eletroeletrônica para mecânica

eletroeletrônica para mecânica

MEC3_CAPA.indd 2

Excelência no ensino profi ssional

Administrador da maior rede estadual de educação profi ssional do país, o

Centro Paula Souza tem papel de destaque entre as estratégias do Governo de São Paulo para promover o desenvolvimento econômico e a inclusão social no Estado, na medida em que capta as demandas das diferentes regiões paulistas. Suas Escolas Técnicas (Etecs) e Faculdades de Tecnologia (Fatecs) formam profi ssionais capacitados para atuar na gestão ou na linha de frente de operações nos diversos segmentos da economia.

Um indicador dessa competência é o índice de inserção dos profi ssionais no mercado de trabalho. Oito entre dez alunos formados pelas Etecs e

Fatecs estão empregados um ano após concluírem o curso. Além da excelência, a instituição mantém o compromisso permanente de democratizar a educação gratuita e de qualidade. O Sistema de Pontuação Acrescida benefi cia candidatos afrodescendentes e oriundos da Rede Pública.

Mais de 70% dos aprovados nos processos seletivos das Etecs e Fatecs vêm do ensino público.

O Centro Paula Souza atua também na qualifi cação e requalifi cação de trabalhadores, por meio do Programa de Formação Inicial e Educação

Continuada. E ainda oferece o Programa de Mestrado em Tecnologia, recomendado pela Capes e reconhecido pelo MEC, que tem como área de concentração a inovação tecnológica e o desenvolvimento sustentável.

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Eletroeletrônica para Mecânica

25/7/2011 18:38:34

Mecânica

Volume 3

Mecânica

Eletroeletrônica para mecânica

Egmar Accetto

Warney Fernando Testa

(autores)

Vera Regina Gomes Luduvice Antunes

(coautora)

2011

Presidência

João Sayad

Vice-presidência

Ronaldo Bianchi, Fernando Vieira de Mello

DIRETORIA DE PROJETOS EDUCACIONAIS

Direção: Fernando José de Almeida

Gerência: Monica Gardelli Franco, Júlio Moreno

Coordenação Técnica: Maria Luiza Guedes

Equipe de autoria Centro Paula Souza

Coordenação geral: Ivone Marchi Lainetti Ramos

Coordenação da série Mecânica: Meire Satiko

Fukusawa Yokota

Autores: Egmar Accetto, Warney Fernando Testa

Coautora: Vera Regina Gomes Luduvice Antunes

Revisão técnica: Marcos Paulo Marin Plez

Equipe de Edição

Coordenação geral: Carlos Tabosa Seabra,

Rogério Eduardo Alves

Coordenação editorial: Luiz Marin

Edição de texto: Miguel Angelo Facchini

Secretário editorial: Antonio Mello

Revisora: Maria Carolina de Araujo

Direção de arte: Bbox Design

Diagramação: LCT Tecnologia

Ilustrações: Luiz Fernando Martini

Pesquisa iconográfica: Completo Iconografia

Capa

Fotografia: Eduardo Pozella, Carlos Piratininga

Tratamento de imagens: Sidnei Testa

Abertura capítulos: © James King-Holmes/Science Photo

Library/SPL DC/Latinstock

O Projeto Manual Técnico Centro Paula Souza – Coleção Técnica Interativa oferece aos alunos da instituição conteúdo relevante à formação técnica, à educação e à cultura nacional, sendo também sua finalidade a preservação e a divulgação desse conteúdo, respeitados os direitos de terceiros.

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Agradecemos as pessoas retratadas ou que tiveram trechos de obras reproduzidas neste trabalho, bem como a seus herdeiros e representantes legais, pela colaboração e compreensão da finalidade desse projeto, contribuindo para que essa iniciativa se tornasse realidade. Adicionalmente, colocamo-nos

à disposição e solicitamos a comunicação, para a devida correção, de quaisquer equívocos nessa área porventura cometidos em livros desse projeto.

O Projeto Manual Técnico Centro Paula Souza – Coleção Técnica Interativa, uma iniciativa do Governo do Estado de São Paulo, resulta de um esforço colaborativo que envolve diversas frentes de trabalho coordenadas pelo Centro Paula Souza e é editado pela Fundação Padre Anchieta.

A responsabilidade pelos conteúdos de cada um dos trabalhos/textos inseridos nesse projeto é exclusiva do autor. Respeitam-se assim os diferentes enfoques, pontos de vista e ideologias, bem como o conhecimento técnico de cada colaborador, de forma que o conteúdo exposto pode não refletir as posições do Centro Paula Souza e da Fundação Padre Anchieta.

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

(Bibliotecária Silvia Marques CRB 8/7377)

S586

Accetto, Egmar

Mecânica: eletroeletrônica para mecânica / Egmar Accetto,

Warney Fernando Testa (autores); Vera Regina Gomes Luduvice

Antunes (coautora); Marcos Paulo Marin Plez (revisor); Meire Satiko

Fukusawa Yokota (coordenadora). -- São Paulo: Fundação Padre

Anchieta, 2011 (Coleção Técnica Interativa. Série Mecânica, v. 3)

Manual técnico Centro Paula Souza

ISBN 978-85-8028-041-8

1. Mecânica 2. Eletroeletrônica I. Testa, Warney Fernando II.

Antunes, Vera Regina Gomes Luduvice III. Plez, Marcos Paulo Marin

IV. Yokota, Meire Satiko Fukusawa V. Título

CDD 607

GOVERNADOR

Geraldo Alckmin

VICE-GOVERNADOR

Guilherme Afif Domingos

SECRETáRIO DE DESENVOlVIMENTO

ECONôMICO, CIêNCIA E TECNOlOGIA

Paulo Alexandre Barbosa

Presidente do Conselho Deliberativo

Yolanda Silvestre

Diretora Superintendente

Laura Laganá

Vice-Diretor Superintendente

César Silva

Chefe de Gabinete da Superintendência

Elenice Belmonte R. de Castro

Coordenadora da Pós-Graduação,

Extensão e Pesquisa

Helena Gemignani Peterossi

Coordenador do Ensino Superior de Graduação

Angelo Luiz Cortelazzo

Coordenador de Ensino Médio e Técnico

Almério Melquíades de Araújo

Coordenadora de Formação Inicial e

Educação Continuada

Clara Maria de Souza Magalhães

Coordenador de Desenvolvimento e Planejamento

João Carlos Paschoal Freitas

Coordenador de Infraestrutura

Rubens Goldman

Coordenador de Gestão Administrativa e Financeira

Armando Natal Maurício

Coordenador de Recursos Humanos

Elio Lourenço Bolzani

Assessora de Comunicação

Gleise Santa Clara

Procurador Jurídico Chefe

Benedito Libério Bergamo

Apresentação

Desde que passou a conhecer as propriedades elétricas e magnéticas, a humanidade vem progredindo, por meio de estudos e pesquisas, rumo a descobertas que visam aplicações cada vez mais avançadas.

Dos elétrons livres ao armazenamento das cargas elétricas, do fluxo de elétrons ao efeito magnético visto com o uso de uma bússola, da compreensão das linhas de campo à utilização de transformadores e motores elétricos, tudo seguiu um caminho lógico e fundamentado. Apoiando-se em estudos científ icos, as pesquisas empregam equipamentos e instrumentos de leitura e medição cada vez mais avançados, que aferem os resultados e procuram elucidar os mistérios que, mesmo nos dias atuais, o universo da eletricidade ainda nos traz.

Neste livro será vista parte dessa história. A estrutura atômica básica, a interação de campos eletromagnéticos, os princípios e conceitos sobre as propriedades elétricas da matéria, tais como resistência, corrente e tensão, a análise dos circuitos elétricos e suas leis serão alguns dos temas estudados.

A fusão desses conhecimentos levará à compreensão dos sistemas de conversão de energia, tais como os geradores e motores elétricos; às conf igurações estrela-triângulo e sua importância em aplicações industriais; e, posteriormente, ao estudo e desenvolvimento dos circuitos de comando, os quais permitem a integração lógica desses elementos, formando a base do controle de uma planta industrial.

Ao finalizar essa apresentação não podemos nos esquecer de agradecer pela ajuda dos muitos amigos, colegas e familiares na confecção desse livro. Em especial aos professores: Jun Suzuki, Meire S. F. Yokota (por nos direcionarem a essa obra),

Valter N. Mori (pela ajuda com os inversores de frequência), Tera Miho S. Parede,

Renato T. Koganezawa e Gelson J. Colli (pelo auxílio com a bibliografia), ao pessoal da Fundação Padre Anchieta e por fim aos nossos Mestres (em mais de um plano), por nos guiarem até aqui.

Bons estudos!

Os autores

Er

V

Sh/Shutt

St

Er ock

Ekipaj/Shutt

ErSt ock ock p/Shutt

Zirconicu

Sumário

15 Capítulo 1

Princípios de eletricidade

1.1 Grandezas elétricas fundamentais . . . . . . . . . . . . 16

1.1.1 O potencial elétrico e a tensão elétrica . . . 16

1.1.2 A corrente elétrica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17

1.1.3 Resistência elétrica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18

1.2 As leis de Ohm . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19

1.2.1 Primeira lei de Ohm . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19

1.2.2 Segunda lei de Ohm . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19

1.3 Associação de resistores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21

1.3.1 Associação em série . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21

1.3.2 Associação em paralelo . . . . . . . . . . . . . . . 22

1.3.3 Associação mista . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24

1.3.4 Transformação de resistências estrela-triângulo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26

1.4 Energia e potência elétricas . . . . . . . . . . . . . . . . . 29

1.4.1 Potência em resistores comerciais . . . . . . . 30

1.4.2 Convenção de sinais . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31

1.4.3 Rendimento energético . . . . . . . . . . . . . . . 32

1.5 Corrente contínua versus corrente alternada . . . 32

1.5.1 O fasor – uma ferramenta útil . . . . . . . . . . 34

1.5.2 Comportamento de resistores, indutores e capacitores em corrente alternada . . . . . 36

1.5.3 Impedância – uma extensão da lei de Ohm . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39

1.5.4 Potência em corrente alternada . . . . . . . . . 41

1.6 Instrumentos de medição das grandezas elétricas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 43

1.6.1 Multímetro . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 43

Excelência no ensino profi ssional

Centro Paula Souza tem papel de destaque entre as estratégias do Governo de São Paulo para promover o desenvolvimento econômico e a inclusão social no Estado, na medida em que capta as demandas das diferentes regiões paulistas. Suas Escolas Técnicas (Etecs) e Faculdades de Tecnologia (Fatecs) formam profi ssionais capacitados para atuar na gestão ou na no mercado de trabalho. Oito entre dez alunos formados pelas Etecs e

Fatecs estão empregados um ano após concluírem o curso. Além da excelência, a instituição mantém o compromisso permanente de democratizar a educação gratuita e de qualidade. O Sistema de Pontuação Acrescida benefi cia candidatos afrodescendentes e oriundos da Rede Pública.

1.7 Sistema trifásico de energia . . . . . . . . . . . . . . . . . 51

O Centro Paula Souza atua também na qualifi cação e requalifi cação de trabalhadores, por meio do Programa de Formação Inicial e Educação

Continuada. E ainda oferece o Programa de Mestrado em Tecnologia, recomendado pela Capes e reconhecido pelo MEC, que tem como área de

1.7.1 O gerador trifásico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51

1.7.2 Conexões típicas de um gerador trifásico . 52

1.7.3 Sistema trifásico equilibrado . . . . . . . . . . . . 53

1.7.4 Potência em sistemas trifásicos . . . . . . . . . 59

3

Eletroeletrônica para Mecânica

3

Capa: Mayara Barbosa Silva e

Pierre Diniz Bellotti, alunos do Centro Paula Souza

Foto: Eduardo Pozella e Carlos

Piratininga

61 Capítulo 2

Motores elétricos

2.1 Classificação dos motores elétricos . . . . . . . . . . 62

2.2 Características gerais dos motores elétricos . . . 63

2.3 Princípios de funcionamento dos motores elétricos de corrente alternada . . . . . . 63

2.4 Princípios de funcionamento do motor de indução trifásico . . . . . . . . . . . . . . . . . . 63

2.4.1 Partes constituintes de um motor de indução trifásico . . . . . . . . . . . . . 65

2.5 Princípios de funcionamento do motor monofásico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 66

2.5.1 Ligação dos enrolamentos dos motores monofásicos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 69

Sumário

2.6 Escolha e especificação do motor trifásico . . . . . 70

2.6.1 Especificações de motores elétricos . . . . . 72

2.6.2 Tempo De Rotor Bloqueado E

Temperatura Limite . . . . . . . . . . . . . . . . . . 83

2.6.3 Tempo de aceleração (t a

) . . . . . . . . . . . . . . 83

2.6.4 Carcaça como invólucro de proteção . . . . 84

2.7 Operação e manutenção de motores elétricos . 86

2.7.1 Carregamento conveniente dos motores . 86

2.7.2 Ventilação adequada . . . . . . . . . . . . . . . . . . 87

2.7.3 Controle da temperatura ambiente . . . . . . 87

2.7.4 Cuidado com as variações de tensão . . . . . 87

2.7.5 Degradação dos isolantes térmicos . . . . . . 88

2.7.6 Fixação correta dos motores e eliminação de vibrações . . . . . . . . . . . . . . . 88

2.7.7 Lubrificação correta dos mancais . . . . . . . . 89

2.7.8 Valores de placa de um motor . . . . . . . . . . 90

2.8 Dispositivos elétricos de manobra e proteção . . 92

2.8.1 Fusíveis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 93

2.8.2 Contatores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 99

2.8.3 Botoeira . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 100

2.8.4 Relés de sobrecarga ou térmicos. . . . . . . 101

2.8.5 Disjuntores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 102

2.9 Acionamentos de motores . . . . . . . . . . . . . . . . . 104

2.9.1 Partida direta . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 104

2.9.2 Partida por meio da chave estrela-triângulo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 109

2.9.3 Partida por meio de chave

compensadora . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 113

2.9.4 Outros tipos de ligações ou partidas . . . . 113

2.9.5 Comandos de partida e reversão de giro 117

2.9.6 Uso da chave soft-starter para comando de partida e reversão . . . . . . . . . . . . . . . . 121

2.9.7 Uso de inversores de frequência para comandos de partida e reversão . . . . . . . 125

149 Capítulo 3 lógica digital para aplicação em eletropneumática

3.1 Constantes e variáveis booleanas . . . . . . . . . . . 151

3.2 Tabela verdade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 151

3.3 Porta E (ou AND) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 152

3.4 Porta OU (ou OR) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 153

3.5 Inversor ou operação NÃO (ou NOT) . . . . . . . 154

3.6 Porta NAND (NÃO E ou NE) . . . . . . . . . . . . . 155

3.7 Porta NOR (NÃO-OU ou NOU) . . . . . . . . . . . 156

3.8 Implementando circuitos e tabela-resumo . . . . 157

3.9 Minimização de expressões booleanas pelo uso dos mapas de Karnaugh . . . . . . . . . . . . . . . 160

3.9.1 Regras para a simplificação de mapas K

(de Karnaugh) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .161

165 Referências bibliográficas

Capítulo 1

Princípios de eletricidade

MECâNICA 3

Figura 1.1

campo elétrico e força sobre uma carga positiva.

1.1 Grandezas elétricas fundamentais

Ao enunciar o conceito de campo elétrico (E), o cientista inglês Michael Faraday (1791-1867) demonstrou que ao redor de uma carga elétrica existe um campo elétrico. O campo elétrico E é representado por um vetor, um segmento de reta orientado, que sai das cargas positivas e entra nas cargas negativas. Uma carga (q) colocada nesse campo elétrico f ica sujeita a uma força elétrica (F). Se a carga for positiva, a força F tem a mesma direção do campo elétrico E. Se for negativa, a força tem direção contrária à do campo, de acordo com a fórmula expressa na equação 1.1 e representada na f igura 1.1.

F = q · E

(1.1)

E

E

F

F

16

Unidade que corresponde à força que faz um objeto de 1 kg ser acelerado a 1 m/s.

Quantidade de carga que atravessa a seção transversal de um condutor durante

1 s, produzindo uma corrente elétrica de

1 A (ampere).

Também dizemos que

1 C = 6,28 · 10

18

elétrons/s.

No Sistema Internacional de Unidades (SI), a força F é medida em

newton

(N) e a carga q é medida em

coulomb

(C). Portanto, a unidade do campo elétrico

E é dada em N/C.

1.1.1 O potencial elétrico e a tensão elétrica

Para o entendimento do signif icado de potencial elétrico, fazemos uma analogia com a força da gravidade e o campo gravitacional. Um corpo qualquer, ao ser abandonado no ar, é levado, pela força da gravidade, de um ponto mais alto (h

A de maior energia potencial, para um ponto mais baixo (h potencial.

B

),

), de menor energia

Do mesmo modo, uma carga elétrica positiva, ao ser abandonada em um campo elétrico, f ica sujeita à ação de uma força elétrica que a leva de um ponto de potencial elétrico mais alto e positivo (V

A baixo e negativo (V

B

) para um de potencial elétrico mais

). Se a carga é negativa, o deslocamento se dá em sentido contrário. O exemplo dessa comparação é visto na f igura 1.2.

Diz-se também que o deslocamento ocorre naturalmente porque o corpo possui energia potencial (de posição) maior na posição mais alta (h

A

). Assim, o corpo se desloca da posição h

A

, de maior energia potencial (E menor energia potencial (E

PB

PA

), para a posição h

B

, de

). Da mesma forma, a carga elétrica (positiva) se desloca da posição de maior potencial elétrico para a de menor potencial elétrico.

h

A

F

gravidade

E

F

elétrica

V

A

Figura 1.2

analogia entre potencial gravitacional (a) e potencial elétrico (b).

(a) h

B

(b)

V

B

Nos dois casos (gravitacional e elétrico), é necessária uma diferença de potencial para haver o deslocamento natural (do corpo e da carga). Em relação à carga elétrica, temos uma diferença de potencial (ddp), com maior potencial em A e menor em B. A ddp, também chamada tensão elétrica (U), é a diferença entre os dois potenciais, como mostrado na equação 1.2.

U = V

AB

= (V

A

– V

B

) (1.2)

A unidade de medida da tensão elétrica ou ddp, no SI, é o volt (V).

1.1.2 A corrente elétrica

No ano de 1796, Alessandro Volta (1745-1827), professor e cientista italiano, construiu a primeira pilha (bateria) utilizando discos de cobre e zinco separados por um material que continha uma solução ácida. Com isso produziu o primeiro fluxo de cargas elétricas em laboratório. Considerando a pilha da f igura 1.3, em cujos terminais foi ligado um f io condutor (cobre, alumínio, ouro, prata ou outros metais que possuem elétrons “livres”), seu polo positivo estabelece um campo elétrico capaz de atrair elétrons livres da extremidade do f io a que está ligado, ao mesmo tempo que o polo negativo gera um campo elétrico que repele elétrons na outra extremidade do f io.

Figura 1.3

Elétrons movimentando-

-se no condutor ligado aos polos de uma pilha.

CAPÍTULO 1

No interior do condutor, o campo elétrico força os elétrons a se movimentarem.

Os elétrons se movimentam de átomo para átomo e, ao avançarem para o átomo

17

MECâNICA 3

Figura 1.4

Sentido real (eletrônico) e convencional da corrente elétrica.

vizinho, repelem e substituem outro elétron. Os elétrons substituídos repetem o processo em outros átomos próximos, estabelecendo um fluxo por todo o condutor, na direção do polo positivo da pilha. A esse fluxo orientado de elétrons livres, sob a ação de um campo elétrico, dá-se o nome de corrente elétrica.

Quando o sentido da corrente elétrica é o do movimento dos elétrons, diz-se que a corrente é eletrônica ou real. Existe também uma convenção que adota o sentido da corrente como das cargas positivas, ou seja, o deslocamento das cargas.

Nesse caso, acontece do potencial maior (+) para o potencial menor (–). A essa corrente é dado o nome de convencional, conforme ilustrado na f igura 1.4.

fluxo dos elétrons

(corrente eletrônica)

(+) (–)

fio condutor fluxo fictício das cargas positivas

(corrente convencional) elétrons “livres” atravessam seção transversal

18

Bateria

1 ampere representa o fluxo de 1 coulomb (C) de cargas elétricas através da seção transversal do material condutor, durante 1 segundo (s).

Portanto, 1 A = 1 C/1 s.

Se aplicarmos uma tensão elétrica (ddp) de 1 V

(volt) entre os terminais de um material (resistor

ôhmico) e a corrente que o atravessar for de

1 A (ampere), dizemos que o material possui resistência de 1 ohm (

).

A corrente elétrica i é def inida como a quantidade de cargas Q (medida em coulombs) que atravessa uma seção do material (f io) durante certo tempo

D t (medido em segundos). A unidade de medida de corrente elétrica no SI é o

ampere

(A).

Podemos calcular a corrente pela equação 1.3.

1.1.3 Resistência elétrica

 t

(1.3)

A grandeza resistência elétrica (R) de um condutor é def inida como a dif iculdade ou oposição que o material impõe à passagem da corrente elétrica. Essa resistência é medida em

ohms

(Ω).

Sabe-se que o movimento dos elétrons é diferente no vácuo e no interior de um condutor. Quando é aplicada uma ddp aos terminais de um condutor, os elétrons aceleram em direção ao polo positivo, mas durante seu trajeto, e levando em conta a constituição do material quanto à organização atômica, “chocam-se com os átomos”, sofrendo desvios. Assim explica-se o aparecimento da resistência elétrica em um material condutor, como mostrado na f igura 1.5.

(–) (+)

Figura 1.5

Efeito da resistência na corrente de um elétron.

CAPÍTULO 1

1.2 As leis de Ohm

1.2.1 Primeira lei de Ohm

Em 1827, Georg Simon Ohm (1789-1854), físico e matemático alemão, verif icou por meio de experimentos que, se determinada tensão U fosse aplicada aos terminais de um condutor, obtinha-se uma corrente i e que um aumento da tensão U causava um aumento no valor da corrente i. Observou também que o quociente entre os pares de valores de tensão e de corrente resultavam em uma constante, a resistência do material (R). Essa proporcionalidade é conhecida como 1 a

lei de Ohm (equação 1.4) e também pode ser escrita na forma das equações 1.5, 1.6 e 1.7.

U

1

I

1

=

U

2

I

2

=

U

I

3

3 = R (Ω) (1.4)

R =

U

I

(Ω) (1.5)

U = R · i (V) (1.6)

I =

U

R

(A) (1.7)

Os componentes que obedecem a essas equações são chamados resistores

ôhmicos

.

1.2.2 Segunda lei de Ohm

Ohm moldou f ios de diferentes seções transversais S e diferentes comprimentos

L e mediu os valores de suas resistências R (f igura 1.6). Com esses parâmetros,

19

MECâNICA 3

Figura 1.6

Formato do f io para a 2 a

lei de ohm.

demonstrou que, em determinado f io condutor, mantendo-se a tensão e a temperatura constantes, a intensidade da corrente elétrica depende de seu comprimento e de sua seção transversal. Portanto, para f ios de mesma espessura (seção transversal S), o aumento do comprimento (L) leva a um aumento proporcional na resistência (R).

L

S

Para f ios de mesmo comprimento (L), a diminuição da seção transversal (S) resulta no aumento na resistência (R). Com isso, Ohm concluiu que a resistência também depende do material de que é feito o f io e def iniu a equação (1.8) que f icou conhecida como 2 a

lei de Ohm:

R = ⋅

L

S

(Ω) (1.8) em que:

L = comprimento do f io (em m);

S = seção transversal do f io (em m

2 );

ρ = resistividade do material (em Ω · m).

Código de cores de resistores

Os resistores são componentes fabricados com valores padronizados. O valor da resistência do resistor pode vir carimbado em sua superfície ou ser estampado em forma de anéis coloridos, cujo código de cores pode ser visto na tabela da f igura 1.7. No exemplo dado, temos o valor dos dois primeiros dígitos: 15 (anéis marrom e verde). O terceiro anel (marrom) multiplica o valor por 10. O quarto anel (prata) indica que a tolerância (variação) no valor nominal do resistor é de 10%. Assim, f icamos com um valor de resistência de (150 ± 15) Ω. Esse resistor pode ser fabricado com um valor mínimo de 135 Ω até um máximo de 165 Ω.

20

Figura 1.7

código de cores para resistores.

COR

PRETO

MARROM

VERMELHO

LARANJA

AMARELO

VERDE

AZUL

VIOLETA

CINZA

BRANCO

PRATA

OURO

1º algarismo

6

7

4

5

8

9

1

2

3

2º algarismo

6

7

4

5

8

9

0

1

2

3

Multiplicador

X1

X10

X10

X10

2

X10

X10

3

4

5

X0,01

X0,1

Tolerância

+

+

5%

1.3 Associação de resistores

Sempre que não se encontra no mercado um resistor de valor desejado, é necessário realizar uma associação de resistores. Tal associação é muito comum e para efeito de cálculos pode ser simplif icada pelo resistor equivalente (R eq

), que representa a resistência total dos resistores associados. Outra situação que pode ocorrer é dispor de um equipamento com diversos resistores e ter de calcular sua resistência equivalente para avaliar a corrente consumida pela associação.

Os resistores podem ser associados em série, em paralelo e no modo misto, que contempla os dois casos.

1.3.1 Associação em série

Em uma associação em série, a corrente elétrica que percorre um resistor é a mesma em todo o circuito, conforme mostrado na f igura 1.8, isto é: i = i

1

= i

2

= i

3

= i

4

(1.9)

U

I

Figura 1.8

circuito elétrico contendo resistores associados em série.

I

4

R

4

R

1

I

1

R

3

R

2

I

3

I

2

CAPÍTULO 1

21

MECâNICA 3

Importante

O circuito com associação em série recebe o nome de divisor de tensão.

Aplicando-se a lei de Ohm, que estabelece que U = R · i, a tensão do gerador da f igura 1.8 pode ser escrita assim:

U = R

1 i

1

+ R

2 i

2

+ R

3 i

3

+ R

4 i

4

Como U = U

1

+ U

2

+ U

3

+ U

4

e considerando a equação 1.9, temos como resultado:

U = R

1 i + R

2 i + R

3 i + R

4 i

Colocando-se i em evidência, chega-se a:

U = i (R

1

+ R

2

+ R

3

+ R

4

)

Se U/i = R eq

, podemos concluir:

R

eq

= R

1

+ R

2

+ R

3

+ R

4

(1.10)

Da associação em série chegamos às seguintes conclusões:

• a corrente elétrica é a mesma em todos os resistores;

• a tensão elétrica se divide entre todos os resistores proporcionalmente aos seus valores;

• o resistor equivalente à associação é a soma algébrica de todos os resistores envolvidos na associação (equação 1.10).

Conclusão

: A resistência equivalente em uma associação em série é a soma das resistências individuais (f igura 1.9).

Figura 1.9

resistência equivalente.

U

I

R eq

1.3.2 Associação em paralelo

Em uma associação em paralelo, a tensão em todos os resistores é a mesma (f igura 1.10). A soma das correntes que atravessam os resistores é igual à corrente total do circuito e é a mesma que atravessa o resistor equivalente. No caso dos resistores em paralelo, somam-se as correntes, enquanto nos circuitos com resistências em série as tensões é que são somadas.

22

I

U

I

Figura 1.10

circuito elétrico contendo resistores associados em paralelo.

R

1

R

2

I

1

R

3

I

2

R

4

I

3

I

4

A resistência equivalente de uma associação em paralelo sempre será menor que a do resistor de menor valor da associação.

Como todas as resistências estão submetidas à mesma tensão (f igura 1.10), temos U = U

1

= U

2

= U

3

= U

4

. A corrente total é igual à soma das correntes individuais, ou seja, i = i sistências por:

1

+ i

2

+ i

3

+ i

4

. Podemos calcular a corrente nas re-

I

1

=

U

1

R i

;

I

2

=

U

R

2

2

;

I

3

=

U

R

3

3

;

I

4

=

U

R

4

4 sucessivamente. Chega-se, então, à equação 1.11:

I =

R

U eq

=

U

R

1

+

U

R

2

+

U

R

3

+

U

R

4

(1.11)

Como todas as tensões são iguais, podemos eliminá-las de todos os termos da equação, resultando na equação 1.12.

DICa

O circuito com a associação de resistores em paralelo recebe o nome de divisor de corrente.

R

1 = 1 + 1 + 1 + 1 eq

R R

2

R

3

R

4

(1.12)

CAPÍTULO 1

23

MECâNICA 3

Figura 1.11

resistência equivalente.

Conclusão

: O circuito equivalente, tanto para resistências em série como para resistências em paralelo, é representado da mesma forma (f igura 1.11).

U

I

R eq

24

Casos particulares na associação em paralelo

1.

Quando se trabalha com apenas dois resistores em paralelo, podemos utilizar a equação:

R

1 eq

=

R

1

1

+

R

1

2

1

R eq

=

R

2

+ R

1

2

→ R eq

=

1

1 2

+

2

2.

Se todos os n resistores forem iguais e com valor R, podemos considerar

R eq

= R/n. Assim, se n = 2, R eq

= R/2.

Figura 1.12

circuito misto de resistores.

1.3.3 Associação mista

A associação mista signif ica que o circuito elétrico contém resistores associados em série e em paralelo. Para tanto, será considerado o circuito mostrado na f igura 1.12 como exemplo de procedimento para determinar a resistência equivalente de uma associação mista. A resolução será feita por etapas.

R

2

R

4 a

R

1

R

3

R

5

b

Etapa 1

Associar todos os resistores que estejam em série. No caso da f igura 1.12, temos

R

4

e R

5

, que associados resultam em R

A

= R

4

+ R

5

, mostrado na f igura 1.13.

R

2

R

A

a

R

1

R

3

R

5

b

Figura 1.13

resultado da etapa 1.

Etapa 2

Agora, temos

R

3

em paralelo com

R

A

, que resulta no resistor equivalente

R

B

=

R

R R

A

3

+ R

A

, mostrado na f igura 1.14.

R

2

a

Figura 1.14

resultado da etapa 2.

R

1

R

B

b

Etapa 3

Novamente, temos uma associação em série entre R

R

C

= R

2

+ R

B

, mostrada na f igura 1.15.

2 e R

B

, que será chamada

a

R

1

R

C

b

Figura 1.15

resultado da etapa 3.

Etapa 4

Agora, temos uma associação em paralelo entre R

1 e R

C

, que será chamada:

RD =

R

R RC

1

+ RC

CAPÍTULO 1

25

MECâNICA 3

Figura 1.16

resistência equivalente.

Aqui, R

D

já é a resistência equivalente R eq

entre os pontos a e b (f igura 1.16).

a

R

D

b

Figura 1.17

circuitos em estrela e triângulo.

Conhecendo o valor da resistência equivalente

(

R eq

)

e o valor da tensão (U), podemos aplicar a lei de Ohm para determinar o valor da corrente total (i) do circuito.

1.3.4 Transformação de resistências estrela-triângulo

Na prática podem existir situações em que haja associações de resistências que não se enquadram nos casos estudados até agora, ou seja, as associações em série, paralelo e mista. Em tal situação, será necessário utilizar a técnica da transformação estrela-

-triângulo, ou vice-versa, para a solução do problema, conforme mostra a f igura 1.17.

3

R

3

1

R

1

R

2

2 3

R

13

1

R

23

R

12

2

Tabela 1.1

Equações para transformação Y-

D

e

D

-Y.

Para a transformação de estrela para triângulo e de triângulo para estrela, devem-se aplicar as equações da tabela 1.1.

Transformações de resistências Y-

D

e

D

-Y

Estrela para triângulo (Y-

D

)

R

12

=

R R + R R

R

3

+ R R

R

13

=

R R + R R

R

2

+ R R

R

23

R R  R R

R

1

 R R

Triângulo para estrela (

D 

-Y)

R

1

R

12

 R

13

 R

23

R

2

R

12

 R

13

 R

23

R

3

R

12

 R

13

 R

23

26

Exemplos

1.

Transformar o circuito abaixo (f igura 1.18) de estrela para triângulo.

3

27

1

10

15

2 3

R

13

1

R

23

R

12

2

Solução:

Aplicando as fórmulas da transformação estrela-triângulo, obtemos:

R

12

=

27

= 30 56 Ω

R

13

=

15

=

55

R

23

=

10

= 82 5 Ω

2.

Transformar o circuito abaixo (f igura 1.19) de triângulo para estrela.

1

3

10

27

15

2

3

R

3

1

R

1

R

2

2

Figura 1.18

transformação da ligação estrela para triângulo.

Figura 1.19

transformação da ligação triângulo para estrela.

CAPÍTULO 1

27

MECâNICA 3

Figura 1.20

processo de simplif icação de circuito: a) circuito original; b) transformando o triângulo de nós 1,

2, 3 em estrela.

1

A

10

5

Solução:

Aplicando as fórmulas da transformação triângulo para estrela, obtemos:

R

1

=

15 + 10 + 27

= 2,88 Ω

R

2

=

15 + 10 + 27

= 7,79 Ω

R

3

=

15 + 10 + 27

= 5,19 Ω

3.

Determinar a resistência equivalente entre os pontos A e B do circuito da f igura 1.20a.

7

A

10

B

2

5

4

(a)

15 3

3

B

2

2,8

X

1

1,3

3,9

4

5

(b)

3

3

Figura 1.20

processo de simplif icação do circuito.

Solução:

Etapa 1

: Transformando de triângulo para estrela os resistores entre os nós 1, 2 e 3 da f igura 1.20a, obtemos o circuito da f igura 1.20b.

Etapa 2

: Associam-se em série os resistores do ramo que contém os nós X, 2 e 4, e o ramo dos nós X, 3 e 4, da f igura 1.20b, obtendo a f igura 1.20c.

1

A

10

B

(c)

7,8

1

1,3

X

4

6,9

B

A

10

(d)

1,3

X

3,7

4

A

B

15

(e)

28

Etapa 3

: Associam-se em paralelo os resistores de 7,8 e 6,9 Ω da f igura 1.20c, obtendo a f igura 1.20d.

Etapa 4

: F inalmente, associam-se em série os resistores da f igura 1.20d resultando na f igura 1.20e.

1.4 Energia e potência elétricas

Embora energia seja um conceito primitivo, da mesma forma que matéria, costuma-se def ini-la como a capacidade de realizar trabalho. Ambas as grandezas, trabalho ( t

) e energia (Ε), têm a mesma unidade, que no SI é o joule

(J). Para a realização de um trabalho é preciso que haja a transformação da energia de uma forma em outra. Por exemplo: em um motor ocorre a transformação da energia elétrica em mecânica; em uma bateria, a energia química

é convertida em elétrica; em uma lâmpada se dá a transformação de energia elétrica em luminosa.

A potência (P) é def inida como a quantidade de trabalho realizado t

, ou energia convertida

D E, por unidade de tempo. A potência pode, então, ser calculada dividindo-se a quantidade de trabalho realizado t

, ou a variação da energia ΔE, pelo intervalo de tempo considerado

D t, conforme a equação 1.13:

P =

τ t

=

∆ E

∆ t s

(1.13)

A unidade empregada no SI para potência é o watt (W), e, como vimos, para energia (ou trabalho) é o joule (J). Pela equação 1.13 acima, temos:

1 W = 1 J/s

Em termos de energia mecânica, 1 J corresponde ao trabalho realizado por uma força constante de 1 N aplicada sobre um ponto, para deslocá-lo no espaço de 1 m na direção da força. A potência de 1 W é fornecida a um corpo por uma força de

1 N, que o desloca com uma velocidade de 1 m/s.

Em termos de energia elétrica, obtém-se P pela equação 1.14: P = Ui (1.14)

Assim, fornecer 1 W a uma carga corresponde a aplicar uma tensão de 1 V, com uma corrente de 1 A. Se essa carga f icar ligada por 1 s, receberá uma energia:

D E = P · D  t = 1 W · 1 s = 1 J

Com base na equação 1.14 acima e na 1 a

lei de Ohm (equação 1.6), obtemos mais duas relações úteis como as equações 1.15 e 1.16 dadas a seguir:

P = Ui = (Ri)i = Ri

5

(1.15)



=

U

2

R

(1.16)

CAPÍTULO 1

29

MECâNICA 3

30

Outras unidades de potência, empregadas para representar o que se chama de potência mecânica, as potências de motores, são o HP (horsepower) e o cv (cavalo-vapor).

Conversão de unidades

1 HP

1 cv

745,7 W

735,5 W

As outras unidades de energia (trabalho) usadas na prática são:

• caloria: cal, utilizada em processos térmicos;

• quilowatt-hora: kWh, usada para a medida de consumo de energia elétrica.

1 cal

1 kWh

Conversão de unidades

4,18 J

3,6 × 10

6

J

Exemplo

Calcular a quantidade de energia consumida em um banho de 20 minutos usando um chuveiro de potência 7 500 W. Apresentar o resultado em J e em kWh.

Solução:

Sabendo que 20 minutos = 20 · 60 s = 1 200 s, da equação 1.13 obtemos:

D E = P D t = 7 500 W

·

1 200 s = 9 000 000 J = 9

·

10

6

J

Calculando em kWh:

Primeiro transforma-se a potência em kW:

Sabendo que

D

P = 7 500 W = 7,5 · 10

6

kW t = 20 min = 1/3 h

, obtemos:

D

E = 7,5 · 1/3 = 2,5 kWh

Observa-se que o valor numérico em J é muito maior que seu correspondente em kWh. Portanto, torna-se mais prático para as concessionárias de energia elétrica trabalhar com o kWh.

1.4.1 Potência em resistores comerciais

Muitos dispositivos, como é o caso dos resistores, dissipam, em parte ou totalmente, a potência consumida na forma de energia térmica. Em um chuveiro, o calor é trocado com a água. Nos componentes eletrônicos, a troca se dá em geral com o ar. Assim, quanto maior a potência dissipada, maior a área externa do componente, sendo necessário, por vezes, o uso de dissipadores de calor.

A f igura 1.21 mostra o encapsulamento de resistores empregados em circuitos eletroeletrônicos.

Figura 1.21

tamanho do resistor, potência elétrica e dissipador de calor.

25 W

CAPÍTULO 1

0,25 W

0,5 W

1 W

2 W aletas de alumínio

O efeito Joule

Ao falar de resistência elétrica (seção 1.1.3), foi comentado que, com a passagem da corrente elétrica, os elétrons, em seu trajeto, “chocam-se com os

átomos” da estrutura do condutor. Isso aumenta a agitação dos átomos e, consequentemente, a temperatura do condutor/resistor. Assim, o resistor tem como principal característica transformar toda a energia elétrica recebida em energia térmica (calor).

Ao falar de potência (seção 1.4.1 – f igura 1.21), também foi visto que, quanto maior a potência dissipada, maior deve ser o tamanho do resistor/ dispositivo, para evitar danos a ele por temperatura excessiva. A esse fenômeno, do aquecimento do dispositivo pela passagem da corrente elétrica, é dado o nome de efeito Joule.

1.4.2 Convenção de sinais

Neste ponto é necessário lembrar-se de uma importante convenção. Em um bipolo gerador de energia elétrica a corrente elétrica (convencional) sai do polo positivo (potencial maior), enquanto em um bipolo receptor de energia elétrica a corrente entra pelo polo positivo. Adota-se também que a energia/ potência fornecida pelo bipolo gerador é a mesma recebida/dissipada pelo bipolo receptor.

31

MECâNICA 3

32

1.4.3 Rendimento energético

Nenhum processo de conversão de energia (energia elétrica em energia luminosa, por exemplo) tem 100% de ef iciência. Isto é, nem toda a energia que chega a um dispositivo ou sistema é transformada na energia desejada. A ef iciência ou rendimento energético ( h

) de um sistema é expresso em porcentagem e é dado pela equação 1.17:

η =

E saída

E entrada

⋅ 100

(1.17)

É importante lembrar que dispositivos como um motor, por exemplo, dissipam apenas parte da potência consumida sob a forma de calor. Diz-se que o rendimento ( h

) de um motor é a porcentagem da energia elétrica consumida (equação

1.18) e, portanto, da potência transformada em energia mecânica.

η =

P saída

P entrada

⋅ 100 =

P

P mec .

elét .

⋅ 100

(1.18)

Exemplo

Um motor elétrico é percorrido por uma corrente de 5 A quando ligado em 220 V.

Sabendo que o rendimento ( h

) do motor é 85%, calcular: a) a potência elétrica do motor (P

E b) a potência mecânica (P

M

);

) obtida no eixo do motor (em cv); c) a energia consumida (em kWh) em 3 horas de funcionamento.

Solução:

a) Da equação 1.16 calculamos a potência elétrica do motor:

P

E

= Ui = 220 V · 5 A = 1 100 W = 1,1 kW b) Da equação 1.18 calculamos a potência mecânica do motor:

P

M

= h P

E

= 0,85 · 1100 = 935 W

Se 1 cv = 735,5 W e P

M

= 935 W, então: P

M

= 935/735,5 = 1,27 cv c) E c

= P

E

· D t = 1,1 kW · 3 h = 3,3 kWh

1.5 Corrente contínua versus corrente alternada

A maior parte da energia elétrica é gerada e transmitida em tensão e corrente alternadas. A maioria das cargas residenciais e industriais utiliza diretamente a tensão alternada, como, por exemplo, motores CA, estufas, lâmpadas de diver-

CAPÍTULO 1 sos tipos, máquinas de solda a arco e fornos a arco. Outras cargas necessitam de tensões contínuas, como cubas eletrolíticas para o ref ino do alumínio, sistemas de galvanoplastia, sistemas de solda a arco em CC e motores CC (trens, elevadores, equipamentos industriais).

Uma tensão (ou corrente) contínua, como mostrado nos itens a e b da f igura

1.22, não altera sua polaridade ao longo do tempo, ao contrário da tensão (ou corrente) alternada, mostrada nos itens c e d, na qual essa alteração ocorre. As formas de onda mostradas em a e b são contínuas, e a tensão da f igura 1.22b é de grande interesse prático, por ser constante. Ela é obtida quando se faz uso, por exemplo, de pilhas, baterias, retif icadores, fontes reguladas e geradores CC. A tensão mostrada no item d da f igura 1.22, que tem formato senoidal, é a gerada e distribuída aos consumidores residenciais, comerciais e industriais.

Figura 1.22

Formas de onda de tensões e correntes: a) contínua; b) contínua constante; c) alternada; d) alternada senoidal.

ϑ

(t),i(t)

ϑ

(t),i(t)

ϑ

(t),i(t)

ϑ

(t),i(t)

0

0

(a)

t

0

0

(b)

t

0

0

(c)

(c)

t

0

0

(d)

(d) t

A tensão e a corrente alternadas e seus parâmetros são mostrados na f igura 1.23.

ϑ

(

)

ϑ(t)

0

0

Vp

t (s)

(rad)

α

= 0

α

T

α

(a) (b)

A tensão alternada senoidal da f igura 1.23 é def inida matematicamente pela equação (1.19): v(t) = V

P

cos( w t + a ) (1.19) em que:

V

P

é a amplitude, ou valor de pico, ou valor máximo da senoide;

Figura 1.23

tensão alternada senoidal e parâmetros característicos: a) tensão em função do tempo t; b) tensão em função do ângulo q

.

33

MECâNICA 3

34 w = 2 p f é a velocidade angular em rad/s; f = 1/T é a frequência do sinal em hertz (Hz), ou ciclos por segundo;

T é o período da tensão em segundos (s), ou seja, a cada período T a forma de onda se repete (ver f igura 1.22d); a

é o ângulo de fase em radianos (rad); indica o deslocamento horizontal da forma de onda.

Um problema prático: qual é a potência consumida por uma resistência de chuveiro de valor a

, conectada a uma fonte com tensão alternada def inida pela equação acima (f igura 1.22d)?

Solução: Se a tensão v(t) fosse constante e de valor V da pelo chuveiro seria de P = V

2 p p

, a potência consumi-

/R. Como nesse caso a tensão é alternada senoidal e, portanto, v(t) é, no máximo, igual a V potência consumida será bem menor. Consegue-se provar e demonstrar experimentalmente que, para tensão senoidal, a potência realmente consumida é def inida por: p

, f ica evidente que a

P =

V p

/ 2

R

2

É como se aplicássemos uma tensão contínua de valor V chamado valor ef icaz.

p

/

2 à resistência.

Esse valor, que, colocado na fórmula, fornece a potência consumida real, é

Ao dizermos que a tomada da sala tem tensão de 110 V, estamos af irmando que seu valor ef icaz é de 110 V, e seu valor de pico é de 110√2 = 155,6 V.

No dia a dia, praticamente só usamos o valor ef icaz. É o valor que se obtém nos instrumentos de medição e que utilizamos para o cálculo da potência consumida. Resumindo, para tensões alternadas senoidais, o valor ef icaz é calculado por:

V ef

V

Observação:

Tudo o que foi discutido e demonstrado até aqui é válido também para correntes alternadas.

1.5.1 O fasor – uma ferramenta útil

Lidar com equações trigonométricas como a equação senoidal é razoavelmente trabalhoso. Em eletricidade, costuma-se associar a equação senoidal a um número complexo, conforme indicado na f igura 1.24.

O fasor, assim como o vetor, é um segmento de reta orientado. Porém, diferentemente do vetor, é um segmento de reta orientado que gira com a mesma velocidade angular que def ine sua senoide de origem.

CAPÍTULO 1

O fasor é representado por um número complexo na forma polar. O comprimento da seta que o simboliza em um diagrama indica o módulo da tensão (ou corrente) alternada, ou seja, seu valor ef icaz. O ângulo que a seta faz com o eixo horizontal corresponde ao ângulo de fase.

Figura 1.24

tensão alternada senoidal e seu fasor correspondente.

90º

ω

100

ϑ

( )

(V)

60º

70,7

86,6

30º

45º

0

50

=

ω

(rad)

0 15 30 45 60 75 90 105 120 135 150 165 180 195 210 225 240 255 270 285 300 315 330 335 360 t

-50

-100

Geralmente o fasor de referência é horizontal e corresponde a 0°. Adota-se o sentido anti-horário, a partir do fasor de referência, para a marcação de ângulos positivos.

v t V

p

ω t α ⇔ =

V

p

2

α

(1.20)

O que é mostrado na equação (1.20) não é uma igualdade. A expressão dada à esquerda é a forma de onda senoidal real, que pode ser vista com o uso do osciloscópio. A da direita é o fasor V ,

número complexo

associado a v(t). É uma notação mais compacta que facilita os cálculos de correntes e tensões.

A seguir, exemplo de cálculo para demonstrar a utilidade do uso dos fasores.

Exemplo

Se conectarmos dois geradores em série, um com tensão v e o segundo def inido por v

2

1

(t) = 10 cos(377 t) V

= 10 cos(377 t + p /2) V, quanto vale v

1

+ v

2

?

Solução:

Podemos resolver utilizando a trigonometria, mas é um processo trabalhoso que requer várias passagens. Vamos usar os fasores.

• Passo 1

: converter as tensões

v

1

(t)

e

v

2

(t)

em fasores:

V

1

= (10/ 2) 0 e V

2

= (10/ 2) 90 o

Para evitar confusão com o símbolo usado para corrente elétrica

(i), costuma-se

representar o número imaginário

√−1 com a letra j.

Ou seja, j = √− 1.

35

MECâNICA 3

Figura 1.25

tensão e corrente em resistor.

• Passo 2

: para somar os fasores, números complexos na forma polar, é preciso transformá-los para a forma cartesiana ou retangular. Obtemos, então:

1

+

2

= 10 2 0 o + 10 2 90 o  passando para



= 10 2 ) + 10 2 ) j  vol tan do para

 →

=

10 45 o

• Passo 3

: passar da notação fasorial para a equação senoidal, em função do tempo:

( ) + ( ) = 10 2 cos( 377 t + π 4 ) V

1.5.2 Comportamento de resistores, indutores e capacitores em corrente alternada

O resistor

i

A lei de Ohm af irma que i = V(t)/R. Assim, se a tensão é senoidal, com valor de pico V p

= V p

/R.

p

, a corrente também é senoidal, em fase com V(t) e com valor de pico

A f igura 1.25 mostra a tensão e a corrente em um resistor de 2Ω, alimentado por uma tensão senoidal com valor de pico de 100 V e frequência de 60 Hz. O valor de pico da corrente será de i p

= 100/2 = 50 A. A f igura 1.26 mostra os fasores da tensão e da corrente em fase.

i(t)

100

ϑ

(t)

100,00

I(R) v(t)

2

R

50,00

0,00

–50,00

–100,00

0,00 5,00 10,00

Tempo (ms)

15,00 20,00 25,00

Figura 1.26

Diagrama fasorial com tensão e corrente em fase.

I V

36

O indutor

O indutor é basicamente um condutor enrolado sobre um carretel, podendo ter núcleo de ferro ou de ar. A f igura 1.27 ilustra o símbolo gráf ico do indutor.

Figura 1.27

Símbolo do indutor.

Caracterizado pela indutância, medida em henry (H), armazena energia sob a forma de campo magnético e oferece oposição à passagem de corrente alternada.

Assim, da mesma forma que foi def inida a resistência em um resistor, no indutor def ine-se a reatância indutiva X seja, o ohm (

W

), como:

L

, que tem a mesma unidade da resistência, ou

X

L

= w L = 2 p fL (1.21)

Quanto maior a frequência, maior o valor de X pelo circuito. No caso da corrente contínua, em que a frequência é f = 0, a reatância é nula, ou seja, temos um curto-circuito.

L

e menor a corrente que passa

A f igura 1.28 mostra a tensão e a corrente em um indutor de indutância

L = 5,305 · 10

−3

H = 5,305 mH, alimentado por uma tensão senoidal com valor de pico de 100 V e frequência de 60 Hz. Uma vez que X o valor de pico da corrente é dado por:

L

= w L = 2 p fL, i

P

= 100/X

L

= 100/(2 p 60 · 5,305 · 10

−3

) = 50 A

A corrente estará atrasada 90° com relação à tensão. Para verif icar se a corrente está atrasada, basta localizar o instante em que a tensão começa a f icar positiva.

A corrente começa a f icar positiva após ¼ de ciclo (90°). A f igura 1.29 representa o diagrama fasorial com a corrente atrasada com relação à tensão.

Figura 1.28

tensão e corrente em um indutor.

ϑ

(t)

100

i(t)

100,00

I(L) v(t)

L

5.305 mH

50,00

0,00

–50,00

–100,00

1000,00 1005,00 1010,00 1015,00

Tempo(ms)

1020,00 1025,00

CAPÍTULO 1

37

MECâNICA 3

Figura 1.29

Diagrama fasorial com a corrente atrasada em 90° com relação à tensão.

ϕ

= 90º

V

V

na referência

V

ϕ

= 90º

I

na referência

I

Figura 1.30

Símbolo do capacitor.

O capacitor

O capacitor é um dispositivo elétrico formado por duas placas condutoras metálicas (por exemplo, f ilme de alumínio), separadas por um material isolante chamado dielétrico (poliéster, polipropileno, papel, ar etc.). Os capacitores são bastante empregados em instalações industriais para a correção do fator de potência. A f igura 1.30 ilustra o símbolo gráf ico do capacitor.

O capacitor, caracterizado pela capacitância medida em faraday (F), armazena energia em seu campo elétrico e oferece oposição à passagem de corrente alternada. Assim como foi def inida a resistência para um resistor e a reatância indutiva para um indutor, em um capacitor é def inida a reatância capacitiva X

C

, que também possui a mesma unidade da resistência, o ohm (

W

), como:

X

C

ω C π fC

(1.22)

Quanto maior a frequência, menor o valor de X temos um circuito aberto.

C

e maior a corrente que passa pelo circuito. Para a corrente contínua, com f = 0, a reatância é inf inita, ou seja,

A f igura 1.31 mostra a tensão e a corrente em um capacitor de C = 1,32 mF alimentado por uma tensão senoidal com valor de pico de 100 V e frequência de

60 Hz. O valor de pico da corrente é dado por: i

P

= 100/X

C

= 100/(2 p 60 · 1,32 · 10

–3

)

–1

= 50 A

A corrente estará adiantada 90° com relação à tensão. Para verif icar se a corrente está adiantada, basta localizar o instante em que a tensão começa a f icar positiva.

A corrente começa a f icar positiva ¼ de ciclo (90°) antes da tensão. A f igura 1.32 mostra o diagrama fasorial com a corrente adiantada em relação à tensão.

38

CAPÍTULO 1

ϑ

(t)

100

i(t)

100,00

I(C) v(t)

50,00

C

1.32 mF

0,00

–50,00

–100,00

0,00 5,00 10,00

Tempo (ms)

15,00 20,00 25,00

I

ϕ

= 90º

V

na referência

V

I

ϕ

= 90º

V

I

na referência

Figura 1.31

tensão e corrente em um capacitor.

Figura 1.32

Diagrama fasorial com a corrente adiantada 90° com relação à tensão.

1.5.3 Impedância – uma extensão da lei de Ohm

Todos os circuitos elétricos de corrente alternada (CA) contêm alguma quantidade de resistência, indutância e capacitância. Para o estudo do circuito, devem ser calculadas as respectivas reatâncias: indutiva (X

L

) e capacitiva (X

C

).

A resistência, com as reatâncias, limita a corrente nos circuitos de corrente alternada. A oposição total causada por esses três elementos limitadores de corrente

é denominada impedância (Z), cuja unidade é o ohm (

W

).

A impedância é associada a um número complexo que, se exibido na forma cartesiana ou retangular, tem a parte real representada pela resistência e a parte imaginária, pelas reatâncias. Uma reatância indutiva é, por convenção, designada por + jX

L

. Por efeito oposto ao da reatância indutiva, a reatância capacitiva é designada por – jX

C

. A resistência elétrica é sempre um número real e positivo .

Resistor Indutor Capacitor

Resistência/ reatância (

W

)

R + jX

L

– jX

C

Tabela 1.2

resumo da representação da impedância.

Exemplo

Esses novos conceitos são empregados em um exercício em que se quer calcular a corrente do circuito da f igura 1.33, que é alimentado por uma fonte senoidal com tensão de pico de 100 V e frequência de 60 Hz.

39

MECâNICA 3

Figura 1.33

circuito rlc em série.

ϑ

(t)

100

R

2 0hm i(t)

L

10,6 mH

C

1,32 mF

Solução:

• Passo 1

: Calcular o fasor correspondente à tensão v(t), obtendo-se:

V = (100/ 2) 0 o

• Passo 2

: Calcular as reatâncias X

L

e X

C

dos componentes:

R = 2 W j Ω

1

= -2 j Ω

• Passo 3

: Calcular a impedância equivalente do mesmo modo que se calcula resistência equivalente em circuitos CC. Todas as ferramentas apresentadas

(associação em série, em paralelo, transformação estrela-triângulo) são válidas, com a diferença de que agora se utilizam números complexos. Portanto, no exemplo temos a associação em série de três impedâncias que resulta em:

= R +

 

C j j j o Ω

• Passo 4

: Calcular a corrente pela extensão da lei de Ohm, utilizando a impedância equivalente no lugar da resistência. Obtém-se:

I

= o o

O resultado apresenta uma corrente ef icaz de 25 A, atrasada 45° com relação

à tensão. Apesar do capacitor, o circuito tem característica indutiva, pois a reatância indutiva é maior que a capacitiva.

• Passo 5

: Podemos obter a equação da forma de onda da corrente:

( ) = 25 2 cos( 377 t A

40

1.5.4 Potência em corrente alternada

Potência instantânea em um resistor

Em corrente contínua, a potência é calculada simplesmente por P = Ui. Em corrente alternada, a tensão e a corrente variam no tempo, resultando uma potência também variável no tempo, conforme ilustrado na f igura 1.34, que mostra a tensão com valor de pico de 100 V e a corrente com valor de pico de 50 A em um resistor. A potência é o produto v(t) · i(t), calculado instantaneamente.

Nota-se que a potência varia de 0 a 5 000 W ao longo do tempo, mas é sempre positiva. Segundo a convenção discutida anteriormente, a potência sempre vai da fonte para a carga. Levando em conta a simetria do gráf ico da potência, verif ica-se que o valor médio da potência é 2 500 W, que é justamente o produto dos valores ef icazes da tensão e da corrente:

= ( 100 / ⋅ / 2 ) = 2 500 W em que P é chamada potência média ou potência ativa e quantif ica o trabalho médio realizado por ciclo. Sua unidade de medida é o watt (W). Esse é mais um bom motivo para usar valores ef icazes no lugar dos valores de pico.

Figura 1.34

gráf ico superior: tensão e corrente instantâneas.

gráf ico inferior: potência instantânea e potência média

P.

100,00

I(R) v(t)

50,00

0,00

–50,00

–100,00

5 000,00

4 000,00

3 000,00 v(t)* I(R)

2 000,00

1 000,00

0,00

100,00

P

105,00 1 010,00

Tempo (ms)

1 015,00 1 020,00

Potência instantânea em um indutor

Seguindo o mesmo raciocínio, agora para o indutor, obtém-se o gráf ico da f igura 1.35.

Nota-se que a potência instantânea é variável, mas seu valor médio é nulo (P = 0).

Percebe-se que, em um hemiciclo, a fonte entrega energia à carga, e no hemiciclo seguinte a carga devolve a mesma quantidade à fonte. Em média, o trabalho realizado é nulo. Existe corrente, existe fluxo de potência, mas em média não se realiza trabalho. Em instalações elétricas, permitir que a potência reativa circule implica a necessidade de condutores, transformadores, chaves, disjuntores de maior capacidade e maior custo. Esse tipo de potência é denominado potência reativa (Q) e sua unidade é o volt-ampère reativo (VAr). A potência reativa é calculada pelo pico do gráf ico da potência instantânea, que nesse caso vale 2 500 VAr (V ef

 i ef

).

1 025,00

CAPÍTULO 1

41

MECâNICA 3

42

100,00

I(L) v(t)

50,00

0,00

–50,00

–100,00

5 000,00

4 000,00

3 000,00

P

2 000,00

1 000,00

0,00

100,00 v(t)* I(L)

105,00 1 010,00

Tempo(ms)

1 015,00 1 020,00 1 025,00

Figura 1.35

gráf ico superior: tensão e corrente instantâneas.

gráf ico inferior: potência instantânea e potência média

P.

Potência instantânea em um capacitor

Para o capacitor, podemos fazer uma análise semelhante à do indutor, ou seja, a potência média é nula e apresenta um valor de potência reativa.

Potência ativa, reativa, aparente e fator de potência

Foi mostrado que as cargas resistivas (aquelas que apresentam a corrente em fase com a tensão) consomem apenas potência ativa, enquanto capacitores e indutores (corrente defasada em 90°) consomem apenas potência reativa. Na prática, os equipamentos encontrados no meio industrial são compostos pelos três componentes (R, L, C), em que a corrente se apresenta adiantada ou atrasada em um ângulo que varia entre 0° e 90°. Essas cargas consomem tanto potência ativa como reativa.

Em geral, podemos def inir:

• potência ativa ou média (W): P = V ef

i ef

cos j

(1.23)

• potência reativa (VAr): Q = V ef

i ef

cos j 

(1.24)

• em que j

é o ângulo de defasagem entre a tensão e a corrente.

• potência aparente (VA):

= P

2

+ Q

2

(1.25)

A representação gráf ica de S, P e Q resulta no chamado triângulo das potências mostrado nos itens a e b da f igura 1.36.

Def ine-se fator de potência como a relação entre potência ativa e potência aparente:

FP P = cos ϕ

= cos ϕ

(1.26)

S ϕ

P

(a)

Q ϕ

P

S

(b)

Q

Figura 1.36

representação gráf ica das potências: a) carga indutiva; b) carga capacitiva.

Se FP = 1, ou seja, j = 0°, então a potência reativa é zero (Q = 0) e S = P.

À medida que aumenta a contribuição da potência reativa Q, temos S > P, reduzindo o valor do fator de potência e, consequentemente, aumentando a corrente na rede. Por determinação legal, as concessionárias de energia obrigam os consumidores industriais e comerciais a manter o fator de potência

(cos j

) de suas instalações com valor superior a 0,92, e o proprietário incorre em multa caso isso não ocorra.

1.6 Instrumentos de medição das grandezas elétricas

A seguir serão apresentados instrumentos básicos para medida de grandezas elétricas que fazem parte do dia a dia do técnico mecânico.

1.6.1 Multímetro

É um dos instrumentos de grande importância para utilização em laboratórios de qualquer especialidade. O multímetro, ou multiteste, permite a medição da tensão, da corrente e da resistência de um circuito elétrico. A f igura 1.37 mostra os dois tipos de multímetros, o analógico (de ponteiro) e o digital.

Figura 1.37

multímetros: a) analógico; b) digital.

CAPÍTULO 1

(a) (b)

43

MECâNICA 3

Figura 1.38

galvanômetro.

O multímetro analógico utiliza um galvanômetro, que é um instrumento com um ponteiro montado sobre uma bobina móvel, imersa no campo magnético produzido por um ímã permanente (f igura 1.38). Quando uma corrente elétrica percorre o enrolamento da bobina móvel, surge um campo magnético na bobina, que interage com o campo magnético do ímã. Dependendo do sentido da corrente elétrica, o ponteiro poderá se movimentar para a direita ou para a esquerda, na escala do instrumento.

escala

N

núcleo de ferro bobina

S

mola

ímã permanente

Figura 1.39

Escalas de um multímetro analógico.

Com corrente nula, o torque aplicado à bobina é nulo, e o ponteiro f ica em seu ponto de descanso, totalmente à esquerda da escala. Com corrente positiva, o ponteiro se movimenta no sentido horário. Se a movimentação do ponteiro for para a esquerda, entende-se que a polaridade das pontas em relação ao ponto de medição está invertida. Assim, podemos af irmar que o multímetro analógico é polarizado, e deve-se tomar o cuidado para sempre utilizar a ponta vermelha no positivo (+) e a ponta preta no negativo (–) dos pontos medidos.

O multímetro possui escalas distintas para cada grandeza a ser medida, como é mostrado na f igura 1.39.

44

O instrumento possui uma chave seletora, para selecionar a grandeza a ser medida pelo aparelho. Descrevem-se a seguir os procedimentos de medida de cada grandeza.

Medidas de tensão com multímetro analógico

Para efetuar as medidas de tensão, deve-se primeiramente saber se a tensão a ser lida é contínua (VDC) ou alternada (VAC). Com a chave seletora na posição

VDC, mede-se o valor médio da tensão. Com a chave seletora no modo VAC, mede-se o valor ef icaz das tensões alternadas senoidais. Para tensões alternadas não senoidais, o multímetro apresenta erro de medida. Alguns multímetros digitais conseguem medir o valor ef icaz verdadeiro da tensão mostrando em sua caixa a inscrição “TRUE RMS” (valor médio quadrático verdadeiro ou valor ef icaz verdadeiro).

A inserção do multímetro, utilizado como medidor de tensão, deve ser em paralelo com a carga a ser medida. Voltímetros têm resistência interna muito elevada e drenam pouca corrente do circuito que está sendo medido, o que afeta muito pouco o valor da tensão que se quer medir. A f igura 1.40 mostra o símbolo gráf ico de um voltímetro, e a f igura 1.41, como ele é conectado aos pontos de medição. No caso, deseja-se medir a tensão entre os pontos a e b.

V

Figura 1.40

Símbolo utilizado para representar um voltímetro.

CAPÍTULO 1

E

r

+

circuito sob medida

R

a

+ +

V b

– –

O terminal positivo do instrumento deve estar no ponto a e o negativo, no ponto b, para que se tenha uma deflexão do ponteiro para a direita; ao contrário, teremos uma deflexão para a esquerda, o que é uma indicação de troca de polaridade. Uma sugestão prática importante é sempre colocar, ou posicionar, inicialmente a chave seletora na maior escala possível e ir reduzindo a escala até obter uma leitura mais precisa da grandeza. Evita-se, assim, queimar o instrumento quando temos dúvida quanto à polaridade e à magnitude da tensão a ser medida. A f igura 1.42 indica as diversas escalas da chave seletora.

Figura 1.41

medindo a tensão entre os pontos a e b.

45

MECâNICA 3

Figura 1.42

chave seletora mostrando os valores de f im de escala para o modo de medida de tensão Dc.

Figura 1.43

Escala para medida de tensões alternadas.

Analogamente, podemos medir valores ef icazes de tensões CA, passando a chave seletora para a posição VAC (tensão em corrente alternada), escolhendo a escala adequada, conforme mostra a f igura 1.43.

46

Figura 1.44

Escala para medida de correntes cc.

Medidas de corrente com multímetro analógico

Com a chave seletora na posição DCmA (f igura 1.44), o multímetro é utilizado para medições de corrente elétrica CC (valor médio) que percorre o circuito.

Esse tipo de medição é feito em circuitos alimentados com tensão em corrente contínua (DC). Para fazer a leitura da corrente elétrica que percorre um circuito, deve-se introduzir o multímetro em série com o circuito a ser medido. Geralmente são realizadas as medições na linha positiva do circuito. Para isso, ligamos a ponta vermelha (+) no lado do gerador e a ponta preta (–) no lado do circuito a ser medido.

Também é possível realizar as medições no lado negativo da linha de alimenta-

ção. Para isso, liga-se a ponta preta (–) no lado do gerador e a ponta vermelha (+) do multímetro no lado do circuito a ser medido. Quando não se conhece a escala de valor da corrente a ser medida, deve-se inicialmente selecionar a chave de funções no maior valor e reduzir seu valor até obter uma leitura adequada. O símbolo usado para representar o amperímetro é mostrado na f igura 1.45.

A

Figura 1.45

Símbolo gráf ico do amperímetro.

A f igura 1.46a mostra um circuito no qual se deseja medir a corrente i. A f igura

1.46b mostra duas maneiras de conectar o amperímetro ao circuito para medir a corrente i. O amperímetro é instalado em série e, portanto, o circuito deve ser necessariamente interrompido para se conectar o instrumento.

R5

+

A

R6 I R7

Figura 1.46

a) circuito a ser medido; b) conexão do amperímetro.

U

R5

R6 I R7

U

R5

(a)

U

R6 I

(b)

A

+

R7

Medidas de resistência com multímetro analógico

O ohmímetro é um instrumento usado para medidas de resistência elétrica. Na f igura 1.47 são mostradas as escalas do ohmímetro. Deve-se multiplicar o valor lido pelo fator multiplicativo indicado na escala utilizada.

Figura 1.47

Escalas da chave seletora do multímetro utilizado como ohmímetro.

CAPÍTULO 1

47

MECâNICA 3

48

Para a realização de uma medida de resistência, o instrumento precisa estar calibrado e, para tanto, deve-se fazer o ajuste de zero do ponteiro. Para isso, é necessário juntar as duas pontas (vermelha e preta) e verif icar se o ponteiro está indicando 0

W

. Caso contrário, deve-se fazer o ajuste por meio do botão localizado no painel do instrumento.

Esse ajuste precisa ser feito para cada mudança de escala na chave seletora.

Uma vez conseguido o ajuste, as pontas de prova devem ser conectadas ao componente a ser medido. É importante que o componente esteja desconectado do circuito para:

• evitar que tensões presentes no circuito sejam aplicadas ao ohmímetro, podendo danif icar ou dar falsos resultados de medida;

• evitar que, em vez da medida da resistência do componente, seja obtida a resistência da associação do componente com os demais existentes no circuito, o que certamente resultará em resistência menor que a real.

Erro comum que pode danif icar o instrumento!

Muitas vezes o instrumento é deixado em cima da bancada na posição

“corrente” ou “resistência” e, ao voltar a utilizá-lo, tenta-se medir tensões, sem alterar a chave seletora para “tensão”. Multímetros de menor custo sofrerão danos. Os de melhor qualidade e, portanto, mais caros são dotados de proteção que evita ou minimiza os danos.

É conveniente colocar a chave seletora na maior escala da posição “tensão” sempre que terminar de usar o instrumento.

Se o instrumento tiver conector especialmente dedicado para a medida de corrente, é conveniente retorná-lo ao borne de tensão.

Multímetro digital

Os multímetros digitais (f igura 1.37b), em termos de operação, são exatamente iguais aos analógicos, porém fornecem a indicação em um visor de cristal líquido. O multímetro digital não apresenta erros de paralaxe (variação do valor lido em função do ângulo de leitura do operador), possíveis em instrumentos com ponteiro.

Outras vantagens do multímetro digital são:

• maior resistência a quedas por não ter partes móveis e delicadas;

• ausência de ajuste de zero;

• leitura direta da grandeza, sem a necessidade de aplicar fatores multiplicativos;

• maior impedância interna (da ordem de 10 M

W

) no modo voltímetro;

• alguns dispõem de funções adicionais, como medida de temperatura, teste de transistores, medida de capacitores, teste de diodos etc.

1.6.2 Amperímetro alicate

Esse instrumento, mostrado na f igura 1.48, foi projetado em princípio para a medida de corrente, com a vantagem de que para inseri-lo no circuito não é preciso cortar os condutores, conforme mostrado na f igura 1.49. Essa característica é muito importante em instalações industriais, por onde circulam correntes elevadas em cabos de grande seção transversal, nos quais a interrupção para a instalação do amperímetro em série é praticamente impossível.

Figura 1.48

amperímetro alicate.

O amperímetro alicate faz a leitura com suas pinças envolvendo o condutor como em um abraço (f igura 1.49). Com base na lei de indução de Faraday, a corrente alternada no condutor produz um campo magnético alternado no núcleo de ferro que compõe as pinças do alicate. Em uma segunda espira, enrolada no núcleo, é induzida uma tensão proporcional à corrente no cabo, que

é medida por um voltímetro e indicada no display. Os instrumentos mais sof isticados e, portanto, mais caros também medem corrente contínua através do efeito Hall.

Figura 1.49

medida com o amperímetro alicate.

CAPÍTULO 1

49

MECâNICA 3

Figura 1.50

a) bobinas de corrente

(bc) e de potencial (bp) de um wattímetro; b) esquema de ligação de um wattímetro para medir a potência de uma carga

R

L

.

Apresentamos alguns cuidados específ icos para a utilização de amperímetros alicate:

• o amperímetro alicate não deve ser aplicado em circuitos que possuam tensão superior a 750 VAC;

• não se deve medir corrente AC com as pontas de prova conectadas ao amperímetro alicate;

• as pinças do alicate devem envolver um único f io condutor. Nunca introduzir mais do que um f io fase simultaneamente no alicate para não haver erro de leitura;

• para fazer a leitura com exatidão, é necessário que a pinça esteja completamente fechada e que o f io f ique no centro do espaço livre entre as pinças.

Os multímetros do tipo alicate usualmente dispõem da função memória (data

hold). Para utilizar essa função quando estiver fazendo alguma medição, é preciso pressionar a chave “Data-Hold”. O valor exibido no visor é armazenado em uma memória, que pode ser visualizada mesmo depois de retirado o sinal aplicado. O valor armazenado sofre uma perda gradual com o tempo.

Essa função é útil ao realizar medidas em painéis, quando é impossível fazer a leitura do display por falta de espaço. Coloca-se, então, o instrumento, memoriza-se a medida e, ao término da operação, faz-se a leitura do valor medido.

1.6.3 Wattímetro

O wattímetro é o instrumento usado para medir a potência ativa ou média de um circuito elétrico. É composto por duas bobinas. Por uma delas, chamada bobina de corrente, passa a corrente da carga e a outra, chamada bobina de potencial, mede a tensão nos terminais da carga. Reunindo as leituras instantâneas da corrente e da tensão, o wattímetro “calcula” a potência ativa, def inida pela equação 1.23: cos j

(1.23)

Para que haja medição correta do sentido da potência medida (ver esquema da f igura 1.50), é preciso que o terminal positivo da bobina de corrente esteja ligado na direção da fonte, e o terminal positivo da bobina de potencial esteja ligado ao outro terminal da bobina de corrente.

1

+

BC

BP

2

+

3

1

+

+

V

F

BC

BP

2

+

3

R

L

(a)

4

4

(b)

50

1.7 Sistema trifásico de energia

Sistema polifásico é aquele que contém dois ou mais circuitos elétricos, cada qual com sua fonte de tensão alternada. Essas tensões têm a mesma frequência e estão defasadas entre si de um ângulo def inido. Cada circuito do sistema constitui uma fase. Dos sistemas polifásicos estudados, os cientistas chegaram à conclusão de que o sistema trifásico é o mais econômico.

O sistema trifásico, criado em 1890 por Nikola Tesla (1856-1943), apresenta as seguintes vantagens em relação ao sistema monofásico:

• entre motores e geradores do mesmo tamanho, os trifásicos têm maior potência que os monofásicos;

• as linhas de transmissão trifásicas empregam cabos de menor seção transversal e, portanto, menos material que as monofásicas para transportar a mesma potência elétrica;

• os motores trifásicos têm um conjugado uniforme, enquanto os monofásicos comuns têm conjugado pulsante;

• os motores trifásicos podem partir sem meio auxiliar, o que não acontece com os motores monofásicos comuns;

• os circuitos trifásicos proporcionam flexibilidade na escolha das tensões e podem ser utilizados para alimentar cargas monofásicas.

Um sistema trifásico (3Ø) é uma combinação de três sistemas monofásicos (1Ø).

Em um sistema trifásico balanceado, a potência é fornecida por um gerador CA que produz três tensões iguais, mas separadas, cada uma defasada das demais em

120° (f igura 1.51).

Figura 1.51

as três ondas de tensão senoidal.

V

1

V

2

V

3

+V

0

–V

Tempo

120º 120º 120º

1.7.1 O gerador trifásico

Na f igura 1.52, temos o esquema da estrutura de um gerador trifásico com seus três conjuntos de enrolamentos (A-X, B-Y, C-Z). Na f igura, podemos visualizar um gerador de corrente contínua que fornece sua corrente (i ext

) através de escovas e anéis (dispositivos para contato giratório) ao enrolamento do rotor (bobina

CAPÍTULO 1

51

MECâNICA 3

Figura 1.52

Sistema trifásico: a) estrutura de um gerador trifásico (três enrolamentos: b-Y, a-X, c-Z); b) enrolamentos; c) formas de onda.

giratória). O rotor, por sua vez, é preso a um eixo que gira movimentado por força externa ao gerador — por exemplo, uma turbina ou queda-d’água.

A velocidade angular do rotor é controlada, de modo a obter a frequência de

60 Hz da rede elétrica. O enrolamento do rotor induz, então, o surgimento das tensões elétricas nos três enrolamentos f ixos no estator do gerador. Por esses enrolamentos estarem separados por ângulos de 120 o , as tensões são defasadas também em 120°, como mostrado no diagrama senoidal da f igura 1.51.

Z

A

N

I

ω

Y

III

II

ω

I

EXT

B

II

S

I

I

V

1

A

II

V

2

B

III

V

3

C

(a)

X

v(

ω t)

III

V

1

C

V

2

V

3

ω t

X Y

(b)

Z

(c)

1.7.2 Conexões típicas de um gerador trifásico

Existem duas formas de ligar os terminais dos enrolamentos de um gerador trifásico. Essas conf igurações, denominadas estrela (ou Y) e triângulo (ou ), são mostradas na f igura 1.53, na qual os enrolamentos do gerador estão representados por fontes de tensão independentes.

Na ligação estrela, os terminais X, Y e Z dos enrolamentos estão conectados a um ponto comum denominado neutro. Os terminais A, B, C e neutro f icam livres para a conexão das cargas.

52

A

V

CA

V

C

V

F

Z

N

X

Y

V

B

C B

V

BC

A

V

L

N

B

C

C

V

CA

V

BC

A

(b)

(b)

B

V

F

=V

L

A

B

C

Figura 1.53

a) ligação estrela (ou Y); b) ligação triângulo (ou

Δ).

CAPÍTULO 1

1.7.3 Sistema trifásico equilibrado

Um sistema trifásico é dito equilibrado quando:

• as cargas são equilibradas, isto é, as cargas ligadas aos terminais do gerador têm a mesma impedância em todas as fases;

• os componentes do sistema (linhas, transformadores e geradores) têm características lineares e idênticas em cada fase;

• o sistema de tensões é simétrico, ou seja, as tensões têm módulos iguais e são defasadas em 120° uma da outra (f igura 1.54).

.

B

.

V

C

.

.

B

A

.

C

= V m

= V m

< 0 o

< –120 o

= V m

< 120 o

.

A

Sequência de fases ABC ou positiva

.

A

.

B

.

C

= 0

.

V

C

.

B

.

A

Sequência de fases ABC ou negativa

.

C

.

A

.

B

= V m

= V m

< 0 o

< –120 o

= V m

< 120 o

Figura 1.54

Sistema trifásico representado por fasores.

53

MECâNICA 3

Figura 1.55

cargas trifásicas a serem ligadas nos geradores: a) estrela (ou Y); b) triângulo (ou

Δ).

Tal como o gerador, uma carga trifásica equilibrada pode estar nas conf igura-

ções estrela (ou Y) ou triângulo (ou Δ). O sistema trifásico de cargas a ser alimentado por esse gerador é representado na f igura 1.55. Se ambos, o gerador e a carga, estiverem no formato estrela, temos as três fases e um neutro (N). Esse tipo de ligação também é chamado trifásico a quatro f ios. A ligação da carga também pode ser feita no formato triângulo.

A

Z

3

Z

1

N

Z

2

Z

3

Z

2

C B

Z

2

(a) (b)

Podemos utilizar os conceitos já vistos, de circuitos elétricos, para fazer a transforma-

ção do sistema estrela em triângulo e vice-versa, como mostram as f iguras 1.56 e 1.57.

Figura 1.56

transformação de triângulo para estrela.

a

1

Z

Z b

c

Z

3

n

Z a

Z

2

Z c

b

Z

1

=

Z

2

=

Z a

Z

+

b

Z c

-------------------

Z b

+

Z

Z a

Z c

-------------------

Z a

+

Z b

+

Z c

Z

3

=

Z a

Z b

-------------------

Z a

+

Z b

+

Z c c

54

a

1

Z

Z b

c

Z

3

n

Z a

Z 2

Z c

b

Z a

Z

1

Z

2

+

Z

2

Z

3

+

Z

1

Z

3

= ------------------------------

Z

1

Z b

Z

1

Z

2

+

Z

2

Z

3

+

Z

1

Z

3

= ------------------------------

Z

2

Z c

Z

1

Z

2

+

Z

2

Z

3

+

Z

1

Z

3

= ------------------------------

Z

3

Figura 1.57

transformação de estrela para triângulo.

CAPÍTULO 1

Como o sistema trifásico é composto por três circuitos monofásicos, a representação pode ser feita como mostra a f igura 1.58.

Figura 1.58

gerador e carga ligados em estrela.

Z g

V a’n

+

V c’n

+

V b’n

a n b c

Z g

Z

0

– impedância do enrolamento

– impedância do neutro

Z

1

A

Z

0

I aA

N

Z c

I

0

B

Z c

I bB

Z c

I cC

C

Z

1

Z c

– impedância da linha de transmissão

– impedância da carga

V

N

=

V

Nn

55

MECâNICA 3

Figura 1.59

circuito monofásico equivalente

Podemos fazer o estudo considerando um sistema monofásico simples (f iguras

1.59 e 1.60).

a’

V a’n

+

– n

Z g

a

Z

1

I aA

A

Z c

I aA – corrente na linha = corrente na fase

I aA

=

I bB

=

I bB

=

Z

=

Z g

+

Z

1

+

Z c

N

Figura 1.60

A

+

V

AB

V

CA

B

+

+

V

AB

Z c

+

C

V

BC

Z c

+

V

AN

N

Z c

V

CN

+

V

V

BC

V

AB

CA

= V

= V

BN

= V

AN

CN

– V

BN

– V

CN

– V

AN

V

AN

, V

BN

, V

CN

tensão de fase (v f

)

V

AB

,

V

BC

,

V

CA

tensão de linha (

V

L

)

O diagrama fasorial de um sistema trifásico representa as relações no tempo das fases e não relações espaciais do circuito. Na f igura 1.61, vemos o diagrama fasorial com as tensões de fase e de linha em relação ao neutro. A f igura 1.62 mostra o esquema de um gerador em estrela e carga em triângulo.

56

V

AN

=

V /0º

V

BN

=

V

CN

=

V

CA

V

BN

V

CN

V

BC

V

AB

30º

V

AN

V

AB

V

BC

=

=

V

CA

=

Figura 1.61

tensões de fase e de linha de um sistema trifásico.

I aA

A

I bB

B

I

AB

Z c

Z

C

I

BC

Z c

I

CA

C

I cC

I

I aA

I bB cC

=

I

AB

=

I

BC

=

I

CA

I

I

I

CA

AB

BC

I aA

,

I bB

,

I cC

– corrente na linha

I

AB

,

I

BC

,

I

CA

– corrente na fase

Figura 1.62

gerdor em estrela e carga em triângulo.

A f igura 1.63 mostra o diagrama fasorial para a situação em que o gerador está conf igurado em estrela e a carga, em triângulo.

I

AB

I

I

BC

CA

=

=

=

I

0

/0º

I

0

/

120º

I cC

I aA

I bB

I cC

=

=

=

3 I /

30º

3 I /

150º

I

CA

I

AB

30º

I bB

I

BC

I aA

Figura 1.63

CAPÍTULO 1

57

MECâNICA 3

Tabela 1.3

tabela-resumo de tensões e correntes de um sistema trifásico equilibrado.

Abaixo, é apresentada a tabela 1.3, comparativa de tensões e correntes de um sistema trifásico equilibrado.

Sequência de fases positiva simples

Y - Y

Fonte V an

, ...

Carga V

AN

, ...

Tensão composta

V ab

= √ 3/30° V an

, ...

V

AB

= √ 3/30° V

AN

, ...

Corrente linha carga i aA

, ...

— i aA

, ...

Fonte

Y -

D

Carga

V an

, ...

V ab

= √ 3/30° V an

, ...

i aA

= √ 3/–30°i

AB

, ...

V

AB

, ...

— i

AB

, ...

Exemplo

Suponha um sistema trifásico equilibrado com tensão ef icaz de 120 V e carga com impedâncias

Z = 30/35°

(Ω). Calcule as correntes de linha.

Solução:

I

AB

V

AB

Z

º

º

   45 º A

I

BC

V

BC

Z

120   120 º

º

   1 555 º A

I

CA

V

CA

Z

120   240 º

º

   275 º A

I

A

 I

AB

 I

CA

4 35 4

,  j ,

,   65 º

, 

275 º j ,

 ,  j ,

I

B

 I

BC

 I

AB

4 º    35

     j

º

, )   ,

 6 928   175 º A

I

C

 I

CA

 I

BC

4    155 º

  j , ( ,  j , )  ,

 ,   55 º A

 j

 j ,

,

58

1.7.4 Potência em sistemas trifásicos

Como estudado anteriormente, a potência ativa dissipada em uma carga monofásica é def inida como:

P

ATiVA

= V

F

. i

F

. cos j

(1.23) em que: i

V

F

= módulo da tensão entre fase e neutro;

F

= módulo da corrente por fase (na carga); j 

=

ângulo de defasagem entre a tensão e a corrente.

Sistema estrela (Y)

Em um sistema trifásico, com gerador e carga ligados em estrela (com neutro), podemos considerar a carga trifásica como três cargas monofásicas balanceadas

(iguais em módulo e defasadas pelo mesmo ângulo duas a duas). Quando se trata de potência, há uma relação direta entre potência dissipada e energia consumida pela carga. Desse modo, como as potências ativas em cada fase são iguais, então a potência ativa total é a soma das potências ativas nas fases, ou seja, se a carga monofásica consome uma potência, a carga trifásica consumirá três vezes o valor da potência da carga monofásica:

P

ATIVA

V I

F cos

(1.27) para a carga trifásica em estrela.

Lembrando ainda que, para a ligação em estrela:

I I

L

F

=

V

L

3

(1.28) em que V

L

= módulo da tensão entre fases.

Podemos escrever a equação (1.28) da potência consumida de outra forma:

P

ATIVA

= ⋅

V

L

3

I

L cos ϕ

(1.29) ou seja:

P

ATIVA

= 3 ⋅ V I

L cos ϕ

(1.30) para a carga trifásica em estrela.

Sistema delta ou triângulo (

D

)

Como foi visto, para a carga trifásica, a potência ativa é calculada pela equação:

P

ATIVA

= ⋅ V I

F cos ϕ

(1.27)

CAPÍTULO 1

59

MECâNICA 3

Para os terminais do gerador e da carga, estão ligados em triângulo:

Figura 1.64

medida de potência em carga trifásica.

V V

L e I

F

= I

L

3

(1.31)

Substituindo, temos:

P

ATIVA

= ⋅ V

L

I

L

3

⋅ cos ϕ

, ou seja:

P

ATIVA

= 3 ⋅ V I

L cos ϕ

(1.30) para a carga trifásica em triângulo.

Portanto, chega-se à conclusão de que a equação é a mesma para os dois casos

(carga em estrela e em triângulo), porém é importante lembrar que os valores calculados são diferentes nos dois casos.

Caso as cargas estejam desbalanceadas, a potência total dissipada também é calculada pela soma das potências dissipadas em cada carga.

Medida de potência em circuitos trifásicos

Assim como nos sistemas monofásicos, no sistema trifásico o aparelho usado para a medida de potência é o wattímetro. O método específ ico para essa medida é descrito a seguir.

Método dos três wattímetros

A f igura 1.64 demonstra um método para a medida instantânea de potência em uma carga trifásica. Tanto para a carga em estrela como para a carga em triângulo são usados três wattímetros e o mesmo conceito citado: a potência total consumida é a soma das potências consumidas em cada carga. Desse modo, não importa se as cargas estão balanceadas ou não.

1

1

1

µ

1

W1

4

1

W2

4

1

W3

4

2

3

2

3

2

3

Neutral

Line

Line

Line

Z c

Z a

Z b

4

3

W2

2

Z a

1

Z b

2

3

1

W3

W1

4

2 c

Z

3

1

60

Capítulo 2

Motores elétricos

meCâniCA 3

62

Figura 2.1

Classificação dos motores elétricos.

A

conversão eletromagnética de energia relaciona as forças elétricas e magnéticas do átomo com a força mecânica aplicada à matéria e ao movimento. Como resultado dessa relação, podemos empregar máquinas elétricas para converter a energia mecânica em elétrica, e a energia elétrica em mecânica. Chama-se motor elétrico à máquina elétrica que transforma energia elétrica em energia mecânica, na forma de giro em seu eixo.

2.1 Classificação dos motores elétricos

Os motores elétricos são divididos em dois grandes grupos, tomando-se o valor da tensão como base: corrente contínua e alternada. A classificação dos diferentes tipos de motores elétricos pode ser visualizada na figura 2.1.

Motores elétricos

Corrente contínua

Excitação paralela

Ímãs permanentes

Excitação série

Excitação independente

Excitação compound

Universal Trifásico

Assíncrono

Corrente alternada

Linear

Histerese

Ímãs permanentes

Síncrono Assíncrono

Monofásico

Síncrono

Polos salientes

Polos salientes

Gaiola

Rotor bobinado

Relutância

Ímãs permanentes

Gaiola

Rotor bobinado

Repulsão

Rotor maciço

Histerese

Repulsão na partida

Relutância

Ímãs permanentes

Polos sombreados

Capacitor permanente

Capacitor de partida

Dois capacitores

Split-fase

2.2 Características gerais dos motores elétricos

As principais características dos motores elétricos, em geral, são: a) Motores de corrente contínua (CC): são aqueles acionados por meio de uma fonte de corrente contínua. São muito utilizados nas indústrias, quando é necessário manter o controle fino da velocidade em um processo qualquer de fabrica-

ção. Como exemplo, pode ser citada a indústria de papel.

b) Motores de corrente alternada (CA): são aqueles acionados por meio de uma fonte de corrente alternada. São utilizados na maioria das aplicações industriais, e seus principais tipos são: b

1

)

Motor síncrono

: trabalha em velocidade síncrona e é usado somente para grandes potências sem variação de velocidade (alto custo). Precisa de tensão alternada no estator e de corrente contínua no rotor.

b

2

) Motor de indução: é o mais usado na indústria, pois é adaptável a uma grande variedade de cargas; apresenta custo reduzido, simplicidade de comando e bom rendimento na utilização da energia elétrica. Trabalha com velocidade pouco abaixo da síncrona (depende da carga mecânica no eixo).

Atualmente, podemos controlar sua velocidade com o uso de inversores de frequência.

2.3 Princípios de funcionamento dos motores elétricos de corrente alternada

Para entender os elementos básicos de um motor, é preciso lembrar que:

• ao aproximar dois ímãs, eles tendem a se alinhar atraídos pelos polos opostos;

• ao aplicar tensão a dois eletroímãs (enrolamentos ou bobinas), eles tendem a se alinhar segundo seus eixos longitudinais (como dois ímãs);

• com os eletroímãs desalinhados, surge uma força para alinhá-los;

• ao colocar tensão elétrica nos terminais de um enrolamento, o campo magnético induz o surgimento de campo magnético em outro enrolamento próximo, se estiver curto-circuitado (fechado).

2.4 Princípios de funcionamento do motor de indução trifásico

Na figura 2.2a, temos uma tensão monofásica senoidal aplicada ao enrolamento monofásico no estator de um motor. Essa tensão leva ao surgimento de uma corrente I senoidal e de um campo magnético H que atravessa os dois polos do estator. Na figura 2.2b, temos um enrolamento trifásico formado por três enrolamentos monofásicos separados por 120º. Alimentando esses enrolamentos com tensão trifásica senoidal (defasadas em 120º), surgem os campos H

H

3

, devidos a cada enrolamento.

1

, H

2

e

Nos motores síncronos, a velocidade síncrona

(

N

S

) do rotor é fixa e é sincronizada com o campo girante do estator:

N

S p

• f

em que:

f = frequência da

rede elétrica que alimenta o motor;

p = número de

polos do motor.

CAPÍTULO 2

63

MECâNICA 3

U

1

I

120º 120º

64

(a)

120º

(b)

Figura 2.2

Enrolamentos de um motor de indução.

Esses campos magnéticos e suas resultantes são mostrados na figura 2.3.

H

2

H

1

H

3

H

1

H

H

3

2

H

1

H

3

H

2

H

3

H

H

2

H

3

1

H

2

H

2

H

1

H

3

H

1

H

H

H

Figura 2.3

campos magnéticos resultantes.

H

H H

Assim, cria-se um campo girante como se houvesse um único par de polos girantes. No motor com rotor tipo gaiola de esquilo, onde a parte girante do motor

é formada por um núcleo de chapas ferromagnéticas, temos barras condutoras curto-circuitadas que funcionam como enrolamento induzido. (Nos motores com rotor bobinado há também enrolamentos.)

Nos motores com rotor tipo gaiola de esquilo há um conjunto de condutores paralelos. Ao receber o campo girante do estator, surge no rotor um conjugado, que é um binário de forças. Portanto, o campo do rotor tende a acompanhar o campo girante do estator, que é a parte estática do motor formada por chapas ferromagnéticas, empilhadas e isoladas entre si. Uma das vantagens no motor com rotor tipo gaiola de esquilo é a ausência de escovas no rotor. O motor se torna mais simples e não há necessidade da troca de escovas na manutenção.

A carcaça do motor é em ferro fundido, aço ou alumínio e tem aletas para auxiliar na dissipação de calor do motor.

2.4.1 Partes constituintes de um motor de indução trifásico

Além do já descrito anteriormente, um motor trifásico deve conter bobinas, ou enrolamentos, alimentadas pela tensão da rede elétrica no estator. Essas bobinas ficam encaixadas em cavas do estator. Seu

entreferro

é bem estreito. A figura

2.4 é acompanhada da descrição de outras partes de um motor tipo gaiola de esquilo da WEG.

Distância que separa o rotor do estator.

CAPÍTULO 2

Anel v´ring Carcaça Chaveta Tampa dianteira Anel v´ring

Rotor

Anel de fixação Rolamento

Tampa defletora

Na figura:

Partes do estator:

Ventilador Dreno Rolamento Estator bobinado Caixa de ligação Tampa da Caixa de ligação

11

8

7

4

1

2

3

12

9

10

5

6

Figura 2.4

partes construtivas de um motor tipo gaiola de esquilo.

• carcaça (1),

• núcleo de chapas (2) e

• enrolamento trifásico (8).

65

MECâNICA 3

66

CAPÍTULO 2

Partes do rotor:

• eixo (7)

é tratado termicamente, para evitar empenamento e fadiga, de forma a poder transmitir a potência mecânica do motor;

• núcleo de chapas (3)

tratadas termicamente, para reduzir perdas no ferro, como as do estator;

• barras e anéis de curto-circuito (12)

são de alumínio injetado sob pressão em uma única peça;

• outras partes: tampa (4), ventilador (5), tampa defletora (6), caixa de ligação

(9), terminais (10) e rolamentos (11).

2.5 Princípios de funcionamento do motor monofásico

O uso de motores monofásicos com potência maior que 3 cv não é recomendado, para que não cause consumo excessivo de uma única fase da rede e, consequentemente, seu desbalanceamento. Isso não impede o uso de motores de potências maiores, basta apenas que as fases estejam balanceadas.

A função do capacitor, empregado em alguns motores monofásicos, a princípio, é armazenar cargas elétricas. O do tipo eletrolítico armazena maior quantidade de carga. Ao se aplicar uma tensão alternada senoidal a um capacitor, sabe-se que a corrente elétrica fica adiantada em 90º em relação à tensão. Assim, um capacitor é colocado em série com o enrolamento auxiliar em vários tipos de motor monofásico, causando o aparecimento de correntes defasadas.

É como se cada um dos dois enrolamentos fosse ligado a uma fase diferente.

Isso eleva o torque de partida do motor monofásico. No motor com capacitor de partida, após sua ligação e alcançada a velocidade em torno de 75% a 80% da velocidade síncrona, podemos abrir a chave centrífuga e desligar o circuito auxiliar de partida. A chave centrífuga é colocada em série com o capacitor e o enrolamento auxiliar.

Partes constituintes de um motor monofásico

Também nos motores monofásicos, os tipos gaiola de esquilo se destacam pela construção simples, fácil manutenção, maior robustez e confiabilidade.

No entanto, por serem alimentados em circuito monofásico, não possuem campo girante, e sim campo pulsante. Para resolver o problema do torque de partida, são usados enrolamentos auxiliares para criar uma segunda fase

“fictícia” no motor.

Desse modo, os componentes do motor monofásico são um pouco diferentes dos do motor trifásico: enrolamento principal (ligado à rede elétrica), en-

rolamento auxiliar

, ligado à rede por um capacitor de partida, chave cen-

trífuga

e outras partes dependendo do tipo de motor monofásico. Na figura

2.5 são mostrados alguns modelos de motores monofásicos, que serão tratados separadamente.

Motor monofásico de fase dividida (split-fase)

Possui um enrolamento principal e um auxiliar defasados em 90°. O auxiliar é usado para o torque de partida e, quando o motor atinge certa rotação, é desligado por uma chave centrífuga (ou disjuntor centrífugo, ou relé de corrente), que é pressionada por molas, com o motor parado. Tem torque de partida praticamente igual ao nominal.

Em geral, é construído com potências de até ¾ cv. Para inverter seu sentido de rotação, inverte-se a polaridade dos terminais de ligação da rede em relação a um dos enrolamentos. A inversão do sentido deve ser feita sempre com o motor desligado. É usado em cargas que exigem pouco torque de partida, tais como: máquinas de escritório, ventiladores, exaustores, pequenos polidores, compressores herméticos, pequenas bombas centrífugas, esmeris, lavadoras de pratos.

Motor monofásico com capacitor permanente (permanent split capacitor)

Nesse tipo de motor, o enrolamento auxiliar e o capacitor estão sempre ligados.

Assim o motor é menor e isento de manutenção, pois não tem contatos e partes móveis. Também permite reversão instantânea. É fabricado com potências que variam de 1/50 cv a 1,5 cv. Seu torque de partida é menor que o do motor de fase dividida, e seu uso é limitado a máquinas de escritório, ventiladores, exaustores, sopradores, bombas centrífugas, esmeris, pequenas serras, furadeiras, condicionadores de ar, pulverizadores e máquinas de lavar roupa. Esse tipo de motor tem tido demanda cada vez maior.

Motor monofásico com capacitor de partida

Esse tipo de motor possui capacitor em série com o enrolamento auxiliar e chave centrífuga. O capacitor é usado para proporcionar maiores torques de partida, por causa da maior defasagem entre as correntes dos enrolamentos. É fabricado com potências que variam de ¼ cv a 15 cv. É possível fazer a inversão do sentido de rotação como no motor de fase dividida, porém, nesse caso, a inversão pode ser feita com o motor em funcionamento. Pelo elevado torque de partida, pode ser utilizado em muitas aplicações, tais como: compressores, bombas para piscinas, equipamentos rurais, condicionadores de ar industriais e ferramentas em geral.

Figura 2.5

motores monofásicos de capacitor permanente e tipo split-fase.

67

MECâNICA 3

Figura 2.6

rendimento de motor monofásico.

Motor monofásico com polos sombreados (shaded pole)

É o mais simples e econômico dos motores monofásicos. Dos vários tipos existentes, o mais comum é o de polos salientes, em que cada polo é dividido em dois, e um deles envolvido por uma espira em curto-circuito (um anel).

Por ter valores baixos de torque de partida, de rendimento e de fator de potência, é fabricado com milésimos de cv até ¼ cv. Pela simplicidade e baixo custo, é o motor ideal para aplicações como movimentação de ar (ventiladores, exaustores, purificadores de ambiente, unidades de refrigeração, secadores de roupa e de cabelo), pequenas bombas e compressores, projetores de slides e aplicações domésticas.

Deve-se lembrar que o rendimento de um motor monofásico varia com a tensão da rede elétrica que o alimenta, como pode ser visto no gráfico da figura 2.6.

Rendimento x Tensão

72

71

70

69

68

67

66

65

80 90 100 110

Tensão (V)

120 130 140

Motor monofásico com dois capacitores (two value capacitor)

Esse motor, na partida, funciona como o motor de capacitor de partida, e durante seu funcionamento trabalha como o motor de capacitor permanente. Por causa do alto custo, é fabricado com potências acima de 1 cv. Permite a inversão do sentido de rotação com o motor em funcionamento, invertendo-se a polaridade dos terminais ligados à rede em relação a um dos enrolamentos. No entanto, se forem necessárias inversões frequentes, é preferível o uso do motor de capacitor permanente.

Os esquemas de ligação dos vários tipos de motores monofásicos, mostrados na figura 2.7, estão assim distribuídos: a) motor com polos sombreados; b) motor de fase dividida; c) motor com capacitor de partida; d) motor com capacitor permanente; e) motor com dois capacitores.

68

Chave centrífuga

Rotor

Rotor

Chave centrífuga

Enrolamento auxiliar

(a)

C

Rotor Rotor

C

Enrolamento auxiliar

(b)

Enrolamento auxiliar

Rotor

Enrolamento auxiliar

(c)

Enrolamento auxiliar

(d) (e)

2.5.1 Ligação dos enrolamentos dos motores monofásicos

De acordo com a quantidade de terminais disponíveis nos motores monofásicos, podem ser feitos diversos tipos de ligação, como os apresentados a seguir.

• Motor com dois terminais

: deve ser ligado a apenas um valor de tensão, e não é possível inverter seu sentido de rotação.

• Motor com quatro terminais

: seu enrolamento é dividido em duas partes

(figura 2.8). Se as duas bobinas forem ligadas em série, o motor pode ser ligado em 220 V. Para ligar o motor em 110 V, ligam-se as bobinas em paralelo. Também não é possível inverter o sentido de rotação desse motor.

Figura 2.7

Esquemas para ligação de motores monofásicos.

L1

L1 L1 1 3

Figura 2.8

ligação de motor com quatro terminais: a) ligação em série; b) ligação em paralelo.

L1

1 2

(a)

3 4

N

N

N

(b)

N 2 4

CAPÍTULO 2

69

MECâNICA 3

Figura 2.9

a) ligações no motor de seis terminais em 220 V; b) ligações no motor de seis terminais em 110 V.

• Motor com seis terminais

: pode ser ligado a duas tensões diferentes e ter seu sentido de rotação invertido. Para inverter o sentido de rotação, devemos inverter os terminais 5 e 6. Na figura 2.9a são mostradas as ligações do motor para 220 V, e na figura 2.9b, as ligações do motor para 110 V.

L1

1

5

3 2

6

N

4

5

L1

1 3 2

6

N

4

(a)

L1

1

5

3 2

6

N

4

L1

1

5

3 2

6

N

4

(b)

Vale ainda lembrar que os motores de fase auxiliar são os mais usados. Caso as bobinas desses motores não venham identificadas (por motivo de manutenção no motor, por exemplo), utilizamos o multímetro para encontrar a marcação correta. Inicialmente é feita a medição da resistência das três bobinas com o ohmímetro. Aquela com maior valor de resistência será a bobina auxiliar, pois tem o capacitor e a chave centrífuga em série com ela. Ligam-se, então, as bobinas em série à fase e ao neutro da rede. A sequência de menor corrente deve ser numerada nessa ordem: 1, 3, 2, 4.

2.6 Escolha e especificação do motor trifásico

Escolher um motor envolve muitos critérios. Alguns dos principais fatores de escolha são:

• características da rede de alimentação: tensão de alimentação do motor, frequência nominal (Hz), método empregado na partida;

• características do ambiente: altitude, temperatura ambiente, atmosfera ambiente;

70

• características construtivas: forma, potência (kW) e velocidade (rpm), fator de serviço, potência térmica, sentido de rotação;

• características da carga: momento de inércia e rotação da máquina acionada, curva do conjugado resistente, dados de transmissão, cargas axiais e radiais e seus sentidos (quando existentes), regime de funcionamento da carga (número de partidas/hora).

As características das cargas são fatores importantes para definição e escolha do tipo de motor mais adequado. É claro que para a mesma carga há a possibilidade de utilizar mais do que um tipo de motor.

Os motores de indução trifásicos têm uma vasta aplicação em diversas áreas e, portanto, é importante escolher o motor correto para cada aplicação. A tabela 2.1 e a figura 2.10 trazem alguns exemplos de aplicações dos motores de indução trifásicos.

Água e saneamento

Papel e celulose

Madeira

Têxtil

Indústria

Siderurgia

Construção civil

Máquinas operatrizes

Britagem

Química

Borracha

Geração de energia elétrica

Mineração

Aplicação

Estações de bombeamento

Refinadores, batedores, desfibradores, bombas centrífugas e a vácuo, compressores, picadores, moedores, descascadores

Serras, bombas, compressores

Bombas, compressores, conjuntos motor-gerador

Conjuntos motor-gerador, laminadores, ventiladores, bombas, compressores

Bombas, compressores para ar-condicionado

Acionamento de prensas, compressores

Moinhos de bola, moinhos de rolos, esmagadores (crushers), bombas, compressores

Bombas, compressores

Moinhos de borracha, bombas, misturadores de borracha (bambury mixers), extrusoras

Sopradores, bombas de fornecimento de água e de resfriamento

Grupos motor-gerador, escavadeiras, equipamento para guindastes, bombas, compressores, ventiladores

Tabela 2.1

aplicação dos motores nas diversas áreas da indústria.

CAPÍTULO 2

71

MECâNICA 3

Figura 2.10

Exemplos de aplicação de motores.

2.6.1 Especificações de motores elétricos

Ao especificar a potência nominal de um motor para movimentar uma carga, é preciso ter conhecimento do conjugado solicitado por essa carga e da velocidade de rotação que essa carga deverá ter em condições normais.

Conjugado mecânico

O conjugado mecânico, também conhecido como torque, mede o esforço necessário que deve ter o motor para girar seu eixo. Existe uma estreita relação entre o conjugado mecânico e a potência desenvolvida pelo motor. Assim, se determinada quantidade de energia mecânica for utilizada para movimentar uma carga em torno de seu eixo, a potência desenvolvida depende do conjugado oferecido e da velocidade com que se movimenta a carga. O conjugado mecânico pode ser definido em diferentes fases do acionamento do motor, ou seja:

• Conjugado nominal (C obtido pela equação 2.1: n

) ou de plena carga: aquele que o motor desenvolve

à potência nominal quando submetido à tensão e frequência nominais. É

C n

=

2

P nm

⋅ ⋅ n

N

( )

(2.1) em que n

N

é a rotação nominal em rotações por segundo (rps).

• Conjugado de partida (C p

): também conhecido como conjugado com rotor bloqueado ou conjugado de arranque, é aquele desenvolvido pelo motor sob condições de tensão e frequência nominais durante a partida, e é normalmente expresso em kgf · m ou em porcentagem do conjugado nominal. O conjugado de partida deve ser de valor elevado, a fim de o motor ter condi-

ções de acionar a carga, desde a posição de inércia até a velocidade de regime em tempo reduzido. É obtido pela equação 2.2:

C

p

( )

=

C

p

C

n

100

(2.2)

• Conjugado base (C

(C b

): é determinado de acordo com a potência nominal nm

) e velocidade síncrona (W s

) do motor. Normalmente, é obtido pelas equações 2.3 e 2.4:

C b

=

716 ⋅

W s

P nm ( kgfm )

(2.3)

C b

=

P nm

2 ⋅ ⋅ n s

( )

(2.4) em que n s

é a rotação síncrona (rps).

• Conjugado máximo (C ma

): é o maior conjugado produzido pelo motor quando submetido às condições de tensão e frequência nominais, sem, no entanto, ficar sujeito a variações bruscas de velocidade. O conjugado máximo deve ser o mais alto possível, de acordo com as condições a seguir: a) O motor deve ser capaz de vencer eventuais picos de carga que podem acontecer em certas aplicações, como: britadores, misturadores, calandras e outras.

b) O motor não deve perder velocidade de modo brusco, quando ocorrerem quedas de tensão excessivamente rápidas.

O conjugado máximo é, em geral, expresso em porcentagem do conjugado nominal, como demonstrado na equação 2.5:

C ma

 

C

C ma n

100 (2.5)

• Conjugado mínimo (C mi

): é o menor conjugado na faixa de velocidade compreendida entre o conjugado nominal e o conjugado máximo, perante tensão e frequência nominais. Esse valor não deve ser muito baixo, isto é, a curva não deve apresentar uma depressão acentuada na aceleração a fim de que a partida não seja muito demorada, ocasionando um superaquecimento do motor, especialmente nos casos de a carga ter uma inércia elevada ou a partida se der com tensão reduzida.

• Conjugado de aceleração: é o conjugado desenvolvido na partida do motor, desde o estado de repouso até a velocidade de regime. Observando as curvas da figura

2.11, podemos concluir que, durante a fase de aceleração, a curva do conjugado

72

CAPÍTULO 2

73

MECâNICA 3 motor (C

(C c m

) é sempre superior à curva representativa do conjugado de carga

). A diferença entre as curvas C m

e C c

fornece o conjugado de aceleração.

Figura 2.11

curva conjugado

versus velocidade.

C ma

C p

C mi

C p

C b

C m

Conjugado motor

Conjugado de carga

C c

Velocidade angular

100%

Tabela 2.2

comparativo dos modelos de motores de indução e algumas características.

Na tabela 2.2, temos a comparação de algumas características dos motores de indução de gaiola e de anéis, e na tabela 2.3 são apresentados os conjugados requeridos para determinados tipos de carga.

Tipo

Projeto

Corrente de partida

Conjugado de partida

Corrente de partida/ corrente nominal

Motor de indução de gaiola

Rotor não bobinado

Alta

Baixo

Alta

Motor de indução de anéis

Rotor bobinado

Baixa

Alto

Baixa

Conjugado máximo

>160% do conjugado nominal

Alto

>160% do conjugado

Rendimento

Equipamento de partida

Equipamento de proteção

Espaço requerido

Manutenção

Custo

Simples para partida direta

Simples

Pequeno

Pequena

Baixo

Alto

Relativamente simples

Simples

Reostato requer espaço grande

Nos anéis

Alto

74

Tabela 2.3

tipos de carga e suas características relacionadas a um tipo de motor.

Tipos de carga

Conjugado requerido

Partida Máximo

Entre 1 e

1,5 vez o conjugado nominal

Valores máximos entre 200% e 250% do nominal

Características da carga

Tipos de motor usado

• Condições de partidas fáceis tais como: engrenagens intermediárias, baixa inércia ou uso de acoplamentos especiais simplificam a partida.

• Máquinas centrífugas, tais como bombas em que o conjugado aumenta em função do quadrado da velocidade até um máximo, conseguindo na velocidade nominal.

• Na velocidade nominal pode estar sujeita a pequenas sobrecargas.

• Conjugado normal

• Corrente de partida normal

• Categoria N

Bombas centrífugas; ventiladores; furadeiras; compressores; retificadoras; trituradoras

Entre 2 e

3 vezes o conjugado nominal

Não maior que 2 vezes o conjugado nominal

• Conjugado de partida alto para vencer a elevada inércia, contra pressão, atrito de partida, rigidez nos processos de materiais ou condições mecânicas similares.

• Durante a aceleração, o conjunto exigido cai para o valor do conjugado nominal.

• É desaconselhável sujeitar o motor a sobrecargas durante a velocidade nominal.

• Conjugado de partida alto

• Corrente de partida normal

• Categoria N

Bombas alternativas; compressores; carregadores; alimentadores; laminadores de barras

Prensas puncionadoras; guindastes; pontes rolantes; elevadores de talha; tesouras mecânicas; bombas de óleo para poços

Ventiladores; máquinas-ferramentas; misturadores; transportadores

3 vezes o conjugado nominal

Requer 2 a

3 vezes o conjugado nominal. São consideradas perdas durante os picos de carga

• Cargas intermitentes, as quais requerem conjugado de partida, alto ou baixo.

Requerem partidas frequentes, paradas e reversões.

• Máquinas acionadoras, tais como prensas puncionadoras, que podem usar volante para suportar os picos de potência.

• Pequena regulagem é conveniente para amenizar os picos de potências e reduzir os esforços mecânicos no equipamento acionado.

• A alimentação precisa ser protegida dos picos de potências, resultantes das flutuações de carga.

• Conjugado de partida alto

• Corrente de partida normal

• Alto escorregamento

• Categoria D

Em certos casos precisa-se de parte do conjugado nominal; em outros casos de 1 vez o conjugado nominal

1 ou 2 vezes o conjugado nominal em cada velocidade

• Duas, três ou quatro velocidades fixas são suficientes.

• Não é necessário o ajuste de velocidade.

• Conjugado de partida pode ser pequeno

(ventiladores) ou alto (transportadores).

• As características de funcionamento em várias velocidades podem variar entre potência constante, conjugado constante ou características de conjugado variável.

• Máquinas de cortar metal têm potência constante; cargas de atrito são típicas de conjugado constante; ventiladores são de conjugado variável.

• Conjugado normal ou alto

(velocidades múltiplas)

CAPÍTULO 2

75

MECâNICA 3

Nos motores, a unidade de potência elétrica, no SI, é watt

[W], mas é muito comum o emprego da unidade de potência mecânica cavalo-vapor

[cv]. A conversão dessas unidades é:

1 cv = 0,736 W.

Tabela 2.4

tipos de acoplamentos e seus rendimentos

Potência nominal

Para o cálculo da potência nominal do motor, é preciso conhecer seu conjugado e sua rotação, como estabelece a equação 2.6:

P n n C n

(2.6) em que:

P

C n

N n n

= potência nominal do motor [W];

= conjugado nominal do motor [Nm];

= rotação nominal do motor [rps].

Na equação da potência, o conjugado requerido pela carga é considerado igual ao conjugado nominal do motor. No entanto, se a velocidade tiver de ser reduzida, o conjugado necessário para a carga deve ser ajustado ao eixo do motor, como se vê na equação 2.7:

C n

 1 ac

 n n

C

N

 C cn

(2.7) em que: n

C

C

= rotação da carga [rps]; cn h ac

= conjugado de carga nominal [Nm];

= rendimento do acoplamento ( h ac

= P c

/ P n

) n

P

N c

P n

= rotação nominal do motor [rps];

= potência transmitida à carga [W];

=

potência nominal

do motor [W].

A tabela 2.4 faz um paralelo entre o tipo de acoplamento e a faixa de rendimento do acoplamento.

Tipo de acoplamento

Direto

Embreagem eletromagnética

Polia com correia plana

Polia com correia em V

Engrenagem

Roda dentada (correia)

Cardã

Acoplamento hidráulico

100

87-98

95-98

Faixa de rendimento (%)

97-99

96-99

97-98

25-100

100

76

Exemplo

Calcular a potência que um motor de 4 polos, na frequência de 60 Hz, deve ter para acionar uma carga com conjugado de 6 Nm, na rotação de 1 200 rpm, usando acoplamento por correia dentada.

Solução:

Dados: C cn

= 6 Nm; n c

= 1 200 rpm; n

N

= 1 800 rpm;

η ac

= −

C n

= 1 ac

 n

C n

N

 C cn

e P n

C n

1

1200

1800

 6 n C n

P n

C n

= 4 13 Nm

1800

60

P n

=

W

= cv

Conjugado resistente da carga

A carga, como se sabe, é acionada ou movimentada pelo motor, que deve ter um conjugado suficiente para seu acionamento. O conjugado resistente é aquele exigido pela carga e depende do tipo de motor. A equação 2.8 é uma lei de formação geral para todos os conjugados:

C c

 C k n em que:

C

C k c c o

= conjugado resistente da carga [Nm];

= conjugado da carga para rotação zero [Nm];

= constante que varia com a carga; x = parâmetro dependente da carga. Pode assumir os valores –1, 0, 1, 2.

Na equação 2.8, o conjugado da carga varia com o expoente x da rotação. Desse modo, é possível classificar as cargas em quatro grupos, de acordo com o expoente x: conjugado constante, conjugado linear, conjugado quadrático e conjugado hiperbólico.

CAPÍTULO 2

77

MECâNICA 3

• Carga de conjugado constante

: se, para uma carga, o expoente x é zero

(x = 0), então o conjugado dessa carga não varia com a velocidade. Para essas máquinas, o conjugado é representado pela equação 2.9:

Figura 2.12

carga de conjugado constante.

Para essas máquinas, a potência aumenta linearmente com a velocidade e segue a equação 2.10, o que pode ser visto no gráfico da figura 2.12.

P c

=

 o

+ c

 (2.10) em que: k c

P c

= constante que depende da carga;

= potência da carga.

C,P

P = k × n

C = constante n

Compressores a pistão, talhas, guindastes, bombas a pistão, britadores e transportadores contínuos são alguns exemplos de cargas que possuem conjugado constante.

• Carga de conjugado linear

: há máquinas nas quais o expoente x é igual a 1 (x = 1). Nesses casos, a equação do conjugado varia linearmente com a rotação n do motor. O conjugado cresce com a velocidade, como mostrado na equação 2.11:

= +

= linear (2.11)

A potência do motor, no entanto, varia com o quadrado da rotação (equa-

ção 2.12):

P c

=

C o

 2

(2.12)

Sistemas de acoplamento hidráulico ou eletromagnéticos e geradores ligados em carga de alto fator de potência são exemplos de carga de conjugado linear.

• Carga de conjugado quadrático (ou parabólico)

: em alguns casos, temos cargas com x = 2. Nesses casos, o conjugado varia com o quadrado da rota-

ção (equação 2.13):

= +

 2

(2.13)

Enquanto o conjugado da carga é parabólico (quadrático), verifica-se que a potência do motor varia com o cubo da rotação (equação 2.14):

= +

3

(2.14)

Bombas centrífugas, ventiladores e misturadores centrífugos são exemplos de cargas com conjugado quadrático.

• Carga de conjugado hiperbólico

: se o expoente da rotação é x = –1, o conjugado varia com o inverso da rotação (equação 2.15):

C c

= k n c

(2.15)

Nesse caso, a potência do motor permanece constante, ou seja, não varia com a rotação n (equação 2.16):

P k c

= constante (2.16)

Bobinadeiras, desbobinadeiras, máquinas de sonda e perfuração de petróleo são exemplos de cargas com conjugado hiperbólico.

Momento de inércia da carga

Em primeiro lugar, deve-se conhecer o conceito de carga. De modo geral, podemos definir carga de um motor como o conjunto de massa formado pelos componentes da máquina em movimento e firmemente preso ao eixo do motor. As cargas acionadas pelos motores elétricos podem ser classificadas de duas formas diferentes, como visto anteriormente: a) Carga com conjugado constante: aquela que apresenta o mesmo valor de conjugado durante toda a faixa de variação da velocidade a que é submetido o motor. Nesse caso, a demanda de potência cresce linearmente com a variação da velocidade. Como exemplos, podem ser citados os laminadores, os elevadores de carga e a esteira transportadora.

78

CAPÍTULO 2

79

MECâNICA 3

Figura 2.13

Elevador de carga.

80 b) Carga com potência constante: aquela em que o conjugado inicial é elevado, reduzindo-se de forma exponencial durante toda a faixa de variação da velocidade. Como exemplos, podem ser citadas as bobinadeiras de fios ou de chapas, cujo diâmetro da bobina varia ao longo do processo, necessitando maior conjugado motor para maiores diâmetros e menor conjugado motor para menores diâmetros.

Agora, podemos conhecer o conceito de momento de inércia das massas.

O rotor dos motores elétricos apresenta massa que resiste à mudança de seu estado de movimento. Logo, o rotor reage quando, submetido a determinada rotação, é obrigado a acelerar. Essas considerações básicas permitem perceber que a inércia do rotor é um obstáculo à sua aceleração. Da mesma forma, podemos considerar o movimento das massas que estão ligadas ao eixo do motor, no caso a carga, que, como o rotor, resiste à mudança de movimentos.

O momento de inércia é uma característica fundamental das massas girantes.

Pode ser definida como a resistência que os corpos oferecem à mudança de seu movimento de rotação em torno do eixo considerado, que, no caso do rotor, é sua própria massa, cuja unidade de medida é o kg · m 2 . A inércia a ser vencida pelo motor é dada pela equação 2.17:

J

T

= J m

= J c

(kg · m

2

) (2.17) em que:

J m

J c

J

T

= momento de inércia do rotor do motor;

= momento de inércia da carga;

= momento de inércia total.

CAPÍTULO 2

Na figura 2.14 é mostrada uma máquina que tem sua velocidade de rotação diferente da velocidade do motor, e essa velocidade pode estar sendo acoplada por engrenagens (ou polias). Note que o momento de inércia deve ser em relação à rotação do motor.

Motor

J

M

ω

M

Figura 2.14

carga e motor ligados por transmissão ocasionando velocidades diferentes.

ω

L

Carga

J

L

Para o sistema mostrado na figura 2.14, com um acoplamento sem perdas e considerando que o rendimento da transmissão do sistema é 100%, temos as equações 2.18 e 2.19:

T

M

 · ω = T

L

 · ω

L

(2.18)

T

T

M

L

=

ω

L

ω

M

=

a

(2.19) em que: a = relação de engrenagens;

T

ω

M

e T

L

= conjugado do motor e da carga, respectivamente;

M e ω

L

= velocidade de rotação do motor e da carga, respectivamente.

Para calcular o torque de carga ao eixo do motor, usamos a relação de engrenagens expressa na equação 2.20:

T

LM

= T

L



ω

L

ω

M



= aT

L

(2.20) em que:

T

LM

= conjugado da carga referido ao eixo do motor.

Pelo princípio da conservação da energia, a energia cinética de uma transmissão

é invariável (equações 2.21 e 2.22):

J

M

ω

2

2

M

= J

L

ω

2

2

L (2.21) ou

J

J

M

L

=

ω

ω

2

M

2

L

=

a

2

(2.22)

81

MECâNICA 3

Para calcular o momento de inércia da carga ao eixo do motor, usamos a relação de engrenagens ao quadrado, expressa na equação 2.23:

J

M

= 2 ⋅

L

1

2

(2.23)

Pode haver mais de um nível de acoplamento, como mostrado na figura 2.15.

Nesse caso, como existem três níveis de acoplamento, o cálculo do momento de inércia total em relação ao eixo do motor é expresso na equação 2.24:

J

LM

= J

L

ω

ω 2

M

2

L

+ J

1

ω

ω

2

1

2

M

+ J

2

ω

ω 2

M

2

2

+ J

3

ω

ω 2

M

2

3

(2.24)

Figura 2.15

carga e motor em velocidades diferentes.

J

M

ω

M

ω

1

ω

3

ω

2

J

1

J

2

J

3

J

L

ω

L

Figura 2.16

acionamento com uso de caixa de redução.

O momento de inércia, como visto na equação 2.25, é dado por:

= + J

LM

(2.25)

Na figura 2.16 é mostrado um motor acionando um conjunto de cargas por meio de um redutor (caixa de engrenagens que tem por finalidade a redução de velocidade), de tal forma que a velocidade da carga seja diferente da velocidade do motor.

ω

M

Motor

ω

L

J d

ω

L dt

C

1

ω

L

C

2

ω

L

2

C

3

82

Nesse caso, podem ser feitas as seguintes observações:

• Quando o motor é acoplado à carga por uma caixa redutora, ocorre uma significativa redução da inércia referida ao eixo do motor.

• Os coeficientes de atrito viscoso e de ventilação são fortemente reduzidos.

A presença de uma redução da velocidade permite o acionamento da carga de forma mais suave que o acoplamento direto, com a carga acoplada diretamente ao eixo do motor. O uso da redução é necessário para compatibilizar as características de rotação e torque do motor com as características da carga. Em comparação com o acoplamento direto, a desvantagem consiste na perda de rendimento por causa das perdas na redução.

2.6.2 Tempo de rotor bloqueado e temperatura limite

No tempo em que o motor é percorrido por sua corrente de partida, o rotor, estando bloqueado, ocasiona um aumento de temperatura. Essa temperatura, chamada temperatura limite, define as classes de isolação das máquinas elétricas.

A temperatura máxima de cada classe é mostrada na tabela 2.5.

Classe

A

F

H

E

B

T máx

(ºC)

105

120

130

155

180

Por norma, os motores usados para aplicação normal são instalados em temperaturas ambientes máximas de 40 °C. Acima disso, as condições de trabalho são consideradas especiais. As classes B, F e H são as mais comuns para motores de aplicação normal.

2.6.3 Tempo de aceleração (t

a

)

É o tempo despendido pelo motor para tirar a carga da inércia, isto é, da velocidade zero até a velocidade normal. Esse tempo permite observar se o motor, operando sob condições de tensão e frequência normais, consegue acionar a carga obedecendo às condições de estabilidade térmica do material isolante.

O ideal é que o tempo de aceleração seja bem menor que o tempo de rotor bloqueado, obedecendo à relação da equação 2.26: t a

< t rb

· 0,8 (2.26)

Tabela 2.5

temperatura máxima para cada classe.

CAPÍTULO 2

83

MECâNICA 3

Figura 2.17

carcaças.

em que: t rb

= tempo máximo de rotor bloqueado.

As principais causas que contribuem para o sobreaquecimento dos motores são:

• obstrução da ventilação;

• temperatura ambiente elevada;

• variação excessiva da tensão e da frequência da rede;

• bloqueio do rotor;

• excesso de partidas, inversões de rotação e frenagens;

• falta de fase;

• sobrecarga excessiva;

• regime de trabalho muito variável.

2.6.4 Carcaça como invólucro de proteção

A carcaça, além de acondicionar, também serve de proteção do motor ou, mais precisamente, do conjunto estator-rotor. A exigência do grau de proteção (IP) depende diretamente do ambiente no qual o motor é instalado. Um motor instalado ao tempo, sujeito a sol e chuva, exige um grau de proteção superior a um motor instalado no interior de uma sala limpa e seca.

Os ambientes considerados agressivos para motores são aqueles com presença de pó, poeira, fibras, partículas etc. ou, ainda, molhados ou sujeitos a jato de água.

Motores operando completamente imersos são casos especiais.

84

Para que os motores possam trabalhar de modo adequado nesses ambientes, devem possuir algumas características construtivas especiais, tais como:

• enrolamento com camadas duplas de impregnação;

• pintura alquídica interna e externa, anticorrosiva;

• placa de identificação de aço inoxidável;

• elementos de montagem zincados;

• ventilador de material antifaiscante;

• retentores de vedação entre o eixo e as tampas;

• caixa de ligação vedada por juntas de borracha;

• calafetagem na passagem dos cabos pela carcaça;

• caixa de ligação em ferro fundido.

Os graus de proteção são especificados pelas letras IP seguidas por dois algarismos. O primeiro algarismo indica o grau de proteção contra a penetração de corpos sólidos estranhos e contato acidental. O segundo algarismo indica o grau de proteção contra a penetração de água no interior do motor (tabela 2.6).

1 o algarismo

0

1

2

3

4

5

6 sem proteção corpos estranhos com dimensões acima de 50 mm corpos estranhos com dimensões acima de 12 mm corpos estranhos com dimensões acima de 2,5 mm corpos estranhos com dimensões acima de 1,0 mm proteção contra acúmulo de poeiras prejudiciais ao motor totalmente protegido contra poeira

2 o algarismo

0

1

2

3

4

5

6

7

8 sem proteção pingos de água na vertical pingos de água até a inclinação de 15° com a vertical pingos de água até a inclinação de 60° com a vertical respingos de todas as direções jatos d’água em todas as direções

água de vagalhões imersão temporária imersão permanente

Tabela 2.6

graus de proteção do motor.

Os motores trifásicos totalmente fechados para aplicação normal são fabricados com os seguintes graus de proteção:

CAPÍTULO 2

85

MECâNICA 3

Tabela 2.7

rendimento versus carregamento do motor.

• IP54 – Proteção completa contra toque e acúmulo de poeiras nocivas (5).

Proteção contra respingos de todas as direções (4). São utilizados em ambientes empoeirados.

• IP55 – Proteção completa contra toque e acúmulo de poeiras nocivas (5).

Proteção contra jatos d’água em todas as direções (5). São utilizados nos casos em que os equipamentos são lavados periodicamente com mangueiras.

• IP(W)55 – Idênticos ao IP55, porém são protegidos contra intempéries, chuva e maresia. São utilizados ao ar livre. Também são chamados motores de uso naval.

2.7 Operação e manutenção de motores elétricos

Nas indústrias, os motores são os que mais consomem energia elétrica. São responsáveis por cerca de 50% de toda a energia elétrica consumida e, por isso, necessitam de monitoramento constante. Para que um motor tenha a vida útil aumentada e diminua o consumo de energia elétrica, é preciso adotar algumas ações para a realização de manutenção preventiva.

Cerca de 90% dos motores elétricos instalados são assíncronos, com rotor em curto-circuito.

2.7.1 Carregamento conveniente dos motores

O dimensionamento de um motor elétrico, para trabalhar nas condições normais de tensão e frequência, é feito para que se tenha um conjugado nominal C a uma velocidade nominal N n

.

n

,

O conjugado resistente deve sempre ser menor que o conjugado nominal. Se for igual ou superior, o aquecimento resultante será dado pelas perdas elétricas (ou perdas térmicas), as quais variam com o quadrado do conjugado resistente (carga).

Para outra situação, um motor “subcarregado” apresenta apreciável redução no rendimento. O carregamento ideal deveria corresponder à carga do trabalho a ser realizado.

Na tabela 2.7 é mostrada a variação, com a diminuição do rendimento, de um motor assíncrono trifásico de 75 cv, 4 polos, em função do carregamento apresentado em regime normal de operação.

Variação do rendimento de motores de 75 cv

Carregamento (%) Diminuição do rendimento (%)

70

50

25

1

2

7

86

2.7.2 Ventilação adequada

Aproveitando a rotação do eixo do motor, um ventilador, interno ou externo, é ligado a esse eixo para fazer seu resfriamento. Como o ar que circula dentro do motor eventualmente contém impurezas, isso pode comprometer o sistema de resfriamento e a dispersão de calor, acarretando maior aquecimento. Nas indústrias,

é comum encontrar motores instalados em ambientes fechados, que limitam a circulação do ar, provocando aquecimentos excessivos. Assim, para assegurar o bom funcionamento das instalações, tomam-se as seguintes precauções:

• limpar os orifícios de ventilação e as aletas, a fim de retirar a poeira e os materiais fibrosos;

• providenciar a livre circulação do ar no local de instalação do motor;

• verificar o funcionamento do sistema de ventilação auxiliar e os dutos de passagem de ar.

Figura 2.18

Sistema de ventilação.

CAPÍTULO 2

2.7.3 Controle da temperatura ambiente

Os motores foram projetados para operar em 40 °C, considerada temperatura ambiente, em razão do fato de os materiais que compõem a parte interna do motor suportarem essa temperatura.

2.7.4 Cuidado com as variações de tensão

As variações de tensão, para cima ou para baixo, ocasionam um superaquecimento do motor, por não estarem de acordo com seus valores nominais de funcionamento.

87

MECâNICA 3

88

2.7.5 Degradação dos isolantes térmicos

Com a variação de temperatura para cima ou para baixo, há uma sensível diminuição da vida útil dos isolantes térmicos que fazem parte do motor. As causas principais para essa ocorrência são: sobretensão de linha, corrente excessiva nas partidas, depósito de poeira (que podem formar pontes condutoras), ataque por vapores ácidos ou gases arrastados pela ventilação.

Procedimentos para manutenção dos isolantes térmicos

Para evitar a degradação dos isolantes térmicos, recomendam-se as medidas seguintes:

• equipar os quadros de alimentação com aparelhos de proteção e comandos apropriados e proceder a verificações periódicas de seu funcionamento;

• nos períodos de parada dos motores, limpar as bobinas dos enrolamentos;

• instalar filtros nos sistemas de ventilação dos motores, proporcionando-lhes manutenção adequada;

• deixar os motores em lugares salubres;

• observar se há desprendimento de fumaça;

• verificar periodicamente as condições de isolamento;

• equipar os motores com dispositivos de alarme e proteção contra curtos-

-circuitos;

• observar ruídos e vibrações intempestivas;

• observar sinais de superaquecimento e anotar periodicamente as temperaturas durante a operação;

• observar o equilíbrio das correntes nas três fases;

• verificar se a frequência prevista para o motor é realmente igual à frequência da rede de alimentação.

2.7.6 Fixação correta dos motores e eliminação de vibrações

Um motor nunca deve ser fixado em uma inclinação sem que se tenha certeza de suas características. Vibrações anormais reduzem o rendimento do motor.

As vibrações podem ser consequência de uma falha no alinhamento, de uma fixação insuficiente ou defeituosa do motor em sua base, de folgas excessivas dos mancais ou ainda de um balanceamento inadequado nas partes giratórias.

Medidas para prevenir vibrações

A fim de controlar as vibrações, algumas medidas preventivas podem ser tomadas, como:

• observar o estado dos mancais;

• observar a vida útil média dos mancais (informação fornecida pelos fabricantes);

• controlar e analisar as vibrações de forma muito simples: basta colocar uma ferramenta sobre o mancal, aproximando o ouvido e detectando as falhas pelos ruídos produzidos;

• tomar cuidado ao substituir um rolamento por outro;

• nas paradas de longa duração, trocar periodicamente a posição de repouso dos rotores dos motores elétricos, assim como das partes móveis das máquinas.

2.7.7 Lubrificação correta dos mancais

Como visto anteriormente, a temperatura ambiente considerada para um motor

é de 40 °C. A essa temperatura estão submetidos todos os componentes do motor, incluindo o rolamento de esferas, que em funcionamento integral tem vida

útil em torno de três a quatro anos, dependendo das condições de trabalho.

De tempos em tempos, deve-se fazer a lubrificação dos rolamentos. Essa medida prolongará sua vida útil e elevará seu rendimento e o do motor.

A lubrificação dos rolamentos é feita, em geral, com graxa mineral. Quando as temperaturas de operação são elevadas (de 120 °C a 150 °C) ou as velocidades de rotação superam 1 500 rpm, usa-se óleo mineral. Esses óleos devem ter características lubrificantes adequadas às condições de trabalho. Nos motores de pequena potência, a lubrificação inicial na montagem é prevista de modo a assegurar um número elevado de horas de funcionamento. Às vezes, a reserva de graxa é suficiente para toda a vida útil do equipamento. Nos motores maiores, há a necessidade de lubrificação externa.

Recomendações para prolongar a vida útil dos rolamentos

• respeitar os intervalos de lubrificação;

• não engraxar excessivamente os rolamentos e limpá-los com gasolina antes de colocar a graxa nova (salvo se houver evacuador automático de graxa);

• utilizar as graxas recomendadas pelo fabricante, em função do serviço e da temperatura;

Figura 2.19

rolamento.

CAPÍTULO 2

89

MECâNICA 3

90

Figura 2.20

Valores de placa de um motor trifásico do tipo gaiola de esquilo.

• para os mancais lubrificados a óleo, verificar os anéis de retenção e utilizar o óleo recomendado;

• observar a temperatura dos mancais em operação;

• cuidar para que a temperatura ambiente permaneça dentro dos limites normais;

• se o motor precisa funcionar em um ambiente anormal, assinalar esse fato ao fabricante no momento do pedido;

• durante a limpeza, evitar depósitos de poeira nas caixas de rolamentos.

2.7.8 Valores de placa de um motor

Os valores de placa são típicos de funcionamento do motor. São de grande relevância, tanto na escolha do motor como em sua manutenção ou troca. Auxiliam também na escolha do controle a ser usado, por exemplo, o de um inversor de frequência. Na figura 2.20, é mostrado um exemplo de placa de identificação de um motor trifásico do tipo gaiola de esquilo de 4 polos de baixa tensão. É descrito, a seguir, o significado de cada um dos campos da placa.

NOME DO

FABRICANTE NBR 7094

3

MOTOR INDUÇÃO-GAIOLA

kW(cv)

FS 1,15

Hz 60 CAT N

1.1(1,5) RPM 1 700

ISOL B

220/380 V

Ip/In 5,4 IP55

4,78/2,77 A

6 4 5

1

L1 L2

2 3

L3

6 4 5

1 2 3

L1 L2 L3

16 kg

REND. % = 72,7%

COS

ϕ

0,83

INMETRO

Na figura:

Nome do fabricante: possui o nome (marca) do fabricante do motor.

~ 3: esse símbolo indica ser um motor trifásico e, portanto, deve ser ligado a uma rede trifásica.

• Motor indução-gaiola

: indica o tipo do motor.

• Frequência do motor

: indica qual a frequência de trabalho do motor ou o tipo de rede elétrica ideal para seu funcionamento (50 Hz ou 60 Hz, dependendo da rede elétrica do local ou país. No Brasil, a rede elétrica trabalha com 60 Hz). Usar o motor em uma frequência de trabalho diferente dessa altera seu tempo de vida útil. Isso ocorre, por exemplo, no caso do uso de inversores de frequência.

• Cat

: nesse exemplo, o motor pertence à categoria N. Trata-se de uma classificação dos motores de acordo com a norma NBR 7094, que indica qual tipo de curva torque x velocidade o motor segue. A categoria N refere-se a um motor muito usado em bombas, ventiladores e máquinas operatrizes.

• Potência do motor

: indica a potência fornecida no eixo do motor. A unidade pode ser dada em kW, HP ou cv. O HP tem sido substituído pelo cv, quando se deseja especificar potência mecânica do motor elétrico.

• RPM

: indica a rotação do eixo do motor já incluindo o escorregamento.

Nesse exemplo, por ser um motor de 4 polos, o eixo do motor tem uma velocidade síncrona ou nominal de 1 800 rpm. Por ser do tipo assíncrono, esse motor nunca chega a alcançar sua velocidade síncrona, pois possui um escorregamento. A velocidade típica do motor (com carga no eixo) é de 1 700 rpm. O motor trabalha a 94,4% de sua rotação nominal (100 × 1 700/1 800).

Ou seja, possui um escorregamento de 5,6% (100% – 94,4%).

• Fator de serviço (FS)

: indica potência extra do motor. Nesse exemplo (1,15), o motor pode trabalhar transferindo 15% a mais de potência do que o especificado, se necessário. Pode, portanto, transferir 15% a mais que um motor do mesmo tamanho. Isso pode ser útil quando se precisa economizar espaço na colocação do motor. Mas há um custo a pagar por essa vantagem: o fator de potência (cos j

) e o rendimento ( h

) do motor são alterados, caso o motor atue nessa faixa de potência; sua vida útil também é reduzida.

• Isol

(ou classe de isolação): classificação do motor segundo a temperatura máxima em seus enrolamentos. Nesse exemplo, B indica que o motor pode suportar até 130 °C.

• Ip/In

: esse número especifica a relação numérica de quantas vezes a corrente de partida (Ip) é maior que a corrente nominal (In) do motor (com o rotor bloqueado, por exemplo).

• IP

(índice de proteção do motor): é uma classificação (segundo a norma

NBR IEC 60529) em que se leva em conta o fator de proteção das pessoas quanto à isolação elétrica do motor, em relação a pó, líquidos e outras condições ambientais de trabalho do motor. Nesse exemplo, o primeiro dígito

5 indica proteção do motor contra poeira, e o segundo dígito 5, proteção contra jatos de água.

• Tensão de trabalho

: indica a(s) tensão(ões) nominal(ais) (ou de trabalho) do motor. Nesse exemplo, o motor trabalha na tensão nominal de 220 V na ligação em triângulo (220 V em cada bobina ou enrolamento do motor).

Para a partida, na ligação em estrela, o motor é ligado em 380 V.

• Corrente de trabalho

: é a corrente nominal (ou de trabalho) do motor.

Quando ligado à tensão de 220 V, o motor consome 4,78 A; quando ligado

à tensão de 380 V, consome 2,77 A.

• Esquema de ligação

: especifica a configuração dos bornes para as ligações em triângulo (220 V) ou estrela (380 V), ou seja, mostra como conectar os bornes do motor em cada tipo de ligação. Nesse exemplo, como se trata de um motor de seis pontas, temos apenas esses dois tipos de conexão.

• Peso

: o motor do exemplo pesa 16 kg.

CAPÍTULO 2

91

MECâNICA 3

92

Figura 2.21

Estação de alta tensão.

• Rend

. %: mostra o rendimento do motor ( h

) em porcentagem, ou a relação entre a potência no eixo e a potência ativa consumida pelo motor. No exemplo, o motor pode fornecer 72,7% da energia consumida da rede elétrica ao eixo (à carga).

• COS

j

: o fator de potência, ou cos j

, indica o ângulo entre a corrente e a tensão fornecidas ao motor, ou seja, significa que uma parte da corrente consumida pelo motor não é aproveitada, sendo devolvida à rede elétrica. Isso causa um dimensionamento maior dos fios usados na instalação elétrica. Esse fator

(cos j

= 0,83, nesse exemplo) deve ser compensado na ligação geral dos motores para que seja atingido um valor estabelecido pela concessionária de energia elétrica (cos j ≥

0,92). Em geral, isso é feito usando um banco de capacitores acoplado à entrada de energia dos motores.

2.8 Dispositivos elétricos de manobra e proteção

Os dispositivos de manobra (ou comando) e de proteção podem ser classificados em:

• de baixa tensão, quando projetados para emprego em circuitos cuja tensão de linha é inferior ou igual a 1 000 V;

• de alta tensão, quando projetados para emprego em circuitos cuja tensão de linha é superior a 1 000 V.

No caso mais geral, podemos distinguir em um dispositivo de manobra ou de proteção três tipos de circuitos internos: a) o circuito principal, constituído pelo conjunto de todos os circuitos associados, cujo dispositivo de manobra ou de proteção tem função de fechar ou abrir; b) o circuito de comando, que é diferente do principal e comanda a operação de fechamento, de abertura ou ambas; c) o circuito auxiliar, que é diferente do principal e do circuito de comando, usado também para outras finalidades, tais como sinalização, intertravamento etc.

2.8.1 Fusíveis

Os dispositivos fusíveis ou, apenas, fusíveis constituem a proteção mais tradicional dos circuitos e dos sistemas elétricos. Sua operação consiste na fusão do elemento fusível, também chamado elo fusível, contido em seu interior. O elemento fusível, isto é, o “ponto fraco” do circuito, é um condutor de pequena seção transversal que, por sua alta resistência, sofre um aquecimento maior que o dos outros condutores à passagem da corrente. Para uma relação adequada entre a seção do elemento fusível e a do condutor protegido, ocorre a fusão do metal do elemento, quando o condutor atinge uma temperatura próxima da máxima admissível.

O elemento fusível é um fio ou uma lâmina, geralmente de cobre, prata, estanho, chumbo ou liga, colocado no interior do corpo do fusível, em geral de porcelana, esteatite ou papelão, hermeticamente fechado.

Alguns fusíveis possuem um indicador, que permite verificar se o dispositivo fusível operou ou não; em sua maioria, apresentam em seu interior um material granulado extintor, de areia de quartzo, que envolve por completo o elemento fusível.

A figura 2.22 mostra a composição de um fusível, no caso mais geral.

5

1 4 2 3

5

Figura 2.22

componentes típicos de um fusível.

CAPÍTULO 2

Legenda:

1. elemento fusível

2. corpo

3. indicador de interrupção

4. meio extintor

5. terminal

Segundo a

IEC

269, os fusíveis para aplicações industriais apresentam a seguinte classificação:

• gl – são fusíveis limitadores de corrente; têm a capacidade de interromper desde a corrente mínima de fusão até o valor nominal de interrupção;

International

Electrotechnical

Commission.

93

MECâNICA 3

Figura 2.23

Fusíveis nh e Diazed e suas bases.

• gll – obedecem às mesmas características anteriores, diferindo, no entanto, daquelas nos seguintes aspectos:

– até i nf

< 50 A, os fusíveis gll são mais rápidos do que os fusíveis gl;

– entre 100 A # i nf

,

1 000 A, os fusíveis gl e gll têm as mesmas características;

• nas aplicações domésticas, as capacidades de interrupção dos fusíveis gl e gll são divergentes.

As principais características elétricas dos fusíveis são: a) Corrente nominal – Aquela que pode percorrer o fusível por tempo indefinido sem que ele apresente aquecimento excessivo. O valor da corrente de fusão de um fusível é normalmente estabelecido em 60% superior ao valor indicado como corrente nominal.

b) Tensão nominal – Aquela que define a tensão máxima de exercício do circuito em que o fusível deve operar regularmente (alta ou baixa tensão).

c) Capacidade de interrupção – É o valor máximo eficaz da corrente de curto-

-circuito que o fusível é capaz de interromper, dentro das condições de tensão nominal e do fator de potência estabelecido. Podem ser classificados como ultrarrápidos e retardados.

Os fusíveis do tipo NH e Diazed (tipo D) devem operar satisfatoriamente nas condições de temperatura ambiente para as quais foram projetados. A figura

2.23 apresenta alguns fusíveis NH e Diazed e suas bases.

O fusível NH (figura 2.24) é utilizado em instalações elétricas industriais. Possui seis tamanhos diferentes, apresenta apenas o tipo retardado e sua corrente nominal varia de 6 A a 1 250 A.

Figura 2.24

Fusível nh.

Já os fusíveis Diazed (figura 2.25) são utilizados nas instalações elétricas residenciais e industriais. Sua capacidade varia de 2 A a 63 A, apresentam os tipos ultrarrápido e retardado e trabalham com uma tensão máxima de 500 kV.

Figura 2.25

base com fusível Diazed.

CAPÍTULO 2

Os fusíveis atuam dentro de determinadas características de tempo de fusão ver-

sus corrente, fornecidas em curvas específicas. Para correntes elevadas de curto-

-circuito, os fusíveis NH e Diazed atuam em um tempo extremamente rápido, como pode ser observado nas curvas características mostradas nas figuras 2.26 e

2.27, em que o tempo de fusão é colocado no eixo vertical e a corrente de pico, no eixo horizontal.

As tabelas 2.8 e 2.9 fornecem as correntes nominais padronizadas dos fusíveis

Diazed e NH, e a figura 2.28 traz o catálogo com o código para a escolha do fusível Diazed e das peças que compõem o conjunto.

94 95

MECâNICA 3

Figura 2.26

Família de curvas do fusível tipo nh.

Curvas características “NH”

Curva tempo x corrente

10 000

1 000

100

0,1

0,01

10

1

0,001

1 10 100 1 000 10 000

+–

Curvas tempo-corrente médias para fusíveis NH partindo de um estado não preaquecido por carga.

Corrente em A (valor efizaz)

Figura 2.27

Família de curvas do fusível tipo D.

Curvas características “D”

Curva tempo x corrente

10 000

1 000

100

10

1

0,1

0,01

0,004

1

Tolerância +- 5% da corrente

10 100

Curvas tempo-corrente médias para fusíveis D partindo de um estado não preaquecido por carga.

1 000

Corrente em A (valor efizaz)

96

Tamanho

DII

Correntes nominais

6

10

16

2

4

20

25

Tamanho

DIII

DIVH

Correntes nominais

35

50

63

80

100

Tabela 2.8

correntes nominais dos fusíveis nh – Siemens.

CAPÍTULO 2

Tamanho

000

00

1

Correntes nominais

160

40

50

80

100

125

63

80

100

40

50

63

20

25

32

6

10

16

Tamanho

1

2

3

4

Correntes nominais

400

400

500

250

315

355

224

250

224

125

160

200

630

800

1 000

1 250

Tabela 2.9

correntes nominais dos fusíveis Diazed – Siemens.

97

MECâNICA 3

98

Figura 2.28

catálogo para escolha do fusível Diazed – wEg.

Tamanho

DII

Corrente nominal (A)

2 a 25

Tipo

TPW25

Peso de 100 peças (kg)

5

DIII 35 a 63 TPW63

Tampa

Fusível

DII

DIII

DII

16

20

25

35

6

10

2

4

50

63

2 a 25

DIII 35 a 63 APW63

Anel de proteção

Parafuso de ajuste

DII

DIII

DII

2

16

20

25

35

4

6

10

50

63

2 a 25

DIII 35 a 63

Base

1. BAW - Com base para fixação rápida em trilho DIN 35 mm.

2. BSW - Sem base para fixação rápida em trilho DIN 35 mm.

PAW2

PAW4

PAW6

PAW10

PAW16

PAW20

PAW25

PAW35

PAW50

PAW63

BAW25 1

BSW25

2

BAW63

1

BSW63

2

FDW-2S

FDW-4S

FDW-6S

FDW-10S

FDW-16S

FDW-20S

FDW-25S

FDW-35S

FDW-50S

FDW-63S

APW25

8,4

2,7

3,2

3,6

5,6

6,2

6,4

3

3,6

1,3

1,2

2,1

1,9

1,7

8,9

8

14,5

13

No caso dos fusíveis retardados, recomenda-se que sejam observados, no mínimo, os seguintes pontos:

• devem suportar, sem fundir, o pico de corrente ou corrente de partida (ip) dos motores durante o tempo de partida (Tp). Com os valores de ip e Tp entra-se nas curvas características;

• devem ser dimensionados para uma corrente (i nominal (i

F

) no mínimo 20% superior à n

) do motor que protegerá (equação 2.27): iF ≥ 1,2 . i n

(2.27)

• os fusíveis de um circuito de alimentação de motores devem também proteger os contatores e relés de sobrecarga.

2.8.2 Contatores

O contator é um dispositivo de manobra (mecânico) de operação não manual, em geral eletromagnética, que tem uma única posição de repouso e é capaz de estabelecer, conduzir e interromper correntes em condições normais de circuito, até mesmo sobrecargas.

Seu princípio de funcionamento baseia-se na força magnética que tem origem na energização de uma bobina e na força mecânica proveniente do conjunto de molas preso à estrutura dos contatos móveis. Quando a bobina é energizada, sua força eletromecânica sobrepõe-se à força mecânica das molas, obrigando os contatos móveis a se fecharem sobre os contatos fixos aos quais estão ligados os terminais dos circuitos.

Os contatores são construídos para suportar elevado número de manobras. São dimensionados em função da corrente nominal do circuito, do número de manobras desejado e da corrente de desligamento no ponto de instalação.

A corrente de partida dos motores não tem praticamente nenhuma influência sobre a vida útil dos contatos dos contatores. Em geral, os contatores pequenos, quando têm seus contatos danificados, tornam-se inutilizáveis; já os contatores de corrente nominal elevada possibilitam, em geral, a reposição dos contatos danificados.

A figura 2.29 apresenta um esquema dos contatos fixos e móveis do contator, e na figura 2.30 são mostrados seus diversos componentes.

I p

I p

Mola contato móvel contato fixo

Figura 2.29

Esquema interno do contator.

núcleo móvel

Bobina núcleo fixo

I p

CAPÍTULO 2

99

MECâNICA 3

Figura 2.30

contator

100

Figura 2.31

Simbologia e numeração dos contatos de um contator.

No contator, os contatos principais são mais robustos e suportam correntes mais elevadas do que os contatos auxiliares, que são utilizados para sinalização e comandos e possuem contatos NF (normalmente fechado) e NA (normalmente aberto). Na figura 2.31 são mostradas a numeração dos contatos e sua simbologia.

K1

1

2

3

4

5

6

A1

13 21 31 43

K1

A2

14 22 32

B

b0 b1

AB - Botão desligado (b0)

BC - Botão liga (b1)

A

C

2.8.3 Botoeira

A botoeira, também chamada botão liga-desliga, é um dispositivo que, quando pressionado, retorna para a posição de repouso por meio de uma mola.

Além de ser um elemento de ligação, a botoeira é também um elemento de sinalização, pois internamente pode conter uma lâmpada sinalizadora que permite sua visualização a distância.

É constituída de duas teclas e executa as funções de liga-desliga para comando a distância de chaves de partida direta para acionamento de motores. Na figura

2.32 é mostrada a estrutura interna de uma botoeira.

Acionamento

Figura 2.32

Estrutura de uma botoeira comercial.

Mola de retorno

NF

(desliga)

NA

(liga)

2.8.4 Relés de sobrecarga ou térmicos

São dispositivos dotados de um par de lâminas construídas com metais de diferentes coeficientes de dilatação linear que, quando sensibilizados pelo efeito térmico produzido por uma corrente de intensidade ajustada aquecendo o bimetal, provocam, pela dilatação térmica de suas lâminas, a operação de um contato móvel.

Normalmente, os relés de sobrecarga são acoplados a contatores, de largo emprego no acionamento de motores elétricos, e podem também manobrar circuitos em geral. Os relés de sobrecarga são constituídos de modo a permitir ajustes de corrente nominal dentro de determinadas faixas, que podem ser escolhidas conforme o valor da corrente e a natureza da carga. Quanto maior o valor da corrente de sobrecarga, menor o tempo decorrido para a atuação do relé térmico. As sobrecargas são aumentos de corrente por um intervalo de tempo prolongado que pode ultrapassar a corrente nominal do motor. Nas figuras 2.33 e 2.34 são apresentados, respectivamente, o detalhe construtivo e as curvas características do relé de sobrecarga.

1

Para rearme automático

9897

2

95

Para rearme manual

3

4

5

1. Botão de rearme

2. Contatos auxiliares

3. Botão de teste

4. Lâmina bimetálica auxiliar

5. Cursor de arraste

6. Lâmina bimetálica principal

7. Ajuste de corrente

6

96

Figura 2.33

Detalhe construtivo do relé de sobrecarga.

7

L1 T1 L2 T2 L3 T3

CAPÍTULO 2

101

MECâNICA 3

102

Figura 2.34

curvas características do relé de sobrecarga

10

2 min

10

1

10

4 s

10

3

10

0

10

2

10

1

1

2

10

0

6 10

0

2 4

Múltiplo da corrente de ajuste

6

1. Carga trifásica equilibrada

2. Carga bifásica (falta de uma fase)

10

.

Figura 2.35

relé de sobrecarga eletrônico

Atualmente, os relés de sobrecarga eletrônicos (figura 2.35) têm uma vantagem sobre os tradicionais, que é a possibilidade de acompanhar a temperatura no motor por meio de seus sensores de temperatura.

1

2

3

4

5

6 7

A1 A2 T1 T2/C1 C2

SIEMENS

Ready

Gnd Fault

Overload

50

60

40

30

25

70

20

Test/

Reset

15

10

5

80

90

100

A

25

30

Class

9 10

8

Y1 Y2

3RB12

NF NA

95 96 97 98

NF NA

05 96 07 98

11

12

1. Sinalização pronto para operar

(LED verde)

2. Sinalização de disparo por corrente

de fuga (LED vermelho)

3. Sinalização disparo por sobrecarga ou

pelos termistores (LED vermelho)

4. Rearme e teste

5. Ligação para tensão de comando

6. Ligação para os termistores

7. Ligação para corrente de fuga pelo

transformador de corrente 3UL22

8. Ligação para rearme a distância ou

automático

9. Contatos auxiliares 1NA + 1NF para

sobrecarga ou termistores

10. Contatos auxiliares 1NA + 1NF para corrente de fuga

11. Ajuste da corrente do motor

12. Ajuste da classe

2.8.5 Disjuntores

O disjuntor é um equipamento de comando e de proteção de circuitos cuja finalidade é conduzir continuamente a corrente de carga sob condições nominais e interromper correntes anormais de sobrecarga e de curto-circuito. Está presente tanto nas instalações residenciais como nas industriais.

Os disjuntores termomagnéticos são dotados de disparadores térmicos de sobrecarga e eletromagnéticos de curto-circuito, detalhados a seguir.

a) Disparador térmico: é constituído de um elemento bimetálico que consiste em duas lâminas de metal soldadas, com diferentes coeficientes de dilatação térmica.

Elas se curvam quando a corrente que atravessa o disjuntor produz quantidade de calor superior ao estabelecido para a unidade. O metal de maior dilatação térmica adquire a posição que corresponde ao maior arqueamento da lâmina e provoca o deslocamento da barra de disparo. Esta destrava o mecanismo que mantém a continuidade do circuito. Assim, a alavanca do disjuntor assume a posição disparado, intermediária entre as posições ON (ligado) e OFF (desligado).

E

E

Q1

Símbolo Descrição

Botoeira NA

Botoeira NA com retorno por mola

Contatos tripolares

NA, ex.: contador de potência

Acionamento eletromagnético, ex.: bobina do contator

E

Relé térmico

E

Símbolo Descrição

Botoeira NF

Botoeira NF com retorno por mola

Fusível

Contato normalmente aberto (NA)

Contato normalmente fechado (NF)

Disjuntor com elementos térmicos e magnéticos, proteção contra corrente de curto-circuito e sobrecarga

Disjuntor com elemento magnético, proteção contra corrente de curtocircuito

Transformador trifásico

E

M

Acionamento temporizado na ligação

Lâmpada/ sinalização

Motor trifásico

Figura 2.36

Simbologia utilizada pelos comandos elétricos no acionamento de motores.

CAPÍTULO 2

103

MECâNICA 3

104 b) Disparador magnético: é constituído de uma bobina que, quando atravessada por uma corrente de valor superior ao estabelecido para a unidade a que o disjuntor está ligado, atrai o induzido e se processa a ação de desengate do mecanismo que mantém a continuidade do circuito, fazendo com que os contatos do disjuntor se separem.

Os disjuntores apresentam uma vantagem sobre os fusíveis, na proteção dos circuitos contra sobrecarga e curto-circuito, porque permitem a religação do sistema após a ocorrência da elevação da corrente, enquanto os fusíveis devem ser substituídos antes de nova operação.

Na figura 2.36 é apresentada a simbologia empregada nos diagramas de comandos elétricos para acionamento de motores.

2.9 Acionamentos de motores

A adoção de um sistema de partida eficiente pode ser considerada uma das regras básicas para obter do motor uma vida útil prolongada, custos operacionais reduzidos, além de dar à equipe de manutenção da indústria tranquilidade no desempenho das tarefas diárias. Os critérios para a seleção do método de partida adequado envolvem considerações quanto à capacidade da instalação, requisitos da carga a ser ligada, além da capacidade do sistema gerador.

2.9.1 Partida direta

É o método de partida mais simples, em que não são empregados dispositivos especiais de acionamento do motor. Apenas são utilizados contatores, disjuntores ou chaves interruptoras. A partida do motor é considerada um momento crítico, visto que, para sair de seu estado de inércia, o motor necessita de um pico de corrente, em geral, de seis a oito vezes o valor da corrente nominal do motor. Se houver carga (peso no eixo), o pico pode chegar a dez vezes o valor nominal. O excesso de corrente pode disparar os disjuntores e sobrecarregar a rede elétrica.

Então, por imposição da fornecedora de energia, a partida direta do motor só deve ser executada em motores de até 5 cv (ou 10 cv em instalações industriais).

Na partida direta, as três fases (L1, L2 e L3) são ligadas diretamente ao motor.

A partida direta apresenta as seguintes vantagens:

• projeto e montagem mais simples;

• alto conjugado de partida;

• tempo de partida menor;

• menor custo do dispositivo de partida.

Entretanto, possui desvantagens que precisam ser levadas em conta:

• maior corrente de partida e, portanto, maior queda de tensão na rede elétrica, o que causa interferência em outros equipamentos;

• contatores, disjuntores, fusíveis e cabos precisam ser superdimensionados, causando elevação no custo da instalação;

CAPÍTULO 2

• a máquina acionada pode precisar de um redutor (mecânico) de velocidade na partida.

Na figura 2.37, são mostrados os diagramas de comando (ou controle) e de potência (ou força) do acionamento feito por partida direta. No diagrama de potência, os fusíveis (F1, F2, F3) e o relé térmico (FT1) protegem o motor trifásico contra curto-circuito e sobrecarga. Se a corrente em uma das fases do motor ultrapassa o limite ajustado no relé, seu contato (FT1) no diagrama de controle se abre, desligando o contator K1 e abrindo todos os seus contatos.

Para acionar o motor, o botão pulsador S1 é pressionado, fechando o circuito e energizando K1. O contato NA (normalmente aberto) de K1 em paralelo a S1 se fecha, “selando” o caminho da corrente. Ao mesmo tempo se fecham K1, em série com a lâmpada (indicando motor ligado), e os três contatos K1 em série com o motor, ligando-o. Para desligar, basta pressionar o botão S0 para desenergizar K1. Note que o fio PE (proteção elétrica) deve conectar a carcaça do motor ao aterramento da instalação dos motores.

Figura 2.37

Diagramas de controle e de potência da partida direta.

L1

F4

SO

FT1

S1 K1 K1

FT1

L1 L2 L3 PE

F1,2,3

K1

K1

3

M

N

Dimensionamento dos dispositivos para acionamento em partida direta

Exemplo

Especificar o motor e dimensionar o comando de partida direta de um motor trifásico tipo gaiola de esquilo de 20 cv, 6 polos, 380 V/60 Hz, Tp = 2s, com comando em 220 V.

105

MECâNICA 3

106

Tabela 2.10

catálogo de motores wEg.

CWM9

I e máx. (U e

≤ 440V) AC-3 (A)

9

Solução:

• Na tabela 2.10, vê-se que o motor WEG – IP55, de 20 cv e carcaça tipo 160

L, atende a essas especificações. Outro dado disponível na tabela 2.10 é o valor da corrente nominal (in):

In = , A para 220 V

Pela equação 2.28, para 380 V:

7,5

10

12,5

15

20

3,0

4,0

5,0

6,0

0,75

1,0

1,5

2,0

0,16

0,25

0,33

0,50

CV

CWM12

Potência

In

(

380 V

)

=

In

( 220

√ 3

V )

CWM18

Carcaça RPM kW

18

100L

112M

132S

132S

132M

132M

160M

160M

160L

80

90S

90S

100L

63

71

71

80

5,5

7,5

9,2

11

15

2,2

3,0

3,7

4,5

0,55

0,75

1,1

1,5

0,12

0,18

0,25

0,37

1 150

1 140

1 160

1 160

1 160

1 160

1 160

1 170

1 165

1 140

1 110

1 100

1 150

1 150

1 140

1 130

1 150

A (2.28)

21,9

30,6

33,6

41,6

56,7

10,5

13,0

15,7

18,7

3,49

3,77

5,48

7,44

1,77

1,35

1,85

2,51

CWM25

Corrente nominal em 220 V

(A)

CWM32

Corrente com rotor bloqueado lp/In

25 32

7,0

7,5

6,0

6,5

7,5

5,5

5,8

6,2

6,7

4,9

5,3

5,3

5,2

3,3

3,0

3,3

4,3

Da tabela 2.10: lp/in = 7,5, em que ip é a corrente de partida do motor. Substituindo: ip = 7,5 · in (380 V) = 7,5 · 32,74 ≅ 246 A

• Usando o catálogo de contatores da WEG (figura 2.38), é possível dimensionar o contator K1. A corrente nominal do contator (ie) deve ser maior que a corrente nominal do motor: ie ≥ in(380 V) →

ie

≥ 32,74 A www.weg.net

Contatores Modulares CWM - Tripolares/Tetrapolares

suporta essa corrente (ie máx. = 40 A).

Bobinas em corrente contínua (CC)

2)

2)

CWM9

CWM40

CWM12

Contatos auxiliares(NANF):

3 pólos: -10/-01/-11/-22

4 pólos: -00

Figura 2.38

catálogo parcial de contatores da wEg.

CWM25 CWM32

Contatos auxiliares(NANF): www.weg.net

CAPÍTULO 2

AC-3

Serviço normal de manobras de motores com rotor gaiola com desligamento em regime

CWM32

AC-4

Manobras pesadas.

Acionar motores com carga plena; comando intermitente, reversão a plena marcha e paradas por contra-corrente

AC-1

32 resistivas puras ou pouco indutivas

I e

máx. (U e

Potência

60Hz

I e

máx. (U e

Potência

60Hz

I e

= I th

(

θ ≤ 55ºC) (A)

Potência

50/60Hz

≤ 440V) (A)

220V (cv)

380V (cv)

≤ 440V) (A)

220V (cv)

380V (cv)

440V (cv)

40

220V (kW)

380V (kW)

440V (kW)

9

3

5,4

6

5

1,5

3

3

25

9,5

16,5

19

CWM50

12

4

7,5

8,7

7

2

25

9,5

16,5

19

CWM65

40

15

25

30

8

2

32

12

21

24

CWM80 o contator e deve suportar a corrente nominal do motor (in(380) = 32,74 A).

50

4

5

65

5

6

80

Nº de pólos

Fusível máximo (gL/gG)

1)

(A)

Cons. Bobina CA em 60Hz “Ligar” / “Ligada” (VA)

3 polos

25

4 polos 3 polos

35

4 polos 3 polos

70 / 5,5...9,3

35

4 polos

Na figura 2.39 está a parte do catálogo para a especificação. Pode ser escolhido relé

RW67.1D(25...40), em que podem se ajustar correntes de 25 A a 40 A. Como expli-

Cons. Bobina CC ”Ligar” / “Ligada” (W) 3,8...7,5 / 3,8...7,5 cado no catálogo, esse relé pode ser montado diretamente sobre o contator. Também pode ser fixado em trilho ou por parafuso com auxílio da base modelo BF 67D.

Dimensões Altura (mm)

Profundidade CA/CC (mm)

87 / 115

81

Montagem direta ao contator

Montagem em trilho com adaptado BF67

Acessórios

BCXMF10 (1NA)

BCXMF01 (1NF)

BCXMFA10 (1NAa)

BCXMFR01 (1NFr)

BCXML11 (1NA + 1NF)

BCXML20 (2NA)

BCXMRL11 (1NA + 1NF) 3)

BCXMRL20 (2NA)

3)

Versões:

Tripolar: RW67-1D3, RW67-2D3

Bipolar: RW67-1D2, RW67-2D2

Integrado

Contatos

Auxiliares

5)

Mont.Frontal (+29mm)

Faixas de

Ajuste (A)

Blocos Antiparasitas

(Supressores de surto)

RC (50/60Hz)

RW67-2D3-U057

Diodo (CC)

25...40

32...50

40...57

Montagem c/ contatores

CWM32...CWM40

CWM50...CWM80

Varistor (50/60Hz)

Intertravamento

Mecânico

Mont.Lateral

Jogos de Contatos Principais (reposição)

Bobinas de reposição

Corrente Alternada (CA)

Corrente Contínua (CC)

Notas: 1) Coordenação Tipo 2;

2) Código de tensões usuais de comando:

25

8,7

16,8

16,8

CWM95

12

4

7,5

7,5

Montagem direta ao contator

Montagem em trilho com adaptador BF117D

Versão Tripolar: RW117-2D3

32

12,5

20

20

CWM105

16

45

95

17

29,5

60

105

22,5

39,5

34

3 polos

45,5

3 polos

Figura 2.39

63

115 / 9,5...11

catálogo parcial de

0,620 / 0,640

87 / 117

RW117-1D

BLIM9-105

BLIM.02

7)

87

98/118

Para CWM 9 a 105

6

10

12,5

-10/-01

-

BCXMF10, BCXMF01, BCXMFA10, BCXMFR01

50

76

0,310

BF67-2D

Código

Faixas de

Ajuste (A)

BCXML11, BCXML20, BCXMRL11, BCXMRL20 contatores

Código

BAMRC4 D53 (24-48Vca), BAMRC5 D55 (50-127Vca), BAMRC6 D63 (130-250Vca)

RW67-2D3-U070 57...70

CWM50...CWM80

Faixas de Ajuste (A)

63...80

RW67-2D3-U080 63...80

BAMDI10 C33 (12-600Vcc)

RW117-1D3-U097

RW117-1D3-U112

75...97

90...112

BAMV1 D68 (270-380Vca) , BAMV2 D73 (400-510Vca)

75

BLIM9-105, BLIM.02 7)

BF67-1D

JC CWM12-3P

Base de Fixação Individual:

6)

BCA4-25***

BCC-25***

JC CWM18-3P

2)

2)

6)

Fusível. máx.

(gL/gG) 1)

200

225

230 -

4)

98,5

JC CWM25-3P

99,5

0,520

JC CWM32-3P

BCA4-40***

2)

Base de Fixação

BECC-40***

2)

Individual:

BF117D

Códigos de tensões

Vca - 50Hz

Vca - 60Hz

V04

20

24

V15

95

110

V26

190

220

V41

325

380

V42

380

440

Códigos de tensões (CWM9...25)

Vcc

C02

12

C03

24

Códigos de tensões (CWM32...105) C34 C37

• Os fusíveis (F1, F2 e F3) usados no motor devem suportar uma corrente

20% maior que a nominal do motor (in = 32,74 A):

Vcc 24-28 42-50

C07

48

C12

110

C13

125

C40 C44

110-130 208-204

2 iF ≥ 1,2 · 32,74 → iF ≥ 39,3 A

Contatores e Relés de Sobrecarga

C15

220

107

CWM40 CWM50 CWM65

Contatos auxiliares(NANF):

3 pólos: -00/-11/-22

CWM80 CWM95 CWM105

40

15

25

30

18,5

6

12,5

15

60

22,5

39,5

45,5

3 polos

80

115 / 9,5...12,5

240 / 6

0,650/0,64

55

87

98/118

BAMRC4 D53 (24-48Vca)

BAMRC5 D55 (50-127Vca)

BAMRC6 D63 (130-250Vca)

1,205/1,465

66

116,5

116/ 116

50

20

34

40

23

7,5

15

15

90

34

59

68,5

3 polos

100

Para CWM 9 . . . 40

BAMRC4 D53 (24-48Vca),

BAMRC5 D55 (50-127Vca),

BAMRC6 D63 (130-250Vca)

JC CWM40-3P

BCA4-40*** 2)

BECC-40*** 2)

JC CWM50-3P

10

20

65

25

40

50

30

20

110

42

72,5

84

3 polos

125

1,215/1,465

66

116,5

116/ 116

BAMRC7 D53 (24-48Vca)

BAMRC8 D55 (50-127Vca)

BAMRC9 D63 (130-250Vca)

80

30

54

60

37

12,5

25

30

110

42

72,5

84

3 polos

125

295 / 16,8...25

340 / 6,5

1,220/1,465

66

116,5

116/ 116

95

34

60

75

44

15

30

30

140

53

92

106,5

3 polos

160

1,525/1,465

75

116,5

126/ 126

BAMDI10 C33 (12-600Vcc) 4)

1,505/1,465

75

116,5

126/ 126

BAMV1 D68 (270-380Vca)

BAMV2 D73 (400-510Vca)

Para CWM 9 . . . 105

Para CWM 50 . . . 105

-

BCXMF10, BCXMF01, BCXMFA10, BCXMFR01

BCXML11, BCXML20, BCXMRL11, BCXMRL20

Para CWM 9 . . . 25

BAMRC7 D53 (24-48Vca), BAMRC8 D55 (50-127Vca), BAMRC9 D63 (130-250Vca)

-

4)

BAMV1 D68 (270-380Vca), BAMV2 D73 (400-510Vca)

BLIM9-105

JC CWM65-3P JC CWM80-3P

BCA-105*** 2)

BECC-105*** 2)

JC CWM95-3P JC CWM105-3P

105

40

75

79

50

15

30

40

140

53

92

106,5

3 polos

200

Contatores e Relés de Sobrecarga 9

MECâNICA 3

Também devem suportar a corrente de pico na partida (ip = 246 A) durante o tempo de partida do motor (Tp = 2 s).

Com o auxílio do catálogo de fusíveis WEG (figura 2.40) e das curvas tempo

versus corrente para fusíveis tipo D (figura 2.41), é possível dimensionar os fusíveis como segue.

Na figura 2.41: com os valores 2 s e 246 A, escolhemos a corrente cuja curva está

à direita de 39,3 A (iF = 50 A).

Na figura 2.40: com o fusível escolhido tipo D retardado para 50 A

FDW50, escolhemos as peças para o porta-fusível. É bom lembrar que são precisos três conjuntos desses (um para cada fase do motor).

Figura 2.40

Fusível e peças da base.

Tampa Fusível Anel de proteção

Parafuso de ajuste

Base

108

Figura 2.41

curva do fusível tipo D.

Fonte: wEg braSil.

TFW 63 FDW 50 APW 63 PAW 50 BAW 63

20

15

10

60

50

40

30

1

40

4

3

2

20

10

4

2

1

2 3 4 5 10 20 30 40 50

Curvas tempo-corrente médias para fusíveis D partindo de um estado não preaquecido por carga

100

Curva tempo × corrente

200 300 400 500

Corrente em A (valor efizaz)

.

CAPÍTULO 2

2.9.2 Partida por meio da chave estrela-triângulo

Em instalações elétricas industriais, principalmente aquelas sobrecarregadas, podem ser usadas chaves estrela-triângulo como forma de suavizar os efeitos de partida dos motores elétricos. O acionamento por meio desse tipo de chave só

é possível se o motor possuir seis terminais acessíveis e dispuser de dupla tensão nominal, tal como 220/380 V ou 380/660 V ou 440/760 V.

Esse método reduz picos de corrente de partida em motores de maior potência.

Liga-se, por exemplo, um motor 380 V (

D

) inicialmente na configuração estrela.

Dessa forma, cada conjunto de enrolamentos recebe apenas 220 V e a corrente de partida é reduzida a aproximadamente 33% de seu valor. Esse tipo de partida deve ser aplicado a uma carga que exija apenas 33% do torque de partida total. É preciso considerar também que, se o motor não atingir 90% de sua velocidade antes da comutação para estrela, o pico de corrente é equivalente ao da partida direta. Na figura 2.42, vemos como são feitas essas conexões às bobinas do motor trifásico.

I

L

L1

I

L

= I

F

380 V

220 V

220 V

I

F

Figura 2.42

conexões estrela e triângulo no motor trifásico.

L2

L3

Ligação estrela Ligação triângulo

Essa chave de partida possui a vantagem de ter custo mais baixo com relação ao de uma chave soft-starter (partida suave), por exemplo. Mas é preciso que o motor escolhido tenha tensão de ligação em triângulo coincidente com a tensão de linha (entre duas fases) da rede elétrica.

Na figura 2.43, são apresentados os diagramas de comando (ou controle) e de potência da ligação estrela-triângulo. Pressionando o botão S1, as bobinas

(A1-A2) do relé de tempo KT1 e do contator K3 são alimentadas. O contato de K3 (13-14) se fecha, alimentando a bobina (A1-A2) de K1. Fecham-se também o selo de K1 (23-24) e o selo de K3 (K1-13-14). Ao soltar o botão S1, o relé de tempo inicia a contagem do valor ajustado (10 s). Ao mesmo tempo, no diagrama de potência, os contatos K1 e K3 (NA) são fechados, e o motor parte em estrela.

Passados os 10 s, o relé de tempo KT1 (15-16) se abre, desligando o contator K3, abrindo K3 (13-14) e fechando K3 (21-22). Passados mais 30 a 100 ms, o relé

KT1 fecha KT1 (25-28), acionando K2 (A1-A2) e seu selo K2 (13-14). No diagrama de potência, abre K3 e fecha K2: o motor passa para a conexão triângulo.

Acionando o botão S0 (NF), são desligadas as bobinas de K1 e K2 e o motor é

109

MECâNICA 3

Figura 2.43

Diagrama de controle e de potência da partida estrela-triângulo.

desligado. Note que os contatos K2 (21-22) e K3 (21-22) formam um intertravamento de contatos para evitar curto-circuito (caso sejam ligados simultaneamente K2 e K3).

L1 L2 L3 PE

L1 F 4

SO

95

FT1

96

1

2

N

KT1

S1

3

4

K1

13

14

K3

13

14

K1

23

KT1

24

16

KT1

A1

K3

A2

15

21

K2

22

A1

K1

A2

A1

A2

28

K2

25

13

14

K2

25

K3

22

A1

A2

H1

5

6

K1

3

M

K2 K3

Dimensionamento dos dispositivos para acionamento em partida tipo estrela-triângulo

Exemplo

Dimensionar o comando de partida estrela-triângulo de um motor trifásico tipo gaiola de esquilo 100 cv, 2 polos, 380 V/660 V – 60 Hz, Tp = 10 s, com comando em 220 V.

Solução:

• Na tabela 2.11, vê-se que o motor WEG – IP55, de 100 cv e carcaça tipo 250

S/M, atende a essas especificações. Outro dado disponível na tabela 2.11 é o valor da corrente nominal (in):

In = 232 A para 220 V

I n

380 V

I n

( 220

 3

V )

 134 A

Da tabela 2.11: ip/in = 9,3, em que ip é a corrente de partida do motor. Substituindo: ip = 9,3 · in (380 V) = 9,3 · 134 ≅ 1 246 A

110

Potência cv kW

2 polos – 60 Hz

6,0

7,5

10

12,5

2,0

3,0

4,0

5,0

0,16

0,25

0,33

0,50

0,75

1,0

1,5

40

50

60

75

100

15

20

25

30

4,5

5,5

7,5

9,2

1,5

2,2

3,0

3,7

0,12

0,18

0,25

0,37

0,55

0,75

1,1

30

37

45

55

75

11

15

18,5

22

Carcaça RPM

Corrente nominal em 220 V

(A)

Corrente com rotor bloqueado lp/In

3 400

3 465

3 460

3 485

3 480

3 500

3 510

3 510

3 380

3 380

3 390

3 380

3 430

3 450

3 420

3 525

3 540

3 525

3 530

3 560

3 560

3 560

3 555

3 560

80

90S

90L

100L

112M

112M

132S

132M

63

71

71

80

63

63

63

132M

160M

160M

160L

200M

200L

225S/M

225S/M

250S/M

• Para dimensionar os contatores, é preciso observar que K1 e K2 acionam o motor em triângulo e que K3 é usado na ligação em estrela (figura 2.44).

16,1

19,2

25,7

31,0

5,49

8,43

10,9

13,1

0,77

1,02

1,34

1,71

2,39

3,18

4,38

98,3

121

143

173

232

36,2

50,3

61,0

72,1

7,1

8,0

7,0

8,6

6,6

7,0

7,5

8,0

5,5

6,2

7,1

7,0

5,3

4,7

5,0

7,8

7,6

7,5

8,1

9,3

8,5

7,5

8,0

8,0

Tabela 2.11

Fonte: wEg braSil.

L1 L2 L3

F1,2,3

Figura 2.44

Esquema de ligação estrela-triângulo.

K1 K2

FT1

3

M

K3

CAPÍTULO 2

111

MECâNICA 3

Figura 2.45

curva do fusível nh.

Sabendo que a corrente de linha (i

L que a corrente em Δ é:

) é igual à corrente nominal do motor (i n

) e

I

ν

=

I

L

3

, e considerando i

Δ

para os contatores K1 e K2, então: ie ≥ in / √3 → ie ≥ 134 / √3 ou ie ≥ 77 A.

Assim, pode ser escolhido o modelo CWM80 para os contatores K1 e K2. O contator K3 será usado na ligação estrela e, nesse caso, a corrente em estrela será: iY = in / 3 = 134 / 3 ≅ 45 A

Dessa forma, ie

≥ 45 A.

Portanto, escolhe-se, no catálogo, o contator CWM50 para K3.

• Quanto ao relé de sobrecarga, deverá suportar a mesma corrente que o contator K1: ie

≥ 77 A. Assim, escolhe-se o relé RW67.2D(63...80).

• Os fusíveis (F1, F2 e F3) usados devem suportar uma corrente 20% maior que a nominal do motor em triângulo (i

D

), ou seja: iF ≥ 1,2 i D → iF = 1,2 · 77 → iF ≥ 92,4 A

Também devem suportar a corrente de pico na partida. Mas, na partida estrela-

-triângulo, o pico é 1/3 da corrente de pico nominal: ip = 1 246 / 3 = 415 A

Então, os fusíveis devem suportar 415 A durante Tp = 10 s. Na figura 2.45, curva do fusível NH, entramos com os valores 10 s e 415 A.

T

P

10 s

100 A 125 A

415 A

I

P

Selecionando a corrente cuja curva está à direita de 92,4 A (IF = 125 A), temos o fusível F00NH125. Para a base do fusível, é usada B00NH.

112

• Quanto ao relé de tempo, utilizando o catálogo da WEG, escolhe-se o modelo RTW.03.220.YD.

É importante observar que a utilização desse tipo de chave estrela-triângulo pode ser melhorada com o emprego de dispositivos mais modernos, tais como os disjuntores, que possuem a proteção eletromagnética contra curto-circuito e a proteção térmica do relé bimetálico no mesmo dispositivo, simplificando a montagem.

2.9.3 Partida por meio de chave compensadora

A chave compensadora é composta, basicamente, de um autotransformador com várias derivações, destinadas a regular o processo de partida. Esse tipo de partida costuma ser empregado em motores de potência elevada, para acionar cargas com alto índice de atrito, por exemplo, britadores, máquinas acionadas por correias transportadoras e calandras. As desvantagens que essa chave apresenta são:

• custo superior ao da chave estrela-triângulo;

• dimensões normalmente superiores às chaves estrela-triângulo.

A figura 2.46 representa de modo esquemático uma chave compensadora construída a partir de três autotransformadores monofásicos.

Circuito de alimentação

Chave de comando

Figura 2.46

ligação da chave compensadora.

1 2 3

1

1 2 3

1 1

Reator de partida

1 2 3

Comando de comutação de tape

M

2.9.4 Outros tipos de ligações ou partidas

Podem ocorrer outros tipos de ligações, ou de partidas, que são a seguir descritos.

a) Partida de motor monofásico usando contator (figura 2.47).

Observa-se que, pelo fato de o motor ser ligado a duas fases, uma das fases é passada por dois contatos do relé térmico (para usar os três contatos desse relé).

CAPÍTULO 2

113

MECâNICA 3

114

Figura 2.47

Diagrama de controle e potência da partida de motor monofásico usando contator.

Outro detalhe é o fato de que, como o contator está ligado entre as duas fases, são usados dois fusíveis para o controle. A parte de comando é igual à da partida direta do motor trifásico.

L1 F3

S0

3

4

FT1

FT1

K1

L1 L2

F1,2

PE

S1 K1

L2 F4

K1

1

M

Figura 2.48

Diagrama de controle para acionamento do motor de vários pontos.

b) Acionamento de motor de vários pontos (figura 2.48).

L1 F4

FT1

S0

S1

S2

S3 S4 S5 K1

N

K1

No diagrama da figura 2.48 foi mostrada a parte de controle. O diagrama da parte de potência é igual ao da partida direta de motor. As chaves em paralelo

(S3, S4 e S5) ligam o motor de três pontos diferentes (basta levar um par de fios até cada chave). As chaves em série (NF) desligam o motor de três pontos diferentes. O contato K1 em paralelo com as chaves é o selo que mantém a ligação após o toque no botão pulsador.

c) Acionamento de motor com proteção contra falta de fase (figura 2.49).

No diagrama de potência, vemos o dispositivo KFF, que protege o motor contra falta de fase.

Figura 2.49

Diagramas para acionamento contra falta de fase.

S0

L1

F1

FT1

L2

F2

Q1

2

KFF

S1 K1

L1 L2 L3

FT1

K1

L1 L2 L3

m < 3

KFF

K1 H1

3

M

Se ocorrer a falta de fase, o contato NF de KFF, no diagrama de controle, se abrirá e desligará todo o circuito. No diagrama de potência há também o disjuntor Q1 termomagnético para proteção da instalação contra curto-circuito e sobrecarga.

d) Acionamento de motor com proteção contra sequência de fase invertida.

A figura 2.50 mostra, no diagrama de potência, o dispositivo KSF, que protege o motor contra sequência de fase invertida.

Se, ao acionar o motor, ocorre a inversão de fase, o contato de KSF no circuito de controle se abre, desativando todo o circuito e protegendo o motor. Se as fases estiverem na sequência correta, ao acionar o botão S1, o motor liga e a lâmpada

H1 fica acesa. O botão S0 desliga o circuito.

Convém ainda lembrar que os motores trifásicos podem ser acionados em liga-

ções diferentes, dependendo do número de terminais. A seguir são mostrados os principais tipos de ligações para funcionamento de motores em mais de uma tensão, ou seja, em redes elétricas com mais de uma tensão.

CAPÍTULO 2

115

MECâNICA 3

Figura 2.50

Diagramas para acionamento de motor com proteção contra sequência de fase invertida.

S0

L1

F1

FT1

L2

F2

2

KSF

Q1

S1 K1

FT1

K1

R S T

KSF

R

L1

T S

K1 H1

3

M

116

Figura 2.51

conexão das bobinas do motor na ligação série-paralela estrela.

e) Ligação série-paralela estrela (figura 2.51): o enrolamento de cada fase é dividido em duas partes. Ligando as duas metades em série, cada bobina ficará com a metade da tensão de fase nominal do motor. Se as duas metades estiverem ligadas em paralelo, é possível alimentar o motor com metade da tensão.

L

1

1

4

7

440 V

3

L

3

9

6

5

5

2

L

2

L

1

1

220 V

4

8

7

5

9

6

3

L

3

2

L

2

f) Ligação série-paralela triângulo: o motor precisa ter nove terminais, e a tensão nominal mais comum é 220/440 V. A figura 2.52 mostra como conectar os terminais do motor nesse caso.

L

3

L

1

1

3

6

9

8 5

4

7

2

L

2

220 V

440 V

220 V

9

L

3

3

1

L

1

5

6

4

220 V

8

7

2

L

2

g) Tripla tensão nominal (figura 2.53): combina os casos anteriores.

380 V

9

12

1

4

3

6 11

8

7

10

5

2

380 V

380 V

220 V

3

6

9

5

12

7

11 8

10

1

4

2

220 V

220 V

440 V

3

6

9

12

11

1

4

7

10

8 5 2

440 V

440 V

Assim, há quatro combinações de tensão nominal:

1) ligação triângulo paralelo;

2) ligação estrela paralela, sendo igual a 3 vezes a primeira;

3) ligação triângulo série, valendo o dobro da primeira;

4) ligação estrela série, valendo 3 vezes a terceira. Essa tensão seria maior que

600 V. Assim, é indicada apenas como referência de ligação estrela-triângulo.

Exemplo: 220/380/440(760) V.

2.9.5 Comandos de partida e reversão de giro

A reversão de giro em motores trifásicos é usada quando há a necessidade de inverter o sentido de rotação do eixo do motor, por exemplo, em uma esteira ou em uma escada rolante.

Partida direta com reversão de giro utilizando contatores

A inversão de giro com contatores utiliza outros elementos, como botões e chaves de fim de curso. Para reverter o giro de um motor trifásico, basta trocar duas de suas fases de alimentação entre si. Para fazer isso automaticamente são necessários dois contatores, cada um acionado por um botão e duas chaves de fim de curso.

Essas chaves podem ser acionadas de modo mecânico por lâminas (figura 2.54), podem ser eletromagnéticas ou, ainda, podem ser usados sensores eletrônicos.

Figura 2.52

conexões na ligação série-paralela triângulo.

Figura 2.53

conexões nas ligações para tripla tensão nominal.

CAPÍTULO 2

117

MECâNICA 3

Figura 2.54

chave tipo fim de curso acionadas mecanicamente.

118

Figura 2.55

Diagrama de potência para reversão de giro de motor trifásico.

Essas chaves são usadas em controle:

• quando se deseja parar o motor em determinado ponto;

• quando se necessita fazer a inversão do sentido de rotação;

• para segurança (paradas de emergência, ao atingir o limite de uma peça, alarme etc.).

Nas chaves de fim de curso eletromagnéticas, a variação do campo magnético em uma bobina aciona os contatos da chave.

Na figura 2.55 é apresentado o diagrama de potência para a reversão de giro de um motor trifásico usando contatores.

PE

L1

L2

L3

F1,2,3

K1

1

2

3

4

5

6

1

K2

2

3

4

5

6

5 6 7

U

M

V

3

W

FT1

Como se vê no diagrama, se, ao acionar o contator K1, o motor gira em um sentido de rotação, então, ao ser acionado o contator K2, o eixo desse motor deve girar no sentido contrário. O importante, nesse caso, é que se deve evitar que sejam acionados os dois contatores simultaneamente, pois isso causaria um curto-circuito entre duas fases da rede elétrica.

No diagrama da figura 2.56, é mostrada a parte de controle para a reversão de giro do motor na partida direta.

Figura 2.56

Diagrama de controle para a reversão de giro de motor trifásico.

L1

F4

FT1

95

96

S0

L2

F5

S1

S3

K1

K2

1

2

21

22

A1

A2

K1

13

14

S2

S4

K2

K1

1

2

21

22

A1

A2

K2

13

14

CAPÍTULO 2

Ao ser acionado o botão S1, a bobina do contator K1 (A1-A2) é energizada e seu contato NF (21-22) se abre, evitando que o contator K2 seja acionado (os contatos 21-22 são usados para o intertravamento de contatores, permitindo que apenas um dos contatores, K1 ou K2, seja ligado). Em seguida (em questão de

100 ms), os contatos principais de K1 (1, 2, 3, 4, 5, 6) se fecham, acionando o motor, que vai girar seu eixo no sentido horário, e fecha-se também o contato

NA de K1 (13-14), mantendo o contator K1 “selado” (acionado).

Ao ser acionado o botão S0, a passagem de corrente elétrica é interrompida, K1

é desligado e o motor para. Ao acionar o botão S2, o contator K2 (1, 2, 3, 4, 5,

6) aciona o motor no sentido anti-horário, invertendo duas de suas fases.

É importante perceber que, ao acionar a chave de fim de curso S3, o contator

K1 é desligado e o motor para. Nesse caso, deve ser acionado o botão S2 para ligar o motor no sentido contrário ao que estava girando. Ao ser acionada a chave S4, o contator K2 é desligado e o motor para novamente até ser acionado o botão S1.

119

MECâNICA 3

Figura 2.57

Diagrama de potência da partida estrela-triângulo com reversão de giro.

Partida estrela-triângulo com reversão de giro utilizando contatores

A partida estrela-triângulo é usada para motores de maior potência. Nesse caso, são precisos quatro contatores (dois para a reversão de giro e mais dois para a ligação estrela-triângulo) e um relé de tempo (que conta o tempo da passagem de estrela para triângulo).

Na figura 2.57, é mostrado o diagrama de potência da partida estrela-triângulo com reversão de giro. Ao acionar os contatores K1 e K4, o motor parte em estrela (sentido horário, por exemplo). Após um tempo (ajustado no relé de tempo),

K4 se abre e K3 se fecha. Assim, o motor passa para a ligação triângulo. Acionando inicialmente K2 e K4, o motor parte em estrela no sentido inverso (anti-

-horário). Após certo tempo, K4 se abre e K3 se fecha. Novamente o motor passa para a ligação triângulo.

L1

PE

L3

K1

FT1

K2

K3 K4

W

V

U

3

M

Y

X

Z

Para controlar o acionamento do motor nesse caso, é usado o diagrama da figura

2.58. Ao pressionar o botão S1, as bobinas do relé de tempo KT1 e do contator

K4 são energizadas. O contato NF de K4 se abre impedindo K3 de ser acionado.

Em seguida, o contato NA de K4 se fecha energizando a bobina de K1, e outro contato aberto de K1 se fecha fazendo selo de K1. O motor parte em estrela no sentido horário, por exemplo.

Ao pressionar o botão S1 (botão do tipo pulsador ou sem trava) e após certo tempo (contado pelo relé de tempo KT1), o contato NF de KT1 se abre desligando K4. Logo em seguida, o contato NF de K4 (que estava aberto) se fecha acionando o contator K3. O motor passa para a ligação triângulo.

Ao pressionar o botão S0, todo o circuito se desliga. Se S2 for pressionado, então os contatores K4 e K2 são ligados, e ocorre a partida estrela do motor em sentido anti-horário. Após algum tempo, o motor passa para a ligação triângulo.

120

L1

F4

FT1

S0

95

96

S1 S2

K4

KT1

K4

L2

KT1

F5

K1

S2

K1

K2

K2

S1

K2

K1

K3

K4

Notar que K1 NF e K2 NF fazem um intertravamento de contatos, evitando que os contatores K1 e K2 liguem simultaneamente. Os contatos NF dos botões

S1 e S2 fazem um intertravamento de botões pelo mesmo motivo.

É importante lembrar que na partida direta temos um alto pico de corrente no motor (sete a nove vezes o valor da corrente nominal). Na partida estrela-tri-

ângulo, o motor deve partir em vazio (sem carga no eixo). Ainda assim, há um grande pico de corrente no motor (1/3 do pico de corrente quando em partida direta). Problemas desse tipo podem ser resolvidos com o uso das chaves soft-

-starters ou inversores de frequência no controle do motor.

2.9.6 Uso da chave soft-starter para comando de partida e reversão

As chaves estáticas, conhecidas como soft-starters, são constituídas de um circuito eletrônico acoplado a um microprocessador, que controla um conjunto de tiristores responsáveis pelo ajuste da tensão aplicada aos terminais do motor. Por meio de ajustes, pode-se controlar o torque do motor e a corrente de partida com os valores desejados, em função da exigência da carga.

Como visto anteriormente, as partidas realizadas por contatores e relés (ou a combinação deles) tendem a danificar os motores por picos de correntes na partida e a provocar vibrações no motor e na carga. Tais problemas geram desgaste, vibração, aquecimento do motor e impacto na rede elétrica. Além dos problemas de partida em si, muitos processos na indústria trabalham com variação de velocidade do motor como os que se encontram na tabela 2.12.

Figura 2.58

comando para partida estrela-triângulo com reversão de giro.

CAPÍTULO 2

121

MECâNICA 3

Tabela 2.12

Variação de velocidade em alguns tipos de acionamento.

Tipos de acionamento

Bombas

Ventiladores

Sistemas de transportes

Tornos

Bobinadeiras

Motivo da variação de velocidade

Variação de vazão de líquidos

Variação de vazão de ar

Variação da velocidade de transporte

Variação da velocidade de corte

Compensação da variação de diâmetro da bobina

Figura 2.59

comparativo de correntes,

Scrs em antiparalelo e forma de onda da tensão fornecida a cada fase do motor.

Até algum tempo atrás, essa variação de velocidade era realizada por motores de corrente contínua, ou ainda componentes mecânicos, hidráulicos e eletromagnéticos. O maior desenvolvimento de semicondutores de potência (SCRs,

IGBTs etc.) e dos microprocessadores nas últimas décadas tornou viável a produção de sistemas de variação de velocidade eletrônicos. No método de partida estrela-triângulo, conseguimos uma redução na tensão, no torque e na corrente de partida, mas a partida é feita em degraus de tensão, o que causa muitos danos ao motor e à instalação elétrica. No soft-starter, a alimentação do motor é realizada por um aumento progressivo de tensão.

Esse dispositivo cria uma “rampa” de tensão (ou uma curva) que leva a uma partida sem golpes e sem picos de corrente (figura 2.59). Esse controle da tensão

é feito por um par de SCRs ligados em antiparalelo a cada fase de alimentação do motor. Controlando o ângulo de disparo dos SCRs, controla-se a parcela de tensão fornecida a cada fase do motor.

CORRENTE

Partida direta

Estrelatriângulo

Soft-starter

M

L1

L2

L3

TEMPO

SCRs em antiparalelo

122

Na chave soft-starter, um circuito eletrônico microprocessado ajusta o ângulo de disparo dos SCRs controlando a tensão a ser enviada ao motor. À medida que a tensão no motor aumenta, a corrente também aumenta e o motor é acelerado de maneira suave, sem degraus e sem choques mecânicos para a carga. Na figura

2.60, é mostrado o diagrama de blocos de um soft-starter da série SSW-04 da

WEG. Essa série possui modelos de 16 A a 85 A que podem ser alimentados em redes trifásicas de 220 V, 230 V, 240 V, 380 V, 400 V, 415 V, 440 V, 460 V, 480 V ou 575 V. Os modelos de corrente de 16 A, 30 A e 45 A têm ventilação natural, enquanto os de 60 A e 85 A possuem ventilação forçada.

Figura 2.60

Diagrama de blocos simplificado do soft-starter, linha SSw-04 da wEg.

CAPÍTULO 2

Para a alimentação do controle eletrônico interno, usa-se uma fonte chaveada. O cartão de controle monitora a corrente e controla o circuito. É dotado também de um circuito de comando e sinalização como relés de saída. Os parâmetros do dispositivo podem ser visualizados ou alterados em uma interface homem-máquina

(IHM). A corrente da alimentação é monitorada por transformadores de corrente

(TCs). Saídas a relé controlam dispositivos externos auxiliares, como contatores e lâmpadas.

Para proteger a instalação, é necessário o uso de fusíveis ou disjuntores no circuito de entrada, e para a proteção dos SCRs recomenda-se que esses fusíveis sejam do tipo ultrarrápido.

Há ainda entradas digitais nas quais podem ser ligados botões de partida, de parada, de emergência, ou ainda sensores de temperatura conectados ao motor.

Na parte de potência, a chave possui snubbers (circuitos R/C) para a proteção dos

SCRs contra rápidas variações de tensão e disparos acidentais.

123

MECâNICA 3

Figura 2.61

ligação direta do motor

(a) e com reversão de giro

(b) usando soft-starter

SSw-04 da wEg.

Na figura 2.61, são mostrados os modos de ligação do soft-starter a um motor para partida direta e com reversão de giro.

124

Figura 2.62

tensão e corrente no motor para cada tipo de partida.

a) b)

Em ambas as ligações, o transformador T é utilizado apenas se houver diferença entre a tensão de alimentação do motor e da eletrônica interna do aparelho e dos ventiladores. O uso do termostato (termopar) é recomendado para a proteção do motor. Caso ele não seja utilizado, deve-se ligar a entrada de erro DI3 ao Vcc da fonte.

Para que a proteção térmica do motor atue durante o by-pass do contator K1

(figura 2.61a), é necessário que se coloquem os TCs de medição de corrente após os contatos principais de K1. Na figura 2.61b, os contatos principais de K1 e K2 auxiliam o soft-starter na reversão de giro do motor. Nota-se que o contato NF de

K1 funciona como intertravamento para impedir curto-circuito entre as fases.

Também é recomendado um contator na entrada do soft-starter, caso se queira proteger o motor contra falta de fase por causa de danos no circuito de potência do SSW-04. Também não se deve esquecer a parametrização por software do

SSW-04 antes de seu acionamento em cada caso.

Na figura 2.62, é mostrada a comparação entre a partida direta, a estrela-triângulo e a partida suave.

100%

Tensão no motor

Partida direta

Estrelatriângulo

58%

Partida suave

Tempo de rampa

Tempo

I

direita

Corrente no motor

I

Y ∆

I

suave

I

N

Rotação n n

N

Entre as vantagens no uso do dispositivo soft-starter podem ser destacadas sua longa vida útil (sem peças eletromecânicas), o torque de partida próximo ao nominal e a possibilidade de ser utilizado na desaceleração do motor.

As desvantagens e cuidados ao usar esse tipo de chave são:

• por causa do aquecimento nos SCRs, por efeito Joule, é preciso colocar ventilação forçada. O emprego de contator de by-pass também auxilia;

• os SCRs são sensíveis a surtos de tensão;

• o dispositivo sofre interferência eletromagnética dos equipamentos próximos;

• o dispositivo produz harmônicas sujando a rede elétrica, o que pode exigir o emprego de filtros;

• fusíveis ultrarrápidos e contatores auxiliares devem ser utilizados;

• o dispositivo possui pouca resistência a curto-circuito da carga;

• o custo de uso desses dispositivos é maior no caso de pequenos motores.

Um novo algoritmo criado em lógica Fuzzy para a tecnologia TCS (torque con-

trol system) foi desenvolvido para fazer com que o conjugado de aceleração (e o de desaceleração) do soft-starter seja linear. Com essa nova tecnologia TCS, podemos obter respostas mais rápidas e precisas para o controle do conjugado do motor.

2.9.7 Uso de inversores de frequência para comandos de partida e reversão

Até pouco tempo atrás, o controle da velocidade dos processos de manufatura de diversos tipos de indústria, como já mostrado na tabela 2.12, era conseguido com a utilização de motores de corrente contínua. As pesquisas na área da eletrônica de potência desenvolveram equipamentos, denominados inversores de frequência, que associados à microeletrônica permitem o uso de motores de indução em substituição aos motores de corrente contínua. Os motores de indução, quando comparados aos motores de corrente contínua, são de fácil manutenção e de custo bem mais reduzido. Com a equação 2.29 é possível realizar o cálculo da rotação de um motor trifásico de indução, em rpm.

n =

120 f ( 1 s ) p

(2.29) em que: n = rotação do motor em rpm; f = frequência da rede elétrica; s = escorregamento do motor; p = número de polos do motor.

Pela equação 2.29, podemos fazer algumas considerações para identificar a melhor forma de alterar a velocidade do motor:

CAPÍTULO 2

125

MECâNICA 3

126

• mudar o número de polos não é vantajoso, pois o motor trifásico possui a carcaça muito maior que o normal, e a variação de velocidade é discreta, feita em degraus, o que causa solavancos na carga;

• a variação do escorregamento também não é interessante, pois gera perdas no rotor e causa pouca variação na velocidade;

• a variação da frequência aparece como a forma mais eficaz de alterar a velocidade do motor.

Como exemplos, são apresentados os cálculos da rotação n para um motor de p = 4 polos e escorregamento s = 0,03, com a respectiva variação da frequência f.

Se

Se

Se f f f

=

=

=

60 Hz n

30 Hz n

90 Hz n

⋅ ( , )

4

= 1746 rpm

⋅ ( , )

4

= 873 rpm

⋅ ( , )

4

= 2619 rpm

A conclusão dessa comparação é que o ideal é obter a variação de frequência da tensão aplicada ao estator do motor mantendo o torque (ou conjugado C) constante.

O conjugado do motor pode ser calculado pela equação 2.30:

C ≅ Φ m

⋅ I

2 f

I

2

(2.30) em que:

Φ m i

2

= fluxo magnético;

= corrente no estator do motor;

U = tensão no estator.

Mas, para que o conjugado C seja constante, é preciso que a parcela seja.

U f

também

Funcionamento do inversor de frequência

O funcionamento do inversor de frequência pode ser melhor compreendido através das figuras 2.63 a 2.69. Na figura 2.63 vemos um diagrama de blocos que nos mostra de modo simplificado a sequência de operações e circuitos que fazem parte de um sistema inversor de frequência básico. Como se vê no exemplo da figura 2.63 o inversor promove a variação da velocidade do eixo do um motor

(trifásico, principalmente) gerando uma rede trifásica de frequência variável.

Figura 2.63

princípio básico de funcionamento do inversor de frequência.

CAPÍTULO 2

Rede elétrica

220V AC frequência fixa f = 60 Hz

Circuito retificador:

VAC para VDC pulsante

Filtro: capacitor e indutor.

VDC com ondulação

Ponte transistorizada:

VDC para VAC retangular

Controle microprocessado da ponte de transistores

Tensão 220V alternada.

f = 0 a 100 Hz

O conversor, formado por um circuito retificador, é ligado à rede trifásica com a função de transformar a tensão alternada em tensão contínua pulsada numa operação chamada retificação de onda completa. Um capacitor (filtro) é usado para limpar o sinal que se converte em tensão contínua pura. Através dos circuitos de comando formados por dispositivos semicondutores, o inversor transforma a tensão contínua novamente em tensão pulsada. A tensão de saída é escolhida de forma que a relação tensão/frequência seja constante.

Na figura 2.64, temos um circuito chamado ponte H com carga resistiva e o gráfico com suas formas de onda.

E

S

1

S

3

V

R i

R

V

R

R

i

R

S

2

(E)

E/R

0 T/2

S

4

(–E)

S

1

, S

4

S

2

, S

3

T 3T/2 2T t

S

1

, S

4

S

2

, S

3

Fechado

Figura 2.64

ponte h e forma da tensão e da corrente no resistor (carga).

127

MECâNICA 3

Figura 2.65

conversor de frequência usando ponte h transistorizada.

Fechando alternadamente as chaves S1/S4 e S2/S3, obtemos uma forma da tensão alternada a partir de tensão contínua. Para chegar a essa forma de onda, podem ser usados os princípios mostrados na figura 2.65: primeiro, a onda de tensão alternada da rede elétrica é retificada pela ponte de diodos e, a seguir, é filtrada pelo circuito L e C, tornando-a contínua. Depois, uma ponte de transistores é chaveada fornecendo à carga uma tensão alternada com a frequência usada no próprio chaveamento dos transistores.

L

C

Carga

Tensão

AC

Ponte retificadora

Filtro

(VDC)

Inversor

(Transistor bipolar)

Figura 2.66

inversor trifásico usando igbt.

Na figura 2.66, é mostrada a mesma técnica aplicada a um circuito trifásico, sendo utilizada, nesse caso, uma ponte de IGBTs (insulated gate bipolar transistors).

Na figura 2.67, pode ser vista uma ponte de IGBTs.

O controle dos IGBTs, feito por microprocessador, não está evidenciado na figura. Os diodos ligados reversamente, em “paralelo” aos IGBTs, atenuam a descarga de energia magnética armazenada pela carga indutiva (motor) no momento em que cada IGBT é desligado, protegendo-os. O uso de IGBTs leva a benefícios como menor ruído e menor aquecimento do motor. Também propicia melhor controle do chaveamento, redução no tamanho do inversor, entrada de alta impedância e redução do consumo de energia do inversor.

Rede trifásica

D1

D4

D2

D5

I

DC

D3

L

IGBT1

D6

C

+

V

DC

-

IGBT4

IGBT2

IGBT5

IGBT3

IGBT6

a c

Motor

3

φ

Retificador com diodos

Filtro Inversor controlado com IGBTs

128

Figura 2.67

ponte de igbts e diodos e símbolo de esquema elétrico do igbt e diodo.

CAPÍTULO 2

Os IGBTs reúnem as características de comutação dos transistores bipolares de potência e a elevada impedância de entrada dos transistores de efeito de campo metal-óxido-semicondutor

(

MOSFET, das iniciais de metal oxide semiconductor

field effect transistor). São utilizados para a comutação de carga de alta corrente em regime de alta velocidade (1 200 V/400 A, com frequências de comutação superiores a 15 kHz).

Na etapa de potência, os IGBTs são chaveados com o uso de modulação PWM

(pulse width modulation, ou modulação por largura de pulso) e reproduzem o equivalente à onda senoidal da rede elétrica com uma frequência diferente. Na figura 2.68, são mostradas as formas de onda da tensão senoidal (obtida por

PWM) e da corrente (aproximada) no motor.

Figura 2.68

Formas de onda da tensão e da corrente no motor com o uso de inversor.

129

MECâNICA 3

Figura 2.69

Diagrama de blocos simplificado de um inversor.

Na figura 2.69, é mostrado o diagrama de blocos do inversor de frequência.

Rede

R

S

T

Interface serial

0-10 Vcc

Analógico

I/O

Digital

RS485

A

D

DIN

AC

DC

IGBTs

DC

AC

W U

3

M

-

V

130

Figura 2.70

tensão versus frequência em um inversor escalar.

Tipos básicos de inversores de frequência

Há dois tipos básicos de inversores de frequência: escalar e de controle vetorial.

Inversor escalar

A tensão varia proporcionalmente com a frequência (U /F = constante) até a frequência nominal, por exemplo, 60 Hz. Acima de 60 Hz, como mostrado na figura 2.70, a tensão permanece constante, o que enfraquece a corrente, o fluxo e o torque do motor.

I 380 V

I

254 V

I 127 V

20 Hz 40 Hz 60 Hz 80 Hz

Frequência

A potência de saída desse tipo de conversor segue o mesmo gráfico de tensão ver-

sus frequência. A saída também apresenta distorções harmônicas, pois a tensão de saída não é perfeitamente senoidal, o que acrescenta harmônicas de ordem superior e aumenta as perdas no motor. Os inversores escalares são mais baratos e usados em aplicações que não requerem grandes acelerações, frenagens e controle de torque.

Inversor de controle vetorial

O inversor de controle vetorial é usado em aplicações que precisam de resposta rápida, alta precisão de regulação de velocidade e controle preciso do torque. Possui malha de controle que permite a monitoração da velocidade e do torque de modo independente. No inversor vetorial existe a facilidade de controle de um motor de corrente contínua aliada às vantagens de um motor de corrente alternada.

Figura 2.71

inversores de frequência.

CAPÍTULO 2

Os inversores de controle vetorial são fabricados em duas versões: a) Inversores de frequência sem sensor (sensorless), nos quais a realimentação da velocidade é feita sem a utilização de um gerador de pulsos, conhecido como en-

coder. Esses inversores são mais simples, não apresentam regulação de conjugado e possuem desempenho inferior à operação com realimentação.

b) Inversores de frequência com realimentação controlada pelo campo magnético (encoders), nos quais é possível o controle da velocidade e do conjugado do motor tomando como referência a corrente do próprio motor.

131

MECâNICA 3

132

A tabela 2.13 mostra dados comparativos dos dois tipos de inversores vetoriais.

Tabela 2.13

comparativo de inversores vetoriais

Inversor com encoder

Regulação de velocidade de 0,01%

Regulção de torque de 5%

Faixa de variação de velocidade de

1:1 000

Torque de partida: 400% no máximo

Torque máximo: 400%

Inversor sensorless

Regulação de velocidade de 0,1%

Regulação de torque: não tem

Faixa de variação de velocidade de

1:1 000

Torque de partida: 250% no máximo

Torque máximo: 250%

As principais vantagens e desvantagens no uso dos inversores são descritas a seguir.

Principais vantagens:

• usam motores de indução comuns: mais baratos e de simples manutenção;

• possuem alta precisão de velocidade e geram movimentos suaves;

• podemos controlar o torque e a variação (larga) da velocidade do motor;

• possuem fator de potência

≅ 1;

• possuem freio regenerativo;

• é mais barato o uso do inversor de maior potência aliado a um motor em lugar de um motor maior.

Principais desvantagens:

• causam distorção harmônica;

• causam ruídos na rede;

• a produção de harmônicas em grande quantidade pode aumentar as perdas e diminuir o rendimento.

Técnicas para a melhoria do uso de inversores

Com a finalidade de reduzir os efeitos negativos do uso dos inversores, é preciso conhecer suas características técnicas e instalar corretamente esse dispositivo.

Como foi citado, os inversores utilizam IGBTs para chavear uma tensão contínua e torná-la alternada. Esse chaveamento junto à carga indutiva, que é o motor, produz picos de tensão (figura 2.72).

A seguir são listadas algumas recomendações para a correta utilização dos inversores de frequência:

• a fim de reduzir o efeito do ruído, fazer um bom aterramento, eliminando loops de terra e melhorando a disposição dos equipamentos no painel do inversor;

• escolher um inversor que venha equipado com toroides ou adicioná-los na saída do inversor e no cabo coaxial. Isso atenua os picos de tensão;

• colocar os cabos do inversor longe de equipamentos sensíveis a esses ruídos;

• utilizar frequência de chaveamento mais baixa. Isso reduz a corrente de fuga dos inversores;

• usar quatro condutores em cabos “shieldados” (blindados) colocados em eletrodutos metálicos. Os cabos de ligação ao inversor devem ter o menor comprimento possível, e o motor também deve ser mantido o mais próximo possível do inversor;

• empregar reator de linha de saída ajuda a reduzir a corrente de fuga dos inversores.

Quanto à melhoria da rede de entrada:

• se, em razão do uso do inversor (ou outros), a rede tiver chaveamentos frequentes de capacitores para correção de fator de potência, altos picos e estreitamentos de tensão ou afundamentos frequentes de tensão (acima de 200 V), é recomendável o uso de um reator de entrada para melhorar o fator de potência total e aumentar a vida útil do equipamento;

• por causa do chaveamento de frequência alta do inversor, se a impedância do cabo (inversor/motor) não estiver casada, ocorrerá a reflexão de onda, que pode gerar picos de duas a três vezes a tensão do barramento de tensão contínua (675 Vcc . 2 = 1 350 V). Geralmente, motores menores têm pouca isolação. Um reator de saída (ou mesmo um terminador) pode atenuar essa forma de onda destrutiva. O reator, no entanto, pode causar redução de torque, o que desaconselha seu uso sem necessidade.

Figura 2.72

ruído produzido na rede elétrica pelo chaveamento dos igbts.

CAPÍTULO 2

133

MECâNICA 3

134

Figura 2.73

itens recomendados para a instalação de um inversor de frequência.

O inversor, assim como todo dispositivo de chaveamento (retificadores, reatores de lâmpadas fluorescentes, fontes chaveadas etc.), causa o aparecimento de harmônicas na tensão e na corrente elétrica e elas (tensão e corrente) deixam de ser proporcionais. Essas harmônicas são correntes parasitárias que se somam à corrente fundamental do sistema de potência.

Alguns dos efeitos que as harmônicas causam são: sobreaquecimento de componentes (motores, transformadores etc.), falhas em sistemas telefônicos, falhas em relés de proteção e medidas incorretas. Esse excesso de corrente aumenta o consumo de energia, mas não produz potência útil. Assim, os transformadores e os condutores têm de ser superdimensionados para suportá-lo.

A fim de reduzir os efeitos das harmônicas, podem ser usados filtros passivos, filtros ativos, PWM na entrada do inversor, inversores com retificadores de 12 ou 18 pulsos, e pode-se aumentar o número de cargas lineares (não chaveadas) em relação às cargas não lineares (dispositivos chaveados). A Norma IEEE 519 recomenda que a distorção harmônica de tensão não ultrapasse 5%.

Para minorar esse problema, alguns modelos de inversores possuem como itens já inclusos: filtro RFI, reator no barramento de corrente contínua, capacitores em modo comum, toroide de modo comum. Na figura 2.73, essas recomenda-

ções estão indicadas.

PE

Cabos 4 Fios

Haste

Terra

Filtro Rei

L1

L2

TOROIDE

Rockwell

Drive

A

B

C

PE/GND

Reator

Saída

L3

PE

+DC

-DC

RIO/DH+

+/- Capacitores modo comum

Núcleo modo comum p/ computador no terra TE

Cabo

“Shieldado”

Terra

Malha

Carcaça

Motor

Motor

Enrolamento

PE

A potência consumida pela carga e o tipo de torque (conjugado) são outros fatores importantes para a escolha dos inversores. A título de recordação:

• conjugado nominal: exigido para manter a carga na velocidade nominal;

• conjugado de partida: usado para vencer a inércia da máquina parada. Para tirar a carga da inércia, é preciso que o conjugado do motor seja maior que o da carga;

CAPÍTULO 2

• conjugado de aceleração: empregado para acelerar a carga até a velocidade nominal. O conjugado do motor é superior ao da carga acelerando o motor até chegar à velocidade nominal, quando os dois conjugados se igualam.

Na figura 2.74, é mostrado o modo correto de escolher o motor de acordo com o conjugado resistente da carga.

C

máx

C

p

Errado

n s n

C

r

C

máx

C

p

Certo

n s n

C

r

Figura 2.74

Escolha correta do motor com conjugado resistente da carga.

Na figura:

C

C

C máx p n = rotação nominal; n s r

= conjugado máximo;

= conjugado de partida;

= conjugado resistente;

= rotação síncrona.

Escolha do motor a ser usado com o inversor de frequência

Para determinar o tipo de motor a ser utilizado com um inversor de frequência,

é preciso realizar um estudo da curva torque versus frequência (figura 2.75). Essa curva ajuda no cálculo da carcaça do motor, levando em consideração o torque necessário para a carga em função da faixa de frequência de trabalho do motor.

K

C/Cn

1,0

0,9

0,4

0,3

0,2

0,8

0,7

0,6

0,5

0,1

A B C

6 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100

F (Hz)

Figura 2.75

curva característica torque

(conjugado disponível)

versus frequência (rotação) para uso de motores autoventilados com inversor.

135

MECâNICA 3

136

É importante notar que K é o fator de redução de torque (derating factor), está entre 0,7 e 1,0 e depende do conteúdo de harmônicas do inversor (valores típicos são de 0,8 a 0,9).

Tabela 2.14

Eficiência energética e acionamento de motores.

Trecho

A

B

C

Limites

0 ≤ f/fn < 0,5

0,5 ≤ f/fn ≤ 1 f/fn > 1,0

Curva derating

Derating

K = (0,45/0,4) . [(f/fn)-0,5] + 0,9

Torque constante (K=0,9)

K = 0,9 / (f/fn)

A análise da tabela 2.14 resulta em melhor entendimento da figura 2.75:

• Trecho A: utilizado para determinar a carcaça do motor sem sistema de ventilação. Na região abaixo de 50% da rotação nominal, é necessário usar um motor de carcaça maior para garantir a refrigeração do motor.

• Trecho B: região ótima de utilização. Operando na faixa entre 50% e 100% da rotação nominal, o ventilador acoplado ao eixo do motor ainda é eficiente na refrigeração do motor.

• Trecho C: região de enfraquecimento do campo. Determina a perda efetiva de torque do motor.

Exemplo 1

Primeiro exemplo prático para a escolha do motor a ser usado com o inversor de frequência:

Uma esteira transportadora deve operar entre 180 e 900 rpm. Considerando o conjugado resistente na rotação nominal igual a 2 kgf · m, rede de 380 V, 60 Hz, escolher o motor para operação com inversor de frequência.

Solução:

1.

p n

2

⋅ f ⋅

900

= 8 polos

P

P(kW) = n

974

974

, kW em que: p = número de polos do motor; n

2

= rotação máxima;

C = conjugado do motor;

P = potência do motor; f = frequência da rede.

2.

Cálculo das frequências mínima e máxima do motor: f

1

120

 f

2

2

120

12

60

Hz

Hz

3.

Com os valores das frequências na curva torque versus frequência (figura

2.75), obtemos: f

1

⇒ K

1

= 0,56 f

2

⇒ K

2

= 0,9

4.

Cálculo do torque nominal do motor (maior torque a baixa velocidade):

) =

C c a

K

1

=

2

5.

No catálogo de motores trifásicos WEG encontra-se o motor trifásico IP55, com as seguintes características, e que pode ser utilizado para a movimentação da esteira transportadora:

• motor de carcaça 132 M, 380 V, 60 Hz e 8 polos (900 rpm);

• potência P = 5 cv (3,7 kW);

• conjugado Cn = 4,17 kgf · m [o qual deve ser maior que o Cn (motor) calculado de 3,6 kgf · m].

(Como resposta, pode ser usado um motor com características superiores a esse.)

Em resumo, ao se utilizar o motor de 5 cv e 8 polos (i nom

= 10 A em 380 V), carcaça 132 M, que desenvolve uma rotação de 900 rpm, conjugado nominal no eixo de 4,17 kgf · m (conjugado resistente = 3,6 kgf · m) e pode ser alimentado diretamente a uma rede de 60 Hz, será necessário aplicar um inversor de frequência operando de 0 a 60 Hz. Com isso, pode-se ter um controle de partida e operação estabelecendo o tempo de aceleração (ou rampa de aceleração), que consequentemente limita a corrente de partida do motor.

Entretanto, o motor de 8 polos tem um custo elevado quando comparado ao de

4 polos, que é standard de mercado.

Comparativamente, um motor de 5 cv e 8 polos com carcaça 132 M corresponde a um motor de 10 cv e 4 polos (i padrão de carcaça.

nom

= 15,2 A em 380 V) com o mesmo

Assim, para ter o mesmo desempenho de aplicação usando um motor de 4 polos, será necessário efetuar novo cálculo, considerando um motor de 10 cv e 4 polos

CAPÍTULO 2

137

MECâNICA 3

138

(60 Hz) operando em 30 Hz, de forma que venha a desenvolver, nessa frequência menor, uma potência máxima de 5 cv, equivalente ao motor de 8 polos.

Entretanto, ao utilizarmos um motor projetado para operar com 1 800 rpm operando em 900 rpm, podemos ter deficiência de refrigeração natural. Tal problema poderá ser resolvido adicionando uma refrigeração forçada, por meio de ventilador externo funcionando como exaustor, ou ainda reprojetando a carcaça do motor em forma de aletas para haver maior área de dissipação de calor.

O inversor, por sua vez, deverá ser dimensionado pela corrente nominal de aplicação e de partida, considerando que a corrente de sobrecarga do inversor normalmente é de 150% em relação a seu valor nominal.

Para isso, com a rampa de aceleração projetada, define-se qual a corrente calculada de partida. Supondo que a rampa de aceleração seja acentuada (menor tempo de aceleração ou constante de tempo pequena), a corrente de partida poderá aproximar-se 200% em relação ao valor nominal (bem inferior ao valor considerado no caso de partida direta, que se aproxima em 700% do valor nominal).

Portanto, é necessário efetuar um derating no inversor, ou seja, sobredimensionar o inversor aplicando um fator de 2/1,5 (ou 200% para 150%) sobre a corrente nominal do motor para obter o inversor.

Nesse exemplo, a corrente nominal de um motor de 10 cv e 4 polos em

380 V é 15,2 A e, portanto, a mínima corrente nominal do inversor deverá ser 15,2 · 2/1,5 = 20,3 A.

Pesquisando no catálogo de fabricantes de inversores, o modelo que opera em

400 V é o de 11 kW (15 cv), cuja corrente nominal é de 27 A.

Exemplo 2

Segundo exemplo para a escolha de um inversor de acordo com um motor em uma situação prática:

Escolher um inversor de frequência para uso em uma cancela de estacionamento. As vantagens dessa escolha são: a eliminação do freio hidráulico, o atendimento a altas velocidades, o uso em temperatura ambiente (o inversor do tipo a ser escolhido trabalha em temperaturas de –10 °C a +50 °C), o controle da oscilação do braço da cancela e a facilidade de instalação do dispositivo. Nesse caso, o braço deve levar 3 s no ciclo de subida e 1 s no ciclo de descida. O motor usado possui as seguintes características: é 220 V trifásico,

50 Hz, potência de 0,18 kW (

0,25 HP), corrente nominal de 1,4 A e fator de potência 0,64.

Solução:

Para o inversor, basta alimentação monofásica de 220 V. Sabe-se que suporta

150% de sobrecarga durante 60 s (suficiente para os poucos segundos do fun-

CAPÍTULO 2 cionamento intermitente do braço). Assim, a corrente máxima fornecida pelo inversor ao motor pode chegar a: i máx

. = 1,4 A · 1,50 = 2,2 A

Com base na tabela do inversor Altivar 11 da Telemecanique/Schneider Electric (tabela 2.15), foi escolhido o inversor ATV 11HU05M2A, que suporta a corrente de 2,2 A, tem potência de 0,18 kW e trabalha com alimentação monofásica de 220 V.

Tabela 2.15

tabela para escolha do inversor.

Motor

Potência indicada na placa

Inversores com dissipador (gama de frequência de 0 a 200 Hz)

Rede Altivar 11

Corrente de linha máxima

(1)

Corrente de saida permanente

(2)

Corrente transitória máxima

(3)

Potência dissipada com carga nominal

Referência

Peso kW HP A A

Tensão de alimentação monofásica: 200...240 V 50/60 Hz (4)

A

0,18

0,37

0,25

0,5

3,3

6

1,4

2,4

2,1

3,6

W

14

25

ATV 11HU05M2A

ATV 11HU09M2A

(1) O valor de corrente de linha é dado para as condições de medição indicadas na tabela abaixo.

Calibre do inversor

ATV 11 · UF1A

Icc presumida

1 kA

Tensão de linha

100 V

ATV 11 · UM2A 1 kA

ATV 11 · UM3A 5 kA

(2) O valor da corrente é dado por uma frequência de chaveamento de 4 kHz.

(3) Para 60 segundos.

(4) Saída trifásica para o motor.

200 V

200 V kg

0,900

1,000

Programação dos inversores de frequência

A programação dos inversores é feita por meio de um pequeno conjunto de teclado e display, usando códigos fornecidos pelo fabricante nos manuais. Cada fabricante tem o próprio conjunto de códigos. O conjunto teclado/display pode ser retirado da frente do inversor, para evitar alterações da programação por pessoas não autorizadas, e novamente recolocado quando for necessário alterar a programação. A programação também está ligada às conexões externas ao inversor. A seguir apresentamos alguns exemplos de programação para diferentes marcas/modelos de inversores.

139

MECâNICA 3

Figura 2.76

a) Esquema de ligações; b) aparência frontal do altivar 18 – telemecanique.

• Inversor Altivar 18 da Telemecanique

(inversor para motores assíncronos da Schneider Eletric): a) Esquema de ligações externas: é necessário conhecer a ligação do inversor antes de executar sua programação. Na figura 2.76, é mostrado o esquema de ligações para a regulagem de fábrica (a) e a aparência frontal do inversor (b). Em a (lado esquerdo da figura), é mostrado o esquema de ligações rede/inversor/ motor, e, em b (lado direito), o teclado/display do inversor. Outras informações são detalhadas a seguir.

No esquema de ligações rede/inversor/motor (a):

(1): ligação à rede monofásica ou trifásica;

(2): contatos do relé para sinalizar estado do inversor;

(3): entrada para relé ou CLP (24 V

DC

(4): ligação à fonte de 24 V

DC

);

interna (se externa, ligar o 0 V da fonte ao borne

COM e não usar o borne 24 V do inversor).

No teclado/display do inversor (b):

(1): led que indica tensão no bus DC;

(2): displays de sete segmentos;

(3) e (5): setas para trocar de parâmetro ou aumentar/diminuir um valor;

(4): <enter> (memoriza parâmetro ou valor do display);

(6): troca parâmetro por seu valor numérico.

Nessas ligações devem ser seguidas as recomendações de instalação dos itens anteriores e do manual do fabricante.

Alimentação Monofásica

(1)

(4)

Outras ligações

(fonte 24 V externa)

(4)

(1)

L3 SB

(2)

(2)

3

M

Potenciômetro de referência

Resistência de frenagem eventual

0-20 mA

4-20 mA ou

0 + 10 V

(a)

KA

(3)

Fonte 24 V

(3)

DATA ENT

(4)

(5) (6)

(b)

140 b) Exemplos de programação

1.

Para alterar o valor de fábrica da rampa de aceleração linear (ACC) de 3 s para

5,8 s, deve ser digitada a seguinte sequência no teclado: bFr

ACC DATA 3. 0

D

5. 8 ENT (1 piscada) 5. 8 DATA ACC

dEC

Resultado

: Ao se acionar a chave LI1, o motor dá partida no sentido direto e leva 5,8 s até alcançar a rotação máxima para a frequência de 50 Hz, desde que se tenha deixado o potenciômetro da entrada analógica no valor máximo.

2.

Para alterar o valor de fábrica da rampa de desaceleração linear (dEC) de 3 s para 4 s, deve ser digitada a seguinte sequência no teclado:

ACC

dEC DATA 3. 0

D

4. 0 ENT (1 piscada) 4. 0 DATA dEC

LSP

Resultado

: Ao se desligar a chave LI1, o motor leva 4 s para chegar à rotação mínima (parado) na frequência de 0 Hz. Ao se fechar a chave LI1, o motor parte no sentido direto, ao passo que, fechando a chave LI2, o motor parte em sentido reverso. Se as duas chaves são acionadas, é dada prioridade à chave acionada primeiro. É possível também usar o inversor como escravo de um

CLP (controlador lógico programável): ao se acionar, por exemplo, o contato de LI1 (ou de LI2) usando um relé de saída do CLP e, assim, controlar seu sentido de giro pelo CLP.

3.

Alguns parâmetros do inversor pertencem a um segundo nível. Por exemplo, a rotação máxima do motor está associada à frequência máxima de 50 Hz (regulagem de fábrica). Para alterar essa frequência máxima, é preciso primeiro entrar no segundo nível. Para tanto, é necessário digitar:

FLt

L2A DATA no

yes ENT (1 piscada) yes DATA L2A

Com isso, é possível entrar no segundo nível de parâmetros e alterar a frequência máxima:

LSP

HSP DATA 60. 0 ENT.

Se agora for acionada novamente a chave LI1, o motor chegará à rotação máxima correspondente à frequência de 60 Hz após 5,8 s. Importante notar que antes de usar a frequência máxima deve-se assegurar que o motor e a carga estejam preparados para isso. Com um motor especial, a frequência máxima desse inversor pode ser regulada até 320 Hz.

• Inversor VEGA LE-100 da Santerno

a) Esquema de ligações externas: na figura 2.77, é mostrado o esquema básico de ligações para o inversor da Santerno e seu conjunto teclado/display frontal, em que os LEDs Set, Run, Fwd e Rev indicam respectivamente seleção, funcionamento, giro à frente e giro reverso do motor.

CAPÍTULO 2

141

MECâNICA 3

Figura 2.77

Esquema básico de ligações do inversor VEga e aparência frontal.

A tecla FUNC é usada para escolher o parâmetro (função);

RUN para acionar o inversor;

STOP/RESET para parada/recuperação de defeito;

D

/

(UP/DOWN) para mudar de parâmetro ou aumentar/diminuir o valor do parâmetro.

• No esquema de ligações, os círculos cheios e vazios ( do circuito principal/de controle. O potenciômetro conectado às entradas analógicas (V

R

, V i

, C

M

.

/ 0) indicam conexões

e i) controla a velocidade de rotação do motor. Como no inversor anterior, basta entrar com tensão monofásica. O inversor produz a tensão trifásica para o motor.

Monofase

230V MCCB

oppure

Trifase

230/460 V

50/60 Hz

R

S

T

G

B1

Resistenza

DB

2

B2

U

V

W

motore

Marcia Avanti/Stop

Marcia Indietro/Stop

Disabilita inverter

Ripristino guasti

Jog

Ingr. multi-funzione 1

Ingr. multi-funzione 2

Ingr. multi-funzione 3

Morsetto comune

P1

P2

P3

FX

RX

BX

RST

JOG

CM

Impostazione di fabbrica:

Velocità-L’

Velocità-M’

Velocitá-H’

Potenziometro

(1 Kohm, 1/2W)

Ingresso segnale velocità

1

Schermo

VR

V1

I

CM

Alimentazione segnal e velocità:

+11V, 10mA

Ingresso segnale velocità: 0 ~ 10V

Ingresso segnale velocità:

4~20mA (250ohm)

Comune per

VR, V1, I

A

C

B

FM

CM

+

FM

Frequenzimetro uscita

MO

MG

Relè uscita guasto minore di AC250V, 1A minore di DC30V, 1A minore di AC24V, 50mA

Impostazione di fabbrica:

‘marcia’

S+

S-

Porta comunicazione

MODBUS-RTU

DISPLAY

(7 segmentos)

LED SET

LED RUN

Tecla FUNC

LED FWD

LED REV

SET

RUN

8.8.8.8.

FWD

REV

LE-100

Tecla

STOP/RESET

FUNC

Tecla RUN

RUN

STOP

RESET

Tecla

UP/DOWN

Figura 2.78

mudança de parâmetro de aceleração.

b) Exemplos de programação

1.

Para alterar o valor do tempo de aceleração (ACC) de 60 s para 40 s, digita-se no teclado e observa-se no display a sequência da figura 2.78.

SET

RUN

. ACC

FWD

FUNC

SET

REV RUN

60.00

FWD

REV

SET

RUN

40.00

FWD

FUNC

SET

REV RUN

40.00

142

2.

Para medir a corrente de saída do inversor (corrente fornecida ao motor), digita-se no teclado e o display mostra o seguinte:

(SET o) CUr FUNC (SET(•) 5. 0A FUNC (SET (

0

) CUr

3.

Para visualizar e controlar um defeito em andamento, usa-se a sequência da figura 2.79.

Figura 2.79

Visualização de defeito em andamento.

CAPÍTULO 2

SET

RUN

O C

FWD

REV

FUNC

SET

RUN

FUNC

O C

FWD

REV

SET

RUN

40.28

SET

RUN

20.5A

SET

RUN

ACC

FWD

Frequência

REV

FWD

REV

Corrente de

Intervenção

FWD

REV

Durante aceleração

Nesse caso, trata-se de um defeito de sobrecorrente (OC = over current). Após visualizar o tipo de defeito e os valores envolvidos (corrente de intervenção de

20,5 A ocorrida na frequência de 40,28 Hz durante uma aceleração), podemos ressetar (restabelecer) o funcionamento do inversor de três modos:

1) reset pela tecla STOP/RESET;

2) reset com curto-circuito entre os terminais RST e CM;

3) desligando e religando o inversor.

Se o defeito é no hardware (circuito) e não no software (programa), apenas o modo 3 restabelece o funcionamento do inversor.

Exemplos de aplicações dos inversores

Na figura 2.80, temos o esquema elétrico de controle de um elevador com duas portas. Nesse esquema, uma placa de computador controla dois inversores e cada inversor controla um motor trifásico que abre e fecha uma porta do elevador.

Percebe-se também a aplicação dos toroides (enrolamentos toroidais) nos inversores, como citado anteriormente.

143

MECâNICA 3

+CCU

ZAE

- B DIC

/2.1

230V~

D-C ON 1

RT-0

2

RT-8 RVRT-8

3 4 5 6 7 8 9 10 _PONT 1 2 3

_2D00R 1

_2RT-0 _2RT-8 _2RVRT-8

2 3 4 5 6 7 8 9 10

+T

_VVVF-4

5 4 3 2 1 3 2 1

23 25

12 11 10 9 8 7 6 5 4 3 2 1

31 32 36 37 39 40

ON

OFF

1 2 3 4

TL: 3-ON

TRACT: 3-OFF

_IGT

ON-OFF

_MT

1 2 3 4 5

FM 4A

U V W PE

M

3~

+T2

1 2 3 4 5 5 4 3 2 1

10 11

3 2 1 12 11 10 9 8 7 6 5 4 3 2 1

31 32 33 34 35 36 37 38 39

_2VVVF-4

ON-OFF

FM 4A

ON

OFF

1 2 3 4

TL: 2-ON

TR/CT: 3-OFF

_2MT

U V W PE

M

3~

.2IGT

144

Figura 2.80

controle duplo de portas de elevador por inversor.

Na figura 2.81, vemos o esquema elétrico do controle de velocidade do elevador, também controlado por uma placa de computador ligada a um inversor que aciona um motor trifásico. No esquema, nota-se que:

• além do motor trifásico que movimenta o elevador, o inversor controla mais três motores de corrente contínua;

• são usados cabos blindados nos cabos de controle;

• uso de reator no barramento de entrada (para melhorar o fator de potência e diminuir picos e afundamentos de tensão);

• proteção por relé térmico externo;

• outros itens que podem ser discutidos.

Na figura 2.82, temos o esquema de ligação de um inversor Toshiba, modelo

VF-P7, usado no controle de volume de ar (e temperatura) em estufas, ventiladores etc. No esquema, o ajuste de temperatura é feito de modo manual ou automaticamente. Podemos observar também a ligação de frequencímetro e amperímetro para verificar a velocidade de rotação e carga no ventilador.

Uma das importantes funções dessa montagem é a economia de energia na operação.

CAPÍTULO 2

+VF

_X1 1 2 3

.FEN

_MAINB L1 L2 L3 PE

_LN

_LN 1 2 3

L1 L2 L3 PE _CN11 1 3 5 7

** 51/52 for FCLx-x-12c

41/42 for FCLx-x-19c

_BCMC130

/2.1

_CN11 1 3 5 7

1

+

_MVEBR1

M

24V

+

_MVEBR

M

24V

2

_CN14 1 2 3 4

NG24 1 2 3

I/O-1 1 2 I/O-2 1 2

41/51**

42/52**

_KTBHBR

I/O-3 1 2 3

23

31

41

5

13

1

3

3F/BB 1 2 3 4

_SF

A1

A2

6

14

2

4

24

32

42

.1

.2

.1

.1

/2.3

.4

5 6 7

+24V_VF/2.8

8K/2.8

GND_VF/2.8

_VF

1

U Y W

3 5

_SF

-6 2 4 6

B1

13

14

YASKAWA

– +1 +2 B2

44

_TD/V

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 _THMH 1 2 3 4

IOVF

+A

_MH

U Y W PE

M

3~

_TDIV

_THMH

+

24V

M

_MVE

Temperature setting

(manual)

Temperature setting

(auto)

Operation command

Free-run command

Frequency meter, ammeter

VI

F

CC

ST

PP

RR

CC

FM(AM)

CC

VF-P7

U V W

I I

C C

+

Fan

Temperature sensor

Fan

Figura 2.81

Esquema parcial de controle de velocidade de um elevador por inversor de frequência.

Thermal relay Thermal relay

Na figura 2.83, é mostrado um inversor usado para controle de temperatura da

água fria em uma torre de resfriamento. O controle é feito por PID (controlador proporcional-integral-derivativo) pela programação do inversor, que mantém a temperatura da água constante. À noite, o inversor reduz a velocidade de rotação da hélice para diminuir o ruído.

Figura 2.82

controle de temperatura e volume de ar por inversor.

145

MECâNICA 3

Fan motor

Temperature setting

Operation command

Warm water

Thermal relay

Commercial power backup circuit

U

V

W

PP

RR

CC

F

CC

Three-phase power supply

VF-P7

R

S

T

S4

CC

CC II

+

PID control on/off

Cooling towe

Cooling water

Temperature sensor

Figura 2.83

controle de temperatura de água em uma torre de resfriamento.

Na figura 2.84, observamos o uso de um inversor para o controle de nível de

água e pressão também por meio de PID. O inversor sinaliza para o motor da bomba em caso de sobrecarga. Além disso, controla o limite mais baixo de rotação para evitar o fluxo do líquido na direção reversa. Também assegura o funcionamento estável, se ocorrer flutuação na tensão na fonte de alimentação, e permite economia de energia. Todas as funções citadas fazem parte da programação desse modelo de inversor.

Figura 2.84

controle de nível de água e pressão por inversor.

Discharge pressure setting

Frequency meter, ammeter

R1

PP

RR

CC

FM (AM)

CC

P24

OUT1

VF-P7

U V W

II

CC

+

Pressure sensor

P

Pump

146

CAPÍTULO 2

Para finalizar o assunto sobre variação de velocidade de motores, a tabela 2.16 faz uma análise comparativa mostrando as vantagens e desvantagens dos diversos tipos de acionamentos (inclusive vários não discutidos neste texto).

Tipo

Variadores mecânicos l

Baixo custo de aquisição

Tabela 2.16

comparativo entre os sistemas de variação de velocidade.

Variadores hidráulicos l

Alto torque em baixas rotações

Variadores eletromagnéticos

Motores de anéis

Variadores de tensão

Conversores CA/CC

Conversores de frequência

Vantagens l l l

Baixo custo de aquisição

Operação automática

Permite sincronismo l l

Alto torque de partida

Controle simples l l

Utilização de motores de indução padrão

Sistema eletrônico simples l l l l l

Alta precisão de velocidade:

0,01% digital; 0,1% analógico

Sincronismo com alta precisão

Torque controlável

Ampla faixa de variação de velocidade

Frenagem regenerativa l l l l

Utilização de motor de indução padrão

Peso e dimensões reduzidos

Ampla faixa de variação de l velocidade

Operação em áreas de risco

Disponibiidade de by-pass cos j

(fator de deslocamento) próximo de 1

Desvantagens l l l l

Apenas controle manual e local

Peças sujeitas a desgastes e quebras

Fator de potência menor que 1

Utilização em baixas potências l l l

Baixo rendimento

Pequena faixa de variação

Manutenção l l l l l l

Baixo rendimento

Dimensões e peso elevados

Fator de potência menor que 1

Lubrificação frequente

Difícil manutenção

Velocidade máxima = velocidade motor l l l l l

Baixo rendimento

Perdas proporcionais ao escorregamento

Fator de potência menor que 0,8

Existência de anéis e escovas

Pequena faixa de variação l l l l

Baixo rendimento

Maior escorregamento

Fator de potência variável e menor que 0,8

Pequena faixa de variação l l l l l l

Limitação de velocidade devido a comutação

(4 000 rpm)

Preço do motor

Manutenção

Dimensões e peso do motor

Impossibilidade de operação em áreas de risco

Fator de potência variável com a rotação l l

Preço elevado para aplicações que requerem sincronismo de alta precisão

Frenagem regenerativa somente com alto custo

147

Capítulo 3 lógica digital para aplicação em eletropneumática

MECâNICA 3

O

termo “digital” tornou-se parte do vocabulário geral em razão do fato de circuitos e técnicas digitais serem amplamente utilizados em quase todas as áreas: computadores, automação, robôs, tecnologia e ciência médicas, transportes, entretenimento, exploração espacial, e assim por diante.

Quando se manipulam quantidades diversas, é importante saber representar seus valores de modo eficiente e preciso. Existem basicamente duas formas de representação: a analógica e a digital. Na representação analógica, uma quantidade é representada por uma tensão, uma corrente ou uma velocidade de movimento que seja proporcional ao valor da quantidade em questão. Essas quantidades têm a característica de poder variar ao longo de uma faixa contínua de valores. Já na representação digital, as quantidades não são representadas por quantidades proporcionais, mas sim por símbolos denominados dígitos. Assim, a maior diferença entre quantidades analógicas e digitais pode ser determinada da seguinte forma: analógica

contínua digital ≡ discreta (passo a passo)

Por causa dessa natureza discreta das representações digitais, não há ambiguidade quando se faz a leitura de uma quantidade digital, ao passo que o valor de uma quantidade analógica apresenta, muitas vezes, interpretação livre.

Sistema digital é uma combinação de dispositivos projetados para manipular informação lógica ou quantidades físicas representadas no formato digital, ou seja, as quantidades podem assumir apenas valores discretos. Esses dispositivos são, na maioria das vezes, eletrônicos, mas podem, também, ser mecânicos, magnéticos ou pneumáticos.

Nos sistemas digitais, a informação é normalmente apresentada na forma binária, nas representações 0 ou 1. As quantidades binárias podem ser reproduzidas por qualquer dispositivo que tenha apenas dois estados de operação ou duas condi-

ções possíveis, sendo o 1 usado para o dispositivo em funcionamento e o 0 para o dispositivo desligado. Exemplo: lâmpada (acesa ou apagada), diodo (em condu-

ção ou em corte), relé (energizado ou não), transistor (em corte ou em saturação), fotocélula (iluminada ou no escuro), termostato (aberto ou fechado), engate mecânico (engatado ou desengatado), chave de circuito (aberta ou fechada).

Em sistemas eletrônicos digitais, a informação binária é representada por tensões presentes nas entradas e saídas de diversos circuitos. Tipicamente, os números binários 0 e 1 são traduzidos por dois níveis de tensões nominais:

• nível lógico zero (0): que em termos analógicos significa potencial de terra

(0 volt);

• nível lógico um (1): que em termos analógicos significa potencial de alimentação (+5 V) V

CC

.

3.1 Constantes e variáveis booleanas

Essas características dos circuitos lógicos permitem o uso da

álgebra booleana

como ferramenta de análise e projeto de sistemas digitais, que permite descrever as relações entre as saídas dos circuitos lógicos e suas entradas como uma equa-

ção algébrica.

A principal diferença entre a álgebra booleana e a álgebra convencional é o fato de que, na álgebra booleana, as constantes e variáveis podem ter apenas dois valores possíveis, 0 ou 1. As variáveis booleanas são muitas vezes usadas para representar o nível de tensão presente em uma conexão ou em terminais de entrada/saída de um circuito. Por exemplo, em determinado sistema digital, o valor booleano 0 pode representar qualquer tensão dentro da faixa de 0 a 0,8 V, enquanto o valor booleano 1 pode representar qualquer tensão dentro da faixa de 2 a 5 V. Voltagens entre 0,8 e 2 V são indefinidas (nem 0 nem 1) e não devem ocorrer em circunstâncias normais. Desse modo, as variáveis booleanas 0 e 1 não representam efetivamente números, mas sim o estado do nível de tensão de uma variável, denominado nível lógico.

Como os valores possíveis de uma variável são apenas dois, a álgebra booleana

é mais fácil de ser manipulada se comparada com a álgebra convencional. A

álgebra booleana tem, de fato, três operações básicas: OR (OU), AND (E) e

NOT (NÃO). Essas operações básicas são denominadas operações lógicas, e os circuitos digitais, chamados portas lógicas, podem ser construídos com diodos, transistores e resistores interconectados, de modo que a saída do circuito seja o resultado de uma operação lógica (OR, AND ou NOT) realizada sobre as entradas.

3.2 Tabela verdade

Tabela verdade é uma técnica empregada para determinar como a saída de um circuito lógico depende dos níveis lógicos presentes nas entradas do circuito. A figura 3.1, item a, ilustra uma tabela verdade para um tipo de circuito lógico de duas entradas. Essa tabela relaciona todas as combinações possíveis para os níveis lógicos presentes nas entradas A e B, com o correspondente nível lógico na saída x. A primeira linha da tabela mostra que, quando A e B são nível 0, a saída x é nível 1, o que equivale a dizer estado 1. A segunda linha mostra que, quando a entrada B passa para o estado 1, de modo que A = 0 e B = 1, a saída x torna-se 0. Da mesma forma, a tabela mostra o que acontece com o estado lógico da saída para qualquer conjunto de condições de entrada. Os itens b e

Proposta por George

Boole (1815-1864), manipula dois valores: 0 e 1. É uma ferramenta essencial para construção de sistemas lógicos e serve como base para a operação de circuitos computacionais.

CAPÍTULO 3

151 150

MECâNICA 3

Figura 3.1

Exemplos de tabela verdade para circuitos de: a) duas entradas; b) três entradas; c) quatro entradas.

c da figura 3.1 mostram exemplos de tabela verdade para circuitos lógicos de três e quatro entradas.

Convém observar que há quatro linhas para uma tabela verdade de duas entradas, oito linhas para uma de três entradas e 16 linhas para uma de quatro entradas. O número de combinações de entrada é 2 N para uma tabela verdade de N entradas.

A

B

Entradas

Saída

A

0

0

1

1

B

0

1

0

1

X

1

0

1

0

?

(a)

x

0

0

1

A

0

0

1

1

1

(b)

0

1

0

C

0

1

1

0

1

1

1

0

B

0

0

0

1

1

1

0

0

X

0

1

0

0

1

0

0

0

0

1

1

1

0

0

1

B

0

0

1

1

1

1

1

1

1

1

0

0

0

0

0

0

A

0

0

1

1

1

1

1

1

0

0

0

1

1

1

1

0

C

0

0

0

0

1

1

(c)

0

1

0

1

1

0

1

0

1

0

D

0

1

0

1

0

1

0

1

0

0

0

0

1

0

1

1

X

0

0

0

0

0

1

Figura 3.2

circuito para exemplificar a porta E (ou anD).

3.3 Porta E (ou AND)

Considerando o circuito da figura 3.2, para que a lâmpada acenda, é necessário que a chave A e a chave B estejam fechadas. Para qualquer outra condição, a lâmpada permanece apagada.

V1

3

A

1

B

2

4

S

152

Na figura 3.3 estão representadas a tabela verdade, a função e os símbolos

A B S

0 0 0

0 1 0

1 0 0

1 1 1

S = A · B

Símbolo segundo Norma ISO

Símbolo segundo ABNT

AND

A

&

B

S

CAPÍTULO 3

3.4 Porta OU (ou OR)

No circuito esquematizado na figura 3.4, para que a lâmpada acenda, é necessário que a chave A ou a chave B esteja fechada.

Figura 3.3

tabela verdade, função e símbolos para a porta E.

Figura 3.4

circuito para exemplificar a porta ou (ou or).

V1

2

A

B

3

1

S

153

MECâNICA 3

A lâmpada S acende se pelo menos uma das chaves está fechada; logo, na figura

3.5, a tabela verdade será:

A

1

1

0

0

S

1

1

0

1

B

0

1

0

1

S = A + B

A

B

OR

S

154

Figura 3.5

tabela verdade, função e símbolos para a porta ou (ou or).

3.5 Inversor ou operação NÃO (ou NOT)

A operação NOT, também denominada INVERSOR, é diferente das operações

OR e AND pelo fato de ser possível realizá-la sobre uma única variável de entrada.

Figura 3.6

circuito para exemplificar o inversor.

1

3

A

V1

S

2

Para o circuito mostrado na figura 3.6, temos o seguinte funcionamento: quando a chave A está aberta, a lâmpada permanece acesa e, quando a chave A é fechada, a lâmpada apaga. Desse modo, a tabela verdade será a representada na figura 3.7.

Figura 3.7

tabela verdade, função e símbolos do inversor.

A S

0 1

1 0

A

B

INVERSOR

1

S

S = A

CAPÍTULO 3

3.6 Porta NAND (NÃO E ou NE)

A operação da porta NAND é semelhante à da porta AND seguida de um INVER-

SOR (figura 3.8). A tabela verdade (figura 3.9) mostra que a saída da porta NAND

é exatamente o inverso da porta AND para todas as condições possíveis de entrada.

Figura 3.8

circuito para exemplificar a porta nanD.

A

V1

S

B

155

MECâNICA 3

Figura 3.9

tabela verdade, função, símbolo e alternativa para a porta nanD.

A B S

0 0 1

0 1 1

1 0 1

1 1 0

S = (A · B)

A

B

NAND

&

S

.

156

Figura 3.10

circuito para exemplificar a porta nor.

3.7 Porta NOR (NÃO-OU ou NOU)

A operação da porta NOR é semelhante à da porta OR seguida de um INVER-

SOR (figura 3.10). A tabela verdade (figura 3.11) mostra que a saída da porta

NOR é exatamente o inverso da saída da porta OR, para todas as condições possíveis de entrada.

2

V1

3

A

1

B

S

.

Figura 3.11

tabela verdade, função, símbolo e alternativa para a porta nor.

CAPÍTULO 3

A B S

0 0 1

0 1 0

1 0 0

1 1 0

S = (A + B)

A

B

NOR

S

3.8 Implementando circuitos e tabela-resumo

Com o conhecimento desses blocos, ou portas lógicas, é possível implementar circuitos lógicos e obter a expressão booleana da saída, como no exemplo da figura 3.12.

S = A · B + A · C (expressão booleana da saída)

Figura 3.12

Exemplo de circuito lógico.

A

3

B

5

C

4

2

1

S

157

MECâNICA 3

Figura 3.13

tabela verdade e expressão booleana correspondente.

É possível determinar a expressão booleana com base na tabela verdade. Para tanto, os seguintes passos devem ser seguidos:

• marcar as saídas que estão com nível lógico igual a 1;

• escrever a combinação das variáveis de entrada para essa saída; ou

• escrever a outra combinação que possui nível lógico igual a 1.

Lembrar que essas situações são somas, pois pode haver várias condições com nível lógico igual a 1, como mostra o exemplo da figura 3.13.

A B C S

0 0 0 0

0

0

0

1

1

0

0

1

0 1 1 0

1 0 0 1

1

1

0

1

1

0

1

0

1 1 1 0

A · B · C

A · B · C

A · B · C

S = A · B C + A · B · C + A · B · C

A tabela 3.1 traz um resumo prático com os símbolos empregados, a tabela verdade, a expressão booleana e o comando elétrico correspondente.

158

PORTA SÍMBOLO

ISO

E

OU

NÃO

NE

NOU

B

SÍMBOLO

DIN

&

>– 1

1

TABELA

VERDADE

EXPRESSÃO

BOOLEANA

A B S

0 0 0

0 1

1 0

0

0

1 1 1

S = A · B

COMANDO

ELÉTRICO

+24 V 1

A

B

K1

0 V

A B S

0 0 0

0 1 1

1 0 1

1 1 1

A S

0 1

S = A + B

S = A

+24 V

A

2

0 V

+24 V

A

1

K1

B

K1

0 V

A

B

A

B

NAND

&

NOR

>– 1

S

A B S

0 0 1

0

1

1

0

1

1

1 1 0

S = A · B

+24 V

A

B

K1

K1

S

0 V

+24 V

S

A B S

0 0 1

0 1 0

1 0 0

1 1 0

S = A + B

A B

K1

K1

S

0 V

Tabela 3.1

resumo de símbolos, tabela verdade, expressão booleana e comando elétrico correspondente

CAPÍTULO 3

159

MECâNICA 3

Figura 3.14

mapa de karnaugh de duas e de quatro variáveis.

3.9 Minimização de expressões booleanas pelo uso dos mapas de Karnaugh

O mapa Veitch-Karnaugh, ou mapa de Karnaugh, como é mais conhecido,

é um método gráfico usado para simplificar uma equação lógica ou converter uma tabela verdade em seu circuito lógico correspondente, de forma simples e metódica. Embora o mapa de Karnaugh possa ser usado em problemas que envolvam qualquer número de variáveis de entrada, sua utilidade prática está limitada a cinco ou seis variáveis. A figura 3.14 mostra a representação do mapa de Karnaugh para duas e quatro variáveis.

Cada quadrado recebe o nome de célula, e a quantidade de células é definida pelo número de combinações das variáveis do sistema, ou seja, se são quatro variáveis, então 2 4

= 16 células.

Uma vez que se tenham as combinações de uma ou mais saídas de uma tabela verdade, podem-se dispor tais valores nos mapas de Karnaugh de modo a obter a expressão simplificada. Como exemplo, na figura 3.15, é utilizada uma expressão com quatro variáveis.

a b

0

0

1

Valores que a variável

a

pode assumir

1

Valores que a variável

b

pode assumir

CD

AB

00

01

11

10

00 01 11 10

CÉLULA

160

CAPÍTULO 3

AB

CD

00

01

11

10

0

0

A

0

0

0

0

1

1

0

0

00 01

A B C D m

0

A B C D m

1

A B C D m

3

A B C D m

2

A B C D m

4

A B C D m

5

A B C D m

7

A B C D m

6

11 10

A B C D m

12

A B C D m

13

A B C D m

15

A B C D m

14

A B C D m

8

A B C D m

9

A B C D m

11

A B C D m

10

0

0

B

0

0

1

1

0

0

1

1

0

1

C

0

1

0

0

0

0

1

1

1

0

D

0

1

0

1

0

1

0

1

3.9.1 Regras para a simplificação de mapas K (de Karnaugh)

Normalmente são utilizadas as expressões geradas pelo método da soma de produtos para a simplificação dos mapas K. Tais expressões são representadas conforme exemplo a seguir:

S = A · B · C + A · B · C + A · C

A expressão acima forma uma soma de produtos, que é diferente do exemplo a seguir que representa o produto de somas:

S = (A + B + C) · (A · B)

Figura 3.15

Exemplo com quatro variáveis

161

MECâNICA 3

Figura 3.16

mapa k de duas variáveis.

Para obter o equivalente da soma de produtos, basta utilizar a lógica E para as linhas iguais a 1 e unir todas por meio da lógica OU na(s) saída(s) da tabela verdade em análise, conforme exemplo:

0

1

1

A

0

1

0

1

B

0

Saída

1

0

1

0

A·B

A·B

A·B + A·B

Em qualquer mapa K, as células adjacentes sempre apresentam uma única va-

riação de estado

em uma única variável do termo, ou seja, saindo de A para o complemento de A e vice-versa. Isso ocorre com todas as variáveis envolvidas, obtendo-se a combinação total.

Para facilitar a metodologia de simplificação do mapa K, seguem algumas etapas:

• representa-se a função no mapa inserindo o número 1 nas células que representem algum termo da expressão booleana obtida da saída desejada;

• as células iguais a 1, desde que adjacentes, devem ser agrupadas seguindo a potência de base 2: 1, 2, 4, 8, ... ;

• os grupos de células devem ter a forma quadrada ou retangular;

• uma célula pode fazer parte de mais de um grupo, porém um grupo não deve ter todas as suas células utilizadas em outros grupos, pois nesse caso haveria redundância e descaracterizaria a capacidade de simplificação do mapa K;

• sempre devem ser procurados, inicialmente, grupos com 2 teriormente 2 N–2 até 2 0

N–1 células e pos-

, sendo N o número de variáveis na tabela verdade.

A seguir, nas figuras 3.16, 3.17 e 3.18, são apresentados exemplos de mapa K de duas, três e quatro variáveis.

B

A

0

0

1

1

A B

B

A

162

C

AB

B

00 01

B

11

B

10

00

A B C A B C A B C A B C

C

Figura 3.17

mapa k de três variáveis.

CAPÍTULO 3

11

A B C A B C A B C A B C

C

A A

CD

AB

B

00 01

B

11

B

10

D

00

A B C D A B C D A B C D A B C D

C

01

A B C D A B C D A B C D A B C D

D

11

A B C D A B C D A B C D A B C D

C

10

A B C D A B C D A B C D A B C D

Figura 3.18

mapa k de quatro variáveis.

A A

163

MECâNICA 3

164

Figura 3.19

tabela verdade.

Problema resolvido

Montar um dispositivo lógico de quatro chaves que só deve ser acionado quando a maioria das chaves for acionada.

Solução:

O primeiro passo é a montagem da tabela verdade (figura 3.19).

1

0

1

0

1

0

1

0

1

1

0

1

0

1

0

D

0

0

0

0

0

0

0

0

CHAVES

A B C

0

0

0

0

0

1

0

1

1

1

0

1

1

0

1

1

1

1

1

1

1

0

1

1

1

0

0

1

1

1

0

0

1

1

0

1

0

0

0

1

1

1

0

0

0

0

1

1

0

1

0

1

0

0

0

0

S

0

S = A·B·C·D

S = A·B·C·D

S = A·B·C·D

S = A·B·C·D

S = A·B·C·D

Figura 3.20

mapa de karnaugh.

Assim, chegamos à expressão não simplificada:

S = ABCD + ABCD + ABCD + ABCD + ABCD

Colocamos, então, os valores “1” da saída S no mapa de Karnaugh (figura 3.20) e marcamos os grupos de dois “1s”, nesse caso.

AB

CD

00

00

11

10

0

0

00

0

0

0

1

01

0

0

11

0

1

1

1

0

1

10

0

0

Com o mapa de Karnaugh, chegamos à seguinte expressão, já simplificada:

S = ABD + BCD + ACD + ABC

Note que essa expressão possui um termo a menos que a expressão não simplificada, e cada termo tem uma variável a menos que na expressão anterior.

Referências bibliográficas

MECâNICA 3

166

ALBUQUERQUE, Rômulo Oliveira. Análise de circuitos em corrente contínua.

São Paulo: Editora Érica.

COTRIM, Ademaro A. M. B. Instalações elétricas. 5ª ed. São Paulo: Pearson

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FONSECA, Celso Suckow da. Acionamentos elétricos. Apostila. Rio de Janeiro:

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FOWLER, Richard J. Eletricidade: Princípios e aplicações. Tradução: José Mariano Gonçalves Lana. Revisão técnica Antonio Pertence Jr. São Paulo: Makron,

McGraw-Hill, 1992.

FRANCHI, Cleiton Moro. Acionamentos elétricos. 1ª ed. São Paulo: Editora Érica, 2007.

GUSSOW, Milton. Eletricidade básica. Tradução: Aracy Mendes da Costa.

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KOSOW, Irving I. Máquinas elétricas e transformadores. 14ª ed. São Paulo:

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MAMEDE FILHO, João. Instalações elétricas Industriais. 7ª ed. Rio de Janeiro:

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MARTINS, Nelson. Introdução à teoria da eletricidade e do magnetismo.  2ª ed.

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OLIVEIRA, Edson Carlos Peres de; DIAS, Jean Carlos. “Rendimento nos motores monofásicos” em WEG em Revista.

PROCOBRE & SCHNEIDER ELETRIC. “Eficiência energética e acionamento de motores”. Workshop realizado pelo engenheiro Ricardo P. Tamietti.

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SILVA, Edilson A. da. Considerações sobre instalações de inversores de frequência.

Mato Grosso: CEFET, 2006.

TOCCI, Ronald J.; WIDMER, Neal S. Sistemas digitais: Princípios e aplica-

ções. Tradução: José Lucimar do Nascimento. 8 ed. São Paulo: Pearson Prentice

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CATÁLOGOS

SANTERNO INDL.  E COML.  DO BRASIL LTDA.  Manual  de  utilização 

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TELEMECANIQUE. Manual de operação do Inversor Altivar 18.

TOSHIBA. Catálogo do inversor TOSVERT modelo VF-AS1.

WEG.  Motores elétricos de corrente alternada – Especificação; Características elé-

tricas.

WEG. Motores elétricos de corrente alternadaMan-motores. WEG. Contatores e

relés de sobrecarga  – Catálogo.

WEG. Catálogo para fusíveis.

WEG. Temporizadores e protetores Catálogo.

WEG. Manual da soft-starter SSW-04 versão V3.XX

WEG. Módulo 2 – Variação de velocidade.

SITES

www.schneider-electric.com.br

www.feiradeciencias.com.br

www.dsee.fee.unicamp.br/~sato/ET515/node68.html http://www.ufsm.br/desp/luizcarlos/aula2of2.pdf

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

167

MEC3_CAPA.indd 2

Excelência no ensino profi ssional

Administrador da maior rede estadual de educação profi ssional do país, o

Centro Paula Souza tem papel de destaque entre as estratégias do Governo de São Paulo para promover o desenvolvimento econômico e a inclusão social no Estado, na medida em que capta as demandas das diferentes regiões paulistas. Suas Escolas Técnicas (Etecs) e Faculdades de Tecnologia (Fatecs) formam profi ssionais capacitados para atuar na gestão ou na linha de frente de operações nos diversos segmentos da economia.

Um indicador dessa competência é o índice de inserção dos profi ssionais no mercado de trabalho. Oito entre dez alunos formados pelas Etecs e

Fatecs estão empregados um ano após concluírem o curso. Além da excelência, a instituição mantém o compromisso permanente de democratizar a educação gratuita e de qualidade. O Sistema de Pontuação Acrescida benefi cia candidatos afrodescendentes e oriundos da Rede Pública.

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O Centro Paula Souza atua também na qualifi cação e requalifi cação de trabalhadores, por meio do Programa de Formação Inicial e Educação

Continuada. E ainda oferece o Programa de Mestrado em Tecnologia, recomendado pela Capes e reconhecido pelo MEC, que tem como área de concentração a inovação tecnológica e o desenvolvimento sustentável.

3

3

Eletroeletrônica para Mecânica

25/7/2011 18:38:34

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