do Investimento inicial
6.327,41 €
Encargos anuais (consumos) A (exclui produtos de limpeza)
19.423,95 €
Encargos anuais (consumos) B (exclui produtos de limpeza)*
666,86 €
18.757,09 €
96,57%
Ganhos económicos anuais ( da solução A comparado a soluçãoB)
% de Ganhos economico
<1 ano (inferior a 6 meses)
Retorno do Investimento (anos)
VAL (Valor actual líquido) (15 anos)
213.594,58 €
TIR (Taxa Interna de Rentabilidade)
> 100%
* encargo referente ao tratamento da água residual necessária durante a limpeza dos
equipamentos.(encargos contemplados refere-se somente a taxa de tratamento de águas residuais)
Dados Ambientais
Total de água consumida na proposta A (A1+A2)
consumo anual consumo anual
(Litros)
(m3)
7.557.956
7.558
Total de água consumida na proposta B (URIMAT)
Redução do consumo de água total (ano)
740.950
741
6.817.006
% de Redução do consumo de água
Toneladas de CO2eq evitados anualmente (TonCO2eq)
6.817
90%
56
Observou-se que muitas das medidas adoptadas para a redução do consumo da água são bastante
rentáveis, devido à facilidade de implementação dos sistemas e da sua disseminação no mercado,
assim como potenciadas pelos custos acessíveis rapidamente recuperados, e mesmo quando
conjugadas com o aproveitamento de águas captadas localmente.
É importante ressalvar que ao conciliar esta medida com o aproveitamento das águas da chuva
(conforme definido pelo critério Wat 5, que será mais a frente apresentado) ou águas freáticas, os
resultados económicos mantêm-se bastante rentáveis, pois em ambas as situações, os encargos
relativos à taxa de tratamento da água residual (aproximadamente 35% dependente do município),
seriam sempre considerados.
10.2.3 Sanitários com sistemas de corte (Shut-off) (Wat4)
Descrição e objectivos do critério
Os objectivos do critério são reduzir o risco de fugas de água nos equipamentos dos WCs. Os
comprovativos requeridos para a atribuição de um crédito são:
247 |
Capítulo 10
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Tese de Doutoramento
As válvulas solenóides deverão ser instaladas nos equipamentos sanitários (em cada bloco de
casas de banho do empreendimento), e os fluxos de água, através dos equipamentos, devem ser
controlados da seguinte forma:

Detectores de movimento (infra-vermelhos);

Sensores ou interruptores à entrada de cada instalação.
Crédito disponível: 1 crédito.
A proposta inicial do projecto Dolce Vita Braga não contemplava a introdução deste sistema, e, não
se verificou a sua utilização em nenhum dos casos de estudos de referência.
Descrição do sistema
O sistema de corte (“Shut-off”) tem a função de bloquear a saída de água das instalações públicas,
no caso de ausência de pessoas. Com a colocação de uma electroválvula a jusante dos contadores
(proposto para cada bloco de casa de banho), bem como com a interacção funcional destes com os
sensores de presença, ou contadores de pessoa, durante períodos de vazio, reduzir-se-ia o risco de
perdas de água nas sanitas, urinóis e lavatórios (Figura 10.9 e 10.10). O sistema também poderia
estar associado aos sensores de presença de iluminação e ventilação mecânica.
Figura 10.9 – Electroválvulas (Solenóides) e sensores de presença.
Figura 10.10 – Esquema de funcionamento do Sistema de corte (Shut-off) (Fonte: Robert Pearson, 2008).
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Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Critérios relacionados com a análise do retorno do investimento
Os sensores (com diâmetro de actuação de cinco metros) poderiam ser inseridos nos corredores
dos sanitários (não sendo necessária a sua instalação por cabine), no entanto, deveria ser atribuído
um período de tempo mais ajustado (mais prolongado), para que não se verificassem situações
indesejáveis. Esse tipo de situações poderia suceder com o fechamento da válvula de água e
iluminação ainda na presença de visitantes dentro das respectivas cabines (áreas não detectadas
pelo sensor). Outra alternativa aos sensores de presença, são os contadores de pessoas na entrada
dos sanitários (actualmente propostos para o DVB).
Aplicação prática ao caso de estudo
Este critério abrange as perdas intermitentes que poderiam ser verificadas em equipamentos com
falhas mecânicas, ou que sofreram algum tipo de vandalismo. No entanto, a maior dificuldade foi
encontrar um valor de referência para poder realizar-se a análise de viabilidade económica e
ambiental. Ou seja, somente através de estimativas foi possível definir eventuais perdas/vazamento
visíveis de água dos equipamentos. Isso porque, o que estava a ser verificado não era a possível
fuga nas tubagens (por exemplo, canalizações de incêndio e outros percursos das tubagens), que
facilmente poderiam ser detectadas nas facturas de consumo de água (totalizador menos os
consumos parciais). Neste caso, referem-se as perdas (desperdícios) associadas aos consumos
finais, ou seja, que poderiam ser detectadas directamente nos equipamentos irregulares e
contabilizadas como consumo final.
Fugas = Totalizador – consumos registados nos contadores parciais (incluindo as perdas visíveis).
Desperdício = perdas visíveis em equipamentos com defeito, que possuem difícil contabilização pois
estão incluídos nas respectivas facturas de consumo.
Nesse sentido, foi preciso definir um valor estimado para perdas visíveis anuais, com o intuito de
calcular o retorno do investimento realizado.
Para realizar o estudo, consideraram-se duas referências distintas, a primeira, proposta pelo manual
BREEAM, e a segunda, definida por um estudo realizado pela empresa brasileira de instalações
sanitárias DECA.
Desde já, pode afirmar-se que para o cálculo da viabilidade económica foram utilizados os valores
referenciados no manual do BREEAM (ver abaixo referência1), tendo em consideração que na
referência 2 (que será a seguir apresentada), as estimativas foram baseadas em perdas visíveis
identificadas, o que provavelmente não se aplicaria nos primeiros anos do empreendimento do DVB.
249 |
Capítulo 10
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
No entanto, para efeito de comparação, e como exemplo do que poderia ocorrer após um período
de utilização e durabilidade dos equipamentos, serão apresentadas as duas referências.
Referência 1 – No manual do BREEAM para assessores, defende-se que as fugas nas válvulas de
urinóis e /ou sanitas são variáveis, no entanto, está prevista uma estimativa mínima de 4 litros/dia
por válvula da instalação (BRE, 2008).
Referência 2 – Valores médios de consumo previstos, de acordo com as perdas visíveis verificadas
em lavatórios, sanitas e urinóis poderão ser visualizados nas Tabela 10.16 e 10.17.
A ter em conta na análise, nos lavatórios, foram considerados os dados relativos ao melhor cenário
(gotejamento lento). Nos casos das perdas visíveis em sanitas e urinóis, que são definidas pelos
vazamentos provenientes dos furos de lavagem localizados na argola da loiça sanitária, considerouse para o caso de estudo o menor número de furos (de 1 a 3), em conformidade com o que estava
proposto no projecto inicial.
Tabela 10.16- Perdas diárias associados ao vazamento visíveis dos lavatórios (Fonte: Oliveira L., 2002)
Perda diária
(L/dia)
Gotejamento lento
Frequência
(gotas por min)
até 40 gotas/min
Gotejamento médio
40 < nº gotas/min ≤ 80
10 a 20
Gotejamento rápido
80 < nº gotas/min ≤ 120
20 a 32
vazamento
06 a 10
Gotejamento muito rápido
Imposs. contabilizar
>32
FileteӨ ≈ 2mm
Imposs. contabilizar
>114
FileteӨ ≈ 4mm
Imposs. contabilizar
>333
Tabela 10.17- Perdas diárias associados aos vazamentos das sanitas e urinóis (Fonte: DECA, 2001 apud Oliveira L.,
2002).
Número de furos de lavagem
correspondente de
vazamento (l/min)
Perda mensal Perda diária
(L/mês)
(L/dia)
1a3
0,1
4.320
144
3a6
0,3
12.960
432
mais furos
0,5
21.600
720
Considerando a aplicação das duas referências utilizadas (Referência 1 e 2) ao caso de estudo,
Dolce Vita Braga, obteve-se aos seguintes resultados:
Referência 1: Para calcular as perdas em conformidade com a primeira referência (Manual
BREEAM), foi preciso reportar o número de equipamentos previstos para assim definir os valores
aplicados na tabela abaixo (Tabela 10.18). Ao multiplicar as perdas estimadas pelo número de
equipamentos propostos para o DVB, foi possível descrever uma perda diária de aproximadamente
788 litros por dia, o que equivale a um valor residual de 0,39% do consumo diário previsto para o
250 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Critérios relacionados com a análise do retorno do investimento
Centro Comercial (200.760 litros por dia). No caso desta medida estar conjugada com
equipamentos eficientes propostos no critério Wat1 (167,588 litros por dia), esta representa perdas
de 0,47%.
Tabela 10.18 - Perdas estimadas em função do número de equipamentos sanitários previstos para o DVB.
Número de equipamentos
Perdas estimadas
litros/dia
Total
(litros/dia)
sanitas
82
4
328
urinóis
29
4
116
lavatórios
77
4
308
chuveiros
9
4
36
Total
788
Referência 2: Quanto aos resultados obtidos na segunda referência (empresa Deca), inicialmente foi
necessário definir uma estimativa para o número de equipamentos sanitários com vazamento, e
neste caso, considerou-se dez por cento (10%) dos equipamentos (ver tabela 10.19). Este valor,
relativamente baixo, entretanto bastante enquadrado com a realidade dos centros comerciais, teve
em consideração o elevado controlo dos serviços existentes nos referidos Centros Comerciais
geridos pela empresa. Se considerarmos uma análise de 20 anos, é provável que nos primeiros
anos de utilização dos equipamentos não venha a existir a ocorrência de fugas. As perdas serão
intensificadas com o uso e com os anos de vida do equipamento.
Os resultados obtidos, relativo às perdas associadas a este critério, foram de aproximadamente
1792 litros por dia, o que equivaleria a 0,89% do total consumido diariamente no DVB (200.760
litros/dia). No caso desta medida estar conjugada com equipamentos eficientes propostos no critério
Wat1 (167,588 litros por dia), esta representa perdas de 1,07%.
Tabela 10.19 - Perdas estimadas em função da estimativa de equipamentos sanitários irregulares.
Número de equipamentos
Lavatórios
sanitas e
urinóis
Perdas estimadas
litros/dia
Total
(litros/dia)
8
8
64
12
144
1728
Total estimado (l/dia)
1792
Com base nos valores apresentados pela referência 1 (788 litros por dia de perdas de água), expõese de seguida o estudo de viabilidade realizado para este critério.
A- Número de equipamentos necessários e investimentos associados: O investimento referente a
este critério calculou-se com base na instalação de electroválvulas (solenóides) a jusante do
contador de cada bloco de casas de banho públicas e dos funcionários (dezoito no total), na
colocação de sensores de presença ou contadores de pessoas, e nas instalações eléctricas
associadas, conforme poderá verificar-se na tabela 10.20.
251 |
Capítulo 10
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
Encontram-se também calculados, os custos unitários e o total do investimento necessário para o
cumprimento destes critérios, aplicados ao caso de estudo.
No caso do DVB, foram excluídos os encargos associados aos sensores de presença, tendo em
conta que já estavam a ser previstos os contadores de pessoas (ver tabela 10.21). Estes
equipamentos possuem a finalidade de controlo de fluxos e monitorização do número de visitantes
dos WCs. O objectivo desta monitorização seria auxiliar a execução de futuros projectos, na
definição de números adequados de instalações sanitárias.
Tabela 10.20 – Materiais necessário para aplicação do sistema de corte (shut-off) nos WCs do DVB (incluindo preços e
quantidade)(Fonte: VHM, 2008).
Equipamentos
Quantidade
Unidade custo unitário
Custo total
Solenoides
DN Ø 16 a Ø 90
18 UNI.
175,00 €
3.150,00 €
Sensores de presença
18 UNI.
150,00 €
2.700,00 €
Instalação eléctrica associada
18 UNI.
125,00 €
2.250,00 €
450,00 €
8.100,00 €
Custo total
Tabela 10.21 – Sistema de Corte (shut-off) a excluir aos gastos associados aos sensores de presença (substituídos
pelos contadores de pessoas, já previstos no projecto)
Equipamentos
Solenoides
DN Ø 16 a Ø 90
Quantidade
Unidade
18 UNI.
Instalação eléctrica associada
18 UNI.
Custo total
175,00 €
18 UNI.
Contadores de pessoa
Custo total
custo
unitário
n.c.
3.150,00 €
n.c.
125,00 €
2.250,00 €
300,00 €
5.400,00 €
n.c.- não contabilizado, pois seus encargos já estavam previstos no projecto.
B- Custos associados: Conforme referido no início deste capítulo, os custos associados ao
fornecimento de água, serão no valor de dois euros e cinquenta e sete cêntimos por metro cúbico
(2,57 euros / m3).

Informação geral dos produtos a serem comparados.
Neste critério não será realizada a comparação entre dois produtos distintos mas sim, a análise de
dois cenários distintos, ou seja, o caso de estudo com e sem a aplicação do sistema de corte (Shutoff).

Resultados económicos e ambientais obtidos.
Como foi anteriormente mencionado, para o cálculo de viabilidade económica e ambiental foram
consideradas as perdas estimadas da Referência 1, ou seja, aproximadamente 788 litros por dia
252 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Critérios relacionados com a análise do retorno do investimento
(283,68 m3 por ano), o equivalente ao consumo de água de, aproximadamente, 4 habitantes
europeus. Na tabela 10.22, verificam-se os resultados finais obtidos.
Tabela 10.22 – Resultados económicos e ambientais referentes à aplicação do sistema de corte.
Dados económicos
Aplicação do sistema shut-off
Custo unitário
por bloco Wcs
Para o DVB
(excluindo o
custo dos
sensores)
300,00 €
Investimentos inicial (euros)
Estimativas de consumos evitados (l/dia)
5.400,00 €
-
788
Estimativas de consumos evitados (l/mês)
23640
3
23,64
3
283,68
Estimativas de consumo evitados (m /mês)
Estimativas de consumo evitados (m /ANO)
3
custos dos serviços (€/m )
2,57 €
custos mensais evitados (€ )
60,75 €
custos anuais evitados (€ )
729,06 €
Retorno do investimento
9
VAL (Valor Actual Líquido) (15 anos)
TIR (Taxa Interna de Rentabilidade)
2.118,31 €
10%
Dados ambientais
Redução do consumo de água (m3 / ano)
283,68
Toneladas de CO2eq evitados anualmente (TonCO2eq)
2,33
10.2.4 Reaproveitamento e reciclagem da água (Wat 5)
Descrição e objectivos do critério
O objectivo deste critério, é encorajar a colecta, tratamento, e reutilização de águas residuais
(cinzentas) e/ou águas pluviais em instalações públicas (urinóis e sanitas), onde não seja
necessária a utilização de água potável.
Desta forma, estão disponíveis dois créditos que poderão ser alcançados através da implementação
de uma das estratégias abaixo especificadas:
1. Deverá ser feito o armazenamento da água da chuva e o depósito deverá assegurar pelo
menos 50%:

Do total da água das chuvas armazenado na cobertura durante um período de colecta
definido35 pelo BREEAM ou

A água das chuvas armazenada seja suficiente para o consumo de água para autoclismos
para um período de colecta definido (18 dias).
35
Período de colecta definido – Foi definido no Manual BREEAM um período de colecta de 18 dias. Isto
equivale a aproximadamente 5% do total de chuva prevista para o local.
253 |
Capítulo 10
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
2. As águas residuais provenientes de lavatórios e chuveiros devem ser colectadas em mais
de (ou igual a) 80% e desta, pelo menos uma parte (mínimo de 10%) deverá ser utilizada
nas sanitas e urinóis.
3. As águas residuais e a água das chuvas devem ser colectadas em pelo menos 50% dos
seguintes casos:

O Total de água prevista para consumo em sanitários e urinóis durante o período de colecta
conforme anteriormente definido. OU

O total de água previsto para consumo em sanitários e urinóis durante o período de colecta
e para rega (onde especificado).
Créditos disponíveis: 2 créditos.
Quanto ao cumprimento destes critérios, aplicados ao caso de estudo inicial, este não foi cumprido.
Neste sentido, o objectivo desta secção, será analisar e comparar o actual cenário em relação a
uma solução que venha a contemplar o aproveitamento pluvial, conforme definido pela primeira
estratégia.
Descrição do sistema
O aproveitamento da água da chuva refere-se ao procedimento de captação, tratamento,
armazenamento e utilização de águas pluviais captadas em áreas impermeáveis. As principais
vantagens do aproveitamento pluvial consistem na promoção das seguintes acções:

Preservação dos recursos naturais, através da redução do consumo de água potável em
actividades em que esta não seja requerida. O uso mais comum verifica-se no
encaminhamento para rega, autoclismo, lavagem de carros e de pavimentos;

Redução e controlo do excesso de escoamento superficial em áreas urbanas, principal
responsável por inundações em zonas urbanas;

Solução alternativa e bastante vantajosa para locais sem acesso a redes de canalização
pública.
Os principais procedimentos que se deverão ter em consideração durante a instalação deste
sistema referem-se aos cuidados durante a captação e até à distribuição, onde se destacam:

Sistema de captação - o projectista deverá ter em consideração a capacidade de
armazenamento de água no edifício (principalmente cobertura), a utilização de materiais
que maximizem a captação de água, o índice pluviométrico local, bem como conhecer as
estimativas de consumo de água necessárias para o edifício;
254 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Critérios relacionados com a análise do retorno do investimento

Sistema de drenagem - é definido pelo sistema de recolha e pelas condutas verticais e
horizontais que descarregam nas caixas de visita, conduzindo assim a água recolhida para
o poço de bombagem. No caso de coberturas planas, preconiza-se a utilização de sistemas
de ralos sem pendentes tipo "Pluvia" ou equivalente (estes sistemas promovem a recolha
da água através de um sistema de pressão mais eficaz comparado com um sistema
convencional);

Sistema de descarte - Aconselha-se o processo de rejeição de águas de escoamento que
sejam inicialmente colectadas na cobertura, isto devido à elevada concentração de sujidade
identificadas no primeiro volume de água colectado. Neste caso, e através de um sistema
de "by-pass", é possível conduzir a água descartada para redes de drenagem públicas (ver
figura 10.11);

Sistemas de depuração - têm a função de filtrar a água antes de serem reencaminhadas
para as cisternas (ver figura 10.11).
Figura 10.11 - Exemplo de sistema de depuração encontrado no mercado (fonte: 3Ptechnik, 2009).

Sistema de armazenamento - é composto por cisternas, que têm a função de armazenar a
água colectada, antes da respectiva distribuição. As cisternas podem ser encontradas em
diferentes tipos de materiais (chapa de aço-carbono, betão armado, entre outros);

Sistema de distribuição - Deverá ser previsto a duplicação das redes de conduta, assim
como a identificação dos pontos de água potável e não potável. Através desta acção, além
de evitar a eventual contaminação, proporcionará aos utilizadores o conhecimento de
quando estão a utilizar um sistema ou outro.
255 |
Capítulo 10
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
Para o sucesso do sistema é importante que um sistema de monitorização e controlo da qualidade
seja periodicamente efectuado.
Aplicação prática ao caso de estudo
O presente estudo enquadra as vantagens associadas ao aproveitamento da água das chuvas,
relacionando as vertentes ambientais e económicas aplicadas ao caso de estudo Dolce Vita Braga,
e em conformidade com as suas características climáticas.
De modo a realizar este estudo foram definidos dois cenários distintos, sendo eles:

Proposta base (A): sistema sem aproveitamento de água das chuvas, ou seja, 100% do
consumo dos urinóis e sanitas (e eventualmente rega) abastecidos através da rede pública.

Proposta sustentável (B): sistema com aproveitamento da água das chuvas conjugada
(sempre que necessário) ao sistema da rede pública. A água a ser reaproveitada será
utilizada para urinóis e sanitas, e eventualmente rega.
Um dos primeiros procedimentos deste estudo foi identificar as características pluviométricas locais
e informações construtivas do edifício. Estes dados foram fundamentais para preencher a equação
disponibilizada pelo BRE, e de forma a calcular o volume de água das chuvas colectada na área de
captação do edifício (neste caso a cobertura) durante um período de colecta determinado (18 dias,
equivalente a 5% da água da chuva anual), o objectivo foi através deste cálculo optimizar o tamanho
dos reservatórios (ver equação 10.1)
V = Σ ( ARF x C x Rco-eq x Fco-eq X Dcol)
[10.1]
Onde:
V – Volume de água das chuvas para o período de colecta definido
ARF - Índice de pluviosidade no local (mm)
C – área de captação da água da chuva (m2)
Rco-eq - Coeficiente de escoamento (sistema de drenagem definida em função da inclinação e dos
materiais utilizados na cobertura), que para o caso de estudo será considerado um coeficiente de
0.5 (ver tabela 10.23)
Fco-eq - Coeficiente de filtragem
Dcol – Período de colecta definido: 18 dias /365 dias = 0.05
256 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Critérios relacionados com a análise do retorno do investimento
Tabela 10.23- Coeficiente de escoamento em função do tipo de cobertura (Fonte: BRE, 2008).
Tipo de cobertura
Cobertura inclinada
coeficiente de
escoamento
0.75- 0.9
Cobertura plana com telha lisa
Cobertura plana com cascalho
0,5
0.4-0.5
Neste contexto, na tabela a seguir (tabela 10.24) poderá ser identificada a quantidade de água
pluvial a ser captada de acordo com os valores definidos pela ferramenta BREEAM para o caso de
um estudo específico. Nesta análise considerou-se o índice pluviométrico de Braga, com base nos
valores disponibilizados pela NASA (média mensal dos últimos 22 anos) e do Instituto Meteorológico
Nacional (que define a média anual com base nos últimos 50 anos), bem como as características
construtivas do caso de estudo. As referidas características são definidas por uma área de captação
de aproximadamente trinta e oito mil metros quadrados (ver figura 10.12), composta por uma
cobertura plana revestida com ladrilho hidráulico na superfície (superfície lisa – 0,5) e dotado de
sistemas de colecta bastante eficientes (sistemas “Pluvia tipo Geberit”).
Tabela 10.24 – Colecta da água da chuva aplicada ao caso de estudo DVB.
Cálculos da área para colecta de água da chuva no DVB
Indice de pluviosidade no local (MM) (A rf)
1659
Área de captação da água da chuva (m2) (C)
38.065
Coeficiente de escoamento (conforme o tipo da cobertura) (Rco-eq )
0,5
Eficiência do filtro (Fco-eq)
0,9
Período de colecta (Dcol) 18 dias (5%)
5%
Volume da água da chuva a ser captada (litros) (V)
Objectivo Breeam (o depósito dimensionado para obter 50% da água
relativo ao total da cobertura equivalente ao periodo de colecta (18
dias) (5% da água da chuva anual) (litros)
1.420.871
710.436
Área definida para captação da
água pluvial.
Figura10.12 – Área para captação da água pluvial no DVB (Fonte: Chamartín Imobiliária, 2010).
257 |
Capítulo 10
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
Com base nos resultados obtidos, e de forma a cumprir os requisitos determinados pelo critério
Wat5, o caso de estudo deveria possuir um reservatório com capacidade de armazenamento de
água pluvial de 711 m3 (setecentos e onze metros cúbicos). Neste sentido, os passos seguintes
passaram por identificar os pressupostos utilizados e calcular os investimentos necessários.
Consideraram-se nesta análise os seguintes pressupostos:

No edifício existem diferentes utilizações que não necessitam de água potável, tal como
anteriormente referido. Contudo, para efeito deste estudo, será considerado o
aproveitamento da água das chuvas para sanitas, urinóis (conforme exigência do BREEAM)
e para rega;

Conforme a tabela 10.9, no início deste capítulo, o consumo de água previsto para sanitas e
urinóis no DVB foi de aproximadamente 78.686 litros por dia (aproximadamente 57.979
Litros/dia referente às sanitas e 20.707 Litros/dia referente aos urinóis) e para a rega,
estimando-se um consumo diário de 39.880 Litros. Contudo, como o cumprimento deste
critério se encontra conjugado com as medidas eficientes propostas no critério Wat 1,
considera-se conveniente analisar os efeitos deste critério com os consumos resultantes da
aplicação do respectivo critério (autoclismo com sistema de duplo fluxo e urinóis sem água)
(ver tabela 10.25).
Tabela 10.25- Consumos referentes a proposta inicial do DVB, e consumos resultantes da aplicação de medidas
eficientes (Critério Wat 1- secção 10.2.2).
DVB (base)
População (fixa +flutuante)
Total do consumo da
população (fixa+flutuante)
Consumo de água estimado
para sanitas (proposta
inicial- 6 litros por uso)
Consumo de água estimado
para os urinóis (proposta
inicial - 5 litros por uso)
total

DVB (c/ medidas eficientes)
34.511 hab/dia
População (fixa
+flutuante)
34.511 hab/dia
200.760 l/dia
Total do consumo da
população
(fixa+flutuante)
167.588 l/dia
57.979 l/dia
Consumo de água
estimado para sanitas
(proposta inicial- 4,5
litros por uso)
43.484 l/dia
20.707 l/dia
Consumo de água
estimado para os urinóis
(proposta inicial - 0 litros
por uso)
78.686 l/dia
total
2.030 l/dia
45.514 l/dia
Os custos a serem considerados referem-se aos encargos associados ao abastecimento
público no valor de dois euros e cinquenta e sete cêntimos por metro cúbico (2,57 €/ m3)
(conforme definido na tabela 10.10). Ressalva-se que ao utilizar as águas da chuva ou as
águas freáticas, uma parcela do custo será evitado (taxa de tratamento da água), no
entanto, a taxa referente ao tratamento das águas residuais continuará a ser contemplada.
258 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Critérios relacionados com a análise do retorno do investimento
Somente no caso do aproveitamento das águas cinzentas é que este encargo não seria
considerado, tendo em conta que estas seriam reutilizadas.

Os encargos associados ao sistema de drenagem e caixa de visitas (filtragem mecânica),
não foram considerados no investimento por já estarem contemplados na proposta inicial. A
única alteração é a quantidade de água a reaproveitar (volume exigido pela ferramenta
BREEAM), e que seria encaminhada para os reservatórios internos.

O estudo considerou os seguintes investimentos a serem reportados (ver tabela 10.26):
Tabela 10.26 - Investimentos associados ao aproveitamento da água pluvial com reservatório realizado “em situ” (VHM,
2008).
Equipamentos
unidade
Quantidade
custo unitário
Custo total
3
Poço de Bombagem enterradas (30 m ) com
elevada profundidade
un
1
21.961,65 €
21.961,65 €
Bombas submersíveis (sistema com 2 bombas com
caudal com 8 litros/s cada uma)
un
1
14.975,00 €
14.975,00 €
Reservatórios em betão armado "in situ" (inclui
betão, cofragem, armadura e acabamento)
m3
710
14,28 €
10.138,80 €
Grupo de bombagem para sanitas e urinóis
ml
1
13.000,00 €
13.000,00 €
Grupo de bombagem para rega
ml
1
13.000,00 €
13.000,00 €
Rede de tubagem sanitas (75mm)
ml
100
28,00 €
2.800,00 €
Rede de tubagem urinóis (25mm)
ml
70
8,00 €
560,00 €
Rede de tubagens para rega (100mm)
ml
600
53,00 €
31.800,00 €
Total do investimento (principais encargos)
108.235,45 €
Aos equipamentos acima assinalados, devem acrescentar-se algumas notas adicionais:
1. O principal encargo do poço de bombagem enterrado está associado à movimentação
de terras (escavação do terreno com elevada profundidade). O poço de bombagem
proporciona a recolha da água das chuvas e a bombagem para os reservatórios
através de bombas submersíveis.
2. Bombas submersíveis (sistema com 2 electrobombas com capacidade de bombar 8
litros/segundo cada uma). Estas localizam-se dentro do poço de bombagem e têm a
função de bombar a água das chuvas para os reservatórios. No seu encargo
encontram incluídos acessórios indispensáveis, tais como: interruptor de corte geral,
sinalizador luminoso de operação e disparo térmico de aviso (em caso de avaria), falta
de água ou reservatório cheio, entre outros.
259 |
Capítulo 10
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Tese de Doutoramento
3. No caso da utilização da água das chuvas é necessário prever a duplicação das redes
de tubagens, que deverão ter a canalização separada do sistema a ser abastecido pela
rede pública (água potável). É importante que o utilizador tenha conhecimento deste
reaproveitamento, de forma a evitar utilizações indevidas.
4. Como o objectivo passa por direccionar prioritariamente a água pluvial para os
sanitários e o restante para a rega, foi necessário definir duas “alturas de pesca” 36
diferenciadas nas cisternas (Reservatórios), ou seja, uma opção para rega e outra para
sanitas e urinóis. Neste sentido, verificou-se a necessidade de adicionar mais um
grupo de bombagem para a rega, pois caso contrário, este custo adicional poderia ter
sido evitado, bastando somente um grupo de bombagem.
Outra solução alternativa ao reservatório de betão armado “in situ”, seria a utilização dos depósitos
de armazenamento pré-fabricados. Ao solicitar-se a cotação para fornecimento, transporte e apoio
técnico a uma empresa especializada, no caso de depósito de 710 m3, concluiu-se que os valores
eram bem superiores aos valores anteriormente propostos (verificar tabela 10.27). A primeira
proposta demonstrou-se bem mais aliciante.
Tabela 10.27- Proposta alternativa ao reservatório realizado “in situ”: depósito pré-fabricado de chapa de aço carbono.
Equipamentos
Reservatório Subterrâneo fabricado em chapa aço
carbono (capacidade 200.000Litros)

unidade
un
Quantidade
custo unitário
4
32.121,43 €
Custo total
128.485,72 €
Resultados económicos e ambientais obtidos
Antes de apresentar os resultados obtidos, é importante ressalvar que o índice pluviométrico de
Braga foi bastante satisfatório para obter um retorno do investimento reduzido, o que provavelmente
não aconteceria noutras regiões do País com menor ocorrência de chuva. Como se poderá observar
na tabela 10.28, a captação média anual de água das chuvas é praticamente suficiente para
fornecer 90% das necessidades de consumo de sanitas, urinóis e rega. Parte desta capacidade,
deve-se à conjugação do aproveitamento da água das chuvas (critério Wat 5) com o critério
referente às medidas eficientes introduzidas, e conforme proposto pelo critério Wat1. Caso
contrário, conforme os consumos inicialmente previstos para o DVB, esta captação atenderia
aproximadamente 65% das necessidades.
36
"alturas de pesca" - referem-se à tubagem de saída dos reservatórios para os usos afins.
260 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Critérios relacionados com a análise do retorno do investimento
Tabela 10.28 – Captação (média anual) da água da chuva comparada com o consumo estimado de água para urinóis e
sanitas (com medidas eficientes aplicadas) e rega.
volume
(Litros)
Volume (m3)
Estimativa média de água da chuva captada por ano
28.295.349
28295
Consumo estimado - sanitas e urinóis (por ano)
16.612.657
16613
Consumo estimado para rega (por ano)
14.556.200
14556
Com base nos valores de captação e consumo de água, bem como nos restantes pressupostos
apresentados, obtiveram-se os seguintes resultados (ver tabela 10.29):
Com o aproveitamento da água da chuva no local, estima-se que seria evitado um volume de água
potável de aproximadamente 28.295 m3 por ano. No caso do DVB, esta utilização implicaria uma
redução de encargos anuais com abastecimento da rede pública de aproximadamente 47.267,38 €
(quarenta e sete mil, duzentos e sessenta e sete e trinta e oito cêntimos). Neste caso, um
investimento inicial de 108.235,45 € poderia ser rapidamente recuperável numa média de 2 anos.
Quanto aos ganhos ambientais, além da redução do consumo anteriormente mencionado, e que
seria o equivalente à necessidade de consumo de 423 habitantes europeus por ano, estima-se uma
redução de emissões de CO2eq de aproximadamente 12TonCO2eq. Apesar do elevado volume de
água evitado, este valor define-se como pouco expressivo quando comparado com as emissões de
CO2eq associadas às medidas de eficiência propostos no critério wat 1, ou que supostamente
ocorreriam, caso a solução para este critério passasse pelo reaproveitamento e reciclagem das
águas cinzentas. Tal situação deve-se ao facto de o aproveitamento da água das chuvas (ou
freáticas), assim como se verificou na respectiva análise económica, evitar a utilização de água
potável advinda da rede pública bem como as suas emissões (aproximadamente 0,435 KgCO2eq/m3,
ver tabela 10.11). No entanto, no que se refere às emissões associadas ao tratamento das águas
residuais (aproximadamente 7,79 KgCO2eq/m3, ver tabela 10.12), estas mantêm-se sempre que esta
medida não esteja associada a um processo de reciclagem da água.
261 |
Capítulo 10
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Tese de Doutoramento
Tabela 10.29- Resultados económicos e ambientais associados ao aproveitamento da água da chuva aplicado ao caso
de estudo DVB.
Dados Económicos (sanitas, urinóis e rega)
108.235,45 €
Investimento inicial associado
Encargos anuais associados a Proposta Base A (consumos)
72.719,05 €
Encargos anuais associados a Proposta sustentável B (consumos)
25.451,67 €
Ganhos económicos anuais
47.267,38 €
Retorno do Investimento (anos)
2
VAL (Valor actual líquido) (15 anos)
427.524,02 €
TIR (Taxa Interna de Rentabilidade)
43%
Dados Ambientais (sanitas, urinóis e rega)
Quantidade de água potável evitada ( m3/ ano)
28.295
Toneladas de CO2eq evitados anualmente (TonCO2eq)
12
10.3 Oportunidade de melhoria para a adequada gestão da energia (acções que cumprem os
critérios estabelecidos)
10.3.1 Pressupostos Utilizados
No âmbito deste trabalho, realizou-se a aplicabilidade dos critérios da ferramenta do BREEAM
relacionados com a gestão da energia. Neste sentido, assim como nos critérios da componente
água, foi necessário obter informações cruciais sobre o projecto, consumos previstos, custos e
emissões de GEE (Gases de efeito estufa) associados.

Resumo dos parâmetros utilizados
A seguir serão apresentados os parâmetros utilizados para analisar os critérios relacionados com a
energia no caso de estudo – Dolce Vita Braga. As informações referentes ao projecto foram
essenciais para verificar a análise custo-benefício das propostas sustentáveis comparadas com a
proposta base.
A- Consumos previstos: Com base nos equipamentos propostos para o DVB, foram estimados os
seguintes consumos globais de energia (tabela 10.30):
Tabela 10.30 - Consumos de energia estimados para o DVB (Fonte: Chamartin Imobiliária, 2008)
Consumos anuais previstos
Ar condicionado/ventilação
Bombagem de água
Elevadores
KWh
14.571.897
1.214.325
728.595
Escadas e tapetes rolantes
1.457.190
Iluminação
3.642.974
Outros
Total estimado
262 |
2.671.514
24.286.495
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Critérios relacionados com a análise do retorno do investimento
B- Custos dos serviços: Os custos a serem considerados foram definidos em conformidade com os
tarifários da EDP do ano de 2008 (Tarifa para Média Tensão -entre fase superior a 1KV ou
inferior a 45 KV). Também se tiveram por base os custos fixos (custo mensal da potência
contratada) e os custos variáveis (definidos pelo tarifário em horas de vazio, cheio e ponta) para
todos os dias da semana, e onde se definiu um valor médio (ver tabela 10.31).
Tabela 10.31 – Custos associados ao consumo de energia (Fonte: EDP, 2008).
Custo mensal da potência
contratada (Euros/KWh)
1,019 €
Custo variável médio
(Euros/Kwh)
0,076 €
C- Principais pressupostos económicos / financeiros utilizados:
Os indicadores de avaliação económica utilizados neste trabalho foram baseados nos seguintes pressupostos:

A taxa de desconto (actualização) utilizada para o cálculo do VAL foi de 5%

O período de análise considerado foi de 15 e 20 anos

A taxa de inflação média anual considerada foi de 2%

Taxa média anual (adicional à inflação) de crescimento de custos com energia foi de 0,33%

Taxa de juro média anual de 4,5%

O periodo de amortização de financiamento foi de 15 anos
D- Factores de emissão de CO2eq aplicada: Nos critérios relacionados com a componente energia
foram aplicados os factores de conversão associados às emissões indirectas (energia eléctrica
adquirida da rede) e emissões directas (associadas a queimas realizadas directamente no local)
(ver tabela 10.32 e 10.33).
Tabela 10.32 – Emissões indirectas de GEE associados aos consumos de energia eléctrica (Fonte: WRI, 2006).
Factor de emissão de GEE
0,498 KgCO2eq /KWh
Tabela 10.33 - Emissões de GEE associados ao consumo directo de energia (Fonte: Henriques A.C.,2008).
Gas natural
Gasóleo
Gasolina
2,173 KgCO2eq /m 3
201,96 KgCO2eq /MWh
2,780 KgCO2eq /litro
2,407 KgCO2eq /litro
E- Parâmetros comparativos: De forma a verificar o impacte ambiental que as medidas
relacionadas com a componente energia potenciavam, utilizou-se como parâmetro de referência
o consumo de energia per capita (média Europeia), fornecidos pela EUROSTAT e as emissões
263 |
Capítulo 10
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Tese de Doutoramento
equivalentes a cada habitante europeu, conforme os dados de 2007 (EEA, 2009) (ver tabela
10.34).
Tabela 10.34 - Consumos anuais de energia e emissão de GEE por habitantes europeus (Fonte: EEA, 2009).
Parâmetros de referência (EU)
Consumo de energia
Emissões de GEE
5707 KWh per capita.ano
10,2 tonCO2eq per capita.ano
Os demais pressupostos que não estejam aqui contemplados, serão tratados individualmente
durante o desenvolvimento dos diferentes critérios relacionados com a componente energia, tendo
em conta as suas especificidades.
10.3.2 Redução das emissões de CO2eq (Ene1)
Descrição e objectivos do critério
O critério Ene1 reconhece e encoraja medidas que sejam implementadas no projecto com o
propósito de reduzir as emissões de GEE, e quando associadas ao consumo de energia durante a
utilização do edifício.
Como se pode verificar no capítulo 8 (Adaptação dos critérios à realidade portuguesa), foi proposto
uma eventual adaptação deste critério, tendo em conta o actual Sistema de Certificação Energética
regido pelo Regulamento Nacional, ou seja, o Decreto-lei 80/2006 de 4 de Abril, o Decreto-lei
78/2006 de 4 de Abril e o Decreto-lei 79/2006 de 4 de Abril.
Neste sentido, e conforme anteriormente proposto, os quinze (15) créditos disponíveis para este
critério serão aqui atribuídos em função da redução de CO2eq (expressa em percentagem)
comparado com a emissão máxima permitida pelo Regulamento Nacional, denominado Indicador de
Eficiência Energética de Referência (IEEref) (ver tabela 8.5, no capítulo 8).
Créditos disponíveis: 15 créditos
Aplicação prática ao caso de estudo
Neste critério, a atribuição de créditos encontra-se associado às medidas de eficiência energética
inicialmente propostas para o caso de estudo DVB, assim como em função dos resultados obtidos
com o critério Ene5 (Tecnologia com reduzidas emissões de carbono). Este foi posteriormente
proposto para o segundo cenário de intervenção (cenário 4), onde se definiu a introdução de
sistemas de cogeração para o DVB. Como poderá ser visto na secção seguinte (secção 10.3.3).
Entre as medidas inicialmente propostas, incluem-se as seguintes (Fluidinova, 2008):

Ventilação natural das garagens com sistema de tubos enterrados para arrefecimento
passivo do ar insuflado;
264 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Critérios relacionados com a análise do retorno do investimento

Sistema de ventilação assistida para extracção natural de ar das zonas comuns do centro
comercial;

Sistema de iluminação com soluções eficientes e sistemas de controlo da iluminação
artificial em espaços com bons níveis de iluminação natural;

Selecção de vãos envidraçados com factor solar baixo e soluções passivas de
sombreamento;

Arrefecimento gratuito e free cooling nas unidades de tratamento de ar;

Painéis fotovoltaicos para alimentação do sistema de iluminação de segurança.
Com base no estudo térmico realizado, e tendo em consideração a proposta inicial do DVB,
efectuou-se o cálculo energético do IEE37. O IEE nominal (IEE calculado para o empreendimento)
foi determinado com base nos cálculos efectuados no Energyplus. Este modelo englobou a
informação de projecto disponibilizada pelas diferentes especialidades, bem como a integração das
diversas medidas para optimização da eficiência energética (Fluidinova, 2008) (ver tabela 10.35).
Tabela 10.35 - Cálculo do IEE (Cenário 2) ponderado pelas áreas das tipologias consideradas (Fonte: Fluidinova, 2008).
Tipologias
área util (m 2)
% da área
util
IEEcalculado
(DVB)
IEEReferência
Mall
15.119
12,2%
84,3
95
Lojas
32.292
26,1%
71,8
35
Armazéns
5.575
4,5%
22,7
19
Restaurantes
2.185
1,8%
75,4
120
Cozinhas
1.279
1,0%
64,9
174
311
0,3%
25,8
35
67.169
54,2%
4,6
19
123.930
100,0%
Escritórios
Estacionamento
Total
Proposta base (A)
34,6
35,9
Classificação
B-
Através dos resultados obtidos foi possível determinar a redução das emissões de CO 2 calculadas
em função do IEE nominal (IEEnom - 34,6 Kgep/m2/ano) comparado com o IEE de referência (IEEref
35,9 Kgep/m2/ano). Com base nos cálculos realizados e conforme definido pela proposta base
(cenário 2), prevê-se uma redução de emissões de CO2eq de 193 tonCO2eq/ano, o que
corresponde a uma redução de 3,68% relativamente ao valor máximo, permitindo assim a
obtenção de 2 créditos.
No que compete ao cenário de intervenção (Cenário 4), onde se realiza a hipotética inclusão da
cogeração, os resultados seriam bastante satisfatórios, promovendo uma redução de emissões de
37
IEE - Índice de Eficiência Energética.
265 |
Capítulo 10
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Tese de Doutoramento
CO2eq de 1516 tonCO2eq/ano. A referida redução corresponde a uma diminuição de 28,41% em
relação ao valor máximo, permitindo assim uma obtenção de 10 créditos.
Importa ressalvar, que para a análise deste critério, bem como para efeito de obtenção do número
de créditos finais resultantes, os valores de conversão de emissão de CO 2eq aqui admitidos tiveram
como base o Regulamento em vigor (já anteriormente referido). Isto significa, que cada quilograma
equivalente de petróleo (Kgep) representa a emissão de 0,012 toneladas equivalentes de CO 2eq. Os
restantes critérios a seguir analisados utilizam o factor de conversão de CO2eq definidos no início
desta secção (ver tabela 10.32 e tabela 10.33).
10.3.3 Tecnologia com reduzidas emissões de carbono (Cogeração) (Ene5)
Descrição e objectivos do critério
Os objectivos deste critério são encorajar a utilização local de energias renováveis e/ou outras
tecnologias reconhecidas pela reduzida emissão de CO2eq (dióxido de carbono equivalentes).
A escolha fez-se tendo em consideração um estudo de viabilidade, no qual o sistema proposto
deveria corresponder a uma redução de CO2eq entre dez a quinze por cento (10 % a 15%) do que
seria emitido pelo Centro Comercial.
Os três créditos disponíveis para este critério são atribuídos mediante o cumprimentos dos
seguintes requisitos:

1 Crédito: Garantir que seja realizado um estudo de viabilidade da tecnologia para o local.

2 Créditos: Além do estudo de viabilidade, deverá comprovar-se que a tecnologia escolhida
corresponderá a uma redução de 10% de emissões de CO 2eq, comparada com a solução
base;

3 Créditos: Além do estudo de viabilidade, deverá comprovar-se que a tecnologia escolhida
corresponderá a uma redução de 15% de emissão de CO 2eq, comparada com a solução
base.
Créditos disponíveis: 3 créditos
Em relação à solução base do caso de estudo, nenhum dos critérios foi cumprido. Apesar da
existência de um estudo de viabilidade para a instalação de um sistema de cogeração, em
cumprimento do enquadramento legal ao DL 79/2006 de 4 de Abril, estes não foram implementados
no local. De qualquer forma, é importante ressalvar que o critério se refere a um estudo de
viabilidade do local, e não propriamente à viabilidade económica (conforme o Regulamento
anteriormente mencionado).
266 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Critérios relacionados com a análise do retorno do investimento
Tendo em conta o objectivo deste critério, visou-se analisar a viabilidade económica e ambiental
resultante da instalação de uma tecnologia que reduzisse em mais de 10% a emissão de CO 2eq do
caso de estudo Dolce Vita Braga (DVB).
As tecnologias estudadas foram: Trigeração (como opção principal) e Sistema Fotovoltaico (como
opção demonstrativa).
Descrição do sistema
Os dois exemplos de microgeração escolhidos representam cenários distintos, quer em termos de
definição legislativa quer em relação à sua eficiência. Assim, serão exemplificadas as características
e as vantagens do sistema de cogeração/ trigeração.
Cogeração/ Trigeração
Os diferentes equipamentos de produção de energia produzem calor que geralmente não é
aproveitado, ou seja, é desperdiçado, acarretando assim uma consequente ineficiência dos
equipamentos, bem como efeitos adversos sobre o ambiente.
Através do sistema de cogeração é possível realizar a produção combinada de electricidade e calor,
e no caso da trigeração, que se define pela utilização de co-geradores e chillers de absorção,
permite a produção de electricidade, calor e frio.
A cogeração pode ser então definida como um processo de produção e exploração (simultânea) de
duas fontes de energia, ou seja, eléctrica e térmica, a partir de um sistema que utiliza o mesmo
combustível (por exemplo: gás natural), permitindo assim a optimização e o acréscimo de eficiência
nos sistemas de conversão e utilização de energia (Brandão S., 2004). A energia eléctrica gerada
poderá ser utilizada para consumo próprio ou poderá ser fornecida à rede pública. Quanto à energia
térmica, poderá ser utilizada para produção de água quente ou vapor, ou para outros tipos de
processos de calor, onde se inclui o aquecimento do espaço. Por outro lado, através dos chillers de
absorção é possível converter a água quente em fria, que por sua vez poderá ser utilizada para ar
condicionado e para refrigeração (ver figura 10.13). Considera-se uma solução bastante adequada
para centros comerciais, onde a energia para arrefecimento representa aproximadamente 60% da
energia consumida.
Além das vantagens económicas e ambientais alcançadas pela redução de energia primária (em
cerca de 15% a 30%) e pela própria produção descentralizada de energia eléctrica (com reduzidas
perdas), a cogeração (ou trigeração), no âmbito do Decreto-Lei nº 79/2006, de 4 de Abril e de
acordo com o Artigo 27º número 7, é obrigatória em alguns tipos de edifícios, face a algumas
particularidades.
267 |
Capítulo 10
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
Figura 10.13 - Esquema de funcionamento da cogeração/Trigeração (Fonte: Brandão S., 2004).
Através do Regulamento dos Sistemas Energéticos de Climatização de Edifícios (Decreto- Lei
79/2006, de 4 de Abril), a cogeração é justificável em duas perspectivas distintas, sendo estas as
seguintes (LMSA, 2007):

Devido à sua obrigatoriedade na adopção de sistemas eficientes e próprios de cogeração
(caso seja comprovada a sua viabilidade económica) em edifícios com mais de 10.000 m 2
de área útil. (conforme descrito no Decreto lei 79/2006, de 4 de Abril, artigo 13º nº5, 27º nº7
e 32º nº1).

Através do próprio limite de energia primária estabelecido para cada tipologia de edifício
(definido em Kgep/m2/ano). Ou seja, os consumos de um determinado edifício, resultantes
da climatização, iluminação, aquecimento e outros equipamentos, não poderão ultrapassar
o Indicador de Eficiência Energética de referência (IEEreferência).
Assim, conclui-se que somente através de sistemas construtivos, equipamentos mais eficientes e
através da microgeração, é que poderão obter-se resultados positivos face às novas exigências
regulamentares e aos objectivos políticos definidos para um novo cenário mundial.
Aplicação prática ao caso de estudo
Além do enquadramento legislativo acima referido, o presente estudo aborda as vantagens
económicas associadas à venda de energia eléctrica à rede e ao consumo de energia evitado,
resultante da substituição de parte do consumo para arrefecimento através de chiller eléctricos pelo
chiller de absorção (aproveitando-se o calor dissipado pelo grupo de cogeração). Assim, e nesse
sentido, será apresentada a comparação entre dois cenários distintos (com ou sem cogeração), de
forma a validar as afirmações realizadas.
268 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Critérios relacionados com a análise do retorno do investimento

Dados gerais da análise.
Tendo como finalidade realizar a análise prática do cumprimento deste critério, foram definidos dois
cenários, um sem e outro com sistema de cogeração:

Proposta base (sistema sem cogeração): A solução base assenta em 6 chillers de 1600
KW e grupos de bombagem (1.670 m3/ h). A máquina frigorífica considerada é do tipo de
arrefecimento por ar, com compressores de parafuso e fluído frigorigénio R134a. (COP
considerado 2,5 (dia) e 2,8 (noite));

Proposta sustentável (sistema com Cogeração): Sistema de produção de água
arrefecida que assenta em dois chillers eléctricos com compressores centrífugos, e com
potência térmica de 3975Kw por chiller (COP 5.8). Esta solução inclui um chiller de
absorção de 1775Kw (COP 0.74) associado a uma central de cogeração (grupo
electrogéneo da Jenbacher com 2.4 MW), com potência de 2433 KWe , e constituída por um
motor a gás natural, a funcionar segundo o ciclo Otto.38
As características principais, e que são relevantes, poderão ser verificadas na tabela abaixo (tabela
10.36), onde se refere a potência do equipamento com rendimento eléctrico + térmico (43.4% e
42.8% respectivamente), o consumo de combustível (gás natural), as horas de funcionamento, bem
como a energia eléctrica vendida à rede e a potência térmica utilizados durante o processo de
arrefecimento (1088KW).
Tabela 10.36 – Características do sistema de cogeração proposto para o DV Braga (Fonte: Jenbacher GE, 2009 e
Chamartin Imobiliária, 2008).
Cogeração - Características (Ciclo Otto)
Consumo do combustível - gás natural (Kw )
5.606 Kw
Potência eléctrica
2.433 Kw
Potência (entrega a rede)
2.372 Kw
Horas anuais de funcionamento
4.784 Horas
Energia vendida a rede
11.347.648 kWh
3 1
Consumo de combustível (m )
2.534 103 m3
Potência térmica (Kw )
2399 Kw
Energia térmica (processo) (Kw )
1088 Kw
1
O factor de conversão utilizado foi de 94.48m3/MWh
As alternativas consideradas tiveram como pressupostos os seguintes custos:
38
Ciclo Otto: O combustível é misturado com o ar atmosférico na câmara de combustão, onde ocorre a combustão. A
combustão provoca o movimento cíclico de um pistão num cilindro, produzindo assim energia mecânica. Este trabalho
desenvolvido pelo motor é usado para accionar um gerador eléctrico, com vista a produzir energia eléctrica (Brandrão S.,
2004).
269 |
Capítulo 10
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento

O fornecimento do gás será realizado pela EDPgás, seguindo o tarifário de 2008 para o
terceiro escalão (consumo anual superior a 350.000m3).

O estudo considera a venda, na totalidade, de energia eléctrica produzida, segundo a
Portaria 58/2002, de 15 de Janeiro, sendo o valor a considerar cerca de 0,10 euros/ KWh
(valores com base nas estimativas de cálculo fornecidas pela Entidade Reguladora dos
Serviços Energéticos - ERSE);

O custo associado à manutenção tendo em consideração os dados fornecidos pela
ASHRAE (LMSA, 2007).

Em relação aos restantes custos associados com o consumo de energia e água, serão
contabilizadas as mesmas tarifas identificadas no início deste capítulo (pressupostos
utilizados), e que abaixo poderão ser revistas na tabela 10.37. Também incluindo o
consumo de água das Torres de Arrefecimento necessárias para arrefecer a água utilizada
na condensação dos fluidos refrigerantes.
Tabela 10.37 – Resumo dos tarifários considerados na análise de viabilidade.
Tarifários associados
Custo do gás natural para cogeração
Energia eléctrica vendida a rede
Energia eléctrica adquirida a rede
3
0,289 € /m
0,10436 € /Kwh
0,0706 € /Kwh
Custo associado à manutenção da cogeração
0,01 € /Kwhe
Custo de Água para utilização em torres de
arrefecimento
3
2,57 € /m
 Resultados económicos e ambientais obtidos
Para efeito de cálculo, e conforme a proposta base, consideraram-se as necessidades energéticas
do caso de estudo, utilizando valores expressos em Kgep/m2/ano, comparando com o limite máximo
para o consumo de energia primária aplicável a edifícios novos (conforme definido na óptica do
RSECE -ver tabela 10.38), em função dos diferentes consumos individualizados (arrefecimento,
iluminação, e outros).
Todos os dados de consumo energético foram fornecidos pelas especialidades competentes do
DVB, e a utilização destes dados teve como objectivo observar as melhorias resultantes da
instalação do sistema de cogeração, quer através da classificação energética na redução de CO 2eq
(conforme proposto pelo BREEAM), quer em termos de ganhos económicos.
270 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Critérios relacionados com a análise do retorno do investimento
Tabela 10.38 – Cálculo do IEE aplicado ao DVB.
% da área
util
área util (m2)
Tipologias
IEEcalculado
(DVB)
Classificação
IEEReferência
Mall
15.119
12,2%
84,3
95
Lojas
32.292
26,1%
71,8
35
Armazéns
5.575
4,5%
22,7
19
Restaurantes
2.185
1,8%
75,4
120
Cozinhas
1.279
1,0%
64,9
174
311
0,3%
25,8
35
67.169
54,2%
4,6
19
123.930
100,0%
Escritórios
Estacionamento
Total
Proposta base (A)
B-
34,6
35,9
Proposta sustentável (Com Cogeração) (B)
A
25,7
A tabela apresentada demonstra que ambas as soluções admitem um indicador de eficiência
energética inferior ao máximo admitido para os edifícios novos (IEEReferência). No entanto, concluiu-se
que a instalação de cogeração contribuiu significativamente para a eficiência energética do edifício,
assim como aumentou a margem relativa ao valor máximo permitido pelo RSECE. Tal situação é o
contrário do que acontece com o cenário 1, cuja proximidade ao limite estabelecido torna-o
susceptível à não regulamentação em caso de alteração de cálculos que possam ocorrer durante a
ocupação das lojas, particularmente aqueles relacionados com a potência de iluminação a ser
instalada.
No que concerne à viabilidade económica, a tabela abaixo apresentada sintetiza os resultados
obtidos com o estudo efectuado (tabela 10.39).
Tabela 10.39- Resultados económicos associados à cogeração e comparados com a actual proposta do DVB.
Dados Económicos
Proposta
sustentável
Proposta base
1.230.000,00 €
4.642.107,74 €
Energia eléctrica gerada (entregue à rede)
KWh
0
11.347.648
Consumo eléctrico para arrefecimento
KWh
14.571.897
6.557.165
462.935,84 €
Investimento Inicial
(€)
Energia eléctrica adquirida
(€/Ano)
1.028.775,93 €
Consumo de Água - Torres de Arrefecimento
(€/Ano)
0
48.407 €
Consumo de gás natural - cogeração
(€/Ano)
0
732.288 €
Custo de manutenção associado a cogeração
(€/Ano)
0
116.395 €
Energia eléctrica vendida à EDP
(€/Ano)
0
1.184.241 €
Gastos anuais de exploração
(€/Ano)
1.028.775,93 €
175.785,40 €
Ganhos anuais
(€/Ano)
Período de retorno simples
VAL (Valor Actual Líquido) (15 anos)
TIR (Taxa Interna de Rentabilidade)
791.960 €
anos
4
(Euros)
6.318.932,12 €
%
24%
Assim tecem-se algumas observações:
271 |
Capítulo 10
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
1- O investimento inicial nos dois cenários referidos inclui todos os equipamentos necessários
para o devido funcionamento (“chave na mão”). No caso da proposta sustentável, o
investimento associado à cogeração e sistemas auxiliares, teve como referência um estudo
realizado em 2004 pela Universidade de Coimbra. Com base numa actualização de 5 anos
(2009) e uma taxa de inflação de 2%, considerou-se um investimento inicial em torno de
oitocentos e vinte e oito euros por potência instalada (828,00€ / Kw).
2- O consumo eléctrico para arrefecimento na proposta sustentável, resulta da diferença entre
o consumo da proposta base em relação à energia eléctrica evitada e a utilização dos
chillers de absorção.
3- Quanto ao período de retorno simples (PRS), e conforme definido no Anexo XIII do DecretoLei 79/2006, de 4 de Abril, pode ser obtido através da seguinte expressão (equação 10.2):
PRS= Ca / P1
[10.2]
Onde:
Ca – refere-se ao custo adicional de investimento, calculado pela diferença entre o custo inicial da
solução base e o custo da solução sustentável.
P1 – refere-se à poupança anual resultante da aplicação da alternativa mais eficiente.
Com base nos pressupostos aplicados, bem como nos resultados apresentados, conclui-se que o
investimento é bastante aconselhável quer de uma perspectiva legislativa e económica (PRS inferior
a oito anos), quer ambiental. Assim verificou-se uma redução de aproximadamente 4.136 toneladas
de CO2eq por ano (o equivalente a emissão de CO2eq de 405 habitantes europeus), quando
comparado com as emissões de GEE associadas às necessidades energéticas totais da proposta
base (tabela 10.40). O factor de conversão utilizado teve por base os valores definidos na tabela
10.32 e 10.33 (factores de emissão de GEE associados a energia eléctrica e ao gás natural,
respectivamente).
Tabela 10.40 – Emissões de CO2eq associadas ao consumo de energia total do DVB.
Emissão de CO2eq global (associadas ao consumo de energia) (TonCO2eq )
Proposta Base
Consumo de electricidade global (TonCO2eq)
Produção de electricidade (tonCO2eq)
Consumo de Gás natural (tonCO2eq)
Total (tonCO2eq)
Emissões evitadas (TonCO2eq)
Redução de emissões
272 |
Proposta sustentável
12.095
8.103
0
-5.651
0
5.506
12.095
7.958
4.136
34%
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Critérios relacionados com a análise do retorno do investimento
Quanto à classificação do BREEAM, e em resultado da instalação do sistema de cogeração, seria
possível alcançar três créditos no critério Ene5 (o resultado é superior aos 15% estabelecidos) bem
como contribuiria para a aquisição de outros créditos no critério Ene1, conforme anteriormente
relatado.
Contudo, com a introdução do sistema de cogeração no segundo cenário de intervenção (cenário
4), verificou-se a possibilidade de ocorrer a perda de créditos associadas ao critério Pol 4, referente
às emissões de óxido de Azoto (NOx). Este critério disponibiliza até três créditos para o caso de
empreendimentos que produzam emissões de NOx inferiores a 100mg /KWh.
Como este gás está presente durante a queima de combustíveis fósseis associados aos sistemas
de aquecimento do edifício, pode-se afirmar que na proposta base foi possível alcançar três créditos
neste critério. Isto deveu-se a ausência da necessidade de aquecimento no empreendimento.
Com a introdução da cogeração e a respectiva utilização do gás natural para o abastecimento do
sistema, conforme proposto nesta secção, foi preciso reavaliar o critério Pol4. Assim, de forma a
encontrar a actual pontuação, recorreu-se à forma de cálculo disponibilizada no manual BREEAM
(versão 2008), definida para calcular o NOx associado a cogeração (ver equação 10.3).
x = (A-B) / C
[10.3]
Legenda:
X = Emissões de NOx (unidade: mg/KWhaquec.);
A = Emissões de NOx para unidades de electricidade gerada (unidade: mg/ KWhelec.). Dados
fornecidos pelo fabricante. No caso do sistema proposto para o DVB, conforme especificações
técnicas, os valores de emissões definem-se como NOx < 500 mg/Nm3 (5% O2);
B = Emissões de NOx por unidades de electricidade injectada à rede. Conforme especificado pelo
BREEAM (versão 2008), este deve ser assumido com o valor de 1200 mg/KWhelec;
C = Rácio de eficiência térmica (Para o DVB os valores definidos foram 42.8%).
Conforme especificado no critério Pol4, os créditos disponíveis estão condicionados aos seguintes
níveis de emissões máximas:
Obtenção de 1 crédito – Quando se demonstra que a máxima emissão de NOx utilizada nos
sistemas de aquecimento é inferior ou igual a 100mg/KWh (0% de excesso de O2);
Obtenção de 2 crédito – Quando se demonstra que a máxima emissão de NOx utilizada nos
sistemas de aquecimento é inferior ou igual a 70mg/KWh (0% de excesso de O2);
273 |
Capítulo 10
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
Obtenção de 3 crédito – Quando se demonstra que a máxima emissão de NOx utilizada nos
sistemas de aquecimento é inferior ou igual a 40mg/KWh (0% de excesso de O2).
Para o caso de estudo, e com base nos valores fornecidos pelo fabricante do sistema proposto para
a cogeração, a máxima emissão de NOx, será inferior a 40 mg/KWh. Neste sentido, confirma-se a
manutenção dos três créditos para o critério Pol4 no cenário 4 (segunda intervenção), e assim como
os restantes cenários de 1 a 3 (sem a utilização da cogeração).
10.3.4 Tecnologia com reduzidas emissões de carbono (Fotovoltaicos) (Ene5)
Descrição e objectivos do critério
De acordo com o que anteriormente foi referido, esta análise realiza-se no âmbito do critério Ene5
(medida adoptada), e de forma complementar, sendo que não será considerada uma opção efectiva
no âmbito do estudo, mas sim referenciada a título demonstrativo. O presente objectivo do
BREEAM, de acordo com este critério, é encorajar a utilização local de energias renováveis e/ou
outras tecnologias reconhecidas pela reduzida emissão de CO2eq (dióxido de carbono equivalente).
Esta demonstração é resultante do estudo de viabilidade e dos respectivos "outputs" positivos que
se identificam como importantes para serem referidos no âmbito deste trabalho. No entanto, devido
a algumas limitações legislativas, que serão mais à frente mencionadas, esta medida não consegue
efectivar-se em termos de dimensão da sua acção, e no âmbito da necessidade de redução de
emissões de CO2eq (conforme abrangido pelo BREEAM), já que obrigaria a um dimensionamento
que não é suportável por apoios que se limitam a instalações até 150 KWp (Kilowatt pico39).
Assim sendo, apresenta-se uma potencial solução, não totalmente adaptada ao caso de estudo, e
que se baseia num Sistema Fotovoltaico integrado (conceito BIPV – Building Integrated
Photovoltaic) como substituição de uma fachada laminada de vidro duplo com isolamento.
Descrição do sistema
O sistema referido trata da introdução de módulos fotovoltaicos do tipo “Flat-Plate” ASI-Thin Film, ou
seja Amorphous Silicio, integrados numa fachada de vidro duplo opaco (laminado). Os módulos
referidos são do tipo Opaco, e de reduzida eficiência em termos de produção, ou seja Wp (Watts
pico) por área utilizada.
A produção de electricidade por energia solar é, hoje, um processo bastante amadurecido quer
numa lógica tecnológica quer comercial, podendo ser apresentadas garantias de produção eléctrica
39
Kilowatts pico - unidade peak, é utilizada como unidade de medida para designar a capacidade de potência
eléctrica instalada dos sistemas de energia renovável fotovoltaicos e eólicos
274 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Critérios relacionados com a análise do retorno do investimento
entre 20 a 25 anos. Presentemente existem diferentes tecnologias, desde as "cristalinas" até às
“thin film” de última geração, em que o factor variável de decisão de investimento é sempre a
relação eficiência / custo /fiabilidade.
No exemplo considerado, e em estudo, deve atender-se ao seguinte:
A- Contexto legislativo, quanto à ligação do sistema à rede pública;
B- Sistema fotovoltaico integrado em edifício;
C- Tecnologia solar fotovoltaica adoptada.
A – Contexto legislativo quanto à ligação do sistema à rede pública.
Um sistema de produção de electricidade ligado à rede pública caracteriza-se, de uma forma
simples, pelos aspectos considerados na figura 10.14 abaixo designada:
Figura 10.14 – Esquema de produção eléctrica a partir de painéis fotovoltaicos (Fonte: Schott Solar, 2008).
O esquema de funcionamento é definido pelos seguintes procedimentos (conforme acima
numerado):
1 – Módulos Solares – Elemento de produção de energia eléctrica;
2 – Caixa de ligações;
3 – Cabos e ligações;
4- Inversor – passagem de corrente contínua (DC) para corrente alterna (AC) para ser injectada na
rede pública;
5- Medidor – elemento de medição de energia produzida que é injectada na rede pública.
275 |
Capítulo 10
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
No que concerne ao enquadramento legislativo nacional vigente para a produção de energia solar
fotovoltaica (Decretos-Lei nº 339-C/2001, de 29 de Dezembro, DL 225 /2007, de 31 de Maio e
Decreto-lei 363/2007 de 2 de Novembro (alterada pelo DL 118-A/2010 de 25 de Outubro)) para
venda de energia à rede, estrutura-se da seguinte forma:
a) Centrais de Energia Solar Fotovoltaica até um limite de potência instalada de 150 Mw a nível
nacional.

Até 5 KWp = aproximadamente 0.48 €/KWh;

Superior a 5 KWp = aproximadamente 0.32 €/KWh. As tarifas em referência repercutem-se
durante 15 anos e até um limite de 21 GWh por MWp instalado.
Após a redacção do Decreto-Lei nº 225/2007, de 31 de Maio, que passou a incluir as centrais de
solar térmico eléctrico, deixaram de ser atribuídos pela DGEG (Direcção Geral de Energia e
Geologia) novos licenciamentos de centrais fotovoltaicas. Assim, da quota global de 150 MWp,
foram atribuídos 128 MWp, mantendo-se os restantes 22 MWp sem atribuição. Algumas centrais
fotovoltaicas de relevância foram implementadas em Portugal, com base neste enquadramento, tais
como as de Moura (46 MWp), Ferreira do Alentejo A (12 MWp), Serpa (11 MWp), MARL (6 MWp),
Almodôvar (2,15 MWp), Ferreira do Alentejo B (1,8 MWp) e a Central de S. Brás, em Barcelos (5
KWp – uma das primeiras centrais licenciadas, de ligação à rede, no âmbito desta legislação).
b) No caso da microgeração de pequena potência, com base no DL 363/2007 de 2 de Novembro
(alterado pelo DL 118-A/2010 de 25 de Outubro), apoiam-se os sistemas fotovoltaicos até 3,68
KWp, e no caso dos condomínios até 11,04KWp, tendo o seguinte enquadramento:

É estabelecido no regime bonificado (no máximo 25 MWp por ano) uma tarifa especial para
um período de 15 anos. Nos primeiros 8 anos aplica-se uma tarifa de 0,40 €/kWh, e nos 7
anos seguintes (após os primeiros 8 anos) é utilizada uma tarifa de 0,24 €/KWh. As
referidas tarifas são reduzidas anualmente em 0,02 €/KWh. Ressalva-se que a electricidade
vendida é limitada a 2,4MWh/ano por cada KWp instalado.
c) O último caso (Decreto-Lei 225/2007 de 31 de Maio), aquele que se utiliza para o âmbito deste
estudo, está relacionado com sistemas de microgeração instalados em edifícios de natureza
residencial, comercial, serviços ou indústria até ao limite de 50 Mwp a nível nacional.

Inferior ou igual a 5 KWp = 0,50€ a 0,55€ / kWh

Superior a 5 Kwp e até 150 KWp = 0,35€ a 0,40€/kWh
276 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Critérios relacionados com a análise do retorno do investimento
Tendo em conta o enquadramento legislativo das alíneas a) e b), não se torna possível a sua
aplicação no caso de estudo em referência. No caso da alínea a), não têm vindo a ser licenciados
quaisquer projectos, estando o "plafond" ainda disponível em 2010 (dos referidos 150 Mwp)
somente para projectos especiais de grandes centrais. No caso da alínea b), apenas se referem a
pequenas potências com o limite de 3,68Kwp, enquadramento a ser aplicado ao mercado
residencial. Para além disso, ressalva-se ainda a mais recente Estratégia Nacional de Energia, que
prevê um objectivo de instalação de 1.500 Mw de energia solar até 2020. Este objectivo inclui 1.000
Mwp de instalações de energia solar fotovoltaica de pequena e média dimensão, assim como 500
Mwp para centrais de concentração fotovoltaica (CPV) e concentração solar térmico-eléctrica (CSP).
Assim sendo, no âmbito desta análise, apenas será aplicável em instalações até ao limite de 150
Kwp. A razão porque surge como medida suplementar no âmbito deste estudo, resulta do facto de o
referido enquadramento se limitar a um máximo 150 KWp, não sendo assim possível, com esta
medida, reduzir-se os níveis de emissões desejados pelos critérios de análise BREEAM (conforme
referido adiante). Ou seja, com base neste enquadramento legislativo as reduções máximas de
CO2eq comparadas ao caso de estudo poderiam alcançar apenas uma redução de 1% destas
emissões (a exigência do BREEAM para este critério é 10 a 15%).
B – Sistema fotovoltaico integrado em edifício.
Os sistemas integrados em edifícios com tecnologia solar fotovoltaica caracterizam-se por
aplicações em cobertura, em fachada (quer em vidro duplo ou como revestimento) e até mesmo do
tipo clarabóia e sombreamento. Os exemplos abaixo designados na figura 10.15 são do tipo vidro
duplo e triplo em sistemas de fachada, quer como função totalmente opaca, quer com objectivos de
transmissão de iluminação natural controlada;
Figura 10.15 - Exemplo de aplicação do sistema fotovoltaico integrado ao edifício – Como clarabóia e na fachada
(Fonte: Sapa, 2009).
Este conceito é conhecido por BIPV (Building Integrated Photovoltaic) e as suas vantagens
apresentam-se pelo potencial de utilização diversificada de uma tecnologia de produção de energia,
277 |
Capítulo 10
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Tese de Doutoramento
pois ao mesmo que produz energia eléctrica, substitui material de construção e ainda pode ser
utilizado para complementar medidas de arrefecimento e aquecimento, quer através das
características de sombreamento (como os que serão usados na figura 10.16), quer pela
possibilidade da utilização do calor gerado pela exposição dos mesmos (quando capturado (calor)
poderá servir para aquecimento do edifício).
Figura 10.16 – Exemplo de aplicação de painéis fotovoltaicos integrados nos edifícios - Biblioteca de Mataró, Espanha
(Fonte: Jesus. L et. al., 2006).
Na figura acima pode ser observado um dos mais importantes exemplos de aplicação BIPV em que
o sistema fotovoltaico surge integrado numa fachada com objectivos de transmissão e controlo de
iluminação natural.
As aplicações mais comuns em fachada desenvolvem-se de acordo com as aplicações
demonstradas na figura 10.17.
Figura 10.17 – Opções de células fotovoltaicas aplicadas em vidros (Fonte: Schott Solar, 2008).
278 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Critérios relacionados com a análise do retorno do investimento
O conceito BIPV x permite estabelecer um diferente modelo de decisão de investimento, pois
assenta numa análise custo-benefício com diferentes "inputs" e "outputs", pois não está apenas a
analisar a performance eléctrica, mas também a contabilizar-se a redução de utilização de materiais
de construção (ver a figura 10.18).
Figura 10.18 – Custos associados a uma instalação convencionais comparados com um sistema fotovoltaico integrado
ao edifício (Fonte: Schott Solar, 2008).
C – Tecnologia solar fotovoltaica utilizada
Para a aplicação proposta, as tecnologias disponíveis são os módulos solares flat-plate (módulos
planos). Hoje é necessário proceder-se a esta diferenciação, porque no âmbito da produção
fotovoltaica existem outras tecnologias em desenvolvimento, quer de “concentração fotovoltaica”,
que poderão a médio prazo estar disponíveis para o mercado de edifícios mas sem potencial de
integração arquitectónica, quer de material flexível de natural aplicação em termos de integração
arquitectónica.
No entanto, aquelas que se apresentam num estágio de aplicação comercial para o âmbito deste
estudo são os referidos módulos “flat – plate”. Dentro destes módulos existem diferentes soluções,
como sejam as tecnologias cristalinas (mono e poly), os “thin film” e as híbridas.
Os módulos cristalinos são aqueles que dominam o mercado, sendo de maior eficiência (14% a
19%) e tendo como matéria-prima principal o silício. As tecnologias “thin-film”, de menor eficiência,
são diversas, A-SI Amorphous (apresentado nesta proposta, com eficiência entre os 6%-7%, esta
tecnologia também pode ser do tipo material flexível, mas de eficiência muito reduzida), e a sua
matéria-prima é o silício (em menor quantidade do que nos cristalinos), enquanto, que outras novas
279 |
Capítulo 10
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Tese de Doutoramento
tecnologias “thin film” como CDTE (eficiência entre 8%-11%) e o CIGSS (eficiência entre 10%-13%)
têm como matérias-primas o cádmio (CDTE), o Indium e o Gallium (CIGSS) (ver figura 10.19).
Para efeito demonstrativo apresentam-se as diferenças estéticas entre as tecnologias referidas.
“Thin Film” Opaco
Cristalinos
Figura 10.19 – Diferença entre módulos disponíveis no mercado.
A decisão pelas diferentes tecnologias em termos de utilização resulta dos seguintes critérios:

Necessidade de eficiência e custo dos módulos;

Estética funcional versus preço e disponibilidade.
- Módulos cristalinos.

Necessidade de eficiência e custo dos módulos – Uma solução mono ou poly (Multi)
cristalina apresenta uma maior capacidade de produção (Wpeak) por área utilizada, no
entanto o seu preço é mais elevado. Assim sendo, como o caso de estudo apresentado
determina fortes limitações na capacidade a ser instalada, a utilização de módulos de maior
eficiência não iria acrescentar diferença significativa, acarretando o acréscimo de custo por
kWp instalado;

Estética funcional versus preço e disponibilidade - Por vezes a sua utilização alcança uma
estética bastante adequada ao conceito do tipo “High Tech”, sendo possível em fábrica,
criar maior espaço entre as células (para a transmissão de luz natural). Estes módulos
encontram-se facilmente disponíveis tendo aproximadamente 80 a 90% do mercado de
energia fotovoltaica no Mundo;
- Módulos “Thin Film”.
Conforme já referido, os módulos “thin film” podem ser do tipo Asi (silício não cristalino) ou
resultante de novas aplicações de “thin film” (CDTE – Cádmio e telúrio e CIGSS – Cobre,
Índio, Gálio, Selénio).
280 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Critérios relacionados com a análise do retorno do investimento

Estética funcional versus preço e disponibilidade – Em termos de estética e eficiência
consideram-se as duas opções como bastante semelhantes. No entanto, quando se
discute a flexibilidade para a alteração da cor e de níveis de transmissão de luz natural,
os módulos “Asi-Thin film”, são considerados como a solução mais interessante, tendo
em conta as diferentes cores e a variação entre os módulos opacos e semitransparentes. Além disso, é importante ressalvar que os módulos Asi-opacos são mais
facilmente encontrados no mercado do que a nova geração de “thin film” (CDTE /
CIGSS), sendo estes, muitas das vezes, canalizados para projectos de grandes e
médias centrais.
Assim sendo, considerando ser esta uma das tecnologias fotovoltaicas mais maduras em termos de
produção de electricidade, flexibilidade (cor e transparência), competitiva, enquanto preço por m2 na
substituição de materiais de construção, decidiu-se apostar nesta tecnologia para o efeito
demonstrativo. A tecnologia referida é o módulo Asi–Amorphous silício da Schoot Solar (Figura
10.20).
Figura 10.20 – Módulos Thin Film (Fonte: Schott Solar, 2009).
Aplicação prática ao caso de estudo
A instalação dos sistemas fotovoltaicos foi proposta enquanto substituta da proposta inicial do
projecto, constituída por vidro laminado opaco com isolamento térmico. Define-se assim a
comparação entre as referidas propostas:

Proposta Base (A): Vidro temperado e laminado com serigrafia a 100% de várias cores
tipo Guardian Sunguard (Neutral14, espessura 8mm) com fixações. Características
térmicas (valores aproximados): coeficiente de transmissão térmica (U-value): 5,16
W/m2 ºC e coeficiente de ganho de calor solar igual a 40 %.
281 |
Capítulo 10
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento

Proposta Sustentável (B): Substituição do vidro pela tecnologia ASI-Amorphous do
tipo opaco, num modelo BIPV em fachada com uma capacidade de produção média
instalada de 53 watts/m2 (ver Figura 10.21, localização para a instalação dos módulos).
Características térmicas do módulo: coeficiente de transmissão térmica (U-value): 1,12
W/m2 ºC e coeficiente de ganho de calor solar: 10%.
Figura 10.21- Local de intervenção proposto para instalação de Fotovoltaico integrado ao edifício (Fonte: Chamartin
Imobiliária, 2009).
A área de intervenção foi de 2.170 m2, definida pela área do alçado orientado a sul e sudoeste
(melhor exposição solar), assim resultará numa capacidade instalada total do sistema fotovoltaico
de 115 Kwp (53w x 2170 m2).
Utilizando a base de dados PVGIS 40 , a ferramenta oficial da União Europeia para o cálculo de
produção de electricidade para sistemas solares fotovoltaicos, e com base nos seguintes dados,
desenvolveu-se o cálculo de electricidade média produzida pelo referido sistema de 115 Kwp.
Assim sendo:

Instalação de sistema PV integrado como fachada opaca: 90º (inclinação dos módulos);

Características de módulos PV: “Thin Film”;

Orientação da zona de construção: Sul/Sudoeste;

Longitude e latitude específicas da área de localização do futuro DVB: Dume, Braga;
41º34`38” N, 8º25`49” W

Perdas totais do sistema até à conversão da produção em corrente directa (DC) versus
corrente alterna (AC): 20% (abaixo evidenciado “PVGIS estimates”, na Figura 10.22).
40
PVGIS- Photovoltaic Geographical Information System - Geographical Assessment of Solar Resource and
Performance of Photovoltaic Technology - http://re.jrc.ec.europa.eu/pvgis/).
282 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Critérios relacionados com a análise do retorno do investimento
Assim, com base nos pressupostos que seguem, a instalação BIPV em fachada produziria uma
média anual de electricidade de 105.000 kWh. Esta produção teria um índice de degradação
durante os 20 anos de análise.
Figura 10.22 – Resultado da Ferramenta PVGIS: cálculo da energia eléctrica mensal produzida em Braga.

Resultados económicos e ambientais obtidos
A aplicação dos módulos fotovoltaicos no caso de estudo DVBraga, obtiveram os seguintes
resultados:
Investimento
O custo de investimento para um sistema PV Asi instalado em BIPV na substituição de fachada de
vidro laminado, incluiu os seguintes elementos:

Módulos PV aplicados em fachada;

Inversores;

Serviços de instalação e cablagem;

Estudo projecto PV.
283 |
Capítulo 10
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
A – Custos associados aos módulos: O custo dos módulos aplicados em fachada, e com isolamento
térmico incluído, foi, em 2008, aproximadamente, de € 400/m2 (Hagemann I. et.al, 2008).
Para 2009 foi feito um ajustamento com base numa redução de 5% 41 do preço, tendência natural
das novas tecnologias que decrescem de preço em função do crescimento dos mercados. Assim,
reduzindo 5% têm-se um valor de custo de €380,95 /m2 .
Sendo o total da área aplicada de 2.170 m2, o custo desta parcela foi de €826.667,00.
B – Custos associados aos inversores: Os inversores foram dimensionados em função da
capacidade instalada. Como essa capacidade foi de 115 KWp (DC), estimaram-se os custos em 2
inversores com 60 KWp (DC) (cada um), ou seja dimensionados por excesso para 120 KWp,
sendo o custo por inversor de €30.000,0042, o que é equivalente a um custo total de €60.000,00.
C – Custos associados à instalação eléctrica: Os custos relativos à instalação eléctrica, outros
componentes e estudos associados foi de €16.533 e €12.400, que é igual a €28.933. Estes custos
basearam-se em valores de referência aplicados em propostas de BIPV para a empresa cofinanciadora.
O total de investimento foi de € 915.600 (€826.667 + €60.000 + €28.933), aproximadamente 8 € por
Wp instalado.
Custos operacionais
O custo de manutenção do sistema ASI-PV foi calculado por um modelo de manutenção
contratualizada por determinados prestadores de serviços, que ao mesmo tempo garantem a
produção de electricidade do sistema, sendo este custo também uma espécie de seguro de lucros
cessantes. O valor foi de €1650 anuais por cada inversor utilizado43. Assim sendo, €1650 x 2 = €
3.300,00 por Ano.
Este custo deverá ser ajustado de 5 em 5 anos, incorporando taxas de inflação aplicáveis.
Custos de substituição
Como a utilização do sistema ASI-PV substituiu uma fachada de vidro laminado (Proposta base),
identifica-se o custo de investimento evitado, ou seja substituído, considerado para o efeito da
análise custo-benefício como um crédito sobre o custo de investimento do sistema ASI-PV.
41
As cotações de mercado da tecnologia fotovoltaica foram consultadas no site [www.solarbuzz.com]
Estes custos foram obtidos através da tabela de preços de 2008 da empresa Conergy Espanha. Mais
informações poderão ser encontradas no site: [http://www.conergy.es/desktopdefault.aspx/tabid-449/]
43
Idem
42
284 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Critérios relacionados com a análise do retorno do investimento
Custo evitado: 276,92€ / m2, que é equivalente a €600.916, 00 (276,92€ x 2.170 m2)
Assim o custo de investimento total para análise de investimento do sistema PV foi igual a:
€915.600 - €600.916 = €314.684.
Benefícios
Se a produção eléctrica anual estimada era de 105.000 kWh, pode calcular-se para o 1º ano de
produção os benefícios resultantes da venda de electricidade à rede púbica, conforme o
enquadramento legislativo acima referido.
Assim, a tarifa a aplicar-se é de 0,38€/kWh, sendo o valor anual para o 1º ano de 105.000 kWh x
0,38€/kWh = €39.900.
Nos anos seguintes processa-se uma degradação da produção anual de 1,8%, perfazendo um total
de 15% em 20 anos.
Os proveitos também foram ajustados anualmente conforme a inflação.
De forma resumida, na tabela 10.41, poderá verificar-se a análise do investimento de uma forma
bastante simplificada, bem como o retorno do investimento (simplificado) que se revelou inferior a 9
anos. Quanto aos dados ambientais verificou-se uma redução das emissões anuais de GEE em
aproximadamente 52 tonCO2eq, o equivalente à emissão de CO2eq de aproximadamente 5
habitantes europeus.
Tabela 10.41 – Desempenho económico e ambiental associado a instalação de fotovoltaicos (BIPv) aplicados ao DVB.
Dados económicos
Proposta
Proposta Base Sustentável Fachada de vidro
BIPV
600.916,00 €
Investimento Inicial (Euros)
915.600,00 €
314.684,00 €
Diferença do investimento (Euros)
39.900,00 €
Produção de electricidade vendida a rede (1º ano) (Euros)
3.300,00 €
Custo com manutenção
Retorno do Investimento
9 anos
67.922,00 €
VAL (Valor Actual Líquido) (15 anos)
TIR (Taxa Interna de Rentabilidade)
8%
Dados económicos
Proposta
Proposta Base Sustentável Fachada de vidro
BIPV
Produção de energia anual (KWh)
0
Emissões evitadas (TonCO2eq)
0
Redução das emissões globais do DVB
105.000
52,3
0,43%
Ou seja, ao desenvolver esta análise de forma mais complexa, a produção de electricidade, varia
positivamente ano a ano com as actualizações da inflação sobre a tarifa legalmente legislada. Por
outro lado, varia negativamente pelo valor da degradação anual sobre a produção eléctrica. Alguns
285 |
Capítulo 10
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Tese de Doutoramento
ajustamentos também devem ser processados sobre o valor de manutenção, no entanto, o retorno
do investimento deverá manter-se entre o 8º e o 9º ano de vida do projecto, validando assim a
análise simplificada e acima referida.
10.3.5 Instalações Frigoríficas (Ene 7)
Descrição e objectivos do critério
O objectivo do BREEAM, de acordo com o critério Ene 7, é incentivar a instalação de sistemas de
frio (instalações frigoríficas) mais eficientes, de forma a reduzir as emissões de CO2eq.
Neste sentido, estão disponíveis três créditos para este critério, atribuídos mediante o cumprimento
das seguintes medidas:

Escolha de equipamentos incluídos na lista “ECA Energy Technology Product List”, uma
iniciativa do Governo Britânico para melhorar a gestão das alterações climáticas, através da
definição de taxas de incentivos, com o objectivo de incrementar o investimento em
determinados equipamentos energeticamente eficientes;

Garantia de que as câmaras frigoríficas são projectadas de forma a minimizar os consumos
durante o seu funcionamento;

Garantia de que sistemas eficientes, como o armazenamento térmico, “Free cooling” ou
recuperação de calor são devidamente providenciados.
Neste estudo, foi abordado apenas a terceira medida, pelos seguintes motivos:

A primeira medida refere-se à escolha de produtos incluídos na lista mencionada e, neste
caso, o crédito poderá apenas ser atribuído após a escolha definitiva dos sistemas a
instalar;

A segunda medida não está sob a responsabilidade directa do Centro Comercial em estudo,
pois a sua implementação depende da decisão dos operadores, que neste caso serão um
hipermercado e os lojistas da restauração44.
Assim, o presente estudo foca-se na instalação de armazenamento térmico (neste caso, de frio)
como opção para o cumprimento de um crédito.
Créditos disponíveis: 3 créditos (somente o cumprimento de um crédito será analisado)
44
De forma a incentivar a decisão do operador para a compra de equipamentos mais eficientes – A empresa
Gestora do Centro Comercial, procedeu à introdução deste critério no Manual do lojista, a ser entregue após
assinatura do contrato.
286 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Critérios relacionados com a análise do retorno do investimento
Descrição do sistema
O armazenamento térmico ("Thermal Storage Energy") tem a principal função de armazenar energia
térmica, de forma a ser utilizada em períodos em que as tarifas de energia são mais elevadas
(horas de ponta). Os bancos de gelo e os chillers de água são os exemplos mais comuns deste
sistema (ver figura 10.23).
Figura 10.23- Bancos de Gelo instalados no Dolce Vita Porto.
Pode afirmar-se que os bancos de gelo não proporcionam propriamente uma redução do consumo
de energia eléctrica, mas permitem um desfasamento entre a produção e a procura, ou seja,
enquanto um sistema de ar condicionado convencional gera frio para atender uma necessidade
pontual e momentânea, através dos bancos de gelo, o frio produzido pelos chillers, durante os
horários com tarifário eléctrico mais económico (Horas de vazio - 0 h às 7h), é armazenado de
forma a posteriormente ser utilizado em períodos com tarifário mais elevado (horas de ponta e de
cheia). A grande vantagem dos bancos de gelo encontra-se assim na vertente económica. Desde
que estes sejam programados para funcionar em horas de ponta, tornam-se numa solução bastante
rentável, devido à economia dos custos anuais com a Potência tomada45 e da redução da potência
contratada em cerca de 25% a 30% (PQF, 2008).
Uma outra vantagem traduz-se num aumento da eficiência e durabilidade dos chillers, já que estes
funcionam, preferencialmente, no regime nominal e nocturno, com procura mais constante dos
equipamentos de refrigeração, nos períodos em que a temperatura de condensação é menor
(Aream, 2009).
No que concerne às vantagens ambientais e sociais, enumeram-se as seguintes:

Não contribuição para a sobrecarga da rede nos horários mais críticos;
45
Potência Tomada (Potência em Horas de Ponta) – corresponde ao quociente mensal entre a energia activa
consumida em horas de ponta e o número de horas de ponta.
287 |
Capítulo 10
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Tese de Doutoramento

Melhoria da qualidade do ar e respectivo aumento do conforto humano, pois o frio gerado
pelos bancos de gelo é menos seco do que o gerado pelos aparelhos de ar-condicionado
convencionais (Abdel K., 2003);

Redução do ruído, devido à diminuição da potência e da eliminação de equipamentos
intermediários;

Diminuição das emissões de CO2eq ao nível das centrais termoeléctricas.
Quanto às desvantagens do sistema, admite-se que a maior dificuldade se encontra na
disponibilidade de espaço para a sua instalação, bem como em relação às emissões de CO2eq
totais, com base na actual conjuntura nacional.
Conforme referido anteriormente, apesar dos níveis de emissões reduzirem ao nível das centrais
termoeléctricas, numa análise global e conforme o actual cenário energético do País, o factor de
emissões nos horários de vazio serão maiores do que nos horários de ponta e cheia. Ou seja,
durante o processo de armazenamento nos bancos de gelo, as emissões de CO2eq geradas serão
maiores, devido ao tipo de produção de electricidade utilizada nos períodos em referência, como se
verificará nas figuras abaixo identificadas (figura 10.24 e 10.25).
Horas de Vazio
Horas de Ponta / Cheia
Figura 10.24 – Produção total de electricidade no ano de 2007 e identificação das horas de procura de energia (Fonte:
Henriques A.C., 2008)(adaptado).
No período das 0h às 7h (horas de vazio), apesar de haver menor consumo da energia produzida
através das termoeléctricas (gás natural) do que nos restantes períodos, verifica-se o seguinte:

Período de maior importação de energia;

Menor produção por meio de renováveis e hídrica (com excepção do eólico) do que as
horas de Ponta e Cheia.
288 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Critérios relacionados com a análise do retorno do investimento
Deste modo considerando que cada uma das fontes de energia produz diferentes factores de
emissão, concluiu-se que os factores de emissões de gases de efeito estufa (GEE) por MWh
produzido variam também ao longo do dia, como poderá observar na figura seguinte (Figura 10.25):
Hora de vazio - Período em que o chiller est á a produzir
frio que será armazenado nos Bancos de gelo
Figura 10.25 – Emissões de GEE referentes ao balanço energético diário (valores médios de 2007) (Fonte: Henriques
A.C., 2008) (adaptado).
Através das emissões de GEE identificadas durante os diferentes períodos do dia, é possível
comprovar o que foi mencionado anteriormente. No que se refere às emissões de GEE por dia, os
bancos de gelo podem emitir mais GEE do que as opções convencionais, ou seja, confirmando-se
assim que o seu maior benefício se encontra apenas no potencial de eficiência económica.
Aplicação prática ao caso de estudo
Apesar de não serem uma solução que contribua para a redução das emissões de GEE, os bancos
de gelo podem ser uma alternativa sustentável, de uma perspectiva económica, social e ambiental
(conforme anteriormente abordado) e, nesse sentido, apresenta-se, no presente trabalho, a sua
aplicação ao caso de estudo, DVBraga.

Dados gerais utilizados
O trabalho que será apresentado refere-se ao estudo económico de um sistema de produção
térmica, destinado ao Centro Comercial Dolce Vita Braga, apresentado pela empresa PQF
Engenharia, onde poderá verificar-se a comparação entre dois cenários distintos (com respectivos
investimentos), expressos na tabela 10.42.

Proposta base: Representa a produção directa de água refrigerada composta por 6 chillers
de 1600 KW e grupos de bombagem (1.670 m3/h). A máquina frigorífica considerada é do
289 |
Capítulo 10
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Tese de Doutoramento
tipo de arrefecimento por ar, com compressores de parafuso e fluído frigorigénio R 134a.
(COP considerado 2,5 (dia) e 2,8 (noite));

Proposta sustentável: Representa o sistema com acumulação frigorífica, que introduz a
redução de chillers, de seis para cinco, com potências de 1320 KW, grupos de bombagem
(1140 m3/h) e bancos de gelo com os respectivos equipamentos. (ver tabela 10.42)
Tabela 10.42 – Comparação entre os cenários estabelecidos, com descrição dos componentes e investimento
necessário (Fonte: PQF, 2008).
Proposta base
Proposta sustentável
Consumo energético Sistema com
com produção
aculumação (Bancos de
directa.
gelo)
Investimento Inicial - equipamentos
Elementos
complementares aos
bancos de gelo
Dados Gerais
Nº de Chillers
6 (chillers 1600Kw) 5 (Chillers de 1320KW)
Chillers (KW)
9725
6630
Bombas primária do
Chillers (m3/H)
1673
1140
Bancos de Gelo
(unidades)
X
80
Permutador de placas
(KW)
X
9725
Bombas do banco de
gelo (m3/H)
X
1234
Rede hidráulica
adicional
X
a considerar
Etileno Glicou (25%)
X
a considerar
1.140.000,00 €
775.000,00 €
90.000,00 €
50.000,00 €
Bancos de Gelo
0,00 €
1.072.000,00 €
Permutador de placas
(KW)*
0,00 €
193.304,00 €
Bombas do banco de
gelo (m3/H)*
0,00 €
200.000,00 €
Rede hidráulica
adicional*
0,00 €
700.000,00 €
Etileno Glicou (25%)*
0,00 €
25.000,00 €
1.230.000,00 €
3.015.304,00 €
Chillers
Bombas primárias dos
Chillers
Total
Para a definição das necessidades energéticas do Centro Comercial em estudo, consideraram-se
os dados climáticos de Braga (I2 e V2) em conformidade com o Decreto-Lei nº 80/2006, de 4 de
Abril (anexo III), bem como as condições interiores e exteriores, o índice de ocupação média,
caudais de ar exteriores, iluminação e equipamentos conforme valores preestabelecidos.
290 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Critérios relacionados com a análise do retorno do investimento
Através dos parâmetros preestabelecidos, dos horários de funcionamento do Centro Comercial e da
frequência de visitantes, foi possível definir as cargas térmicas máximas, conforme a identificação
de três cenários distintos (que incluem as lojas e o “mall”- áreas comuns):

“Dia de Projecto” (Verão) (3 meses/ ano): 9700KW

“Dias médios” (6 meses/ano): 7500KW

“Dias de Inverno” (3 meses/ ano): 5900Kw
Mais informações relativas ao histograma de energia térmica fornecido poderão verificar-se nos
documentos em anexo IV.
Relativamente aos tarifários apresentados pela empresa PQF, reportam-se aos tarifários de 2007
fornecidos pela EDP, referentes às tarifas para média tensão, média utilização e tri-tarifário. No
entanto, no presente trabalho, considerou-se a actualização dos tarifários para o ano de 2008, de
forma a manter a paridade com os restantes critérios que foram analisados nesta investigação
(tabela 10.43). Observa-se abaixo que a potência em horas de Ponta (Potência tomada) custa
aproximadamente sete vezes mais do que a potência contratada.
Tabela 10.43 – Tarifário aplicado ao caso de estudo (EDP, 2008)
TARIFÁRIO A APLICAR (2008)
CUSTO DA POTÊNCIA CONTRATADA
CUSTO DA POTÊNCIA TOMADA (H. DE PONTA)
MÉDIAS TENSÕES / MÉDIAS UTILIZAÇÕES (Tri-Horárias)
1,019 € / kW / mês
7,49 € / kW / mês
É importante constatar que os encargos considerados neste critério diferem de outros critérios de
energia analisados, onde foram definidas taxas únicas (0,076 euros/ kWh). Neste caso concreto,
consideraram-se todos os ciclos horários e tarifários aplicados, pois o objectivo era verificar os
ganhos obtidos, ao deslocar os consumos das horas de ponta.

Resultados económicos e ambientais evidenciados
Os resultados obtidos através da descrição dos dois diferentes cenários propostos, serão aqui
apresentados através de um resumo comparativo dos resultados (ver tabela 10.44). Os dados
ambientais (emissões de GEE) não serão aqui descritos, devido à sua irrelevância neste estudo,
conforme anteriormente mencionado.
291 |
Capítulo 10
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Tese de Doutoramento
Tabela 10.44 – Resultados associados aos encargos anuais dos dois cenários apresentados.
Proposta
Sustentável
Proposta base
Dados económicos
unidades
Investimento Inicial
Investimento adicional
€
(c/ Bancos de gelo)
1.230.000,00 €
3.015.304,00 €
€
1.785.304,00 €
Potência Contratada (1)
KW
4.163
Potência tomada (2)
KW
24.089
3.040
2.419
Energia Activa consumida (3)
KWh
14.570.897
14.631.479
Consumo em horas de ponta
KWh
479.318
48.474
50.907,70 €
37.170,82 €
Custo Pot. Contratada (1)
€
Custo Potência Tomada (H. de ponta) (2)
€
180.428,69 €
18.115,61 €
Custo energia consumida (3)
€
1.084.226,52 €
907.673,66 €
Custo total com energia
€ / ano
1.315.562,91 €
962.960,10 €
Ganhos anuais
€ / ano
352.602,81 €
Periodo de retorno simples
anos
6
VAL (Valor Actual Líquido) (15 anos)
euros
2.138.649,93 €
%
18%
TIR (Taxa Interna de Rentabilidade)
Na tabela acima apresentada, verificou-se que os ganhos anuais obtidos no cenário 2 são
justificados pela redução dos encargos associados à Potência Tomada em horas de Ponta
(efectuou-se uma redução de aproximadamente 90%, comparativamente ao cenário1).
Assim, como já havia sido mencionado no início deste estudo, a Potência Tomada é a principal
responsável pela redução dos encargos, originando uma diminuição de aproximadamente 27% nos
custos totais (Proposta base). Revela-se uma solução bastante aliciante, com um retorno do
investimento (Pay-back simplificado) que poderá ser alcançado em apenas 6 anos.
10.3.6 Elevadores (Ene8)
Descrição e objectivos do critério
O objectivo do BREEAM, de acordo com o critério ENE8, é reconhecer e encorajar a utilização de
sistemas de transporte verticais eficientes.
Os dois créditos disponíveis para este critério são atribuídos mediante o cumprimentos dos
seguintes requisitos:
1º Crédito:
1- Comprovar que foi realizado, pela equipa de projecto, um estudo preliminar a fim de
determinar a quantidade e o tamanho ideal dos elevadores a serem instalados no
empreendimento, bem como o rácio do contrapeso ajustado ao número de passageiros.
2- Analisar o consumo de energia de, pelo menos, dois diferentes tipos de elevadores, a fim
de estimar quais os sistemas com menor consumo de energia.
292 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Critérios relacionados com a análise do retorno do investimento
2º Crédito:
3- O 1º Crédito ser alcançado.
4- Das seguintes características de eficiência energética, pelo menos três devem ser
especificadas em projecto:
a. Em horas e períodos inactivos, os elevadores devem operar em sistema “Stand-by”. Por
exemplo: os equipamentos auxiliares dos elevadores, como a ventilação e a iluminação,
devem desligar-se em períodos sem utilização;
b. Os motores dos elevadores devem ter sistemas com carga variável (velocidade,
voltagem e frequência variável);
c. Os elevadores devem ter unidades regenerativas onde seja possível reaproveitar, e
injectar na rede (ou aproveitamento local), a energia gerada pelo elevador em
funcionamento;
d. Os elevadores devem utilizar iluminação eficiente (> 60Lumens/watt ou que consomem
menos que 5W ex. LEDs).
A actual aplicabilidade do critério, no caso de estudo Dolce Vita Braga – cumpre os requisitos
exigidos, através do cumprimento na íntegra do 1º crédito e de três especificidades exigidas no item
4 do 2ºCrédito (itens b, c e d).
Créditos disponíveis: 2 créditos
Descrição do sistema
A solução encontrada para cumprir os requisitos definidos pelo BREEAM foi o sistema Gen2Drive
Regenerativo (patenteado pela empresa Otis) que possui duas características fundamentais,
definidas pela sua configuração e pelo sistema regenerativo acoplado.
O sistema Gen2Drive substitui os cabos de suspensão e a tracção por um sistema de cintas de ferro
recobertas por poliuretanos (figura 10.26).
Figura 10.26- Cabo convencional comparado a um sistema Gen2Drive (Cinta plana)(Fonte: Otis, 2008).
293 |
Capítulo 10
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Tese de Doutoramento
Esta alteração beneficia o sistema com diversas vantagens, destacando-se (Otis, 2008):

A redução do espaço possibilitada pela diminuição do tamanho do motor (sistema sem casa
de máquinas) (figura 10.27);

Dispensa da utilização de óleos lubrificantes poluentes, graças à sua configuração e
revestimento com poliuretano;

Aumento da durabilidade dos cabos (devido ao reduzido desgaste), e redução dos ruídos,
mantendo os níveis abaixo dos 30 dBA, devido à sua cavidade plana revestida com
poliuretano que evita o contacto directo entre as cintas e a roldana (ferro/ferro) (Figura
10.28).
Figura 10.27 – Comparação entre um motor convencional e o Sistema Gen2Drive (Fonte: Otis, 2008).
Figura 10.28 – Comparação entre cabos de elevadores convencionais e as cintas planas do Sistema Gen2Drive (Fonte:
Otis, 2008).
Além das vantagens relacionadas com a configuração, o sistema Gen2Drive Regen evidencia
outros aspectos, como um sistema de velocidade, frequência e tensão variável, iluminação eficiente
e sistema regenerativo, conforme os requisitos do BREEAM.
294 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Critérios relacionados com a análise do retorno do investimento
É importante referir as características inovadoras do sistema regenerativo (Regen drive) (Figura
10.29), que aproveita a energia dissipada durante a utilização do elevador, resultando assim numa
economia de aproximadamente 75%, comparando com um sistema convencional (Otis, 2008).
Figura 10.29- Sistema Regen Drive (Fonte: Otis, 2008).
Tendo em conta que um elevador é constituído pela cabina, máquina e contrapeso, o contrapeso
tem a função de equilibrar a meia carga da cabina, fazendo com que o elevador funcione por meio
de gravidade durante as descidas da cabina carregada e nas subidas com a cabina vazia. É
importante ressalvar que é no período em que o elevador utiliza a gravidade, que ele está a gerar
energia eléctrica. A diferença é que, num elevador sem o sistema Regen drive, esta energia é
dissipada, enquanto que um elevador com Regen drive aproveita e reenvia esta energia para o
quadro da rede, de forma a ser utilizada pelos restantes equipamentos do edifício (Otis, 2008).
Veja-se abaixo (Figura 10.30) o esquema de funcionamento do Regen drive. A área em amarelo
refere-se ao consumo de energia de um elevador sem o sistema regenerativo, enquanto que a
diferença entre a área amarela (energia consumida) e a verde (energia gerada) representam o
consumo de um elevador com sistema regenerativo, onde ocorre o aproveitamento da energia
gerada.
Figura 10.30- Consumos de energia (área a amarelo) e a energia gerada (área a verde) (Fonte: Otis,2008).
295 |
Capítulo 10
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
A escolha eficiente de um sistema de transporte vertical implicaria não somente a redução do
consumo de energia, durante a operação do empreendimento, como também, em alterações e
benefícios que se poderão verificar desde o início do ciclo de vida do equipamento, proporcionando
a diminuição da extracção dos recursos naturais até à sua produção final. Poderá verificar-se na
tabela abaixo (tabela 10.45), a quantidade de matérias-primas e produção de resíduos que são
evitados por equipamento, durante a produção do Gen2Drive, comparado a um sistema
convencional.
Tabela 10.45- Recursos e resíduos evitados durante a produção do Gen2Drive (Fonte: Otis, 2008).
Recursos Naturais
Matérias Primas
- 181,71Kg
Materiais auxiliares
- 2,44Kg
Resíduos perigosos
Monoetilenglicol
- 0,25Kg
Óleos, graxa e outros
- 0,10Kg
Emulsões oleosas
- 1,04Kg
Sujeira da reparação
- 0,26Kg
Resíduos inertes ou assimiláveis a urbano
Resíduos de corte de material
- 43,81Kg
Resíduos de alumínio e escórias
- 3,45Kg
Emissões
VOCs
- 0,35Kg
fumos e partículas
- 0,02Kg
De acordo com um estudo realizado pela empresa Otis, em uma das suas fábricas em Zardoya,
onde se verificou um aumento da produção do sistema de cinta plana (Gen2Drive), a partir de 1998,
também se observou a redução proporcional de recursos e resíduos e os seus respectivos encargos
(ver Figura 10.31).
Figura 10.31- Consumo e emissões variáveis pela facturação da fábrica em Zardoya (Fonte: Otis, 2008).
296 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Critérios relacionados com a análise do retorno do investimento
Figura 10.31(cont.) - Consumo e emissões variáveis pela facturação da fábrica em Zardoya (Fonte: Otis, 2008).
Aplicação prática ao caso de estudo

Dados gerais da análise.
Neste estudo, realizou-se a comparação entre um sistema convencional e o sistema Gen2drive
Regen, de forma a cumprir os requisitos da ferramenta BREEAM. Os casos propostos são os
seguintes:

Proposta Base (A) – Elevador com motor de indução eléctrico com casa de máquina
(Marca Otis: Sistema Gearless drive não regenerativo). Este estudo não utilizou o sistema
hidráulico, pelo facto de não ser o mais indicado para o caso de estudo (o sistema
hidráulico não é indicado para edifícios com uma altura elevada e de frequente utilização).
Potência máxima instalada (Kva) (1600Kg): 15Kva (equivalente a 12KW)46
Potencia máxima instalada (Kva) (1275Kg): 12Kva (Equivalente a 9.6KW)

Proposta Sustentável (B) (actual proposta para o caso de estudo) – Sistema Gen2Drive
regenerativo, a cumprir os requisitos exigidos pelo BREEAM (Figura 10.32).
Potência máxima instalada (Kva) (1600Kg): 10Kva (equivalente a 8Kw)
Potencia máxima instalada (Kva) (1275Kg): 8Kva (equivalente a 6,4Kw)
46
A conversão das potências de Kva para Kw foi definida pela equação: Kw= Kva* F.P (F.P - Factor de
Potência do equipamento). O F.P do equipamento utilizado foi de 0.8.
297 |
Capítulo 10
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
Figura 10.32- À esquerda, Sistema Gearlessdrive não regenerativo (com casa de máquina) e à direita, o sistema
Gen2Drive Regen (Otis, 2008).
A – Número de elevadores identificados na actual proposta:

10 Elevadores de 1600Kg (21 pessoas)

4 Elevadores de 1250Kg (17 pessoas)
B – Número médio de paragens: 5 pisos
C – Curso médio: 21 Metros.
D – Custos dos serviços: Os custos utilizados foram definidos em conformidade com os tarifários da
EDP do ano de 2008, tendo por base os custos fixos (custo mensal da potência contratada) e os
custos variáveis (definidos pelo tarifário em horas de vazio, cheio e ponta) para todos os dias da
semana (ver tabela 10.46)
Tabela 10.46– Custos associados ao consumo de energia (Fonte: EDP, 2008).
Custo variável por ano (Fonte
EDP) (Euros/KWh)
1,019 €
Custo variável médio (EDP)
(Euros/Kwh)
0,076 €
298 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Critérios relacionados com a análise do retorno do investimento
E – Horários de Funcionamento: Os horários de utilização dos elevadores foram analisados por
semana e fins-de-semana, bem como pela afluência de visitantes entre as 9 horas (horário de
abertura) e as 24 horas (horas de fecho). Este valor foi expresso em percentagem (LMSA, 2008)
(ver anexo V).
F – Custos anuais com Manutenção: Os custos de manutenção aplicados pela Empresa Otis são os
mesmos nos dois diferentes casos que serão analisados (Tabela 10.47). Para a Otis, um factor
diferenciador dos custos associados à manutenção está relacionado com o número de pisos do
edifício. Ou seja, mesmo com as vantagens do sistema Gen2Drive, quanto à sua menor utilização
de óleos durante a manutenção e a sua possibilidade de monitorização 24 horas, estes factores não
implicaram uma redução dos seus encargos.
Tabela 10.47 – Custos associados a manutenção por equipamento (Fonte: Otis, 2008).
custo da manutenção completa
(anual) por equipamento.
3.552,00 €
Os custos com manutenção mais adaptados aos tipos de elevadores e às suas eficiências poderiam
trazer maiores vantagens ao sistema Gen2Drive. Assim, além das vantagens energéticas e da
redução dos encargos de manutenção, proporcionaria mais incentivos e um aumento da sua
competitividade no mercado.

Resultados económicos e ambientais obtidos.
Com base nos pressupostos anteriormente indicados, verificaram-se os consumos energéticos e de
manutenção anuais, bem como os seus encargos associados.
Através desta análise, conclui-se que, mesmo sendo responsável por uma parcela reduzida de
consumo, quando comparado com outros sistemas de um Centro Comercial (parcela do consumo
total do DVB: 2% a 4%), o sistema mais sustentável (Gen2Drive) obteve resultados bastante
interessantes, inclusive a redução de emissões por ano de aproximadamente 125TonCO2eq (o
equivalente à emissão produzida por aproximadamente 12 habitantes europeus).
A tabela seguinte (tabela 10.48) resume as diferenças entre os sistemas e apresenta as vantagens
associadas ao sistema mais eficiente, quer ambientais quer económicas.
299 |
Capítulo 10
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
Tabela 10.48- Resultados económicos e ambientais entre sistemas.
Dados Económicos
custo total
custo unitário (100% dos elevadores)
95.500 €
674.800 €
118.171 €
845.640 €
Diferença do Investimento
22.671 €
170.840 €
Encargos anuais (manutenção e consumos) (A)
14.871 €
106.689 €
Encargos anuais (manutenção e consumos) (Gen2Drive Regen) (B)
12.282 €
87.702 €
2.589 €
18.987 €
Investimento inicial - Proposta Base (A)
Investimento inicial - Prop. Sustentável(Gen2Drive Regen) (B)
Ganhos económicos anuais ( Proposta B comparado a proposta Base A)
% de Ganhos economico
17,80%
Retorno do Investimento (anos)
10
25.531,80 €
VAL (valor actual liquido) (15 anos)
TIR (Taxa Interna de Rentabilidade)
Dados Ambientais
Total de energia consumida na proposta base (A) (Kw h/ano)
7%
Consumo
unitário
Total dos elevadores
(100% do DVB)
102.433
751.172
Total de energia consumida na proposta B (Gen2Drive Regen) (KWh/ano)
68.288
500.782
Consumos energéticos evitados (KWH/ano)
34.144
250.391
% de Redução do consumo energético dos elevadores
Tonelada de CO2eq evitados anualmente (TonCO2eq)
33%
17
125
As medidas analisadas neste capítulo referem-se aos critérios que foram seleccionados em função
das suas implicações económicas e ambientais, bem como fossem facilmente quantificáveis a
médio e a longo prazo.
Conforme se verificou nesse capítulo, as medidas referem-se à análise de critérios que contribuem
para o aumento da eficiência de gestão da água e energia, sendo estes responsáveis pelos
principais encargos operacionais.
Neste trabalho, também se verificou que as medidas que necessitaram de um maior esforço
financeiro inicial, foram aquelas que, de algum modo, beneficiaram muito significativamente da
mudança comportamental e de desempenho do edifício, proporcionando assim resultados
económicos e ambientais bastante aliciantes.
300 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Resultados obtidos
CAPÍTULO 11 – RESULTADOS OBTIDOS
11.1 Introdução
Neste capítulo, será apresentada a análise global, definida pelos resultados económicos e
ambientais identificados nas diferentes intervenções propostas (Cenários 1, 2, 3 e 4).
Conforme mencionado, o BREEAM define, na sua análise ambiental, a avaliação de 61 critérios.
Para o aumento da classificação dos diferentes cenários (nomeadamente o cenário 3 e 4) foi
necessário adicionar novos critérios, não verificados nos edifícios de referência (cenário 1), bem
como na proposta base do caso de estudo (cenário 2).
Antes de mais, devem ressalvar-se alguns pressupostos assumidos, para melhor compreensão dos
resultados obtidos:
301 |
Capítulo 11
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento

Total do investimento estimado para o Empreendimento (DVB)47: 137.538.779,00 €;

Investimento previsto para a construção (52,8% do total): 72.627.611,00€;

Emissões de CO2eq dos edifícios de referência (média anual)48: 4908 tonCO2eq/ano;

Consumo de energia eléctrica previsto para o DVB na proposta base: 24.286 MWhe;

Consumo de água previsto para o DVB na proposta base: 73.277m3/ano;
Com base nos Investimentos iniciais, foram definidos os seguintes parâmetros de análise:
Medidas que já são conhecidas como práticas da empresa
ou cumprem a legislação Nacional / europeia
Reduzido investimento ( < 50.000€)
Médio investimento ( entre 50.000 € a 150.000 € )
Elevado investimento ( >150.000 € )
Neste sentido, no diagrama e tabelas a seguir apresentadas, mostram-se os resultados ambientais
e económicos advindos das intervenções realizadas. Ressalva-se que, entre os critérios
adicionados, principalmente no que se refere à mudança do cenário 1 para o cenário 2, foram
definidas algumas medidas sem os encargos associados, devido à própria evolução regulamentar
do País e/ou ao facto de serem medidas posteriormente definidas como práticas da empresa,
conforme anteriormente referido.
A seguir, apresentam-se as alterações de cenário para cenário, além de um resumo das
implicações económicas e ambientais advindas do somatório de todos os critérios adicionados.
Os valores aqui definidos são valores reais, para o caso de estudo em questão, não podendo ser
directamente replicados para outros edifícios. No entanto, deve ter-se atenção ao resultado final,
comparado com o investimento total (expressos em percentagem), bem como as classificações
definidas para reconhecer os critérios com reduzido, médio e elevado investimento.
Conforme referido no capítulo 4, este trabalho revela os impactes directos resultantes dos referidos
critérios, não contabilizando os eventuais efeitos indirectos, tais como o aumento da produtividade e
das vendas, ou a divulgação e o “marketing” associado.
47
Inclui-se na análise os seguintes encargos: 1- Terreno, 2- IMT, notário e registo, 3- Construção, 4- Estudos
e projectos, 5- Fiscalização e coordenação, 6- taxas e Licenças, 7- comercialização , 8 – Marketing e
publicidade, 9- encargos de estrutura, 10- encargos financeiros, 11- imprevistos.
48
Para efeito de comparabilidade com o caso de estudo, considerou-se somente as emissões directas e
indirectas controladas pela empresa (excepto deslocação dos operadores), denominados de scope 1 e 2
conforme o Protocolo do GEE (referido no capítulo2): consumo de energia, de água e produção de resíduos.
Estes valores resultam da contabilização do carbono no ano de 2007, realizado pelo Instituto Superior
Técnico (IST) e que foram solicitados pela Chamartin no âmbito da sua Política de Sustentabilidade.
302 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Resultados obtidos
11.2 Comparação entre cenários estabelecidos.
Implicações económicas e ambientais associadas à passagem do cenário 1 para o cenário 2 (A)
Não se analisaram as implicações económicas e ambientais das medidas que diferenciam os
edifícios de referência do caso de estudo (proposta base), pelo facto das referidas medidas
resultarem de alterações regulamentares ou por serem práticas habituais da empresa,
implementadas durante o desenvolvimento do caso de estudo DVB (ver figura 11.1 e tabela 11.1).
No entanto ressalva-se que no caso do cenário 2, e apesar deste possuir uma classificação "PASS",
conforme referido no capítulo 7, este possui um potencial para obter a classificação "GOOD". Ou
seja, a classificação "GOOD" somente não foi designada devido ao não cumprimento de um critério
obrigatório (critério WAT1). Conforme se poderá verificar a seguir, nas implicações associadas à
passagem do cenário 2 para o cenário 3, o cumprimento deste critério acarretaria um investimento
de aproximadamente € 3.434,07.
80%
70%
60%
“PASS”
50%
“PASS”
40%
30%
51,05%
20%
34,46%
10%
0%
Referência
DVB inicial
n.q – Encargos associados não
considerados.
n.q
Figura 11.1 – Gráfico representativo das diferentes classificações do cenário 1 e 2.
Tabela 11.1 – Resumo dos critérios adicionados no cenário 2 (DVB – proposta base)
Ref.
MEDIDAS ADICIONAIS - Cenário 1 (PASS) para Cenário 2 (PASS com potencial para GOOD)
Economical data
Environmental data
Criteria
Investimento
inicial (€)
Retorno do
investimento
(anos)
VAL (15 anos)
(€)
VAL(20anos)
(€)
TIR 15
(TX Val
5% )
Redução Redução do
TonCO2eq
de energia consumo de
evitados/ano
(MWh)
água (M3)
Man3 Construction site impacts
Health &
wellbeing
Hea 9 Volatid Organic Compounds
Hea
10
Thermal confort
waste
Health &
wellbeing
Management
Related
category
Breeam-Retail
Wst1
Construction site waste
management
Pontuação
Breeam
obtida
2
Todas as medidas não contempladas nos Centros Comerciais (Edifícios de Referência), e que foram adicionadas ao caso
de estudo (Cenário2 - proposta inicial), referem-se às alterações regulamentares no País, ou seja, reflectem a evolução
das iniciativas a nível Europeu. Quanto ao Critério Man3 (monitorização, relatórios e metas relacionadas a energia e a
água) as medida implementada estão em conformidade com os requisitos para a obtenção da Certificação Ambiental
ISO14001 (em obra).
1
1
3
303 |
Capítulo 11
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
Implicações económicas e ambientais associadas à passagem do cenário 2 para o cenário 3 (B)
O resultado dos 11 critérios adicionados na primeira intervenção, conforme se verifica no cenário 3
(Figura 11.2 e tabela 11.2), revela-se bastante positivo, com um investimento adicional de
220.443,38 € (0,30% da parcela do Investimento previsto para a construção do DVB), recuperáveis
numa média de 5 anos. Entre outros aspectos económicos, destacam-se os seguintes:

VAL (analisado em 15 anos): € 356,136,52 euros (bastante superior ao investimento inicial
adicional realizado);

VAL (analisado em 20 anos): € 514.289,26 euros;

TIR: 22%.
Grande parte deste resultado deve-se às medidas introduzidas com o intuito de aumentar a
eficiência da água, que se revelaram bastante acessíveis, do ponto de vista do investimento inicial e
rapidamente recuperáveis (em menos de 1 ano), com excepção do critério Wat4.
Quanto aos impactes ambientais advindos desta medida, enumeram-se as seguintes vantagens:

Emissões de CO2eq: redução de 925,69 tonCO2eq no primeiro ano, devido à substituição
do isolamento “XPS” por painéis de cortiça (critério Mat 6), referindo-se a redução das
emissões durante o processo de produção. Em relação aos anos seguintes, obtém-se uma
redução de 279,09 tonCO2eq (redução de 5,68 % das emissões médias anuais (scope 1 e
2) dos edifícios de referência, a serem compensadas), o equivalente à emissão produzida
por 24 habitantes europeus;

Consumo de energia: redução de 260,4 MWh/ano, o equivalente a 1,07% do consumo
estimado para o DVB (proposta base) e o equivalente ao consumo de energia de 45
habitantes europeus;

Consumo de água: a redução do consumo de água é o mais expressivo de todos os
aspectos ambientais, verificando-se uma redução do consumo em 14.401,7 m3 (19,65% do
volume estimado para o DVB) e o equivalente ao consumo de água de 226 habitantes
europeus.
70%
60%
“Very Good”
“PASS”
50%
40%
30%
60,18%
50,38%
20%
10%
0%
DVB inicial
DVB 1ª intervenção
B
Figura11.2- Gráfico representativo das diferentes classificações dos cenários 2 e 3.
304 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Resultados obtidos
Tabela 11.2 - Resumo das implicações económicas e ambientais dos critérios adicionados ao Cenário 3
MEDIDAS ADICIONAIS - Cenário 2(PASS) para 3 (VERY GOOD) (critérios do Grupo C e D)
Breeam-Retail
Economical data
Environmental data
Redução Redução do
TonCO2eq
de energia consumo de
evitados/ano
(MWh/ano) água (M3)
Conforto ambiental dos
escritórios
3.500,00 €
-
-
-
-
0,280
-
-
3
Elevadores- Soluções para
maior eficiencia energética
170.840,00 €
10,0
25.531,80 €
85.445,95 €
7%
125
250,4
-
2
850,00 €
-
-
-
-
1,66
-
-
1
Related
category
Pontuação
Breeam
obtida
Health &
wellbeing
TIR 15
(TX Val
5% )
Hea1
4
Energy
VAL(20anos)
(€)
Ene8
Transport
VAL (15 anos)
(€)
Tra3 Infraestruturas para bicicletas
Transport
Retorno do
investimento
(anos)
Tra4
Previsão de calçadas para
pedestres e ciclovia
0,00 €
-
-
-
-
n.q.
-
-
2
Transport
Investimento
inicial (€)
Tra7
Espaços de informações
sobre transporte públicos
0,00 €
-
-
-
-
n.q.
-
-
1
Water
Criteria
Ref.
Wat1
3.434,97 €
<1 ano
156.213,60 €
196.588,73 €
400%
43
-
5.291,0
1
6.327,41 €
<1ano
213.594,58 €
269.293,13 €
299%
56
-
6.817,0
1
-
2.010,0
1
283,68
1
-
1
1
Medidas para redução do
consumo de água:
1- Sanitas com duplo fluxo
Water
Wat1
Water
Wat3
Sistemas de detecção de
fuga de água
3.500,00 €
-
-
-
-
17,00
Water
Wat4
Sistema de corte de água
5.400,00 €
9,0
2.118,31 €
4.283,22 €
10%
2,33
Materials
Mat6
Utilização de isolamentos
com menor impacte
ambiental
33.491,00 €
waste
Medidas para redução do
consumo de água:
2- Urinóis sem água
Wst5
Compostagem
-6.900,00 €
-
-
-
-
220.443,38 €
5 anos
356.136,52 €
514.289,26 €
22%
Investimentos adicionais associados Cenário 2(PASS) para 3(Very good)
-
-
-
646,6
(1ºano)
-
4,82
10,0
29,00
-
-
260,4
14.401,7
-
925,69
(1ºano)
279,09
Implicações económicas e ambientais associadas à passagem do cenário 3 para o cenário 4 (C)
O resultado dos 4 critérios adicionados na segunda intervenção, conforme se verifica no cenário 4
(Figura 11.3 e tabela 11.3), revela-se bastante positivo. Apesar de um investimento adicional de
5.305.647,19 € (7,31% da parcela do investimento estimado para a construção DVB), a média do
período de retorno do investimento foi de apenas 5 anos. Entre outros aspectos económicos,
destacam-se:
305 |
Capítulo 11
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento

VAL (analisado em 15 anos): € 8.885.106,07 euros (bastante superior ao investimento
inicial (adicional) realizado);

VAL (analisado em 20 anos): € 12.860.439,32 euros;

TIR: 23%.
Como se concretizam em medidas com elevado investimento inicial, estes critérios apenas foram
inseridos numa segunda intervenção. No entanto, conforme se verificou, os resultados foram
bastante satisfatórios, obtendo-se mesmo os melhores resultados no âmbito ambiental, sobretudo
devido à aplicação do critério Ene 5 (relativo à proposta da Cogeração) e Wat 5 (relativo ao
aproveitamento da água da chuva).
Conforme se verificará na tabela 11.3, e conforme relatado no capítulo 10, ao definir o
reaproveitamento da água da chuva, foi necessário reajustar os resultados relativos ao critério Wat
1, que estipula acções para aumentar a eficiência dos equipamentos sanitários nos Centros
Comerciais. Considerando o aproveitamento da água da chuva para o abastecimento de sanitas e
urinóis, passou-se a considerar somente os encargos relacionados com as taxas municipais
direccionadas para o tratamento de águas residuais. Como poderá observar na tabela abaixo, os
resultados financeiros relacionados com o critério Wat 1, continuam a ser aliciantes, apesar de uma
redução de ganhos económicos.
Quanto aos impactes ambientais advindos desta medida, enumeram-se as seguintes vantagens:

Emissões de CO2eq: redução de 4.148 tonCO2eq (84,52 % das emissões médias anuais
(scope 1 e 2) dos edifícios de referência, a serem compensadas), o equivalente à emissão
produzidas por 406 habitantes europeus;

Consumo de energia: redução de 11.348,00 MWh/ano, o equivalente a 46,73% do
consumo estimado para o DVB e o equivalente ao consumo de energia de 1988 habitantes
europeus.

Consumo de água: redução do consumo em 28.295 m3 (38,61% do volume estimado para o
DVB) e o equivalente ao consumo de água de 424 habitantes europeus.
306 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Resultados obtidos
“Excellent”
80%
70%
“Very Good”
60%
50%
40%
70,66%
30%
60,18%
20%
10%
0%
DVB 1ª intervenção
DVB 2ª intervenção
C
Figura11.3- Gráfico representativo das diferentes classificações do cenário 3 e 4.
Tabela 11.3 - Resumo das implicações económicas e ambientais dos critérios adicionados ao Cenário 4
MEDIDAS ADICIONAIS - Cenário 3 (VERY GOOD) para 4 (EXCELLENT) (Critérios do Grupo D)
Economical data
Breeam-Retail
Environmental data
TIR 15
Redução Redução do
TonCO2eq
(TX Val
de energia consumo de
evitados /ano
5% )
(MWh)
água (M3)
-
-
-
-
-
-
10
5,0
6.318.932,12 €
9.041.251,37 €
24%
4.136
11.348
-
3
Related
category
-
Energy
-
Energy
Emissões de CO2
Ene1
Ene5
Energy
Pontuação
Breeam
obtida
Ene7
Armazenamento de frio
1.785.304,00 €
6,0
2.138.649,93 €
3.251.305,04 €
18%
0
0,00
-
1
water
Investimento
inicial (€)
Ref.
Wat5
Aproveitamento da água da
chuva(inclui rega)
108.235,45 €
2,0
427.524,02 €
567.882,91 €
43%
12
-
28.295,0
2
water
Criteria
Retorno do
investimento
(anos)
Wat1
Medidas para redução do
consumo de água (1+2)
conjugadas com Wat5
9.762,38 €
1,0
116.783,96 €
149.141,69 €
112%
94
-
12.107,6
2
23%
4.148,00
11.348,00
28.295,0
Tecnologias de baixa ou
3.412.107,74 €
zero emissões (Cogeração)
Investimento adicional associados- Cenário
5.305.647,19 €
3 (very good) para 4(Excellent)
5,0
VAL (15 anos)
(€)
VAL(20anos)
(€)
8.885.106,07 € 12.860.439,32 €
Implicações económicas e ambientais associadas à passagem do cenário 2 para o cenário 4 (B+C)
O resultado total advindo da soma da 1ª e 2ª intervenção (Figura 11.4), conforme se verifica na
tabela 11.4, revela as implicações de transformar um empreendimento “PASS” em “Excellent”,
conforme os critérios estabelecidos pelo BREEAM. Apesar de um elevado investimento, de
aproximadamente 5.526.090,57 € (7,61% da parcela do investimento estimado para a construção
DVB, e de 4% referente ao Investimento total do DVB), estes valores mostraram-se recuperáveis
numa média de 5 anos. Entre outros aspectos económicos, destacam-se os seguintes:

VAL (analisado em 15 anos): € 8.988.218,57 euros (bastante superior ao investimento
inicial – adicional - realizado)

VAL (analisado em 20 anos): € 13.057.988,42 euros.
307 |
Capítulo 11
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
TIR: 22%

Quanto aos impactes ambientais advindos desta medida, enumeram-se as seguintes vantagens:
Emissões de CO2eq: redução de 5073,69 tonCO2eq no primeiro ano e 4.427,09

tonCO2eq, nos restantes anos (90,2% das emissões médias anuais - scope 1 e 2 - dos
edifícios de referência, a serem compensadas), o equivalente à emissão de 434 habitantes
europeus;
Consumo de energia: redução de 11.608,39 MWh/ano, o equivalente a 47,8% do consumo

do DVB e o equivalente ao consumo de energia de 2034 habitantes europeus;
Consumo de água: redução do consumo em 42.696,7 m3 (58,27% do volume estimado para

o DVB) e o equivalente ao consumo de água de 639 habitantes europeus.
“Excellent”
80%
70%
“Very Good”
60%
“PASS”
50%
40%
70,66%
30%
60,18%
50,38%
20%
10%
0%
DVB inicial
DVB 1ª intervenção
DVB 2ª intervenção
B+C
Quais as implicações (económicos e
ambientais) associadas?
Figura11.4 - Gráfico representativo das diferentes classificações do cenário 2 para 4.
Tabela 11.4 - Resumo das implicações económicas e ambientais dos critérios adicionados ao Cenário 4
MEDIDAS ADICIONAIS - Cenário 2 (PASS) para 4 (EXCELLENT) (Critérios do Grupo C e D)
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Breeam-Retail
Ref.
Criteria
Economical data
Investimento
inicial (€)
Investimento adicional associados- Cenário
5.526.090,57 €
2 (PASS) para 4(Excellent)
Retorno do
investimento
(anos)
5,0
VAL (15 anos)
(€)
Environmental data
VAL(20anos)
(€)
8.988.218,37 € 13.057.988,42 €
TIR 15
Redução Redução do
TonCO2eq
(TX Val
de energia consumo de
5% ) evitados /ano (MWh)
água (M3)
22%
5.073,69
11.608,39
Pontuação
Breeam
obtida
42.696,7
4.427,09
No estudo realizado, concluiu-se que foi possível obter uma classificação mais ambiciosa (passar de
“PASS“ para “Excellent”) com investimentos económicos pouco relevantes (para o tipo de
empreendimento) e vantagens ambientais muito significativas. No caso concreto do Centro
Comercial Dolce Vita Braga, um investimento adicional de 7,61% sobre a parcela do custo
inicialmente previsto para a construção, permitiria obter uma classificação de “Excellent”. Este valor
308 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Resultados obtidos
apresentou-se rapidamente recuperável e com um VAL a 15 anos gerado no montante aproximado
de duas vezes superior ao valor investido. Quanto aos resultados ambientais, as reduções foram
bastante plausíveis, tendo em conta que os consumos evitados poderiam suprir as necessidades de
consumo de um número muito significativo de habitantes europeus.
Em suma, este capítulo apresenta o resultado global de aplicação das catorze medidas aplicadas
nos dois diferentes cenários de intervenção. Importa ressalvar ainda neste capítulo, uma reflexão
dos principais aspectos observados nesta aplicação prática dos critérios BREEAM a um caso de
estudo real, considerando todas as limitações temporais e financeiras a que este esteve
constantemente submetido. Destacam-se assim os principais aspectos observados e consequentes
recomendações:

Implementação da sustentabilidade: A fase de decisão para a implementação da
sustentabilidade num determinado empreendimento, é um dos factores fundamentais para o
sucesso do mesmo. Ou seja, quanto mais atempadamente sejam introduzidas as medidas
de boas práticas, menores serão os investimentos, bem como igualmente menores as
dificuldades técnicas e construtivas no local. Como exemplo disso, basta relembrar que a
proposta inicial deste trabalho passava por analisar um caso de estudo em fase de
construção, praticamente em conclusão (refere-se ao Dolce Vita Tejo). Ou seja, neste caso
do DVT, grande parte dos sistemas e produtos já haviam sido adjudicados, dificultando
assim, de forma muito significativa, o poder de negociação com os fornecedores, e além
disso, ressalvando-se o reduzido prazo de finalização da obra, que necessariamente
dificultaria as intervenções a posteriori do projecto.
Assim optou-se por analisar o DVB, um caso de estudo em transição da fase de projecto
para a fase de construção, obtendo-se assim uma maior capacidade de intervenção. É
coerente afirmar que a intervenção em fase de concepção/projecto seria a situação ideal.
Ou seja, nesta fase poderiam ainda ser definidos Termos de Referência a considerar
durante o concurso de especialidades de projecto e empreitada, concretizando-se assim um
comprometimento com o cumprimento de medidas, sem que isto implicasse eventuais
custos adicionais de adaptação.
Recorda-se, conforme descrito no capítulo 5, que aproximadamente 60% das medidas
consideradas sustentáveis são aplicáveis em fase de projecto. De acordo com os catorze
critérios BREEAM seleccionados, a sua não aplicação em fase de projecto (e inicio da obra)
inviabilizaria, em alguns dos casos, a respectiva implementação (como é o caso dos
critérios: Mat 6, Tra 3 e Wat 5), bem como duplicaria os encargos para a substituição
309 |
Capítulo 11
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
(conforme os critérios Ene8, Wat 1 a 4) ou mesmo a instalação (como é o caso dos critérios
Wst 5, Ene5, Ene7).

Através do trabalho de identificação de impactes e actuação estratégica, procurou-se
analisar os critérios do BREEAM com requisitos bastante formatados, e assim definidos por
acções específicas a cumprir. Esta situação difere, em grande parte, de outras ferramentas
de sustentabilidade que se definem por objectivos de redução, mas não por acções
específicas a cumprir. Este factor, por um lado, limitou a capacidade de actuação no DVB.
Possivelmente, se não fosse este o objectivo desta tese, poderiam ser identificados
particularidades do edifício e impactes que pudessem ser atenuados ou reduzidos com
outras medidas específicas e mais estratégicas, e assim, podendo obter-se resultados
ainda mais satisfatórios. De qualquer modo, ressalva-se que os critérios do BREEAM,
relacionadas com a eficiência da água, foram bastante adequados ao caso de estudo. Isto
deve-se aos reduzidos investimentos adicionais associados, quando comparados com os
encargos mensais resultante das elevadas taxas de serviços municipalizados cobrados
para o abastecimento e tratamento da água pública. Quantos às medidas relacionados com
a gestão de energia, os resultados mais expressivos foram associados aos critérios Ene 5 e
Ene7, e assim aplicados na segunda intervenção. Isso deveu-se ao facto destas medidas
actuarem no sentido da redução do principal consumidor previsto no DVB, ou seja, a
climatização (representando aproximadamente 60% do consumo energético previsto).
Paralelamente, observa-se que apesar de um investimento bastante inferior, o critério Ene
8, relacionado com a eficiência dos elevadores, teve um resultado financeiro menos
expressivo, devido ao facto de este estar associado a um consumo menos relevante
(responsável por menos de 3% do consumo estimado). Neste caso, concluiu-se que para
obter melhores resultados de eficiência ambiental e financeira, vale mais realizar um prédiagnóstico, identificar os principais impactes, para a seguir definir as principais
intervenções.

Análise a médio prazo: qualquer investimento deve ser analisado durante um período
aceitável, regra comum utilizada para avaliar a rentabilidade de diferentes bens de
consumo. Infelizmente, o sector da construção, ainda se define na sua maioria como uma
excepção. Ou seja, muitos serviços /produtos da construção são avaliados e adjudicados
em função do investimento inicial proposto, não considerando uma análise a médio /longo
prazo. Através do cálculo do VAL, calculado em 15 anos (período definido para o
financiamento bancário do DVB), este trabalho procurou provar a rentabilidade e ganhos
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Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Resultados obtidos
financeiros de critérios sustentáveis. Ou seja, apesar de na maioria dos casos analisados,
estes terem tido um custo adicional comparado com uma situação convencional, os
benefícios advindos com a redução do consumo e manutenção, foram recuperados em
média em 5 anos.
É importante num processo de decisão ponderar e comparar, sempre que possível, as diferentes
soluções e definir indicadores de análise para além do custo inicial. Deve-se considerar de igual
modo a durabilidade, a manutenção, e a redução de consumos e outros benefícios humanos,
ambientais e económicos.
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Capítulo 11
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Tese de Doutoramento
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Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Considerações finais
CAPÍTULO 12 - CONSIDERAÇÕES FINAIS
12.1 Conclusão
O presente trabalho teve a finalidade de incentivar a prática da sustentabilidade no mercado
imobiliário através de dois objectivos fundamentais. O primeiro objectivo refere-se à criação de
mecanismos para a comunicação de critérios chaves de sustentabilidade aplicáveis em diferentes
perspectivas e nas diferentes fases do edifício. O segundo e principal objectivo, pretendeu, através
da apresentação de resultados efectivos, demonstrar as implicações ambientais e económicas
associadas aos critérios de sustentabilidade adaptados à realidade Portuguesa, neste caso,
aplicáveis a um empreendimento comercial localizado em Braga no norte de Portugal.
A metodologia utilizada para o cumprimento do primeiro objectivo baseou-se no levantamento de
medidas sustentáveis referidas em diversos manuais e ferramentas voluntárias de sustentabilidade
313 |
Capítulo 12
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
desenvolvidos em diferentes países e que entretanto fossem adaptáveis à realidade portuguesa. O
trabalho de recolha e organização de critérios por diferentes perspectivas deu origem à ferramenta
informática, Gestão do Projecto Sustentável (GPS), de utilização restrita da empresa cofinanciadora desta investigação. Esta ferramenta tornou-se num importante elemento de
comunicação junto de todos "stakeholders" da empresa, identificando através de cada uma das
especialidades de projecto, as medidas sustentáveis a cumprir nas diferentes fases de
desenvolvimento do empreendimento.
Quanto ao segundo e principal objectivo desta tese, o método de trabalho utilizado, baseou-se na
aplicação do Método de Avaliação da sustentabilidade BREEAM em um dos empreendimentos
comerciais da empresa Chamartin Imobiliária, o Dolce Vita Braga (DVB), actualmente em fase de
construção. Neste contexto, a análise consistiu na definição de quatro cenários de actuação com
diferentes níveis de sustentabilidade (evidenciados através da classificação definida pelo BREEAM),
onde foram verificadas as implicações económicas e ambientais associadas, bem como
comparadas entre si.
Além da definição dos diferentes cenários estabelecidos, destaca-se que os critérios BREEAM
utilizados foram primeiramente identificados através de quatro diferentes grupos de análise. Esta
segmentação teve como objectivo identificar os critérios facilmente adaptáveis e não adaptáveis à
realidade portuguesa, assim como identificar aqueles que exigiriam um investimento adicional ao
serem implementados no projecto.
Em relação à escolha da Ferramenta BREEAM, esta deveu-se à sua maior notoriedade no mercado
internacional, assim como ter sido a ferramenta escolhida pelos membros do International Council of
Shopping Center (ICSC) para avaliar e comparar níveis de sustentabilidade entre diferentes centros
comerciais europeus.
Para a quantificação dos resultados, teve-se em consideração diversos indicadores ambientais e
económicos. Para a definição dos indicadores ambientais, a informação relativa ao consumo de
água e energia foram obtidos através do desempenho ambiental reportados mensalmente pela
empresa referenciada neste estudo. Quanto às informações de custos de serviço e manutenção,
bem como fontes de emissões de GEE, utilizaram-se referências nacionais, obtidas através de
entidades oficiais, quer por consultas online ou através de Relatórios de Sustentabilidade. De forma
a obter melhor percepção da redução dos impactes associados aos diferentes cenários
estabelecidos, os resultados obtidos foram comparados com um valor médio de consumo por
habitante europeu obtidos através fontes internacionais de referência.
314 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Considerações finais
Em suma, no que se refere aos resultados económicos obtidos, verificou-se que até um
determinado nível de sustentabilidade, são relativamente reduzidos os esforços financeiros
necessários para um centro comercial alcançar uma classificação "Very good". Tal situação deveuse ao facto dos critérios seleccionados terem um investimento inicial reduzido com benefícios
bastante satisfatórios em termos económicos e ambientais, como é o caso dos critérios referentes à
eficiência do consumo de água. O referido efeito positivo em termos de investimento inicial reduzido,
igualmente resulta de medidas que foram previamente implementadas no projecto desde a fase de
Concepção e Planeamento, não acarretando assim quaisquer custos adicionais. Como exemplo,
refiram-se os critérios relacionados com a construção de infra-estruturas locais e de estrutura de
edifícios, em que estas são planeadas com pequenas alterações críticas sem impacto económico, e
que visam os objectivos de sustentabilidade.
Nos casos em que se verifica um aumento da classificação final de "PASS"/ "Very Good" para
"Excellent", observou-se um maior esforço financeiro caracterizado por um investimento inicial de
aproximadamente mais de 7% sobre o investimento inicial da construção de todo o empreendimento
previsto para o DVB (proposta inicial). Este incremento de custo deveu-se principalmente ao critério
relacionado com a produção de energia no local e outras soluções que gerariam uma maior
autonomia de recursos energéticos e hídricos do empreendimento. Apesar dos referidos encargos
adicionais de maior impacte, os resultados económicos esperados demonstraram ser bastante
positivos, tendo em conta o reduzido retorno do investimento (uma média de cinco anos) e um
ganho económico calculado em quinze anos (Valor actual líquido - VAL) de aproximadamente duas
vezes superior ao investimento adicional realizado, o que se considera como muito aliciante tendo
em conta que se verifica um mesmo período de 15 anos para a amortização do financiamento
bancário estabelecido entre a entidade bancária e a empresa proprietária do empreendimento.
Ressalva-se que os resultados económicos apresentados, foram considerados e contabilizados com
base nos impactes económicos directos (mensurabilidade directa) resultantes da análise custobenefício das diferentes medidas analisadas. Neste caso, é importante referir que resultam das
referidas medidas determinados benefícios não reportados neste trabalho e de mensurabilidade
mais complexa. A análise desses benefícios não é objectivo desta investigação, no entanto refira-se
que os mesmos assentam em factores de diferenciação no mercado de oferta imobiliária, e
igualmente potenciando o aumento de valor económico em outro tipo de operações. Entre os
potenciais factores destacam-se o aumento do bem-estar e segurança dos visitantes e
trabalhadores dos centros comerciais, um contributo para a disseminação de novas tecnologias e
materiais de construção mais sustentáveis, a melhoria da imagem da empresa, e principalmente a
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Capítulo 12
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
valorização do imóvel quer em transacções de arrendamento quer de venda. Refira-se que em
determinados mercados, como seja nos Estados Unidos, e progressivamente na Inglaterra, têm
vindo a ser desenvolvidos estudos que comprovam a valorização de imóveis certificados como
sustentáveis em relação a edifícios não certificados (conforme referido no capítulo 2, secção 2.3).
Tal como referido anteriormente, este tema não está incluído nesta investigação, pois ainda se
considera uma necessidade relativamente longínqua na óptica evolutiva do mercado Português,
embora expectável que se venha alterar no médio prazo. Assim foi considerado substancial neste
estudo a identificação do valor económico directo na óptica análise de investimento clássica, ou
seja, fundamental para determinados stakeholders, como sejam os Investidores de capital e as
Instituições Financeiras.
Referente aos resultados ambientais, as repercussões associadas aos diferentes critérios
analisados foram bastante positivos, sendo alguns mais expressivos do que outros, ou seja, no que
se refere à redução do consumo de recursos e de emissões de GEE evitadas. No entanto, o que é
importante acrescentar, é o impacte positivo que um empreendimento pode determinar ao
implementar medidas sustentáveis durante o seu desenvolvimento. Por um lado medido em termos
de escala da própria empresa, ou seja, compensando impactes negativos e emissões de GEE em
outros empreendimentos em gestão, assim como dos próprios colaboradores, e por outro lado em
termos de escala europeia, ou seja, minimizando a utilização de recursos e evitando emissões
equivalentes em relação a um significativo número de habitantes europeus. De forma concreta, ao
aumentar a classificação de "PASS" para "Excellent", verificou-se nesta investigação que as
medidas implementadas no centro comercial em estudo poderiam compensar até 90,4% das
emissões médias anuais 49 produzidas em 2007, e no conjunto de três centros comerciais em
gestão da empresa estudada. Também, e numa perspectiva mais abrangente em termos de
habitantes europeus, estas mesmas acções poderiam suprir as necessidades anuais de consumo
de energia equivalentes a mais de dois mil habitantes, em termos de consumo de água equivalente
a mais de seiscentos habitantes, e por fim em termos de emissões de CO2eq evitadas, o equivalente
a aproximadamente quatrocentos habitantes, demonstrando-se assim uma significativa
responsabilidade social e ambiental, para além das evidentes vantagens económicas deste tipo de
investimentos.
49
emissões médias anuais - conforme referido no capítulo 11, as emissões contabilizadas neste estudo estão
relacionadas com o consumo de energia, de água e produção de resíduos.
316 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
Considerações finais
12.2 Perspectiva Futura
Conforme teve-se a oportunidade de verificar no primeiro capítulo, o objectivo principal deste
trabalho foi orientar e incentivar a disseminação de práticas sustentáveis, demonstrando as suas
possíveis implicações ambientais e económicas aplicadas a um caso de estudo em fase de projecto.
Como era de se esperar, este trabalho não esgota este tema, pelo contrário, inicia-se aqui um
primeiro passo de muitos ainda necessários. O desafio futuro começa com a necessidade de um
maior número de exemplos nacionais de empreendimentos reconhecidos como sustentáveis e que
possam ser comparados com edifícios onde foram empregues soluções e técnicas convencionais. A
análise comparativa em fase de projecto, efectuada nesta investigação, veio demonstrar os
resultados associados à sustentabilidade no edificado aplicado em um caso específico, neste
sentido, quanto maior o número de amostras realizados a partir daqui, mais credíveis tornar-se-ão
os resultados quantitativos obtidos neste trabalho, que actualmente foram comparados somente a
estudos internacionais.
Além da comparação efectiva entre um maior número de amostras (edifícios certificados e não
certificados), ver-se como um desafio a partir daqui, para além da análise das possíveis implicações
ambientais e económicas ( incluindo valorização do imóvel no mercado Português), a análise
aprofundada do pós-ocupação. A análise pós-ocupação tem um papel fundamental para a
disseminação da sustentabilidade, pois somente durante a fase de utilização que será possível
verificar a fiabilidade dos dados estimados durante o período analisado neste estudo (15 a 20 anos)
e de futuros trabalhos. A análise pós-ocupação deverá ter em consideração dois aspectos
fundamentais, o primeiro refere-se a confirmação efectiva dos resultados ambientais e económicos
estimados em fase de projecto e o segundo refere-se ao aspecto comportamental dos futuros
ocupantes. Para tal , prevê-se que deverão monitorar periodicamente o desempenho ambiental e
económico, incluindo consumos e manutenção bem como, deverão ser efectuados inquéritos aos
utilizadores no intuito de verificar positivas alterações comportamentais e satisfação quanto ao
imóvel adquirido. Um bom mecanismo para tornar este desafio viável, seria através das próprias
entidades certificadoras de ferramentas de sustentabilidade (BREEAM, LEED, LIDERA , SBTool PT,
entre outras), ao definirem condicionantes para obtenção da certificação em fase de projecto, tais
como o compromisso do promotor /contratante em efectuarem auditorias periódicas em fase de
utilização. Através destas auditorias, onde seriam comprovados os efectivo benefícios comparados
aos valores previstos em projecto, depender-se-ia a manutenção ou não da certificação. Ou seja, o
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Capítulo 12
Universidade do Minho - Departamento de Engenharia Civil
Tese de Doutoramento
empreendimento certificado, que durante a fase de utilização não venha se diferenciar de um
edifício com soluções convencionais, não deveria manter o "estatuto" como sustentável.
Neste contexto, a entidade certificadora, além de detentora de uma completa base de dados que
daqui poderia surgir, esta condicionante garantiriam os reais contributos do seu método de
avaliação.
Assim, em resumo e de forma a finalizar este trabalho, propõe-se os seguintes desafios futuros:

A existência de mais estudos que tenham como objectivo comprovar a viabilidade
económica e ambiental de critérios de sustentabilidade em Portugal;

Promover a monitorização de edifícios certificados em fase de utilização a fim de comprovar
os benefícios previstos em projecto;

Realizar inquéritos para verificar a real satisfação de utilizadores de edifícios reconhecidos
como sustentáveis.
318 |
Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
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Bre (2008). BRE Environmental & Sustainability Standard - Breeam Retail 2008 Assessor
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Metodologia de aplicação de conceitos de sustentabilidade a Edifícios
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327 |
Anexo I
BREEAM aplicado aos diferentes cenários de estudo
AI-I
CRITÉRIOS Breeam para Centros Comerciais (versão Britância)
12%
Man1
Man2
Man3
Man4
Man8
15%
Hea1
Hea2
Hea3
Hea4
Hea5
Hea6
Hea7
Hea8
Hea9
Hea10
Hea11
Hea12
Hea13
HEa14
19%
Ene1
Ene2
Ene3
Ene4
Ene5
Ene6
Ene7
Ene8
Ene9
8%
Tra1
Tra2
Tra3
Tra4
Tra5
Tra7
Tra8
6%
Wat1
Wat2
Wat3
Wat4
Wat5
Wat6
Wat7
12,5%
Mat1
Mat2
Mat3
Mat4
Mat5
Mat6
Mat7
7,50%
Wst1
Wst2
Wst3
Wst4
Wst5
Legenda
Management section credits
Commissioning
Considerate constructors
Construction Site impacts
Building user guide
Security
Health & wellbeing section credits
Daylighting
View out
Glare control
High frequency lighting
Internal and external lighting level
Lighting zones & control
Potencial for natural ventilation
Indoor Air Quality
Volatile Organic Compounds
Thermal confort
Thermal zoning
Microbial contamination
Acoustic performance
Office space
Energy section credits
Reduction of CO2 Emissions
Sub-metering of substantial Energy uses
Sub-metering of high energy load and tenancy area
External lighting
Low or zero carbon technologies
Building fabric performance & avoidance of air infiltration
Cold food storage
Lifts
Escalators & travelling walkways
Transport section credits
Provision of public transport
Proximity to amenities
Cyclist Facilities
Pedestrian and cycle safety
Travel plan
Travel information space
Deliveries and manoeuvring
Water section credits
water consuption
Water meters
Major leak detection
Sanitary supply shut off
water recycing
Irrigation system
vehicle wash
Materials section credits
Materials Specification - Major building elements
Hard landscaping and boundary protection
Re-use of building façade
Re-use of building struture
Responsable sourcing of materials
Insulation
Designing for robustness
Waste section credits
Construction site waste management
Recycle aggregates
Recyclable waste Storage
Compactor/ baler
Composting
Peso das diferentes categorias
Critérios Obrigatórios
Critérios não contemplados no caso de estudo devido a
n.d
inexistência de escritórios >500m2 e espaços para
lavagem de carros
Informação não disponibilizada
Pontuação
Máxima
Cenário 1
Cenário 2
Cenário 3
Cenário 4
1
4,80%
2
1
0
1
0
6,67%
0
7,20%
2
1
2
1
0
13,33%
0
7,20%
2
1
2
1
0
14,33%
0
7,20%
2
1
2
1
0
13,33%
0
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
0
n.d
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
2+1
n.d
2,71%
n.d
0
1
n.d
0
1
n.d
1
1
3,69%
2
1
0
1
1
0
1
1,33%
0
1
0
0
0
1
2
5,43%
2
1
1
1
0
1
0
1
1
3,69%
2
1
0
1
1
0
1
1,33%
0
1
0
0
0
1
2
6,11%
2
1
1
1
0
1
0
2
1
6,15%
2
1
2
2
1
1
1
4,00%
2
1
1
1
0
1
2
14,25%
10
1
1
1
3
1
1
2
1
6,15%
2
1
2
2
1
1
1
5,33%
2
1
1
1
2
1
0,96%
n.d
n.d
0
0
0
0
1
2,14%
0
0
1
1
0
2,88%
4,81%
1
1
1
1
0
0
0
0
0
0
0
2
1
1
5,36%
6,43%
3
3
0
0
1
1
1
1
0
1
CLASSIFICAÇÂO
≥ 30
PASS
≥ 45
GOOD
≥ 55
VERY GOOD
≥ 70
EXCELLENT
≥ 85
OUTSTANDING
2
2
4
1
1
15
1
1
1
3
1
3
2
1
5
1
2
2
1
1
1
3
1
1
1
2
1
4
1
1
1
3
2
1
3
1
1
1
1
4,81%
1
1
0
0
0
2
1
6,43%
3
0
1
1
1
AI-II
CRITÉRIOS Breeam para Centros Comerciais (versão Britância)
10%
LE1
LE2
LE3
LE4
LE5
LE6
10%
Pol1
Pol2
Pol3
Pol4
Pol5
Pol6
Pol7
Pol8
10%
Man2
Hea1
Hea14
Ene1
Ene5
Wat 2
Mat 1
Mat 5
Wst1
Land User & ecology section credits
Reuse of land
Contaminated land
Ecological value of site and Protection of ecological features
Mitigating ecological impacts
Enhancing site ecology
Long term impact on biodiversity
Pollution section credits
Refrigerant GWP- Building services
Preventing refrigerant leaks
Refrigerant GWP- cold storage
NOx emissions from heating source
Flood risk
Minimising watercouse pollution
Reduction of night time light pollution
Noise attenuation
Innovation section credits
Considerate constructors
Daylighting
Office space ( BREEAM retail & Industry schemes only)
Reduction of CO2 Emissions
Low or zero carbon technologies
Water meters
Materials Specification
Responsable sourcing of materials
Construction site waste management
Legenda
Peso das diferentes categorias
Critérios Obrigatórios
Critérios não contemplados no caso de estudo devido a
n.d
inexistência de escritórios >500m2 e espaços para
lavagem de carros
Informação não disponibilizada
Pontuação
Máxima
1
1
1
3
2
2
1
2
1
3
3
1
1
1
1
1
1
2
1
1
1
1
1
Cenário 1
Cenário 2
Cenário 3
Cenário 4
>5%
1
0
1
n.d
n.d.
n.d
6,15%
0
1
0
3
2
1
0
1
0,00%
0
0
0
0
0
0
0
0
0
34,46%
5%
0
0
0
2
2
1
6,15%
0
1
0
3
2
1
0
1
0,00%
0
0
0
0
0
0
0
0
0
50,38%
5%
0
0
0
2
2
1
6,15%
0
1
0
3
2
1
0
1
1,00%
0
0
1
0
0
0
0
0
0
60,18%
5%
0
0
0
2
2
1
6,15%
0
1
0
3
2
1
0
1
2,00%
0
0
1
0
1
0
0
0
0
70,66%
PASS
PASS
VERY GOOD
EXCELLENT
CLASSIFICAÇÂO
≥ 30
PASS
≥ 45
GOOD
≥ 55
VERY GOOD
≥ 70
EXCELLENT
≥ 85
OUTSTANDING
AI-III
Anexo II
Guião para a construção sustentável (resumo - excel).
(Os textos identificados por "Leitura Complementar" encontram-se disponíveis para consulta
somente para a empresa co-financiadora deste trabalho)
AII-I
GUIÃO PARA A CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL
1- Breve resumo do “GUIÃO PARA A CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL”- 1ª parte para a
preparação do GPS (Gestão do Projecto Sustentável)
O “GUIÃO PARA A CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL” é constituído por medidas para a sustentabilidade identificadas em cinco diferentes categorias, e o seu
objectivo é facilitar a disseminação de medidas de sustentabilidades aplicada nas diferentes fases do projecto
Identificação das categorias e dos seus respectivos indicadores, encontrados no Guião:
CATEGORIA
INDICADORES DAS CATEGORIAS
Localização e Planeamento
(categoria 1- C1)
(C1) 1 Critério de Selecção
(C1) 2 Integração do Projecto
(C1) 3 Contribuição para o desenvolvimento
local
(C2) 1- Controlo de recursos
(C2) 2- Controlo do Consumo
(C2) 3- Aproveitamento das condições locais
(C3) 1- Controlo de recursos
(C3) 2- Controlo do Consumo
(C3) 3- Aproveitamento das condições locais
(C3) 4- Prevenção e Recuperação do impacto
ambiental ocasionado
(C4) 1- Controlo de recursos
(C4) 2- Controlo do Consumo/ impactes
(C4) 3- Aproveitamento das condições locais
(C4)4- Uso de materiais reciclados e
renováveis
(C5) 1- Qualidade do Ar Interior
(C5) 2- Conforto Acústico
(C5) 3- Iluminação/ Qualidade Visual
(C5) 4- Conforto Térmico
Gestão de Energia
(categoria 2 – C2)
Gestão da Água
(categoria 3- C3)
Gestão
dos
Materiais,
Recursos e Resíduos.
(categoria 4- C4)
Qualidade
do
Interior
(Categoria 5 – C5)
Ambiente
Possíveis
Acções
Possíveis
Acções
Possíveis
Acções
Possíveis
Acções
Possíveis
Acções
2- Metodologia do trabalho a ser realizado
O presente trabalho, “Guião para a construção sustentável “ em formato Excel, tem por objectivo avaliar de forma individual, cada projecto nas suas diferentes fases
(identificadas em diferentes folhas de cálculo). Desta forma, no intuito de facilitar o seu preenchimento e de obter mais informações dos projectistas, o trabalho
adaptado para o formato de Excel, tornar-se-á mais evidente, tanto para os intervenientes do projecto como para o desenvolvimento da investigação, realizada pela
empresa Chamartin Imobiliária. Através deste check-list, será possível a identificação da situação actual do edifício analisado, o que poderia ser implementado, o
que não se aplica, e analises anteriormente levantadas e identificadas.
Desta forma este trabalho será identificado no seguinte formato:
Nomenclatura utilizada:
S - sim
N - não
NA- não aplicável à tipologia do projecto
TI- Tecnicamente inviável
EI- Economicamente inviável
PV- Ponderar viabilidade
obs- observação à complementar
GUIÃO PARA A CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL
Projecto analisado:
Responsável pela análise:
A - PLANEAMENTO E ANTEPROJECTO
Categoria 1- Localização e Planeamento
1.1
(C1) 1- Critério de selecção
S
Conhecer as áreas próprias para habitação de acordo com o PDM – Plano Director Municipal de
cada região, e encorajar a selecção de terrenos com baixo valor agrícola e ecológico ( ou
ecologicamente
estáveis).
(exemplo
de
site
para
consulta:
http//geocidsnig.igeo.pt/portugues/mapas.html).
N.º de medida identificado conforme
documento “GUIÃO PARA A
CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL”,
formato Word.
Medida identificada por fase de
projecto e por categoria.
N
NA TI
EI PV Obs.
Área a ser preenchido com letra “x”,
caso se adapte.
Identificação, respectivamente:
- Fase de projecto (em cinza)
- Categoria (em verde)
- indicador da categoria (amarelo)
Identificação
área a ser
preenchida:
Ssim. Isto é, da
o projecto
já abrange
esta medida. A medida que a partir da verificação do guideline, S
seja implementada no projecto, poderá ser inserido um “sim”, no entanto , pedimos que a
x
N
N- Não. Isto é, o projecto não abrange esta medida.
x
NA- Não se adapta. Isto é, esta medida não se enquadra com a tipologia do edifício analisado.
No Guideline geral, existem medidas específicas, por exemplo para Retail que não se aplica
ao residencial, ou vice versa.
x
TI- Tecnicamente Inviável. Isto é, caso o responsável da análise assinale "não" a uma
determinada medida, e saiba através de estudos anteriores, que não aplicou determinada
medida por esta ser tecnicamente inviável, marque as duas colunas automaticamente. Esta
informação será muito útil.
x
EI- Economicamente Inviável. Isto é, caso o responsável da análise assinale "não" a uma
determinada medida, e saiba através de estudos anteriores, que não aplicou determinada
medida por esta ser economicamente inviável, marque as duas colunas automaticamente.
Esta informação será igualmente relevante.
x
PV- Ponderar viabilidade. Isto é, são medidas que não tem no projecto que o projectista
gostaria de analisar e ponderar a sua viabilidade.
Obs. - Observações que queiram complementar.
NA TI EI PV Obs.
x
x
x
obs.
É importante acrescentar que a identificação do responsável pela análise é imprescindível,
pois através desta identificação, será possível um futuro contacto para maiores informações e
esclarecimentos.
AII-II
GUIÃO PARA A CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL
Projecto analisado:
Responsável pela análise:
Nomenclatura utilizada:
S - sim
N - não
NA- não aplicável à tipologia do projecto
TI- Tecnicamente inviável
EI- Economicamente inviável
PV- Ponderar viabilidade
obs- observação à complementar
A - PLANEAMENTO E ANTEPROJECTO
Categoria 1- Localização e Planeamento
(C1) 1- Critério de selecção
1.1
1.2
1.3
1.4
1.5
1.6
1.7
1.8
1.9
1.10
1.11
1.12
1.13
1.14
1.15
1.16
1.17
1.18
1.19
1.20
1.21
1.22
1.23
1.24
1.25
S
N
NA TI
EI PV Obs.
S
N
NA TI
EI PV Obs.
Conhecer as áreas próprias para habitação de acordo com o PDM – Plano Director Municipal de
cada região, e encorajar a selecção de terrenos com baixo valor agrícola e ecológico (ou
ecologicamente
estáveis)
(Exemplo
de
site
para
consulta:
http//geocidsnig.igeo.pt/portugues/mapas.html).
Evitar habitat que possuem espécies sensíveis em lista de extinção ou em perigo de extinção. (site
para consulta: http//geocidsnig.igeo.pt/portugues/mapas.html www.icn.pt/sipnat/sipnat2b.html).
Assegurar que a orientação do lote maximize medidas solares passivas (orientação do terreno à
este-oeste para aumentar a exposição solar ao alçado sul do edifício).
Analisar as zonas climáticas no local.
Analisar a qualidade do ar existente em laboratórios certificados.
Verificar a performance e histórico do terreno, bem como as bacias hidrográficas, para comprovar a
possível contaminação do solo, das áreas subterrâneas e das fontes de radiação
electromagnética.
Evitar a selecção de terrenos próximos de torres de transmissão e de centrais de
telecomunicações móveis.
Testar a sustentabilidade do solo, estruturas em declive e infiltrações.
Fazer mapeamento de todos os potenciais perigos naturais (Como ventos, inundações,
deslizamentos...).
Identificar os recursos de transportes públicos e parques de estacionamento existentes.
Desenvolver uma “matriz de uso” e um índice de compatibilidade do local. (ver Leitura
complementar 1.11)
Identificar previamente, os impactes locais já existentes, tais como lotes sem uso urbano e locais
comerciais.
Evitar canais instáveis, locais possíveis de inundação, bacias, locais de erosão e vegetação
madura.
Verificar se o terreno é indicado para a função que o edifício exercerá.
Verificar o potencial do terreno, relativamente às energias renováveis que melhor se adaptam ao
local.
Verificar a disposição de lagos, lagoas, cursos de águas ou zonas húmidas, bem como
aproveitamento solar passivo e das águas subterrâneas.
Analisar e considerar na escolha, a qualidade do ar, da água, do solo e os ruídos que afectam o
local.
Verificar a disponibilidade de vias para circulação pedestre e ciclistas.
Verificar se o local já usufrui de uma infra-estrutura de saneamento básico, electricidade e
comunicações.
Verificar a disponibilidade de serviços e comércio na proximidade do terreno em análise. Dê
preferência por terrenos que tenham maior diversidade de uso (serviços e transporte).
Identificar os futuros empreendimentos vizinhos e prever a possibilidade destes afectarem o
projecto.
Evitar a escolha e a construção em áreas muito próximas a zonas aquáticas onde o risco de
poluição dessas zonas adjacentes seja elevado.
Ao seleccionar um terreno para construção, deve ter-se em conta a proximidade com os locais de
emprego.
Ao seleccionar terrenos para construção de edifícios comerciais e outras ocupações, ter em
consideração a sua proximidade com instalações alimentícias.
Procurar seleccionar terrenos que tenham uma proximidade de áreas verdes e praças, para
recreação e a prática de actividades desportivas.
(C1) 2 - Integração do projecto
2.1. Evitar maiores alterações da sua topografia, vegetação e vida selvagem.
2.2. Minimizar o uso de áreas para edifícios, parques de estacionamento e acessos de estradas.
2.3. Utilizar árvores e arbustos para suporte ao sistema solar passivo, complementar o arrefecimento e
filtragem do ar.
2.4. Localizar espaços públicos abertos (praças, pátios, etc.) próximos ao terreno, de forma a contribuir
e conjugar com estes afim de obter o melhor aproveitamento solar.
2.5. Verificar a latitude geográfica (altitude solar), factores de microclima, orientação solar (utilizar carta
solar) e a direcção dos ventos dominantes antes da definição do layout.
2.6. Identificar as áreas com bacias hidrográficas e córregos para desvio da água da chuva.
2.7. Conhecer as direcções do vento para evitar indesejáveis ventos frios no inverno e aproveitar brisas
leves no verão.
2.8. Avaliar o ecossistema local e a existência de espécies e plantas em extinção e em perigo de
extinção.
2.9. Rever o conceito arquitectónico local e incorporar no edifício proposto.
2.10 Agregar corredores técnicos, quando viável.
2.11 Minimizar a terraplanagem do terreno natural para a construção de grandes edifícios e parques de
estacionamento.
2.12 Providenciar paredes fechadas (estanques) a norte, de forma a evitar perdas de calor.
AII-III
2.13
2.14
2.15
2.16
2.17
2.18
2.19
2.20
2.21
Orientar a entrada para os edifícios de forma a maximizar a segurança e facilitar o acesso.
Projectar vias de acesso, paisagismo, e estruturas auxiliares para canalizar ventos.
Estudar a possibilidade de reutilização de materiais encontrados no local.
Catalogar e localizar as árvores e arbustos no terreno.
Ver a possibilidade de reutilização do edifício, quer seja da estrutura, quer seja materiais de
acabamento (incluindo portas, janelas entre outros).
Identificar o impacto ambiental e hidrológico que seria provocado pelo projecto e uso do edifício.
Minimizar áreas pavimentadas e minimizar largura de vias, quando possível.
Preservar plantas nativas e vegetação existente.
Evitar o corte das árvores maduras e outras de grande porte que necessitaram de muitos anos
para o seu desenvolvimento.
(C1) 3 - Contribuição para o desenvolvimento local
3.1
3.2
3.3
3.4
3.5
3.6
3.7
S
N
NA TI
EI PV Obs.
S
N
NA TI
EI PV Obs.
S
N
NA TI
EI PV Obs.
N
NA TI
EI PV Obs.
Verificar o fluxo local (de áreas adjacentes ou próximas) de pedestres e veículos e localizar
parques, para ajudar a definir uma relação com o projecto.
Identificar valores culturais locais a serem preservados. Contribuir assim para uma maior ligação
com a comunidade local e sua herança cultural.
Orientação da superfície e cores dos materiais devem ser usados para favorecer a absorção e
reflexão da energia solar.
Em casos de reconstrução, assegurar que sejam mantidos os valores patrimoniais dos edifícios.
Desencorajar o uso de transporte particular (por exemplo através da redução de parques de
estacionamento) e incentivar o uso de transporte público.
Providenciar espaços verdes públicos para recreação.
Encorajar a manutenção ou desenvolvimento de áreas contínuas que poderão servir como
corredores de passagem de vidas selvagens.
Categoria 2- Gestão de energia
(C2) 1- Controlo de recursos
1.1
1.2
1.3
1.4
1.5
1.6
1.7
1.8
1.9
1.10
1.11
1.12
1.13
1.14
1.15
1.16
Providenciar o acesso solar_ orientar o edifício de forma a maximizar os ganhos solares. (orientar
a sul).
Averiguar a direcção dos ventos dominantes para minimizar a perda térmica devido a infiltração de
ventos predominantes e aproveitar os recursos da ventilação natural.
Considerar a localização de árvores já existentes. Quando praticável, localizar as árvores de folha
caduca nos alçados sul e a oeste do edifício.
Utilizar e modificar o mínimo possível a topografia existente.
Avaliar o clima local usando dados de meteorologia anual.
Maximizar o potencial local considerando a orientação, a forma do edifício e opções de
paisagismo(realizar análise preliminar de espaços relevantes).
Agrupar programas com funções similares, com o objectivo de concentrar necessidades de
aquecimento e arrefecimento.
Analisar padrões de cargas térmicas do edifício (providenciar iluminação natural e aquecimento
para o edifício quando este for requerido).
Utilização de Massa térmica.
Utilizar zonas de circulação como espaços - tampão.
Desenvolver um modelo de referência que sirva como base de comparação para novos projectos
quanto a fontes e consumo de energia.
Utilizar sistemas por gravidade, quando possível, para evitar uso de bomba.
Considerar o factor forma do edifício_ Através da escolha de um edifício mais compacto. (Verificar
Decreto-lei n. º 80/2006 de 4 de Abril).
Reduzir as áreas pavimentadas para diminuir a acumulação de calor em torno do edifício.
Limitar vidros a leste e oeste (devido dificuldade de controlo de radiação solar).
Projectar o edifício utilizando recursos tradicionais (efeito chaminé/ventilação cruzada) de modo a
obter vantagens de ventilação natural.
(C2) 2- Controlo de consumo
2.1
2.2
2.3
2.4
2.5
2.6
2.7
2.8
2.9
3.1
3.2
3.3
3.4
3.5
3.6
3.7
Integração dos sistemas_ Considerar as características arquitectónicas, quando se for seleccionar
as várias alternativas e tamanhos do sistema AVAC.
Determinar as actividades e quantidades de equipamentos que serão utilizados nos diferentes
espaços do edifício, afim de evitar futuro desconforto térmico, devido ao calor interno gerado.
Utilização de sistemas AVAC separados por zona.
Estabelecer padrões de uso de energia e conjunto de prioridades.
Definir critérios para melhor optimização dos sistemas AVAC (ver critérios de optimização em
leitura complementar 2.5)
Projectar para a flexibilidade do edifício.
Estar atento ao factor forma do projecto, versus o controlo da luz natural que penetra para o espaço
interior (ex.: monitorar cobertura, uso de clarabóias, átrio...).
Em aplicações especiais, e quando possível, utilizar Fibra Óptica.
Usar LEDS ou iluminação de emergência através da utilização de energia solar fotovoltaica.
(C2) 3- Aproveitamento das condições locais
S
Criação de pátios e átrios.
Procurar combinar iluminação lateral e iluminação de topo. Este método providencia um excelente
método de distribuir a luz do dia para dentro de espaços interiores.
Realizar análise custo-benefício do ciclo de vida de sistemas de iluminação.
Determinar a abertura óptima para iluminação de topo (coberturas).
Integrar projectos de energia solar passiva para aquecimento associado as medidas de
daylighting.
Após a consideração de sistemas passivos e estratégias de conservação energética, considerar a
integração de sistemas solares activos.
Determinar se o clima e o posicionamento dos edifícios são apropriados para a colocação de
módulos solares, inclusive módulos fotovoltáicos integrados ao edifício.
AII-IV
3.8
3.9
3.10
3.11
3.12
3.13
Determinar a viabilidade financeira dos sistemas solares activos comparado a um sistema
convencional num período mínimo de 10 anos.
Localizar módulos solares para obter a máxima exposição solar, preferencialmente voltados a sul
e o ângulo dos colectores de acordo com a latitude local
Localizar colectores solares de forma a evitar sombreamento provocados por edifícios vizinhos e
vegetação.
Localizar colectores para evitar vandalismo e riscos de segurança.
Localizar colectores de forma a evitar riscos de ofuscamento dos reflexos solares.
Determinar a viabilidade de utilização de outras energias renováveis.
Categoria 3- Gestão da água
1.1
3.1
3.2
3.3
4.1
4.2
(C3) 1- Controlo de recursos
S
Seleccionar terreno e desenvolver estratégias de projecto com o mínimo de alteração e impacto de
bacias hidrográficas próximas.
(C3) 2- Controlo de consumo
S
(Este indicador não é identificado nesta fase)
N
NA TI
EI PV Obs.
N
NA TI
EI PV Obs.
(C3) 3- Aproveitamento das condições locais
S
Preservar solos com vegetação madura e áreas de planícies.
Colectar e reaproveitar água pluvial.
Considerar a qualidade da água da chuva através de sua análise em laboratórios acreditados.
(C3) 4- Prevenção e recuperação do impacto ambiental ocasionado
S
Projectar bacias de infiltração, quando possível, para tratamento de águas de drenagem de
superfícies.
Utilize outros sistemas de retenção da água da chuva, tais como: bacias de controlo sedimentar,
piscinas, bacias de infiltração, bacias de retenção... para reterem e tratarem a água da chuva no
local ou em áreas adjacentes.
N
NA TI
EI PV Obs.
N
NA TI
EI PV Obs.
S
N
NA TI
EI PV Obs.
S
N
NA TI
EI PV Obs.
S
N
NA TI
EI PV Obs.
S
N
NA TI
EI PV Obs.
S
N
NA TI
EI PV Obs.
S
N
NA TI
EI PV Obs.
S
N
NA TI
EI PV Obs.
S
N
NA TI
EI PV Obs.
Categoria 4- Gestão dos Materiais, Recursos e Resíduos
1.1
1.2
1.3
1.4
1.5
1.6
2.1
2.2
(C4) 1- Controlo de recursos
Escolher materiais com baixo impacto ambiental possível (através da análise do ciclo de vida).
Reduzir a energia incorporada nos materiais e o consumo de recursos naturais (ver sugestão de
uso em leitura complementar 1.2)
Projectar para a menor utilização dos materiais através da reutilização e optimização do projecto.
(ver sugestão leitura complementar 1.3)
Realizar cuidadosa descrição em distinguir pavimentos para pedestres, veículos leves e veículos
pesados.
Estabilizar ruas e caminhos, sem pavimentar (através de estratégias e superfícies porosas
estáveis) (ver estratégias em Leitura complementar 1.6).
Distinguir e evitar, quando possível, alguns materiais de maior impacto na construção (ver em
Leitura complementar- ANEXO).
(C4) 2- Controlo de consumo / impacte
Projectar o edifício para a adaptabilidade (ver estratégias leitura complementar 2.1).
Projectar espaços flexíveis para situações de mudança de uso.
(C4) 3- Aproveitamento das condições locais
(Este indicador não é identificado nesta fase)
(C4) 4- Uso de Materiais recicláveis e renováveis
(Este indicador não é identificado nesta fase)
Categoria 5- Qualidade do Ambiente Interior
1.1
1.2
2.1
2.2
2.3
3.1
3.2
4.1
(C5) 1- Qualidade do Ar Interior (QAI)
Providenciar saúde e limpeza ambiental para o aumento da performance da QAI (qualidade do ar
interior) conforme legislação nacional e Internacional.
Providenciar ampla ventilação para controlo de poluição e conforto térmico.
(C5) 2- Conforto acústico
Providenciar isolamento acústico apropriado em paredes e pavimentos (exteriores e interiores), no
mínimo, conforme legislação vigente.
Evitar fontes de ruídos.
Evitar orientação e formas do edifício que intensifiquem os sons reflectidos dos ruídos externos.
(C5) 3- Iluminação / Qualidade visual
Usar estratégias de projecto que conectem o interior ao exterior.
Ter em conta o daylighting, não somente para a eficiência energética, como também para aumento
da produtividade.
(C5) 4- Conforto térmico
Aumente a implantação de medidas solares passivas no intuito de diminuir a dependência de
sistemas AVAC.
AII-V
GUIÃO PARA A CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL
Projecto analisado:
Responsável pela análise:
Nomenclatura utilizada:
S - sim
N - não
NA- não aplicável à tipologia do projecto
TI- Tecnicamente inviável
EI- Economicamente inviável
PV- Ponderar viabilidade
obs- observação à complementar
B - PROJECTO DE EXECUÇÃO
Categoria 1- Localização e Planeamento
S
N
NA TI
EI PV Obs.
S
N
NA TI
EI PV Obs.
(C1) 3- Contribuição para o desenvolvimento local
S
Minimizar o impacte criado por processos de desenvolvimento local (construções), com o intuito de
reduzir alterações e distúrbios ecológicos;
Considerar o aumento de uso de estratégias de telecomunicação nos edifícios (Telecomunicação
e videoconferência) .
Assegurar que o projecto de arquitectura e o projecto urbano, incluindo os factores funcionais e
estéticos, sejam compatíveis com os valores culturais locais.
N
NA TI
EI PV Obs.
N
NA TI
EI PV Obs.
(C1) 1- Critério de selecção
(Este indicador não é identificado nesta fase)
(C1) 2- Integração do projecto
2.1
2.2
2.3
2.4
2.5
2.6
2.7
Deve haver a preocupação durante a fase do projecto em conectar as paisagens fragmentadas, e
estabelecer redes contínuas com os sistemas naturais do local e outros sistemas naturais além
do seu limite.
Promover e incentivar o acesso não motorizado aos edifícios.
Projectar para reduzir efeitos de ilha de calor (ver medidas em Leitura Complementar 2.3).
Projectar iluminação exterior, eliminando a claridade excessiva e fora do ângulo limite definido (do
edifício ou de um local específico) para minimizar o seu impacto ambiental nocturno.
Desenvolver projecto urbanístico local de forma a minimizar a extensão de vias, construções e
melhorar vias existentes.
Uso da vegetação local para moderar as condições do tempo e providenciar protecção da vida
selvagem nativa.
Propor projectos compatíveis com as características arquitectónicas e traçado urbano existente
(altura, cores, materiais, calçada...).
2.8 Definir abrigos para bicicletas (para proteger do tempo e do vandalismo).
2.9 Propor a diversidade de plantas e o uso de plantas nativas, incluindo árvores.
2.10 Limitar áreas pavimentadas para parques de estacionamento.
3.1
3.2
3.3
Categoria 2- Gestão de Energia
1.1
1.2
1.3
1.4
1.5
1.6
1.7
1.8
1.9
1.10
1.11
1.12
1.13
2.1
2.2
2.3
2.4
2.5
2.6
2.8
(C2) 1- Controlo de recursos
S
Dimensionar e controlar aberturas através de apropriada fenestração e sombreamento,
seleccionar vidros com baixa emissão (low-e).
Pormenorizar o isolamento para reduzir o consumo de energia para aquecimento ou arrefecimento
devido a perda e ganho de calor através da envolvente do edifício. (ver decreto-lei n.º. 80/2006 de 4
de Abril) (ver Leitura Complementar 1.2).
Equilibrar a temperatura do espaço interior, através da utilização de massa térmica. Este recurso é
bastante adequado em locais que apresentam amplitudes térmicas anuais que ocilam acima e
abaixo da temperatura de conforto.
Considerar estratégias de integração de ventilação natural com sistemas AVAC.
Considerar taxa de reflexividade dos revestimentos do edifício.
Especificar materiais de construção e pormenores que reduzam a transferência de calor.
Considerar o uso de cobertura ajardinada para reduzir transmissão de calor e cargas de radiação
na superfície do edifício.
Analisar a energia primaria não sustentável incorporada em materiais de construção.
Isolar e vedar todas as juntas e pequenas aberturas na cobertura.
Minimizar ou eliminar a emissão solar directa em áreas de trabalho com excessiva claridade.
Considerar o uso de palas baseado na altura das janelas e na latitude (altitude solar).
Plantar árvores e/ou arbustos para sombrear janelas em estratégias horas do dia e de estações.
(ver exemplo em leitura complementar 1.14)
Considerar sombreamentos que possam ser estendidos ou removidos.
(C2) 2- Controlo de consumo
S
não aplicável a
CC
Para a escala do
CC , não é muito
N
NA TI
EI PV Obs.
Quando possível, minimizar e eliminar ar - condicionados, através de medidas solares
passivas, ventilação cruzada, e outros meios (exemplo- Bioclimatização- ver site:
www.biocool.info/climatizacion.htm ).
Em estabelecimentos comerciais, aconselha-se o uso de sistemas centrais de refrigeração.
Quando não usarem condensadores de água, projectar caldeiras e chillers usando
equipamento de alta eficiência, módulos múltiplos e outras fontes de energia, ex.: gás.
Utilizar módulos de ar condicionado de acordo com a ocupação, actividades e operação.
Evitar exposição e poluição electromagnética_ Localizar alta concentração de electricidade
(como transformadores e motores) longe de edifícios com ocupação.
Utilizar sistemas de reservatório térmico em conjunto com o sistema convencional (chiller)
para substituir o consumo de energia eléctrica em períodos em que o seu custo se torna mais
elevado (horas de ponta).
Controlar a ventilação interior através de sensores de CO 2.
AII-VI
2.9
2.10
2.11
2.12
2.13
2.14
2.15
2.16
2.17
2.18
2.19
2.20
2.21
2.22
2.23
2.24
2.25
2.26
2.27
2.28
Seleccionar equipamentos de alta eficiência energética que operam em ambas as condições,
carga parcial ou total.
Avaliar os diversos tamanhos e modelos de chillers para identificar unidades que mais
eficientemente satisfaçam a procura.
Considerar a eficiência de todas as partes integrantes de sistemas AVAC.
Reduzir a dimensão das condutas de sistemas AVAC para diminuir perdas.
Considerar o armazenamento de energia térmica utilizando os sistemas de armazenamento
de energia térmica (TSE - thermal energy storage). Os bancos de gelo e Chillers de água são
exemplos mais comuns destes sistemas.
Utilizar Cogeração / Trigeração (De acordo com o Artigo 27ª n.º 7, do decreto-lei n.º 79 /2006
de 4 de Abril, a co-geração é obrigatória em alguns tipos de edifícios (ex. Centro comercial)
com mais de 10.000m2 de área útil).
Controlar as emissões dos sistemas AVAC deverá estar de acordo com as últimas
Regulações Nacionais e Europeias. (Decreto - lei n.º 79/2006, de 4 de Abril).
Definir Sistema de Gestão de energia, obrigatório em todos os novos edifícios acima de
1000m2 (Cumprimento ao RSECE - Decreto - lei n.º 79/2006, de 4 de Abril).
Desenvolver orçamentos mais pormenorizados (a incluir inclusive manutenção anual)
baseados na energia e na qualidade do ar interior.
Desenvolver um modelo de referência que sirva como base de comparação para novos
projectos quanto a fontes e consumo de energia.
Desenvolver simulações energéticas com os sistemas AVAC considerando as opções mais
eficientes.
Utilização de sensores para reduzir o uso de energia eléctrica, através do seu ajuste em
função da disponibilidade da luz do dia. (ex.: dimmers, sensores de ocupação, photocells, e
time clocks).
Analisar os níveis de iluminação (lúmens) de forma a assegurar que não mais o que requerido
seja utilizado em um determinado espaço.
Projectar a iluminação por zona, para que durante a fase de gestão possa ser realizado o
controlo/funcionamento da iluminação conforme o fluxo de pessoas no local.
Utilizar níveis reduzidos de iluminação e apropriada intensidade lumínica somente para
tarefas, onde necessário.
Controlar e reduzir a iluminação nocturna em áreas desnecessárias (espaços abertos em
áreas fora de limites e de pouca circulação).
Especificar acabamentos com valor de reflexão desejado para paredes, tectos e pisos.
Evitar a radiação directa em locais com tarefas críticas e com excessiva claridade.
Filtrar a luz do dia para reduzir intensidade lumínica quando indesejável.
Evitar indesejáveis clarões no interior do edifício causados pelo baixo ângulo solar.
(C2) 3- Aproveitamento das condições locais
repete o 2.6
S
N
NA TI
Melhorar o aproveitamento da luz do dia, através de ambientes mais claros e com pé-direito
mais elevados.
3.2 Considerar o uso de vidros com elevada transmissão da luz do dia e baixo coeficiente de
sombreamento das fachadas ao norte.
3.3 Considerar o uso de "Roof monitors" e "sun tunnel" (ver www.veluxusa.com) e outros tipos de
aberturas altas (sheds, lanternim…) em adição ou substituição de clarabóias.
3.4 Distribuição de fontes de iluminação eficiente através do lighting design.
3.5 Avaliar a possibilidade do uso de energias renováveis (módulos solares, eólicas, biomassa...).
3.6 Utilizar, quando possível, tecnologia de água quente solar. (ver obrigatoriedade no Decreto-lei
n.º 80 / 2006 de 4 de Abril).
3.7 Projectar colectores resistentes as condições do tempo.
3.8 Projectar e localizar colectores de forma a facilitar a limpeza e manutenção.
3.9 Minimizar a distância dos colectores das fontes de armazenamento.
3.10 Optimizar o isolamento dos colectores, tubos e reservatório.
3.11 Maximizar o acesso e a manutenção para colectores solares, tubos e áreas do reservatório.
Categoria 3 - Gestão da Água
EI PV Obs.
3.1
(C3) 1- Controlo de recursos
1.1
1.2
2.2
2.3
2.4
2.5
2.6
2.7
2.8
2.9
S
N
NA TI
EI PV Obs.
S
N
NA TI
EI PV Obs.
Optar por plantas nativas ou espécies bem adaptadas.
Minimizar o uso de plantas anuais ( ver comentário em Leitura Complementar 1.2).
(C3) 2- Controlo de consumo
2.1
Igual a A (C2)
3.13
Estabelecer estratégia de separação entre as altas e as baixas zonas de manutenção de
relvados e plantas.
Instalação de sistemas de rega eficiente.
Quando possível, utilizar aeradores em torneiras. (ver Leitura Complem. 2.3)
Quando possível, utilizar Ozono (O3) para tratamento da água ao invés do cloro.
Use sistemas eficientes de irrigação que utilizem tecnologias de "drip irrigation", sensores de
humidade e controlos baseados no tempo.
Use recirculação de água em sistemas de fontes, piscinas e para processos de
arrefecimento.
Reduzir o consumo da água no edifício. (ver Leitura Complementar n.º. 2.7)
O consumo excessivo pode ser evitado, utilizando um número limitado de pontos de água.
Providenciar medidas de eficiência de equipamento com demonstração de cálculos para
provar uma redução do uso de água potável.
AII-VII
2.10 Optimizar sistemas de abastecimento e drenagem_ Sistemas de abastecimento e drenagem
devem ser colocados juntos, o objectivo será reduzir o tamanho da rede e perdas. Além disso,
aconselha-se concentrar equipamentos sanitários.
2.11 Utilizar sistemas como "Ozone Laundry" (www. Envirocleanse.com)
(C3) 3- Aproveitamento das condições locais
3.1
3.2
S
N
NA TI
EI PV Obs.
S
N
NA TI
EI PV Obs.
S
N
NA TI
EI PV Obs.
S
N
NA TI
EI PV Obs.
Colectar e usar água pluvial.
Projectar apropriado e correcto sistema de armazenamento, filtragem e distribuição da água
da chuva (ver medidas em Leitura Complementar n.º 3.2)
(C3) 4- Prevenção e recuperação do impacto ambiental ocasionado
4.1
4.2
Considerar o uso de materiais permeáveis que maximizem a absorção da água no local.
Construir superfícies, tais como caminhos de pedestres e pátios, com agregados soltos, deck
de madeira e superfícies com assentamento de pedras espaçadas.
4.3 Moderar e tratar "runoff" de coberturas e pavimentos impermeáveis para que, o quanto
possível, retorne ao caminho natural do solo.
4.4 Restaurar a paisagem nativa quando o distúrbio local e o corte de algumas árvores forem
inevitáveis.
4.5 Executar uma análise orçamental da água para o projecto e contabilizar todo o fluxo diário
desperdiçado.
4.6 Assegurar que o edifício seja provido com sistema de separação da água potável e das águas
cinzentas, que poderão ser utilizadas para rega, lavagens de carros e para as casas de
banho.
4.7 Separar as águas cinzentas gerados por usos internos da habitação, como as máquinas de
lavar louça e roupa, banhos e pias.
4.8 Devido a ausência de regulamentos e procedimentos para o devido uso das águas cinzentas,
verificar regulamentos de instituições internacionais.
4.9 Usar e estabelecer infra-estrutura para futura utilização de águas cinzentas. (ver alternativas
em Leitura Complementar 4.9)
4.10 Propor cobertura ajardinada.
4.11 Propor piscina biológica. ( ver Leitura Complementar 4.11)
Categoria 4 - Gestão dos Materiais, Recursos e Resíduos
(C4) 1- Controlo de recursos
1.1
1.2
1.3
1.4
Localizar pavimentos onde o ganho solar é desejável e definir características dos materiais
conforme necessidade de redução ou aumento de calor.
Usar materiais novos com consciência, consuma o mínimo e evite desperdício. Considerar a
capacidade de renovação, produção sustentável e reciclagem do material.
Evitar a "Síndroma do edifício doente" ("Sick Building syndrome") tendo em conta que
materiais ásperos e porosos podem conter planos e cavidades microscópicas que podem
absorver moléculas (poluentes) no ar.
Privilegiar a utilização de materiais naturais, em vez de materiais sintéticos, devido a
comprovados teste de toxidade, tendo em conta a QAI (Qualidade do Ar Interior).
(C4) 2- Controlo de consumo / impacte
2.1
2.2
2.3
2.4
2.5
2.6
2.7
2.8
Uso de materiais duráveis que resistem às intempéries, e dure mais que a vida de um edifício.
Projectar o edifício para a adaptabilidade (ver algumas estratégias em Leitura Complementar
2.2).
Projectar o edifício para a futura separação dos materiais de construção (ver algumas
estratégias em Leitura Complementar 2.3)
Propor pavimentos porosos e permeáveis à água, incluindo parques de estacionamento de
pouca circulação; e em áreas com forte tráfico, a combinação deste com pavimentos
convencionais.
Projectar pavimentos que sirvam para mais de uma proposta (exemplo: conjugar parques de
estacionamento e retenção de água numa mesma área).
Analisar o custo do ciclo de vida dos materiais (incluir sua requerida manutenção).
Projectar materiais de construção com tamanhos standard.
Estimar a quantidade de materiais de construção o mais exacto quanto possível. "Mais
exacto = menos desperdício".
esta é muito
importante incluir
2.9
Planear de forma que os resíduos sólidos (orgânico e inorgânico) sejam separados, colectados, e
reciclados no edifício e na comunidade;
(C4) 3- Aproveitamento das condições locais
S
3.1
3.2
Usar material local para a redução do transporte.
3.3
4.2
1.2
EI PV Obs.
S
N
NA TI
EI PV Obs.
S
N
NA TI
EI PV Obs.
Especificar a reutilização de materiais onde possível. (ver comentário em Leitura
complementar 4.1)
Utilizar materiais com um elevado conteúdo de materiais reciclados (ver exemplos em Leitura
Complementar 4.2).
Categoria 5 - Qualidade do Ambiente Interior
(C5) 1- Qualidade do Ar Interior (QAI)
1.1
NA TI
Utilizar materiais adequados de acordo com a região e clima. (ver leitura Complementar 3.2)
Considerar o uso de materiais locais sustentáveis
(C4) 4- Uso de materiais reciclados e renováveis
4.1
N
Implementar um plano de gestão QAI, incluindo alterações chaves em projecto e nomeação
de agentes qualificados. Incluir plano no projecto e no caderno de encargos, de forma a
comunicar e executar o planeado.
Identificar materiais que provocam impacto na QAI e seleccionar material similar, mas com
menor toxicidade (ver alternativas amigáveis em Leitura Complementar 1.2).
AII-VIII
1.3
1.4
1.5
1.6
1.7
1.8
1.9
1.10
1.11
1.12
1.13
1.14
1.15
1.16
1.17
1.18
1.19
1.20
Desenvolver um guia de gestão da QAI para incluir na proposta de projecto e caderno de
encargo, e efectivamente comunicar e executar o planeado.
Desenvolver subcontratos que estejam de acordo com as metas definidas para a gestão da
QAI na construção.
Inspeccionar e manter medidas para QAI, incluindo protecção de sistema de ventilação e as
adequadas taxas de circulação de ar.
Vedar todas as aberturas em paredes, pisos e tectos que separam espaços condicionados de
espaços não condicionados.
Previnir a formação de humidade no interior do edifício.
Manter seca as áreas de trabalho, não permitindo nenhum vazamento e acumulação de água
da chuva.
Promover drenagem local, de forma a impedir a humidade ascendente no edifício. (ver medidas
em Leitura Complementar n.º. 1.10).
Correctamente selar juntas, e desnecessárias aberturas em fachadas, no intuito de impedir a
humidade e intrusão de pó.
Selar todos os painéis descobertos de MDF (Medium Density Fiberboard) e Particleboard.
Projectar equipamentos e tubagens com superfície interna lisa, com adequado acesso para
inspecção e limpeza.
Incluir sistemas apropriados de ventilação mecânica.
Considerar a localização de sistemas AVAC e entradas de ar para o interior do edifício,
devidamente separadas e distanciadas de fontes de poluição externas.
Definir estratégias de ventilação de acordo com a necessidade de ocupação.
Considerar a melhor difusão do ar condicionado no espaço.
Avaliar o custo- benefício de todas as estratégias para a QAI (deverá incluir o entendimento do
custo inicial, custo do ciclo de vida e produtividade).
Use materiais com baixa emissão de VOCs (Compostos Orgânicos Voláteis).
Assegurar que as empresas contratadas cumpram com os mais recentes padrões industriais,
legislação, e quando possível, usem materiais com reconhecida certificação ambiental.
Assegurar que as empresas contratadas, determinem condições de procedimentos com os
materiais a utilizar, tendo em conta a saúde do trabalhador e posterior utilizador do edifício.
(C5) 2- Conforto acústico
2.1
2.2
2.3
2.4
(C5) 3- Iluminação / Qualidade Visual
3.1
S
N
NA TI
EI PV Obs.
S
N
NA TI
EI PV Obs.
S
N
NA TI
EI PV Obs.
Providenciar isolamento acústico apropriado em paredes e pavimentos (exteriores e interiores)
(ver informações em Leitura Complementar 2.1).
Providenciar quando possível, controlo, isolamento e/ou eliminação de ruídos dos
equipamentos.
Providenciar controlo de vibrações apropriado (exterior e interior).
Limitar a transmissão de sons e vibrações entre estruturas. (exemplo: colocação de juntas
elásticas entre laje/pilar e piso/parede).
Utilizar ferramentas de análise específicas para evitar excessiva e desnecessária iluminação.
(exemplo: Adeline, RADIANCE e SUPERLITE).
3.2
3.3
3.4
Consultar outras medidas eficientes de iluminação em IES (Illuminating Engineering Society).
Escolher iluminação com qualidade para atender às tarefas requeridas e reduzir níveis de
sobreaquecimento. A elevada qualidade luminosa requer menos luz, mas com a mesma
performance visual.
Analisar estratégias de daylighting (tanto difusa quanto directa) nos diferentes
compartimentos dos edifício.
(C5) 4- Conforto térmico
4.1
4.2
4.3
4.4
4.5
4.6
Desenvolver um modelo de referência que sirva como base de comparação para novos
projectos quanto a fontes e consumo de energia. (ler comentário em Leitura Complem.4.1)
Definir critérios para melhor optimização dos sistemas AVAC. (ler comentário em Leitura
Complementar 4.3)
Use métodos avançados de simulação de consumo energético. (DOE; Energyplus, Calener,
TRNSYS e BLAST)
Considerar o uso de sistemas de controlo de gestão (sensores) para medir por zona,
diferentes factores ( temperatura, humidade, ocupação, ar...).
Formação de engenheiros para o uso de sistemas de controlo para aumentar o conforto e a
eficiência de sistemas operacionais (ver características que os sistemas AVAC devem
assegurar em Leitura Complementar 4.6)
Considerar o uso de "Underfloor Air". (ver site: www.cbe.berkeley.edu/underfloorair/ ).
AII-IX
GUIÃO PARA A CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL
Projecto analisado:
Responsável pela análise:
Nomenclatura utilizada:
S - sim
N - não
NA- não aplicável à tipologia do projecto
TI- Tecnicamente inviável
EI- Economicamente inviável
PV- Ponderar viabilidade
obs- observação à complementar
C- FASE DE CONSTRUÇÃO
Categoria 1- Localização e Planeamento
(C1) 1- Critério de selecção
(Este indicador não é identificado nesta fase)
(C1) 2- Integração do projecto
2.1
2.2
2.3
2.4
S
N
NA TI
EI PV Obs.
S
N
NA TI
EI PV Obs.
S
N
NA TI
EI PV Obs.
S
N
NA TI
EI PV Obs.
S
N
NA TI
EI PV Obs.
S
N
NA TI
EI PV Obs.
S
N
NA TI
EI PV Obs.
S
N
NA TI
EI PV Obs.
S
N
NA TI
EI PV Obs.
S
N
NA TI
EI PV Obs.
S
N
NA TI
EI PV Obs.
S
N
NA TI
EI PV Obs.
S
N
NA TI
EI PV Obs.
Examinar e proteger plantas existentes no local proposto.
Especificar métodos de construção local sustentável (através da eliminação dos impactes
desnecessários e degradação dos recursos).
Coordenar as fases de construção de modo a minimizar interrupções em obra e o impacte
ambiental local.
Instalar "Silt fences" (barreiras feitas geralmente com tecido sintético) no local, durante a
construção.
2.5 Prevenir a erosão do solo e declives, antes, durante e depois da construção.
2.6. Em locais que não exista sistema municipalizado, providenciar água de qualidade aceitável
(analisada por laboratórios acreditados).
(C1) 3- Contribuição para o desenvolvimento local
(Este indicador não é identificado nesta fase)
Categoria 2- Gestão de Energia
(C2) 1- Controlo de recursos
1.1
1.2
1.3
1.4
Assegurar total isolamento da fundação.
Providenciar conforto térmico e prevenir condensações (Cumprimento ao RCCTE - Decreto - lei
n.º 80/2006, de 4 de Abril).
Assegurar a conformidade do plano de gestão. Comunicar para o contratante a importância de
aderir as medidas estabelecidas em projecto e assegurar a sua conformidade.
Confirmar que os materiais especificados sejam instalados correctamente e que os
procedimentos sejam devidamente cumpridos.
(C2) 2- Controlo de consumo
2.1
2.2
2.3
2.4
Encorajar os trabalhadores, ao uso de transporte público ou carros colectivos (carpooling).
Utilizar lâmpadas fluorescentes compactas ao invés de incandescentes, para iluminação
temporária dos estaleiros.
Evitar desnecessária utilização de iluminação artificial durante horas do dia.
Usar eficientes sistemas AVAC, se necessário, durante serviços temporários.
(C2) 3- Aproveitamento das condições locais
3.1
3.2
Observar as instalações de clarabóias, garantir a estanquecidade nas instalações e verificar
se estas cumprem com outras práticas definidas.
Realizar a calibração final e testes com os sistemas de controlo de iluminação, para verificar
que as instalações funcionam como especificado.
(C2) 4- Uso de materiais reciclados e renováveis
4.1
Quando possível, armazenar os materiais removidos do estaleiro, como: madeira, vidro e
outros, que possam ser reutilizados para gerar energia através do processo da Biomassa.
Categoria 3- Gestão da Água
(C3) 1- Controlo de recursos
(Este indicador não é identificado nesta fase)
(C3) 2- Controlo de consumo
(Este indicador não é identificado nesta fase)
(C3) 3- Aproveitamento das condições locais
(Este indicador não é identificado nesta fase)
(C3) 4- Prevenção e recuperação do impacte ambiental ocasionado
4.1
Definir um plano para evitar riscos de contaminação do solo e das águas subterrâneas no
terreno.
Categoria 4- Gestão dos Materiais, Recursos e Resíduos
(C4) 1- Controlo de recursos
(Este indicador não é identificado nesta fase)
(C4) 2- Controlo de consumo / impactes
2.1
2.2
2.3
2.4
2.5
2.6
2.7
Comprar materiais previamente cortados e prefabricados quando possível.
Utilizar uma área central para cortes e armazenamento de fragmentos para reutilizar.
Desenvolver uma lista antecipada de desperdício e métodos para a redução dos mesmos.
Construir estradas de acesso tendo em conta a minimizar o impacte sobre a vegetação e
permeabilidade do solo. Uma das alternativas, é limitar as estradas em áreas que
eventualmente serão pavimentadas.
Armazenar materiais em locais seguros, secos e localizados acima do nível do solo, e
prevenir contacto com materiais que possam causar corrosão, descoloração ou manchas.
Realizar formações periódicas com contratados e subcontratados, para demonstrar a
importância da redução dos resíduos.
Providenciar incentivos para aumentar e encorajar a redução de resíduos.
AII-X
(C4) 3- Aproveitamento das condições locais
S
N
NA TI
EI PV Obs.
S
N
NA TI
EI PV Obs.
S
N
NA TI
EI PV Obs.
(Este indicador não é identificado nesta fase)
(C4) 4- Uso de materiais reciclados e renováveis
4.1
4.2
4.3
4.4
4.5
4.6
4.7
4.8
4.9
Usar métodos em estaleiro de forma que os materiais de trabalho, possam ser reutilizados em
outras obras (por exemplo utilizar parafusos ao invés de pregas para fixação).
Exigir dos subcontratados, proposta de planos para minimizar o desperdício, incluindo
armazenamento, distribuição, manipulação, eficiência, embalagem, protecção, corte e
reciclagem.
Conduzir sessões de "brainstorming" sobre como reduzir os resíduos.
Comunicar plano de gestão de resíduos através de reuniões, intranet e promover
acompanhamento dos resultados.
Definir um inventário de materiais que foram reciclados (determinar o volume e o valor dos
materiais recuperados).
Contactar empresas que promovam a reciclagem, e procure identificar termos e condições
necessárias para a reciclagem dos materiais e seu destino (www.netresíduos.com).
Reciclar resíduos da construção e demolição, através da separação dos diferentes tipos e
quantidades de materiais gerados nos locais de trabalho. (ver comentário em Leitura
Complementar 3.1).
Reutilizar os materiais de construção.
Reduzir desperdício com embalagens, procurando fornecedores que distribuem materiais
utilizando boas técnicas ou o mínimo de embalagem.
Categoria 5- Qualidade do Ambiente Interior
(C5) 1- Qualidade do Ar Interior (QAI)
1.1
1.2
1.3
1.4
1.5
1.6
1.7
1.8
1.9
1.10
1.11
1.12
1.13
1.14
1.15
1.16
1.17
1.18
1.19
1.20
1.21
1.22
1.23
1.24
1.25
Gerir na construção o controlo da humidade, da poeira, e dos materiais perigosos, que são os
causadores de risco para a QAI.
Identificar fontes de contaminação e de actividades de construção, de forma a minimizar os
riscos relacionados a QAI.
Incluir barreiras físicas a uma secção do edifício em construção e/ou demolição, através de
forros de polietileno ou outras barreiras.
Manter portas fechadas e escadas isoladas, para não actuar como condutores de
contaminação.
Positivamente, pressurizar áreas não ocupadas e usar sistemas de ventilação afim de
minimizar a migração de contaminantes dentro de espaços ocupados.
Comunicar as metas estabelecidas de gestão para a QAI aos trabalhadores através de
formações e notificações.
Notificar sobre comportamentos inaceitáveis que poderão trazer impacte negativo ao QAI,
incluindo: não fumar dentro do edifício e não usar roupas de trabalho contaminadas.
Instalar materiais porosos (exemplo: isolamento) somente depois que o edifício esteja
estanque.
Ordenar a instalação de químicos tóxicos antes da instalação de outros materiais porosos,
que absorvem substâncias químicas/VOCs.
Quando não for possível criar uma sequência de instalação favorável, deverá proteger as
superfícies absorventes.
Providenciar filtração e adequada ventilação, através de 100% de ar exterior durante o período
de secagem dos materiais (desumidificador deverá ser requerido em certas aplicações).
Facilitar a instalação de sistemas mecânicos, para permitir o controlo da humidade do
edifício, antes da instalação de painéis de gesso. Se possível, use um sistema temporário de
ventilação.
Limitar a operação de sistemas AVAC durante a construção. Se esta operação for inevitável,
limpe todos os filtros, tubos, e a superfície do equipamento para obter o mesmo nível de
limpeza de um equipamento novo.
Coordenar a colocação da cobertura com os acabamentos interiores do edifício para prevenir a
infiltração de humidade.
Designar um espaço externo para intervalo e alimentação.
Minimizar a acumulação de pó e outros contaminantes, utilizando sistemas de acumulação
de pó. (Exemplos de produtos: Rebarbadores e aspiradores tipo HILTI).
Vedar embalagens de líquidos voláteis (combustível, pintura, vernizes, solventes) e armazenalas em áreas externas, quando possível.
Barreiras deverão ser geridas com pressão de ar negativa (instalação de exaustor que retira ar
do ambiente e lança para o exterior).
Não permitir a acumulação de pó e escombros no local (aconselha-se a remoção diária).
Remover cuidadosamente o pó em barreiras de controlo e tectos de protecção, para minimizar
a propagação de pó e escombros.
Medidas de controlo de pó deverão ser cumpridas não somente pelos trabalhadores, como
também, pelos responsáveis do transporte de materiais.
O local de equipamentos de construção deverá ser localizado fora das áreas de acesso e
entrada de ar do edifício.
Os stocks de materiais fora do edifício deverão ser minimizados.
Os materiais deverão estar armazenados acima do nível do chão, em paletas ou prateleiras,
de forma a permitir a circulação de ar. Além disso, materiais secos devem ser forrados com
plásticos para prevenir os danos da chuva.
Materiais molhados deverão ser secos antes da sua instalação.
AII-XI
1.26 Estar ciente que alguns materiais, como as madeiras, podem chegar ao local com elevado
conteúdo de humidade, adquirido antes da chegada ou durante o seu transporte.
1.27 Localizar materiais tóxicos, como a tela asfáltica, longe das entradas de ar (considerar a
direcção do vento). A entrada de ar interior deverá ser interrompida temporariamente.
1.28 Utilizar um espaço de armazém para permitir que materiais terminem a emissão de gases
antes da instalação.
1.29 Durante a construção, condutas e ventilação mecânica deverá ser temporariamente fechadas.
1.30 Em caso de vazamento de produto tóxico em material facilmente substituível, esta troca
deverá ser feita por um novo material.
1.31 Ventilar o espaço, quando se instalar materiais húmidos ou material que liberta odores.
1.32 Durante a instalação de alcatifas, pinturas, acabamentos e outros produtos emissores de
VOCs, providenciar ventilação suplementar de pelo menos 72 horas depois que o trabalho
esteja concluído.
1.33 Assegurar que as empresas contratadas, determinem condições de procedimentos com os
materiais a utilizar, tendo em conta a saúde do trabalhador e posterior utilizador do edifício.
(C5) 2- Conforto Acústico
2.1
2.2
S
N
NA TI
EI PV Obs.
S
N
NA TI
EI PV Obs.
S
N
NA TI
EI PV Obs.
Providenciar, quando possível, controlo e eliminação de ruídos dos equipamentos.
Providenciar controlo de vibrações apropriados.
(C5) 3- Iluminação / Qualidade Visual
(Este indicador não é identificado nesta fase)
(C5) 4- Conforto Térmico
(Este indicador não é identificado nesta fase)
AII-XII
GUIÃO PARA A CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL
Projecto analisado:
Responsável pela análise:
Nomenclatura utilizada:
S - sim
N - não
NA- não aplicável à tipologia do projecto
TI- Tecnicamente inviável
EI- Economicamente inviável
PV- Ponderar viabilidade
obs- observação à complementar
D- OPERAÇÃO E MANUTENÇÃO
Categoria 1- Localização e Planeamento
(C1) 1- Critério de selecção
(Este indicador não é identificado nesta fase)
(C1) 2- Integração do projecto
2.1
3.2
3.3
3.4
3.5
3.6
2.2
2.3
2.4
2.5
2.6
2.7
2.8
2.9
2.10
2.11
2.12
2.13
2.14
2.15
2.16
2.17
2.18
3.2
3.3
3.4
S
N
NA TI
EI PV Obs.
S
N
NA TI
EI PV Obs.
S
N
NA TI
EI PV Obs.
S
N
NA TI
EI PV Obs.
S
N
NA TI
EI PV Obs.
S
N
NA TI
EI PV Obs.
Definir a locação de grupos com funções similares no edifício, dentro da mesma zona de
controlo de AVAC, de forma a que essas áreas possam ser programadas separadamente.
Utilize sistemas e equipamentos de refrigeração e outros sistemas AVAC, sem o uso de
CFC.
Educar para a eficiência energética e providenciar assessoria de manutenção para o edifício.
Avaliar a performance e o comportamento (conduta) de ocupação.
Utilizar equipamentos com elevada eficiência, e com sistema de velocidade variável.
Seleccionar novos equipamentos (incluindo transformadores) e electrodomésticos que utilizem
critérios de eficiência energética (eco etiqueta)
Especificar a eficiência energética de equipamentos de trabalho.
Considerar estratégias como "evaporative cooling" para arrefecimento.
Realizar sessões de videoconferência, quando possível. (ver Leitura Complementar 2.9).
Para as grandes caldeiras, realizar o controlo do oxigénio para aumentar a eficiência da
combustão.
Identificar as ocorrências de picos de consumo de energia e desenvolver estratégias de
gestão.
Configurar o controlo de sistemas AVAC do edifício, para operar de acordo com as
necessidades do edifício.
Limitar o consumo eléctrico de equipamentos não essenciais durante horas de ponta.
Usar lâmpadas e luminárias eficientes com balastros electrónicos (sistema de arranque).
Usar sistemas de controlo para reduzir o uso de energia (ex.: dimmers, sensores de
ocupação, photocells, e time clocks).
Utilizar níveis reduzidos de iluminação e intensidade lumínica apropriada, somente onde
necessário.
Escolher luminárias com ângulo de expansão e que possam ser direccionadas.
Reduzir a altura das luminárias de forma a iluminar somente as áreas limites estabelecidas.
(C2) 3- Aproveitamento das condições locais
3.1
EI PV Obs.
Inspeccionar as aberturas e envolventes do edifício periodicamente.
Aconselha-se, em "open space", à subdivisão dos espaços em função das actividades dos
trabalhadores e dos factores externos.
(C2) 2- Controlo de consumo
2.1
NA TI
Identificar valores culturais locais a serem preservados. Contribuir assim para uma maior
ligação com a comunidade local e sua herança cultural.
Contribuir para a redução dos veículos individuais na cidade e redução da emissão de CO2 (ver
algumas medidas em Leitura Complementar 3.2).
Utilizar, quando possível, vias de transporte existentes para minimizar a necessidade de novas
infra-estruturas.
Considerar o aumento de uso de estratégias de telecomunicação nos edifícios
(telecomunicação e videoconferência).
Encorajar uma maior diversidade de usos dentro do edifício.
Procurar, sempre que possível, viver próximo ao local de trabalho e escolas.
Categoria 2- Gestão de Energia
(C2) 1- Controlo de recursos
1.1
1.2
N
Integrar espaços verdes e projectos paisagísticos ao empreendimento. (ver comentários em
Leitura Complementar 2.1)
(C1) 3- Contribuição para o desenvolvimento local
3.1
S
Rever, após o término da construção, todas as aberturas, controlo solar e sistemas de
controlo de iluminação, para verificar se estão a funcionar conforme especificado.
Identificar os responsáveis pela manutenção e assegurar que eles sejam familiarizados com
os procedimentos próprios.
Minimizar a manutenção de sistemas solares activos e outros sistemas, através da automanutenção (self-maintaining)
Escolher, quando houver, a oferta de energia "verde" fornecida pelas Companhias de
electricidade.
Categoria 3- Gestão de Água
(C3) 1- Controlo de recursos
1.1
1.2
Optar por plantas nativas ou espécies bem adaptadas.
Minimizar o cultivo de relvados que requerem muita manutenção. (ver site: www.bioriza.com/ ).
1.3
Minimizar o uso de plantas anuais.
AII-XIII
(C3) 2- Controlo de consumo / impacte
2.1
2.2
2.3
2.4
2.5
2.6
2.7
2.8
2.9
(C3) 3- Aproveitamento das condições locais
3.1
4.2
4.3
1.2
1.3
1.4
1.5
1.6
1.7
1.8
1.9
1.10
1.11
1.12
1.13
1.14
1.15
1.16
1.17
1.18
1.19
N
NA TI
EI PV Obs.
S
N
NA TI
EI PV Obs.
S
N
NA TI
EI PV Obs.
S
N
NA TI
EI PV Obs.
S
N
NA TI
EI PV Obs.
S
N
NA TI
EI PV Obs.
S
N
NA TI
EI PV Obs.
Recuperar e reciclar recursos (ver exemplos em Leitura Complementar 4.1).
Desenvolver e promover em locais visíveis e centrais, plano de redução de resíduos em posto
de trabalho (com metas de redução).
Categoria 5- Qualidade do Ambiente Interior
(C5) 1- Qualidade do Ar Interior (QAI)
1.1
S
Controlar a humidade e a temperatura para melhor preservação dos materiais.
Evitar sujidade e limpeza com produtos tóxicos.
Projectar espaços flexíveis para futuras alterações de uso.
Especificar materiais e montagens que possam ser facilmente desmontados no final de sua
vida útil.
(C4) 3- Aproveitamento das condições locais
(Este indicador não é identificado nesta fase)
(C4) 4- Uso de materiais reciclados e renováveis
4.1
4.2
EI PV Obs.
Remover tintas por meio de produção não tóxica e com baixa emissão de VOCs.
(C4) 2- Controlo de consumo
2.1
2.2
2.3
2.4
NA TI
Restaurar a paisagem nativa quando o distúrbio local e o corte de algumas árvores forem
inevitáveis.
Executar uma análise orçamental da água para o projecto e contabilizar todo o fluxo diário
desperdiçado.
Separar e reciclar óleo de cozinha. (ver site www.inresiduos.pt medidas obrigatórias e
voluntárias de recolha de óleo e viabilização).
Categoria 4- Gestão dos Materiais, Recursos e Resíduos
(C4) 1- Controlo de recursos
1.1
N
Utilização da água da chuva tendo em conta o processo de armazenamento, filtragem,
bombeamento, distribuição e distintivos de acesso e opção por parte do usuário.
(C3) 4- Prevenção e recuperação do impacto ambiental ocasionado
4.1
S
Minimizar a irrigação, o uso de pesticidas e fertilizantes.
Estabelecer estratégia de separação entre altas e baixas zonas de manutenção de plantas e
relvados.
Quando possível, utilizar aeradores em torneiras.
Quando possível, utilizar Ozono (O 3) para tratamento da água ao invés do cloro.
Use sistemas eficientes de irrigação.
Reduzir o consumo da água no edifício (ver exemplos de medidas em Leitura Complementar
2.6)
Providenciar formações e manuais para o utilizador final, abordando os princípios de
conservação da água e possibilidades de reutilização.
Desenvolver uma consciencialização individual, definindo as suas próprias medidas de
conservação.
Planear de forma que os resíduos sólidos (orgânico e inorgânico) sejam separados,
colectados, e reciclados no edifício e na comunidade.
Testar e monitorar a ventilação e o fluxo de ar, bem como suspender partículas contaminantes
e gases em áreas de ocupação do edifício.
Isolar espaços empoeirados de sistemas de ventilação.
Manter portas fechadas e escadas isoladas, para não actuar como condutores de
contaminação.
Positivamente, pressurizar áreas não ocupadas e usar sistemas de ventilação afim de
minimizar a migração de contaminantes dentro de espaços ocupados.
Notificar sobre comportamentos inaceitáveis para a QAI.
Desenvolver um programa de limpeza e providenciar a elevada eficiência de partículas filtro
(HEPA) em aspirador de pó.
Usar panos molhados, esfregão humedecido, e aspirador de pó com filtro HEPA para limpar
pó.
Instalar barreiras entre áreas de trabalho e áreas ocupadas.
Instalar barreiras e fechamento sobre os tectos afim de evitar a transmissão de pó dentro de
áreas adjacentes.
Usar métodos de extracção em áreas que sofram fortemente com a contaminação e
infestação de mofo.
Durante processo de limpeza de mofo, minimizar a exposição dos ocupantes do edifício.
Não permitir a acumulação de pó e escombros no local (aconselha-se a remoção diária).
Providenciar tapetes dentro de áreas de barreira de controlo de pó.
Remover cuidadosamente o pó em barreiras de controlo e tectos de protecção.
Localizar materiais tóxicos, como tela asfáltica, longe de entradas de ar, quando possível, e
considerar a direcção do vento. A entrada de ar interior deverá ser interrompida
temporariamente.
Instruir ocupantes a fecharem as portas e janelas no período de impermeabilização das
coberturas.
Realizar o trabalho com produtos químicos durante os períodos de menos ocupação e
providenciar boa comunicação com todas as partes envolvidas, incluindo moradores do
edifício.
Armazenar líquidos perigosos no exterior em contentores próprios.
Durante a construção, condutas e ventilação mecânica devem ser temporariamente fechadas.
AII-XIV
1.20 Usar menos agentes de limpeza tóxicos, propondo a sua substituição por produtos menos
tóxicos ou através de materiais que requerem menos manutenção.
1.21 Se solventes, produtos de limpeza, gasolina, ou outros potenciais líquidos tóxicos são
derramados sobre o piso, limpar imediatamente para reduzir avançada contaminação.
1.22 Em caso de vazamento de produto tóxico em material facilmente substituível, deverá procederse a troca por novo material.
1.23 Realizar a renovação do ar antes da ocupação do edifício (através de 100% de ventilação).
1.24 Considerar a substituição de sistemas que contenham CFC (clorofluorcarbono).
1.25 Prefira as pinturas à base de cal em locais de permanência.
(C5) 2- Conforto Acústico
(Este indicador não é identificado nesta fase)
(C5) 3- Iluminação / Qualidade Visual
3.1
4.2
N
NA TI
EI PV Obs.
S
N
NA TI
EI PV Obs.
S
N
NA TI
EI PV Obs.
Após a construção, em fase de utilização, os sistemas de iluminação devem ser calibrados,
além disso deve ser feito um guia para o utilizador, para melhor aproveitamento das
estratégias implementadas.
(C5) 4- Conforto térmico
4.1
S
Em períodos de renovação, redimensionar componentes e equipamentos caso ocorra
alterações decorrentes.
Aumentar o conforto do utilizador em caso de renovação (tendo em conta o controlo da
temperatura e ventilação ideal).
AII-XV
Anexo III
Desempenho ambiental dos edifícios de referência
AIII-I
Desempenho (Ambiental e económico) de (2006)
DVD
Dados Gerais
ABL
Mall
30214
Janeiro
Fevereiro
Março
Abril
2006
8447,7
Maio
Junho
Julho
Agosto
Setembro
Outubro
Novembro
Dezembro
Total
ENERGIA
E. Electrica (KWh)
653.830
514.058
548.410
504.022
549.666
622.145
753.907
721.268
631.633
540.888
516.288
583.365
7139480
Diesel (Lts)
0
Gasolina (Lts)
Gás Natural (M3)
0
29.799
21.907
22.967
3.644
439
108,00
0,00
0,00
107
0
0
1053
1053
903
903
1203
1203
1143
1143
1001
1001
1025
78971
ÁGUA
água M3 (Centro)
1025
12653
água M3 (estacion.)
0
3
água M (fugas)
0
3
água M (total)
1053,0
1053,0
902,5
902,5
1203,0
1203,0
1143,0
1143,0
1000,5
1000,5
1024,5
1024,5
12653
RESÍDUOS
reciclados (Kg)
157245
não reciclados (KG)
289373
total de resíduos
% reciclados
0,0
#DIV/0!
0,0
#DIV/0!
0,0
#DIV/0!
0,0
0,0
#DIV/0!
#DIV/0!
0,0
#DIV/0!
0,0
0,0
#DIV/0!
#DIV/0!
0,0
#DIV/0!
0,0
#DIV/0!
0,0
#DIV/0!
0,0
446618,0
#DIV/0!
35,2%
% média
EUROS
Euros (E. eléctrica)
49.968,00
40.593,10
40.782,62
35.161,23
38.589,01
42.836,88
49.294,25
47.940,76
42.169,19
35.471,33
38.755,96
40.587,86 502.150,20
Euros (Diesel)
0,00
Euros (Gasolina)
3
Euros(M - Gás)
0,00
10.586,01
Euros (Água)
4.025,74
Total (Euros)
64.579,75
8.033,10
8.405,80
48.626,20
52.661,32
1.611,83
440,87
36.773,06
43.606,88
3.472,90
368,57
319,58
43.205,45
53.970,05
4.577,00
236,31
357,08
48.177,07
47.249,47
4.356,22
67,00
4.528,00
5.154,00
26.309,06
35.538,33
48.437,96
49.297,86 572.123,41
4.723,20
8.710,00
43.664,15
Conversões necessárias
Janeiro
Fevereiro
Março
Abril
Maio
Junho
Julho
2006
Agosto
Setembro
Outubro
Novembro
Dezembro
total
Conversão Energia em TEP
E. Electrica (KWh)
653830
514058
548410
504022
549666
622145
753907
721268
631633
540888
516288
583365
7139480
Diesel (Ltr para ton)
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
Gasolina (Ltr para ton)
G. Nat. (M3 p/1000M3)
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
29,799
21,907
22,967
3,644
0,439
0,108
0
0
0,107
0
0
0
78,971
218,63303 209,16772 183,26131 156,85752 149,72352 169,17585
2135,2054
Energia total (TEP)
214,04588 167,04056 177,87184 149,15446 159,76312 180,51061
Outros Dados
Janeiro
tráfego
457072,00
Fevereiro
396606
Março
Abril
430673
Maio
490235
Junho
429610
Julho
416792
2006
Agosto
459217
523444
Setembro
437075
Outubro
469781
Novembro
473590
Dezembro
total
658679
5642774
Indicadores ambientais (DVD)
Indicador (consumo por área - mall)
Janeiro
TEP/ 1000M2
Fevereiro
Março
Abril
Maio
Junho
Julho
Agosto
Setembro
Outubro
Novembro
Dezembro
Média
25,34
19,77
21,06
17,66
18,91
21,37
25,88
24,76
21,69
18,57
17,72
20,03
21,06
M3(água)/1000M2
124,65
124,65
106,83
106,83
142,41
142,41
135,30
135,30
118,43
118,43
121,28
121,28
124,82
não recicl. Kg/M2
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
EUROS/M2
7,64
5,76
6,23
4,35
5,16
5,11
6,39
5,70
5,59
4,21
5,73
5,84
5,64
Indicador (Consumo por convidado)
Janeiro
TEP/ 1000 conv.
Fevereiro
Março
Abril
Maio
Junho
Julho
Agosto
Setembro
Outubro
Novembro
Dezembro
Média
0,47
0,42
0,41
0,30
0,37
0,43
0,48
0,40
0,42
0,33
0,32
0,26
0,41
M (água)/1000conv.
2,30
2,66
2,10
1,84
2,80
2,89
2,49
2,18
2,29
2,13
2,16
1,56
2,24
não rec. Kg/1000conv
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
141,29
122,61
122,28
75,01
101,50
103,66
117,53
92,04
108,10
75,65
102,28
74,84
103,07
3
EUROS/1000conv.
AIII-II
Desempenho (Ambiental e económico) de (2007)
DVD
Dados Gerais
ABL
Mall
30214
Janeiro
Fevereiro
Março
Abril
2007
8447,7
Maio
Junho
Julho
Agosto
Setembro
Outubro
Novembro
Dezembro
Total
ENERGIA
E. Electrica (KWh)
554.269
456.447
478.578
480.613
511.624
521.437
598.566
636.758
558.261
539.314
521.426
630.703
6487996
450
Diesel (Lts)
Gasolina (Lts)
Gás Natural (M3)
450
0
12.275
8.074
4.324
1.064
0
0,00
0,00
0,00
0
0
10.405
24.202
60344,02
923
1003
750
895
711
884
1082
764
852
573
721
1053
10211
ÁGUA
água M3 (Centro)
água M3 (estacion.)
0
água M3 (fugas)
0
água M3 (total)
923,0
1003,0
750,0
895,0
711,0
884,0
1082,0
764,0
852,0
573,0
721,0
1053,0
10211
reciclados (Kg)
16160,0
11802,0
13180,0
11770,0
11080,0
10440,0
16660,0
13400,0
11960,0
15960,0
15360,0
24560,0
172332,0
não reciclados (KG)
32080,0
22160,0
22320,0
23560,0
23470,0
21580,0
35720,0
20720,0
32460,0
23740,0
29440,0
30360,0
317610,0
total de resíduos
48240,0
33962,0
35500,0
35330,0
34550,0
32020,0
52380,0
34120,0
44420,0
39700,0
44800,0
54920,0
489942,0
33,5%
34,8%
37,1%
33,3%
32,1%
32,6%
31,8%
39,3%
26,9%
40,2%
34,3%
44,7%
35,0%
45.678,23
37.108,17
37.281,42
32.142,63
35.276,13
39.159,32
45.062,33
43.825,03
38.548,78
32.425,81
35.428,75
RESÍDUOS
% reciclados
EUROS
Euros (E. eléctrica)
37.103,38 459.040,00
Euros (Diesel)
0,00
Euros (Gasolina)
3
Euros(M - Gás)
0,00
10.000,00
Euros (Água)
4.000,00
Total (Euros)
59.678,23
8.000,00
6.000,00
45.108,17
47.281,42
4.000,00
4.000,00
32.142,63
39.276,13
4.000,00
39.159,32
49.062,33
2.000,00
4.000,00
4.000,00
24.000,00
34.425,81
43.428,75
45.103,38 521.040,00
4.000,00
43.825,03
42.548,78
8.000,00
38.000,00
Conversões necessárias
Janeiro
Fevereiro
Março
Abril
Maio
Junho
Julho
2007
Agosto
Setembro
Outubro
Novembro
Dezembro
total
Conversão Energia em TEP
E. Electrica (KWh)
554269
456447
478578
480613
511624
521437
598566
636758
558261
539314
521426
630703
6487996
Diesel (Ltr para ton)
0
0
0
0
0
0,37575
0
0
0
0
0
0
0,37575
Gasolina (Ltr para ton)
G. Nat. (M3 p/1000M3)
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
12,275
8,074
4,324
1,064
0
0
0
0
0,00002
0
10,405
24,202
60,34402
173,58414 184,65982 161,89571 156,40106 159,74564 202,74951
1931,3936
Energia total (TEP)
170,80351 138,99031
142,3333 140,25025 148,37096 151,60939
Outros Dados
Janeiro
tráfego
486187,00
Fevereiro
420837
Março
Abril
458264
Maio
472839
Junho
425133
Julho
466045
2007
Agosto
511215
546124
Setembro
450687
Outubro
470457
Novembro
497474
Dezembro
692740
total
5898002
Indicadores ambientais (DVD)
Indicador (consumo por área - mall)
Janeiro
TEP/ 1000M2
Fevereiro
Março
Abril
Maio
Junho
Julho
Agosto
Setembro
Outubro
Novembro
Dezembro
Média
20,22
16,45
16,85
16,60
17,56
17,95
20,55
21,86
19,16
18,51
18,91
24,00
19,05
2
M (água)/1000M
109,26
118,73
88,78
105,95
84,16
104,64
128,08
90,44
100,86
67,83
85,35
124,65
100,73
2
não recicl. Kg/M
3,80
2,62
2,64
2,79
2,78
2,55
4,23
2,45
3,84
2,81
3,48
3,59
3,13
EUROS/M2
7,06
5,34
5,60
3,80
4,65
4,64
5,81
5,19
5,04
4,08
5,14
5,34
5,14
3
Indicador (Consumo por convidado)
Janeiro
TEP/ 1000 conv.
3
M (água)/1000conv.
não rec. Kg/1000conv
EUROS/1000conv.
0,35
Fevereiro
0,33
Março
Abril
0,31
Maio
0,30
Junho
0,35
Julho
0,33
Agosto
0,34
0,34
Setembro
0,36
Outubro
0,33
Novembro
0,32
Dezembro
0,29
Média
0,35
1,90
2,38
1,64
1,89
1,67
1,90
2,12
1,40
1,89
1,22
1,45
1,52
1,91
65,98
52,66
48,71
49,83
55,21
46,30
69,87
37,94
72,02
50,46
59,18
43,83
54,33
122,75
107,19
103,18
67,98
92,39
84,02
95,97
80,25
94,41
73,18
87,30
65,11
89,48
AIII-III
Desempenho (Ambiental e económico) de (2006)
DVP
Dados Gerais
ABL
Mall
39000
Janeiro
Fevereiro
Março
Abril
2006
13456
Maio
Junho
Julho
Agosto
Setembro
Outubro
Novembro
Dezembro
Total
ENERGIA
E. Electrica (KWh)
886.831
939.295
888.288
899.589
971.121
1.151.850
1.133.707
1.227.825
1.157.739
998.719
949.099
833.596
12037659
Diesel (Lts)
0
Gasolina (Lts)
Gás Natural (M3)
0
0
ÁGUA
água M3 (Centro)
1767
1640
2411
1595
1611
1817
1932
2123
1533
1480
1506
1890
21305
água M3 (estacion.)
0
água M3 (fugas)
0
água M3 (total)
1767,0
1640,0
2411,0
1595,0
1611,0
1817,0
1932,0
2123,0
1533,0
1480,0
1506,0
1890,0
21305
RESÍDUOS
reciclados (Kg)
176104
não reciclados (KG)
570426
total de resíduos
% reciclados
0,0
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0,0
#DIV/0!
0,0
#DIV/0!
0,0
0,0
#DIV/0!
#DIV/0!
0,0
#DIV/0!
0,0
0,0
#DIV/0!
#DIV/0!
0,0
#DIV/0!
0,0
#DIV/0!
0,0
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75.142,36
80.670,42
76.780,46
65.010,18
746530,0
#DIV/0!
#DIV/0!
62.751,28
% média
56.556,01 835.435,52
EUROS
Euros (E. eléctrica)
0,0
23,6%
Euros (Diesel)
0,00
Euros (Gasolina)
0,00
Euros(M3- Gás)
0,00
Euros (Água)
4.621,62
4.621,62
2.693,75
2.693,75
7.871,52
7.871,52
6.894,07
6.894,07
6.996,35
6.996,35
4.712,50
Total (Euros)
70.181,85
73.681,10
72.221,86
69.041,19
76.112,27
87.660,32
82.036,43
87.564,49
83.776,81
72.006,53
67.463,78
4.712,50
67.579,62
61.268,51 903.015,14
Conversões necessárias
Janeiro
Fevereiro
Março
Abril
Maio
Junho
Julho
2006
Agosto
Setembro
Outubro
Novembro
Dezembro
total
Conversão Energia em TEP
E. Electrica (KWh)
886831
939295
888288
899589
971121
1151850
1133707
1227825
1157739
998719
949099
833596
12037659
Diesel (Ltr para ton)
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
Gasolina (Ltr para ton)
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0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
257,18099 272,39555 257,60352 260,88081 281,62509
334,0365
328,77503 356,06925 335,74431 289,62851 275,23871 241,74284
3490,9211
Energia total (TEP)
Outros Dados
Janeiro
tráfego
684603,00
Fevereiro
588051
Março
Abril
640269
Maio
776674
Junho
623168
Julho
620325
2006
Agosto
743734
773596
Setembro
647580
Outubro
644674
Novembro
610707
Dezembro
898381
total
8251762
Indicadores ambientais (DVP)
Indicador (consumo por área - mall)
Janeiro
TEP/ 1000M2
Fevereiro
Março
Abril
Maio
Junho
Julho
Agosto
Setembro
Outubro
Novembro
Dezembro
Média
19,11
20,24
19,14
19,39
20,93
24,82
24,43
26,46
24,95
21,52
20,45
17,97
21,62
2
M (água)/1000M
131,32
121,88
179,18
118,53
119,72
135,03
143,58
157,77
113,93
109,99
111,92
140,46
131,94
2
não recicl. Kg/M
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
EUROS/M2
5,22
5,48
5,37
5,13
5,66
6,51
6,10
6,51
6,23
5,35
5,01
4,55
5,59
3
Indicador (Consumo por convidado)
Janeiro
TEP/ 1000 conv.
Fevereiro
Março
Abril
Maio
Junho
Julho
Agosto
Setembro
Outubro
Novembro
Dezembro
Média
0,38
0,46
0,40
0,34
0,45
0,54
0,44
0,46
0,52
0,45
0,45
0,27
0,42
M (água)/1000conv.
2,58
2,79
3,77
2,05
2,59
2,93
2,60
2,74
2,37
2,30
2,47
2,10
2,58
não rec. Kg/1000conv
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
102,51
125,30
112,80
88,89
122,14
141,31
110,30
113,19
129,37
111,69
110,47
68,20
111,35
3
EUROS/1000conv.
AIII-IV
Desempenho (Ambiental e económico) de (2007)
DVP
Dados Gerais
ABL
Mall
39000
Janeiro
Fevereiro
Março
Abril
2007
13456
Maio
Junho
Julho
Agosto
Setembro
Outubro
Novembro
Dezembro
Total
ENERGIA
E. Electrica (KWh)
784.762
710.842
802.163
775.396
812.087
839.234
996.777
1.000.594
870.625
823.111
758.160
746.419
9920170
Diesel (Lts)
0
Gasolina (Lts)
Gás Natural (M3)
0
0
ÁGUA
água M3 (Centro)
1483
1386
1597
1566
1801
1552
1529
1424
1089
1037
1215
1253
16933,436
67,4
32,0
92,0
90,6
56,0
58,0
93,0
100,9
24,8
59,5
131,1
65,4
871
1550,7
1418,4
1689,0
1656,6
1857,0
1610,0
1622,0
1524,9
1113,8
1096,5
1346,4
1318,8
17804
reciclados (Kg)
19130,0
15284,0
19263,0
17274,0
16888,0
17130,0
20335,0
18567,0
14972,0
20276,0
20046,0
14767,0
213932,0
não reciclados (KG)
53202,0
36329,5
58882,0
45680,0
56293,0
51384,5
50833,0
46279,0
55704,0
49887,5
35653,5
53133,5
593261,5
total de resíduos
72332,0
51613,5
78145,0
62954,0
73181,0
68514,5
71168,0
64846,0
70676,0
70163,5
55699,5
67900,5
807193,5
26,4%
29,6%
24,7%
27,4%
23,1%
25,0%
28,6%
28,6%
21,2%
28,9%
36,0%
21,7%
26,5%
63.320,10
62.605,56
57.611,53
58.362,67
57.868,31
62.658,33
67.371,11
67.371,11
67.371,11
54.175,43
55.829,46
água M3 (estacion.)
0
água M3 (fugas)
água M3 (total)
RESÍDUOS
% reciclados
EUROS
Euros (E. eléctrica)
54.179,47 728.724,19
Euros (Diesel)
0,00
Euros (Gasolina)
0,00
Euros(M3- Gás)
0,00
Euros (Água)
5.889,57
5.889,57
4.854,50
4.854,50
3.879,91
3.879,91
5.384,02
5.384,02
5.078,89
5.078,89
6.436,26
Total (Euros)
69.209,67
68.495,13
62.466,03
63.217,17
61.748,22
66.538,24
72.755,13
72.755,13
72.450,00
59.254,32
62.265,72
6.436,26
63.046,28
60.615,73 791.770,47
Conversões necessárias
Janeiro
Fevereiro
Março
Abril
Maio
Junho
Julho
2007
Agosto
Setembro
Outubro
Novembro
Dezembro
total
Conversão Energia em TEP
E. Electrica (KWh)
784762
710842
802163
775396
812087
839234
996777
1000594
870625
823111
758160
746419
9920170
Diesel (Ltr para ton)
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
Gasolina (Ltr para ton)
G. Nat. (M3 p/1000M3)
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
219,8664 216,46151
2876,8493
Energia total (TEP)
227,58098 206,14418 232,62727 224,86484 235,50523 243,37786
289,06533 290,17226 252,48125 238,70219
Outros Dados
Janeiro
tráfego
661101
Fevereiro
606232
Março
Abril
632904
Maio
659932
Junho
665731
Julho
654005
2007
Agosto
728650
705763
Setembro
645481
Outubro
595240
Novembro
642195
Dezembro
845806
total
8043040
Indicadores ambientais (DVP)
Indicador (consumo por área - mall)
Janeiro
TEP/ 1000M2
Fevereiro
Março
Abril
Maio
Junho
Julho
Agosto
Setembro
Outubro
Novembro
Dezembro
Média
16,91
15,32
17,29
16,71
17,50
18,09
21,48
21,56
18,76
17,74
16,34
16,09
17,82
115,24
105,41
125,52
123,11
138,01
119,65
120,54
113,32
82,77
81,49
100,06
98,01
110,26
não recicl. Kg/M
3,95
2,70
4,38
3,39
4,18
3,82
3,78
3,44
4,14
3,71
2,65
3,95
3,67
EUROS/M2
5,14
5,09
4,64
4,70
4,59
4,94
5,41
5,41
5,38
4,40
4,63
4,50
4,90
3
2
M (água)/M
2
Indicador (Consumo por convidado)
Janeiro
TEP/ 1000 conv.
3
M (água)/1000conv.
não rec. Kg/1000conv
EUROS/1000conv.
Fevereiro
Março
Abril
Maio
Junho
Julho
Agosto
Setembro
Outubro
Novembro
Dezembro
Média
0,34
0,34
0,37
0,34
0,35
0,37
0,40
0,41
0,39
0,40
0,34
0,26
2,35
2,34
2,67
2,51
2,79
2,46
2,23
2,16
1,73
1,84
2,10
1,56
0,36
2,11
80,47
59,93
93,03
69,22
84,56
78,57
69,76
65,57
86,30
83,81
55,52
62,82
74,13
104,69
112,99
98,70
95,79
92,75
101,74
99,85
103,09
112,24
99,55
96,96
71,67
99,17
AIII-V
Desempenho (Ambiental e económico) de (2006)
DVC
Dados Gerais
ABL
Mall
38055
Janeiro
Fevereiro
Março
Abril
2006
9003
Maio
Junho
Julho
Agosto
Setembro
Outubro
Novembro
Dezembro
Total
ENERGIA
690.953
E. Electrica (KWh)
641.569
637.637
893.094
789.568
953.308
953.628
1.014.667
964.398
883.994
847.397
720.976
9991189
Diesel (Lts)
0
Gasolina (Lts)
Gás Natural (M3)
0
0
ÁGUA
água M3 (Centro)
1194
1543
1391
1658
2723
1754
2537
1826
2779
1173
1240
1565
21383
água M3 (estacion.)
0
água M3 (fugas)
0
água M3 (total)
1194,0
1543,0
1391,0
1658,0
2723,0
1754,0
2537,0
1826,0
2779,0
1173,0
1240,0
1565,0
21383
RESÍDUOS
reciclados (Kg)
182971
não reciclados (KG)
578340
total de resíduos
0,0
% reciclados
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#DIV/0!
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#DIV/0!
#DIV/0!
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#DIV/0!
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#DIV/0!
#DIV/0!
0,0
#DIV/0!
0,0
#DIV/0!
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57.959,41
761311,0
#DIV/0!
#DIV/0!
58.249,30
% média
48.210,96 713.342,04
EUROS
Euros (E. eléctrica)
0,0
24,0%
Euros (Diesel)
0,00
Euros (Gasolina)
0,00
Euros(M3- Gás)
0,00
Euros (Água)
3.990,87
3.990,87
3.936,51
3.936,51
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3.629,38
4.383,73
4.383,73
3.304,02
3.304,02
2.967,35
Total (Euros)
55.418,88
52.704,30
51.098,94
65.269,33
59.514,39
73.131,68
74.889,43
79.168,81
72.911,61
61.263,43
61.216,65
2.967,35
44.423,72
51.178,31 757.765,76
Conversões necessárias
Janeiro
Fevereiro
Março
Abril
Maio
Junho
Julho
2006
Agosto
Setembro
Outubro
Novembro
Dezembro
total
Conversão Energia em TEP
E. Electrica (KWh)
690953
641569
637637
893094
789568
953308
953628
1014667
964398
883994
847397
720976
9991189
Diesel (Ltr para ton)
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
Gasolina (Ltr para ton)
G. Nat. (M3 p/1000M3)
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
276,55212 294,25343 279,67542 256,35826 245,74513 209,08304
2897,4448
Energia total (TEP)
200,37637 186,05501 184,91473 258,99726 228,97472 276,45932
Outros Dados
Janeiro
tráfego
800674
Fevereiro
735939
Março
Abril
833840
Maio
853006
Junho
704258
Julho
689187
2006
Agosto
698995
598787
Setembro
751438
Outubro
755494
Novembro
737918
Dezembro
884389
total
9043925
Indicadores ambientais (DVC)
Indicador (consumo por área - mall)
Janeiro
TEP/ 1000M2
Fevereiro
Março
Abril
Maio
Junho
Julho
Agosto
Setembro
Outubro
Novembro
Dezembro
Média
22,26
20,67
20,54
28,77
25,43
30,71
30,72
32,68
31,06
28,47
27,30
23,22
26,82
2
M (água)/1000M
132,62
171,39
154,50
184,16
302,45
194,82
281,79
202,82
308,67
130,29
137,73
173,83
197,92
2
não recicl. Kg/M
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
EUROS/M2
6,16
5,85
5,68
7,25
6,61
8,12
8,32
8,79
8,10
6,80
6,80
5,68
7,01
3
Indicador (Consumo por convidado)
Janeiro
TEP/ 1000 conv.
Fevereiro
Março
Abril
Maio
Junho
Julho
Agosto
Setembro
Outubro
Novembro
Dezembro
Média
0,25
0,25
0,22
0,30
0,33
0,40
0,40
0,49
0,37
0,34
0,33
0,24
0,32
M (água)/1000conv.
1,49
2,10
1,67
1,94
3,87
2,55
3,63
3,05
3,70
1,55
1,68
1,77
2,36
não rec. Kg/1000conv
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
69,22
71,62
61,28
76,52
84,51
106,11
107,14
132,22
97,03
81,09
82,96
57,87
85,63
3
EUROS/1000conv.
Comparação final entre DVs
DVS consumo /M 2
2006
Dados económicos
EUROS/M2*
Dados Ambientais
TEP/1000M2 % reciclados
M3/1000M2
DVD
5,64
21,06
35,21%
124,82
DVC
7,01
26,82
24,03%
197,92
DVP
5,59
21,62
23,59%
131,94
AIII-VI
Desempenho (Ambiental e económico) de (2007)
DVC
Dados Gerais
ABL
Mall
38055
Janeiro
Fevereiro
Março
Abril
2007
9003
Maio
Junho
Julho
Agosto
Setembro
Outubro
Novembro
Dezembro
Total
ENERGIA
675.007
635.618
676.194
750.379
807.040
853.952
993.823
945.358
949.498
889.380
761.814
655.651
9593714
Diesel (Lts)
34
34
34,25
34,25
34,25
0
22,83
38,35
59,17
34,20
29,25
0,00
355,05
Gasolina (Lts)
Gás Natural (M3)
54
92
0
0
31
245
422
água M3 (Centro)
1472
1355
1437
1195
1656
1318
2401
1728
2401
1910
1615
1803
20291
água M3 (estacion.)
10,0
7,0
8,0
9,0
13,0
15,0
10,0
9,0
10,0
7,0
7,0
8,0
113
1482,0
1362,0
1445,0
1204,0
1669,0
1333,0
2411,0
1737,0
2411,0
1917,0
1622,0
1811,0
20404
reciclados (Kg)
17240,0
18560,0
19140,0
16720,0
18105,0
15670,0
17540,0
20270,0
19400,0
22220,0
25360,0
24820,0
235045,0
não reciclados (KG)
52463,0
45083,0
49223,0
50083,2
51503,0
51803,0
52063,0
46543,0
42323,0
49763,0
51763,0
48293,0
590906,2
total de resíduos
69703,0
63643,0
68363,0
66803,2
69608,0
67473,0
69603,0
66813,0
61723,0
71983,0
77123,0
73113,0
825951,2
24,7%
29,2%
28,0%
25,0%
26,0%
23,2%
25,2%
30,3%
31,4%
30,9%
32,9%
33,9%
28,5%
53.115,26
53.791,46
51.261,75
54.858,33
53.654,22
64.717,26
71.168,12
68.824,71
65.931,56
58.147,57
54.649,90
E. Electrica (KWh)
0
ÁGUA
água M3 (fugas)
0
água M3 (total)
RESÍDUOS
% reciclados
EUROS
Euros (E. eléctrica)
48.795,34 698.915,48
Euros (Diesel)
0,00
Euros (Gasolina)
0,00
Euros(M3- Gás)
0,00
Euros (Água)
6.164,79
Total (Euros)
59.280,05
5.834,03
53.791,46
57.095,78
54.858,33
5.043,82
64,00
4.941,76
93,84
7.492,44
188,16
8.464,60
58.698,04
64.781,26
76.109,88
68.918,55
73.424,00
58.335,73
63.114,50
200,69
38.488,13
48.996,03 737.403,61
Conversões necessárias
Janeiro
Fevereiro
Março
Abril
Maio
Junho
Julho
2007
Agosto
Setembro
Outubro
Novembro
Dezembro
total
Conversão Energia em TEP
E. Electrica (KWh)
675007
Diesel (Ltr para ton)
635618
676194
750379
807040
853952
0,0285988 0,0285988 0,0285988 0,0285988 0,0285988
Gasolina (Ltr para ton)
G. Nat. (M3 p/1000M3)
Energia total (TEP)
945358
949498
0 0,01906305 0,0320223
993823
0,049407
761814
655651
9593714
0,028557 0,0244238
889380
0
0,2964668
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0,054
0,092
0
0
0
0
0
0
0
0
0,031
0,245
0,422
220,977 190,33969
2782,8329
195,8262 184,43455 196,12615
217,6398 234,07149 247,64608 288,228591 274,18728 275,40605 257,95004
Outros Dados
Janeiro
tráfego
782319
Fevereiro
658169
Março
Abril
729188
Maio
732906
Junho
762937
Julho
711989
2007
Agosto
699545
589407
Setembro
703883
Outubro
755792
Novembro
760560
Dezembro
946271
total
8832966
Indicadores ambientais (DVD)
Indicador (consumo por área - mall)
Janeiro
TEP/ 1000M2
Fevereiro
Março
Abril
Maio
Junho
Julho
Agosto
Setembro
Outubro
Novembro
Dezembro
Média
21,75
20,49
21,78
24,17
26,00
27,51
32,01
30,46
30,59
28,65
24,54
21,14
25,76
2
M (água)/1000M
164,61
151,28
160,50
133,73
185,38
148,06
267,80
192,94
267,80
212,93
180,16
201,16
188,86
2
não recicl. Kg/M
5,83
5,01
5,47
5,56
5,72
5,75
5,78
5,17
4,70
5,53
5,75
5,36
5,47
EUROS/M2
6,58
5,97
6,34
6,09
6,52
7,20
8,45
7,66
8,16
6,48
7,01
5,44
6,83
3
Indicador (Consumo por convidado)
Janeiro
TEP/ 1000 conv.
Fevereiro
Março
Abril
Maio
Junho
Julho
Agosto
Setembro
Outubro
Novembro
Dezembro
Média
0,25
0,28
0,27
0,30
0,31
0,35
0,41
0,47
0,39
0,34
0,29
0,20
1,89
2,07
1,98
1,64
2,19
1,87
3,45
2,95
3,43
2,54
2,13
1,91
2,31
não rec. Kg/1000conv
67,06
68,50
67,50
68,34
67,51
72,76
74,42
78,97
60,13
65,84
68,06
51,04
67,51
EUROS/1000conv.
75,77
81,73
78,30
74,85
76,94
90,99
108,80
116,93
104,31
77,18
82,98
51,78
85,05
3
M (água)/1000conv.
0,32
Comparação final entre DVs
DVS consumo /M 2
2007
Dados económicos
EUROS/M2*
Dados Ambientais
TEP/1000M2 % reciclados
M3/1000M2
DVD
5,14
19,05
35,05%
100,73
DVC
6,83
25,76
28,46%
188,86
DVP
4,90
17,82
26,50%
110,26
AIII-VII
Anexo IV
Histograma de energia térmica do DVB
(Dados fornecidos pela empresa Paulo Queiroz de Faria (PQF) Engº Consultores)
AIV-I
CÁLCULO DOS CONSUMOS MÉDIOS ENERGÉTICOS COM PRODUÇÃO DIRECTA
1. HISTOGRAMAS:
DIA DE PROJECTO
DIA MÉDIO
INVERNO
2. DADOS DE CÁLCULO:
HORAS
Q (kW)
HORAS
Q (kW)
HORAS
Q (kW)
00:00
0
00:00
0
00:00
0
01:00
0
01:00
0
01:00
0
02:00
0
02:00
0
02:00
0
03:00
0
03:00
0
03:00
0
POTÊNCIA ARREF.
04:00
0
04:00
0
04:00
0
(kW)
05:00
0
05:00
0
05:00
0
9.725
06:00
0
06:00
0
06:00
0
CHILLER:
07:00
COP (Noite)
2,5
2,8
Coeficientes C.Térm icas
0,813
MEIA ESTAÇÃO
0,669
INVERNO
0
07:00
0
07:00
BOMBAS
CHILLER
TORRE
08:00
0
08:00
0
08:00
0
09:00
3.535
09:00
2.564
09:00
1.902
CAUDAL (m3/h)
1.672,7
1.359,1
10:00
5.788
10:00
4.222
10:00
3.149
Dp (m c.a.)
30
0
11:00
7.116
11:00
5.417
11:00
4.212
POT.(kW)
273,21
0,00
12:00
9.108
12:00
7.210
12:00
5.805
13:00
9.108
13:00
7.210
13:00
5.805
TORRE
POT.(kW)
Dt (ºC)
14:00
9.725
14:00
7.518
14:00
5.928
ARREFECIMENTO
12.643
8
15:00
9.725
15:00
7.518
15:00
5.928
16:00
9.416
16:00
7.364
16:00
5.868
17:00
9.416
17:00
7.364
17:00
5.868
18:00
9.108
18:00
7.210
18:00
5.805
Nº DE DIAS ANUAIS DE:
UTEIS
19:00
9.108
19:00
7.210
19:00
5.805
PROJECTO
66
12
12
3
20:00
9.725
20:00
7.518
20:00
5.928
MEIA ESTAÇÃO
129
28
28
6
21:00
7.733
21:00
5.726
21:00
4.335
INVERNO
66
12
12
3
22:00
5.171
22:00
3.913
22:00
3.026
SABADOS
s
23:00
3.843
23:00
2.718
23:00
1.964
DOMINGOS
s
TOTAIS
117.625
kWh (Dia)
90.682
kWh (Dia)
0
COP (Dia)
71.328
POT.ABSORVIDA (kW)
kWh (Dia)
0
SÁBADOS DOMINGOS
365
MESES
12
(Energia térmica consumida diáriamente)
3. CONSUMOS ELÉCTRICOS DIÁRIOS:
DIA DE PROJECTO (VERÃO)
HORAS
DIA MÉDIO (VERÃO)
INVERNO
SIMBOLOGIA
CHILLER
BOMBAS
TORRE
CHILLER
BOMBAS
TORRE
CHILLER
BOMBAS
TORRE
(kWh)
(kWh)
(kWh)
(kWh)
(kWh)
(kWh)
(kWh)
(kWh)
(kWh)
00:00
0
0
0
0
0
0
0
0
0
01:00
0
0
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02:00
0
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03:00
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0
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04:00
0
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0
0
0
0
0
07:00
0
0
0
0
0
0
0
0
0
08:00
0
0
0
0
0
0
0
0
0
09:00
1.414
273
0
1.026
273
0
679
273
0
10:00
2.315
273
0
1.689
273
0
1.125
273
0
11:00
2.846
273
0
2.167
273
0
1.504
273
0
12:00
3.643
273
0
2.884
273
0
2.073
273
0
13:00
3.643
273
0
2.884
273
0
2.073
273
0
14:00
3.890
273
0
3.007
273
0
2.117
273
0
15:00
3.890
273
0
3.007
273
0
2.117
273
0
16:00
3.766
273
0
2.946
273
0
2.096
273
0
17:00
3.766
273
0
2.946
273
0
2.096
273
0
18:00
3.643
273
0
2.884
273
0
2.073
273
0
19:00
3.643
273
0
2.884
273
0
2.073
273
0
20:00
3.890
273
0
3.007
273
0
2.117
273
0
21:00
2.762
273
0
2.045
273
0
1.548
273
0
22:00
1.847
273
0
1.398
273
0
1.081
273
0
23:00
1.373
273
0
971
273
0
701
273
0
TOTAIS
46.332
4.098
0
35.743
4.098
0
25.474
4.098
0
H.PONTA
2.465
1.900
1.764
HORAS VAZIAS
HORAS CHEIAS
HORAS DE PONTA
(Energia eléctrica consumida diáriamente) - kWh
(Potência eléctrica diária) - kW
AIV-II
CÁLCULO DOS CONSUMOS MÉDIOS ENERGÉTICOS COM ACUMULAÇÃO FRIGORÍFICA
1. ENERGIA TÉRMICA FORNECIDA (CHILLER + BANCOS DE GELO):
DIA DE PROJECTO
HORAS
2. DADOS DE CÁLCULO:
DIA MÉDIO
INVERNO
CHILLER
BANCOS
CHILLER
BANCOS
CHILLER
BANCOS
(kW)
(kW)
(kW)
(kW)
(kW)
(kW)
CHILLER:
COP (Dia)
COP (Noite)
2,5
2,8
00:00
5.304
5.304
5.304
01:00
5.304
5.304
5.304
02:00
5.304
5.304
5.304
03:00
5.304
5.304
5.304
04:00
5.304
5.304
5.304
PRODUÇÃO DIRECTA
GELO
05:00
5.304
5.304
5.304
6.630
5.304
06:00
5.304
91
3.357
07:00
5.183
08:00
0
0
0
0
0
0
09:00
0
3.535
0
2.564
0
1.902
MODELO
10:00
0
5.788
0
4.222
0
3.149
Nº DE TANQUES
80
11:00
0
7.116
0
5.417
0
4.212
ENERG. ARMAZENADA (kWh)
42.311
12:00
6.630
2.478
6.630
580
5.805
0
13:00
6.630
2.478
6.630
580
5.805
0
BOMBAS
CHILLER
TORRE
BANCOS
14:00
6.630
3.095
6.630
888
5.928
0
15:00
6.630
3.095
6.630
888
5.928
0
CAUDAL (m3/h)
1.140,4
926,5
1.234,0
16:00
6.630
2.786
6.630
734
0
5.868
Dp (m c.a.)
30
0
30
17:00
6.630
2.786
6.630
734
0
5.868
POT.(kW)
186
0
202
18:00
6.630
2.478
6.630
580
0
5.805
19:00
6.630
2.478
0
7.210
0
5.805
TORRE
POT.(kW)
Dt (ºC)
20:00
6.630
3.095
0
7.518
0
5.928
ARREFECIMENTO
8.619
8
21:00
6.630
1.103
5.726
0
4.335
0
22:00
5.171
0
3.913
0
3.026
0
23:00
3.843
0
2.718
0
1.964
0
TOTAIS
117.625
42.311
90.682
31.915
71.328
38.537
DIF.
0
0
POTÊNCIA ARREF. (kW)
3.356
0
BANCOS DE GELO
1190
POT.ABSORVIDA (kW)
0
(Energia térmica consumida diáriamente - kWh)
0
CÁLCULO DOS CONSUMOS MÉDIOS ENERGÉTICOS COM ACUMULAÇÃO FRIGORÍFICA
3. CONSUMOS ELÉCTRICOS DIÁRIOS:
DIA DE PROJECTO (VERÃO)
HORAS
DIA MÉDIO (VERÃO)
INVERNO
CHILLER
BOMBAS
TORRE
CHILLER
BOMBAS
TORRE
CHILLER
BOMBAS
TORRE
(kWh)
(kWh)
(kWh)
(kWh)
(kWh)
(kWh)
(kWh)
(kWh)
(kWh)
00:00
1.894
186
0
1.894
186
0
1.894
186
0
01:00
1.894
186
0
1.894
186
0
1.894
186
0
02:00
1.894
186
0
1.894
186
0
1.894
186
0
03:00
1.894
186
0
1.894
186
0
1.894
186
0
04:00
1.894
186
0
1.894
186
0
1.894
186
0
05:00
1.894
186
0
1.894
186
0
1.894
186
0
06:00
1.894
186
0
33
186
0
1.199
186
0
07:00
1.851
186
0
0
0
0
1.199
186
0
08:00
0
0
0
0
0
0
0
0
0
09:00
0
202
0
0
202
0
0
202
0
10:00
0
202
0
0
202
0
0
202
0
11:00
0
202
0
0
202
0
0
202
0
12:00
2.652
388
0
2.368
388
0
2.073
388
0
13:00
2.652
388
0
2.368
388
0
2.073
388
0
14:00
2.652
388
0
2.368
388
0
2.117
388
0
15:00
2.652
388
0
2.368
388
0
2.117
388
0
16:00
2.652
388
0
2.368
388
0
0
202
0
17:00
2.652
388
0
2.368
388
0
0
202
0
18:00
2.652
388
0
2.368
388
0
0
202
0
19:00
2.652
388
0
0
202
0
0
202
0
20:00
2.652
388
0
0
202
0
0
202
0
21:00
2.652
388
0
2.045
388
0
1.548
388
0
22:00
2.068
388
0
1.398
388
0
1.081
388
0
23:00
1.537
388
0
971
388
0
701
388
0
TOTAIS
45.237
6.748
0
32.386
6.190
0
25.474
5.817
0
H.PONTA
202
202
202
(Energia eléctrica consumida diáriamente) - kWh
(Potência eléctrica diária eléctrica) - kW
AIV-III
Anexo V
HORÁRIO DE UTILIZAÇÃO DOS ELEVADORES NO CC
(Dados fornecidos pela empresa LMSA)
AV-I
Horário Utilização Elevadores
horas
Segunda a Sexta
Potencia (8 KW) Potência (12Kw)
8
12
KWh
KWh
Domingo e
Feriados
Sábado
€ / kWh
%
€ / kWh
%
€ / kWh
0,00
0%
0,048
0%
0,048
0%
0,048
1,00
0%
0,048
0%
0,048
0%
0,048
2,00
0%
0,048
0%
0,048
0%
0,048
3,00
0%
0,048
0%
0,048
0%
0,048
4,00
0%
0,048
0%
0,048
0%
0,048
5,00
0%
0,048
0%
0,048
0%
0,048
6,00
0%
0,048
0%
0,048
0%
0,048
7,00
0%
0,0765
0%
0,048
0%
0,048
%
Potencia (8
KW)
8
Potencia (12
KW)
12
KWh
KWh
horas de vazio
cheia
ponta
8,00
0%
0,0765
0%
0,048
0%
0,048
9,00
25%
2
3
0,114
25%
0,0765
25%
0,048
2
3
10,00
75%
6
9
0,114
75%
0,0765
75%
0,048
6
9
11,00
75%
6
9
0,114
75%
0,0765
75%
0,048
6
9
12,00
85%
7
10
0,0765
85%
0,0765
85%
0,048
7
10
13,00
100%
8
12
0,0765
100%
0,0765
100%
0,048
8
12
14,00
100%
8
12
0,0765
100%
0,048
100%
0,048
8
12
15,00
75%
6
9
0,0765
100%
0,048
100%
0,048
8
12
16,00
75%
6
9
0,0765
100%
0,048
100%
0,048
8
12
17,00
100%
8
12
0,0765
100%
0,048
100%
0,048
8
12
18,00
100%
8
12
0,0765
100%
0,048
100%
0,048
8
12
19,00
100%
8
12
0,0765
100%
0,048
100%
0,048
8
12
20,00
100%
8
12
0,0765
100%
0,0765
100%
0,048
8
12
21,00
100%
8
12
0,0765
100%
0,0765
100%
0,048
8
12
22,00
100%
8
12
0,0765
100%
0,048
100%
0,048
8
12
23,00
75%
6
9
0,0765
75%
0,048
75%
0,048
6
9
103
154
0,048
107
160
0,084
0,061
AV-II
Anexo VI
Tabelas da Análise económica dos critérios seleccionados
AVI-I
Investimento / Substituição
inputs
inputs
Diferença
Consumo Energia
input
input
Diferença
Manutenção/Materiais
input
input
Diferença
Consumo Água
inputs anuais
inputs anuais
Diferença
Encargos Financeiros
inputs anuais
TIR 1 - DEMONSTRAÇÃO
Actualização de fluxos anuais a Tx para VAL 2
Somatório de fluxos - VAL 2
TIR 2 - DEMONSTRAÇÃO
Actualização de fluxos anuais a Tx para VAL 2
Somatório de fluxos - VAL 2
TIR 3 - DEMONSTRAÇÃO
Actualização de fluxos anuais a Tx para VAL 2
Somatório de fluxos - VAL 2
Net Present Value (Valor Actual Liquido) 1
Actualização de fluxos anuais a Tx para VAL 1
Somatório de fluxos - VAL 1 - Pay back Actualizado Taxa 1
Net Present Value (Valor Actual Liquido) 2
Actualização de fluxos anuais a Tx para VAL 2
Somatório de fluxos - VAL 2 . Pay back actualizado Taxa 2
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
2.737,54
-697,43
2.737,54
-697,43
-3.434,97
-3.434,97
-3.434,97
-3.434,97
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
2.277,47
102,49
-235,21
2.144,75
2.404,48
2.404,48
108,20
-235,21
2.277,47
Inicio
Juros
Pagt Fixo
Fim
2.404,48
2
2
555,82
-141,61
555,82
-141,61
555,82
-141,61
12.612,46
22.217,98
12.612,46
22.217,98
13.905,24
24.162,78
102,49
42.023,17
56.030,90
14.007,72
2
16 a 20
2,00%
2
1,030
16 a 20
0,20%
2
1,008
16 a 20
0,00%
2
1,00
PLANO DE PAGAMENTO DE FINANCIAMENTO
PERIODOS
0
1
Financiamento
2.404,48
1
2.737,54
-697,43
13.040,49
9.605,52
-3.434,97
-3.434,97
-3.434,97
-3.434,97
13.040,49
9.605,52
13.692,51
10.257,54
108,20
41.402,14
55.202,85
13.800,71
1
de 11-15
2,50%
1
1,015
de 11-15
0,30%
1
1,004
de 11-15
0,00%
1
1,00
-3.434,97
-3.434,97
-3.434,97
-3.434,97
0,00
0,00
14.157,99
10.723,02
-3.434,97
0
de 6 a 10
2,00%
0
1,000
de 6 a 10
0,40%
0
1,000
de 6 a 10
0,00%
0
1,00
196.588,73
156.213,60
400%
400%
400%
Pressupostos para financiamento
Período
0
Invest. Cost
3.435
% de Financ.
70%
Parte Financ.
2.404
Inicio
1
Periodo ret.
15
Taxa de juro
4,50%
Pagt. fixo
235,21
40.790
54.387
0
0
0
0
14.158
10.723
4,002
4,002
4,002
de 0 a 5
0,00%
Tx de crescimento Energia
Água
tX cres Água . p/ 5 ANOS
5%
5%
de 0 a 5
0,40%
Inflação de 5 anos em 5 anos
Energia
Tx de crescimento Energia
Tx de crescimento Água
Tx para VAL -20
Tx para VAL - 15
Tir 1- 20 Anos
Tir 2- 15 Anos
TIR 3 10 Anos
de 0 a 5
1,50%
Inflação
Inflação de 5 anos em 5 anos
Cash Flow (Fluxo de Caixa Anual) do investimento
Cash Flow Acumulado (Fluxo de Caixa Acumulado)/ Pay-Back simplificado
custos financeiros
Proposta Nova
Proposta Base
Proposta nova
Proposta Base
Proposta Nova
Proposta base
Proposta Nova
Proposta base
Wat1
duplo fluxo
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
1,00
1,012
1,046
2.144,75
96,51
-235,21
2.006,06
3
112,85
-28,76
112,85
-28,76
112,85
-28,76
12.198,53
34.416,51
12.198,53
34.416,51
14.121,33
38.284,11
96,51
42.653,52
56.871,36
14.217,84
3
3
3
3
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
1,00
2.006,06
90,27
-235,21
1.861,13
4
22,91
-5,84
22,91
-5,84
22,91
-5,84
11.798,24
46.214,75
11.798,24
46.214,75
14.340,84
52.624,94
90,27
43.293,32
57.724,43
14.431,11
4
4
4
1,016
4
1,061
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
1,00
1,020
1,077
1.861,13
83,75
-235,21
1.709,67
5
4,65
-1,19
4,65
-1,19
4,65
-1,19
11.411,14
57.625,89
11.411,14
57.625,89
14.563,82
67.188,77
83,75
43.942,72
58.590,30
14.647,57
5
5
5
5
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
1,00
1,024
1,099
1.709,67
76,94
-235,21
1.551,40
6
0,95
-0,24
0,95
-0,24
0,95
-0,24
11.091,44
68.717,33
11.091,44
68.717,33
14.863,59
82.052,36
76,94
44.821,58
59.762,10
14.940,53
6
6
6
6
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
1,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
1,00
62,37
46.632,37
62.176,49
15.544,12
8
8
8
1,032
8
1,143
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
1,00
1,037
1,166
54,59
47.565,02
63.420,02
15.855,01
9
9
9
9
1.551,40
69,81
-235,21
1.386,00
7
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-0,05
0,19
-0,05
0,19
-0,05
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79.498,03
10.780,70
79.498,03
1.386,00
62,37
-235,21
1.213,17
8
0,04
-0,01
0,04
-0,01
0,04
-0,01
1.213,17
54,59
-235,21
1.032,55
9
0,01
0,00
0,01
0,00
0,01
0,00
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10.478,66 10.185,09
89.976,69 100.161,77
15.169,52 15.481,75 15.800,41
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69,81
45.718,01
60.957,35
15.239,34
7
7
7
1,028
7
1,121
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
1,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
1,00
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11
11
11
1,044
11
1,219
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
1,00
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50.972,46
67.963,27
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12
12
12
1,047
12
1,250
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
1,00
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52.246,77
69.662,36
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13
13
13
1,050
13
1,281
1.032,55
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-235,21
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10
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
843,81
37,97
-235,21
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11
0,00
0,00
0,00
0,00
646,58
29,10
-235,21
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12
0,00
0,00
0,00
0,00
440,46
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-235,21
225,08
13
0,00
0,00
0,00
0,00
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9.444,92
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9.899,74
9.669,68
9.444,92
9.225,35
110.061,52 119.731,20 129.176,12 138.401,47
16.125,64 16.538,44 16.961,72 17.395,77
144.629,69 161.168,12 178.129,85 195.525,62
46,46
48.516,32
64.688,42
16.172,11
10
10
10
1,041
10
1,189
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
1,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
1,00
0,00
54.891,76
73.189,01
18.297,25
15
15
15
1,056
15
1,346
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
1,00
0,00
55.989,60
74.652,79
18.663,20
16
16
16
1,059
16
1,373
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
1,00
0,00
57.109,39
76.145,85
19.036,46
17
17
17
1,061
17
1,400
225,08
10,13
-235,21
0,00
14
0,00
0,00
0,00
0,00
15
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
9.010,84
8.801,29
147.412,31 156.213,60
16
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
17
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
9.010,84
8.801,29
8.549,83
8.305,55
147.412,31 156.213,60 164.763,43 173.068,97
17.840,85 18.297,25 18.663,20 19.036,46
213.366,47 231.663,72 250.326,92 269.363,38
10,13
53.552,94
71.403,92
17.850,98
14
14
14
1,053
14
1,313
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
1,00
18
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
8.068,24
181.137,22
19.417,19
288.780,57
0,00
58.251,57
77.668,77
19.417,19
18
18
18
1,063
18
1,428
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
1,00
19
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
7.837,72
188.974,94
19.805,54
308.586,11
0,00
59.416,61
79.222,14
19.805,54
19
19
19
1,065
19
1,457
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
1,00
0,00
0,00
0,00
0,00
AVI-II
20
0,00
0,00
7.613,79
196.588,73
20.201,65
328.787,75
0,00
60.604,94
80.806,58
20.201,65
20
20
20
1,067
20
1,486
Investimento / Substituição
inputs
inputs
Diferença
Consumo Energia
input
input
Diferença
Manutenção/Materiais
input
input
Diferença
Consumo Água
inputs anuais
inputs anuais
Diferença
Encargos Financeiros
inputs anuais
TIR 1 - DEMONSTRAÇÃO
Actualização de fluxos anuais a Tx para VAL 2
Somatório de fluxos - VAL 2
TIR 2 - DEMONSTRAÇÃO
Actualização de fluxos anuais a Tx para VAL 2
Somatório de fluxos - VAL 2
TIR 3 - DEMONSTRAÇÃO
Actualização de fluxos anuais a Tx para VAL 2
Somatório de fluxos - VAL 2
Net Present Value (Valor Actual Liquido) 1
Actualização de fluxos anuais a Tx para VAL 1
Somatório de fluxos - VAL 1 - Pay back Actualizado Taxa 1
Net Present Value (Valor Actual Liquido) 2
Actualização de fluxos anuais a Tx para VAL 2
Somatório de fluxos - VAL 2 . Pay back actualizado Taxa 2
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
4.717,89
-1.609,52
4.717,90
-1.609,51
-6.327,41
-6.327,41
-6.327,41
-6.327,41
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
4.195,24
188,79
-433,26
3.950,76
4.429,19
4.429,19
199,31
-433,26
4.195,24
Inicio
Juros
Pagt Fixo
Fim
4.429,19
2
2
1.200,08
-409,44
1.200,07
-409,44
1.200,07
-409,44
17.356,23
28.970,85
17.356,23
28.970,85
19.135,24
31.646,96
188,79
687,01
20.011,03
19.324,02
2
16 a 20
2,00%
2
1,030
16 a 20
0,20%
2
1,008
16 a 20
0,00%
2
1,00
PLANO DE PAGAMENTO DE FINANCIAMENTO
PERIODOS
0
1
Financiamento
4.429,19
1
4.717,89
-1.609,52
17.942,03
11.614,62
-6.327,41
-6.327,41
-6.327,41
-6.327,41
17.942,03
11.614,62
18.839,13
12.511,72
199,31
676,86
19.715,31
19.038,45
1
de 11-15
2,50%
1
1,015
de 11-15
0,30%
1
1,004
de 11-15
0,00%
1
1,00
-6.327,41
-6.327,41
-6.327,41
-6.327,41
0,00
0,00
14.993,00
8.665,59
-6.327,41
0
de 6 a 10
2,00%
0
1,000
de 6 a 10
0,40%
0
1,000
de 6 a 10
0,00%
0
1,00
269.293,13
213.594,58
299%
299%
299%
Pressupostos para financiamento
Período
0
Invest. Cost
6.327
% de Financ.
70%
Parte Financ.
4.429
Inicio
1
Periodo ret.
15
Taxa de juro
4,50%
Pagt. fixo
433,26
667
19.424
0
0
0
0
14.993
8.666
2,993
2,993
2,993
de 0 a 5
0,00%
Tx de crescimento Energia
Água
tX cres Água . p/ 5 ANOS
5%
5%
de 0 a 5
0,40%
Inflação de 5 anos em 5 anos
Energia
Tx de crescimento Energia
Tx de crescimento Água
Tx para VAL -20
Tx para VAL - 15
Tir 1- 20 Anos
Tir 2- 15 Anos
TIR 3 10 Anos
de 0 a 5
1,50%
Inflação
Inflação de 5 anos em 5 anos
Cash Flow (Fluxo de Caixa Anual) do investimento
Cash Flow Acumulado (Fluxo de Caixa Acumulado)/ Pay-Back simplificado
custos financeiros
Proposta Nova
Proposta Base
Proposta nova
Proposta Base
Proposta Nova
Proposta base
Proposta Nova
Proposta base
wat1
urinóis sem água
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
1,00
1,012
1,046
3.950,76
177,78
-433,26
3.695,28
3
305,26
-104,18
305,26
-104,18
305,26
-104,18
16.789,63
45.760,48
16.789,63
45.760,48
19.436,10
51.083,06
177,78
697,32
20.311,20
19.613,88
3
3
3
3
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
1,00
3.695,28
166,29
-433,26
3.428,30
4
77,65
-26,53
77,65
-26,53
77,65
-26,53
16.241,63
62.002,11
16.241,63
62.002,11
19.741,81
70.824,87
166,29
707,78
20.615,87
19.908,09
4
4
4
1,016
4
1,061
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
1,00
1,020
1,077
3.428,30
154,27
-433,26
3.149,31
5
19,75
-6,78
19,75
-6,78
19,75
-6,78
15.711,61
77.713,73
15.711,61
77.713,73
20.052,44
90.877,31
154,27
718,39
20.925,11
20.206,71
5
5
5
5
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
1,00
1,024
1,099
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
1,00
128,60
747,42
21.770,48
21.023,07
7
7
7
1,028
7
1,121
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
1,00
114,89
762,36
22.205,89
21.443,53
8
8
8
1,032
8
1,143
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
1,00
1,037
1,166
100,56
777,61
22.650,01
21.872,40
9
9
9
9
3.149,31
141,72
-433,26
2.857,76
6
5,05
-1,73
5,05
-1,73
5,05
-1,73
2.857,76
128,60
-433,26
2.553,10
7
1,29
-0,44
1,29
-0,44
1,29
-0,44
2.553,10
114,89
-433,26
2.234,72
8
0,33
-0,11
0,33
-0,11
0,33
-0,11
2.234,72
100,56
-433,26
1.902,02
9
0,08
-0,02
0,08
-0,03
0,08
-0,03
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92.988,11 107.837,41 122.273,47 136.307,79
15.274,38 14.849,31 14.436,06 14.034,32
92.988,11 107.837,41 122.273,47 136.307,79
20.469,13 20.894,47 21.328,64 21.771,83
111.346,44 132.240,91 153.569,54 175.341,38
141,72
732,76
21.343,61
20.610,85
6
6
6
6
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
1,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
1,00
69,95
812,99
23.680,58
22.867,59
11
11
11
1,044
11
1,219
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
1,00
53,60
833,32
24.272,60
23.439,28
12
12
12
1,047
12
1,250
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
1,00
36,51
854,15
24.879,41
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13
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13
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-0,01
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11
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149.951,56 163.280,87 176.302,89 189.024,64
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16
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18
18
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19
19
19
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19
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0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
1,00
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0,00
0,00
AVI-III
20
0,00
0,00
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0,00
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27.868,70
20
20
20
1,067
20
1,486
Investimento / Substituição
inputs
inputs
Diferença
Consumo Energia
input
input
Diferença
Manutenção/Materiais
input
input
Diferença
Consumo Água
inputs anuais
inputs anuais
Diferença
Encargos Financeiros
inputs anuais
TIR 1 - DEMONSTRAÇÃO
Actualização de fluxos anuais a Tx para VAL 2
Somatório de fluxos - VAL 2
TIR 2 - DEMONSTRAÇÃO
Actualização de fluxos anuais a Tx para VAL 2
Somatório de fluxos - VAL 2
TIR 3 - DEMONSTRAÇÃO
Actualização de fluxos anuais a Tx para VAL 2
Somatório de fluxos - VAL 2
Net Present Value (Valor Actual Liquido) 1
Actualização de fluxos anuais a Tx para VAL 1
Somatório de fluxos - VAL 1 - Pay back Actualizado Taxa 1
Net Present Value (Valor Actual Liquido)