moises thieme modelo de governança em facilidades - Poli

moises thieme modelo de governança em facilidades - Poli
MOISES THIEME
MODELO DE GOVERNANÇA EM FACILIDADES PREDIAIS
PARA CENTROS DE TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO
DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS
Monografia apresentada à Escola Politécnica
da Universidade de São Paulo para obtenção
do Título de Especialista em Gerenciamento
de Facilidades-MBA/USP.
São Paulo
2005
MOISES THIEME
MODELO DE GOVERNANÇA EM FACILIDADES PREDIAIS
PARA CENTROS DE TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO
DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS
Monografia apresentada à Escola Politécnica
da Universidade de São Paulo para obtenção
do Título de Especialista em Gerenciamento
de Facilidades-MBA/USP.
Área de Concentração:
Gerenciamento de Facilidades
Orientador:
Prof. Dr. Marcelo Schneck de Paula Pessôa
São Paulo
2005
FICHA CATALOGRÁFICA
Thieme, Moises
Modelo de Governança em Facilidades Prediais para Centros
de Tecnologia da Informação em Instituições Financeiras
Moises Thieme. -- São Paulo, 2005.
212 p.
Monografia (MBA em Gerenciamento de Facilidades) – Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Programa de
Educação Continuada em Engenharia.
1.Governança em TI 2.Facilidades Prediais 3. Instalações de
Missão Crítica 4.CPD/Edificações I.Universidade de São Paulo.
Escola Politécnica. Programa de Educação Continuada em
Engenharia II.t.
DEDICATÓRIA
Para Fabiula com todo o meu amor, o qual permanece
ainda maior do que aquele da abelha pela flor.
AGRADECIMENTOS
Ao Prof. Dr. Marcelo Schneck de Paula Pessôa, pelo acompanhamento, orientação,
empenho e direção na abordagem de tema tão abrangente e complexo, cuja
colaboração foi fundamental aos resultados obtidos.
Ao Prof. Dr. Moacyr Eduardo Alves da Graça, pelo incentivo, dedicação, inspiração,
jornada de companheirismo e luta no estabelecimento de conceitos do
Gerenciamento de Facilidades para o mercado nacional.
Aos meus pais Augusto (“in memorian”) e Maria, pelo amor e confiança que sempre
me dedicaram, pelo estímulo aos estudos, por toda a minha formação e o ensino de
amor a Deus sobre todas as coisas.
A minha esposa Dra. Fabiula Ferreira Martins Thieme, pelo imenso amor, apoio em
todas as horas e o suporte jurídico significativo para a conclusão deste trabalho.
A todas as pessoas queridas, pela compreensão e apoio, durante os meus estudos.
A Deus sobretudo, pela imensa graça, abundante misericórdia e grandes propósitos
em me permitir trilhar este caminho de aprendizado contínuo. A Ele toda Glória e
Honra por mais esta conquista em minha vida.
RESUMO
O presente trabalho estuda de maneira analítica as diversas legislações específicas
de impacto no setor bancário, em face da elevada dependência de Tecnologia da
Informação com a crescente demanda por aceleração do processamento de dados e
elevação dos níveis internacionais de exigências nos controles de Governança
Corporativa, sob uma abordagem aos conceitos necessários para o suporte e
planejamento dos sistemas de Gerenciamento de Facilidades em edificações de alto
desempenho e de elevada criticidade. Assim compreende, os elementos que
possibilitam este entendimento e os meios necessários para atingir os objetivos
propostos, incluindo análises em níveis estratégico e tático, além de contemplar
questões como segurança da informação, gestão de riscos operacionais, legislações,
normativas e regulamentos para auditorias de instalações, gerenciabilidade dos
edifícios e seus sistemas, planejamento estratégico, diagnóstico de soluções e a
efetividade de custos operacionais conjuntamente com o oferecimento de elevada
disponibilidade, confiabilidade e manutenibilidade em instalações físicas de Missão
Crítica. Ao final, desenvolve uma proposta de modelo para a Governança de
Facilidades Prediais em Centros de Tecnologia da Informação, visando possibilitar a
transição dos modelos de gestão predial, até então utilizados para a operação e
manutenção nos Centros de Processamento de Dados, de maneira que, sejam
reforçados os recursos para se enfrentar os novos desafios impostos às Instituições
Financeiras de Classe Mundial.
ABSTRACT
The following work analyzes the key concepts, from a analytical point of view,
involved in multiples specific laws and impacts in the bank sector, considering its
high dependence of the Information Technology with growing demand by data
processing aceleration and international high levels in compliance to Corporate
Governance, through an approach that considers the concepts needed to suport and
planning the systems of Facilities Management for high performance and critical
buildings. Both the elements that make this understanding possible and the means
needed to achieve the proposed goals are analyzed acording to strategic and tatical
levels, including questions such as information security, operational risk
management, laws, rules, facilities auditing, facilities management, strategic
planning, solutions diagnoses and operational costs effectiveness to offer high
availability, reliability and mainteinability of the building and its systems to Mission
Critical Facilities. At the end, this work proposes a model to Facilities Governance
for transitional adjustments in managerial models employed so far for operating and
maintaning Data Centers, so that may be reinforced resources to face the new
challenges posed to the World Class Finance Organizations.
SUMÁRIO
LISTAS DE FIGURAS
LISTA DE TABELAS
RESUMO
ABSTRACT
Capítulo 1 – INTRODUÇÃO.................................................................................... 1
1.1
Descrição Preliminar.......................................................................................... 2
1.2
Contexto Legislacional do Setor Bancário......................................................... 5
Capítulo 2 – PANORAMA DE TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO............... 21
2.1
O Paradigma das Instituições Financeiras de Classe Mundial......................... 23
2.2
Gestão de Segurança da Informação................................................................ 26
2.3
Conceitos em Facilidades Prediais de Missão Crítica...................................... 40
2.4
Classificação de CPD’s (Desempenho Físico)................................................. 46
Capítulo 3 – PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO.............................................. 55
3.1
Resumo de Proposta..........................................................................................57
3.2
Metodologia-Etapas...........................................................................................62
3.3
Resultados Esperados........................................................................................64
Capítulo 4 – ESPECIFICAÇÕES DE PADRÕES PREDIAIS.............................67
4.1
Diretrizes Construtivas......................................................................................70
4.2
Fornecimento e Distribuição de Energia...........................................................72
4.3
Climatização, Ventilação e Resfriamento.........................................................94
4.4
Segurança Física..............................................................................................103
4.5
Cabeamento Lógico.........................................................................................121
4.6
Monitoração e Inteligência Predial................................................................. 122
Capítulo 5 – REQUISITOS CONTRATUAIS AOS FORNECEDORES.........130
5.1
Projetos Conceituais e Executivos................................................................. 134
5.2
Gerenciamento da Construção e Montagens.................................................. 138
5.3
Cronograma, Qualidade, Testes e Garantias.................................................. 144
5.4
Comissionamento e Testes de Aceitação....................................................... 146
5.5
Certificação Ambiental (LEED)..................................................................... 154
5.6
Operação e Manutenção do CPD................................................................... 162
Capítulo 6 – GOVERNANÇA EM FACILIDADES PREDIAIS...................... 168
6.1
Proposta de um Modelo Básico de Governança em Facilities....................... 175
6.2
Ferramentas de Apoio Automatizado (CAFG/CAFM).................................. 178
6.3
Plano de Reestruturação da Infra-estrutura.................................................... 182
6.3.1 Objetivos......................................................................................................... 182
6.3.2 Sumário Executivo......................................................................................... 183
6.3.3 Nova Denominação da Área.......................................................................... 184
6.3.4 Descrição de Missão e Visão......................................................................... 185
6.3.5 Redesenho de Organograma.......................................................................... 186
6.3.6 Conjunto de Premissas Básicas do TI-GFAC............................................... 189
6.3.7 Essência da Governança em Facilities.......................................................... 190
6.3.8 Plano de Cargos e Funções............................................................................ 193
6.3.9 Consolidação................................................................................................. 197
CONCLUSÃO........................................................................................................ 199
ANEXOS
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
LISTA DE FIGURAS
Figura 1
Estrutura de Sustentação de Empresa no Setor Bancário....................... 3
Figura 2
Demonstrativo de Custos Anuais de Manutenção nos EUA................... 4
Figura 3
Deficiências dos Controles por Planilhas Setoriais................................. 5
Figura 4
Visões do Planejamento Estratégico....................................................... 8
Figura 5
Fatores de Riscos e Controles da SOX................................................... 12
Figura 6
Estrutura de Controles Internos da SOX................................................. 13
Figura 7
O Modelo COSO para Governança Corporativa.................................... 14
Figura 8
Diagrama de Blocos dos Requisitos da Legislação................................ 17
Figura 9
Estrutura de Indicadores do Desempenho da Organização..................... 18
Figura 10 A Estrutura de TI nas Empresas.............................................................. 25
Figura 11 Elementos de Camadas na Estrutura de TI............................................. 25
Figura 12 Composição Básica de TI no Data Center............................. ................ 27
Figura 13 Ameaças ao Ambiente Físico.................................................................. 28
Figura 14 Medidas de Proteção em Data Center..................................................... 29
Figura 15 Exemplo de CPD em Sala Cofre............................................................. 30
Figura 16 Momento de Falência em Parada do CPD.............................................. 33
Figura 17 Principais Componentes de um Cenário................................................. 56
Figura 18 Visão Total do Projeto............................................................................ 58
Figura 19 Dimensões do Diagnóstico de TI............................................................ 60
Figura 20 Conteúdo das Propostas.......................................................................... 61
Figura 21 Abordagem de Migração nas Etapas do Planejamento........................... 65
Figura 22 Exemplo de Sistema Elétrico Single-bus................................................ 75
Figura 23 Exemplo de Sistema Elétrico Dual-bus.................................................. 76
Figura 24 Exemplo de Sistema Elétrico Three-bus................................................. 77
Figura 25 Exemplo de Diagrama Elétrico em Blocos............................................. 80
Figura 26 Diagrama Modelo de Monitoração e Inteligência Predial.................... 122
Figura 27 Diagrama Típico da Engenharia de Operações..................................... 163
Figura 28 Descrição do Processo de Gestão de Facilities..................................... 170
Figura 29 Idéia Básica de Governança em Facilities............................................ 176
Figura 30 Exemplo de Facilities Comand Center................................................ 179
LISTA DE TABELAS
Tabela 1
Velocidade de Propagação das Informações........................................... 41
Tabela 2
Classificação dos Elementos do Edifício................................................ 48
Tabela 3
Classificação Predial por Recursos do CPD........................................... 50
Tabela 4
Compatibilização dos Recursos de “TI & Facilities”............................. 53
Tabela 5
Descritivo Básico das Principais Atividades dos Projetos.................... 135
Tabela 6
Pontuação Mínima dos Níveis LEED................................................... 155
Tabela 7
Sistema de Pontuação do Programa LEED........................................... 155
Tabela 8
Níveis da Certificação LEED................................................................ 156
Tabela 9
Crescimento da Certificação LEED...................................................... 159
Tabela 10 Comparativo de Membros do USGBC................................................. 160
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
ABNT
Associação Brasileira de Normas Técnicas
ADR
American Depositary Receipts
ANSI
American National Standards Institute
ASHRAE
American Society of Heating, Refrigerating and Air-Conditioning
Engeneers
ASTM
American Society for Testing and Materials
ATS
Automatic Transfer Switch
BIS
Bank for International Settlements
BMS
Building Management System
CAD
Computer Aided Design
CAFG
Computer Aided Facilities Governance
CAFM
Computer Aided Facilities Management
CAFS
Computer Aided Facilities Suppliers
CD
Compact Disk
CEO
Chief Executive Officcer
CFO
Chief Finance Officcer
CFTV
Circuito Fechado de Televisão
CIO
Chief Information Officcer
CMM
Capability Maturity Model
CMMS
Computadorized Maintenance Management System
COBIT
Control Objectives for Information and Related Technology
COSO
Committee of Sponsoring Organizations
CPD
Centro de Processamento de Dados
CREA
Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia
CVM
Comissão de Valores Mobiliários
DASD
Direct Access Storage Device
DRI
Disaster Recovery Institute
EIA
Electronic Industries Alliance
EUA
Estados Unidos da América
FMC
Facilidades de Missão Crítica
GF
Gerenciamento de Facilidades
GPS
Global Position System
HVAC
Heating Ventilation Air Conditioning
IAQ
Indoor Air Quality
ISO
International Standard Organization
ITIL
Information Technology Infrastructure Library
IEC
International Electrotechnical Commission
IFMA
International Facility Management Association
KA
Kiloampére
KVA
Kilovoltampére
KW
Kilowatt
LAN
Local Area Network
MAPS
Methods and Procedures System
MCF
Mission Critical Facilities
MVA
Megavoltampére
NFPA
National Fire Protection Association
PDU
Power Distribution Unit
PVC
Poly Vinyl Chloride
QTA
Quadro de Transferência Automática
RAID
Redundant Array of Independent Disks
RPP
Remote Power Panel
SEC
Securities and Exchange Commission
SOX
Sarbanes Oxley Act
SPDA
Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas
STS
Static Transfer Switch
TI
Tecnologia da Informação
TIA
Telecommunications Industry Association
TI-GFAC
Gerenciamento de Facilidades em Tecnologia da Informação
TN
Tecnologia do Negócio
TVSS
Transient Voltage Surge Supression
UPS
Uninterrupble Power System
UTP
Unshielded Twisted Pair
WAN
Wide Area Network
XLPE
Maximum Load Poly Ethylene
1
Capítulo 1 – INTRODUÇÃO
O ano de 2005 marca o centenário de dois dos monumentos mais impressionantes já
erigidos pelo esforço humano, monumentos que não são prédios, pontes, sinfonias ou
estátuas, mas sim idéias, que, como a música de Mozart e as esculturas de
Michelângelo, fizeram de seu autor um nome conhecido em todo o mundo – Albert
Einstein. Em 1905, o então jovem cientista entrou para a história quando apresentou
seus monumentos ao mundo – a Teoria da Relatividade Especial e a Teoria Quântica
da Luz – estabelecendo uma nova era para a ciência, a qual, havia experimentado
um momento anterior equivalente em importância no ano de 1666, quando Isaac
Newton desenvolveu o Cálculo Diferencial e Integral, estudou a natureza da luz e
lançou as bases do que viria a ser a Lei da Gravitação Universal. Assim, seria justo
dizer que, entre o século XVII e o início do século XX, a humanidade viveu numa
Era de Newton e, desde 1905, tem vivido a Era de Einstein, portanto, o legado deste
famoso cientista foi considerado em muitas invenções – o GPS; a tela de
computador; a televisão; as usinas nucleares; o CD player; a tomografia
computadorizada; as armas atômicas. A ciência evoluiu distribuindo avanços
tecnológicos por toda parte, o qual também encontra-se incorporado aos edifícios e
seus sistemas, sobretudo na última década onde aumentaram significativamente a
complexidade e a interdependência dos diversos elementos presentes no espaço
construído.
Ao mesmo tempo, o mundo em que vivemos tornou-se extremamente mutante,
verificando-se rápidas mudanças de valores, paradigmas e cenários, como
a
internacionalização dos mercados que trouxe consigo o aumento da competitividade,
implicando em maior efetividade na gestão de todos os custos participantes dos
processos produtivos. A chegada da nova economia, denominada de a sociedade do
conhecimento∗, estabelece que a informação constitui-se o único recurso
∗
sociedade do conhecimento = termo para definir as transformações do mundo globalizado pela tecnologia da informação,
utilizado por diversos autores renomados tais como : Peter F.Drucker, Peter Senge, Schumpeter, Witzel e outros.
2
significativo, ao lado dos tradicionais fatores de produção – trabalho, terra e capital,
cujas transformações que esse processo traz são rapidamente absorvidas pelos
usuários de TI e implicam em constante elevação da demanda por inovação,
segurança e garantias de continuidade do processamento e comunicação de dados.1
Em um cenário de globalização das economias, as informações assumiram um
papel estratégico nas negociações e nos processos de concorrência por mercado,
levando a empresa moderna a prestar atenção especial à sua criticidade,
disponibilidade, integridade e, por conseqüência, à segurança física dos meios
magnéticos utilizados, afim de responder às mais diversas exigências de legislações
específicas, órgãos reguladores e auditorias independentes que visam identificar
todas as medidas tomadas para garantir os dados necessários para a concretização
dos negócios.
Neste capítulo, as abordagens visam descrever os elementos introdutórios que
permitem analisar o contexto legislacional do setor bancário e lançar as bases iniciais
que são fundamentais ao desenvolvimento da proposta de um modelo de Governança
em Facilidades Prediais de Missão Crítica, considerando os diversos paradigmas da
Governança Corporativa e de Tecnologia da Informação, a globalização e o grande
desafio de atender as demandas dos usuários em harmonia de inter-relacionamento
indissociável entre o homem, o edifício e o meio ambiente2, ao mesmo tempo, em
que são alvos dos novos processos regulatórios deste mercado.
1.1
Descrição Preliminar
Durante a última década o ambiente de trabalho sofreu profundas transformações,
bem como a maneira pelas quais as atividades são executadas, trazendo para o
cenário dos tempos modernos as diversas novas maneiras de comunicação e um
3
volume cada vez maior de pessoas interagindo, utilizando-se de telefones celulares,
teleconferência, fac-símile, correio eletrônico, computadores portáteis, internet,
intranet, extranet, e tantos outros meios que aumentam consideravelmente a
importância do tempo, obrigando ao aprendizado de novas formas de viver e
trabalhar. Neste contexto, um dos mais importantes produtos a ser oferecido aos
usuários de um edifício de alto desempenho passa a ser o acesso à informação, que
possui tanto componentes intangíveis, como a própria informação, quanto tangíveis
como os meios físicos por onde ela é transmitida, armazenada e manipulada, assim,
também no gerenciamento de facilidades a informação, que a princípio precisa ser
gerenciada, é ao mesmo tempo a maior ferramenta necessária a sua própria gestão.3
Desta maneira, o Gerenciamento de Facilidades Prediais (“Facilities Management”)
pode ser entendido como a “Interação PPP - Pessoas, Processos e Propriedades”,
os pilares principais de sustentação da Instituição Financeira de Classe Mundial,
apoiados em bases fundamentais tais como os investimentos contínuos em
Tecnologia, melhoria do Clima Organizacional, controle de Capital e alinhamento às
Políticas/Mercados, conforme ilustração abaixo que consta da Figura 1.
Figura 1 – Estrutura de Sustentação de Empresa no Setor Bancário
Fonte : AUTOR
Pilares de uma Organização
Processos
Propriedades
Pessoas
EMPRESA
Tecnologia
Clima Organizacional
Capital
Políticas e Mercados
4
Os ativos físicos tais como propriedades, edifícios, equipamentos, materiais e
móveis, representam uma porcentagem importante do valor total dos ativos de uma
organização, os quais são utilizados por muitas unidades de negócios, departamentos
e indivíduos, assim, devem ser gerenciados buscando estender seu ciclo de vida útil e
minimizar seus custos de operação, como podemos perceber em pesquisas realizadas
nos EUA pelo IFMA-International Facilities Management Association, conforme
demonstrado na Figura 2, na qual fica evidenciada a importância de um efetivo
controle de custos devido ao relevante percentual de participação nos ativos totais e
significativos montantes envolvidos.4
Figura 2 – Demonstrativo de Custos Anuais de Manutenção nos EUA
Fonte: IFMA
Custos de manutenção médio por instalações de 65.000m2 (USA)
Média: $16 Milhões de dólares anualmente
Milhões de dólares Anuais
$18.0M
$17.3M
$17.3M
Comércio
Serviços
$15.8M
$15.0M
$13.5M
Serviços Públicos Comunicações
Saúde
Produção
Custo anual de manutenção
Fonte: IFMA
Um modelo de estrutura para o Gerenciamento de Facilidades Prediais, contando
com elevado nível de automatização de seus processos e controles, pode ser capaz de
tornar disponível um sistema de informações executivas de fácil acesso e que permita
eliminar as “ilhas de informações” produzidas por um “exército de planilheiros”,
consolidando resultados e coordenando as atividades de diversos departamentos
envolvidos na gestão corporativa, produzindo
um campo
fértil para o
desenvolvimento de Planejamento Estratégico e de Indicadores de Desempenho no
5
uso dos espaços físicos, visando tratar as deficiências de fluxo das informações e
controles setoriais, conforme demonstrado na Figura 3 a seguir.5
Figura 3 – Deficiências dos Controles por Planilhas Setoriais
Fonte : AUTOR
Exército de Planilheiros
!
!
!
!
!
!
Fragilidade
Não Colaborativo
Manutenção Intensiva
Controle Pouco Centralizado
Consolidação Não Gerenciável
Pobreza na Integração de Dados
Dispor facilmente de um histórico de informações torna mais simples a previsão dos
custos futuros e a criação de planos orçamentários, contendo previsões financeiras
através de avaliações das condições, análise de valor e desempenho dos ativos
físicos, bem como favorece o cumprimento de normativas das agências regulatórias e
a gestão do volume de trabalho.
1.2
Contexto Legislacional do Setor Bancário
Uma das atividades mais importantes das empresas direta ou indiretamente
envolvidas com o mercado financeiro é a gestão do risco de crédito, risco de
6
mercado, risco operacional e gestão profissional de outros riscos. A exposição a
esses riscos não pode permitir a desestabilização dos mercados. O novo Acordo de
Capital da Basiléia, também conhecido como Basiléia II é uma das atuais prioridades
do mercado financeiro e, muito embora os novos requisitos ainda não estejam
finalizados, as principais implicações para os bancos e instituições financeiras já
estão bastante claras. As novas normas impostas pelo Acordo de Capital da Basiléia
II não só passarão a assegurar o alinhamento dos níveis de capital dos bancos com
sua exposição ao risco, como passarão a exigir que os bancos controlem os riscos de
forma adequada, justificando cada risco no qual irão incorrer e serão futuramente
alvo de divulgação ao mercado. Isto significa que os bancos deverão estar em
conformidade com os rigorosos padrões ditados pelos reguladores, depositários e
pelo próprio mercado. Essas medidas afetam diretamente a qualidade das
informações e a integração dos sistemas, interferindo consequentemente, em todo o
ambiente de TI, cujo principal desafio encontra-se em oferecer uma infra-estrutura
capaz de suportar os processos na área de gestão do risco operacional. O prazo para
que as normas do Acordo Basiléia II sejam incorporadas à legislação nacional ainda
parece distante, entretanto, pela complexidade deste cenário todos os bancos e
instituições financeiras devem assegurar que seus sistemas estejam totalmente
implementados e compatíveis no momento em que as novas regulamentações sejam
levadas a efeito.6
O que são dados? Eles são ativos da empresa? Podemos conferir a eles o valor de
patrimônio ou são meras informações? Muitas vezes os dados são provas de relações
geradas eletronicamente, quer seja o conteúdo da obrigação gerada ao se transmitir
um e-mail até mesmo a conversa entre computadores que estão autenticando a
entrada de um usuário no sistema, e, portanto, confere a ele poderes para ir e vir na
rede digital, da intranet até a internet, passando por redes wireless, extranets e tudo o
mais de tecnologias que seja possível inventar. A sociedade atual é uma sociedade de
dados, tanto a identidade como o dinheiro são dados eletrônicos que estão cada vez
mais ameaçados por conta de fraudes digitais e como bens intangíveis são alvos de
cobiça por parte daqueles que até então tinham de furtá-los ou roubá-los de nós de
modo presencial e perigoso no mundo real, sendo que a tecnologia veio para
7
colaborar para que isto agora possa ocorrer de modo indolor e até divertido através
de interfaces gráficas amigáveis e e-mails inofensíveis que exploram a vontade de se
ter fama ou de ganhar algo fácil. Os riscos operacionais de que trata o Acordo de
Basiléia II vem justamente de encontro com a preocupação cada vez maior com a
situação de controle e proteção dos dados nas empresas, sendo esta responsabilidade
a prioridade da pauta de governança corporativa e pública, uma vez que estes são
depositários fiéis dos dados de terceiros, quer sejam funcionários, colaboradores,
fornecedores ou parceiros. O modelo de negócios atual exige uma cadeia complexa
de conectividade interoperacional entre todos os participantes e a falta de diligência
ou a negligência no trato das informações por parte de um pode contaminar a todos.
O Acordo de Basiléia II tem impacto relevante no cenário brasileiro porque a origem
da maioria das recentes perdas incorridas pelas Instituições Financeiras é operacional
por natureza e a magnitude desses incidentes podem causar sérios problemas ao
negócio ou até mesmo o seu colapso, portanto, esta perspectiva gera uma
preocupação de se revisar os conceitos para o controle de riscos operacionais em
bancos, operadoras de cartão, financeiras, corretoras e seguradoras. Saber mensurar e
minimizar o risco operacional torna-se uma variante essencial e gera a necessidade
de implementar Estratégias, Métodos, Estruturas e Sistemas onde se é preciso ter
histórico do que deve ser guardado e por quanto tempo, cujos prazos legais podem
ser de no mínimo 1 ano (consumidor) até 10 anos (penal), podendo chegar até 50
anos em alguns casos. Devido a uma questão de prova jurídica, o Acordo Basiléia II
traz também a necessidade de criação e manutenção de uma Base Histórica de
Dados, portanto, para mitigar risco é necessário identificá-lo, avaliar o seu impacto
financeiro, bem como a sua probabilidade de ocorrência nos diversos processos da
empresa, logo, é necessário a estruturação de uma base histórica de dados que
sustente uma projeção segura das possíveis perdas futuras, ou seja, o passado deve
ser alvo de registro consistente para melhor se projetar o futuro como demonstra o
ilustrativo da Figura 4.7
8
Figura 4 – Visões do Planejamento Estratégico
Fonte : AUTOR
Planejamento Estratégico
Base Histórica de Dados
Projeção de Ocorrências
HOJE
PASSADO
FUTURO
Ajudam as Organizações a Olhar o Futuro
Vivemos uma realidade nova onde um simples e-mail pode representar uma grande
obrigação e responsabilidade legal, com possíveis contingências até mesmo
financeiras, custos e riscos que podem atingir não apenas o bolso, mas
principalmente a reputação das empresas e suas marcas e, neste sentido, o Novo
Código Civil também ampliou as responsabilidades dos administradores. Além disso,
torna-se preciso investir em educação, pois apesar da tecnologia, os erros humanos
devem ser previstos em processos, anúncios e mensagens que chamam a atenção para
não se cair em pegadinhas de engenharia social, portanto, há uma enorme
responsabilidade das empresas em se criar uma cultura de segurança que vai além de
se pensar apenas em senhas de acessos.
O Acordo de Basileia II enfoca os dois modos conhecidos do setor bancário ganhar
dinheiro – oferecendo serviços a clientes e arriscando (como se diria antigamente “no
arriscar é que está o ganho”) – assim, os bancos aceitam os depósitos dos clientes e,
em troca, oferecem-lhes garantias de clareza e segurança na armazenagem do
dinheiro, ou seja, os riscos para o setor bancário ocorrem quando estes assumem
empréstimos individuais, correndo o risco de que não sejam reembolsados total ou
parcialmente e, na sua maioria, os bancos estão dispostos a correr riscos, cobrando
9
em retorno uma elevada taxa de interesse. Geralmente, quanto maior o risco que os
bancos assumem mais dinheiro esperam ganhar, no entanto, quanto maior é esse
risco, maior é a probabilidade de os bancos perderem em larga escala e serem
obrigados a sair do setor bancário. Assim sendo, os bancos tentam assegurar que o
risco assumido por eles é informado e prudente, desta forma, o controle deste “jogo”
constitui-se o negócio da Gestão de Risco, cuja atuação pode ser enquadrada em três
categorias distintas : 8
a) Risco de Mercado – advém da possibilidade de ocorrerem perdas mediante
movimentos desfavoráveis no mercado. É o risco de perder dinheiro
resultante da mudança ocorrida no valor percebido de um instrumento, cujo
exemplo clássico são as perdas na Bolsa de Valores;
b) Risco de Crédito – ocorre quando pessoas individuais, empresas ou o
governo falham em honrar o compromisso assumido de efetuar um
pagamento. Este tipo de risco advém de diversas fontes, entre as quais
podemos destacar os empréstimos individuais (falha em repor total ou
parcialmente a quantia emprestada) e as operações de troca (quando o
sujeito percebe que vai perder dinheiro com a troca e fica relutante em
pagar);
c) Risco Operacional – compreende todas as outras formas, a partir das quais
é possível que um banco perca dinheiro. É o risco de perdas diretas ou
indiretas resultante de inadequação ou falha dos processos internos, pessoas
e sistemas ou em face de eventos externos, cujo exemplo típico é a fraude.
Em contrapartida às novas pressões de mercado e aos escândalos financeiros
ocorridos em anos passados, tornou-se eminente impulsionar todos os bancos em
nível mundial a possuírem um sistema de informação que lhes permitisse gerir o
risco de maneira eficaz, assim, a entidade responsável BIS-Bank for International
Settlements lançou uma proposta para um acordo de capital que se assenta em três
pilares dependentes que permitem aos bancos e seus supervisores avaliarem
corretamente os tipos de riscos nas três categorias descritas acima, o qual foi
denominado de Acordo Basiléia II, cujo pilar do Risco Operacional encontra no
Gerenciamento de Facilidades Prediais um grande aliado para o controle eficiente e
10
eficaz dos requisitos inclusos nesta normativa de âmbito internacional. No final do
ano de 2006, os bancos deverão estar funcionando de acordo com a regulamentação
do Acordo de Basiléia II e, muito embora esta data possa estar sujeita a alterações,
atualmente já é uma preocupação de negócio encarada por bancos em todo o globo,
em todos os seus níveis hierárquicos, cuja implementação correta e inteligentemente
efetuada poderá também contribuir para reduzir as reservas necessárias de capital,
aumentando a quantia de recursos disponíveis para investimentos nos bancos e,
consequentemente, contribuindo para aumentar o valor do patrimônio de acionistas e
os níveis de lucro através de uma gestão de riscos aperfeiçoada de relevante
interdependência junto a Gestão de Facilidades Prediais.
Não obstante as exigências do Acordo Basiléia II, os escândalos financeiros de
grandes empresas nos Estados Unidos (EUA) também alteraram radicalmente as
regras no mundo dos negócios para as empresas que possuem os ADR-American
Depositary Receipts, levando ao aperfeiçoamento dos padrões contábeis, provocando
mudanças na responsabilidade dos administradores das companhias e na forma com
que as empresas tratam os acionistas minoritários e prestam contas ao mercado, tudo
isso como novidades que constam da lei norte-americana “Sarbanes Oxley Act”
imposta a todas as corporações americanas e inclusive estrangeiras, com ações
negociadas nas bolsas de valores dos EUA.
Aprovada em janeiro de 2002, logo após a descoberta do primeiro grande caso de
fraude, o da gigante elétrica Enron e depois seguido pelos casos da WorldCom e
Arthur Andersen, a lei Sarbanes-Oxley, uma referência aos dois membros do
congresso norte-americano responsáveis pela sua elaboração – o senador democrata
Paul Sarbanes e o deputado republicano Michael Oxley – configurou-se na mais
importante reforma da legislação de mercado de capitais dos EUA desde a
introdução de sua regulamentação na década de 30, após a quebra da Bolsa de Nova
York em 1929. Não há dúvidas sobre a dimensão da lei “Sarbanes-Oxley ou
“Sarbox” ou ainda simplesmente “SOX” (como foi apelidada pelos americanos) ou
“SOA” (sigla para o “Sarbanes Oxley Act”) e sobre as mudanças radicais que ela
provocará na teia de relações tecida pelas empresas, pois a lei foi uma resposta dos
11
políticos aos milhões de investidores e eleitores americanos que viram suas ações
“micarem” por causa de fraudes contábeis em corporações americanas consideradas
sólidas.9
Uma das premissas da SOX é que as empresas demonstrem eficiência na Governança
Corporativa, sendo uma referência nessa área o modelo norte-americano que leva o
nome da entidade que o criou COSO-Committee of Sponsoring Organizations of the
Treadway Commission criado em 1985 para definir processos de controle interno das
empresas. O COSO define que o controle interno é um processo e deve ser exercido
por todos os níveis da empresa, o qual deve ser desenhado para atingir os seguintes
objetivos : (i) efetividade e eficiência na operação; (ii) dar confiabilidade nos
relatórios financeiros; e, (iii) atender as leis e regulamentações dos órgãos públicos.
As principais novidades da Sarbanes-Oxley (SOX) estão ligadas às exigências de
criação de um comitê de auditoria, desenvolvimento de controles internos pelas
empresas para a verificação das informações a serem divulgadas e responsabilidade
dos executivos e dos auditores externos em relação aos números apresentados pelas
companhias. O aprimoramento dos controles internos é um grande desafio para as
empresas, cujo trabalho envolve identificar as áreas de negócio, documentar
processos e garantir que as informações precisas e corretas fluam até chegar à
administração da companhia, responsável pelos resultados financeiros, assim, a SOX
requer que, além de desenvolver os controles, os executivos (presidente e diretor
financeiro) analisem e certifiquem o desenho e a operação dos mecanismos, havendo
ainda a exigência de que o auditor externo certifique a avaliação da administração e
emita um relatório. Podemos perceber a importância da Governança Corporativa e a
abrangência do modelo COSO no controle interno de processos das empresas,
conforme demonstrado a seguir na Figura 5.10
12
Figura 5 – Fatores de Riscos e Controles da SOX
Fonte : TREVISAN
AVALIAÇÃO E DEFINIÇÃO
LINGUAGEM COMUM DE RISCOS - LCR
Riscos Internos
Riscos
Externos
Operacional
Pessoal
• Recursos Humanos
• Competição
• Limite de Autoridade
• Terceirização
• Incentivos de
• Relações com
Acionistas
• Desempenho
• Comunicação
• Fraude
• Disponibilidade de
Capital
• Conduta Anti-ética
• Reputação
Informações Para
Tomada de Decisão
Processo
• Satisfação do Cliente
• Eficiência
• Capacidade
• Alternativas de
• Fornecimento
• Parcerias
• Canais de Distribuição
• Aderência às Regras
• Interrupção de Negócios
• Meio Ambiente
• Saúde e Segurança
• Perdas / Obsolescência
• Falha de Produto/Serviço
Riscos
associados à
Sarbanes-Oxley
Tecnologia
• Acesso
Estratégicas
• Integridade
• Indicadores
Estratégicos
• Disponibilidade
• Planejamento
Estratégico
• Infraestrutura
Financeiras
• Orçamento
• Relatórios Contábeis/
Financeiros
• Fiscal
• Relatórios
• Regulamentares
• Fundos de Pensão
Financeiro
Financeiro
• Regulamentação
Mercado
•
•
•
•
•
•
•
Taxa de Juros
Câmbio / Moeda
Ações / Participações
Commodities
Derivativos
Liquidez
Custo de Oportunidade
Crédito
• Concentração
• Inadimplência
• Compensação
• Garantia
Operacionais
• Obrigações
Contratuais
• Precificação
• Indicadores de
Desempenho/ Risco
Boa parte dos quase 70 artigos da SOX ainda estão sendo regulamentados pelo órgão
regulador americano SEC-Securities and Exchange Commission e decifrada ou
adaptada mundo afora por um batalhão de advogados, auditores, contadores,
engenheiros, gerentes de facilities e, principalmente, executivos de alto escalão – o
alvo maior da lei que prevê multas que variam de 1 a 5 milhões de dólares e penas de
reclusão entre 10 e 20 anos para os CEOs (Chief Executive Officer) e CFOs (Chief
Finance Officer) das empresas listadas nas bolsas dos Estados Unidos dentre as quais
aproximadamente 12.500 empresas americanas, suas subsidiárias nos cinco
continentes e cerca de 1.400 companhias estrangeiras, incluindo 70 brasileiras que já
mantém ou ainda planejam lançar nas bolsas os ADRs (American Depositary
Receipts), cujos presidentes e diretores financeiros devem assinar certificações, uma
espécie de testemunho, garantindo que conhecem e checaram os números das
demonstrações financeiras e os controles internos, os quais envolvem desde a
segurança nos sistemas de informática até a supervisão de estoque, conforme
demonstrado a seguir na Figura 6.9
13
Figura 6 – Estrutura de Controles Internos da SOX
Fonte : TREVISAN
OS CONCEITOS DA SOX - SEÇÕES 302 E 404
Internal Controls
Three Legs of COSO:
COSO:
Company X
Finance; Operations; & Compliance
Management
Evaluation
Financial
Statements
Business
Properties
Legal
Proceeding
s
Annual
Report on
Form 20-F
Disclosure Controls
(Rule 302)
Auditor
Attestation
Notes
Cash Flow
Management
Assertion
Income
Statement
Balance
Sheet
Financial
Statements
Internal
Controls over
Financial
Reporting
Financial Reporting Controls
(Rule 302 and 404)
Os bancos brasileiros estão mais preparados do que as empresas nacionais para a
adaptação à lei norte-americana Sarbanes-Oxley (SOX), isso porque já cumprem
uma série de normas do Banco Central que se assemelham às dos Estados Unidos e
do próprio órgão regulador do mercado nacional, a CVM-Comissão de Valores
Mobiliários que tem aproveitado as idéias da SOX para fazer ajustes nas suas
normas, mas ainda falta muito para as empresas brasileiras com ações negociadas nos
Estados Unidos cumprirem as exigências desta nova lei, principalmente no modo
como administram seus ativos físicos no modelo atual de Gestão de Infra-estrutura e
Instalações que são fundamentais à primeira camada base de sustentação das
empresas – a Tecnologia da Informação – cujo conteúdo deve atender ao modelo
COSO de Governança Corporativa, conforme descrito a seguir na Figura 7.
14
Figura 7 – O Modelo COSO para Governança Corporativa
Fonte : COSO
Nesse contexto, a área de Tecnologia da Informação (TI) tem um papel
importante, onde o próprio COSO faz um comentário especial recomendando
que TI deve cobrir todos os aspectos de segurança e controle das informações
digitais da empresa, devendo desenhar processos de controle das aplicações
para assegurar a confiabilidade do sistema operacional, a veracidade dos dados
de saída e a proteção de equipamentos e arquivos.
Para cumprir essas exigências os CIO-Chief Information Officcer (o mais alto posto
da hierarquia no segmento de TI da empresa) devem rever todos os processos
internos cobrindo desde as metodologias de desenvolvimento de sistemas até as áreas
de operações de computadores, promovendo uma conscientização nas áreas usuárias
de seus recursos sobre aspectos de segurança e cuidados na manipulação das
informações, tais como : e-mails, compartilhamento de diretórios nos PC-Personal
Computers (computadores pessoais), compartilhamento de senhas de acesso aos
aplicativos e estes aspectos de engenharia social também devem ser reforçados para
15
o pessoal de TI, que as vezes não conseguem determinar os riscos de segurança em
suas soluções. Visando atender aos novos desafios da Governança Corporativa, as
áreas de TI contam com alguns modelos de gestão que se aplicados asseguram a
conformidade com as melhores práticas de processos e segurança da informação, os
quais podem ser listados conforme segue : 11
(1) COBIT - Control Objectives for Information and Related Technology para
a Governança em TI;
(2) ITIL - Information Technology Infrastructure Library para a Gestão de
Serviços em TI;
(3) DRI - Disaster Recovery Institute International para a Especificação e
Operação de Planos de Continuidade de Negócios;
(4) ISO-International Standard Organization NBR ISO/IEC 17799:2005 e ISO
27001:2005 para a Gestão de Segurança da Informação;
(5) CMM - Capability Maturity Model que define um modelo de Gestão para o
Desenvolvimento de Software.
Dentre os requisitos destas normativas, há um enfoque crucial para o Gerenciamento
de Facilidades Prediais cujos requisitos apontam para a necessidade de um modelo
que proporcione uma Gestão Completa de Infra-estrutura e Instalações como fator de
otimização do desempenho de negócios das empresas, tanto pela relevância
financeira dos ativos físicos - propriedades, edificações, equipamentos e instalações
– na redução dos ativos fixos totais da empresa, como pela capacidade de gerar
segurança das informações através de relatórios gerenciais precisos e rápidos,
contendo gráficos dos processos de negócios e dos ativos físicos, utilizados para
atender os requisitos de auditorias internas e externas em face de rígidas legislações
como a SOX.
No Brasil também podemos identificar vários fatores de influência ao contexto
legislacional para o setor bancário, cujos requisitos implicam em melhorias do
Gerenciamento de Facilidades Prediais, pois a evolução tecnológica contribuiu para
o desenvolvimento de uma sociedade mais informada e também mais exigente, não
só relativamente ao funcionamento dos edifícios e seus sistemas, mas também no que
16
diz respeito ao cumprimento de leis, normas, códigos e regulamentos. Assim,
podemos relacionar uma série de novos dispositivos que elevaram o nível de
exigências e de impactos significativos nos controles de riscos operacionais, tais
como :
" Efeitos e conseqüências das legislações internacionais, como a Sarbanes-Oxley e
Basiléia II, as quais implicaram no desenvolvimento de diversos dispositivos
nacionais para a melhoria dos controles e a criação de um Código das Melhores
Práticas em Governança Corporativa, tais como : Cartilha CVM, CM 3041,
CVM 404/308/358, CVM Ofício Circular 01/04, Bovespa Novo Mercado e a Lei
das Falências;
" Os requisitos das normas sobre Gestão de Segurança da Informação, ISO
27001:2005 e NBR ISO/IEC 17799:2005;
" Edição da Lei 8.078 em 11 de setembro de 1990, conhecida como “Código de
Defesa do Consumidor (CDC)”, ponto marcante na mudança dos padrões de
exigências dos consumidores, em cujo artigo 39, inciso VIII, atribui a força de lei
às normas técnicas expedidas pelos orgãos oficiais competentes ou pela ABNTAssociação Brasileira de Normas Técnicas ou outra entidade credenciada pelo
CONMETRO-Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade
Industrial;
" Edições da Portaria 3.523 de 28 de agosto de 1998 e da Resolução 09 de 16 de
janeiro de 2003 do Ministério da Saúde (MS) através da ANVISA-Agência
Nacional de Vigilância Sanitária, cujos textos atribuíram exigências severas para
o controle de qualidade e climatização de ar de interiores em edifícios
comerciais;
" Os requisitos de qualidade das normas NBR-ISO 9001(2000), ISO 9002(1997),
ISO 14001(2004) e ISO 18001 (2002), as quais passam a ser determinantes para
o acesso a muitos mercados, em face da globalização;
" Os regulamentos do MTE – Ministério do Trabalho e Emprego sobre os SSMTServiços de Segurança e Medicina do Trabalho, tais como a NR10:2004 sobre as
Instalações e Serviços em Eletricidade que atribuem um rigoroso plano de
controle destes, principalmente nos requisitos para os controles de riscos e
17
“Proteção contra Choque” especificados na NBR 5410:2004-Instalações Elétricas
de Baixa Tensão;
" Edição do Decreto-Lei Estadual 46.076 de 31 de agosto de 2001 que trata da
Segurança contra Incêndios em edificações comerciais;
" Edição da Lei 10.406 de 10 de janeiro de 2002 conhecida como “Novo Código
Civil” que atribui maiores exigências e controles para as empresas S/A;
" Edição da Decreto-Lei Estadual 5.269 de 02 de dezembro de 2004 que trata as
questões de Acessibilidade em edifícios comerciais;
" Decreto Lei 2.848 de 1940 conhecido como “Código Penal”, cujo artigo 132
atribui crime e penas aplicáveis ao fato de se “expor a vida ou saúde de outrem a
perigo direto e iminente”, cujo texto ganha uma nova força frente as legislações
sobre
instalações
elétricas,
segurança
contra
fogo,
ar-condicionado
e
acessibilidade citadas acima, bem como todas as demais normativas técnicas
elevadas à condição de regulamentos com poder de lei, em face do Código de
Defesa do Consumidor (CDC);
O conjunto de requisitos presente nos diversos dispositivos da legislação
internacional e suas complementares em âmbito nacional conforme as referências
citadas, visam proporcionar a elevação do nível de controles internos da organização,
conforme descrito no diagrama que consta da Figura 8 abaixo.
Figura 8 – Diagrama de Blocos dos Requisitos da Legislação
Fonte : IT GOVERNANCE INSTITUTE
Exigências das Leis
!
Informação
!
Pessoas
!
Processos
18
A adequação a todos estes padrões internacionais e nacionais com impactos no setor
bancário, seus recursos de TI e de ambientes físicos de trabalho, trazem um custo
extra às empresas, entretanto, no médio e longo prazos esses controles passam a ser
um diferencial positivo para atrair novos investimentos e proporcionar maior
segurança aos acionistas, ao estabelecer padrões e processos que permitam criar a
estrutura de desempenho descrita a seguir na Figura 9.
Figura 9 – Estrutura de Indicadores do Desempenho da Organização
Fonte : IT GOVERNANCE INSTITUTE
“Performance Accountable Organization”
Alinhar
E stratégia
e Ação
E xpectativa
dos Acionistas
Planejamento
Dinâmico
Performance
Monitorada
Sarbanes-Oxley,
Basiléia II e L eis Nacionais
Resultados
Reportados
Performance & Compliance
Não obstante o contexto legislacional aplicável de forma compulsória ao setor
bancário, refletindo um conjunto de exigências que constam de normativas
internacionais que imprimem os seus reflexos e geram complementos normativos em
âmbito nacional, ainda se faz presente um novo conjunto de requisitos de ordem na
responsabilidade social e ambiental, em face de aderência voluntária aos mecanismos
da política de sustentabilidade, a qual oferece valor agregado real e torna urgente a
sua incorporação estratégica nas organizações, tais como o “EQUATOR
PRINCIPLES” (Princípios do Equador) e o “GLOBAL COMPACT” (Pacto Global)
adotado por várias Instituições Financeiras de Classe Mundial.
19
As políticas de sustentabilidade concorrem para a dinâmica de valorização dos ativos
intangíveis
empresariais,
erguendo-se
como
elementos
de
aumento
da
competitividade e fator de melhoria do desempenho, evocando cenários e objetivos
de perpetuação e crescimento das organizações e de sua rentabilidade financeira.
Assim, trata-se de estimular a integração consciente de estratégia empresarial,
desempenho ambiental e responsabilidade social, numa realidade unificada e
harmônica, em busca de sucesso na tríplice linha do resultado final que engloba as
dimensões econômicas, ambientais e sociais como veículos de agregação de valor,
cujos fatores impulsionam a criação de um quadro de impactos relevantes na
elevação de influências externas para os demonstrativos de controles internos e
gestão de riscos operacionais, os quais, em última análise, dependem da “Gestão
Completa de Infra-estrutura e Instalações”.
O mundo tem assistido, especialmente nos Estados Unidos e Europa, ao crescimento
vertiginoso dos fundos de SRI-Socially Investiment Funds que passam a ser
expressão de uma dinâmica de evolução, em que a inicial pressão das organizações
não governamentais é agora substituída pelas escolhas conscientes de investidores
institucionais e fundos de pensão, em busca de uma melhor e mais segura
rentabilidade financeira, representando avaliações de cunho ético, ambiental e social
que nos EUA já atingem pelo menos um em cada oito dólares investidos, acarretando
uma definitiva e paralela consolidação de outros fenômenos incipientes, como a
multiplicação de novas empresas e entidades de avaliação do desempenho sócioambiental, cujos reflexos encontram-se ora ampliados pelo setor bancário.7
No tocante às instituições financeiras, o Equator Principles, assinado em junho de
2003, tem aglomerado um número crescente de bancos internacionais de primeira
linha, ao redor do empenho de incluir a variável sócio-ambiental nas atividades de
project finance e concessão de crédito para projetos de valor superior a cinqüenta
milhões de dólares, em conformidade com as diretrizes formuladas pelo IFCInternational Finance Corporation do Banco Mundial. A amplitude do fenômeno em
tela permite vislumbrar um processo de mudança dos paradigmas corporativos,
levando para a agenda dos tomadores de decisões as questões de responsabilidade
20
social e governança corporativa, da eco-eficiência e da própria redução dos gases de
efeito estufa, assim, cada vez mais freqüentemente são idealizados indicadores,
iniciativas de mensuração e certificação nas práticas globais de sustentabilidade que
estão progredindo rapidamente para um conceito de obrigatoriedade, os quais podem
suportar o consumidor na identificação de produtos e serviços mais compatíveis
como o meio ambiente e socialmente justos.12
Assim concebidas, as políticas voluntárias de sustentabilidade e a aderência
compulsória ao novo contexto legislacional aplicável ao setor bancário, bem como a
visão de controles internos na gestão de riscos, mais especificamente neste trabalho o
enfoque de riscos operacionais, constituem-se instrumentos focais e privilegiados de
administração dos ativos empresariais, sobretudo nesta abordagem dos ativos físicos
de infra-estrutura e instalações, cujo instrumentário deve ser formado por uma série
de valores e atitudes que transitam pela eficiência de gestão, inovação contínua, ética
em todas as relações, diálogo incessante, transversalidade das intervenções,
transparência das informações (“disclosure”) e integração dos conhecimentos, cuja
implementação na visão estratégica de longo prazo implica em adoção de abordagens
inovadoras que permitam proporcionar mudanças nos padrões de pensamento,
partindo-se da “ética do custo” rumo a “ética do investimento”.
Assim, neste capítulo tivemos alguns indicadores situacionais de contexto do setor
bancário no tocante aos impactos de legislações, normativas e regulamentos na
gestão dos serviços de tecnologia da informação, sobretudo em abordagens que
constituiram os elementos fundamentais de Governança Corporativa e Governança
em TI que preconizam e alicerçam as bases para uma proposta de modelo de
Governança em Facilities que trataremos neste trabalho.
21
Capítulo 2 – PANORAMA DE TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO
Neste capítulo, o enfoque recai sobre as mais recentes demandas para a Tecnologia
da Informação, cujo panorama inclui um posicionamento situacional, análises sobre a
gestão de segurança da informação e conceitos em Facilidades Prediais de Missão
Crítica nos ambientes de centros de processamento e comunicação de dados em
Instituições Financeiras de Classe Mundial.
O setor bancário encontra-se num momento decisivo de grande transformação do
mercado e, mais do que nunca, vale lembrar uma máxima tantas vezes citadas nesse
meio que diz “a única coisa que nunca muda é a necessidade de mudanças”. No caso
dos bancos quando se diz que precisam conhecer e entender, cada vez mais, o
negócio dos seus clientes, na verdade, o enfoque recai sobre o profissional bancário
que deve estar num ciclo virtuoso de capacitação contínua para realizar esta tarefa. A
transformação no mercado bancário é, em essência, uma transformação dos
profissionais que atuam neste segmento imerso em sofisticada estrutura tecnológica e
a informatização de atividades está em constante evolução – as funções repetitivas
sendo substituídas por máquinas ou terceirização – exigindo um esforço constante,
mas significando oportunidades no contexto de mudanças, cujo perfil faz com que os
bancos tenham de investir muito mais do que fazem hoje em desenvolvimento de
novas soluções tecnológicas.
Desta maneira, os bancos encontram sua nova identidade na busca permanente por
mudanças em face de grandes transformações na forma de operação devido a
economia digital. Nos últimos cinco anos, as grandes empresas foram surpreendidas
com a introdução de tecnologias que não haviam sido consideradas em seus planos
estratégicos, como em 1996 quando muitos acreditavam que a Internet era
irrelevante, do ponto de vista de negócios, e que não teria efeito significativo no
comportamento dos clientes. Em 1999, o mercado se rendeu a nova realidade e
chegou-se a conclusão de que a Internet era inexorável e aqueles que estavam
22
atrasados decidiram investir muito para tentar recuperar o terreno perdido. Em 2001,
houve nova mudança de idéia, a Internet era importante mas não tanto e tudo parecia
ser o resultado de uma bolha tecnológica e se deveria gastar o mínimo possível.6
Nesse quadro de alterações constantes no mercado, quais serão os possíveis erros dos
bancos do futuro? Haverá o reconhecimento de que a economia digital transformou
as finanças corporativas? Novas tecnologias serão sempre bem vindas para quem as
usa e o objetivo é sempre melhorar o desempenho, facilitar a tomada de decisões e
remover a necessidade de inúmeras intervenções humanas. Se a tecnologia é boa e
funciona, alguém vai copiar a idéia e produzir algo melhor e mais barato, assim, é
muito difícil para uma Instituição Financeira de Classe Mundial manter a vantagem
competitiva com o uso de tecnologia, se não estiver constantemente inovando e
investindo. Todas as disciplinas do banco corporativo serão transformadas pelas
novas tecnologias e com a criação de novos produtos, os canais de distribuição e a
natureza do relacionamento com os clientes serão afetados, portanto, as melhores
instituições serão aquelas que combinarem tecnologia visionária, a preço
competitivo, com reforço em relacionamento construído com base em confiança e
profundo entendimento nas necessidades dos negócios de seus clientes.
Assim, torna-se evidente a constatação da condição de que no mundo moderno há
pouquíssimos processos de negócios que não tenham dependência, ou ao menos uma
interface, com a ciência da tecnologia da informação e comunicação. Não poderia ser
de outro modo no setor bancário, onde a informação constitui-se o único recurso
realmente significativo, de maneira que, no momento atual de elevada
competitividade em negócios onde a Tecnologia da Informação tem o potencial para
transformar empresas e contribuir efetivamente na manutenção do crescimento
sustentado de retorno aos investidores nas organizações, os mecanismos de
Governança Corporativa são complementados por conceitos específicos de
Governança em TI como prioridades nas empresas.
23
2.1
O Paradigma das Instituições Financeiras de Classe Mundial
As responsabilidades fundamentais da Governança Corporativa em Instituições
Financeiras de Classe Mundial encontram-se em prover a direção estratégica e
estabelecer controle sobre a execução das estratégias de negócios, as quais devem
incluir uma visão estruturada dos investimentos em Tecnologia da Informação e,
consequentemente, em Facilidades Prediais de Missão Crítica. Ao decidir os
investimentos prioritários em TI, questões fundamentais, incluindo a natureza
intangível de muitos dos resultados esperados, precisam ser endereçadas somente
após a aplicação de técnicas do cálculo de retorno sobre o investimento (ROI-Return
on Investiments).
A Tecnologia da Informação introduz riscos que devem ser geridos em busca de
sucesso do negócio, assim, o CEO e a Diretoria Executiva da Organização precisam
oferecer a visão e diretrizes fundamentais com foco na iniciativa de Governança em
TI para produzir uma estrutura contando com o correto nível de executivos
envolvidos em comitê específico, esclarecidos quanto ao apetite para riscos da
empresa e com responsabilidades bem definidas quanto ao gerenciamento de riscos
mensuráveis e monitorados, visando oferecer relevante contribuição no provimento
das garantias externas requeridas por dispositivos regulatórios como o SarbanesOxley e o Basiléia II. Ao descrever os domínios da Governança em TI podemos
abordá-los sob cinco perspectivas básicas, conforme tópicos a seguir: 13
♦ Alinhamento Estratégico – foco na garantia de ligação entre os negócios e os
planos de TI visando proporcionar o alinhamento entre as operações de TI e da
Empresa;
♦ Valor Agregado – estratégia concentrada na otimização de custos e no
provimento do valor intrínseco de TI;
♦ Gerenciamento de Recursos – foco na otimização dos investimentos e na gestão
adequada dos recursos críticos de TI : processos, pessoas e aplicativos
(informações);
24
♦ Gestão de Riscos - requer o tratamento de riscos em alto escalão da empresa,
mediante o claro entendimento do apetite aos riscos, transparência quanto aos
riscos relevantes e controle de responsabilidades na gestão de riscos da
organização;
♦ Indicadores de Desempenho – implementação de uma nova estratégia para
monitoração e avaliação de resultados, utilizando por exemplo, o sistema
“balanced scorecards”* como ação para se alcançar objetivos mensuráveis
estratégicamente ao invés da métrica financeira convencional.
Nada acontece por acaso na busca por uma boa “Governança em TI”, cujos
elementos
devem
ser
preparados,
adequadamente
implementados
e
monitorados de acordo com as orientações da alta direção (CEO & Board) ao
apreciar os riscos e as oportunidades do negócio inerentes à aquisição e
desenvolvimento das soluções de TI na Organização. Portanto, o contexto atual
de “Governança Corporativa” dos negócios em Instituições Financeiras de
Classe Mundial encontra-se apoiado em Tecnologia da Informação e ao
enfrentar o desafio de estabelecer a “Governança em TI” pode se deparar
também com um novo paradigma – implantar um modelo para a “Governança
em Facilities” da Organização.
A “Pirâmide de Tecnologia da Informação” descrita nas Figuras 10 e 11 a seguir, por
sua vez, tem por base a Gestão Completa de Infra-estrutura e Instalações, a qual, em
última análise e em plano básico, requer de organizações premidas por legislações
específicas, tais como a Sarbanes-Oxley e Basiléia II, a capacidade de demonstrar
rapidamente o controle efetivo do Gerenciamento de Facilidades Prediais (“Facilities
Management”), cuja ausência de conhecimento em domínios específicos que
permitam estabelecer o novo paradigma da “Governança em Facilities”,
simplesmente tornarão ineficazes as cinco dimensões tratadas nos domínios da
“Governança em TI”. Portanto, os conceitos a serem tratados nos próximos tópicos
do presente trabalho, alinhando-se às idéias de “Governança Corporativa” e
“Governança em TI”, vislumbram a Governança em Facilities como um novo
* Balanced Scorecard – ferramenta para a construção de um sistema de gestão estratégica.
25
paradigma a ser abordado por Instituições Financeiras de Classe Mundial,
principalmente em ambientes críticos de Data Centers conforme ilustração que
consta do Anexo “A”.
Figura 10 – A Estrutura de TI nas Empresas
Fonte : AUTOR
Pirâmide de Tecnologia da Informação
PROCESSOS
APLICATIVOS
INFRAESTRUTURA
Figura 11 – Elementos de Camadas na Estrutura de TI
Fonte : AUTOR
Pirâmide de Tecnologia da Informação
PROCESSOS
APLICATIVOS
Hardware
& Netware
Sistemas
de
Energia
HVAC
Segurança
Predial
Física
26
2.2
Gestão de Segurança da Informação
A gestão e o controle dos sistemas de Tecnologia da Informação (TI) visam inibir ou
minimizar os riscos identificados, bem como priorizar a proteção do que é mais
crítico, uma vez desenvolvidas todas as ponderações de vulnerabilidades para a
configuração dos riscos, em alinhamento às diretrizes de Governança em TI
conforme pode ser demonstrado no modelo COBIT que consta do Anexo “B” do
presente trabalho. A etimologia do termo “risco” tem sua origem incerta e muito
antiga, incorporando conceitos que passam da “fatalidade” à “fortuna” já no século
XII até a expressão “risco” aplicada no século XVI. Sabe-se que o termo teve um
emprego bem definido, ligado às transações comerciais no direito marítimo, embora
passasse a ser usado de forma rara e numa variedade de contextos, havendo registros
da palavra em português (século XV), no francês (século XVI), na antiga
Mesopotâmia (finalidade mercantil nos contratos de navegação), no Egito (ocupação
árabe) e na Itália como expressão própria do jogo (com o sentido de arriscar ou
ousar). Em resumo, desde sua origem o termo risco foi aplicado para
empreendimentos de grande monta e de contexto incerto para o sucesso,
especialmente aplicado na relação mercantil com o objetivo de ratear prejuízos e
benefícios.14
Na era moderna risco tornou-se sinônimo de “perigo”, criando-se a partir da segunda
metade do século XX o que se passou a chamar de a “era da incerteza” com o fim da
“cultura de segurança” praticada até o início do século XX. A evolução da ciência
trouxe força às proposições que enfatizavam o contexto, onde diferentes aspectos ou
“fatores de riscos” estariam contribuindo para o fenômeno em estudo. Nos dias de
hoje o conceito de “risco” alcança praticamente todas as dimensões da vida,
passando pelas ciências sociais com registro de elevado número de citações, na
literatura médica cuja cifra de referências é estrondosa e no poder que agora se
estabelece formalizando diretrizes de “prudência” para condicionar os desejos como
uma nova forma de controle social cujo conceito já alcança até a criminologia.14
27
A gestão de segurança da informação ao analisar e ponderar os riscos dos ambientes
físicos do Data Center, considera o espaço construído funcionando como um sistema
e seus elementos são partes integrantes de todo um complexo de infra-estrutura física
que possui a função de abrigar e proteger os ativos de TI, assim, as análises recorrem
ao entendimento deste como um todo indissolúvel, cujos subsistemas possuem
características funcionais específicas conforme consta do Anexo “C” do presente
trabalho. A teoria de sistemas teve sua origem histórica nos Sumérios da
Mesopotâmia, com a criação de um calendário para dominar o tempo, deste ponto de
partida foi criada tanto a astrologia, como os sistemas de numeração
decimal/hexadecimal e, ao se analisar as fases da lua, criou-se uma correspondência
de ordem lógica e previsível, ou seja, um sistema. Tal teoria formalizou-se a partir
dos anos 40 com a participação dos EUA na guerra mundial e vai até os dias atuais
nas diferentes propostas para elaboração de software e também na composição de um
ambiente físico seguro para armazenar e processar dados, ou seja, o sistema
denominado de “Ambiente Físico de Missão Crítica”.15
Figura 12 – Composição Básica de TI no Data Center
Fonte : ACECOTI
Entende-se o sistema como uma forma lógica de se descrever um conjunto de
elementos que permite a percepção de uma condição de ordem e a proposição de
uma forma operativa voltada para um dado objetivo, ou seja, pode-se definir o
sistema como uma coleção de entidades, relacionadas ou conectadas de tal modo que
formam um todo. O Data Center, como sistema descrito na Figura 12 acima, possui
28
diversos elementos ou entidades (pessoas, máquinas, objetos, informações e
subsistemas) que interagem num meio ambiente (interno ou externo) e dispõe de uma
organização própria, compreendendo relações em uma estrutura e um processo de
funcionamento.
O ambiente físico de datacenter deve considerar que o potencial de riscos a ser
levado em conta na busca da disponibilidade otimizada dos dados e de sistemas é
multifacetado. É indispensável o levantamento e avaliação de cada um dos riscos,
mas a avaliação só é possível após o exame conjunto de todos os componentes de
risco. A avaliação do potencial específico de risco depende necessariamente da
probabilidade de ocorrência de um dado evento, e esta por sua vez depende de
muitos fatores individuais existentes na área ao redor do CPD e dos sistemas de
hardware, conforme apresentado na Figura 13 a seguir.
Figura 13 – Ameaças ao Ambiente Físico
Fonte : ACECOTI
Exames analíticos e a avaliação de muitos sinistros diferentes mostram um cenário
de ameaças que pode ser ponderado da seguinte maneira : riscos relacionados com
pessoas (colaboradores internos); riscos de catástrofes naturais (força maior); riscos
de paralisações dos sistemas (downtime); riscos de influências criminosas externas
(ataques). A qualidade do ambiente físico é fundamental para a disponibilidade dos
sistemas de informações e envolve seis pontos básicos, a saber : proteção contra
sinistros naturais, acidentais e intencionais; alimentação ininterrupta de energia;
suprimento contínuo de ar climatizado-refrigeração; acesso seguro e controlado das
29
pessoas e equipamentos; monitoração e organização preparada para emergências;
adaptabilidade às reconfigurações futuras. As medidas de proteções que buscam
proporcionar no datacenter os resultados esperados de disponibilidade, integridade,
confidencialidade, legalidade e performance, concentram-se conforme disposto na
Figura 14 a seguir.
Figura 14 – Medidas de Proteção em Data Center
Fonte : ACECOTI
DATACENTER SEGURO – MEDIDAS DE PROTEÇÃO
A concepção dos conceitos de Datacenter Seguro e Inviolável, aplicados às
condições intrínsecas do local escolhido, buscam na flexibilidade uma qualidade
fundamental do projeto, visto que soluções flexíveis facilitam mudanças, portanto,
também reduzem os riscos inerentes em alterações nos ambientes físicos e sua infraestrutura. A evolução e a demanda por áreas cada vez mais seguras e confiáveis para
a Tecnologia da Informação tem aumentado e os clientes de TI esperam
confiabilidade e disponibilidade elevadas no datacenter, além da possibilidade de se
executar atividades de manutenção planejada de infra-estrutura sem desligar a carga
crítica e ser simultaneamente mantido. É importante lembrar que um datacenter
30
típico é composto de pelo menos 20 (vinte) principais itens nas áreas mecânica,
elétrica, proteção contra fogo, automação predial, supervisão, segurança e outros
sistemas, cada um deles com subsistemas adicionais e seus componentes, bem como,
a qualidade no gerenciamento dos fatores humanos é um dos elementos mais
significantes e devem ser tratados nas definições dos procedimentos de operação,
manutenção e monitoração, como um conjunto de funções e responsabilidades do
Gerenciamento de Facilidades que pode ser descrito conforme consta do Anexo “D”
do presente trabalho.
A conceituação para o ambiente datacenter prefere entender os “fatores de riscos”
como sendo as características ou circunstâncias cuja presença está associada a um
aumento da probabilidade de que o dano venha a ocorrer e o resultado de todo o
esforço investigativo acaba se convertendo num marco de fronteira entre o seguro e o
perigoso, logo, a redução do risco intrínseco (no ambiente) implica diretamente em
redução das perdas por acidentes. A exclusão da incerteza é uma forma de uso do
conhecimento científico que se presta à exclusão do acaso e da tragédia e seu
propósito é promover o mito do sistema sem espaço para qualquer não conformidade,
servindo-se do logro através do explendor sistêmico que permite o paradoxo da
retomada de relações de causa-efeito no âmbito do conceito de “risco”.
Figura 15 – Exemplo de CPD em Sala Cofre
Fonte : ACECOTI
31
De modo que o CPD possua as características de um verdadeiro cofre como no
exemplo que consta da Figura 15 na página anterior, como construir um datacenter
seguro ? A gestão de riscos no datacenter deve considerar todas as questões visando
identificar as “ameaças” ou “fatores de riscos” à Tecnologia da Informação. Assim
deve ser preparada para oferecer soluções e responder aos diversos questionamentos,
tais como : a corporação pode sobreviver sem informações ? a perda de informações
paralisa a empresa ? as corporações estão cada vez mais dependentes da tecnologia
da informação ? o volume de dados armazenados cresce a cada dia ?
A fragilidade e a suscetibilidade dos sistemas, constantemente sob ameaças físicas
(incêndios, impactos, gases corrosivos, radiações, magnetismo, poeira, alagamento),
ameaças tecnológicas (panes de hardware, falhas de energia elétrica, falhas de
climatização, virus, cavalos de tróia, vermes eletrônicos, bombas lógicas, hackers,
acessos indevidos aos sistemas, falhas de software) e ameaças humanas (negligência,
erros de operação, fraudes, vandalismo, sabotagem), torna as corporações
vulneráveis a paradas de operação por acidentes, cujas ocorrências podem significar
prejuízos irrecuperáveis comprometendo a continuidade dos negócios.
O amplo “quadro de ameaças” ou “fatores de riscos” precisa ser devidamente tratado
através de medidas apropriadas de proteção que visam proporcionar ao datacenter os
resultados esperados de disponibilidade, integridade, confidencialidade, legalidade e
performance. Assim todo evento fortuito que possa causar paralisação, falha de
operação ou perda de informação do cliente deve ser objeto de enfoque nos sistemas
de segurança do datacenter, tendo como função de monitorar, controlar e impedir a
ocorrência deste através da implantação de dispositivos para o controle de acesso,
detecção de intrusão, monitoração de imagens, sistemas antifurto, detecção precoce e
pontual de incêndio, extinção de incêndios, detecção de líquidos/vapores,
interferências eletromagnéticas, proteção contra descargas atmosféricas, todos estes
interligados à um sistema de supervisão e inteligência predial, possibilitando o
monitoramento de parâmetros essenciais e acionando alarmes em caso de desvios ou
eventos que possam colocar em risco a segurança ou operação do CPD.
32
Obviamente que antes de qualquer ação sobre os “fatores de riscos” nas instalações
de datacenter, eles devem ser objeto de estudos e análises para que sejam conhecidos
e classificados, sendo que a gestão de riscos deve se aprofundar nas operações da
organização e descobrir efetivamente os riscos expostos. Alguns riscos são
relativamente de fácil identificação e outros podem não ser identificados numa visão
geral, mas há importantes ferramentas de aproximação ao problema de identificação
de riscos que incluem check-lists da política de seguros, questionários de análise de
riscos, quadros do fluxo de processos, análises de dados financeiros e inspeções em
campo das operações da organização.
A avaliação quantitativa nos permite a identificação-reconhecimento dos riscos (“a
priori”) com a aplicação específica de conceitos e técnicas aos sistemas sob análise
(homeostase,
árvores-descrição
do
processo/
“what
if”,
checklists-walk
trough/prioridades/matriz de exposição), bem como nos permite a investigação de
eventuais acidentes com aplicação também específica de teorias (mono-multicausal,
risco/acaso-complexidade) e técnicas (simulação-árvores, causa-efeito/espinha de
peixe, AF/Boing, matriz hierárquica, “TOR-Technic of Operations Review”).14
Qualitativamente podemos analisar vários aspectos do funcionamento do datacenter
efetuando vários questionamentos e identificando as premissas dos negócios, tais
como: Quanto tempo a empresa suportaria a parada do seu datacenter ? Qual é o
custo de parar e de se recuperar ? Qual o impacto desta interrupção ? Qual o nível do
investimento necessário e a proteção mais adequada ? Qual o acordo do nível de
serviços com seus clientes internos e externos ? Qual a disponibilidade desejada pela
empresa ? 99,9% ? É possível tolerar 8 horas/ano de paralisação que corresponde ao
0,1% de tolerância ? Quanto tempo a empresa leva para recuperar a performance
após um acidente ? Discos - quanto tempo para recuperar informações on-line?
Back-ups - qual o tempo para recuperação dos back-ups ? eles estão 100%
atualizados ? Equipamentos - qual o tempo dos fornecedores para repor Telecom
(switchs, routers, controladores, dentre outros), Servidores, Mainframes, Robots, Nós
de Redes ? Sites de Contingência – os processos críticos estão identificados ? Existe
um site alternativo para os processos críticos e ele está 100% preparado para atender
aos seus acordos de níveis de serviço? Quanto tempo para relocar equipamentos e
33
pessoal ? Qual o momento que, a partir dele, a sobrevivência de uma empresa corre
perigo com a parada do processamento ? Todas estas questões podem contribuir para
se determinar o tempo máximo de sobrevivência de uma empresa a partir da
interrupção dos serviços de processamento de dados, conforme a ilustração gráfica
que consta da Figura 16 a seguir.
Figura 16 – Momento de Falência em Parada do CPD
Fonte : LOSS CONTROL
Podemos ainda nas análises qualitativas identificar os diversos fatores de riscos
físicos através de inspeções em campo das instalações e operações do datacenter e
identificar focos de problemas. O progresso tecnológico demanda riscos, a atividade
diária demanda riscos, a própria vida demanda riscos e a capacidade de utilizarmos
todos os recursos disponíveis para a eliminação ou redução desses riscos configura
um princípio a ser perseguido e os resultados são de amplo alcance, tanto para os
empresários que garantem um dimensionamento adequado de seus riscos e a
prevenção apropriada, quanto para o mercado segurador como um todo (seguradores,
resseguradores e corretores) que dispõem de subsídios e técnicas de análise cada vez
mais aperfeiçoadas, consolidando a seriedade e credibilidade inerentes a esse
trabalho, implicando em benefícios que são de todos em face do desenvolvimento e
manutenção de negócios.16
A gestão de segurança da informação possui um aspecto de maior ênfase nas ações
preventivas descritas pela gestão de riscos, mas também não deve prescindir de
34
analisar todas as ações necessárias no caso de ocorrência de algum desastre,
catástrofe ou mesmo qualquer contingência de funcionamento nos ativos de TI e
Telecom que são mantidos no ambiente físico do CPD, sendo este o enfoque da
gestão de crises. A etimologia da palavra crise tem sua origem no latim significando
“momento de decisão, mudança súbita” e no grego como “ação ou faculdade de
distinguir-decisão-momento decisivo”, cujo conceito possui diferentes dimensões de
caráter individual ou coletivo e pressupõe a idéia dos deflagradores com base em
fatores de riscos e características anunciadas. A crise possui causa e contexto e
decorre como conseqüência do risco ou incertezas, trazendo implicações para o
edifício no território de suas relações e no âmbito de responsabilidades da gestão e
entidades envolvidas. A gestão de crises ou gestão de emergência visa planejar e
estabelecer responsabilidades antes, durante e depois de ocorrida a crise, definindo as
ações do pessoal especializado (ex: bombeiros) ou não especializado (ex: escritório).
A gestão de emergência tem por objetivo desenvolver e manter um programa de
emergência, o qual deve definir e avaliar os perigos potenciais, estimar os recursos
necessários para atender emergências, manter inventário e determinar necessidades
não atendidas, fazer plano de contingência, adequar periodicamente e estabelecer as
mudanças deste programa.17
A gestão de crises ou de emergências no datacenter remete-nos ao conceito de
contingência que nos leva a pensar no fato de o serviço, do departamento ou da
empresa não poder parar se determinados problemas ocorrerem. São muitos os
exemplos de responsáveis previdentes que pensam e buscam implementar as
contingências necessárias para caso ocorra um problema grave com equipamentos,
sistemas, pessoal e serviços básicos, ou seja, com qualquer fator que possa ser
considerado essencial para a manutenção das informações críticas e continuidade dos
processos sob sua responsabilidade, sendo esta uma característica desejável , pois
beneficia a organização e conseqüentemente a seus clientes internos e externos. Se é
comum encontrar tais situações, porque o processo de gestão de crises deve nos levar
a pensar em desenvolver um Plano de Contingência para o Data Center ?
35
Dentre várias respostas possíveis, duas se destacam para justificar este plano :
" Um problema ou desastre que inviabilize a continuidade de um processo
fundamental para a organização pode ocorrer de maneira imprevisível e ela pode
não estar preparada para uma saída rápida e eficaz do problema;
" Ainda que exista uma solução adequada, nem todos os que devem ser acionados
saberão agir de forma ordenada ou poderão ser localizados e isto pode aumentar
em muito o tempo de ativação da contingência, agravando a situação e afetando
os clientes.
O que diferencia um bom Plano de Contingência são os resultados alcançados que
ocorrem em função da participação adequada das pessoas-chave responsáveis pelas
operações e das técnicas utilizadas nas várias análises que precisam ser feitas –
valores, riscos, impacto, criticidade, desastre, estratégias, tática – baseadas em
levantamentos, entrevistas na infra-estrutura, investimentos disponíveis, processos,
sistemas e condições básicas como back-up. Tudo deve ser feito numa seqüência
logicamente. Como exemplo, nas análises de riscos de um determinado processo são
identificados os fatores críticos de que este depende, qual o grau de dependência e a
respectiva confiabilidade. O resultado destas análises consiste no que é essencial no
plano – são definidas as melhores estratégias de contingência e as atividades a
executar em cada possível desastre contemplado para toda a equipe envolvida.
Assim, ao se pensar em desenvolver um Plano de Contingência para o datacenter
podem ocorrer vários questionamentos de diversas ordens e até mesmo pode ser
considerado um conceito de site de contingência que se constitui num outro ambiente
físico totalmente preparado para obedecer os seguintes requisitos :18
" Site preparado para assumir toda a produção em caso de contingência;
" Ambiente inviolável e seguro como o site principal;
" Preservar a continuidade de negócios da organização.
O crescimento na adoção de tecnologias da informação nas instituições, o cenário de
globalização da economia com as informações assumindo papel estratégico nas
negociações e afim de responder às mais diversas necessidades, os órgãos
reguladores e as empresas de auditoria independentes, bem como os vários parceiros
36
de negócios e muitos deles internacionais, têm exigido que as empresas evidenciem
as medidas tomadas para garantir a integridade e disponibilidade dos dados
necessários para a concretização de transações de toda ordem, utilizando-se como
base as mais variadas normas desde o segmento financeiro com os acordos de
Basiléia/Basiléia II e circulares do Banco Central (CI 2892), bem como das mais
atualizadas normatizações técnicas de segurança da informação, destacando-se a NB1334 e NB 1335 que fixam as condições ambientais exigíveis para cada mídia de
armazenamento de dados, além das ISO 27001:2005, NBR ISO/IEC 17799:2005 e a
Euronorma EN 1047:2 que discorrem de maneira geral e abrangente sobre as
diretrizes para os ambientes de CPD.19
Ao elencar os principais requisitos de segurança física com ênfase na Gestão de
Riscos em ambiente Datacenter, consideramos as melhores práticas a serem
aplicadas nas instalações deste tipo de ambiente em edificação de Missão Crítica,
mediante o desenvolvimento da aplicação teórica para dar conta de acontecimentos
com o uso da Teoria Geral de Sistemas, o Conceito de Risco, das teorias e técnicas
para identificação de perigos nas Avaliação Quantitativa, das configurações de
valores de probabilidade e implicações da modelagem na Avaliação Qualitativa, das
ponderações de Vulnerabilidades, das possibilidades de superação dos problemas
pelos Controles, das abordagens de aspectos extra-técnicos na metodologia de Gestão
e a classificação de critérios nas medidas de tratamento de Crises na Gestão de
Emergências.
Um plano de verificações de vulnerabilidades físicas deve ser moldado para analisar
cada problema em potencial e cada um de seus impactos, consequências e efeitos, os
quais devem ser considerados sob três perspectivas de tempo – antes, durante e
depois do incidente. O ponto mais importante ao se preparar um check-list de
vulnerabilidades é de que se possa incluir todos os espaços do edifício – espaço de
uso específico, espaços comuns, sistemas de suporte, espaços de infra-estrutura,
enfim, todo e qualquer espaço aberto, seja no telhado ou em subsolos, corredores,
halls e garagens.
37
Em cada um dos ítens que constam do check-list o analista deve indicar o que
descobriu, utilizando-se de quatro categorias para classificação : (1) atenção
imediata; (2) problema potencial; (3) aceitável; (4) não se aplica. A metodologia de
pesquisa deve prever que os levantamentos ocorram de fora para dentro do ambiente
sob análise, ou seja, os aspectos do exterior do prédio devem ser considerados em
primeiro plano, seguindo-se para a entrada, recepção, áreas comuns localizadas no
andar térreo, posteriormente, as áreas de coberturas com a observação de estruturas
alí posicionadas, tais como as torres de resfriamento, reservatórios de água,
helipontos e aspectos do telhado. A pesquisa deve se extender para os andares abaixo
incluindo-se os andares em subsolos com as casas de máquinas, almoxarifados,
passágens de leitos e cabeamentos elétrico e de telefonia, bem como tudo mais que
possa estar posicionado de cima até embaixo no edifício.20
Em todos os andares e espaços considerados se faz de vital importância a inspeção
do que está atrás daquelas “portas misteriosas” que ninguém parece conhecer ou
saber quem tem as chaves, bem como, quaisquer outros ítens que não estejam
presentes no check-list básico que deve ser desenvolvido para cada prédio envolvido
nas análises de impacto aos negócios da organização, cujos quesitos podem ser
considerados para as condições associadas nas categorias de ambientes relacionados,
conforme segue :
i. Localização e implantação do Site;
ii. Aspectos Gerais do Edifício : condições gerais, gerenciamento, recepção e
acesso, cobertura, elevadores, saídas de emergência, sobpisos e entreforros,
salas de arquivos, salas de computadores e telecomunicações, escritórios,
equipamentos e serviços de telefonia, corredores de circulação, ambientes de
apoio (sanitários/copa/cozinha/cafeteria/ambulatório/escadarias/dentre outros);
iii. Equipamentos e serviços elétricos : geradores de emergência, painéis e quadros
de força, UPS, salas de baterias, gerenciamento de energia, subestações,
passágens de cabeamentos;
iv. Ar-condicionado : casas de máquinas, sistema de tubulações hidráulicas, salas
de fancoils, dutos e plenos de distribuição de ar;
38
v. Sistemas de Segurança, Detecção e Alarmes, Combate à Incêndios : controle
de acessos, alarmes de fumaça, proteções contra incêndios, proteção contra
intrusão, sistemas de combate via sprinkler ou gases, detectores de líquidos,
dentre outros;
Um problema em potencial existe quando o ítem ou condição considerada resulta em
danos às pessoas ou risco de vida, danos ao espaço físico ou interrupção de processos
críticos, sendo que, o processo de análises via o check-list de vulnerabilidades físicas
deve endereçar quais são os riscos, o nível de impactos e consequências, além de
seus efeitos, visando reduzir tais riscos ao nível de ALARP-As Low as Reasonable
Practicable (Tão Baixo Quanto Razoalvelmente Praticável). A metodologia de
pesquisa de vulnerabilidades físicas pode considerar vários ítens nas listas de
quesitos a serem aplicados aos ambientes sob análises, cuja plenitude e abrangência
do plano deve ser desenhado em cada caso concreto para servir de modelo ou
referência ao desenvolvimento de um check-list específico.20
Neste sentido, além de prover uma visão geral de vulnerabilidades físicas que devem
ser consideradas nas planilhas de check-list dos quesitos para coleta de informações
sobre os ambientes de Missão Crítica para TI em Instituições Financeiras de Classe
Mundial, também deve ser elencado o nível aceitável de risco que a empresa pode
conviver, ou seja, considerando-se tudo aquilo pode ser “aceitável” ou “tolerado” na
totalidade de riscos concernentes às pessoas, espaços e processos que venham
implicar em “salvaguardas” aos resultados operacionais da Organização.21
Muitas organizações já estão começando a entender que uma boa estrutura de
gerenciamento de segurança da informação pode ser um fator tão crítico para o
sucesso e continuidade de um negócio quanto a estrutura do gerenciamento de TI .
Para se criar tal estrutura de gerenciamento de segurança da informação, as melhores
e boas práticas podem ser consideradas em um escopo básico de providências,
conforme o exemplo relacionado no conjunto de atividades descritas nas proposições
como segue : 19
39
" Antes de mais nada, deve ser criada uma estrutura organizacional para iniciar,
implementar e controlar a segurança da informação dentro da empresa. Dois
fatores são essenciais : o comprometimento/suporte da alta administração e a
indicação de responsável pelo gerenciamento da segurança;
" Um Comitê de Gerenciamento deve ser criado para promover a segurança da
informação dentro da organização através do comprometimento e recursos
necessários para a implementação. O comitê deve tratar dos seguintes pontos :
revisão e aprovação da política de segurança da informação; monitoramento da
exposição dos ativos de informação às ameaças; revisão e acompanhamento dos
incidentes de segurança; aprovação de iniciativas para melhorar a segurança da
informação;
" Um Gestor de Segurança da Informação deve ser nomeado para arcar com toda a
responsabilidade pelo desenvolvimento, implementação da segurança e pelo
suporte à identificação dos controles. Além disso, as responsabilidades
individuais pela proteção dos ativos e condução dos processos específicos de
segurança devem ser claramente definidas;
" Várias responsabilidades podem ser delegadas a outros colaboradores ou
prestadores de serviços, mas uma pessoa tem que ser a responsável fina, sendo
capaz de demonstrar que toda responsabilidade delegada está corretamente
mantida;
" Um processo de autorização para novas aquisições de tecnologia da informação
deve ser estabelecido. Estes controles são especialmente importantes em
ambiente de rede;
" Consultores de segurança da informação, internos ou externos, devem ser
procurados e contratados. A qualidade das análises e avaliações das ameaças à
segurança e as recomendações de controles são os que determinarão a eficiência
da segurança da informação na organização;
" Contatos legais com autoridades, instituições reguladoras, provedores de serviços
de informação e operadores de telecomunicações deverão ser mantidos de forma
a garantir que rapidamente possam ser tomadas ações e obtidas as
recomendações, na ocorrência de incidentes de segurança;
40
" A
implementação
da
segurança
da
informação
deve
ser
revisada
independentemente (auditoria interna ou consultoria especializada) para oferecer
garantia de que as práticas da organização refletem apropriadamente a política
adequada e eficiente.
2.3
Conceitos em Facilidades Prediais de Missão Crítica
A cada ano podemos verificar uma situação muito comum à muitas pessoas em
escolas, escritórios, vizinhanças e outros tantos lugares, quando, principalmente nas
mudanças de estações, começam a sentir dores no corpo e cabeça, coriza, mau-estar e
outros sintomas daquele desconfortável incômodo – a gripe. O que fazer nesta
situação? A maioria procura a farmácia mais próxima em busca de um antigripal
qualquer, quando muito, em páginas amarelas ou listas de referências procuram por
um médico clínico geral. Entretanto, se o mesmo caso acontecer ao filho único de um
casal, acompanhado de forte dor de ouvido, com certeza, o médico da família será
chamado ou um pediatra de confiança ou, até mesmo, um médico de grande
especialização como um “otorrinolaringologista” e, não raro, será aquele profissional
recomendado por vários amigos e familiares.
Eis a razão porque cercar-se de “especialistas” – há uma necessidade de se tratar um
“caso especial”, onde as circunstâncias e os riscos associados requerem profissionais
extremamente preparados, focados em áreas específicas do conhecimento, ou seja,
pessoas que conhecem muito bem os riscos e como minimizá-los – assim, isto tanto é
verdade nas profissões médicas ou jurídicas, na qualidade de serviços
personalíssimos e revolucionários para mudar as regras do jogo22, como no campo
do design presente na arquitetura, engenharia e construção dos Prédios de Missão
Crítica, a exemplo daqueles que abrigam soluções de Tecnologia da Informação em
Instituições Financeiras de Classe Mundial.
41
O que faz do MCF-Mission Critical Facilities (Facilidades de Missão Crítica) uma
especialidade ? De início, a operação de negócios relacionada requer um profundo
entendimento dos requisitos e elementos da Tecnologia da Informação (TI) –
roteadores, servidores, mainframes, redes LAN/WAN, discos, robôs, etc – e das
condições necessárias para manter estes equipamentos funcionando adequadamente.
A história do seguimento de MCF-Mission Critical Facilities está associada à
história da Tecnologia da Informação que a partir do começo dos anos 70 passou a
estar em destaque com o lançamento dos computadores de grande porte, os
chamados mainframes usados para uma variedade de aplicações matemáticas, cujos
conceitos foram entrando, infiltrando-se e sobrepondo-se aos negócios no mundo, até
chegarem ao contexto atual de completa dependência de “TI & Facilities” como o
evidenciado nas Instituições Financeiras de Classe Mundial. A aceleração do avanço
tecnológico no último século é impressionante como se pode verificar através da
análise de velocidades do fluxo de informações, demonstrado na Tabela 1 a seguir,
cujo encurtamento crescente do tempo verificado entre o aparecimento de novas
invenções pode ser atribuído aos ciclos virtuosos criados por um avanço científico
que possibilita outros e assim sucessivamente, bem como, por uma velocidade de
propagação de informações decorrente dos avanços sucessivos, as quais alcançam
cada vez mais pessoas cada vez mais rápido. 23
Tabela 1 – Velocidade de Propagação das Informações
Fonte: ZUFFO (1997)
Era
Duração (anos)
Velocidade de Interação (km/h)
Primitiva
20.000 – 40.000
0,4 – 0,8
Agro-pastoril
2.000 – 4.000
4–8
Industrial
200 – 400
40 – 80
Pós-industrial
20 – 40
400 – 800
Infoera
2–4
4.000 – 8.000
42
Apesar de comparado à um elefante no tamanho, o primeiro mainframe era frágil
quanto aos requisitos ambientais para o seu funcionamento e produzia calor
suficiente ao disparo de três estágios do alarme de incêndio. As empresas dispostas a
manter este tipo de “brutamontes” em operação, precisavam construir salas
especialmente preparadas com sistemas de ar-condicionado e ventilação, sendo este
fato a primeira interseção histórica da Tecnologia da Informação com a
Engenharia/Arquitetura. Ainda nos anos 70 os “mainframes” começaram a serem
substituídos por computadores muito menores – o PC (“Personal Computer”) – e as
empresas começaram a confiar as suas informações financeiras e processamento de
dados à estas máquinas.24
Na medida em que a industria digital progredia rapidamente, as organizações
começaram a ficar extremamente vulneráveis às falhas dos computadores, entretanto,
tão logo quanto este problema foi evidenciado a industria digital passou a construir
equipamentos de melhor qualidade, superando a marca dos 99% de confiabilidade.
Este constituiu-se o grande marco histórico para o nascimento do MCF-Mission
Critical Facilities, quando as instalações prediais que abrigavam os computadores
começaram a falhar mais do que os equipamentos de TI por suas causas próprias,
onde começaram a ficar evidentes as falhas de energia essencial e os problemas de
ar-condicionado, bem como os requisitos de TI por melhorias de qualidade dos
sistemas de infra-estrutura básica, ou seja, nascia a necessidade do MCFM-Mission
Critical Facilities Management (Gerenciamento de Facilidades de Missão Crítica)
com os seus três requisitos essenciais ou desafios principais de elevação do
desempenho nos sistemas – Disponibilidade, Confiabilidade e Flexibilidade de
Manutenção (Manutenibilidade).
Afinal de contas, o que é a área de MCF-Mission Critical Facilities ? A maneira
mais fácil de explicar esta especialidade que requer abrangência multidisciplinar do
conhecimento (engenharia, arquitetura, legislações, TI, administração e outros
complementares) pode ser encontrada ao se dissecar a própria composição do termo,
como segue : 25
43
♦ Mission Critical (Missão Crítica) – se refere à tecnologia que suporta um
negócio essencial ou função governamental de caráter funcional ininterrupto
(operação: 24horas/dia e 365 dias/ano). Isto engloba qualquer parte do sistema
crítico de equipamentos – se alguma destas apresenta falhas pode implicar em
perdas significativas para a empresa, seus funcionários, seus investidores ou
sua reputação;
♦ Facility (Facilidade ou Instalação) – se refere ao prédio, estrutura ou infraestrutura, edifício, instalações, facilidades prediais ou qualquer outro sinônimo
que se possa encontrar no dicionário;
♦ Mission Critical Facility (Facilidade de Missão Crítica) – se refere ao
sistema predial como um todo ou seus subsistemas internos em específico que
abrigam e/ou suportam os computadores e seus equipamentos auxiliares de TI.
Tradicionalmente há três elementos fundamentais na composição típica dos
Prédios de Missão Crítica, a saber:
" “The Data Center” (CPD-Centro de Processamento de Dados), um
repositório central de computadores e outros equipamentos auxiliares de
TI que gerenciam as aplicações críticas da empresa;
" “The NOC-Network Operation Center or The SOC-Security Operation
Center or CC-Comand Center” (Centro de Controle Operacional e de
Segurança da Rede de Computadores), uma sala especialmente desenhada
para alocar os recursos (humanos e físicos) visando a monitoração e
operação dos equipamentos de TI do CPD. Esta é a área onde os
funcionários da empresa supervisionam as atividades dos sistemas de TI –
mainframe, discos, servidores, firewall, tráfego de Internet, desempenho
dos circuitos de comunicações de dados, capacidade de armazenamento
de dados, invasão dos sistemas de informação, distribuição de software e
atividades relacionadas.
" “The Energy Plant” (A Fonte Principal de Infra-estrutura Básica ou Planta
de Energia), um conjunto de áreas específicas de infra-estrutura básica do
Prédio de Missão Crítica, onde concentram-se as fontes essenciais de
energia (geradores, UPS/No-break, baterias, painéis principais de força,
transformadores, chaves estáticas, chaves de transferências e outros) e de
44
climatização ou ar-condicionado (refrigeração/ventilação/aquecimento:
chillers, centrífugas, fancoils, bombas, torres de arrefecimento, tubulações
hidráulicas, válvulas e outros);
♦ Mission Critical Facilities Management (Gerenciamento de Facilidades de
Missão Crítica) – se refere ao processo de gestão dos ativos físicos da infraestrutura básica de instalações prediais em um sistema de Missão Crítica,
com a função de abrigar e suportar computadores e demais equipamentos de
TI. Trata-se de especialidade técnica no ramo do Gerenciamento de
Facilidades que também envolve um conhecimento de maior abrangência
multidisciplinar (administração, “TI & Facilities”, legislações, engenharia de
valores, gestão de riscos operacionais, governança, segurança física, dentre
outros), visando produzir a Interação PPP (Pessoas, Processos e
Propriedades) para alcance dos objetivos estratégicos da atividade-fim de
Tecnologia da Informação e suporte aos negócios da Organização.
O Gerenciamento de Facilidades de Missão Crítica (Mission Critical Facilities
Management), em última análise, trata-se do modelo proposto visando produzir uma
Gestão Completa de Infra-estrutura e Instalações, cuja estratégia principal encontrase fundamentada no conceitos de que missão crítica significa funcionamento
ininterrupto 24 horas/dia, 07 dias/semana, 365 dias/ano e, até mesmo,
366 dias/ano- bissexto, ou seja, a busca da máxima disponibilidade dos sistemas de
infra-estrutura básica que, na atualidade, constitui-se em manter quase cinco noves
nos índices percentuais envolvidos (99,999% ou próximo disso, com os índices da
ordem de 99,995% alcançados na mais alta categoria definida para os CPD’s de
Classe Mundial – a Classe IV).
Assim, nasce o conceito básico, que neste trabalho foi denominado de “Governança
em Facilities”, focado na necessidade de uma estratégia visando produzir maior
confiabilidade aos sistemas de infra-estrutura básica, efetivo controle dos ativos
físicos e capacidade de agilizar os demonstrativos de desempenho na gestão
completa dos recursos envolvidos em processos alvos das verificações de
Performance & Compliance por auditorias internas ou independentes. Tal
45
estratégia, pode ser descrita através de cinco tópicos básicos visando incrementar a
confiabilidade e gerenciabilidade do conjunto de recursos de MCF-Mission Critical
Facilities, a saber :
i. Redundância – componentes secundários do sistema que iniciam operação
instantânea ou permanecem em operação contínua, de tal modo que se o
componente primário falha, o secundário supre a necessidade e não resulta em
falha do sistema como um todo;
ii. Manutenibilidade – habilidade para se desenvolver uma rotina de manutenção
em qualquer componente da infra-estrutura básica sem afetar a missão ou o
processo de funcionamento vital dos equipamentos de TI, implicando em
possibilidade de cumprir o plano geral de intervenções técnicas (preventivas,
preditivas ou eventuais corretivas) recomendadas pelos fabricantes dos
materiais/equipamentos e por legislações/normativas vigentes;
iii. Flexibilidade – habilidade para se antecipar futuras mudanças no espaço físico,
comunicações, densidade de cargas nas áreas de energia e ar-condicionado,
oferecendo adequada capacidade de resposta às necessidades de mudanças sem
afetar as aplicações críticas de TI;
iv. Resistência à Catástrofe – proteção contra forças físicas e desastres naturais
que podem acontecer a qualquer tempo;
v. Segurança – proteção contra falhas ou lacunas de segurança nos processos e
sabotagem. Em detrimento disso, nem todos os sistemas de MCF-Mission
Critical Facilities são projetados e construídos focados em confiabilidade e
algumas empresas priorizam sobretudo os custos, sacrificando os detalhes
que protegem as aplicações de Missão Crítica. Tal prática pode permitir
uma operação adequada por alguns poucos anos, mas rapidamente
encontra uma situação de infra-estrutura obsoleta agravada por freqüentes
falhas de funcionamento dos sistemas prediais que implicam em
paralisações indesejadas dos equipamentos de TI, prejuízos financeiros e
detrimento de imagem da Organização.
Em resumo, podemos concluir que um Prédio de Missão Crítica possui uma estrutura
sofisticada que suporta a tecnologia vital aos negócios empresariais ou operações
46
governamentais, desta forma, nunca poderá ser abordado como os edifícios
convencionais onde os recursos de infra-estrutura são implantados com preocupações
distintas daquelas presentes em aplicações com necessidades de se manter uma
permanente ininterruptibilidade de operações e de corresponder às exigências dos
mais elevados índices percentuais quanto aos fatores de disponibilidade,
confiabilidade e manutenibilidade das instalações físicas, constituindo-se o objeto de
atuação na Gestão Completa de Infra-estrutura e Instalações contido no modelo
proposto neste trabalho de Governança em Facilities para contribuir no
Gerenciamento de Facilidades de Missão Crítica (“Mission Critical Facilities
Management”).
2.4
Classificação de CPD’s (Desempenho Físico)
Uma das questões mais polêmicas no campo da ininterrupbilidade de funcionamento
dos recursos de MCF-Mission Critical Facilities (Facilidades de Missão Crítica)
constitui-se em estabelecer uma classificação de confiabilidade dos ambientes físicos
de infra-estrutura básica para o suporte das funções críticas de TI e,
consequentemente, dos negócios das empresas, assim, muitos esforços têm sido
empreendidos por várias associações e institutos de classe que congregam inúmeros
profissionais do Gerenciamento de Facilidades em âmbito mundial, com a finalidade
de estudar os aspectos especiais relevantes deste segmento e seus casos típicos de
ocorrências, bem como buscar estabelecer um padrão comum de benchmarking
(comparação) deste mercado.
Ao estudar o desempenho físico para a classificação dos espaços construídos de
CPD’s se faz necessário entender alguns aspectos sobre a funcionalidade dos
edifícios que está diretamente relacionada com os seus sistemas prediais, uma vez
que estes são elementos integrados ao edifício, que têm por finalidade dar suporte às
47
atividades dos usuários, suprindo-os com os insumos necessários e fornecendo-lhes
os serviços requeridos. A definição de funcionalidade adotada pela ASTM-American
Society for Testing and Materials é: “ser adequado para um uso particular ou função”
e a classificação dos elementos do edifício dada na Tabela 2 na página seguinte,
permite a análise que demonstra a correlação predominante de funcionalidade com o
subsistema “serviços”, composto basicamente por sistemas prediais que determinam
a possibilidade do desenvolvimento da atividade pretendida, seja ela qual for. 3
Considerando a hipótese dos sistemas prediais serem suprimidos do edifício, restará
tão somente um espaço inerte – que não funciona - portanto, não sendo possível a sua
utilização para as atividades propostas, logo, há uma extrema relevância e suma
importância do valor agregado por estes sistemas ao funcionamento esperado para o
edifício, ainda mais, quando se tratar de um espaço construído para CPD contendo
sistemas de MCF-Mission Critical Facilities, visando abrigar os equipamentos e
suportar as funções de Tecnologia da Informação (TI), essencialmente cruciais aos
negócios de uma Instituição Financeira de Classe Mundial.
As mais recentes iniciativas de organizações globais de padronização para ambientes
físicos de MCF-Mission Critical Facilities estão reconhecendo as necessidades de TI
e formulando recomendações, classificações e padronizações, em busca do mais alto
desempenho de infra-estrutura básica para os espaços construidos de Data Centers
(Centros de Processamento de Dados-CPD), sejam eles prédios exclusivos ou
ambientes específicos para os ativos de TI inseridos numa parte da edificação, cujos
parâmetros encontram-se descritos em padrões de desempenho e aderência
(Performance & Compliance).
48
Tabela 2 – Classificação dos Elementos do Edifício
Fonte: ASTM Uniformat II - EL 557-97
Nível 1
Grupo Principal de Elementos
Nível 2
Grupo de Elementos
A10 – Fundações
A – INFRAESTRUTURA
A20 – Subsolos
B10 – Superestrutura
B – ENVOLTÓRIA
B20 – Vedação Externa
B30 – Cobertura
C10 – Construções Internas
C – ESPAÇOS INTERNOS
C20 – Escadas
C30 – Acabamentos
D10 – Transporte
D20 – Tubulação
D – SERVIÇOS
D30 – HVAC
D40 – Proteção ao fogo
D50 – Elétricos
Nível 3
Elementos Individuais
A1010 – Fundações usuais
A1020 – Fundações especiais
A1030 - Sapatas
A2010 – Escavações
A2020 - Paredes
B1010 – Lajes
B1020 – Telhados
B2010 – Paredes Externas
B2020 – Janelas Externas
B2030 – Portas Externas
B3010 – Telhados
B3020 – Lajes Impermeabilizadas
C1010 – Divisórias
C1020 – Portas Internas
C1030 - Instalações
C2010 – Construção das escadas
C2020 – Acabamentos das escadas
C3010 – Acabamentos de paredes
C3020 – Acabamentos de pisos
C3030 – Acabamentos de forros
D1010 – Elevadores e monta cargas
D1020 – Escadas e esteiras rolantes
D1030 – Outros sistemas de transporte
D2010 – Instalações de tubulações
D2020 – Distribuição predial de água
D2030 – Esgoto sanitário
D2040 – Águas de chuva
D2090 – Outras tubulações
D3010 – Suprimento de energia
D3020 – Sistemas de aquecimento
D3030 – Sistemas de refrigeração
D3040 – Sistemas de distribuição
D3050 – Unidades terminais
D3060 – Instrumentação e controle
D3070 – Sistemas de teste e
balanceamento
D3090 – Outros sistemas e equipamentos
D4010 – Sprinklers
D4020 – Detectores
D4030 – Equipamentos
D4090 – Outros sistemas de proteção ao
fogo
D5010 – Suprimento e distribuição
D5020 – Iluminação e ramais
D5030 – Comunicação e Segurança
D5090 – Outros sistemas elétricos
49
Os padrões de desempenho e aderência (Performance & Compliance), constam de
documentos em desenvolvimento, conforme segue :
" Draft ANSI/TIA/EIA-942 (SP-3-0092): Telecommunications Infrastructure
Standard for Data Centers, em desenvolvimento nos EUA;
" Draft EN 50173-5:200x: Information Technology – Generic Cabling Systems,
Part 5: Data Centers, em desenvolvimento na Europa;
" Padrão UPTIME INSTITUTE / Industry Standard Tier Classification Define Site
Infrastructure Performance, definido por este instituto americano que é pioneiro
na criação e operação de comunidades do conhecimento em “Data Center
Facilities” e congrega representantes das maiores organizações em Tecnologia
da Informação dos EUA;
" Acervo técnico do “DATA CENTER USER’S GROUP” (EUA), contendo os
informativos de benchmarking compartilhados por diversos profissionais de
Facilities em Missão Crítica que são representantes das 200 maiores empresas
mundiais neste segmento, os quais reúnem-se em congressos internacionais com
periodicidade semestral.
A maior prioridade das empresas no contexto atual das redes de comunicações de
dados é o seu data center (CPD), o qual pode ser desde uma pequena sala no prédio
de escritório onde concentram-se os ativos físicos de TI – servidores, roteadores,
rack’s de comunicações de dados e outros – até mesmo um prédio exclusivo
inteiramente dedicado para abrigar e suportar o “Hardware & Peopleware”
(equipamentos e pessoas) através de Infra-estrutura de elevada especialização,
visando garantir a ininterruptibilidade das mais complexas e críticas funções de TI
como nos CPD’s de Instituições Financeiras de Classe Mundial. Durante a última
década, a proliferação das redes de microcomputadores em estações de trabalho
baseadas em tecnologias de plataformas independentes, tornaram os data centers
(CPD’s) mais estratégicos do que nunca tanto pelo incremento de produtividade,
alavancagem de negócios e aceleração de mudanças, quanto pelo enfoque estratégico
dos esforços da Tecnologia da Informação (TI) para proteção, otimização e
crescimento da efetividade aos negócios da Organização. O objetivo maior destes
esforços de TI é obter uma infra-estrutura ágil que possa incorporar rapidamente os
50
avanços nas tecnologias de aplicação, armazenagem e processamento de dados, pois,
as empresas mudaram as suas definições para data center (CPD) de “sala de
computadores” para “ativos estratégicos da organização” e a importância de
otimização deste ambiente físico vem crescendo de forma acelerada.
Neste cenário, a infra-estrutura física necessária deve ser robusta e versátil o
suficiente para suportar uma operação ininterrupta e os padrões globais de
classificação estão sendo configurados, endereçando-se as necessidades para uma
uniformização de topologias dos recursos prediais, estabelecendo-se os padrões de
Tiers (Classes) em quatro categorias prediais – Classes I a IV – como descrito abaixo
na Tabela 3.
Tabela 3 – Classificação Predial por Recursos do CPD
Fonte: UPTIME INSTITUTE (EUA)
Classe I
Classe II
Classe III
Classe IV
Número de
alimentações
1
1
1 ativo
1 passivo
2 ativos
Redundância de
Componente
N
N+1
N+1
2 (N+1) ou
S+S
20%
30%
80%
100%
200-300
400-500
1000-1500
1000-1500
Altura piso elevado
30 cm
45 cm
50-70 cm
50-70 cm
Carga do piso Kg/m2
≤1000
1000
1200
1200-1500
Voltagem utilizada
208
208
13,200/480
13,200/480
Vida útil projetada
3-10
5-15
Ilimitada
Ilimitada
Ano de construção
1965
1970
1990
1994
18.5 h
99.789%
10.3 h
99.883%
3.2 h
99.963%
0.8 h
99.995%
Média de piso elevado
do Datacenter
Watts/m2
Tempo de
indisponibilidade
anual
51
O sistema de padronização das Classes I a IV para CPD’s que é utilizado pelo
Uptime Institute dos EUA, também tem sido verificado nas mais recentes normativas
em desenvolvimento pela ANSI e EN para Data Centers, sendo importante lembrar
que o assunto ainda não se encontra totalmente consolidado, principalmente em
âmbito nacional onde ainda não se dispõe de normas específicas, associações de
classe ou publicações técnicas que tratem deste assunto com maior profundidade. O
procedimento “de praxe” neste mercado costuma ser uma antecipação na adoção das
recomendações contidas em normativas internacionais e nos boletins técnicos de
associações ou entidades de classe mundiais. Assim, vale lembrar que o sistema de
padronização das Classes I a IV para CPD’s envolve várias definições sendo
importante considerar que um ambiente físico típico de CPD é composto de, no
mínimo, 20 (vinte) grandes sistemas prediais nas áreas de mecânica, elétrica,
proteção contra fogo, segurança e outras, cada qual com subsistemas e componentes
adicionais, sendo que todos estes devem corresponder aos mesmos requisitos de
manutenção concorrente ou tolerância à falhas para que o ambiente físico do CPD
possa ser classificado desta forma. O resumo de características de cada Classe são
descritos na lista a seguir : 26
❐ Classe I (Tier I) / Básico – caminho único de distribuição de força (energia) e de
refrigeração (ar-condicionado); sem componentes redundantes; disponibilidade
dos ativos físicos em 99,671%; constitui-se um data center tipo “básico” onde
podem ocorrer paralisações dos recursos de ativos físicos tanto em atividades
programadas quanto naquelas decorrentes de acidentes (sem possibilidade de
planejamento prévio); as instalações contam com sistemas simples (single bus) e
possuem vários “pontos únicos de falhas”, portanto, esta infra-estrutura requer ao
menos uma paralisação geral anual para os trabalhos de manutenções preventivas
e corretivas; em situações de emergência podem ser requeridas outras
paralisações gerais da infra-estrutura com maior freqüência e os erros de
operação ou falhas espontâneas de componentes dos sistemas prediais também
poderão implicar em interrupções de funcionamento aos equipamentos de TI;
52
❐ Classe II (Tier II) / Componentes Redundantes – caminho único de
distribuição de força (energia) e de refrigeração (ar-condicionado); componentes
redundantes (exemplos: UPS e chillers); disponibilidade dos ativos físicos em
99,741%; constitui-se um data center tipo “componentes redundantes” onde as
possibilidades de paralisações são muito menores que no tipo “básico”,
exatamente pela característica de possuir componentes redundantes na infraestrutura básica; as instalações contam com sistemas simples (single bus), porém,
com módulos de redundância (ex: UPS e chillers) em desenho mínimo de “N+1”
(Os módulos necessários + 1 módulo) que facilitam as manutenções em geral; a
manutenção de elementos críticos da infra-estrutura básica requer um processo de
desligamento dos equipamentos de TI;
❐ Classe III (Tier III) / Manutenção Concorrente – caminhos múltiplos de
distribuição de força (energia) e de refrigeração (ar-condicionado), mas somente
um caminho ativo; componentes redundantes; manutenção concorrente;
disponibilidade dos ativos físicos em 99,982%; constitui-se um data center tipo
“manutenção concorrente” onde a infra-estrutura básica encontra-se capacitada
para realizar as atividades de manutenção sem quaisquer necessidades de
interrupção de funcionamento dos equipamentos de TI; as instalações contam
com sistemas dualizados (dual bus) e componentes redundantes, mas os
eventuais erros de operações, acidentes (atividades sem planejamento) e falhas
espontâneas de componentes da infra-estrutura básica ainda podem implicar em
interrupções de funcionamento dos equipamentos de TI; normalmente neste tipo
de data center Classe III o projeto permite alcançar a Classe IV, mediante um
investimento maior em proteções adicionais preteridas durante a implantação, em
face da estratégia de negócios da organização;
❐ Classe IV (Tier IV) / Tolerante à Falhas – múltiplos caminhos ativos de
distribuição de força (energia) e de refrigeração (ar-condicionado); componentes
redundantes; sistema tolerante à falhas; disponibilidade dos ativos físicos em
99,995%; constitui-se um data center tipo “tolerante à falhas” onde a infraestrutura encontra-se plenamente capacitada para realizar as manutenções sem a
53
necessidade de interrupções ao funcionamento dos equipamentos de TI, bem
como, pode suportar ao menos uma falha não planejada ou evento com possível
impacto às cargas críticas, através de, no mínimo dois caminhos ativos de
suprimento em infra-estrutura e configuração sistêmica dualizada em desenho
“S + S” (1 sistema ativo + 1 sistema ativo); a Classe IV é a categoria de infraestrutura básica de instalações prediais mais compatível com os conceitos de
“Alta Disponibilidade de TI” que envolve as soluções de “CPU clustering”,
“RAID & DASD” e “Comunicações Redundantes” em busca de melhores índices
nos fatores de desempenho, como demonstrado na Tabela 4.
Tabela 4 – Compatibilização dos Recursos de “TI & Facilities”
Fonte : UPTIME INSTITUTE (EUA)
CONFIABILIDADE
DISPONIBILIDADE
FACILIDADE
DE SERVIÇO
Tecnologia
da
Informação
Clustering
RAID DASD
Token Ring
Automação de console
Gerenciamento de Mudança
Partições Lógicas
Clustering
Espelhamento de Dados
Hot Backup
Continuidade de Negócios
Hot pluggable
Atualizações Hot
Micro code
Call Home
InfraEstrutura
elétrica
UPS
Dual Power
Sistema+Sistema
Geradores
Dual Power
Sistema+Sistema
Geradores
Dual Power
Sistema+Sistema
Infraestrutura
mecânica
Redundância de
componentes
Ventiladores e bombas nas
UPS
Tubulação duplicada
–dual pipe
Armazenamento térmico Armazenamento
térmico
Planta duplicada
Operação 24 horas
Automação passiva
Compartamentalização
Operação do
Gerenciamento de Mudança Opção de by-pass de falha
Datacenter
MAPS/Certificação
Peças de reposição
no site
Execução de trabalho
durante horário
comercial
Conhecimento e
Supervisão local
54
A conclusão sobre o sistema de categorias de Classes I a IV para Data Centers, como
descrito acima, aponta para o fato de que, mesmo os tipos “manutenção concorrente”
e “tolerante à falhas” que possuem os melhores recursos de infra-estrutura básica e
instalações físicas, não podem atender aos requisitos de “5 nines” (99,999%) para
disponibilidade de funcionamento dos equipamentos de TI, assim, os esforços do
MCFM-Mission Critical Facilities Management encontram-se permanentemente
focados no desafio do desenvolvimento de novas soluções de projeto e
gerenciamento de infra-estrutura básica e instalações físicas de Data Centers,
visando atender ao contexto de elevadas expectativas de ininterruptibilidade das
aplicações de Missão Crítica objeto de Governança em TI.
Finalizando este capítulo, tivemos uma visão panorâmica de Tecnologia da
Informação e os ambientes físicos de CPD que abrigam tais soluções, assim,
poderemos mais adiante tratar especificamente o planejamento e o Gerenciamento de
Facilities. Ao oferecer uma pequena amostra de tamanho das questões que envolvem
a Tecnologia da Informação, passando por tópicos de elevada complexidade e
profundidade, o panorama de TI serviu como um pano de fundo aos reflexos que
resultam em múltiplas preocupações na Gestão de Facilidades Prediais de Missão
Crítica, onde são exigidos os melhores resultados de confiabilidade, disponibilidade
e manutenibilidade de seus recursos, em face da elevada dependência de TI presente
em Instituições Financeiras. Da mesma maneira, não pode ser diferente quando se
constata que também há uma elevada dependência do Gerenciamento de Facilidades
de Missão Crítica para os ativos de TI & Telecom, cuja situação atual premida pelas
mais diversas legislações e normativas exige os mais elevados índices de
desempenho das instalações físicas que criam as condições oportunas à proposta que
consta deste trabalho de um Modelo de Governança em Facilidades Prediais para os
Centros de Tecnologia da Informação de Instituições Financeiras Classe Mundial.
55
Capítulo 3 – PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO
Neste capítulo, a visão de planejamento estratégico para Facilidades Prediais de
Missão Crítica inclui uma pequena base teórica e alguns elementos práticos que
devem contribuir no desenvolvimento de um Modelo de Governança em Facilities
para a Tecnologia da Informação, o qual abordaremos ao final do presente trabalho.
O planejamento do Gerenciamento de Facilidades no setor bancário também pode
se valer da expressão “planejar é determinar os objetivos e os meios eficazes para
alcançá-los” formulada por Ackoff e, nesse processo, uma atividade contínua de
análise do futuro é uma exigência lógica e operacional. Do ponto de vista
estritamente lógico, os objetivos são vislumbrados e devem se realizar no futuro, cuja
análise é, portanto, necessária. Do ponto de vista da eficácia da decisão, é preciso
saber “ver antes”, para modificar, aproveitar ou induzir ocasiões a favor da empresa.
A experiência mostra que há uma aceleração nas mudanças estruturais (econômicas,
políticas, sociais, tecnológicas, etc), causa de rompimento entre os padrões
conhecidos no passado e os esperáveis no futuro – os paradigmas do negócio.27
O estudo do futuro implica vencer três grandes dificuldades: i) a incerteza a ser
estruturada - explorar configurações futuras e suas variáveis mais relevantes; ii) a
complexidade a ser reduzida – definição de um sistema e sua estrutura,
correspondendo a um modelo da realidade; iii) a organicidade a ser respeitada –
simular situações hipotéticas sobre o comportamento da variáveis e das suas interrelações. Dessa combinação, resultam os cenários definidos como a “descrição de
um futuro possível, com a explicitação dos eventos que levariam a sua
concretização”, ou ainda, como a “seqüência coerente de eventos futuros
hipotéticos”.28
Os cenários apresentam uma ligação imediata e natural com o planejamento
estratégico, criando a moldura dentro da qual são estabelecidas as decisões, diretrizes
56
e prioridades para a ação. A definição das variáveis relevantes dos cenários é feita a
partir das variáveis relevantes do “negócio” ou “âmbito de atuação da organização” e
os demais componentes principais são os atores, as descontinuidades e as tendências
pesadas, conforme mostrado abaixo na Figura 17.
Figura 17 – Principais componentes de um cenário
Fonte : AUTOR
Variáveis Relevantes
↓
↓
↓
↓
Atores
→→→→→
Cenário
←←←←← Descontinuidades
↑
↑
↑
↑
Tendências Pesadas
Assim, discorrer sobre planejamento não é tarefa fácil, em face da profusão de
abordagens e mesmo de métodos, os quais trazem certa confusão em suas aplicações
e levam ao senso comum de que planejar não conduz a resultados. Paradoxalmente,
os estudiosos e gerentes têm hoje, a sua disposição, uma profícua literatura dirigida à
atividade empresarial referente ao termo planejamento e isto, em parte, foi devido ao
intensivo processo de competitividade que então se desencadeou em nível
internacional, levando à busca incessante por saídas estratégicas. Deve-se, ainda,
levar em consideração que, atrás do vocábulo planejamento, pode-se aduzir de forma
ampla, uma infinidade de outros temas afins, tais como prospectiva, estratégia, plano,
projeto, objetivos, visão estratégica e cenários, dentre outros. Por outro lado, há ainda
de ser lembrada a questão da temporalidade do planejamento: curto, médio ou longo
prazos.
O planejamento enquanto processo de mudança de situações incômodas, deficientes
e carentes, não pode prescindir de uma adjetivação, precisamente, de seu caráter
57
estratégico e isto quer dizer que nenhum ator pode implementar planos sem levar em
consideração as circunstâncias (adversas ou não) em que serão executados, pois, o
jogo dos planos é uma arena em que se digladiam atores convergentes (que aderem
ao plano) e atores divergentes (que rechaçam o plano). A partir dos anos de 1980 as
empresas do setor privado passaram a formular os seus planejamentos estratégicos
corporativos e este modelo contempla a análise do ambiente em que se insere a
empresa, identificando seus pontos fortes e fracos
(internos) e as ameaças e
oportunidades (externas) para conhecer a aderência e a oposição a seus objetivos,
neste caso, a empresa está preocupada com seus concorrentes e com a adesão
(aquisição/compra) pelo consumidor, a seus produtos e/ou serviços.29
Assim entendido, o planejamento estratégico do Gerenciamento de Facilidades de
Missão Crítica para TI representa a identificação da infra-estrutura e instalações
necessárias para garantir a oferta de segurança operacional aos bens e serviços, de
maneira a suportar a evolução prevista em Tecnologia da Informação de apoio aos
negócios da Organização.
3.1
Resumo de Propostas
As questões mais abrangentes do planejamento estratégico de Gerenciamento de
Facilidades de Missão Crítica para TI devem ser tratadas e abordadas com a visão de
um diagnóstico geral, alinhado com as necessidades de todas as áreas de Tecnologia
da Informação da Instituição Financeira de Classe Mundial, com a finalidade de
identificar problemas, necessidades e alternativas para solução, como resultado de
um trabalho a ser realizado, onde deve ser apresentado um parecer técnico da
situação atual, os requisitos da situação desejada e a definição de uma estratégia
para atendê-los. A partir de entrevistas individuais com os diretores das áreas de TI
devem ser identificadas as frentes de trabalhos e seus respectivos projetos, com o
58
objetivo final de imprimir excelência na prestação dos serviços de TI aos seus
clientes internos e externos.
A visão total de cada projeto deve considerar, no mínimo, duas fases principais
conforme demonstrado abaixo na Figura 18,
sendo: a) Fase 1 – Consultoria
(diagnóstico e especificação, contendo os prazos e custos definidos no resumo das
propostas); b) Fase 2 – Investimentos (construção e implementação, com indicação
dos prazos e custos estimados).
Figura 18 – Visão Total do Projeto
Fonte : CPM
Fase 1
Fase 2
Diagnóstico
Construção
Especificação
Implementação
Prazos ee custos
custos
definidos
(objeto
(objeto de
de proposta)
proposta)
Consultoria
Prazos
Prazos ee custos
custos
estimados
estimados
Investimentos
As propostas para o planejamento estratégico do Gerenciamento de Facilidades
devem considerar, no mínimo, 05 (cinco) pontos básicos, conforme segue: 3
♦ Gerenciamento de Valores – além de buscar a efetividade dos custos
deve-se também observar outros objetivos como a estratégia dos negócios e
a imagem da organização perante o mercado. O componente financeiro é
apenas um dos componentes da análise, cujo valor de um serviço deve ser
associado também à funcionalidade, desempenho e qualidade;
59
♦ Gerenciamento Ambiental (Externo/Interno) -
o quesito macro-
ambiental externo está fortemente relacionado com o consumo de energia,
o uso racional da água (este bem finito e escasso) e o tratamento dos
resíduos produzidos pelo edifício, sejam nas etapas de construção ou
operação. Internamente ao edifício, a gestão ambiental está principalmente
relacionada com a qualidade do ar interno (IAQ-Indoor Air Quality) , ou
seja, a saúde dos usuários do edifício com reflexos nas atividades
desenvolvidas por produtividade ou absenteísmo;
♦ Gerenciamento da Qualidade – deve objetivar a satisfação das
necessidades dos usuários com todos os processos e atividades relacionados
aos serviços providos, cujos princípios podem ser alcançados através da
implementação de Círculos de Controle da Qualidade;
♦ Gerenciamento de Riscos – identificar possíveis ameaças à implantação
daquilo que foi planejado em nível estratégico e estabelecer procedimentos
que procurem garantir que limites toleráveis não sejam ultrapassados, o que
pode ser conseguido através de : a) manuais de operação precisos,
inteligíveis e disponíveis; b) treinamento constante do pessoal envolvido
com operação e manutenção; c) existência de dispositivos e sistemas de
alarme; d) confiabilidade operacional elevada para os componentes e
sistemas críticos – redundância, dualidade, flexibilidade e recursos com
folga;
♦ Gerenciamento de Mudanças – condução das pessoas através dos
processos de mudanças, envolvendo e fazendo com que participem da
condução destes através de trabalhos em equipe, mantendo-as esclarecidas
sobre os objetivos finais e informadas permanentemente sobre o andamento
dos trabalhos, visando cooperarem para o sucesso do empreendimento.
O planejamento estratégico do Gerenciamento de Facilidades de Missão Crítica deve
estar alinhado ao Diagnóstico de TI envolvendo as cinco dimensões principais,
conforme descrito a seguir na Figura 19. Assim, as análises podem ser confrontadas
com as necessidades das áreas de negócios da Organização, avaliando-se a
composição do diagnóstico de acordo com as melhores práticas na visão do Banco,
60
na visão da Consultoria e nos benchmarks de mercado, buscando-se os menores
riscos ao caso concreto sob avaliações e considerando-se, desde logo, que a fase de
implementação pode ser complexa, demorada e não pode ser considerada infalível.
Figura 19 – Dimensões do Diagnóstico de TI
Fonte : CPM
Pessoas
Pessoas
Processos
Processos
Diagnóstico
• Melhores
Melhores práticas
Hardware
Hardware
(Equipa(Equipamentos)
Tecnologia mentos)
−− Visão
Visão Cliente
Cliente
−− Visão
Visão Consultoria
Consultoria
−− Benchmarks
Benchmarks
da
Informação
Software
Software
(Sistemas)
(Sistemas)
Infra
Infra
estrutura
estrutura
física
física
• Menores
Menores riscos
riscos
Implementação
• Complexa
Complexa
• Demorada
Demorada
• Não
Não é infalível
infalível
Áreas
Áreas de
de Negócio
Negócio
O Diagnóstico de TI contido na Fase de Consultoria do Projeto, onde encontram-se
as especificações com prazos e custos definidos, deve considerar algumas premissas
básicas ao resumo das propostas, conforme segue :
$ Todos os diagnósticos devem avaliar as iniciativas da Instituição Financeira
de Classe Mundial (cliente) e os projetos já em andamento em cada uma
das frentes;
$ A Consultoria deve atuar de forma transparente e crítica, com
independência de opinião, buscando recomendar a melhor alternativa para
o seu cliente;
$ Os resultados de cada projeto devem ser entregues tão logo finalizados,
gerando benefícios imediatos para o cliente;
$ O cliente deve destacar os recursos necessários para atuarem como
facilitadores nas etapas de levantamentos e diagnósticos da Consultoria;
61
$ Os trabalhos da Consultoria devem ser executados preferencialmente com
recursos próprios, exceto quando capacitações especiais forem necessárias,
neste caso, admitindo-se a utilização de empresas parceiras, mediante
prévia consulta ao cliente;
$ Após o projeto de diagnóstico, a Consultoria deve atuar como
implementadora e/ou gerenciadora do projeto final;
O conteúdo das propostas deve abranger, em resumo, os aspectos definidos conforme
demonstrativo abaixo que consta da Figura 20.
Figura 20 – Conteúdo das Propostas
Fonte : CPM
Introdução
Introdução
Resumo
Resumo
executivo
executivo
Metodologia
Propostas
Metodologia Propostas
de
de
Diagnóstico
Diagnóstico 22
33
Grupo
Grupo 11
44
55
Cronograma
Cronograma
consolidado
consolidado Resultados
Resultados
esperados
esperados Condições
Condições
de
de
Contratação
Contratação
O sumário executivo das propostas, em última análise, deve considerar as
observações básicas e preliminares do seguimento de Tecnologia da informação (TI),
tais como: i) TI precisa de aprimoramento contínuo das ferramentas de gestão,
compatíveis com as mais recentes necessidades (metas e indicadores para os níveis
de serviços prestados às áreas de negócios da organização; controle integral dos
processos internos de TI); ii) necessidade de valorização crescente do papel da
Tecnologia do Negócio (TN) – aumentar o escopo de atuação e aumentar a
62
responsabilidade/autoridade no processo de atendimento às demandas - como parte
integrante da área de Tecnologia da Informação (TI); iii) uma maior sintonia de
objetivos entre TI e Áreas de Negócios da Organização pode melhorar a qualidade
dos serviços prestados pela empresa; iv) a constatação de dificuldade intrínseca de TI
em justificar e aprovar investimentos em melhorias de seus recursos.
Assim, a área responsável por sistemas de Facilidades Prediais de Missão Crítica em
Instituição Financeira de Classe Mundial, encontra um momento favorável ao
lançamento de um Plano Básico de Reestruturação, visando a atualização do
modelo existente e alinhamento às mais recentes boas práticas do mercado, desta
forma, sendo capaz de estabelecer um contexto facilitador ao crescimento e
desenvolvimento pleno do potencial que tem, como elemento fundamental e crucial
no suporte das funções estratégicas de Tecnologia da Informação (TI), responsável
por alavancar a vantagem competitiva e negócios da Organização.
3.2
Metodologia-Etapas
A metodologia de planejamento estratégico aplicada no Gerenciamento de
Facilidades de Missão Crítica deve ser concebida como parte integrante da área de
TI, mediante um pleno alinhamento que represente a identificação da infra-estrutura
e instalações necessárias para garantir a oferta de segurança operacional aos bens e
serviços, de maneira a suportar a evolução prevista em Tecnologia da Informação de
apoio aos negócios da Organização, cujo o conjunto de análises pode ser dividido em
05 etapas básicas : i) situação atual; ii) situação desejada; iii) diagnóstico; iv) plano
de ação; v) justificativas. A análise da situação atual define onde a área de TI
encontra-se hoje e representa a identificação dos processos, necessidades e
problemas em cada uma das frentes de trabalho. O desenho da situação desejada
define onde a área de TI deseja estar no futuro e representa a definição da situação
63
desejada, com base nas referências aceitas pela Instituição Financeira de Classe
Mundial sob enfoque e nos benchmarks representativos das melhores práticas. O
estabelecimento de um diagnóstico define quais são os desafios e as oportunidades
do processo e representa a identificação dos gaps, formulação propriamente dita do
diagnóstico, qualificação das oportunidades de melhorias e recomendações técnicas.
O plano de ação define como a área de TI poderá chegar lá e representa a elaboração
efetiva do plano com atividades, recursos e prazos que permitam migrar da situação
atual para a situação desejada. As justificativas definem o por que de se executar o
projeto e representa a formulação de argumentação positiva com base nos custos,
investimentos estimados e benefícios esperados.
Portanto, assim considerada, a metodologia proposta estabelece uma matriz de cinco
etapas prioritárias onde o conjunto de atividades principais podem ser divididos
conforme segue : 30
♦ Etapa 1 - Situação Atual : são efetuadas reuniões, visitas, entrevistas e o
relatório de situação, contendo os problemas identificados, possíveis causas,
necessidades, alternativas de atendimento, medições de desempenho (níveis de
serviços), outros requisitos e restrições;
♦ Etapa 2 – Situação Desejada : são efetuados os levantamentos de visão dos
gestores, visão de TI e visão de mercado para produzir o relatório de
referências e benchmarks, contendo a lista de referências avaliadas, o
descritivo de visitas e entrevistas realizadas, as premissas adotadas, bem
como, a descrição da situação desejada e seus requisitos;
♦ Etapa 3 – Diagnóstico : são identificadas as oportunidades, os gaps, as
prioridades, os objetivos e metas, bem como as recomendações de melhorias
que levarão a área de TI à situação desejada;
♦ Etapa 4 – Plano de Ação : são descritas as atividades e dependências, as
prioridades, as responsabilidades, os prazos e os fatores críticos de sucesso
que se deve seguir para migrar da situação atual para a situação desejada;
♦ Etapa 5 – Justificativas : com base no plano de ação aprovado, nesta etapa
devem ser apresentados os benefícios e as justificativas técnicas e financeiras.
64
O momento de estudo da metodologia-etapas também pode ser o mais apropriado ao
desenho de organização dos projetos, considerando cada frente de trabalho definida
na Fase de Consultoria e os recursos necessários para gestão (tática/estratégica) e
equipes técnicas operacionais, tanto na coordenação interna quanto de terceiros
envolvidos, de modo a estabelecer o organograma de atuação dos diversos postos de
trabalho envolvidos na hierarquia dos projetos.
3.3
Resultados Esperados
Os resultados esperados no processo de planejamento estratégico do Gerenciamento
de Facilidades de Missão Crítica encontra-se totalmente focado nas perspectivas e
dimensões dos resultados associados à Tecnologia da Informação, sendo considerada
a questão de temporalidade do planejamento: curto, médio ou longo prazos. Desta
forma, o maior objetivo constitui-se na busca por redução de riscos e melhoria de
resultados, satisfação dos usuários e qualidade da gestão dos recursos de TI,
representada por ações integradas em cinco dimensões com vários projetos distintos
tantos quantos sejam necessários.
Assim estruturado o trabalho, os resultados esperados em escalas complementares
dos níveis de desempenho e de gestão, são os seguintes :
% Curto Prazo – melhor nível de serviços; gerenciamento de fatores que
geram incidentes; resultados no decorrer dos trabalhos;
% Médio/Longo Prazos – maior satisfação de usuários e clientes; maior
rapidez de resposta ao mercado; redução de retrabalho e ineficiências;
menores riscos operacionais; redução de custos e despesas;
Em abordagem do processo de migração da situação atual para a situação desejada
são relevantes as análises de impactos de TI&Negócios (baixo/alto), confrontando-se
65
as necessidades do mundo ideal de TI e o aspecto oportunista de Negócios, com seus
fatores de influências mútuas, visando-se definir o caminho realista de
implementação do diagnóstico efetuado, contemplando todos os fatores contidos no
plano de ação e justificativas ao proposto, assim sendo, possibilitando estabelecer
uma abordagem incremental necessária para se atingir os resultados esperados para
a visão de futuro do planejamento, conforme demonstrado abaixo na Figura 21.
Figura 21 – Abordagem de Migração nas Etapas do Planejamento
Fonte : CPM
alto
Abordagem incremental,
necessária para atingir
uma visão futura
Mundo TI
ideal
O Negócio não pode
esperar por
estrutura ideal
Diagnóstico
Implementação
Impacto em
TI
Caminho
realista
Prazo total
O Cliente não obtém os
benefícios, usando estrutura
fragmentada e inflexível
Oportunista
baixo
baixo
Impacto no negócio
alto
Neste estudo de planejamento estratégico foram abordados tópicos que tratam da
infra-estrutura necessária para o desenvolvimento das funções do Gerenciamento de
Facilidades de Missão Crítica para TI, com a definição das linhas gerais que
norteiam a sua prática, tratando de questões abrangentes e de longo prazo no
processo desenvolvido pelas áreas de Tecnologia da Informação, objetivando alinhar
os propósitos da Gestão de Facilities com os objetivos estratégicos de TI no suporte
aos negócios da Organização, resultando no entendimento dos procedimentos que
possibilitam saber o que deve ser feito e por que e oferecendo todas as bases para o
sucesso do planejamento estratégico, o qual dependerá da correta implantação em
nível operacional daquilo que foi idealizado, ou seja, a evolução deste processo para
66
a definição do planejamento tático que, efetivamente, permitirá a implantação da
Gestão Completa de Infra-estrutura e Instalações descrita na proposta de um modelo
expresso pela idéia do “Gerenciamento de Facilidades como Alavanca de
Negócios no Setor Bancário”, o qual denominamos como Governança em
Facilidades Prediais para Centros de Tecnologia da Informação de Instituições
Financeiras.
Encerrando este capítulo, vimos os patamares adequados de organização das idéias
em planejamento estratégico para Facilidades Prediais de Missão Crítica, o qual vai
possibilitar o desenvolvimento da proposta de um modelo de Governança em
Facilities ao final do presente trabalho.
67
Capítulo 4 – ESPECIFICAÇÕES DE PADRÕES PREDIAIS
Neste capítulo, o alvo das considerações é a necessidade de especificações de
padrões prediais confiáveis, definidos e balanceados que possam garantir a segurança
operacional do CPD, assim, serão tratadas as questões dos diversos sistemas prediais
presentes no ambiente físico de Missão Crítica em Tecnologia da Informação de
Instituições Financeiras de Classe Mundial.
Os espaços construídos destinados a abrigar aplicações de Tecnologia da Informação
(TI) apresentam necessidades especiais em face dos requisitos de segurança
operacional, visando o máximo resultado de desempenho na tríade essencial de
premissas fundamentais – disponibilidade, confiabilidade e manutenibilidade –
requeridas na visão de uma Gestão Completa de Infra-estrutura e Instalações para as
Facilidades de Missão Crítica em TI. O projeto deste tipo de edificação produtiva
deve ser concebido com base nos conceitos de ambiente seguro, aplicados às
condições intrínsecas do local escolhido, especialmente preparado para ser
plenamente adaptável às funções da atividade-fim de TI no suporte aos negócios da
Organização, alinhando-se ao conceito do Gartner Group que consta da afirmação a
seguir :
“Do not build to last – Build to change” (agosto/2003)
(não construa para ficar, mas para mudar)
A flexibilidade constitui-se qualidade fundamental de projeto que facilita as
mudanças, portanto, reduz os riscos inerentes em alterações dos ambientes físicos e
sua infra-estrutura e instalações, assim, o espaço construído para ambientes de
Missão Crítica em TI têm sido alvo de esforços nas especificações de padrões
prediais, tanto no sentido de classificar o desempenho físico da edificação como um
todo, quanto de seus sistemas prediais ou até mesmo de subsistemas que compõe as
soluções de Facilities para as áreas de Tecnologia da Informação.
68
As diversas frentes de trabalho em andamento para normalização das características
de confiabilidade e mensuração de resultados do desempenho físico em espaços
construídos que abrigam e suportam os equipamentos e funções de TI, tanto em
âmbito internacional com seus avanços mais evidentes quanto no âmbito nacional
onde também se verificam esforços concentrados, percebidos em atitudes pró-ativas
de novas associações, institutos, meios acadêmicos e agências reguladoras, ora
iniciam um processo de consolidação de uma nova faixa funcional dentro do
universo empresarial brasileiro, o qual passa a ser conhecido como “Facilities” sendo
responsável por uma complexa infra-estrutura de suporte aos negócios da
organização e seu sistema produtivo - a sua cultura, estratégias, informações,
propriedades, valores intelectuais, todos os insumos diretamente utilizados em seus
portifólios e, principalmente, seus valores humanos com as suas respectivas
necessidades. Assim entendido, o foco fundamental do Facilities passa a ser o de
determinar “como” a empresa pode ser adequadamente estruturada para suportar o
seu complexo produtivo de maneira eficiente e eficaz, utilizando-se do perfil
multidisciplinar exigido por este segmento, contando com capacidades técnicas e
administrativas (engenharia, arquitetura, administração, direito, TI, governança,
dentre outros) e sendo temperados por elementos especiais de psicologia, diplomacia,
simpatia e extrema capacidade de inter-relação pessoal, isso tudo, visando alcançar
um modelo de Gestão Completa de Infra-estrutura e Instalações objeto de elevada
efetividade ao ser projetado, administrado, mantido e constantemente atualizado, ao
tornar-se um forte diferencial estratégico da empresa perante o mercado, devido aos
altos custos operacionais que representa e o elevado valor agregado no controle de
riscos operacionais, de responsabilidade sócio-ambiental, de reputação e imagem da
Organização.31
Mais de 60 organizações de classe mundial no seguimento de Facilities de Missão
Criítica para Tecnologia da Informação e Telecomunicações (incluindo-se
fabricantes, consultores, usuários e outras organizações) encontram-se contribuindo
com suas “expertises” para o desenvolvimento de especificações de padrões prediais
visando prover recomendações e “guidelines” (guias) para o projeto (desenho) e
instalações de data centers (CPD’s) ou salas de computadores. O propósito de se
69
criar um padrão de recomendações tem por objetivo o de capacitar o planejamento
prévio dos requisitos do data center no processo de desenvolvimento do espaço
construído, contribuindo nas considerações de arquitetura, provendo informações
relevantes e promovendo um contexto colaborativo no curso dos esforços
multidisciplinares de projeto e fases da construção. O planejamento adequado
durante a construção ou reformas da edificação pode produzir reduções significativas
de custos e das interrupções de funcionamento do que depois que as instalações
encontram-se em operação normal. Preliminarmente, os data centers apresentam
duas categorias básicas de acordo com o tipo de uso ou função, a primeira quando
em domínio privado onde podem ser classificados como EDC-Enterprise Data
Center e a segunda quando em domínio público onde podem ser classificados como
IDC-Internet Data Center, CDC-Colocation Data Center ou SPDC-Service Provider
Data Center. Nestes ambientes de Tecnologia da Informação e Telecomunicações,
encontrados em corporações privadas, instituições ou agências governamentais, as
Facilidades de Missão Crítica (FMC) incluem soluções visando oferecer energia
segura, controles ambientais, proteção contra fogo, redundância de sistemas e
segurança física aos ativos da Organização.32
De acordo com as metodologias aplicadas em diversos estudos de padronizações em
desenvolvimento, as especificações encontram-se divididas em duas categorias de
critérios a serem aplicados nestas recomendações – mandatórios e recomendáveis. Os
critérios mandatórios passam a ser designados pela palavra “deve” e visam
estabelecer os requisitos mínimos aceitáveis, segundo a visão do presente trabalho,
por outro lado, os critérios recomendáveis ou desejáveis passam a ser designados
pela palavra “pode” e visam incrementar o desempenho dos sistemas prediais sob
enfoque. As especificações e recomendações aplicadas neste contexto tem por
objetivo oferecer um conjunto de requerimentos mínimos aplicáveis numa visão de
Gestão Completa de Infra-estrutura e Instalações em Prédios de Missão Crítica para
TI, representando os requerimentos de uma série de apontamentos encontrados em
normativas de agências reguladoras, associações, institutos e entidades de classe de
âmbitos nacional e internacional, conforme referências bibliográficas citadas ao final
do presente trabalho.
70
4.1
Diretrizes Construtivas
Ao se analisar as diretrizes construtivas para a definição da edificação destinada para
abrigar e suportar equipamentos e funções de TI, antes de tudo, se faz de maior
relevância e importância considerar alguns conceitos para a escolha de localização do
Site de Missão Crítica - Data Center (CPD-Centro de Processamento de Dados),
NOC, SOC, CC e Energy Plant. O local é fator fundamental da segurança,
entretanto, não existe local perfeito, totalmente livre de qualquer ameaça de
inundação, alagamento, poluição acidental, vizinhança combustível, trânsito com
cargas perigosas, tráfego aéreo, terroristas, comoção civil, piquetes e outros. O
balizador principal das direções a serem tomadas no objetivo de se estabelecer as
especificações de padrões prediais visando garantir a máxima segurança operacional
nos Ambientes de Missão Crítica em Instituições Financeiras de Classe Mundial,
resulta dos planejamentos estratégico e tático do Gerenciamento de Facilidades,
contendo as análises de riscos efetuadas em Projeto de Plano de Contingência, uma
vez que eventual perda de informações e seus custos associados orientam
completamente o desenvolvimento, a execução ou adequação do espaço construído
do Prédio de Missão Crítica, uma vez que a destruição física dos sistemas é um
evento irreversível ou até mesmo a interrupção temporária de acesso aos dados pode
ser prejudicial, pois mesmo que os dados estejam bem guardados não poderão ser
utilizados pelos usuários e clientes da Organização.
A definição de conceitos preliminares para a localização do Prédio de Missão Crítica
de TI deve considerar algumas premissas básicas prévias ao desenvolvimento de um
catálogo detalhado de recomendações, conforme descrição a seguir :21
i.A exposição do local em relação às ameaças reais precisa ser compensada por
medidas especiais na construção e na infra-estrutura, através de instalação de
sistemas de segurança e ainda, por medidas organizacionais;
71
ii.O campo em volta do prédio deve oferecer cerca ou outro tipo de barreiras
contra acidentes e lançamento intencional de veículos;
iii.O subsolo deve ser drenado por caimento evitando-se a utilização de sistema de
bombeamento de recalque;
iv.A localização do prédio deve ser discreta sem chamar a atenção de transeuntes
ou vizinhanças;
v.O local deve possuir acessos garantidos em caso de greves com piquetes,
inundação ou outros eventos previsíveis;
Os conceitos de construção e disposição a serem aplicados nas diretrizes para os
espaços construídos que abrigam Data Center (CPD) devem prever o isolamento dos
ambientes de maior criticidade (salas de computadores) em relação às áreas e
atividades alheias aos mesmos, bem como, deve buscar a contenção dos riscos de
origem interna e externa ao prédio. Assim, a disposição de lay-out deve permitir
setorização (separação de áreas), atendendo as necessidades específicas de
climatização (HVAC), do controle de acessos e da segurança contra incêndios, além
dos materiais utilizados na construção, nas instalações e no mobiliário que também
devem ser alvo de escolha criteriosa visando limitar a carga combustível. Desta
forma, os conceitos construtivos deve considerar as premissas básicas descritas a
seguir :21
i.O prédio deve possuir uma proteção perimetral robusta contra a penetração de
pessoas, no mínimo equivalente a uma parede de alvenaria de meio tijolo
maciço (EN 1627), preferencialmente sem janelas, sendo o padrão corta-fogo
correspondente ao fator F-120 (DIN 4102 ou ASTM 119);
ii.A cobertura deve possuir proteção redundante contra águas pluviais, inclusive
tranbordo seguro;
iii.Os ambientes operacionais devem estar segregados entre si e com relação às
áreas comuns, sendo que, o ambiente mais crítico (sala de computadores)
deve operar exclusivamente dentro de compartimento com proteção
certificada;
iv.Os ambientes resfriados precisam de isolamento térmico e barreira de difusão;
72
v.O prédio precisa oferecer caminhos amplos e seguros para acomodar
cabeamento horizontal e vertical;
vi.O prédio precisa oferecer altura piso-teto (pé-direito) e capacidade de carga
compatível com o padrão adotado (sempre maior que 3,5 metros e maior que
500 kg/m2);
O detalhamento destas premissas básicas deve agrupar todos os levantamentos
efetuados em análises da situação atual do estudo de caso, visando estabelecer as
recomendações específicas necessárias para que se obtenha a compleição das
exigências normativas e dos objetivos estratégicos do projeto baseado no que há de
melhor em tecnologia e em conceitos para atender as Instituições Financeiras de
Classe Mundial.
4.2
Fornecimento e Distribuição de Energia
Os conceitos de infra-estrutura elétrica abrangem vários fatores, tais como:
a
disponibilidade de energia (com e sem interrupção), a qualidade de energia
(aterramento, supressão de surtos, filtragem, harmônicos, dentre outros), a
adaptabilidade (modularidade e estrutura de cabeamentos), a proteção física e elétrica
dos sistemas de energia, o monitoramento, a detecção, a manutenção, enfim, o
gerenciamento completo da matriz energética do Prédio de Missão Crítica.
Neste tópico devem ser examinados todos os requerimentos elétricos, análises de
dimensionamento de carga e recomendações para adotar uma proposta de sistema
elétrico para um CPD. Como premissa básica, um sistema de fornecimento e
distribuição de energia para CPD deve operar 24 horas/365 dias com a máxima
73
confiabilidade no tocante às quedas de energia para cargas de missão crítica, bem
como, de elevada flexibilidade para manutenções preventivas e corretivas, sem a
necessidade de interrupções de funcionamento no sistema e, conseqüentemente, na
carga de missão crítica.
O fornecimento de energia em média tensão deve se dar em no mínimo duas linhas
em classe 15kV ou 35kV - 60Hz, a serem reduzidas para o suprimento em baixa
tensão através de subestação transformadora em média tensão, sendo aconselhável
que estas duas linhas derivem de subestações primárias independentes, visando uma
maior confiabilidade do sistema, com as linhas em percursos independentes e
separados entre si por mais de 20 metros. O CPD deve ter dois tipos de distribuição
de energia que podem ser assim classificados – Energia Essencial e Energia Crítica.
A Energia Essencial visa alimentar as cargas essenciais que poderão sofrer quedas
momentâneas de energia (0 a 30 segundos), até que o(s) gerador(es) de emergência
assuma(m) toda a carga do CPD. Os sistemas UPS-Uninterruptible Power System
(no-break), retificadores, ar-condicionado, iluminação e tomadas de uso geral são
alguns exemplos de cargas essenciais. A Energia Crítica visa alimentar as cargas
críticas que, em nenhuma hipótese, poderão sofrer uma queda de energia, ou seja,
aquelas que tem por objetivo os requisitos de disponibilidade máxima em busca do
índice 100% de ininterruptibilidade, sendo que tais cargas devem ser alimentadas por
sistemas UPS’s, como por exemplo, os equipamentos de TI tais como os
Mainframes, Servidores, Salas-Cofre, Teleprocessamento, Segurança, dentre outros.
A provisão de componentes redundantes em cada segmento do sistema elétrico visa
torná-lo um sistema de maior confiabilidade, apropriado para ambientes de missão
crítica, sendo a configuração mínima de redundância denominada de N+1 (obs: o
“N” corresponde ao número de unidades necessárias e +1 unidade de reserva),
porém, em algumas partes do sistema onde a confiabilidade deve ser ainda maior,
como por exemplo nos UPS’s, demonstra-se oportuna a utilização de sistema 2(N+1)
ou 2N ou S+S (obs: quando duas vezes o número de unidades necessárias, ou seja,
dois sistemas completos). Quando se tem apenas uma fonte de energia comercial, se
74
faz recomendada a instalação de geradores de emergência em configurações 2N ou
N+2 ou N+1. Um sistema de fonte de energia ininterrupta UPS, o qual visa manter a
energia segura para a carga crítica durante períodos de queda de energia da
concessionária, no intervalo de tempo enquanto o sistema de geração de emergência
stand-by se habilita para assumir a carga, deve ser instalado preferencialmente na
configuração 2(N+1) ou 2N (S+S), contando com um sistema de refrigeração
exclusivo que deve suportar o sistema UPS e a carga crítica, o qual também deve ter
uma configuração mínima de N+1.26
O modelo ou configuração de redundância, além de aumentar a confiabilidade do
CPD em termos falha de energia e de ar condicionado, facilita todo o processo de
manutenção, cujos procedimentos podem ser executados sem que a carga crítica seja
afetada, sendo isto válido para os sistemas de geração de emergência, subestações de
energia, quadros de distribuição elétrica, barramento elétrico, PDU’s, fontes de
corrente contínua (retificadores ou UPS DC) e sistemas de ar condicionado.
Atualmente o Estado da Arte em projetos elétricos de missão crítica em todo o
mundo, tem se utilizado de sistemas denominados de dual-bus ou three-bus (duas ou
três linhas independentes de alimentação e distribuição de energia) como padrão
geral do sistema elétrico, cujo contexto de minuciosas discussões entre as vantagens
e desvantagens de cada sistema pode conduzir à opção pela recomendação de uso do
melhor sistema elétrico em cada aplicação para CPD. O sistema elétrico deve ser
projetado de acordo com as normas ABNT-Associação Brasileira de Normas
Técnicas e, quando necessário, obedecendo também a critérios internacionais de
normalização, além de leis federais, estaduais, municipais e normas internas de cada
cliente. A título de ilustração, constam das Figuras 22, 23 e 24 os desenhos básicos e
comparações de vantagens e desvantagens, dos sistemas elétricos Single-Bus, DualBus e Three-Bus que podem ser recomendados para o uso em CPD’s, de acordo com
o níveis de confiabilidade, disponibilidade e classificação geral que se pretende
atingir para o ambiente físico de TI.26
75
Figura 22 – Exemplo de Sistema Elétrico Single-Bus
Fonte : SISTENGE
Vantagens:
1) Baixo custo do sistema.
Desvantagens:
1) Baixa confiabilidade de falhas do sistema;
2) Baixa flexibilidade para manutenções;
3) Baixa disponibilidade;
4) Baixa flexibilidade para futura expansão.
76
Figura 23 – Exemplo de Sistema Elétrico Dual-Bus
Fonte : SISTENGE
Vantagens:
1) Alta confiabilidade de falhas do sistema;
2) Alta flexibilidade para manutenções;
3) Média flexibilidade para futura
retratação.
Desvantagens:
1) Alto custo do sistema;
2) Paralelismo de geradores/ UPS;
expansão/ 3)
Complexidade de operação
manutenção.
e
77
Figura 24 – Exemplo de Sistema Elétrico Three-bus
Fonte : SISTENGE
Vantagens:
1) Total confiabilidade de falhas do sistema;
2) Total flexibilidade para manutenções;
3) Total flexibilidade para futura expansão/retração;
4) Uso de geradores e UPS singelos;
5) Simplicidade de operação/ manutenção.
Desvantagens:
1) Alto custo do sistema,porém com o uso
de sistemas singelos de gerador e UPS,
pode-se alcançar custos em patamares
semelhantes ao Elétrico Dual Bus;
2) Equilíbrio na distribuição de cargas no
sistema.
=
=
=
=
=
=
78
Com base em levantamentos de consumo elétrico do cliente e baseando-se também
nos padrões mundiais utilizados em construções de CPD’s, com indicadores de
kVA/m2 e TR/m2, considerando-se as premissas de anteprojeto de arquitetura que
possa indicar as características construtivas do Prédio CPD sob análise, há
possibilidade de serem sugeridos os estudos preliminares com o dimensionamento
básico de todo o sistema elétrico visando estabelecer o consumo total de potência
aparente do CPD que pode chegar à patamares em torno de 6MVA no sistema
elétrico primário no Site Principal de Instituição Financeira de Classe Mundial.
Em conformidade com a adoção de um sistema elétrico do tipo dual-bus ou
three-bus, torna-se aconselhável a implantação de duas ou três subestações
independentes de média tensão contando com transformadores de aproximadamente
2,5MVA cada, a serem instalados em dois ou três locais distintos do prédio com
entradas alimentando os quadros de média tensão contando com disjuntores de
segurança. Estes quadros devem alimentar os transformadores de média tensão do
tipo a seco, os quais visam rebaixar a tensão de 13.8kV para baixa tensão e alimentar
via bus-way (barramentos) os quadros gerais de distribuição elétrica em baixa tensão
em circuitos trifásicos instalados nas próprias subestações.
Cada subestação elétrica deve ter um sistema redundante de energia suportado por
um conjunto de grupos motores geradores de capacidade individual que pode chegar
em torno de 2,5MVA, sendo que a transferência automática deve ocorrer em média
tensão com chave tipo ATS-Automatic Transfer Switch, equipada por sistema de bypass externo e facilidades para transferência a quente. As chaves de transferência
(ATS) devem ser instaladas nas subestações de energia elétrica, com capacidades
compatíveis ao sistema visando a transferência em média tensão das cargas totais do
CPD.
Cada quadro de distribuição elétrica essencial, localizados em distintas subestações
independentes, deve alimentar os sistemas UPS-Uninterruptible Power System e
sistemas de ATS que visam possibilitar a conectividade entre as 2 (duas) ou 3 (três)
linhas, sendo que
cada uma destas deve alimentar suas cargas específicas de
79
retificadores, ar condicionado, iluminação e cargas de uso geral totalizando o
montante de capacidade em cada linha. Nesta finalidade pode ocorrer o uso de ATS’s
de baixa tensão (480V), com sistema de by-pass externo e facilidades de
transferência a quente. Por sua vez cada sistema UPS deve alimentar um quadro de
ENERGIA CRÍTICA com capacidade total proporcional à máxima densidade de
cargas a serem instaladas conforme projetado. Cada conjunto UPS contendo o banco
de baterias, retificador e quadro de distribuição de energia crítica deve ser instalado
em salas fisicamente separadas.
Cada quadro de energia crítica deve alimentar um conjunto de PDU-Power
Distribution Unit (PDU A, PDU B ou PDU C) e as chaves estáticas de transferência
STS-Static Transfer Switch. Cada PDU que pode ser de capacidade total em torno de
225KVA ou 300KVA e deve contar com transformador de entrada em baixa tensão
em delta e saída de 208/120V em estrela com fator K=20 (obs: no transformador,
trata-se do fator que determina o nível de atenuação de harmônicos) e
aproximadamente 126 pólos divididos em três colunas de disjuntores, preparados
para ligações monofásicas, bifásicas e trifásicas. Os PDU’s devem ser instalados o
mais próximo possível da carga crítica e assim evitar que os harmônicos influenciem
em toda a distribuição elétrica. Cada ambiente de missão crítica terá um conjunto de
PDU’s compatíveis com a sua carga e redundâncias necessárias, podendo ainda
contar com um último tipo de quadro de distribuição de energia crítica denominado
de RPP-Remote Power Panel com alimentação derivada do PDU, a ser posicionado
ainda mais próximo da carga crítica no ambiente de TI do CPD.
As STS’s de maior capacidade e em baixa tensão, podem ser instaladas nas salas das
respectivas UPS ou em corredores técnicos próximos às áreas de TI, ou ainda, podem
ser de menores capacidades para instalações dentro dos PDU’s, sendo que na
elaboração do Projeto Conceitual do CPD estes detalhes devem ser solucionados.
Como referência a Figura 25 na página seguinte demonstra um exemplo de diagrama
elétrico em blocos de projeto básico com os primeiros estudos de dimensionamento
para as cargas e equipamentos em um sistema típico de configuração three-bus.
80
Figura 25 – Exemplo de Diagrama Elétrico em Blocos
Fonte : SISTENGE
As cargas essenciais tais como, ar condicionado, iluminação, retificadores e
utilidades, devem ser alimentadas pela saída da ATS, que por sua vez deve ser
alimentada por duas linhas do sistema, portanto, as cargas essenciais devem
permanecer em operação mesmo com a queda de uma linha do sistema. Em casos de
quedas simultâneas de 2 (duas) linhas do sistema, a linha remanescente não suportará
100% da carga essencial, sendo necessário a implantação de um sistema de rejeição
de carga para este caso.
São recomendadas internacionalmente duas linhas independentes e de fornecedores
distintos de energia elétrica, visando a alimentação das subestações elétricas de um
ambiente de missão crítica, mesmo assim, os sistemas de geração de emergência
devem ser interligados a cada linha de distribuição com o intuito de prover um
sistema redundante de alta confiabilidade. Os transformadores de potência devem ser
do tipo de isolação a seco com uma tensão primária em média tensão (13.8kV) e um
81
secundário em baixa tensão. Devem ainda ser instaladas as chaves de transferência
automática entre as fontes de energia principal e emergencial, chaves estas
removíveis para manutenção e com “by-pass” de manutenção acoplado ao sistema
(Quadro de Transferência automática com “by-pass” de manutenção).27
Baseando-se na premissa de um sistema elétrico three-bus e adotando-se no projeto
03 (três) subestações elétricas independentes fisicamente, caso esta não seja a
configuração possível por razões técnicas e de viabilidade econômica, o projeto
conceitual do CPD deve considerar a construção de no mínimo 2 (duas) subestações,
porém com 3 (três) interligações independentes até o último nível de distribuição em
baixa tensão.
Cada subestação elétrica de média tensão (13,8 kV) deve contar com uma construção
civil adequada, minimizando riscos de incêndio, explosão, inundação e acidentes
externos, projetada para possuir ventilação natural e ter uma temperatura máxima
ambiente de 40oC, sendo que em casos extremos podem ser utilizados um conjunto
de dispositivos para a ventilação forçada. Ainda deve ter um quadro de média tensão
com disjuntor extraível do tipo SF – 6 (gás isolante) ou a vácuo com facilidade para
monitoração remota. Os tranformadores em cada subestação devem ter entrada em
configuração Delta em Média Tensão (13,8 kV) com saída de baixa tensão em
configuração Estrela (Y), contando com sensores internos de temperatura nas
bobinas, os quais em caso de sobreaquecimento devem enviar sinais para o disjuntor
do quadro de média tensão visando o desligamento de energia.
Os Geradores de Emergência devem ser instalados para aumentar a disponibilidade
de energia elétrica, visando reduzir as interrupções de energia para a carga crítica,
pois eles substituem a fonte de energia principal em 10 à 30 segundos, tempo este
suficiente para o sistema de baterias da UPS manter a carga crítica. O sistema de
baterias deve ser projetado para uma autonomia de 15 à 25 minutos em carga total
até que o gerador assuma toda a carga do CPD. O motor do gerador deve suportar
temperaturas entre 80 e 185 ºC, sendo que, deve ser provido um completo sistema de
operação automático em eventos de interrupção da fonte principal de energia. Os
82
controles manuais devem prever a possibilidade de operar o sistema manualmente
em eventos com problemas de controles automáticos e/ou necessidade, baseando–se
na premissa de um sistema elétrico three-bus, há 03 (três) conjuntos de geradores,
sendo 01 (um) para cada linha de alimentação.
Cada sala de geradores deve ter um tanque diário de combustível com capacidade
máxima de 1.500 litros e com piscina de contenção para vazamento, devendo serem
também instalados os tanques gerais de combustível com capacidade de autonomia
adequada para alimentar os tanques de combustível diário em situação máxima de
contingência. Estes tanques podem permitir uma autonomia de funcionamento
superior à 30 (trinta) horas com carga total e serem instalados em áreas externas ao
prédio do CPD, conforme legislação específica e detalhamento definido no projeto
executivo. Estes tanques gerais podem ser instalados abaixo do solo (enterrado), com
o intuito de se obter o maior índice de segurança possível e, caso seja possível,
devem ser instalados em área que favoreça o fornecimento de combustível dos
tanques gerais para os tanques diários por meio de gravidade. Em casos que o uso da
gravidade fique prejudicada, deve ser instalado um sistema de bombeamento de
combustível, sempre prevendo redundâncias. As tubulações de combustível entre os
tanques gerais e os tanques diários devem ser de aço carbono, sendo que neste item
também deve ser prevista a redundância.
As características básicas dos grupos geradores podem ser descritas conforme as
necessidades do projeto, incluindo-se os seguintes detalhamentos exemplificativos :
capacidade de carga em 2,5MVA; motor à diesel com 1800 rpm e radiador para
resfriamento; regulador de voltagem que permita em cargas acima de 60% de
capacidade do gerador, uma queda de tensão na transferência de no máximo +/- 7%
da nominal, sendo que com 4 segundos após assumir a carga a variação de tensão
esteja em +/- 2%; regulação estática em +/- 1% de variação na tensão de saída do
gerador em carga; alternador em 13,8kV, 60 HZ e classe de isolação F/H; regulador
de freqüência que permita com cargas acima de 68% da capacidade do gerador, a
queda de velocidade se limitar em 10% da velocidade nominal e o retorno da
velocidade em níveis de +/- 2% da nominal dar-se em no máximo 4 segundos após o
83
gerador assumir a carga; variação máxima de 1% da freqüência nominal com gerador
em carga; regulador eletrônico de freqüência; painel de controle com instrumentos
gerais contando com voltímetro, amperímetro (por fase), frequencímetro, horímetro,
contador de ligações, medidas de temperaturas, medidas de pressão de óleo,
voltímetro para bateria do sistema de ignição; controles que contenham chave
seletora/ manual/ desligado/ automático, gerador ligado, desligado e teste, chave de
desligamento remoto do gerador; alarmes gerais de pressão baixa de óleo, alta
temperatura, sobre velocidade, falha de partida, sobrecarga, baixo nível de
combustível; alarmes remotos que permitam sinalizar todos os alarmes anteriores e
que devem estar disponíveis para serem visualizados/controlados por um sistema de
gerenciamento remoto, portanto, o processador eletrônico da máquina deve possuir
um software com protocolo aberto para troca de dados; os sistemas de geração de
emergência devem ser projetados para suportar 90% de fator de demanda da carga
total.33
Conforme premissas de um sistema elétrico three-bus, o fornecimento de energia em
média tensão deve contar com 03 (três) linhas independentes, portanto, se faz
necessária a instalação ATS’s de média tensão e de baixa tensão em cada linha,
compatíveis com a capacidade total do sistema. A chave de transferência automática
(ATS-Automatic Transfer Switch) deve contar com duas entradas (normal e
emergência) e uma saída (essencial), sendo o nominal em média tensão para 13,8 kV
e em baixa tensão para 480 V, podendo no projeto executivo serem modificadas estas
tensões, após estudos de custos x benefícios.
A ATS em modo automático deve dispor de uma transferência de fontes de energia
(A,B) com abertura de contato (A) antes do fechamento do contato (B), contituindose na categoria de transferência denominada de BBM–Break Before Make.
Oferecendo facilidades eletrônicas para transferências manuais e programadas entre
duas fontes de energia independentes, sem implicar em paralisações ou quedas de
sistemas na carga crítica, esta função constitui-se em categoria conhecida como
transferência a quente ou MBB-Make Before Break. A ATS deve ter um sistema de
by–pass externo, visando possibilitar as transferências quando em manutenção da
chave ou defeitos do automatismo. O sistema de transferência (chave mecânica, ou
84
disjuntores de média tensão do tipo a vácuo ou SF-6) deve ser do tipo removível,
visando-se facilitar os serviços de manutenção.
Os bancos de capacitores são largamente aplicados em construções de Missão
Critica, sendo válidas muitas observações sobre este tipo de sistema, cuja instalação
no sistema elétrico tem a função de corrigir o Fator de Potência (FP) do sistema
causado por interferências de cargas reativas, indutivas e capacitivas presentes nos
diversos componentes sistêmicos do complexo de equipamentos e instalações
envolvidas no espaço construído do CPD. Tais dispositivos devem ser
dimensionados com base na carga média em fator de potência 0.8, contando com os
elementos que permitam manter um fator de potência de aproximadamente 0,95 para
todo o sistema. Os bancos de capacitores devem ser compostos por vários capacitores
individualmente chaveados, com um intuito de se permitir uma regulação do fator de
potência geral do sistema elétrico. Este tópico, ao ser tratado no projeto executivo do
CPD, deve considerar todo o dimensionamento e posicionamento dos dispositivos
nos quadros gerais de energia, nunca prevendo-se aplicação diretamente instalada no
gerador.
Os sistemas UPS-Uninterruptible Power System (no-break) não apenas fornecem
energia de qualidade, mas também uma energia confiável, pois mantém na sua saída
uma energia constante para a carga crítica, durante as interrupções da fonte de
energia principal. O sistema UPS deve ser interligado a um banco de baterias para
suprir a alimentação da carga crítica, quando a fonte de energia principal encontra-se
fora de ação, sendo projetado para transferências via as baterias e de volta via a fonte
de energia principal, sem causar impactos negativos ou quedas de energia para a
carga crítica, constituindo-se um filtro absoluto que visa oferecer um excelente nível
de energia com a máxima segurança aos equipamentos e funções de TI abrigados e
suportados adequadamente no ambiente crítico do CPD.
A energia de alta qualidade somente pode ser fornecida pelo sistema de UPS On-line
ou Dupla Conversão, no qual a carga crítica encontra-se completamente isolada da
fonte de energia primária ou principal. O sistema de UPS On-line Estático fornece
85
uma energia qualificada e controlada, pela conversão do sinal senoidal de corrente
alternada AC-Alternate Current (Corrente Alternada), da energia principal em sinal
ou forma de onda de corrente contínua, DC-Direct Current (Corrente Contínua), e
então regenera uma nova forma de onda AC usando a forma de onda DC. As baterias
do sistema UPS são ligadas em paralelo formando bancos de baterias, que devem ser
instalados em uma sala especial (sala de baterias).
A UPS On-line fornece a energia das baterias no fluxo para a carga crítica sem
interrupção. Durante a operação normal do sistema, a regeneração da forma de onda
AC, isola completamente a carga crítica de anomalias de qualidade de energia,
provenientes da fonte de energia principal ou de emergência. Durante interrupções da
fonte de energia principal, os bancos de baterias suportam a regeneração de corrente
alternada, através de corrente contínua por um espaço de tempo limite de descarga
de baterias geralmente entre 15 e 25 minutos. A voltagem e a freqüência de saída são
controladas e mantidas independentemente das condições de energia de entrada. O
sistema de UPS On-line fornece energia extremamente confiável para a carga crítica,
sendo chamados de on-line, porque todo o fluxo de energia através da UPS, para a
carga crítica e o banco de baterias, devem estar conectados durante a operação
normal do sistema.
Sistemas UPS Off-line tem operação similar ao sistema on-line, com a exceção de
que todo o fluxo de energia não passa pela UPS durante a operação normal. Neste
caso o fluxo de energia passa por um circuito “by-pass”, provendo uma conexão
direta entre a fonte principal de energia e a carga crítica. Neste sistema, durante a
operação normal não há uma regeneração do sinal, ou seja, a energia não pode ser
purificada no processo de conversão de energias AC-DC. Durante interrupções da
fonte principal de energia, o sistema UPS e baterias são chaveados para manter a
operação contínua, assim, os sistemas off-line não são recomendados para aplicações
de Missão Crítica para TI.
A existência de redundância nos sistemas UPS’s pode resultar em economias quando
o preço de um equipamento adicional requerido para configuração redundante, ao ser
analisado frente à criticidade da carga e o custo causado por interrupções, concluir
86
que se justifique o custo x benefício desta redundância. Módulos redundantes não são
instalados para proteger a carga crítica de falhas de fornecimento de energia
principal, ao contrário, eles são instalados para manter o condicionamento ou
qualidade e proteção da energia para carga crítica em eventos de falha de módulos de
UPS’s. Sem redundância, as falhas em módulos de UPS e as manutenções ou reparos
de peças, requerem a transferência da carga crítica para uma energia não
condicionada, não protegida e não qualificada, provenientes da rede pública de
energia ou de sistemas de geração de emergência.
O mais direto e óbvio benefício da redundância pode ser o fato de a carga crítica
continuar sendo alimentada pelo sistema UPS, mesmo quando um módulo for
desconectado para serviços de manutenção e reparos. As características básicas dos
sistemas UPS’s podem ser descritas conforme as necessidades do projeto, incluindose os seguintes detalhamentos exemplificativos : capacidade composta em
associações de módulos singelos para até 1,0MVA com 15 ou 20 minutos de
autonomia das baterias; entrada AC em baixa tensão, trifásico com variação de
tensão entre -10% e +15%; freqüência de 60 Hz +/- 5% de variação admitida na
entrada; saída AC em baixa tensão, trifásico com variação de tensão não superior a
+/- 1%; freqüência de 60Hz, +/- 1% de variação de saída; distorção harmônica na
tensão igual ou menor a 3%, para carga linear na capacidade total; fator de crista: 3
(três); transiente de tensão em +/- 8% acima de 100% regulação da mudança de
carga; sobrecarga : 150% durante 1 minuto, 125% durante 10 minutos; by-pass via
chave estática e de manutenção; entrada DC de corrente máxima Riple durante a
flutuação da bateria em 2%; eficiência maior que 90% para a carga total; nível de
ruído menor que 75 dBA à 1 (um) metro; botão de desligamento geral do
equipamento, com previsão para desligamentos remotos; painel de monitoração com
histórico de alarmes gerais, facilidade para monitoração e controle em um sistema
remoto de gerenciamento de alarmes.34
Uma folga extra de capacidade propicia facilidades para o sistema UPS absorver
horários críticos de consumo e correntes de partida dos equipamentos,
desbalanceamento de cargas e sobrecargas em uma fase, margem de segurança para
87
futuros crescimentos de projeto, bem como, a expectativa de vida do sistema e sua
confiabilidade também são prolongadas substancialmente quando a carga está abaixo
de sua máxima capacidade. O UPS apresenta-se altamente dependente das baterias
aplicadas para gerar energia emergencial, assim, um extremo cuidado deve ser
tomado na seleção, instalação e manutenção destas baterias, com um severo controle
do ambiente onde se encontram.
As baterias devem ser dimensionadas visando permitir que a sua capacidade de
depreciação seja maior que o seu tempo de vida, em geral, são universalmente
garantidas para produzir 80% de sua inicial potência na saída, no final de tempo de
vida. O tempo de duração de descargas e recargas tem um grande efeito no
dimensionamento de um sistema de UPS, cuja duração de 15 à 25 minutos na
descarga de bateria com carga total, normalmente se faz recomendado. Esta
autonomia deve ser ampla e cuidadosamente estudada com o cliente e a equipe do
projeto, com a premissa de que o CPD possa responder as expectativas operacionais
desejadas.
As baterias chumbo-ácidas têm uma vida útil estimada em 20 anos, sendo muito mais
econômicas quanto ao preço por KW, entretanto, emitem gás hidrogênio que tem a
característica de ser potencialmente explosivo e insalubre, por este motivo, tem sido
exigido um ambiente especial e enclausurado com um sistema especial de ventilação.
Além disso, estas baterias ocupam muito espaço físico e exigem uma carga de laje
maior em razão do peso elevado. Este tipo de bateria apenas deve ser recomendado
para grandes construções, onde os espaços disponíveis são de maior capacidade e a
manutenção adequada para suportar este tipo de sistema.
As baterias seladas reguladas a válvula têm uma vida útil em torno de cinco anos, em
condições normais de operação, sem emissão de gases para o ambiente devido ao
catalisador interno. No ambiente em que se encontram não se faz necessário nenhum
tipo de tratamento, portanto, as baterias podem ser instaladas inclusive em salas de
equipamentos de TI. Apesar de requerer um maior número de elementos e conexões
para produzir o mesmo KW que os elementos das baterias chumbo-ácidas, os
elementos
das
baterias
reguladas
a
válvula
podem
ser
acondicionados
88
horizontalmente, logo, torna-se possível construir bancos verticais com vários
elementos acondicionados horizontalmente, reduzindo assim muito do espaço
requerido para a instalação. Este tipo de bateria requer uma rotina de manutenção
extremamente reduzida se comparadas com as chumbo-ácidas, portanto, as baterias
seladas reguladas a válvula são as mais indicadas para o ambiente crítico de CPD.
A infra-estrutura do CPD deve ser toda preparada para receber, trocar, retirar e
substituir equipamentos sem que os ativos e funções de TI sejam impactados
negativamente, assim sendo, a redundância do sistema de distribuição de energia
dual-bus ou three-bus deve ser desenhada visando fornecer energia para o CPD sem
quaisquer interrupções em períodos de manutenções preditiva, preventiva e corretiva
em Geradores, UPS’s, ATS, STS e painéis de distribuição. Os painéis elétricos
dedicados que devem alimentar os sistemas de ar condicionado de precisão devem
ser supridos alternadamente no mínimo por
02 (duas) linhas distintas de
alimentação.
No ambiente interno do CPD há dois tipos distintos de alimentadores no sistema
elétrico, um proveniente de UPS e outro proveniente de um sistema sem a proteção
especial via no-break, propícios para usos gerais, como, por exemplo, tomadas para
ligar ferro de solda, equipamentos de limpeza, furadeira etc. Estes alimentadores
devem ter identificação distinta, ou seja, uma cor para tomadas protegidas e outra cor
para tomadas de uso geral. Tanto os circuitos protegidos quanto os de uso geral,
devem ser disponibilizados nas tensões 120 volts (FNT) e 208 volts (2FT e 3FT),
também com suas respectivas identificações.
O painel de distribuição e os painéis auxiliares devem ter barras isoladas de terra,
conforme as normas de aterramento para os equipamentos eletrônicos sensíveis,
mediante isolação adequada à voltagem de trabalho e devem ser do tipo armário
conjugado com portas para visualização e manutenções internas. Também devem ter
facilidade para entrada/saída de cabos de energia ou bus-way (barramentos), tanto na
parte superior como na inferior do quadro. Disjuntores de alta confiabilidade, com
capacidade suficiente de curto-circuito e com dispositivos de desligamento (trip)
89
eletro-magnético regulável, devem ser utilizados, sendo que, os disjuntores principais
devem possuir dispositivos auxiliares para a telesinalização de estado e de atuação,
podendo ser analisada a inclusão de bobinas de disparo, para atuação remota
(exemplo: em caso de inundação de sprinklers e outros).
As interligações elétricas (físicas) dentro dos quadros elétricos, devem ser de
barramento em cobre, com dimensões tais para suportarem as tensões e correntes de
trabalho/curto-circuito do sistema. Os quadros devem ser equipados com
instrumentos digitais para o completo controle de funcionamento, através de diversos
meios para medidas elétricas, tais como : voltímetro (RS, RT, ST, RN, SN e TN);
amperímetro com medições de correntes em cada fase; wattímetro; medidores
eletrônicos com CPU são muito utilizados em instalações high-tech, pois eles podem
enviar todos os dados e medidas atuais e históricas, para um sistema de
gerenciamento remoto, sendo portanto, o modelo mais recomendado para ser
instalado em um ambiente de CPD; relés de proteção de sobre-corrente e
sobre/subtensão eletrônicos com CPU são recomendadas para este sistema, porém,
eles somente podem ser instalados antes dos sistemas UPS, caso contrário, o seu
sistema de trip pode desligar a carga crítica do CPD. Os disjuntores principais de
cada quadro devem ser do tipo removível e com facilidade para ajuste de
seletividade. Os cabos ou barramentos interligados aos disjuntores devem ter espaço
suficiente para permitir o uso de alicates amperímetros e outros medidores externos
que devem ser utilizados em manutenções. Todos os disjuntores, chaves,
barramentos, cabos, instrumentos e terminais devem estar em conformidade com o
desenho disponível projetado. Uma cópia do desenho ou projeto do painel de
distribuição deve ser disponibilizado em suporte no interior da porta do painel.
Os quadros elétricos de distribuição devem ser instalados em bases metálicas ou de
alvenaria ou ainda sobre tapete isolante de borracha ou equivalente, como também as
UPS e os racks de baterias.35
A PDU-Power Distribution Unit responsável pela distribuição de energia crítica aos
equipamentos de TI, deve ser constituída por transformador e disjuntores de
distribuição em um único painel e pode ser instalada em qualquer lugar do CPD. O
90
custo do investimento inicial em PDU’s normalmente maior que os de painéis
padrões montados, apresentam muitas vantagens quando em análises do ciclo de vida
útil do sistema, como se pode observar pelo que segue : as PDU’s são facilmente
deslocadas o que aumenta a flexibilidade de lay-out no CPD; o transformador interno
permite uma maior proximidade da carga crítica possibilitando a maximização de
economia de alimentação e minimização de distorções harmônicas; as PDU’s são
facilmente interligadas ao sistema de referência de terra com uma pequena distância
de cabo; possuem chave de desligamento de emergência e capacidade de
monitoramento local e remoto; possibilitam monitoração completa de energia sendo
estes opcionais oferecidos por muitos fabricantes; vem equipadas com um, dois ou
até cinco painéis, cada painel com um disjuntor geral. Em face das vantagens
detalhadas acima, alta qualidade de conexão e disjuntores (monofásico, bifásico e
trifásico) removíveis a quente (“plug-in”), as PDU’s são altamente recomendadas
para ambientes de CPD.
De um modo geral a energia crítica deve ser suprida aos equipamentos de Tecnologia
da Informação (TI) através de cabos flexíveis sob o piso elevado, sendo raramente
utilizados os cabos rígidos, cuja técnica não deve ser recomendada, com exceções
onde as normas locais exigem este material. A configuração dos equipamentos de TI
deve determinar o comprimento, a dimensão ou bitola e o tipo de cada cabo. As
cargas críticas com duas fontes devem ser alimentadas por duas PDU’s distintas,
sendo as cargas de única fonte alimentadas por uma PDU que recebe alimentação de
um sistema de STS-Static Transfer Switch, o qual deve receber as alimentações
independentes provenientes das duas linhas do sistema elétrico.
Com estes modelos de ligações as cargas críticas podem sempre ter disponibilidade
de alimentação de qualquer uma das linhas do sistema. Os cabos flexíveis devem sair
dos disjuntores nas PDU’s e serem encaminhados sobre canaletas do sistema elétrico
sob o piso elevado, a serem interligados em tomadas elétricas do tipo industrial com
trava de segurança ou caixas de conexões seguras com tampa transparente para a
visualização em check-list das condições de funcionamento.
91
As STS-Static Transfer Switch possuem características importantes, cujo
desempenho nas manobras de transferência automática por ocasião de falhas nas
unidades UPS deve ser capaz de produzir um movimento quase instantâneo com
tempo menor a 4 (quatro) milisegundos, além de ter a disponibilidade para
configuração de transferência automática reversa, com 15 segundos de atraso antes
da retransferência, bem como, a configuração para transferências não sincronizadas
em tempos mínimos de interrupção. As características de desvio de fase,
sobre/subtensão da STS devem ser compatíveis com as características das cargas
críticas, sendo que, os disjuntores sem perda residual de corrente também devem ser
instalados após o sistema STS, podendo ser avaliada a opção de instalação de STS’s
internamente nas PDU’s.
A instalação de um sistema TVSS-Transient Voltage Surge Supression se faz
recomendada para ambientes de CPD, mediante um conjunto mínimo de dispositivos
TVSS que devem ser instalados em cada equipamento, na entrada geral de energia e
painéis de distribuição que alimentam os equipamentos eletrônicos sensíveis. O
TVSS no painel de entrada (subestação) visa eliminar picos de voltagem e transientes
vindos da rede comercial. O TVSS no painel de distribuição visa atenuar transientes
e ruídos que são gerados internamente nos prédios. O equipamento TVSS pode ser
equipado com contadores de transientes e fusíveis indicadores de ação rápida que
podem ser interligados ao sistema de automação predial para enviar informações e
alarmes. As características básicas dos equipamentos TVSS podem ser descritas
conforme as necessidades do projeto, incluindo-se os seguintes detalhamentos
exemplificativos : baixa tensão a ser definida oportunamente; taxa de transiente de
corrente ( 8 a 20 microssegundos) > ou = 10 KA; pulso máximo único de transiente
de corrente > ou = 20 KA (8 a 20 micro segundos); supressão dinâmica de voltagem
na taxa de corrente < ou = 2 KV (fase para terra); tempo de resposta de 50
nano-segundos; regenerativo; tecnologia com circuitos híbridos; indicador de falhas;
deve ser instalado o mais próximo da saída do disjuntor principal, de modo que não
interrompa os circuitos elétricos; dispositivo de proteção com chave seca + neutro
conectados ao terra, em cabo de bitola mínima 4 mm2.34
92
Os cabos de energia e os cabos de lógica (dados) devem ser instalados em bandejas
distintas e separadas visando minimizar os riscos de interferência eletromagnética.
Existem construções que se utilizam de bandejas para cabos de energia sob o piso
elevado e bandejas para cabos de lógica (dados) em sistema fixados no teto através
de leitos aéreos no CPD. A opção desta solução ou da solução de todas as bandejas
posicionadas sob o piso elevado, constitui-se tomada de decisão a ser efetuada pelo
cliente, pois quaisquer destas soluções são exeqüíveis no tocante técnico e
construtivo. As bandejas devem ser de aço galvanizado, sem nenhuma superfície
cortante em toda a sua dimensão.As bandejas devem estar no mínimo 03 (três) cm
acima do contrapiso sob o piso elevado e toda sua estrutura deve estar conectada ao
terra nas 02 (duas) extremidades. As emendas devem possuir interligação elétrica
que assegure a continuidade elétrica independente das conexões físicas.
Os cabos e fios de energia em geral devem ser do tipo PVC ou XLPE com níveis de
isolação apropriada para cada área do CPD, sendo que, os que são posicionados em
shafts devem ter proteção contra incêndio para 60 minutos. Todos os cabos e fios
elétricos (fases, neutro e terra), devem ter códigos de cores identificando os mesmos.
Estas cores podem estar na própria isolação de PVC do cabo, ou cabos com uma
única cor de isolação, identificados com fitas coloridas coladas no mesmo, e ainda,
devem ser identificados com anilhas indicativas de circuitos, conforme determinado
no projeto executivo.
As boas práticas de aterramento são essenciais para uma confiabilidade dos sistemas
críticos e todas as separações derivadas de fontes – sistema de UPS’s,
transformadores e geradores – devem ser obrigatoriamente interligadas ao sistema de
aterramento com eletrodos. Em adição, o sistema de aterramento deve estar
totalmente interligado, ou seja, sistema de proteção contra descargas atmosféricas
(pára-raios)
e
os
sistemas
equipotenciais
de
aterramento
devem
estar
obrigatoriamente conectados ao sistema de eletrodos. Os sistemas de aterramento
para equipamentos de missão crítica, geralmente consistem nos seguintes
subsistemas: aterramento para segurança de equipamento; aterramento isolado;
aterramento equipotencial.
93
O aterramento para segurança de equipamento refere-se no código de cores ao
condutor estabelecido como verde para a indicação do terra, sendo requisitado para a
proteção contra curto-circuito, mas geralmente não serve bem como uma referência
de sinal ou supressão de ruído no terra. O cabo verde do terra pode ser dimensionado
em bitola igual ou dobro dos cabos de fase no circuito de 120/208 volts que
alimentam os equipamentos de tecnologia. Muitos equipamentos de alta tecnologia
são manufaturados podendo requisitar aterramento isolado ou sistema de aterramento
de referência de sinal. Na atualidade, os sistemas de aterramento não apresentam a
condição de serem totalmente isolados e o melhor que se pode obter é um
aterramento limpo. Aterramentos limpos não podem ser divididos em algum ponto
em comum com algum outro sistema, exceto o ponto do terra ou o ponto do neutro
aterrado, sendo que, ele consiste de barras isoladas de terra e cabos convergindo para
um ponto único de aterramento equipotencial. Com o intuito de manter um sistema
potencial com terra isolado mais próximo possível de outro sistema de aterramento,
torna-se essencial a execução de um sistema de neutro aterrado para servir a área de
Missão Crítica, como no sistema UPS onde o seu neutro pode ser interligado ao
ponto equipotencial de aterramento. O uso do sistema equipotencial de aterramento
instalado abaixo do piso elevado pode ser recomendado para os ambientes de CPD.
Este sistema provê um plano equipotencial de terra, que aumenta a atenuação de
ruídos e pode ter um condutor de perímetro, interligado a várias fitas de cobre
tratadas formando uma grande cadeia por baixo de todo o piso elevado, provendo
uma grande uniformidade equipotencial. O sistema equipotencial deve ser interligado
a ponto de neutro aterrado da subestação do prédio, com o intuito de manter o
mesmo potencial do aterramento de segurança. Os sistemas de neutros separados
derivados dos equipamentos de infra-estrutura, como o secundário do transformador
do PDU, devem ser interligados ao plano equipotencial e o dimensionamento deste
sistema deve ser objeto do projeto executivo.36
Alguns equipamentos de missão crítica requerem uma alimentação DC (-48V),
nestes casos devem ser instaladas as fontes de energia DC que consistem em uma
planta primária com redundância. Este sistema DC possui várias unidades
94
retificadoras com filosofia de redundância e um banco de baterias projetado para um
tempo de descarga (autonomia) que pode ser de 10 horas com carga total. O próprio
painel do sistema DC deve ter um quadro com disjuntores para distribuição de
energia e ter facilidade para instalação de um quadro remoto de distribuição DC,
sendo que, o dimensionamento deste deve ser objeto do projeto executivo.
Enfim, o quadro resumo de requisitos para a Infra-estrutura Elétrica do CPD
compreende os conceitos e premissas básicas do Fornecimento e Distribuição de
Energia que abrangem os seguintes tópicos relacionados a seguir :
i. Disponibilidade de energia, com e sem interrupção;
ii. Qualidade de energia – aterramento, supressão de surtos, filtragem,
compatibilidade eletromagnética;
iii. Adaptabilidade – modularidade, estrutura do cabeamento;
iv. Proteção física e elétrica dos sistemas de energia;
v. Monitoramento, Detecção, Manutenção e Gerenciamento.
4.3
Climatização, Ventilação e Resfriamento
Neste tópico são abordadas as necessidades de remoção do calor dissipado nos
ambientes de sistemas e sua infra-estrutura, onde a premissa básica para todos os
elementos refere-se a disponibilidade 24x7 (24 horas por dia, 07 dias por semana e
365 dias por ano) em todas as áreas de TI. Os ambientes da “Cabine de Comando”
(CC-Comand Center, NOC-Network Operation Center, SOC-Security Operation
Center) requerem climatização com características mistas de conforto e
concentrações de equipamento dissipando calor sensível. Os ambientes de
subestações elétricas requerem dispositivos de exaustão e os ambientes de geradores
requerem sistemas de arrefecimento específicos a serem projetados na fase executiva.
95
O ambiente para o CPD propriamente dito, considerando-se sob enfoque principal as
áreas dos equipamentos de TI, pode ser objeto de avaliações de, no mínimo, duas
alternativas técnicas para a remoção de calor dos ambientes de sistemas – alternativa
com água gelada e alternativa por sistemas distribuídos, sendo que, as outras
alternativas podem ser desconsideradas em função das necessidades de flexibilidade
e segurança (ex: centrífugas, absorção, geotérmica, torre de água, etc).
Na alternativa com água gelada, o resfriamento deve ser efetuado em planta central
com temperatura inferior a 10°C e o circuito de água fria deve passar por unidades de
troca de calor nos ambientes. A configuração do sistema com água gelada, deve
considerar uma composição por dois, três ou mais chillers constituindo uma planta
termo-mecânica, resfriando circuitos fechados de água. O calor deste processo deve
ser descarregado no ar. A água deve circular em tubulações isoladas até chegar em
todos os ambientes que devem ser resfriados. Os ambientes dos equipamentos e
funções de TI devem ser climatizados por unidades Fan-Coil de Precisão (trocador
de calor ar-água com ventilação forçada), complementadas com umidificador e
aquecedor para correção da umidade. As vantagens do sistema com água gelada
levam em consideração a manutenção da planta termo-mecânica que fica
centralizada e fora dos ambientes dos computadores (a manutenção das unidades fancoil, dentro dos ambientes, continua indispensável) e permite a aplicação do conceito
de termo-acumulação para cortar picos de demanda. As desvantagens do sistema
com água gelada levam em consideração a possibilidade de redundância dos circuitos
de água em cada ambiente que não passa de 1+1, o que demanda dois grupos de FanCoils (N+N) ou um complexo sistema de interligação hidráulica, para permitir a
redundância no equipamento e na linha, sendo que a paralisação de um dos circuitos
deixaria os sistemas sem redundância e há riscos inerentes da grande quantidade de
água em circulação nos ambientes de Missão Crítica, além de que, a água demanda
manutenção química, as unidades da planta central são de grande porte, portanto a
modularidade não permite ajuste fino e o atendimento sob medida com unidades no
estoque (on demand), não há recuperação do investimento da planta central em caso
de redução da demanda (menor proteção do investimento), a arquitetura tem que
oferecer um local com facilidade da descarga do calor e com segurança adequada
96
para a planta central, o sistema de controle pode ser complexo (local e central) com
integração específica do projeto (não sendo plug & play de fábrica), a alteração no
sistema de controle requer serviço de engenharia e as grandes cargas do sistema
central dificultam a provisão de redundância na alimentação de energia.
Na alternativa por sistemas distribuídos os sistemas são de pequeno porte, com
circuito termo-mecânico autônomo (self-contained de precisão com condensador
remoto) denominados de “expansão direta”, com absorção de calor pelo próprio gás
refrigerante dentro do ambiente e descarga do calor em condensador ao ar livre. A
configuração com sistemas distribuídos apresenta composição por módulos
autônomos, compressor e evaporador no ambiente, circuito de gás / líquido até um
condensador e descarga do calor na cobertura. As vantagens dos sistemas
distribuídos são a independência e autonomia – não há função centralizada, os riscos
são pulverizados e distribuídos, torna-se fácil conceber um sistema redundante de
energia para garantir a operação, a redundância pode ser modular em cada ambiente
que pode ter a configuração ideal de N+1, N+2 ou mais, um novo módulo pode ser
instalado rapidamente (de 2 a 3 dias), o sistema de controle também pode ser
modular em cada unidade que possui uma eletrônica embarcada testada em fábrica, a
configuração dos conjuntos não requer engenharia especializada, os módulos podem
ser adquiridos de acordo com a demanda (obs: em caso de redução da demanda
torna-se fácil reutilizar em outros locais), o remanejamento pode ser simples com
tubulação fácil de soldar e isolar, a padronização dos módulos permite grande
agilidade na manutenção, sendo os impactos na arquitetura do prédio decorrentes
apenas das prumadas de tubulações e a grande quantidade de condensadores. As
desvantagens com sistemas distribuídos são o fato de que há um pouco mais de
manutenção (obs: portanto, um maior fluxo de pessoas dentro dos ambientes de
computadores), a grande quantidade de condensadores requer local seguro para
rejeição de calor
de preferência na cobertura e a limitação entre as distâncias
evaporador-condensador que pode representar problemas em alguns casos.
Assim, a conclusão sobre o tipo de sistema mais adequado ao CPD deve considerar a
alternativa de sistema (central ou distribuído) que possa oferecer mais vantagens por
97
um custo total operacional e aquisitivo igual ou inferior ao da tecnologia comparada,
considerando-se todo o quadro resumo de vantagens e desvantagens apresentadas,
mediante análise geral do “Custo do Ciclo de Vida” ou LCC-Life Cicle Cost dentre
todas as alterantivas consideradas no projeto conceitual do CPD. O critério de
condições ambientais, internas e externas para dimensionamento das condensadoras
deve adotar a temperatura máxima externa de 40 ºC a 800 m acima do mar, com
provisão para instalação de difusão de água sob os condensadores caso seja vantajoso
para o sistema. Os ambientes de processamento demandam normalmente um ponto
de ajuste em 21 ºC para possibilitar o insuflamento a 15 °C, sendo o fluxo de ar
ajustado para minimizar a demanda de correção da umidade, já que representa
desperdício de energia. Salas de UPS devem seguir os mesmos critérios dos
ambientes de processamento. Os ambientes de “Cabine de Comando” demandam
condições de conforto com ajustes individuais para atender a grande variedade de
ocupação por pessoas e concentrações locais de equipamentos de considerável
dissipação térmica. Os índices a serem utilizados para os projetos executivos devem
considerar as referências para as condições típicas de cada região, prevendo-se
proteção contra infiltração mediante isolação de todos os vãos de comunicação dos
recintos condicionados com o exterior a serem mantidos em modo normalmente
fechados.
A concepção e dimensionamento dos sistemas de climatização, ventilação e
resfriamento deve considerar uma série de parâmetros de acordo com o tipo de
ambiente
a
ser
tratado, tais
como
:
processamento,
armazenamento
e
telecomunicações; ambientes de infra-estrutura física; ambientes de conforto com
predominância de pessoas.37
Nos ambientes de processamento, armazenamento e telecomunicações os
compartimentos devem ser climatizados individualmente, em circuitos internos, por
sistemas em configuração modular com redundância, de precisão, com alta vazão,
alto teor de calor sensível, controle de umidade e filtragem eficiente. A capacidade
inicial não precisa atender projeções futuras e as unidades podem ser acrescidas ou
retiradas sem interferência na operação. A instalação deve incluir providências para
98
facilitar acréscimos futuros de unidades. A climatização segregada oferece grande
adaptabilidade e previne que qualquer contaminação (fator constante na área
metropolitana) ou subprodutos de um incêndio (fumaça, gases corrosivos, calor)
possa penetrar no ambiente crítico via dutos de ar. A premissa básica deve ser a de
que cada ambiente pode requerer uma configuração específica, não permanente no
tempo. As cargas térmicas em sua grande maioria são todas “sensíveis”, ou seja, sem
geração de umidade. Um ambiente de fitoteca robotizada pode apresentar demanda
inferior a 200 W / m², enquanto uma área de servidores em racks altos pode passar de
1000 W / m² acrescentando problemas com ar quente de um rack ser aspirado por
outro. A redundância de unidades precisa atender todas as previsões, inclusive
reconfigurações e outras situações transitórias. Todas as unidades de climatização
devem ser do tipo “precisão” ou “alta performance” com sofisticada eletrônica
embarcada, as quais dependem da disponibilidade da energia essencial, alimentadas
por gerador em caso de falta da energia comercial. Esta transferência deve ser
automática e as partidas das unidades devem ser escalonadas e comandadas pelo
próprio sistema de controle. As unidades devem possuir controles microprocessados
autônomos incorporados na própria máquina e interligados em rede. O sistema pode
manter uma ou mais unidades em stand-by, de acordo com a demanda, alternando
sua operação sempre que algum alarme requerer. O insuflamento deve ocorrer
diretamente sob o piso elevado com o retorno pelo ambiente, via filtro na parte
superior da máquina. A descarga do calor de cada unidade deve ser por condensador
remoto, resfriado a ar forçado com controle de rotação variável, localizado sobre a
cobertura, quando se optar por sistema de self-ar. O controle de umidade pode ser
facilitado pela estanqueidade dos ambientes, mas a estratificação térmica ser muito
acentuada com conseqüente variação ainda maior da umidade relativa, mas sem
alteração do teor absoluto. A estimativa da quantidade adequada de módulos para
atender os ambientes previstos pode partir da demanda total de energia crítica (UPS),
sendo que a soma das capacidades de calor sensível dos sistemas não deve ser
inferior a 1,5 vezes esta demanda, o que significa redundância média de 50 %, o
mínimo aceitável. Ambientes pequenos podem ter configuração mínima de 1+1,
portanto 100 % de redundância. Com base no estudo da demanda atual do CPD, a ser
estimada visando estabelecer a capacidade total em TR’s, pode ser estabelecida a
99
quantidade necessária aproximada de unidades de selfs requeridas para atender uma
eventual aplicação para novas construções de ambientes para Missão Crítica. Esta
quantidade pode ser alterada a partir do projeto conceitual e o refinamento do projeto
executivo do CPD. O layout do hardware e corredores determina a configuração
ideal das unidades, sendo que a eventual obstrução do fluxo de retorno também pode
criar hot-spots (pontos de aquecimento).38
Nos ambientes de infra-estrutura física as UPS’s e baterias representam funções
críticas que dissipam calor sensível e sofrem redução de vida útil com elevação da
temperatura a partir de 24 ºC. As vantagens na padronização de equipamentos pode
facilitar a opção pelo uso de sistema idêntico nestes ambientes. Um sistema de
exaustão automática deve ser indicado para baterias que exalam gases, nos casos em
que estas baterias sejam adotadas.
Nos ambientes de conforto (predominância de pessoas), visando climatizar as áreas
de trabalho com equipamentos em configurações altamente dinâmicas, o sistema
também pode ser modular e adaptável para atender os equipamentos e proporcionar
conforto às pessoas no ambiente de trabalho, contando com a flexibilidade de layout.
Para tanto, pode ser adotada a climatização sob o piso elevado com unidades
terminais em forma de placa de piso com ventilador e grelhas para insuflamento. O
retorno pode ser via plenum no entreforro, ou diretamente pelo ambiente, gerado pela
diferença de pressão. Nesta área pode ser prevista a renovação de ar, devidamente
filtrado, atendendo a norma NBR 6401, a Portaria No 3.523 de 28.08.1998 e o
Regulamento Técnico RE09 de 16 de janeiro de 2003 do Ministério da Saúde. A
recepção do CPD deve ser suprida por sistemas de conforto junto com a “Cabine de
Comando”.39
Os ambientes comuns de corredores e espaços para cabeamento, horizontal e vertical,
não precisam de climatização. As especificações de equipamentos do sistema
adotado devem descrever todas as características requeridas na aplicação sob
enfoque, segundo as análises desenvolvidas em fase de projeto conceitual do CPD.
As características básicas de um sistema modular de precisão para ambientes de TI e
100
de UPS podem ser descritas conforme as necessidades do projeto, incluindo-se os
seguintes detalhamentos exemplificativos : a capacidade da unidade deve ser
padronizada para obter modularidade e facilidade na manutenção; o módulo básico
ideal deve possuir um só circuito termo-mecânico com capacidade de 20 a 30 kW de
calor sensível; a relação (capacidade térmica) / (área ocupada) deve superar 20 kW /
m² e as conexões de energia e de tubulação devem ser pela base, via entrepiso; toda a
manutenção deve ser efetuada apenas pela área frontal, permitindo instalação em
conjunto; visando permitir uma maior modularidade de projeto, facilidade de
remanejamento futuro, alimentação elétrica e estoque de peças sobressalentes para
agilização na manutenção, se faz recomendável que os equipamentos de precisão de
toda a instalação sejam dimensionados utilizando-se no máximo 2 capacidades
distintas, sem prejuízo da redundância já comentada; adoção de um número de
condicionadores de ar por ambiente que permita utilizar uma distribuição homogênea
das cargas de equipamentos de ar no sistema elétrico e aumentar a confiabilidade do
sistema; as unidades devem fornecer o ar-condicionado diretamente ao entrepiso com
pressão estática superior a 100 MPa através de ventilador centrífugo de pás curvadas
para trás, acoplada diretamente (sem correias) a motor assíncrono de rotor externo; o
ar quente de retorno deve ser aspirado pelo lado superior da unidade, passando por
um filtro descartável de eficiência EU4 (ASHRAE 20-30 %); o compressor deve ser
tipo scroll e o meio refrigerante deve ter ODP = 0 (sem efeito contra camada de
ozônio); o evaporador deve possuir fator sensível superior a 90%; o gabinete deve ser
fechado por sanduíche termo-acústico e as bandejas, parafusos e ferragens devem ser
de inox; a desumidificação do ar ambiente, a ser feita através de reaquecimento, pode
ser do tipo elétrico, de baixa temperatura superficial; a umidificação deve ser feita
por um sistema autônomo de evaporação e aspersão de água por aquecimento
elétrico, utilizando-se recipientes lacrados instalados no interior das unidades, que
são substituíveis em caso de defeito (tipo “descartável”); o sistema de controle
operacional deve ser uma rede configurada pelos microprocessadores embarcados
nas unidades; cada unidade deve ter processador independente com visor, menu,
teclas de navegação, leds indicadores de status, alarmes e proteção por senha; o
sistema de controle operacional deverá possuir circuito eletrônico com autodiagnóstico para auxiliar na identificação de problemas; o microprocessador do
101
sistema de controle, deve ser compatível com todos os dispositivos remotos de
monitoramento e controle, com processamento do tipo avançado, com um mostrador
frontal em cristal líquido, para indicar a temperatura, umidade, capacidade percentual
(refrigeração, aquecimento, umidificação, desumidificação e ciclo de economia), set
point (ponto de ajuste) de regulagens e sensibilidade de temperatura e de umidade; os
alarmes, além de serem reportados à Cabine de Comando e ao Setor de Contrôle da
Infra-estrutura, devem ativar um alarme sonoro e visual na tela de cristal líquido da
respectiva unidade, na ocorrência de qualquer uma das seguintes condições - Alta
Temperatura/Alta Umidade/Baixa Umidade/Alta Pressão no Circuito Frigorífico
/Problema com o Umidificador/Perda de Fluxo de Ar/Presença de água sob o piso
elevado/Substituição de Filtros; a tubulação frigorígena deve ser de cobre soldada em
atmosfera inerte, com fixações apropriadas para dilatação, isolamento térmico e
proteção mecânica nos trechos indicados; a tubulação de água deve possuir registro
externo ao ambiente, ser de cobre rígido, inclusive a de drenagem.40
As características básicas de um sistema modular de conforto para ambientes do
CPD com predominância de pessoas podem ser descritas conforme as necessidades
do projeto, incluindo-se os seguintes detalhamentos exemplificativos : a solução
precisa proporcionar conforto para ambientes tão diversos como os anfiteatros de
operadores, salas de reunião de crise, sala de recepção vip, alguns ambientes para
equipamentos sensíveis e ainda permitir reconfigurações drásticas na utilização do
espaço, com o mínimo de interrupções em operações críticas; a climatização via piso
elevado pode ser um conceito sustentável neste caso; podem ser aplicados os
sistemas de 10 a 20 kW tipo split (com unidades condensadoras na cobertura e
evaporadoras no local) fornecendo ar renovado, filtrado e resfriado sob o piso
elevado; cada ambiente pode ser provido de terminais móveis, acoplados a uma placa
do piso, com a função de climatizar uma área de 5 a 10 m², insuflando ar de acordo
com a necessidade local; as grelhas do piso elevado devem ter capacidade adequada
para distribuir o fluxo de ar na quantidade exigida pelo ambiente; as unidades de ar
condicionado devem ser instaladas sobre estruturas metálicas acima do piso elevado,
com pés de borracha para eliminar vibrações mecânicas; recomenda-se a instalação
de dutos defletores sob o piso elevado, na saída das unidades de ar condicionado,
102
com o intuito de aumentar a eficiência da saída do fluxo de ar gelado das máquinas;
as unidades de ar condicionado não devem ser instaladas próximas umas da outras,
visando aumentar a eficiência de todo o sistema; as unidades condensadoras deverão
ser instaladas na cobertura do prédio, em locais seguros, com facilidade para troca de
calor, acesso adequado para manutenções e distante de exaustores de fumaça; o
sistema microprocessado deve disponibilizar todos os alarmes para um sistema de
gerenciamento
remoto
para
que
os
operadores
treinados
possam
atuar
preventivamente a possíveis problemas do sistema de ar condicionado, ventilação e
exaustão; o sistema de exaustão deve ter capacidade de troca total do ar do ambiente
em 10 (dez) minutos, para a eventualidade de ocorrência de gás ou fumaça no
ambiente, sendo que, este dispositivo deve ser instalado em ambiente externo à sala
de operação com circuitos de proteção de operação acidental; os dutos separados
entre as salas de operação e equipamentos, com dumpers devem ser interligados ao
sistema de exaustão; todos os sistemas de climatização, ventilação e resfriamento
deverão ser alimentados pela energia essencial e distribuídos igualmente entre as
linhas de fornecimento do sistema elétrico com múltiplos barramentos (dual-bus ou
three-bus); o sistema de exaustão não pode ser desligado pelo acionamento do
sistema de detecção de incêndio, sendo que em casos extremos de necessidade de
renovação de ar pode ser aconselhada a abertura das portas das salas de
equipamentos e operação em conjunto com o sistema de exaustão forçada.41
Enfim, o quadro resumo de requisitos para a Infra-estrutura de Ar-condicionado do
CPD compreende os conceitos e premissas básicas de climatização, ventilação e
resfriamento que abragem os seguintes tópicos relacionados a seguir :
i. Cada ambiente deve ter climatização própria, sem mistura de ar com outros,
assim eliminando riscos de contaminação;
ii. Cada ambiente precisa ter a redundância adequada, igual ou maior que N+1;
iii. Cada módulo deve ser independente, sem vínculos de componentes em comum,
nem de qualquer infra-estrutura do prédio com exceção da energia;
iv. A capacidade inicial não precisa atender projeções futuras;
v. Unidades podem ser acrescidas ou retiradas sem interferência na operação.
103
4.4
Segurança Física
Os sistemas de Segurança Física que devem ser previstos no projeto do CPD, assim
entendidos todos aqueles sistemas cuja função seja monitorar, controlar e impedir
que um evento fortuito venha a causar paralisação, falha de operação ou perda de
informação do cliente, em uma instalação de alta disponibilidade podem ser
divididos nas seguintes categorias de sistemas – Segurança Patrimonial; Proteção e
Alarme de Incêndio; Segurança Operacional de Infra-estrutura.
A Segurança Patrimonial engloba os subsistemas de controle de acesso, detecção de
intrusão, monitoração e tratamento de imagens e sistemas antifurto. A Proteção e
alarme de Incêndio compreende as subdivisões de sistemas de detecção de incêndio
precoce, sistemas de detecção de incêndio pontual, sistemas de extinção de incêndio
e sistemas acessórios. A Segurança Operacional de Infra-estrutura abrange os
componentes para detecção de líquidos e vapores, interferências eletromagnéticas,
botões de desligamento e proteção contra descargas atmosféricas.
Todos os sistemas de Segurança devem possuir interfaces que permitam sua
interligação ao sistema de Supervisão e Inteligência Predial, possibilitando o
monitoramento dos parâmetros essenciais, acionando alarmes em caso de ocorrência
de desvios ou eventos que possam colocar em risco a segurança ou operação do
CPD. Além disso, deve ser previsto no desenho de layout da edificação uma sala
específica de Segurança para abrigar o corpo de vigilantes, na qual devem ser
instalados os equipamentos de controle, monitoração, alarme, gravação de dados e
imagens relativos à segurança. Os exemplos de eventos a serem monitorados ou
alarmados encontram-se descritos conforme as categorias elecandas a seguir :
controle de acesso (tentativa de acesso não autorizado em portas controladas; porta
aberta por tempo superior ao estabelecido; entrada de “carona”); controle de intrusão
(presença de pessoas na área externa, próxima do edifício, em cinturão de segurança;
tentativa de arrombamento de portas; presença de pessoas em áreas de não-
104
permanência);
sistema
antifurto
(tentativa
de
saída
com
material
não
permitido/autorizado); proteção e alarme de incêndio (detecção de fumaça/calor em
ambientes; acionamento de botoeiras do sistema; iminência de descarga de gás;
abertura de válvulas de pré-action do sistema de sprinklers secos; linha interrompida
ou detector removido da base; sistema bloqueado); segurança operacional de infraestrutura (ocorrência de líquidos no entrepiso; ocorrência de vapores no ambiente;
campo eletromagnético elevado).21
A Segurança Patrimonial deve considerar diversos fatores a serem tratados, a
começar pelo controle de acesso. Numa construção de alta segurança, torna-se
fundamental que todo o acesso a cada uma das áreas do prédio seja controlado,
monitorado e que as informações decorrentes sejam armazenadas por um período de
tempo para consulta futura. Os ambientes do edifício devem ser classificados por
níveis de segurança, de acordo com o grau de restrição que cada um deva ter em
função de seu conteúdo. Todas as portas que dão acesso às áreas críticas devem ser
controladas através de dispositivos do tipo cartões de proximidade para as áreas de
baixo nível de segurança e mediante leitoras biométricas (impressão digital, palma da
mão ou íris) para ambientes de alto fator de segurança. A recomendação para os
controles são de que as salas de equipamentos (servidores, mainframes, robôs, etc.)
possuam leitoras biométricas com código numérico, as salas de infra-estrutura (UPS,
geradores, painéis, subestação, etc.) possuam leitoras biométricas com código
numérico, as salas de operadores possuam catracas mais leitora de proximidade
acoplada a teclado com código numérico e a sala de segurança possua leitora de íris.
Os requisitos mínimos do sistema de controle de acesso a ser implantado deve
considerar o conjunto de fatores de maior relevância ao CPD, conforme premissas de
projeto cujos detalhamentos básicos podem incluir os seguintes tópicos : duplo
sentido no controle que monitore tanto a entrada quanto a saída no ambiente, com
operação em rede mediante servidores exclusivos e redundantes; as portas não
podem permanecer abertas e o sistema deve prever alarme para qualquer porta que
assim permaneça por mais de 30 segundos; devem ser utilizadas fechaduras
eletromagnéticas e prever um dispositivo “anticarona”, impedindo que 2 pessoas
105
ultrapassem 1 porta com um único cartão e permitindo que um indivíduo só saia de
um determinado local se sua entrada tiver sido registrada; possuir um sistema
autônomo de energia, com UPS ou baterias próprias, além do sistema do edifício.
O estacionamento localizado ao lado do prédio deve ter o acesso de veículos
controlado por cancelas automáticas acopladas a sistema de leitura de cartão de
proximidade, gerenciado pelo sistema de Gestão Predial. As vagas do
estacionamento devem ser dedicadas aos funcionários do CC-Comand Center, NOC,
SOC e Energy Plant, a analistas de suporte (quando alocados para mesa de crise), aos
técnicos prestadores de serviços e a visitantes do CPD previamente cadastrados. Os
visitantes devem ser cadastrados na recepção do prédio onde podem receber um
cartão de proximidade que deve permitir o acionamento somente nas portas que dão
acesso ao local a ser visitado. As tentativas de acesso indevido devem ser alarmadas
imediatamente na sala de segurança. A saída de visitantes deve ocorrer mediante um
dispositivo coletor de crachás, de forma a impedir que o cartão não seja devolvido.
As equipes de manutenção e operação devem possuir cartões com direito de acesso
às áreas específicas de infra-estrutura, sendo que, o acesso às áreas de alta segurança
deve ser estabelecido previamente, de acordo com um plano de manutenção e
operação. A central de segurança deve ser prevista com uma área para operar e
monitorar o sistema de acesso onde deve ficar instalado um dos servidores do
sistema para o cadastramento de cartões de funcionários, com estabelecimento de
horários de entrada/ saída, programação de trabalho de pessoal de operação e
manutenção. O sistema de interfones deve considerar que ao lado das portas externas
principais podem ser instalados os dispositivos comunicadores com os operadores da
Sala de Monitoramento. O interfone mestre na sala de monitoramento deve
identificar automaticamente qual o dispositivo comunicador está gerando a chamada.
Qualquer acionamento dos interfones deve produzir um efeito alerta da imagem
correspondente no monitor de eventos do sistema de CFTV. O interfone mestre deve
ter fone e microfone tipo hands free (tipo operador de telemarketing). Podem ainda
ser necessários alguns dispositivos complementares, de acordo com o projeto de
arquitetura, nos quais devem ser previstos os dispositivos de restrição e controle de
106
acesso, tais como : torniquetes - dispositivos que permitem a passagem de uma única
pessoa de cada vez; catracas - similar ao torniquete, porém com menor grau de
segurança; catracas para deficientes - dispositivos que permitem a passagem de
cadeira de rodas.
O Sistema de Alarme de Intrusão Interna e Perimetral deve ser integrado ao Sistema
de Monitoração e à central de supervisão, de modo a possibilitar as prontas
identificações da área violada através de plantas ilustradas na tela do computador de
Supervisão. A instalação do sistema de controle e alarme perimetral deve ser operada
através de um Micro Computador com hardware e software compatíveis com as
necessidades dos equipamentos do sistema. O software de supervisão deve ser de
telemonitoramento multicasting (multifunções ou multicanais), vinculando o setor
violado com as respectivas imagens. Cada módulo perimetral de servidor deve
possuir as seguintes características: 2 ou 4 portas de entradas e saídas; possibilidade
para futura expansão em módulo de voz; utilizar compressão vinculando a imagem
com as entradas e saídas de sinalização e comando; software no controlador que
possibilite um pop-up* da imagem vinculada ao trecho alarmado; software gráfico
ilustrando o mapa dos setores perimetrais protegidos e a vinculação das imagens com
cada setor.
Em todo perímetro devem ser instalados sensores de infravermelhos ativos, duplofeixe, e devem estar conectados à rede de comunicação através de módulos
servidores (módulos de captura de imagens, comandos e alarmes), os quais podem
integrar imagem, voz, sinalização do setor violado, escuta de áudio perimetral e
comando de voz através de amplificadores de áudio e sonofletores de potência
compatível com o setor monitorado. Acessoriamente, recomenda-se a utilização de
sensores de profundidade, através da utilização de cabos piezelétricos sob a grama,
os quais têm sua condutividade alterada quando sujeitos a pequenas variações de
pressão e indicam movimento na superfície que devem ser investigados pelo pessoal
de segurança. Todos os sensores infravermelhos passivos e ativos devem ser
programados via central de supervisão localizada na recepção para receber
*
pop-up – tela de aviso com abertura automática no monitor, a partir de um comando específico.
107
supervisão ou não. Na situação de não supervisão (INIBIDO), o ponto não deve se
apresentar na tela do computador da central de segurança, já na situação de
supervisão, o ponto deve se apresentar na tela piscando dando o alerta da condição de
intrusão, juntamente com um sinal sonoro. Após a verificação da violação pelo
operador o sinal sonoro pode ser silenciado via teclado na área violada.
A central de segurança deve ainda possibilitar o teste dos pontos via teclado, tendo
ainda os seguintes módulos para facilitar a visualização de ocorrências: módulo de
ilustração em planta; módulo de ilustração do estado das portas; módulo com alarme
de porta-aberta vinculado simultaneamente à imagem, na própria tela da planta, do
local violado; módulo de posicionamento gráfico dos componentes de segurança e da
Brigada de Incêndio. Deve ser também previsto um Sistema Auxiliar de Interface de
Alarme com CFTV, composto por um dos módulos do software de imagens que
envolvem o controle múltiplo de câmeras, periféricos e alarmes, possibilitando o
monitor receber imagem de câmeras associadas ao Sistema de Intrusão. Este sistema
deve possibilitar o surgimento da imagem na tela gráfica que mostra a planta do local
de intrusão, através de uma placa digitalizadora. Tal sistema constitui-se de um
microcomputador com processador matricial de imagens e alarmes, montado para
adaptar e interfacear os sensores de alarme do campo com os monitores da sala de
controle, a ser integrado ao sistema de Circuito Fechado de TV que pode registrar,
em tempo real, todas as imagens de todas as câmeras com alta resolução colorida.
Toda vez que houver uma intrusão deve aparecer na tela gráfica do computador da
sala de segurança, a planta e a imagem do local violado com a respectivo log* no
sistema, e sua gravação. Todos os pontos de intrusão e segurança devem ser tratados
como pontos físicos (entrada digital) e interligados aos controladores.
O Sistema de CFTV - Sistema Digital de Circuito Fechado de TV, interligado ao
Sistema de Detecção e Alarme de Intrusão Perimetral e Interna, tem como objetivo a
monitoração visual das áreas internas e externas da edificação, de áreas de acesso e
circulação de pessoas em geral nas áreas internas. O sistema deve estar totalmente
integrado ao Sistema de Controle de Acesso e Controle de Bens. A monitoração deve
*
log – registro eletrônico no sistema por tentativa de acesso.
108
ser efetuada por um sistema de circuito fechado de TV com telecâmeras
supervisionadas pelos operadores da console de controle. O sistema deve apresentar
as seguintes características funcionais básicas : operação contínua 24 horas por dia;
imagens com ausência de distorções geométricas ou linearidade; resistir a vibrações e
a impactos gerados pelo dispositivo de panoramização; operação com ajuste
automático aos níveis variáveis de luminosidade (diurno, noturno, luz do sol e luz
artificial).
Na elaboração do projeto de CFTV devem ser observados alguns critérios que
permitam maior segurança na vigilância eletrônica ao mesmo tempo em que reduzem
a necessidade de operadora ou controladores para sua operação, dentre os quais,
recomenda-se quanto ao posicionamento das câmeras que no interior do prédio, deve
ser priorizada a cobertura dos acessos e corredores, nas salas de equipamentos, deve
ser priorizada a cobertura da entrada e da saída da sala, aumentando a condição de
identificação do intruso, em ambientes sem ocupação usualmente escuros, podem
possuir câmeras infravermelhas ou o ambiente deve ser dotado com sensores de
presença para comando de iluminação, nas áreas externas onde haja equipamentos
(cobertura do prédio) ou vulnerabilidade (tomadas de ar e saída de autos), devem
possuir câmeras com sensor de movimento acoplado e sua imagem deve abrir tela
pop-up no monitor da sala de segurança sempre que ativada.
O funcionamento da console de controle deve ser baseado na matriz de comutação de
vídeo, micro processada, a qual deve ser responsável por todas as funções dos
sistemas e deve possuir uma configuração compatível com suas tarefas. A mesa de
controle deve ser dotada de um teclado especial, o qual pode acessar o
microprocessador que utiliza um programa aplicativo que deve oferecer, no mínimo,
as seguintes facilidades operacionais: seleção de imagens, o que consiste na alocação
de imagens de qualquer uma das telecâmeras em qualquer um dos monitores de
vídeo das consoles; panoramização, o que deve ser permitido através da seleção de
uma telecâmera móvel que acione o Gravador Digital de Vídeo (HDD).
A console de controle principal pode controlar a operação de gravação de modo
automático, nas seguintes modalidades: gravação da imagem de uma telecâmera
109
qualquer através de comando de operador; operação pré-programada para um
determinado horário ou evento; gravação por detecção de movimento por vídeo. As
imagens gravadas podem ser duplicadas para arquivamento em mídia externa, de
forma a utilizar o hardware de gravação de forma contínua, sobrescrevendo imagens
às anteriores. Para que se mantenha no hardware um arquivo de imagens de no
mínimo 1 mês, sua capacidade de gravação deve ser dimensionada de acordo com a
previsão de tempo diário de gravação de imagens. O Sistema de TV deve apresentar
características operacionais que atendam aos requisitos funcionais mínimos de
segurança da Edificação. Cada seqüênciamento por área deve ser feito através de
programação preestabelecida pelas consoles. Através deste processo, o operador
pode monitorar visualmente várias áreas supervisionadas. Cada sequenciamento pode
ser apresentado em um monitor, onde cada imagem deve ser apresentada por um
período de tempo suficiente para a detecção de irregularidades por parte do operador.
Após serem selecionadas pelo operador, todas telecâmeras, que devem possuir
acionadores de rotação vertical, horizontal e de movimentação da lente, podem ser
comandadas remotamente pelo
mesmo. O objetivo desta operação é o
acompanhamento por parte do operador de qualquer movimentação e/ou detalhe que
estejam ao alcance da telecâmera. Após sua utilização, a telecâmera móvel deve
retornar a uma posição de repouso preestabelecida, tendo nesta posição a visão de
uma telecâmera adjacente. Todas as telecâmeras devem estar cobertas por pelo
menos uma adjacente. Nas áreas de cobertura crítica (proteção perimetral e salas de
arquivos de mídia), podem ser adotadas as câmeras de controle automático
conjugadas aos sensores de cobertura de movimento, de forma a automaticamente
direcionar as mesmas à área de onde surgiu o alarme, facilitando ao operador a
confirmação de intrusão. Na instalação, deve ser observada a compatibilidade entre
câmeras e lentes com a intensidade de iluminação do ambiente supervisionado.
Devem ser previstas estruturas de suporte e proteção das câmeras adequadas para a
montagem em áreas internas e externas. O CFTV deve possuir uma central de
controle e gravação microprocessada para gravação digital das imagens geradas pelas
câmeras. Esta central deve ter função de multiplexador de modo a possibilitar a
divisão da tela do monitor em telas menores, cada uma responsável pela visualização
110
em tempo real de uma câmera, e gravar simultaneamente todas as imagens geradas
pelas câmeras a elas associadas. Através deste equipamento deve ser possível
escolher qual câmera pode ser apresentada em cada sub-tela e de controlar
automaticamente as câmeras. O CFTV deve permitir o acesso das imagens de
qualquer câmera na rede local do prédio, por meio de software específico. As
imagens de todas as câmeras devem ser observadas em tempo real, em modo
multiplexado, devendo ter capacidade adequada para armazenar as imagens em
HDD. O CFTV deve também possibilitar a gravação remota em diversos tipos de
equipamentos que tem por função a gravação constante das imagens vindas do
gravado digital.36
Podem ainda serem consideradas outras características que devem ser preenchidas
pelo sistema como descrito em análises que seguem. O sistema de CFTV pode ser
integrado ao sistema de gerenciamento de segurança, sendo fornecida resposta a
eventos do controle de acesso e sistemas de alarme, de modo a permitir a designação
da imagem de uma câmera específica para um monitor específico, diante da
ocorrência de uma condição ou evento de alarme pré-definido. O sistema de CFTV
deve adotar câmeras infravermelhas para ambientes externos de baixa luminosidade
e para salas escuras. O sistema de CFTV pode permitir o seqüênciamento de câmeras
selecionadas, a diferentes intervalos de tempo, a serem exibidas em um monitor
selecionado. O sistema de CFTV deve ser totalmente sincronizado, de modo a
assegurar que não haja faixas verticais nos monitores. As câmeras selecionadas
devem ser gravadas continuamente, 24 horas por dia, além dessas câmeras, qualquer
imagem de um evento de alarme deve ser gravada também, com tomadas
preferenciais. O sistema de CFTV deve permitir a programação de legendas para
imagens de quaisquer câmeras exibidas nos monitores que façam parte da seqüência
automática ou tenham sido selecionadas manualmente, incluindo-se a localização,
dia, horário e status do alarme.
O Controle de Bens por Sistemas Antifurto deve considerar os ativos como laptops,
projetores e outros que devem ser protegidos através de labels (etiquetas de elevada
resistência) a serem instalados no interior ou fixados na parte externa destes
111
equipamentos. As antenas colocadas nas saídas devem detectar a presença destes
labels a fim de evitar o furto ou desvio destes materiais. Nas saídas onde houver
controle de acesso (catracas ou portas), o sistema de controle de ativos deve integrarse ao de controle de acesso com as seguintes respostas: saída de ativo não associado
a nenhum crachá ou ao crachá errado – alarme sonoro e travamento da catraca ou
porta; saída de ativo vinculado a um crachá específico - liberação da catraca após
leitura do crachá pela leitora.
O sistema antiarrombamento, de detectores de vapores explosivos e proteção contra
intrusão nas tomadas de ar do sistema de ar condicionado deve considerar a previsão
de sensores de vibração (sensores sísmicos) nos principais pontos de intrusão por
arrombamento, interligados aos módulos de captura de imagem e alarme de modo a
ilustrar no ambiente gráfico os locais de violação, realizando o pop-up das imagens
no instante da violação da área. Nos principais acessos ao CPD devem ser instalados
os detectores de vapores explosivos integrados ao sistema de CFTV e controle de
acesso. Nas tomadas de ar do sistema de ar condicionado devem ser instalados
sensores de presença conjugados com sensores de microondas de modo a detectar
intrusão, sendo recomendável que nestas tomadas de ar sejam instaladas proteção
mecânica antiintrusão, bem como câmeras para integração do sistema de intrusão
com o sistema de CFTV.
A instalação de sistemas de Proteção e Alarme de Incêndio tem a função de proteger
a vida dos ocupantes, o conteúdo da instalação e a integridade da construção, nesta
ordem. Para isto, numa instalação de alta disponibilidade diversos tipos de sistemas
disponíveis devem ser considerados, atuando de forma escalonada, obedecendo a
seguinte seqüência de atuação: detectar princípio de incêndio, através da análise por
amostragem do ar ambiente identificando na composição do ar gases ou substâncias
que indiquem a ocorrência de aquecimento anormal nas instalações; detectar
presença de fumaça, chama ou elevação anormal de temperatura ambiente; combater
um
princípio
de
incêndio
manualmente,
com
extintores
autônomos,
e
automaticamente, por meio de sistemas de inundação de gás; combater um incêndio
através da inundação de gás automaticamente; combater um incêndio que não foi
contido nas formas anteriores através de dispersão de água (chuveiros).
112
Os critérios gerais devem considerar que o projeto arquitetônico possa ser elaborado
tendo em vista a preocupação com a ocorrência de incêndios, assim, devem ser
analisados aspectos como: utilização de materiais incombustíveis ou autoextinguíveis; segmentação entre ambientes, separados de forma a não permitir a
propagação de fogo de uma área para outra, facilitando o combate setorizado;
interface entre sistemas prediais, que automaticamente executem tarefas como o
desligamento de sistemas de ar condicionado em caso de alarme de incêndio, o
destravamento de portas em caso de sinistro, facilitando a evacuação do local e o
fechamento de dumpers automáticos.21
Nas áreas de maior risco operacional (salas de computadores e mainframes,
equipamentos de telecomunicações, baixa plataforma) deve ser utilizado um sistema
de detecção precoce de incêndio. Este sistema, também conhecido como sistema de
detecção por amostragem de ar, consiste em uma rede de tubos que levam o ar
coletado nas áreas de proteção para uma central de análise do ar, utilizando um
sistema de exaustão. Na central, o ar é analisado por espectro, através de raio laser,
identificando a presença de gases oriundos de um princípio de combustão.
Normalmente os alarmes possuem de 3 a 5 níveis de criticidade, identificando desde
um risco remoto até um princípio de incêndio. Os níveis de criticidade podem ser
ajustáveis via software, com base em faixa-padrão de número de partículas discretas
de determinado tamanho, como produto de combustão, por um tempo específico de
amostragem. Os níveis de alarme podem ser estabelecidos como segue: Estado
Normal; Falha na Central; Pré-alarme nível 1 no caso de ocorrência de partículas na
faixa inferior (baixo risco); Pré-alarme nível 2 no caso de ocorrência de partículas na
faixa intermediária (baixo risco); Alarme nível 1 no caso de ocorrência elevada de
partículas na faixa média (risco); Alarme nível 2 no caso de ocorrência elevada de
partículas na faixa superior (alto risco).
A Central de Detecção deve ser configurada via software que deve permitir
monitorar, configurar e ler histórico do detector. As características do software de
processamento de sinais avançados do detector devem permitir ainda que a resposta
113
do detector seja moldada ao ambiente em que ele está instalado. Isto proporcionará
uma detecção mais sensível com um mínimo de alarmes não desejados. São
recomendáveis no mínimo os seguintes ajustes para alarme: 2 pré-alarmes e 2 Níveis
de Alarme – programáveis em incrementos de 5% da saída selecionada do detector.
Alarme Nível 2 e Pré-alarme Nível 2 são opcionais; Alarmes Dia/ Noite – um
segundo jogo de níveis de alarme programados devem estar disponíveis durante o
período noturno que permite que a resposta do detector seja mais sensível durante o
dia; Atrasos do Alarme – programável de 0 a 60 segundos para cada nível de alarme.
Os atrasos podem ser usados para eliminar alarmes não desejados causados por
condições transientes; Trinco do alarme – uma opção que permite condições de
alarme permanecerem ativas até o reset, ou resetar automaticamente depois de um
atraso programável de 0 a 60 minutos; Média do Sinal de Fumaça – Uma opção que
calcula a média o nível de fumaça em um período programável de 2, 4, ou 8
segundos. Isto pode ser usado para eliminar picos no nível de fumaça causados
através de fumaça passageira. O sistema deve ser instalado no ambiente e no
entrepiso, e sua central deve ser interligada à central de detecção pontual, para, em
conjunto, operar os sistemas de combate automático a incêndio.
O Sistema de Detecção de Incêndio Pontual constitui-se daquele tipo recomendado
para detecção de incêndios que inclui detectores óticos e iônicos de fumaça,
instalados no ambiente, entrepiso e entreforro das áreas críticas, detectores de chama
para áreas classificadas e detectores de calor e incremento de calor no tempo (termo
– velocimétricos) para escritórios e áreas de utilidades. Os detectores devem ser
providos de ajuste automático de sensibilidade, e o cálculo de área de cobertura deve
levar em conta o número de trocas de ar por hora em cada ambiente. O sistema
utilizado deve ser digital endereçável via software, e a seqüência típica de operação
deve ser como descrito a seguir : na detecção de um único elemento, a central deve
soar um alarme intermitente. Este elemento pode ser um detector, um acionador
manual ou mesmo um sistema de detecção precoce; na detecção de um segundo
elemento no mesmo ambiente, o tom do alarme deve ser alterado para som contínuo,
ao mesmo tempo em que Dumpers automáticos são fechados, os sistemas de ar
condicionado
e
ventilação
do
ambiente
são
desligados,
as
fechaduras
114
eletromagnéticas são liberadas e é iniciada a contagem de tempo para liberação de
gás e abertura das válvulas de pré-action do sistema de chuveiros de água a seco
(dry-sprinklers); a liberação de gás no ambiente e a abertura da válvula de
pré-action devem ser precedidas pelo desligamento de toda energia elétrica do
ambiente protegido.
Visando impedir o desligamento dos equipamentos devido a um princípio de
incêndio que pode ser controlado manualmente, ou mesmo em caso de um alarme
falso, devem ser considerados 2 (dois) dispositivos: temporização regulável do
retardo de disparo do gás; uma chave de bloqueio de descarga do gás, instalada no
interior do ambiente protegido. Ainda pode ser recomendável que o sistema de
detecção permita uma interface com o sistema de Inteligência Predial e que sejam
criadas telas de supervisão que mostrem a planta do prédio, sendo que, na ocorrência
de um alarme, o dispositivo atuado seja mostrado na planta do pavimento,
permitindo a rápida visualização e constatação do evento alarmado. Os detectores
instalados no entrepiso e entreforro devem ter indicação no forro do ambiente,
através de setas para baixo (entrepiso) ou para cima (entreforro), facilitando também
a constatação do estado do dispositivo.
Os Sistemas de extinção de incêndio devem considerar que, em ambientes de alta
tecnologia com presença maciça de equipamentos de processamento de dados, há
uma necessidade premente de proteção dos dados, minimização de danos dos
equipamentos e um rápido restabelecimento das condições operacionais, em caso de
ocorrência de um princípio de incêndio. Assim, visando garantir uma melhor
proteção aos equipamentos e reduzir danos aos ativos de alto valor, pode ser
aconselhável a instalação de sistemas conjugados de combate automático por
inundação de gás e por chuveiros de água com tubulação seca. A conjugação entre
estes 2 (dois) sistemas pode permitir a identificação de uma condição de incêndio e
liberação do gás extintor previamente à liberação de água para a tubulação de
sprinklers. Isto visa dar tempo ao pessoal de operação para verificar a extinção do
fogo e evitar os danos decorrentes da utilização de água nos equipamentos.
115
O Sistema de combate por inundação de gás no ambiente são extremamente
eficientes quando comparados a sistemas de sprinklers, sobretudo em ambientes
onde o fogo pode iniciar-se dentro de equipamentos em racks, onde a água não atinge
facilmente. Já um sistema a gás ocupa em pouco tempo todo o ambiente protegido,
extinguindo um incêndio em poucos segundos, impedindo-o de alastrar-se para
equipamentos vizinhos. Além disso, o combate pode ser feito sem a desenergização
dos equipamentos, minimizando tempos de parada. Os gases disponíveis para este
tipo de aplicação são os Inergen e o FM – 200, e os projetos com cada um deles são
bastante diferentes. Algumas características podem ser citadas como segue : Inergen
– constitui-se de um sistema de alta pressão, e requer uma quantidade grande de
cilindros para proteger um ambiente; os cilindros podem ser instalados a grande
distância da área protegida, permitindo uma Central de Cilindros de gás; Permite o
uso de válvulas direcionais; assim, uma única bateria de cilindros pode efetuar o
combate em vários ambientes distintos, embora neste caso seja necessária uma
bateria de cilindros reserva; É um gás de baixo custo, em caso de necessidade de
reposição do mesmo; O dimensionamento de tubulações é mais flexível, permitindo
pequenas alterações de layout sem necessidade de alteração do sistema; Por ser de
alta pressão, requer a utilização de Dumpers de alívio nos ambientes, previamente
acionados em casos de inundação; FM 200 - constitui-se de um sistema de baixa
pressão, onde os cilindros devem ficar próximos ou no interior do ambiente
protegido; Dificilmente podem ser usadas válvulas direcionais, devido à baixa
pressão do propelente; O número de cilindros é bastante reduzido; O custo de
reposição é alto, pois se trata de gás importado; O dimensionamento do sistema é
inflexível, e qualquer alteração na dimensão dos ambientes ou mesmo em
comprimentos de tubulação requer uma revisão geral do cálculo hidráulico.21
As características típicas do sistema de combate, independente do tipo de agente
adotado, onde há um conjunto de dispositivos de combate por inundação pelo agente
extintor, pode ser composto pelas seguintes partes: Um cilindro ou conjunto de
cilindros com o agente extintor, dimensionados e carregados para uma área
específica; um tubo coletor, no caso de 2 ou mais cilindros para um único ambiente;
Uma rede de tubulações apropriadas, calculadas hidraulicamente, para levar o gás até
116
os difusores; Um conjunto de difusores de gás, instalados no ambiente e entrepiso da
área protegida; cabeças de disparo elétricas no cilindro principal e comutadores a
pressão nos demais cilindros de um único ambiente, garantindo simultaneidade na
liberação do gás; Acionadores manuais de liberação do gás nos cilindros principais,
permitindo a liberação do agente mesmo em caso de falha nos sistemas de detecção,
ou atuação automática; Chaves de bloqueio de gás, permitindo abortar
momentaneamente o disparo do gás.
O combate por chuveiros secos (Dry Sprinklers), cuja adoção para o combate a
incêndio em edifícios é uma norma tanto local (ABNT, Corpo de Bombeiros) quanto
internacional (NFPA, FM), contudo, quando se trata de edifícios ou ambientes
ocupados por equipamentos de Processamento de Dados, cujo valor (entre
equipamentos e informações) é extremamente elevado e cujas conseqüências, num
caso de utilização de água para combater um incêndio ou sobretudo no caso do
rompimento acidental de um bulbo, são extremamente danosas, o conceito de
chuveiros convencionais deve ser revisto. A NFPA 75 recomenda que um sistema de
chuveiros automático para proteção de áreas de computadores seja separado do
sistema do restante da edificação, e isolado por meio de válvulas eletromecânicas.
Assim, a obediência à norma pode ser obtida através do uso de um sistema de
chuveiros secos (Dry Sprinklers). Neste sistema, uma válvula eletro-mecânica é
instalada no ramal que atende à área protegida, e permanece fechada. Sua atuação é
independente do rompimento dos bulbos dos chuveiros, e é feita pelo sistema de
detecção de incêndio, na ocorrência de uma detecção que venha disparar o gás do
sistema de combate, liberando água na tubulação e disponibilizando a mesma, caso o
gás não controle o incêndio e qualquer dos bulbos venha a romper-se. Na condição
de repouso, a tubulação dos chuveiros é pressurizada pneumaticamente, e uma queda
na pressão interna do sistema é imediatamente alarmada na Central. Assim, tanto o
rompimento de um bulbo acidentalmente quanto um vazamento na tubulação devem
ser detectados de pronto, sem o risco de descargas de água no ambiente. O sistema
deve ser dotado, ainda, de um dreno no ponto mais baixo para que, após uma
abertura da válvula, toda a água possa ser retirada da tubulação e a mesma
pressurizada novamente.
117
Os sistemas acessórios que visam melhorar a eficiência da atuação dos sistemas de
proteção e alarme de incêndio, bem como garantir que um incêndio fique restrito à
área de origem, podem compor o projeto que deve prever os dispositivos do tipo:
dumpers corta-fogo automático, comandado pelo sistema de detecção, que se fecham
antes do início de combate automático, sendo que, isto garante a concentração de gás
desejada no ambiente e evita propagação para áreas contínuas; Paredes e portas
classificadas como F – 90 entre as áreas; Sistema autônomo e ininterrupto para
prover inércia para a central e dispositivos de acionamento; Sistema de fechamento
de todas as aberturas do ambiente para as demais áreas (passagem de cabos,
eletroduto, bandejas e leitos) com materiais apropriados, do tipo Fire Blocks
(bloqueadores de fogo) garantindo a estanqueidade ambiente e a não propagação de
incêndio.
Além disso, as áreas de utilidades também devem ser adequadamente protegidas,
pois um incêndio numa delas terá quase o mesmo efeito que um nas salas de
computadores, pois poderá privar os mesmos do suprimento de energia. Nas áreas de
utilidades, a recomendação pode ser pela utilização dos seguintes sistemas: Salas de
painéis elétricos, UPS’s subestações - Detecção pontual, com detectores de calor e
fumaça e Combate por inundação de gás; Salas de baterias - se isoladas e com
elementos abertos, Detecção de Hidrogênio e Combate por água; Salas de geradores Detecção pontual, com detectores de fumaça, de calor e de chama, sendo o Combate
por inundação de gás (deve ser analisado, neste caso, o uso do CO2) ou sistema de
dilúvio.
A Segurança Operacional de Infra-estrutura, como complemento às instalações de
Segurança Patrimonial e contra incêndio, devem ser previstas em instalações que,
através de alarmes ou ações, aumentem ainda mais os níveis de qualidade das
operações por detectar certos riscos antes que os mesmos causem danos à integridade
das pessoas, dos equipamentos e das informações que são processadas no ambiente.
Entre os sistemas acessórios e sua utilidade, devem ser destacados os seguintes:
Detecção de líquidos e vapores - a utilização de piso elevado em CPD’s traz grandes
118
facilidades para a distribuição elétrica, lógica e de ar condicionado,contudo,
principalmente após o advento das unidades condicionadoras de ar de precisão que
podem ser instaladas no próprio ambiente dos computadores, há um aumento do
risco da presença de água no entrepiso, como decorrência de fatores tais como
entupimento de drenos de condensado, ruptura na tubulação de água que alimenta os
sistemas de umidificação, dentre outros. Dependendo da quantidade, a água pode
causar curto – circuito nas instalações elétricas e provocar incêndios ou atuação de
protetores. Como o entrepiso não é uma área monitorada visualmente, deve ser
previsto um sistema de detecção de líquidos interligado ao sistema de supervisão de
utilidades; Interferências Eletromagnéticas - não obstante a construção deve prever
que os ambientes possam se comportar como “Gaiolas de Faraday”, com uma
proteção eficaz contra campos magnéticos externos que também podem ocorrer no
interior do edifício e sua presença é uma ameaça ao funcionamento correto de
equipamentos eletrônicos e de comunicação. Assim, ambientes de equipamentos
devem possuir malha referencial de terra contra interferências de alta freqüência,
conectadas adequadamente a taps equipotenciais devidamente aterrados. Detectores
de campos magnéticos também poderão ser previstos nas áreas criticas; Botões de
desligamento - Meios e condutores elétricos são à base da infra-estrutura de um
CPD, pois levam energia condicionada dos equipamentos vitais para o
funcionamento da instalação. Por outro lado, são fontes de risco de incêndio, uma
vez que fugas a terras, curto-circuito ou mesmo sobrecorrentes podem gerar
aquecimento nos cabos e vir a provocar chama. É usual a utilização de botões de
emergência (também chamados de panic buttons) em ambientes de equipamentos.
Estes botões, uma vez acionados, desligam toda a energia elétrica de uma sala, um
setor ou mesmo todo um andar de uma instalação, evitando um incêndio que um
circuito elétrico venha danificar outros condutores, que passaria a se tornar novos
focos potenciais de um incêndio, em um efeito dominó. Por outro lado, o
acionamento indevido de um botão destes ocasionará uma paralisação de um grande
número de equipamentos sem necessidade, gerando grandes perdas em informação e
mesmo em imagem do cliente. Assim, a utilização deste tipo de dispositivo deve ser,
exaustivamente discutida e, se adotadas, devem obedecer às recomendações que
seguem. A botoeira de desligamento deve ser instalada junto à saída do ambiente, e
119
ser adequadamente sinalizada quanto à sua função e decorrências. Deve ser à prova
de acidentes (botão protegido contra acionamento por descuido), com caixa protetora
de acrílico. Deve ser setorizado, desligando unicamente a áreas onde o mesmo
encontra-se instalado. Deve ser do tipo “estado natural de repouso” ou contato
aberto, impedindo que uma interrupção de fração venha a acionar o desligamento.
Quanto às edificações ou estruturas, as condições mínimas constantes das normas
ABNT devem ser compatíveis com o nível de proteção adequado à determinada
estrutura, com base nos seguintes fatores: geometria da estrutura, modo de utilização
da mesma, freqüência esperada quanto à incidência de descargas atmosféricas, e
considerações sobre os efeitos e as conseqüências das descargas atmosféricas nas
estruturas, e os perigos causados ao seu conteúdo e aos arredores das mesmas as
estruturas são classificadas em estruturas comuns ou especiais. Como efeitos diretos
perigosos, podem ser citados: fogo, dano mecânico à estrutura, ferimentos a pessoas
e/ou animais, danos em equipamentos elétricos e eletrônicos.
Os efeitos das descargas atmosféricas podem também ser responsáveis por pânico,
causar explosões, emissões de substâncias perigosas tais como materiais radioativos,
agentes químicos, substâncias bioquímicas contaminadoras, bactérias, vírus, dentre
outros. Cabe observar que os efeitos indiretos das descargas atmosféricas podem
particularmente
causar
danos
(interferências,
incluindo-se
à
queima)
em
equipamentos eletrônicos sensíveis de uma maneira geral. A atenuação/ eliminação
destas interferências deve ser prevista quando da especificação da proteção interna.
As estruturas, de uma maneira geral, são classificadas em estruturas comuns (de
utilização ordinária com propósitos comerciais, industriais, agrícolas, administrativas
e residenciais) e estruturas especiais (aquelas cujo tipo de ocupação implica em
riscos confinados ou para arredores ou para o meio ambiente, ou para as quais o
SPDA requer critérios de proteção específicos), sendo esta última sub-classificada,
basicamente em quatro tipos - estruturas especiais com risco de confinamento (cujos
materiais de construção, conteúdo ou tipo de ocupação tornam todo o volume da
estrutura vulnerável aos efeitos perigosos de uma descarga atmosférica, porém, com
estes danos restringindo-se ao volume da própria estrutura, por exemplo: estação de
telecomunicações, usinas elétricas, industria com áreas classificadas etc); estruturas
120
especiais com risco aos arredores (cujo conteúdo pode ser perigoso para os arredores,
quando atingidas por uma descarga atmosférica, tais como depósito de explosivos ou
líquidos de inflamáveis, no caso do CPD, este item se aplica ao tanque de
combustível do sistema de geração e energia de emergência); estruturas especiais
com risco ao meio ambiente (aquelas que quando atingidas por uma descarga
atmosférica podem produzir emissões biológicas, químicas ou radioativas, como por
exemplo: indústrias químicas, usinas nucleares, fábricas ou depósitos de produtos
tóxicos, sendo que, este ítem não se aplica aos ambientes de CPD); estruturas
especiais diversas (onde o SPDA requer a utilização de critérios específicos de
proteção, estruturas tais como - Chaminés de grande porte; Estruturas contendo
líquidos ou gases inflamáveis; Antenas externas de televisão; Estruturas em
construção; Barracas, locais de camping, campos de esporte; Instalações temporárias;
Barcos).
A Iluminação de Emergência deve ser mantida em todos acessos (rotas de fuga) e
saídas, sendo que em no máximo 10 segundos o sistema de iluminação de
emergência deve atender as rotas de fuga e saídas, nos casos de queda da energia
comercial ou emergencial, operando com total confiabilidade por um tempo mínimo
de 90 (noventa) minutos. Os sistemas de iluminação de emergência alimentados por
baterias são mais confiáveis e econômicos que os alimentados por geradores, sendo o
mais apropriado para utilização em ambientes de Missão Critica. Se faz
recomendado que 10% da iluminação total do ambiente de equipamentos de Missão
Crítica seja destinado para iluminação de emergência nas rotas de fuga e saídas e em
áreas muito extensas, salas de equipamento de “Facilities” (UPS, Geradores, Arcondicionado,dentre outros) se faz recomendado que 25% da iluminação total
necessária para o local, seja destinado para o sistema de iluminação de emergência.
Nas rotas de fuga devem ser utilizadas luminárias de aclaramento (do tipo
fluorescente) com nível de iluminação de 150 (cento e cinqüenta) Lux. Nas saídas
devem ser utilizadas luminárias de balizamento (do tipo incandescente), com nível de
iluminação de 50 (cinqüenta) Lux. Ambas luminárias (aclaramento e balizamento)
devem ser de modelo autônomo alimentadas por bateria e com autonomia mínima de
90 (noventa) minutos.
121
4.5
Cabeamento Lógico
O Cabeamento Lógico ou Cabeamento Estruturado deve prover o compartilhamento
de informações e de recursos de informática e telefonia, atendendo todos os
servidores e equipamentos distribuídos nas salas do CPD, conforme layout definido
no projeto executivo. A rede deve ser preparada para trafegar vários tipos de
aplicações, tais como Ethernet/Fast-Ethernet/ Gigabit Ethernet/ATM. Devem ser
utilizados cabos UTP 4 pares categoria 6 (obs: cat 6 ou variantes diferenciadas
quando for o caso – cat 5e ou cat 6a), visando atender o layout dos equipamentos
dentro das salas do CPD. Para terminação dos cabos UTP 4 pares oriundos dos
switchs devem ser instalados no rack os patch panels modulares para até 24 portas.
Quando necessário, devem ser utilizadas as conexões em fibra óptica e patch panels
ópticos. Para atendimento ao sistema de voz devem ser instalados no rack os patch
panels de 24 portas para conectorização do cabo proveniente do DG-Distribuidor
Geral. Os cabos devem ser acomodados em leitos aramados do piso técnico. Para
assegurar a proteção e preservação da integridade dos cabos destinados a
Cabeamento Estruturado, a infra-estrutura deve estar em total conformidade com
todos os requisitos estabelecidos pelas normas técnicas aplicáveis neste seguimento,
sendo os mesmos diretamente relacionados à performance e disponibilidade da
transmissão de sinais de dados. Após a conclusão dos serviços devem ser executados
testes de certificação utilizando os mais modernos equipamentos de testes (Nível III,
como por exemplo, o Fluke DSP-4000). Estes equipamentos devem estar preparados
para testar o cabeamento instalado em todos os requisitos de performance
estabelecidos pela EIA/TIA para Categoria 6, tais como NEXT, Atenuation, FEXT,
Return Loss, ELFEXT, PSNEXT, PSFEXT, PSELFEXT, Delay Skew, Propagation
Delay, ACR, PSACR.* Todos os serviços devem ser executados rigorosamente
segundo recomendações das normas técnicas vigentes (Exemplos : ANSI/EIA/TIA568 A, ANSI/EIA/TIA-569 A, ANSI/EIA/TIA-606, ANSI/EIA/TIA-607, TSB 67,
TSB72, TSB95 e, até mesmo, quando publicada a ANSI/EIA/TIA-942) para
*
Tipos de testes recomendados para os cabeamentos lógicos pelas normas ANSI/EIA/TIA.
122
cabeamento estruturado em suas últimas alterações de versão. Analogamente todos
os materiais e componentes devem ser fabricados segundo a mesma normalização
vigente e de mesma origem para que a garantia seja abrangente a todos os materiais,
componentes e quanto à evolução tecnológica.42
4.6
Monitoração e Inteligência Predial
O sistema de Monitoração e Inteligência Predial tem como objetivo concentrar as
principais informações dos vários subsistemas que compõem a infra-estrutura de
facilidades prediais do CPD, possibilitando a visualização das condições de
funcionamento, o gerenciamento das instalações o alarme e registro de ocorrências,
falhas e desvios nos suprimentos e a tomada de ações, automática ou manualmente,
visando minimizar os riscos de interrupções e paralisações dos equipamentos e
funções de TI, conforme a ilustração que consta da Figura 26 a seguir.43
Figura 26 – Diagrama Modelo de Monitoração e Inteligência Predial
Fonte : JOHNSON CONTROLS
123
O sistema de Monitoração e Inteligência Predial deve ser capaz de integrar múltiplas
funções dos subsistemas, incluindo supervisão e controle, gerenciamento de alarmes,
coleta e armazenamento de dados históricos, sendo imprescindível ao controle de
Infra-estrutura Física na Operação e Manutenção do CPD. Tal sistema deve ser
instalado em máquinas redundantes e, portanto, em conformidade com todo o projeto
de infra-estrutura, no mínimo N+1, o qual deve estar localizado na sala de Operação
e Manutenção da Gestão de Facilities do CPD. Algumas telas deste sistema devem
ser disponibilizadas na Cabine de Comando do CPD para visualizações,
principalmente em situações de emergência ou de crises. Todos os dados devem ser
disponibilizados em telas gráficas, de fácil visualização e manipulação, o que se
convencionou chamar de user-friendly simplificação de leitura ao operador. A partir
de uma tela geral que compreende toda a instalação do CPD, o operador pode acessar
os subsistemas que integram as instalações físicas, tendo acesso a dados funcionais
para o gerenciamento e monitoramento. A indicação do status de funcionamento dos
equipamentos que compõem os subsistemas deve ser representada através de
esquemas gráficos, representando funcionamento normal, funcionamento em
emergência, defeitos e demais status possíveis.
No caso de mudança de status ou ocorrência de alarmes em qualquer subsistema da
infra-estrutura física, o sistema de Monitoração e Inteligência Predial deve informar
imediatamente ao operador, através de sinal sonoro e abertura de tela de alarme do
respectivo subsistema, visando que sejam verificadas a situação e tomada as devidas
providências. Todos os parâmetros elétricos e mecânicos mensuráveis dos
subsistemas de infra-estrutura devem ser monitorados, em tempo real, possibilitando
emissão de gráficos e relatórios que permitam análise do comportamento das
instalações, bem como detectar possíveis anomalias, sendo fundamental que o
sistema tenha capacidade de armazenar dados históricos para comprovação, seja por
qualidade ou pela necessidade de análises regressivas do funcionamento dos
equipamentos, contando com os backup’s de dados de periodicidades anual, mensal,
semanal e diários. Assim sendo, todos os equipamentos microprocessados que
integram os subsistemas de infra-estrutura física devem possuir interface de
comunicação de dados, com protocolo aberto, para que o sistema de Monitoração e
124
Inteligência Predial possa integrar e gerenciar todos os subsistemas prediais. Os
equipamentos com protocolos fechados devem ser evitados em todos os subsistemas
das instalações necessárias para o funcionamento do CPD.
Na entrada de energia devem ser monitoradas todas as linhas de energia que
alimentam o CPD, através da medição dos níveis de tensão e corrente, a partir de
interface com os multimedidores instalados nos cubículos de entrada, sendo os
seguintes parâmetros desejados – corrente (supervisão dos valores eficazes de
corrente nas três fases, em tempo real, alarmando em caso de sobre-corrente e/ou
desbalanceamento entre as fases); tensão (supervisão dos valores eficazes das tensões
entre fases, alarmando em caso de sub ou sobre–tensões); potência (medição das
potências aparente ativa e reativa; fator de potência, consumo e demanda). Deve ser
inclusa também a monitoração de status de disjuntores e seccionadoras de linha, os
alarmes de atuação de relés de proteção dos circuitos, com indicação do tipo de
proteção atuada, bem como, a monitoração em tempo real da temperatura dos
enrolamentos dos transformadores, sinais de pré-alarme e alarme de sobretemperatura, além do acionamento automático de sistemas de correção de fator de
potência.
No sistema Emergencial de Suprimento de Energia (Grupos Moto-Geradores Diesel)
devem ser monitorados os controladores do sistema de comando e controle do
sistema emergencial de suprimento de energia mediante interface com o sistema de
Monitoração e Inteligência Predial visando o gerenciamento dos seguintes
parâmetros desejados - medição dos valores de tensões e freqüência da entrada de
rede da Concessionária, alarmando falta de fase, sub e sobre-tensões; medição dos
valores de tensões e freqüência da entrada de rede emergencial, alarmando sub e
sobre-tensões e sub e sobre-freqüência; medição dos valores de correntes por fases,
potência aparente, ativa e reativa e fator de potência da saída de carga dos quadros de
transferência automática (QTA’s). Além dos parâmetros elétricos, devem também ser
monitorados os seguintes parâmetros: status de rede presente (Concessionária ou
Emergencial); supervisão de status de chaves/ disjuntores do QTA’s; status de
alarmes para a pressão de óleo, sub ou sobre-velocidade, sub ou sobre-freqüência,
125
sub ou sobre-temperatura, falha de partida do gerador, falha de bateria, etc;
monitoramento do volume de combustível dentro dos tanques de óleo diesel,
alarmando quando estes níveis se tornam críticos, bem como acionando os sistemas
de reposição automática aos tanques diários.
Nos Quadros Gerais de Baixa Tensão (QGBT’s) e Quadros Gerais de Energia Crítica
(QGEC’s) devem ser monitorados os parâmetros da entrada de energia que alimenta
os painéis elétricos, através da medição dos níveis de tensão e corrente, a partir de
interface com os multimedidores instalados nos painéis, sendo os seguintes
parâmetros desejados – corrente (supervisão dos valores eficazes de corrente nas três
fases, em tempo real, alarmando em caso de sobre-corrente e/ou desbalanceamento
entre as fases); tensão (supervisão dos valores eficazes das tensões entre fases,
alarmando em caso de sub ou sobre-tensões); potência (medição das potências
aparente, ativa e reativa); fator de potência, consumo de KWh/KVAr e demanda;
níveis de harmônicos de tensão e corrente presente. Além dos parâmetros elétricos,
devem ser também monitorados os seguintes parâmetros: supervisão de status de
disjuntores de entrada e principais disjuntores de saída; alarme de atuação de relés de
proteção dos circuitos, com indicação do tipo de proteção atuada; alarme de atuação
do sistema de proteção contra surtos elétricos.
Nos sistemas de energia ininterrupta (UPS’s) e Quadros de By-Pass Externo devem
ser monitorados os parâmetros disponíveis nos painéis gráficos dos UPS’s, sendo
desejado no mínimo, as seguintes informações: medição dos valores de tensões e
correntes por fases, potência aparente, ativa e fator de potência, da entrada dos
UPS’s; medição dos valores de tensões e correntes por fases, potência aparente, ativa
e fator de potência, da saída dos UPS’s; tensão e corrente (descarga, recarga e
flutuação) das baterias; alarmes individuais; resumo de defeitos e falhas; status de
funcionamento de componentes (retificador, inversor, by-pass interno, quadro de
by-pass externo, baterias e disjuntores), preferencialmente através de tela gráfica.
Nas Chaves Estáticas de Transferência (STS’s) devem ser monitorados os
parâmetros disponíveis nos painéis gráficos, sendo desejado no mínimo, as seguintes
informações: medição dos valores de tensões e correntes por fases e freqüências da
126
entrada da fonte preferencial de alimentação; medição dos valores de tensões e
correntes por fases e freqüências da entrada da fonte alternativa de alimentação;
potência ativa e aparente de saída; níveis de harmônicos; correntes de fuga a terra;
históricos de alarmes; históricos de transferências entre as fontes; resumo de defeitos
e falhas; status de funcionamento de componentes internos (chaves estáticas,
disjuntores principais e disjuntores de by-pass), preferencialmente através de tela
gráfica.
Nos Painéis de Distribuição de Energia de Precisão (PDU’s) deve ser monitorada a
entrada de energia que alimenta os painéis elétricos, através da medição dos níveis de
tensão e corrente, a partir de interface com os multimedidores instalados nestes,
sendo os seguintes parâmetros desejados – corrente (supervisão dos valores eficazes
de corrente nas três fases, em tempo real, alarmando em caso de sobre-corrente e/ou
desbalanceamento entre as fases); tensão (supervisão dos valores eficazes das tensões
entre fases, alarmando em caso de sub ou sobre-tensões); potência (medição das
potências aparente, ativa e reativa); fator de potência, consumo e demanda; distorção
harmônica total; corrente de fuga a terra. Além dos parâmetros elétricos devem ser
também monitorados os seguintes parâmetros: supervisão de status de disjuntores de
entrada e principais disjuntores de saída; alarme de atuação de relés de proteção dos
circuitos, com indicação do tipo de proteção atuada; monitoração em tempo real da
temperatura dos enrolamentos dos transformadores, sinais de pré-alarme e alarmes de
sobre-temperatura.
No sistema de Energia Auxiliar (Retificador 48 VDC) devem ser monitorados os
parâmetros de operação, sendo desejado no mínimo, as seguintes informações:
medição dos valores de tensões e correntes por fases, potência aparente, ativa e fator
de potência, da entrada do retificador; tensão e corrente (descarga, recarga e
flutuação) das baterias; medição dos valores de tensão, corrente e potência
consumida pela carga; alarmes individuais dos módulos retificadores; resumo de
defeitos e falhas; status de funcionamento de componentes (retificadores, bancos de
baterias e disjuntores), preferencialmente através de tela gráfica.
127
O sistema de Controle de Acesso e Intrusão também deve ser monitorado via a
integração ao sistema de Monitoração e Inteligência Predial, isto significa um nível a
mais de redundância no sistema de controle de Acesso e Intrusão já que o mesmo
deve estar centralizado na Sala de Segurança, deste modo, todo e qualquer alarme,
seja ele a partir dos acessos internos do prédio do CPD ou a partir dos sensores
perimetrais de proteção da área onde se encontra o prédio do CPD, deve ser
imediatamente transferido ao sistema de Monitoração e Inteligência Predial para que
o operador possa visualizar o ocorrido. O sistema deve possuir interface de
comunicação com o sistema de Monitoração e Inteligência Predial, de tal modo que
todas as áreas abrangidas pelo sistema de controle de acesso e intrusão sejam
representadas em telas gráficas indicando o posicionamento das portas de acesso
controlado e sensores perimetrais. Em caso de alarme de intrusão, deve ser indicado
em qual área ocorreu a intrusão e qual porta ou perímetro foi violado, direcionando o
trabalho do operador e da equipe de segurança patrimonial, de acordo com os
procedimentos de segurança desenvolvidos. Assim, se faz recomendável que o
sistema de Monitoração e Inteligência Predial tenha a repetição de, no mínimo, os
seguintes eventos: status de porta aberta; alarme de violação da porta; alarme de
sensor “anticarona”; alarme de violação da área perimetral; alarme acionamento de
botão de saída de emergência; integração entre o sistema de controle de acesso e o de
monitoração e tratamento de imagens, permitindo que qualquer ocorrência anormal
ative uma câmera de TV e mostre na tela do sistema a imagem do local do evento,
facilitando o trabalho do pessoal de segurança.
No sistema para Detecção e Combate a incêndio devem ser monitorados os
parâmetros integrados ao sistema de Monitoração e Inteligência Predial da mesma
forma que o sistema de Acesso e Intrusão, deste modo, todo e qualquer alarme de
incêndio, seja ele a partir dos detectores convencionais de fumaça e temperatura ou
pelo sistema de detecção precoce à incêndio, devem ser imediatamente transferidos
para que o operador tome medidas preventivas ou corretivas de combate à incêndio.
O sistema deve possuir interface de comunicação, de tal modo que todas as áreas
abrangidas pelo sistema de detecção e combate sejam representadas em telas
gráficas, indicando o posicionamento dos detectores convencionais de fumaça e
temperatura e os detectores a laser (detecção precoce). Em caso de detecção de
128
incêndio, o sistema de Monitoração e Inteligência Predial deve indicar em qual área
ocorreu a detecção de incêndio e qual o detector (convencional ou laser) foi
acionado, direcionando o trabalho do operador e da Brigada de Incêndio e
supervisionando o status dos sistemas de combate a incêndio e monitorando o
acionamento de cabeças de disparo de gás, de dumpers corta-fogo e ou anomalias na
rede elétrica de distribuição, além de sinais de defeito do sistema, funcionando como
um painel repetidor da central de detecção e combate a incêndio.
Na Detecção de Vazamento de Líquidos devem ser monitorados os parâmetros, de
modo que, todo e qualquer alarme deve ser imediatamente transferido ao sistema de
Monitoração e Inteligência Predial para que o operador tome medidas preventivas ou
corretivas para conter o vazamento de água. O sistema deve possuir interface de
comunicação, de tal modo que todas áreas abrangidas pelo sistema de detecção de
líquidos sejam representadas em telas gráficas, indicando o posicionamento do cabo
detector de líquido. Em caso de detecção de vazamento, deve indicar em qual
localização da área ocorreu o vazamento, direcionando o trabalho do operador e da
equipe de manutenção. O sistema também deve supervisionar o status do sistema de
detecção de vazamento, monitorando anomalias na rede elétrica de distribuição e
sinais de defeito do sistema, funcionando como um painel repetidor da central de
detecção de vazamento de líquidos.
No Ar-condicionado devem ser monitorados todos os equipamentos que compõem o
sistema, monitorando o funcionamento, condições de temperatura e umidade dos
ambientes e alteração de parâmetros de funcionamento (set points de temperatura e
umidade e alteração no escalonamento do rodízio entre equipamentos). O sistema
que faz o controle dos equipamentos de ar-condicionado deve possuir interface de
comunicação, de tal modo que toda a área abrangida seja representada em telas
gráficas, indicando o posicionamento dos equipamentos e o status de funcionamento
deverá ser representado através de telas gráficas, de fácil visualização para o
operador. Em caso de qualquer alarme, o sistema deve indicar em qual área ocorreu a
alteração de status ou alarme, direcionando a atuação do operador e da equipe de
manutenção. Assim, torna-se desejável que o sistema tenha o gerenciamento e
monitoramento de, no mínimo, os seguintes eventos e/ou funções: alteração de set
129
points de temperatura e umidade; alteração da programação horária do rodízio entre
equipamentos; visualização dos valores ambientes de temperatura e umidade, em
tempo real; status de funcionamento de ventiladores, compressores, sistemas de
aquecimento e umidificação; alarme de defeito de equipamento; alarme de filtro sujo;
alarme de alta ou baixa temperatura; alarme de alta ou baixa umidade; alarme de
falha de umidificador.
Nos sistemas auxiliares de iluminação, água potável, ventilação/exaustão, motores e
bombas, a Monitoração e Inteligência Predial deve efetuar os controles de modo a
comandar : o ligamento e desligamento das luzes em função de horário, do nível de
iluminação externa, da presença de pessoas nos ambientes e controle de demanda,
sendo que, os painéis elétricos de iluminação devem ser providos de contatoras
telemonitoradas e comandadas, contando também com sensores de presença
instalados no ambiente e sensores fotoelétricos instalados nas áreas externas; o
monitoramento dos volumes dos reservatórios, alarmando quando estes níveis
estiverem críticos, sendo que este deve ser efetuado através de medidores analógicos
que deverão possuir interface com o sistema; o adequado funcionamento dos
diversos sistemas de ventilação/ exaustão, alarmando os seguintes eventos - falha no
funcionamento do ventilador/ exaustor, alarme de problema nas condições ambientes
requeridas (sobre temperatura, alta concentração de fumaça ou partículas, etc); o
funcionamento de motores e bombas instalados para funcionamento das utilidades do
prédio do CPD, para tanto, devem ser instalados sensores e controles enviando sinais
analógicos e digitais para o sistema, tendo as seguintes funções - ligamento e
desligamento de motores/ bombas, conforme necessidade ou programação horária,
status de funcionamento dos motores/ bombas, supervisão de alarmes de defeito,
supervisão de chaves manuais/ automáticas e escalonamento automático de
funcionamento para homogeneizar o desgaste dos equipamentos.
Ao final deste capítulo, podemos verificar que as especificações de padrões prediais
confiáveis são muito complexas e detalhadas, as quais devem ser desenhadas com a
maior atenção pelos gestores de Facilities em CPD’s, portanto, precisam ser alvo de
um modelo de governança específica.
130
Capítulo 5 – REQUISITOS CONTRATUAIS AOS FORNECEDORES
Neste capítulo, há um enfoque das análises em considerações quanto aos Contratos e
o Gerenciamento de Facilidades, evidenciando que, historicamente houve uma
flexibilização da auto-suficiência predominante nas empresas até a década de 80.
Assim, a partir da década de 90 as necessidades de rapidez na adaptação às
transformações e de agilidade para reação às crises, os surtos de crescimento e as
situações de riscos, fizeram emergir processos de joint-ventures, consórcios e a
terceirização de serviços, presentes até os dias atuais e que são fonte de muitos
problemas quando não tratados de forma adequada.
Por definição, contrato é o acordo de vontades onde as partes livremente estabelecem
direitos e deveres recíprocos, o qual possui algumas fases distintas que podemos
identificar,
conforme
segue
:
constatação
das
necessidades;
diagnóstico
(estabelecimento e identificação de padrões, especificações e outros); negociação;
pré-contratação; acompanhamento da execução; satisfação das necessidades;
vencimento/distrato.44
O enfoque principal do presente capítulo recai sobre a fase de constatação das
necessidades do contrato, na qual incluem-se questões quanto ao objeto (o quê?),
destino (para quem? – os clientes do contrato), foco econômico-financeiro (quanto?
quando?), foco técnico (como? quando? – a modalidade de satisfação das
necessidades e o prazo de cumprimento), as garantias e as condicionantes, sendo que,
nestas três últimas questões temos a essência das considerações desta abordagem
sobre os requisitos contratuais aos fornecedores.
Dentre as mais variadas espécies (tipos), estruturas, cláusulas e classificações de
contratos, a formalização de um texto contratual permite a reconstituição do mapa de
intenções, relembra a outra parte do que foi estabelecido, afasta a possibilidade da
diversidade de impressões/interpretações/subjetividades e previne a existência de
131
distorções. Os dois pontos principais do contrato neste capítulo são essencialmente
técnicos – a qualificação dos fornecedores e os aspectos técnicos dos serviços. As
características referentes às obrigações das partes são estabelecidas basicamente por
meio de dois tipos de documentos nos quais constam as diretrizes básicas para as
solicitações de propostas e coletas de informações dos proponentes – a RFP-Request
for Proposal e a RFI-Request for Information.
Portanto, todos os materiais, equipamentos, sistemas e serviços fornecidos pelos
fabricantes, contratados e/ou sub-contratados, devem estar em conformidade com as
especificações dos cadernos de recomendações e diretrizes para o fornecimento, em
cumprimento aos itens constantes das respectivas RFP-Request for Proposal e RFIRequest for Information (memoriais descritivos para coleta de informações dos
concorrentes e diretrizes básicas para as solicitações de orçamentos), as quais devem
ser elaboradas visando estabelecer os requisitos básicos de fornecimento que podem
abranger os seguintes pontos: fornecimento de desenhos de fabricação para
aprovação prévia; compromisso de qualidade; garantias; desenhos finais e diagramas;
testes e ensaios de fábrica; entrega de armazenagem e manuseio; manutenção; peças
de reposição; treinamento; supervisão de montagem; controle de qualidade de
campo; testes de aceitação em campo; assistência ao comissionamento.
Os desenhos de fabricação devem ser elaborados por todos os fornecedores de
equipamentos, com base no escopo efetivamente contratado, e devem indicar, com
medidas em vistas e plantas, no mínimo o seguinte: dimensões do equipamento; peso
do equipamento e distribuição do peso nos apoios; centro de gravidade (eixos X e
Y); planta inferior, com apoios e indicação das janelas para entrada/ saída de
utilidades; planta superior, com indicação de janelas para entrada/ saída de
utilidades; planta baixa com espaços mínimos necessários para manutenção e
serviços; bitolas máximas e mínimas de bornes para conexões elétricas; indicação de
diâmetros e tipos de roscas para conexões hidráulicas; recomendações para
transporte. Além disso, devem ser fornecidas informações técnicas sobre o
equipamento, tais como: tensão e freqüência de trabalho; consumo elétrico e fator de
potência; nível de ruído gerado a plena carga; distorção harmônica, se equipamento
132
eletrônico; dissipação térmica e temperatura de operação; outras que o fabricante
julgue necessárias à elaboração do projeto de instalação.
O fornecedor deve assumir um compromisso de qualidade que inclua manter um
centro de serviços que permita executar uma manutenção de emergência ou reparo
em no máximo 8 horas, utilizar componentes certificados por laboratórios ou
entidades de renome internacional, estar em conformidade com as normas locais se
internacionais aplicáveis ao tipo do produto, garantia de cumprimento às normas de
emissão de gases/ poluentes, bem como o atendimento aos níveis máximos de ruído
aceitáveis para legislação local, na contratação de execução de serviços, o nível de
SLA-Service Level Agreement (Acordo do Nível de Serviços) determinado por
ocasião do pedido deve ter o programa SLM-Service Level Management
(Gerenciamento do Nível de Serviço) detalhado e seus controles e indicadores
colocados à disposição do cliente. O compromisso de qualidade de serviço dos
fornecedores deve ser completado com o Aceite Preliminar executado pelo
Gerenciador e da empresa Comissionadora.45
O fornecedor deve ofertar, no mínimo, a garantia exigida no pedido podendo,
contudo, apresentar uma garantia maior ou opção de garantia extendida. A garantia
deve indicar, ainda, o compromisso de manutenção de peças de reposição em estoque
por um período mínimo de 5 anos e o tempo de atendimento e de reparo em caso de
emergência. Na execução de serviços, a garantia deve abranger o seguinte: o disposto
no Código Civil Brasileiro onde aplicável; o disposto no CDC-Código de Defesa do
Consumidor; garantia mínima de 1 ano contra vícios ocultos, isto é, aqueles cujo
diagnóstico somente pode ser percebido após o uso continuado das instalações, com
esta finalidade, deve ser executado o Aceite Final após 1 ano da instalação;
independente das garantias apresentadas o fornecedor deve apresentar seguro de
risco de engenharia com cobertura que abranja inclusive erros de projeto.
Após o fornecimento, a empresa deve apresentar os desenhos finais e diagramas
elétricos e de comando para o objeto do fornecimento, incorporando eventuais
alterações ocorridas no processo de produção. Quando aplicável, os fornecedores de
133
serviços devem apresentar na fase de entrega, os manuais de utilização e conservação
e instruções de uso nas situações normais e emergenciais. Os equipamentos que, por
exigência do pedido, sejam testados em fábrica devem ter o roteiro de testes
submetido à aprovação do gerenciador e do cliente previamente aos testes. Pode ser
designada a equipe de acompanhamento aos testes em fábrica, a critério da
contratante. Recomenda-se o teste de fábrica para no mínimo os equipamentos
abaixo relacionados: grupos moto-geradores; UPS e respectivos bancos de baterias;
chaves estáticas (STS); chaves de transferência (ATS); transformadores; cubículos de
média tensão; painéis elétricos de baixa tensão. Independente dos testes serem ou não
testemunhados pelo cliente ou seus prepostos, o fornecedor deve entregar as folhas
de testes com os respectivos resultados, conformidades e desvios ao gerenciador e ao
cliente, junto com a entrega dos equipamentos.
O fornecedor deve ser responsável pela entrega, armazenagem e manuseio do
equipamento no local da instalação, até sua efetiva conclusão. Danos ao equipamento
devem ser reportados ao cliente e ao fornecedor, a quem cabe a definição sobre sua
substituição ou não. Os equipamentos devem ser embalados adequadamente, para
evitar danos no transporte, e mantidos assim até sua colocação no local definitivo da
instalação. As embalagens devem possuir “fusíveis de choque” que indicam a
ocorrência de choques no transporte. A embalagem somente deve ser removida após
o ambiente da instalação estar limpo, livre de pó, umidade ou outros fatores
agressivos ao conteúdo.46
O fornecimento dos equipamentos deve prever um contrato de manutenção pelo
período de 1 (um) ano, a partir do start-up (ativação) e aceitação dos mesmos, com
peças de reposição incluídas. Como já citado, a manutenção deve incluir tempos
máximos para atendimento e reparo. O Fornecedor deve indicar, relacionar e
apresentar custos para um estoque mínimo de peças de reposição a serem adquiridas
pelo cliente, com o objetivo de reduzir os tempos de paralisações do funcionamento
dos equipamentos. Após os testes de aceitação, o fornecedor deve efetuar um
treinamento teórico e prático para os operadores da infra-estrutura do CPD. Este
treinamento, deve ser realizado nas instalações do cliente, utilizando-se de apostilas e
134
manuais de manutenção e operação em português. No treinamento, o fornecedor
deve entregar os seguintes documentos: lista de ferramentas recomendadas para
serem mantidas no site visando os procedimentos de manutenção; instruções
detalhadas de operação em condições normais ou anormais, em língua portuguesa.
Caso se julgue necessário, pode ser solicitado ao fornecedor a presença de equipe de
técnicos de montagem para supervisionar, orientar e esclarecer eventuais dúvidas que
podem surgir durante a montagem ou instalação dos equipamentos. Após a conclusão
da montagem, o fornecedor deve enviar ao campo um supervisor técnico responsável
pela verificação e aceitação da instalação, sua conformidade com os manuais e
desenhos fornecidos, liberando o equipamento para testes. Deve ser elaborado um
relatório indicando as condições aceitáveis de instalação ou notificando eventuais
itens a serem cumpridos para permitir o início dos testes. Os testes somente podem
ser iniciados após a formalização da liberação pelo preposto do fabricante.
A aceitação final dos equipamentos ou sistemas fornecidos deve ocorrer após os
testes em campo, sendo que, o fornecedor deve providenciar os equipamentos
necessários aos testes e submeter o roteiro dos mesmos à aprovação da contratante
para analise prévia. Após a conclusão da instalação, o fornecedor deve disponibilizar
equipe técnica qualificada, de seu quadro de funcionários, para supervisionar e
prestar assistência à equipe de comissionamento.O gerenciador deve comunicar a
data ao fornecedor com no mínimo 5 dias de antecedência, sendo que, o cliente, o
gerenciador, o fornecedor e a comissionadora devem reunir-se previamente para
estabelecer um roteiro aceitável para os testes. Todos devem ser responsáveis pelo
acompanhamento dos testes até a aceitação.47
5.1
Projetos Conceituais e Executivos
A equipe de coordenação técnica do cliente ou seus prepostos devem estabelecer em
um documento formal, todas as necessidades volumétricas/espaciais, de infraestrutura, as redundâncias e a segurança desejadas para o projeto do CPD, sem,
135
contudo haver uma maior preocupação naquele momento com o desenho destas
soluções. Neste momento, deve ser contratado um trabalho chamado Projeto
Conceitual, onde a empresa escolhida deve desenvolver a aplicação das soluções
definidas no documento anterior à realidade das necessidades e disponibilidades do
cliente, por meio de Dimensionamentos, Memoriais, Plantas, Esquemas e Desenhos
Técnicos que tenham como resultado uma Definição Perfeita das Soluções, um
Cronograma Preliminar e uma Estimativa dos Custos Envolvidos, por Sistemas, Subsistemas e Global, para execução do CPD. Com base na solução aprovada no Projeto
Conceitual deve ser contratado pelo cliente um Projeto Executivo, no qual devem ser
detalhadas todas as soluções adotadas no Projeto Conceitual para se obter um
resultado absolutamente exeqüível em todos os seus aspectos técnicos, onde devem
constar (nos mínimos detalhes) especificações, plantas, memoriais aprovações legais
e demais produtos, oferecendo o material adequado e suficiente para uma pronta
contratação para execução de Obras, conforme Tabela 5 a seguir.
Tabela 5 – Descritivo Básico das Principais Atividades dos Projetos
Fonte : AUTOR
Projeto Conceitual
Projeto Executivo
Estudo Preliminar / Anteprojeto de
Arquitetura
Projetos Técnicos (Civil, Hidráulica,
Elétrica, Climatização, etc.)
Projeto Conceitual de Civil
Projeto Legal / Projetos de Execução
Projeto Conceitual de Elétrica
Compatibilizações / Detalhamentos
Projeto Conceitual de Hidráulica
Caderno de especificações
Projeto Conceitual de Climatização
Caderno de Imagem / maquetes
Projeto Conceitual de Segurança,
Detecção e Combate a Incêndio
Acompanhamento / apoio à equipe de
Comissionamento
Projeto Conceitual de Automação
Planilhas de quantitativos preliminares
Escopo da Empresa de Arquitetura
Escopo da Empresa de Engenharia
136
O Projeto Conceitual
deve constituir-se de um refinamento e aprovação aos
conceitos e diretrizes preliminares do Projeto Básico do cliente, transformando-o em
solução para a posterior contratação e execução de um Projeto Executivo que deve
produzir a integração dos projetos de infra-estrutura específicos (Civil, Elétrica,
Mecânica, Climatização, Segurança, dentre outros) com os Projetos de Arquitetura e
Civil incluindo todos os detalhes suficientes e necessários para a execução do espaço
construído, a operação e manutenção do CPD, conforme detalhamentos que constam
dos ítens a seguir :
" GERAL / CIVIL : Definição das áreas para todas Utilidades e Infra-estruturas;
Estudo de Solos / Fundações; Pré-dimensionamento de Lajes e Vigas; Prédimensionamento de Estruturas e Fundações;
" ELÉTRICA / HIDRÁULICA / CLIMATIZAÇÃO : Cálculos das Cargas
Elétricas, Térmicas, Dissipação, Ventilação, Exaustão, Vazão e Iluminação, entre
outros; Dimensionar Componentes, Equipamentos e Sistemas; Definição final
das Tecnologias e Sistemas;
" SEGURANÇA , DETECÇÃO E COMBATE A INCÊNDIO E AUTOMAÇÃO
PREDIAL : Definir Locais e Tipos de Sistemas; Perimetral; Controle de Acesso
e Intrusão; CFTV; Detecção e Combate à Incêndio; Detecção de Vazamentos;
Alarmes e Monitoramento; Controle de Temperatura e Umidade; Controle de
Energia e Consumo.
Como instruções gerais aos concorrentes à execução dos projetos podem ser
considerados os seguintes pontos : A Empresa vencedora da Proposta para execução
do Projeto Conceitual não pode participar da licitação para Gestor da Execução ou
Execução da futura da obra; As empresas que possuírem Certificação ISO-9000 ou
estiverem em processo de obtenção da certificação podem obter um diferencial na
avaliação geral do processo licitatório; A proponente deve apresentar as suas
qualificações profissionais incluindo a de seus parceiros mediante Atestados de
Referência atendendo aos seguintes pré-requisitos : listar experiência em projetos e
consultoria na área de Datacenter para Missão Critica; comprovar elaboração de
Projetos Conceituais na área de Missão Critica, de preferência em organizações
financeiras, no Brasil e exterior; experiência em Projetos de instalações de sistemas
137
elétricos de alta potência e alta disponibilidade em sites de missão crítica;
experiência em projetos de Sistemas Redundantes do tipo “Dual Bus” e “Three Bus”
para distribuição elétrica em Data Centers; experiência em projeto de sistemas de
combate à incêndio via gases inertes, “dry-sprinkler“ e sistemas de Detecção Precoce
com laços cruzados e integrados à detecção convencional com Inteligência Artificial;
experiência comprovada em projetos de Climatização de Precisão para Data Center
com alto teor de carga térmica de calor sensível; experiência comprovada em
projetos de sistemas de suporte para Data Center com utilização de UPS, PDU,
STS/ATS, TVSS e sincronismo de UPS mediante apresentação de diagramas
unifilares executados; experiência comprovada em projetos de Sistemas de Geração
de Energia em grupos moto-geradores em um mesmo Site, incluindo-se neste item
também os projetos dos sistemas de armazenamento, conservação, distribuição e
controle automático de óleo diesel; experiência comprovada em projetos de Sistemas
de Automação e Controle (BAS/BMS) para instalações desse porte; os concorrentes
devem possuir representante ou parceiro local, no Brasil, atuante na área de projetos,
apresentando atestados que comprovem a elaboração de Projetos de Missão Critica,
de preferência em organizações financeiras, no Brasil e no exterior; as atividades e
projetos citados pela proponente devem obrigatoriamente estar acompanhados de
Atestados de Referência; no caso de não participação ou abandono da concorrência,
todos os documentos enviados devem ser imediatamente devolvidos, acompanhados
de uma notificação com o motivo do declínio; a apresentação de proposta deve
implicar na aceitação de todos os termos da concorrência, salvo eventuais ressalvas
claramente definidas na mesma; todas as despesas ou ônus de qualquer natureza
incorridos na elaboração das propostas, como por exemplo, custos decorrentes de
levantamentos, reuniões, horas técnicas de profissionais, viagens ou locomoção, são
de responsabilidade exclusiva do proponente; o proponente deve se comprometer a
manter a devida confidencialidade do conteúdo e das informações contidas na
concorrência, mediante assinatura do termo de confidencialidade; qualquer sugestão
de alteração/modificação nos conceitos apresentados em diretrizes ou em Projeto
Básico do cliente, visando embasar a elaboração do Projeto Conceitual , devem ser
submetidos à avaliação e aprovação prévia da equipe técnica de avaliação dos
projetos, designada pelo cliente; documentações comprobatórias de situação regular
138
nos aspectos comerciais (CND-Certidão Negativa de Débitos, ART-Anotação de
Responsabilidade Técnica, Aderências às Legislações Pertinentes, Habilitações de
Profissionais Especializados, dentre outras).48
5.2
Gerenciamento da Construção e Montagens
O Gestor da Construção constitui-se da empresa responsável pelo gerenciamento, dos
recursos, dos fornecedores e sub-contratados que são parte da construção do CPD, a
qual deve realizar os melhores esforços para garantir o cronograma da obra, os níveis
de qualidade definidos em projeto, o cumprimento do orçamento definido pela
equipe de coordenação técnica do cliente ou seus prepostos, além de acompanhar e
aceitar a obra. A atuação do Gestor da Construção deve se dar em três grandes áreas
de atividade do Projeto - Pré Construção, Construção, Entrega e Aceite da Obra.
As atribuições do Gestor da Construção devem ser estabelecidas conforme descrição
contida nos ítens a seguir :
♦ Fase de Pré Construção : apoio técnico na execução dos Orçamentos de Obra;
identificação de potenciais fornecedores; elaboração de RFP’s; programação de
atividades e recursos; análise e depuração de Sistemas Críticos relativos ao
projeto; equalização e análise de propostas;
♦ Fase de Construção : controle financeiro; fiscalização técnica de Obras,
Instalações e Sistemas; inspeção e controle de Qualidade; cronogramas gerais
para Elaboração, Implementação e Controle; reuniões técnicas
em geral,
Gerenciais e de Progresso; controle de documentação técnica em geral;
recebimento de equipamentos em fábrica; medições de serviços executados,
liberação e controle de pagamentos
139
♦ Fase de Entrega e Aceite de Obra : acompanhamento de Testes Integrados;
acompanhamento do Comissionamento de Equipamentos e Instalações; Prérequisitos para a prestação dos serviços.
A empresa candidata a Gestor de Construção do CPD deve atender, no mínimo, aos
seguintes pré-requisitos : corpo técnico de Engenharia e Arquitetura com experiência
comprovada no segmento de projetos de Sistemas e Ambientes de Missão Critica;
experiência comprovada de participação em obras de CPD de Missão Crítica, com
características similares ao CPD sob enfoque das cotações para a prestação de
serviços especializados, com trabalhos efetuados que evidenciem a aplicação de
várias soluções de mercado para as instalações prediais; registro no CREA; dispor de
responsáveis técnicos em seu quadro de funcionários com experiência comprovada
nas áreas de construção civil, instalações elétricas, de ar condicionado de precisão /
ventilação, de segurança patrimonial, de CFTV , de controle de acesso, de combate a
incêndio, dry sprinklers, detecção de fumaça convencional / precoce e de supervisão
predial; atestados, com registro no CREA e seus respectivos Acervos Técnicos para
obras com as seguintes características e equivalente ao cotado - Instalações de
Grupos Geradores compatíveis em potência em um mesmo site; Instalações Elétricas
para CPD de potência instalada compatível em um mesmo site; Instalações de Arcondicionado de expansão direta com unidades microprocessadas para CPD,
compatível em um mesmo site; Sistemas de armazenamento e distribuição de Óleo
Combustível compatível em um mesmo site; Instalações de Combate a Incêndio com
Gases Especiais, Sistemas de Detecção Normal e Precoce de Incêndio; Sistemas de
Supervisão Predial integrados; experiência internacional na elaboração de trabalhos
similares, quer por sua equipe própria, quer através de acordos formais de parcerias e
transferência de tecnologia em CPD’s e projetos desta natureza; Conhecer as
exigências de certificação internacional de edificações dessa natureza; Demonstrar
capacidade atualizada de tecnologia de coordenação para projetos multidisciplinares;
Apresentar Curriculum Vitae dos profissionais a serem envolvidos no Projeto, bem
como diagrama da estrutura de pessoal a ser utilizada, indicando cargo, local de
trabalho e carga de trabalho; Fornecer atestados que comprovem a experiência e
140
idoneidade da empresa, tempo de existência no mercado e situação financeira
corrente.
A empresa responsável pelo gerenciamento da obra, incluindo seus recursos,
fornecedores e sub-contratados, deve realizar os melhores esforços para garantir o
cronograma da obra, os níveis de qualidade definidos em projeto, o cumprimento do
orçamento definido pelo cliente e seus prepostos, além de acompanhar e aceitar a
obra. A atuação do Gerenciamento da Construção deve se dar nas fases do projeto
descritas a seguir : Pré-Construção; Construção; Entrega e aceite da obra; Plano de
Migração e Início de Operação (pode ser tratado em um contrato específico para este
fim).
As atribuições do Gerenciamento da Obra em cada fase pode ser dividido da seguinte
forma : Fase de Pré-Construção (acompanhamento, análise e parecer dos projetos
de arquitetura e engenharia; elaboração da previsão orçamentária da Obra;
identificação de potenciais fornecedores de equipamentos e serviços; elaboração de
cartas dirigidas às empresas contendo as observações para ratificação do escopo
técnico não identificado na planilha; elaboração da Documentação Técnica
necessária para tomada de preços, com base nas especificações e memoriais dos
projetistas: Memoriais Descritivos; Levantamento Quantitativo dos Serviços;
Detalhes Técnicos; Minuta de Contrato; Caderno de Encargos; Cronograma Físico
Financeiro e outros; atendimento aos participantes das concorrências, em conjunto
com o cliente, visando dirimir dúvidas; elaboração da programação de atividades e
recursos; análise e equalização orçamentária de todas as propostas técnicas e
comerciais; elaboração de relatórios contendo a planilha orçamentária de custo da
gerenciadora e todas demais informações técnicas necessárias observadas na análise
da (s) proposta (s), para subsidiar a negociação da obra pelo Contratante;
participação da negociação, elaboração de ata conforme condições técnicas e
financeiras pactuadas; elaboração de “Caderno Resumo” do processo de
concorrência, contendo toda documentação técnica e análise orçamentária); Fase de
Construção (programação detalhada de Atividades e Recursos; estudo de
compatibilização dos Projetos Executivos, verificando possíveis interferências e
141
analisando alternativas não previstas no Projeto, com justificativas em forma de
relatórios técnico e fotográfico; elaboração de Memorial Descritivo de serviços
necessários, conforme levantamento e Projetos Executivos já adequados às
necessidades locais e previamente aprovados pelo Contratante; elaboração de Cartas
Convite com sugestões de empresas ao Contratante para os processos de
concorrência; elaboração da Documentação Técnica necessária para tomada de
preços com base nas especificações e memoriais dos projetistas; Memoriais
Descritivos; Levantamento Quantitativo dos Serviços; Detalhes Técnicos; Minuta de
Contrato; Caderno de Encargos; Cronograma Físico Financeiro e outros; atendimento
aos participantes das concorrências, em conjunto com o cliente, visando dirimir
dúvidas; participar da análise e equalização orçamentária de todas as propostas
técnicas e comerciais com a elaboração dos relatórios contendo as planilhas
orçamentárias de custo meta da gerenciadora e todas as demais informações técnicas
necessárias; cartas dirigidas às empresas contendo as observações para ratificação do
escopo técnico não identificado na planilha; participação da negociação, elaboração
de ata conforme condições técnicas /financeiras pactuadas; elaboração de “Caderno
Resumo” do processo de concorrência, contendo toda documentação técnica e
análise orçamentária; análise e aprovação de cronograma físico financeiro;
elaboração de todo o planejamento da obra, bem como rede de procedência em
conjunto com as Empresas Contratadas, Subcontratadas, Fornecedores e Órgãos
Públicos / Concessionárias; negociar com empresas construtoras, instaladoras e
fornecedores os melhores prazos e custos para a Contratante sempre que for
necessário e cabível; planejamento e programação com todos os Setores,
Departamentos do Contratante e Fornecedores envolvidos direta ou indiretamente na
obra; coordenar junto aos Setores, Departamentos e Fornecedores envolvidos,
responsabilidades e programações, visando atingir as metas de atendimento de prazos
e metas estabelecidas pelo Contratante; gestão da documentação técnica,
relacionando, mantendo em arquivo físico e eletrônico, disponibilizando e garantindo
que todos os envolvidos estejam trabalhando com as ultimas versões homologadas de
projetos,
memoriais
e
especificações
técnicas,
via
Web
e
com
disponibilização/gerenciamento de normas nacionais e internacionais aplicáveis ao
CPD; controle da elaboração e emissão de “As Built”; fiscalização dos serviços
142
contratados e subcontratados, bem como assegurar a qualidade e o fiel cumprimento
dos projetos aprovados, especificações, normas técnicas e metas estabelecidas;
fiscalizar o cumprimento de normas estabelecidas pelo Ministério de Trabalho, com
especial atenção de Norma Regulamentadora (NR), relativas à Higiene, Medicina e
Segurança do trabalho; análise técnica especializada para serviços e equipamento
específicos, tais como, Sistemas Elétricos, Ar Condicionado, Lógica, Aterramento,
Transformadores, Elevadores, Supervisão e Automação Predial, Controle de Acesso
e CFTV, dentre outros; contratação de ensaios de controles tecnológicos
especializados e pareceres técnicos, quando necessários, com ênfase nos ensaios das
instalações elétricas de baixa tensão via instrumentação especifica para a emissão de
avaliação de conformidade com a norma NBR5410:2004; promover reuniões de
esclarecimento de dúvidas e alternativas técnicas, junto às empresas de projetistas,
construtora, instaladoras e demais contratadas; acompanhamento da realização de
testes em fábrica de equipamentos tais como UPS, transformadores, ar condicionado,
dentre outros, sempre que solicitado pelo cliente; promover reuniões para tomada de
decisões com o Contratante; participação em reuniões periódicas, no mínimo
semanal, nas dependências do cliente, com Setores e Departamentos envolvidos nos
eventos, visando o monitoramento; coordenação de cronogramas de entrega de
materiais e equipamentos utilizados na obra, visando o atendimento e realização dos
serviços dentro dos prazos previstos no Cronograma Físico Financeiro e Rede de
Precedência; definição de metas de controle e acompanhamento para recuperação de
eventuais atrasos ocorridos, ou que venham a ocorrer; emissão de relatórios
técnico/financeiro
para
prévia
aprovação
do
Contratante,
de
serviços
extracontratuais; análise e acompanhamento de serviços extracontratuais, aprovados
pelo Contratante e seus prepostos; controle sobre os processos de aprovações legais
junto aos Órgãos Públicos e Concessionárias, bem como as vistorias relativas a estes;
relatórios técnicos, financeiros, fotográficos, cronograma e medição da evolução da
obra semanalmente, bem como demais documentos de gerenciamento com
disponibilidade de consulta via internet, mediante os cuidados de segurança para
acesso a dados em sistema de proteção com senha e log de acesso em site seguro;
medições dos serviços executados conforme “modelo padrão” a ser definido para
efeito de liberação de parcelas, conforme Cronograma Físico Financeiro aprovado;
143
elaboração de relatórios de gerenciamento, contemplando histórico do período, fotos,
gráficos, relatórios de fiscalização, medições, correspondências, as-built, protocolos
de documentação de concessionárias e órgãos públicos, cópia do diário de obra,
dentre outros; acompanhamento do Comissionamento de Equipamentos e
Instalações; elaboração do check-list final da obra enfocado todas as etapas e
serviços concluídos conforme projetos, especificações, normas técnicas e memoriais
descritivos e aceite provisório da obra); Fase de Entrega e Aceite de Obra
(acompanhamento de Testes Integrados; acompanhamento e Finalização do
Comissionamento de Equipamentos e Instalações; aceite final da obra, mediante
análise da documentação exigida em contrato e memorial descritivo, manuais e
certificados de garantia, certidões, ART’s, documentos circunstanciais e aprovações
em concessionárias e órgãos públicos; encerramento do check-list final da obra;
coordenação, elaboração e entrega do Plano de Operação e Manutenção do site, bem
como a coordenação de treinamento das equipes responsáveis; Plano de Migração e
Início de Operação).
As empresas com Certificação ISO-9000 ou que estiverem em processo de obtenção
da certificação, devem receber diferencial na avaliação da proposta. Quando
empresas estrangeiras forem proponentes devem possuir representante ou parceiro
local, no Brasil, e apresentarem atestados que comprovem o gerenciamento de
Construções de Missão Critica, de preferência em organizações financeiras, no Brasil
e no exterior. No caso de não participação ou abandono de concorrência, todos os
documentos enviados devem ser imediatamente devolvidos, acompanhados de uma
notificação com o motivo do declínio pelo concorrente. O proponente deve se
comprometer a manter a devida confidencialidade do conteúdo e das informações
contidas na concorrência, mediante assinatura de termo de confidencialidade.
Qualquer sugestão de alteração/modificação nos Conceitos apresentados no “Projeto
Executivo do CPD”, devem ser submetidos à avaliação e aprovação de um Conselho
formado pelos prepostos indicados pelo cliente. A qualquer tempo devem prevalecer
as normas técnicas vigentes ( ABNT, dentre outras ) e os requisitos básicos do
memorial descritivo para base de cotações, sendo que nos casos onde as normas
forem omissas, conflitantes e/ou divergentes deste, devem ser adotadas as soluções
144
tecnicamente mais perfeitas, cabendo a aprovação e decisão final à fiscalização
designada pelo cliente e seus prepostos.
5.3
Cronograma, Qualidade e Garantias
O alto nível de competitividade em que as organizações se encontram exige que as
melhores técnicas de gerenciamento sejam aplicadas e que estas sejam amparadas
por ferramentas adequadas. Através de uma orientação única e respaldada pelas
práticas do PMI-Project Management Institute, este tópico envolve os recursos e as
três áreas básicas do conhecimento para controle de um projeto – escopo, tempo e
custo. A visão PMBOK 2004 – A Guide to the Project Management Body of
Knowledge – NBR ISO 10006, envolve a apresentação das melhores técnicas de
gerenciamento de projetos, fazendo entender a maior abrangência da palavra
“Projeto” ao definir um “serviço único e individual que produz um resultado único,
utilizando-se de recursos materiais, humanos e financeiros limitados, a ser entregue
aos clientes dentro de especificações claras, na qualidade adequada”. Assim
entendido, o projeto abrange três conjuntos básicos de atividades : 30
♦
Controle físico do projeto : elaboração do Termo de Abertura do projeto;
elaboração dos documentos iniciais do projeto; elaboração, criação e inclusão de
arquivos; elaboração do dicionário, criação de modos e tabela; elaboração de
organograma; criação de visões – grupos; elaboração da lista de atividades dos
pacotes de trabalho; sequenciamento de atividades; inclusão da lista de atividades
dos pacotes de trabalho; definição das restrições e premissas das atividades;
apresentação do diagrama de rede do projeto; definição da duração das atividades
– marcos do projeto; definição dos calendários; elaboração do cronograma do
projeto – base de referência de tempo;
♦
Controle dos recursos do projeto : criação e administração do grupo de
recursos – pool de recursos; análise da alocação dos recursos; análise do uso dos
145
recursos nos produtos principais; análise da superlocação dos recursos e seus
custos;
♦
Controle financeiro do projeto : análise dos custos fixos e do orçamento do
projeto; elaboração de uma proposta de redução de prazo e custo no projeto;
trabalho consolidado – integração e desempenho de projeto; trabalho final de
planejamento integrado – projetos e subprojetos; análise do valor do trabalho
realizado.
O cronograma deve abranger todos os ambientes de Missão Crítica para TI, visando
atender as necessidades do CPD no Site Principal, Cabine de Comando e as
melhorias do Site Back-up (obs: ambiente de contingência). O trabalho de
planejamento da migração física e de sistemas também deve ser iniciado
antecipadamente, considerando todos os fatores envolvidos como equipes,
equipamentos, necessidade financeira, disponibilidade, distâncias, riscos, qualidade e
responsabilidade. A estratégia para a migração deve ser elaborada e validada com
todas as partes envolvidas para obtenção e clareza dos objetivos propostos, sendo
que, devem ser considerados os seguintes aspectos:
•
Planejamento : Criação do plano de trabalho; Levantamento da situação atual;
Definição de estratégia geral de migração (físico e lógico); Definição do
cronograma geral; Definição do cronograma financeiro; Definição das equipes
envolvidas; Definição da matriz de responsabilidades; Definição do plano de
comunicação; Definição de matriz de riscos e mitigação; Definição de métricas e
indicadores de qualidade;
•
Migração : Detalhamento do plano de migração; Validação dos ambientes
futuros (capacidade de processamento e armazenamento);
•
Projeto Físico : Elaboração do plano de conexão física; Validação do layout
físico para os equipamentos; Verificação da adequação da infra-estrutura física;
Roteiro para implementação física;
•
Projeto Lógico : Elaboração do plano de conexão lógica; Roteiro para
implementação lógica;
146
•
Definição da estratégia de roll-back (back-up) : Elaboração do plano de
roll-back; Roteiro para implementação do plano de roll-back;
•
Testes e validação : Elaboração do plano de testes; Elaboração do roteiro de
testes; Definição de métricas para validação.
O sucesso da implementação de projetos desta natureza pode ser diretamente ligado à
capacidade que as pessoas têm em aceitar e praticar os novos modelos. Para garantir
a consecução de seus objetivos, deve ser promovido um programa de Gerenciamento
da Mudança (Change Management), englobando não somente aspectos técnicoorganizacionais mas também, comportamentais. Neste programa devem ser
considerados os seguintes aspectos: Gerenciamento da Mudança; Estratégia de
Alinhamento; Estratégia de Comunicação e Envolvimento (Plano de Comunicação e
Plano de Envolvimento); Estratégia de Treinamento.
5.4
Comissionamento e Testes de Aceitação
O aceite provisório do CPD, uma das responsabilidades principais do Integrador ou
General Contractor, deve ocorrer durante a execução do projeto e das instalações do
CPD, mediante a elaboração de um programa de aceite e procedimentos, cujo texto
deve ser definido, no mínimo, 30 dias antes do comissionamento e submetido à
operação e revisão do cliente. O Integrador deve fornecer 03 (três) cópias de todos os
diagramas e documentos dos equipamentos instalados junto com os relatórios de
testes, os manuais de operação e manutenção. O Comissionamento e Testes de
Aceitação podem ser previstos e detalhados com subdivisões para os seguintes
tópicos – Obras Civis; Energia; Aquecimento, Ventilação e Ar-condicionado;
Sistemas de Segurança; Sistemas de Alarme e Monitoramento.49
147
As verificações das Obras Civis devem enfatizar os aspectos dos sistemas prediais
conforme conjunto básico exemplificativo de requisitos para as análises descritas a
seguir : Controle dos Diagramas (verificar a conformidade com planos e
especificações; verificar as premissas da área e do piso elevado); piso (verificar a
conformidade com as especificações de piso nas áreas construídas; verificar a
conformidade do piso elevado com as especificações do piso elevado; verificar o
alinhamento e nivelamento do piso e do piso elevado; verificar os alinhamentos dos
pedestais do piso elevado; verificar a limpeza do piso; inspecionar os recortes do piso
elevado); Teto (verificar o aspecto e a conformidade com as especificações; verificar
o material; verificar a altura do teto contra a altura do piso elevado e do piso);
Paredes/ Pintura/ Portas (verificar a conformidade com as especificações; verificar a
operação das portas, batentes e identificações; verificar a qualidade de todos os
itens); Janelas (verificar a conformidade com as especificações; verificar se as
proteções físicas e contra o sol estão instaladas; verificar a vedação e o fechamento
das janelas); Iluminação (verificar aspectos gerais e visuais das luminárias; verificar
a conformidade com as especificações da instalação de luminárias e ligação elétrica,
dos interruptores e das áreas atendidas, do nível de iluminação a ser medido a 85 cm
acima do piso); Tomadas elétricas e telefone (verificar a conformidade com as
especificações e desenhos; verificar a conformidade dos cabos com o especificado).
As verificações de Energia devem enfatizar os aspectos dos sistemas prediais
conforme conjunto básico exemplificativo de requisitos para as análises descritas a
seguir : Transformadores (verificar a conformidade das instalações de média e baixa
voltagem, particularmente examinar os ajustes/ parâmetros dos fusíveis e
disjuntores); UPS/No-Break - Inspeção Visual (verificar a instalação das UPS’s e
baterias, como: acessibilidade para obter leituras, identificação com label das
unidades; conferir os labels com as especificações; verificar as conexões de energia e
controle; verificar as tolerâncias pré-programadas de freqüência e voltagem) e Teste
Funcional (testar a operação com a UPS submetida à carga total e também com o
gerador; realizar testes de manobras das UPS’s para by-pass estático e retorno/bypass estático para by-pass de manutenção e retorno/ controle de toda instrumentação;
148
realizar verificação das monitorações e alarmes tanto no local como remotas,
inclusive com o termostato para alarme em alta temperatura; realizar teste de
descarga dos bancos de bateria para regulagem após três descargas dos bancos;
registrar a temperatura ambiente da sala de baterias e verificar se há diferenças de
temperatura significativas na sala; descarregar 100% a carga das baterias desligando,
por exemplo, o banco 1 com o banco 2 permanecendo ligado, visando a verificação
de autonomia das baterias e a integridade de todas as conexões; registrar a voltagem
das baterias a cada dois minutos ou pelo menos duas vezes durante a descarga, sendo
que todas as voltagens das células devem ter pelo menos 10% do total das células;
verificar se a carga é transferida para o circuito de by-pass quando o fornecimento de
energia das baterias é interrompido; descarregar 60% da carga das baterias
desligando os bancos, observando as voltagens de descarga individuais das células;
depois do desligamento automático das UPS’s, reconectar os bancos e verificar o
restart automático das UPS’s; durante o ciclo de descarga e a cada 5 minutos
registrar as tensões das células); Geradores - Inspeção Visual (realizar a verificação
dos dados da placa de identificação contra as especificações; verificar a instalação
dos vibradores e base dos geradores; verificar a tubulação de exaustão e silenciador;
verificar a ventilação da sala na entrada/ saída, abafadores, ruído; verificar os tanques
de abastecimento diários, principais bombas e tubulação de combustível; verificar o
painel de controle, as conexões de controle e de energia, bus-bar ou bus-way) e
Testes Funcionais (executar start-up automático na condição de desligamento de
energia e desligamento automático no retorno da energia, registro dos tempos de
demora para o start-up e desligamentos; realizar a operação das UPS’s com pelo
menos 60% da carga, controle de estabilidade operacional nos geradores e UPS’s;
executar a variação de freqüência e tensão entre zero e carga total, sendo que a carga
deve ser adicionada gradualmente; realizar a verificação do fornecimento de
combustível automático do tanque diário; realizar duas horas de teste, se possível,
com carga total, registrando-se as temperaturas do equipamento e da sala, além da
corrente, tensão e freqüência; executar o teste local e remoto completo dos alarmes e
monitoramento; registrar nível de ruído dos geradores no exterior do prédio); Sistema
de Distribuição de Energia – Inspeção Visual (Transformadores: verificar
identificações, capacidade, proteção e os diagramas de distribuição; Painéis: verificar
149
instalação, conexões de energia e controle, ajuste/ parametrização de disjuntores,
acessibilidade para manutenção e leituras; Cabos: verificação de bitola, instalação e
bandejamento; Verificar a identificação dos painéis, instrumentos, disjuntores e
cabos em conformidade com os diagramas; Verificar a instalação dos respectivos
diagramas unifilares nas salas, de preferência em quadros protegidos por vidro) e
Testes Funcionais (operar todos os disjuntores, verificar os funcionamentos dos
instrumentos, relés, monitoramento local e remoto dos alarmes e seqüência de fases;
realizar o teste de carga de todos os painéis durante os testes de carga dos geradores e
UPS’s através da operação dos sistemas de climatização e das cargas das UPS’s para
as PDU’s; executar os testes de operação manuais e automáticas das STS’s);
Aterramento - Inspeção Visual (realizar a verificação dos diagramas de aterramento;
verificar o cabo de aterramento; verificar os cabos de distribuição de aterramento
para os painéis de energia, UPS’s e geradores) e Teste Funcional (verificar as
medidas das impedâncias dos terras).50
As verificações de Aquecimento, Ventilação e Ar-condicionado devem enfatizar os
aspectos dos sistemas prediais conforme conjunto básico exemplificativo de
requisitos para as análises descritas a seguir : Testes Gerais – Inspeção Visual
(verificar a identificação do ar de entrada/ retorno; realizar a verificação dos locais de
aberturas do ar de entrada/ retorno; certificar a eficiência da distribuição do ar;
verificar que os difusores do ar frio não perturbam os ocupantes; verificar as
proteções solares se houver; verificar se os difusores não estão muito próximos dos
detectores de incêndio) e Inspeção Funcional (medir temperaturas e unidades das
salas; medir o fluxo de ar em m³/ h; medir o nível de ruído à um metro dos
difusores); Sistema de Condensadores - Inspeção Visual (identificar calor nas
tubulações de gás e água; verificar se as tubulações estão bem instaladas e isoladas e
separadas; verificar a eficiência da distribuição do ar; verificar se o ar gelado vindo
das unidades de ar condicionado não está causando desconforto aos ocupantes locais;
verificar a proteção solar; verificar entrada de ar externo no sistema; verificar os
condensadores e suas instalações) e Inspeção Funcional (medir a temperatura de
Bulbo Seco da saída e do retorno do ar; medir a temperatura de Bulbo Seco da sala,
verificando os graus em ºC e a umidade relativa do ar em %; medir o fluxo de ar em
150
m³/h; medir o nível de ruído em DBA na distância de um metro dos difusores);
Sistema de Ar na Sala de Computadores - Inspeção Visual (verificar as unidades de
ar dentro do CPD e a eficiência da distribuição do ar; inspecionar o sistema de
tubulação; verificar a equalização da distribuição abaixo do piso elevado; verificar
áreas de fugas de ar no piso elevado e no forro; verificar as proteções solares nas
janelas; identificar a renovação de ar do sistema; verificar os “status” e histórico de
alarmes, temperatura em ºC e umidade relativa do ar em % nas unidades de ar no
CPD; observar vibrações mecânicas de medidas do Higro Termógrafo) e Inspeção
Funcional (medir a temperatura do ar gelado; medir temperatura emºC e umidade
relativa do ar em % do CPD; medir o fluxo do ar de retorno; obter três leituras de
velocidade do ar em m/h para o melhor caso, médio e pior caso; verificar possíveis
obstáculos do retorno de ar para as unidades de ar do CPD, retirando-os quando
possível; medir o fluxo da tomada externa para renovação do ar; medir o nível de
ruído na distância de um metro da unidade de ar condicionado do CPD; medir o nível
de ruído das unidades de condensadores a uma distância de cinco metros).
As verificações dos Sistemas de Segurança devem enfatizar os aspectos dos sistemas
prediais conforme conjunto básico exemplificativo de requisitos para as análises
descritas a seguir :
Controle de Acesso e Detecção de Intrusão (verificar a
conformidade da instalação e operação com as especificações; inspecionar
visualmente todos os elementos, como leitoras de cartão, leitoras biométricas, etc;
certificar que todas as partes de segurança de saída estão equipadas com barras de
pânico ou equivalente); Detecção de Incêndio (verificar a conformidade da instalação
e operação com as especificações; inspecionar visualmente toda a instalação;
executar o teste funcional de cada detector; executar o teste funcional do sistema de
detecção com as especificações e operação, por exemplo, se o alarme de duas zonas
ou áreas suspende o funcionamento da climatização; verificar o funcionamento e
operação dos alarmes locais e remotos); Extinção de Incêndio (verificar a
conformidade da instalação e operação com as especificações; inspecionar
visualmente toda a instalação; efetuar testes de simulação da desativação manual e
automática do sistema incluindo os relés de alarme, de acordo com as especificações
dos fabricantes; no caso de sistema de extinção por inundação de gás no ambiente;
151
verificar todos os extintores de incêndio, isto é, localização, sinalização, numeração e
conformidade com os diagramas); Detecção de Líquidos e Vapores (verificar a
conformidade da instalação e operação com as especificações; inspecionar
visualmente toda a área de detecção e realizar pelo menos dois testes operacionais;
verificar o funcionamento e operação dos alarmes e indicações remotas; se houver
tubulações de gás ou água dentro da área verificar se as válvulas de desligamento
funcionam, inclusive conforme as especificações e diagramas); Botões de
Desligamento de Emergência (verificar a conformidade da instalação e operação com
as especificações; inspecionar visualmente os botões protegidos por vidro e a sua
localização; verificar os manuais de operação, os alarmes e monitorações remotas);
Proteção Contra Descargas Elétricas e Atmosféricas (verificar a conformidade da
instalação e operação com as especificações; verificar o aterramento dos cabos a
terra; verificar que o sistema de aterramento e descargas estejam interconectados);
Iluminação de Emergência (verificar a conformidade da instalação e operação com as
especificações e diagramas; localizar uma verificação e testes funcionais).
As verificações do Sistema de Alarme e Monitoramento devem enfatizar os aspectos
dos sistemas prediais conforme conjunto básico exemplificativo de requisitos para as
análises descritas a seguir :
Painel de Alarme e Monitoramento (verificar a
conformidade da instalação e operação com as especificações; inspecionar
visualmente a instalação dos painéis e elementos associados; certificar através de
teste que todos os alarmes e status de controle funcionam em operação e integrados
aos demais sistemas, local e remotamente); Outros Painéis (aplicar os mesmos testes
que os do Painel de Alarme e Monitoramento).
O comissionamento do CPD constitui-se de um processo sistemático, que assegura
que todos os sistemas estão trabalhando de modo correto e interativo com todos os
demais, de acordo com o projeto, as especificações e as necessidades do negócio.
Este objetivo pode ser alcançado desde o início da obra, ainda na fase de projeto, e
durante a execução, aceite e garantia (para verificação da performance). O processo
de comissionamento abrange e integra documentação, start-up de equipamentos,
ajustes de sistemas de controle, teste de balanceamento, testes de performance e
152
treinamento. A constituição da Equipe de Comissionamento pode ser composta da
seguinte forma : equipe técnica do cliente como primeiro interessado na qualidade
final; empresa especialista em comissionamento; empresa responsável pela
consultoria; empresa integradora; as empresas sub-contratadas para executar cada
fase da construção, como obra civil, elétrica, mecânica, dentre outras. A contratação
da Empresa Comissionadora deve ser efetuada diretamente pelo cliente da obra ou
pela empresa de consultoria, sendo que a empresa Comissionadora deve dirigir e
coordenar as atividades de comissionamento. Todos os membros da Equipe de
Comissionamento trabalham em conjunto sendo cada um responsável pelas
atividades contratadas originalmente. A empresa responsável pela Integração, ou
General Contractor, em conjunto com a Empresa Certificadora devem estabelecer o
PLANO DE COMISSIONAMENTO, cuja responsabilidade final deve ser da
empresa Comissionadora, competindo a esta a integração de todas as atividades de
Comissionamento.49
As atividades típicas do Processo de Comissionamento ou Certificação podem ser
descritas conforme segue : o comissionamento durante a construção começa com
uma reunião sobre o escopo do projeto sendo conduzida pela Empresa
Comissionadora, sendo que, nesta atividade o processo de comissionamento pode ser
revisado com os membros da Equipe de Comissionamento/Certificação; outras
reuniões podem ser necessárias durante as providências de melhorias do CPD para
coordenar e planejar futuras atividades e resolver problemas; devem ser entregues a
Empresa Comissionadora durante as atividades a documentação dos equipamentos,
incluindo
procedimentos
detalhados
de
start-up
(ativação);
a
Empresa
Comissionadora deve trabalhar com a Empresa Integradora e as sub-contratadas na
elaboração dos planos e documentação de start-up, inclusive elaborando para as
empresas os check lists a serem realizados durante a fase de start-up; geralmente os
controles e verificação de performance são iniciados ao nível de componente, para
equipamento, para sistema, para integração de sistemas com check-lists sendo
realizados e completados antes dos testes funcionais; as sub-contratadas e a Empresa
Integradora devem executar e documentar todos os check-lists pré-funcionais, como
também o start-up e o controle final, sendo que, a Empresa Comissionadora deve
153
documentar que as listas de controle e o start-up foram realizados de acordo com os
planos aprovados e foram testemunhados pela mesma; a Empresa Comissionadora
deve desenvolver procedimentos específicos de testes de equipamentos e de sistemas,
sendo de competência das sub-contratadas e a Empresa Integradora a revisão dos
procedimentos; os procedimentos são executados pelas sub-contratadas sob a direção
e documentadas pela Empresa Comissionadora; problemas detectados durante os
testes derivados de um material, instalação ou setup devem ser corrigidos e refeitos
pelas sub-contratadas e sempre às suas custas; os procedimentos de testes Integrados
de sistemas devem ser desenvolvidos pela Empresa Comissionadora e revistos pelos
integrantes da Equipe de Comissionamento; os testes integrados de sistema devem
ser executados pelas sub-contratadas e acompanhados pela Empresa Integradora e
Empresa Comissionadora; a Empresa Comissionadora compete rever toda a
documentação de operação e Manutenção; o comissionamento deve estar completo
antes da conclusão final do projeto de melhorias ou construção do CPD; a Empresa
Comissionadora deve rever, pré-aprovar e coordenar o treinamento a ser fornecido
pelas sub-contratadas à empresa encarregada pela operação.49
A abrangência dos Trabalhos da Empresa Comissionadora para o CPD, como uma
construção de Missão Crítica, deve ser certificada de acordo com as start-ups dos
fornecedores dos subsistemas principais. O comissionamento deve incluir as
empresas instaladoras e os técnicos dos principais fornecedores, como: geradores,
UPS’s, climatização, controles, dentre outros. A performance dos sistemas e
subsistemas será testada contra as especificações, e só então, os testes integrados de
sistema serão realizados e sempre em conformidade com o projeto e suas
especificações. Todos os testes devem ser gerenciados pela Empresa Comissionadora
para a validação, portanto, de todo o adequado funcionamento do CPD. O Aceite
Final consiste essencialmente na revisão de todos os trabalhos, que devem ser
realizados dentro do período de garantia de um ano nos equipamentos e na avaliação
de quaisquer problemas operacionais ocorridos neste período. O Aceite Final deve
ser realizado pela Empresa Integradora e ser acompanhado pela Empresa
Comissionadora. Embora o comissionamento apresente ao final um certificado do
aceite de todo o projeto, recomenda-se que seja contratada empresa internacional
com o objetivo exclusivo da certificação do CPD, nos moldes de certificação de
154
qualidade ISO, sendo possível também se obter uma certificação ambiental, cujo
assunto passa a ser tratado no próximo tópico.
5.5
Certificação Ambiental (LEED)
Dentre as diversas certificações possíveis para se atestar a qualidade dos produtos e
serviços aplicados ou as soluções desenvolvidas em um CPD, a mais recente e
inovadora é a certificação ambiental oferecida pelo LEED-Leadership in Energy and
Enviromental Design, cujos data centers também podem ser objeto de diferencial
competitivo em alinhamento ao cenário atual de responsabilidade sócio-ambiental
que abrange as Intituições Financeiras de Classe Mundial.
O movimento Green Building referiu-se ao desenvolvimento sustentável alguns anos
atrás como sendo “a mais vibrante e poderosa força de impacto no seguimento de
projeto e construção de edifícios há mais de uma década” e, desde então, nada
aconteceu para diminuir a validade de seus efeitos sobre a indústria da construção
civil, os quais não podem ser subestimados. O programa de certificação LEEDLeadership in Energy and Enviromental Design do USGBC-U.S. Green Building
Council constitui-se de um sistema complexo de classificação “verde” para edifícios
cujos projetos e construções possam contribuir para o desenvolvimento sustentável
através do efetivo exercício de responsabilidade sócio-ambiental.51
O panorama geral do LEED em 2004 registrou as classificações de certificação em
04 (quatro) categorias distintas por tipo de espaço construído – New Construction
(NC), Existing Building (EB), Commercial Interiors (CI) e Core & Shell (CS) – além
de iniciar um projeto piloto na categoria LEED for Home (H), dentre os níveis
sequenciais de pontuação considerados em 04 (quatro) patamares – Certified, Silver,
Gold e Platinum - conforme demonstrado nas Tabelas 6 e 7 a seguir.52
155
Tabela 6 – Pontuação Mínima dos Níveis LEED
Fonte : U.S. GREEN BUILDING COUNCIL
Descrição
LEED-NC
LEED-EB
LEED-CI
LEED-CS
Certified (certificado)
26
32
21
24
Silver (prata)
33
40
27
30
Gold (ouro)
39
48
32
36
Platinum (platina)
52
64
42
48
Tabela 7 – Sistema de Pontuação do Programa LEED
Fonte : U.S. GREEN BUILDING COUNCIL
Categoria do Crédito
LEED-NC LEED-EB
LEED-CI LEED-CS
Site Sustentável
14
14
7
15
Eficiência de água
5
5
2
5
Energia & Atmosfera
17
23
12
16
Materiais & Recursos
13
16
14
11
Qualidade do Ambiente Interno
15
22
17
13
Inovação e processo de desenho
5
-
5
5
Inovação em Up-grades,
-
5
-
-
69
85
57
65
Operação e Manutenção
Total de Pontos Possíveis
O sucesso do desenvolvimento deste complexo sistema de classificação “verde” pode
ser atribuído ao árduo trabalho em liderança dos respectivos comitês do U.S. Green
Building Council, cujos resultados em 2004 contabilizaram 5.157 membros, 162
projetos
certificados
LEED
e
1.614
projetos
registrados,
totalizando
aproximadamente 18 milhões de metros quadrados de espaço construído, sendo que,
além dos EUA, existem projetos LEED em mais de uma dúzia de países estrangeiros,
incluindo a Índia, China e Brasil.52
156
LEED for New Construction (LEED-NC)
O programa de classificação para edifícios “verde” LEED-Leadership in Energy and
Enviromental Design (Liderança em Projeto Ambiental e de Energia), conforme
definição do U.S. Green Building Council (Conselho Americano para o Edifício
Verde), pode ser descrito como sendo uma base consensual de âmbito nacional nos
EUA, cujo sistema de diretrizes do mercado para classificação de edifícios foi
desenhado para acelerar o desenvolvimento e implementação de práticas na
edificação “verde”, em resumo, trata-se do primeiro sistema elaborado para o
planejamento, construção e certificação dos melhores edifícios “verde” do mundo.
O programa LEED-New Construction (certificação para novas construções), ou
simplesmente LEED-NC, funciona muito bem sobretudo por ser simples de entender
e encontra-se dividido basicamente em 05 (cinco) categorias relacionadas ao site,
conservação da água, energia, materiais, qualidade do ambiente interno,
acrescentando-se ainda mais uma categoria para inovação e desenho. Cada categoria
contém um número específico de créditos que possuem uma ou mais possibilidades
de pontos. Um projeto que alcança a pontuação suficiente (26) pode obter a
classificação “Certified” (certificado), subindo-se a pontuação (33) pode chegar ao
nível “Silver” (prata), ou ainda, com maior pontuação (39) o nível “Gold” (ouro) até
atingir o último nível (52 ou mais pontos) de classificação “Platinum” (platina),
conforme demonstrativo que consta da Tabela 8 a seguir.52
Tabela 8 – Níveis da Certificação LEED
Fonte : U.S. GREEN BUILDING COUNCILl
Classificação
Pontos Ganhos
Certified (certificado)
26-32
Silver (prata)
33-38
Gold (ouro)
39-51
Platinum (platina)
52-69
157
Eis o brilhantismo do programa LEED – simplicidade, estrutura competitiva e uma
métrica de regras claramente estabelecidas com estratégias intrincadas que levam as
equipes de gestão predial ao desafio de se equacionar uma questão complexa e
multifacetada – conciliar o desenho sustentável e o desenvolvimento, assim, mais do
que apenas seguir um check-list de critérios torna-se possível a implantação de
edifícios plenamente integrados e bem desenhados.
LEED for Existing Buildings (LEED-EB)
A primeira coisa a ser salientada sobre o LEED-EB (certificação para edifícios
existentes) trata-se uma análise do ciclo de vida útil do edifício na qual pode se
verificar que 75% ou mais dos custos são gastos em operação e manutenção. Os
prédios existentes (incluso residências), uma vez consideradas as estatísticas a serem
efetuadas em âmbito nacional, podem chegar a consumir perto de 40% da energia,
adicionarem 40% da emissão atmosférica, consumirem 68% da eletricidade, 12% da
água fresca e 88% da água potável, acrescentarem 40% dos degetos sólidos
municipais e usarem 40% de toda a madeira e materiais básicos da construção civil
em mercados como nos EUA.52
Outra coisa para se lembrar é que há muito mais prédios existentes de usos
comerciais, industriais e institucionais (ex: perto de 100 vezes mais prédios
existentes nos EUA) do que os que são construídos a cada ano. Teoricamente então,
a certificação “green” em prédios existentes pode ter o dobro da ordem em tamanho
e magnitude do impacto no consumo de energia e meio-ambiente do que pode ser
alcançado com a certificação LEED para novas construções (LEED-NC). Eis a razão
porque o LEED-EB tem crescido no enfoque dos aspectos de operação e manutenção
dos edifícios (O&M), cuja atenção permanente pode contribuir para o alcance do
pleno potencial destes, além de prover um caminho para recertificação dos edifícios
que anteriormente alcançaram o LEED-NC ou até mesmo o LEED-EB que pode ser
ampliado, visando produzir uma série de economias e benefícios potenciais no
processo do gerenciamento de Facilities.
158
LEED for Commercial interiors (LEED-CI)
Este programa tem por objetivos a seleção de espaços alugados sustentáveis
(Interiores Comerciais), o uso eficiente da água por inquilinos corporativos, a
otimização do desempenho energético (especialmente a iluminação e seus controles),
os materiais para os sistemas prediais no interior do edifício inclusos o mobiliário,
carpete, pisos e a qualidade do ambiente interno. O LEED-CI também pode refletir
um crescimento nos interesses que encorajam os inquilinos corporativos a selecionar
espaços estabelecidos em comunidades que facilitem o acesso de pedestres
(“walkable communities”) com pelo menos 10 a 20 serviços básicos disponíveis, tais
como, bancos, lojas, escolas, correios, salão de estética, dentre outros.52
LEED for Core & Shell (LEED-CS)
Este programa atende principalmente os investidores em escritórios de negócios, no
varejo ou em prédios de uso misto, os quais são projetados para proprietários que não
controlam o desenho de interiores e os acabamentos externos aplicados nos espaços
construídos. O LEED-CS segue muito próximo dos requisitos aplicados pelo LEEDNC e a principal diferença consiste no processo de pré-certificação, sendo esta uma
característica exclusiva do LEED-CS dentre todos os programas de certificação do
LEED, cuja visão para o mercado permite tratar o projeto como se fosse certificado,
mesmo antes do prédio ser construído. O processo de pré-certificação permite aos
investidores obter uma aprovação prévia do USGBC-U.S. Green Building Council
submetendo-se um plano de pontuação que o prédio deverá alcançar com base nos
desenhos do projeto.52
LEED for Homes (LEED-H)
O movimento do “Green Building” também chega em casa. Enquanto a essência dos
programas LEED são direcionados ao mercado da construção não-residencial, o
potencial do seguimento residencial não pode ser ignorado, pois representa 59% do
total de investimentos na indústria da construção nos EUA. O programa LEED-H
envolve um check-list de fatores relacionados ao uso da energia, gerenciamento da
água, ambiente de trabalho, conservação da água e a qualidade do ambiente interno
nas construções residenciais, cujos benefícios da certificação LEED-H permitem
159
uma diferenciação no mercado aos construtores deste seguimento, além da imagem
pública positiva e o incremento de relações com as entidades oficiais do governo na
localidade do empreendimento.52
Em resumo, os programas de certificações LEED em suas diversas categorias sob a
bandeira do Desenvolvimento Sustentável preconizada pelo movimento do “Green
Building”, cujo crescimento e aplicação tem se evidenciado nos diversos
seguimentos da industria da construção civil em todo o mercado mundial, visam
produzir os benefícios resultantes da responsabilidade sócio-ambiental aplicada ao
desenho sustentável no projeto de edificações produtivas – incremento de
produtividade no trabalho, crescimento da satisfação no exercício profissional e
redução do absenteísmo, e por consequência, esse nível de consciência também se
extende para as construções residenciais com o programa do LEED for Homes
(LEED-H), cujo exame das condições de sustentabilidade aplicadas aos projetos,
construções,
operação
&
manutenção
das
edificações,
pode
contribuir
significativamente com impactos positivos aos negócios de empresas e organizações,
evidenciando as experiências em “green building” que cresceram apreciavelmente
em 2004, conforme demonstrativos das Tabelas 9 e 10 a seguir.
Tabela 9 – Crescimento da Certificação LEED
Fonte : U.S. GREEN BUILDING COUNCIL (Outubro/2004)
Ano
Número de Projetos
1999
1.100
2000
8.400
2001
16.800
2002
80.000
2003
141.000
2004
194.000
160
Tabela 10 – Comparativo de Membros do USGBC
Fonte : U.S. GREEN BUILDING COUNCIL (Outubro/2004)
Descrição
Ano de 2003
Ano de 2004
Empresas Profissionais
2256
3385
Construtores Contratantes
410
675
Fabricantes de Produtos
244
392
Organizações s/ fins lucrativos
134
204
Universidades, Institutos de Pesquisa
96
167
Proprietários e Locadores
35
88
Agências Federais
25
21
Concessionárias
19
31
Corporações e Varejistas
22
27
Instituições Financeiras e de Seguros
3
6
Total
3.376
5.147
Os programas de certificação LEED dos EUA não são os únicos e nem os primeiros
participantes no cenário mundial do movimento “green building”, pois a Europa vem
pensando “verde” há muito tempo, desde que, nos anos 80 o governo do Reino
Unido estabeleceu o BRE-Building Research Establishment visando promover a
pesquisa relacionada aos edifícios que introduziu em 1990 o BREEAM-Building
Research Enviroment Assesment Method, a primeira ferramenta de avaliação
ambiental a ser utilizada internacionalmente que foi desenhada para análise de
desempenho ambiental tanto de novas construções quanto de prédios existentes e que
serve de base para programas equivalentes utilizados na Nova Zelândia, Austrália e
Canadá. Outros países europeus, incluindo França, Alemanha, Suíça e Finlândia
também desenvolveram esforços em projetos para se definir metodologias visando
promover a sustentabilidade e aplicar análises do ciclo de vida em edifícios,
resultando em ferramentas de avaliação como o software Eco-Quantum de
Amsterdam, o Projeto Regener, a metodologia Eco-invent 2000 da Suíça, o programa
Blue Angel da Alemanha e o programa Nordic Swan dos países europeus do Norte.53
161
As emergentes organizações não-governamentais, WGBC-World Green Building
Council e iiSBE-International Initiative for a Sustainable Built Enviroment,
envolvendo cerca de 20 países incluindo Austrália, Canadá, Índia, Japão, Korea,
Espanha e os EUA, encontram-se com ações no sentido de desenvolver um sistema
de avaliação de desempenho ambiental intencionando produzir um padrão
globalizado para facilitar a troca de informações entre países, bem como,
desenvolver guias de práticas para a criação de Green Building Councils (Conselhos
de Prédios Verdes) em outros países.
Os maiores bancos que compõem o cenário globalizado de financiamento aos
projetos de infra-estrutura passaram a adotar voluntariamente alguns critérios
mínimos de responsabilidade social e ambiental que devem ser atendidos para a
concessão de crédito. O conjunto de regras chamado de “Equator Principles”
(“Princípios do Equador”) foi desenvolvido pela IFC-International Finance
Corporation, um braço financeiro do Banco Mundial, cujos critérios abordam o
impacto ambiental do projeto sobre a flora e fauna, a exigência de compensações em
dinheiro para populações afetadas, a proteção à comunidades indígenas e proibição
de financiamento quando há uso de mão-de-obra infantil ou escrava, além de,
classificar os empréstimos em três categorias com relação ao risco ambiental e social
– “A” para a condição de alto risco, “B” para o risco médio e “C” quando há baixo
risco. A base desta classificação utiliza-se de regras chamadas de “salvaguardas” que
foram desenvolvidas pela IFC e devem ser aplicadas pelos bancos nos empréstimos
acima de US$ 50 milhões.12
Assim, considerando que ao adotar os “Principios do Equador” os bancos comecem a
aplicar sistematicamente os critérios de responsabilidade sócio-ambiental aos
projetos de negócios financeiros corporativos, inevitavelmente, deverão também
fazer o mesmo em outros aspectos de seus negócios no varejo e em suas próprias
operações internas, cujo cenário aponta para o alcance de melhores resultados nos
projetos, com reduções de custos enquanto sobretudo permitem promover a
sustentabilidade.
162
Neste sentido, os programas de certificação LEED ou seus equivalentes disponíveis,
podem contribuir efetivamente com as Instituições Financeiras de Classe Mundial
inclusive na preparação para a Gestão Completa de Infra-estrutura e Instalações nos
Ambientes de Missão Crítica em Tecnologia da Informação, constituindo uma base
de apoio ao Desenvolvimento Sustentável, o qual não pode ser visto apenas como
uma coisa boa de se fazer mas como um componente essencial do gerenciamento de
riscos e melhoria dos controles internos que visam alavancar os negócios da
Organização
5.6
Operação e Manutenção do CPD
As construções de ambientes críticos evoluíram, como vimos, para atender clientes
que necessitam de altíssima disponibilidade, confiabilidade 24 horas ao longo de
todo o ciclo de vida do negócio. Assim, torna-se imprescindível, pois, a utilização de
Metodologia nas áreas de Operação e Manutenção para garantir que o cliente possa
se concentrar no seus negócios. Os Medidores que possam demonstrar esta qualidade
devem ser implantados e gerenciados constantemente.
Neste tópico encontram-se os aspectos gerais e particulares a serem observados
durante a operação e manutenção do CPD, entendendo-se como fundamental que a
equipe responsável pela Operação e Manutenção esteja integrada desde a construção
ou etapa inicial de melhorias do CPD, o mais cedo possível, tal como para a empresa
responsável pela certificação. A Engenharia de Operações trata-se de área específica
responsável por operar, manter, diagnosticar e avaliar as instalações e infra-estrutura
do CPD, conforme demonstrado na Figura 26 a seguir.
163
Figura 27 – Diagrama Típico da Engenharia de Operações
Fonte : SISTENGE
ESTRATÉGIA DE OPERAÇÃO E
MANUTENÇÃO
FÍSICA
METODOLOGIA
DESIGN/PLANTA
ATUAÇÃO
•
•
•
•
•
•
•
Concepção de projeto
Redundâncias
Nível dos Equipamentos
Nível de Proteções
Qualidade da Obra
•
Capacidades instaladas
•
•
•
•
•
•
•
Engenharia integrada
Ação diferencial determinante e
pró ativa da equipe;
Métodos, normas e
procedimentos;
Experiência e versatilidade;
Treinamento;
Suporte sistêmico
Atuação contingencial
Análise de Risco
Gerência de Mudança
MANUTENÇÃO
OPERAÇÃO
Engenharia de
operação /
Manutenção
•
Inspeções
•
Levantamentos
•
Medições
•
Avaliações
•
Manobras
•
Desenvolvimento
técnico
Estudos
soluções
•
Relatórios
e
•
•
•
•
•
Planejamentos
Gestões
Avaliações
Controles
Suporte-técnico
•
•
•
•
•
•
•
•
•
Preditivas
Preventivas
Corretivas
Acompanhamento
e desenvolvimento
Suporte aos
fabricantes de
equipamentos
Estoque de
sobressalentes
Relatórios
Treinamentos
Programações
164
Assim, podemos descrever a Engenharia de Operações, conforme segue:54
♦ Operação: as atuações sobre os acionamentos do sistema de infra-estrutura de
instalações (facilities) e seus equipamentos são parte da operação propriamente
dita, devendo esta envolver toda a responsabilidade técnica de funcionamento
deste sistema. Isto implica em amplo domínio de atuação sobre o projeto, obra e
equipamentos, contando com a metodologia, técnica de engenharia e
treinamentos por parte da área responsável. É responsabilidade da área de
operações de facilities utilizar e preservar toda a documentação das instalações de
infra-estrutura, como: diagramas, projetos e manuais de equipamentos. Trata-se
de um trabalho de engenharia de operação, onde a técnica deverá sempre pautar
todo o desenvolvimento técnico e acompanhamento das instalações, estudando e
dando seguimento assistido aos recursos destas e antevendo soluções
contingenciais, para preservação do nível de segurança operacional do CPD.
♦ Assistência de Engenharia Permanente: é efetuada pela equipe residente de
engenharia de operação e deverá ser complementada quando necessário pelo
departamento de engenharia da empresa encarregada pela Operação e
Manutenção. O objetivo dessas atribuições é o de orientar soluções técnicas a fim
de manter a continuidade operacional, promovendo melhorias racionais e de
segurança física, condizentes com as instalações do projeto.
♦ Gerenciamento Técnico de Engenharia: os serviços técnicos de manutenção a
serem realizados por terceiros (fabricantes), deverão ter a sua gestão através da
equipe de manutenção. Caberão nessas atividades as avaliações técnicas para
solicitação e recebimento dos serviços que se fizerem necessários.
♦ Manutenção: compreende a execução de procedimentos e cuidados para com as
instalações e equipamentos conforme orientação dos fabricantes, aumentando a
confiabilidade e vida útil. Preventiva: executada para manter os equipamentos em
condições de operação através de inspeção cujo objetivo é detectar e prevenir
possíveis falhas. Os sistemas recomendados neste caderno básico permitem que
manutenções preventivas sejam realizadas sem afetar a disponibilidade do CPD;
Corretiva: executada para recuperar um equipamento para condição de operação
satisfatória, depois que o equipamento apresentou degradação ou parada em seu
165
funcionamento; Preditiva: executada em função dos dados de avaliação técnica
de campo e inspeção e sendo detectadas de possíveis riscos antecipamos o
programa de substituição de peças ou equipamentos. Contratos de Manutenção : é
fundamental que a manutenção preferencialmente, seja prestada pelos
fornecedores dos equipamentos. Recomendamos que nos contratos de
manutenção sejam consideradas cláusulas específicas de penalidades baseados
em ACORDOS DE NÍVEL DE SERVIÇO ou SLA (Service Level Agreement),
com os itens abaixo: Nos contratos a serem celebrados com estas empresas, bem
como com a empresa responsável pela Operação e Manutenção, é fundamental
considerar os medidores de qualidade de: MTBF – Tempo médio entre falhas do
sistema e MTTR – Tempo médio necessário para recuperar o sistema, desde a
constatação do problema até o teste final. Para cada contrato devem ser
estipuladas penalidades sempre que os medidores forem alcançados. São 3 (três)
os elementos a serem negociados com as empresas fornecedoras: “Expertise” do
corpo técnico; Tempo de atendimento à chamada; Disponibilidade de peças de
exposição.
A operação de um site de missão crítica deve ser consistente e necessariamente
apoiada em metodologia, que comprovadamente garanta as condições normais e
críticas. É fundamental que um sistema de gestão e inteligência predial seja instalado
e competentemente utilizado pela equipe responsável pela operação. A metodologia
deve garantir que toda a documentação de engenharia, toda a documentação de
equipamentos, todos os procedimentos críticos estejam sempre disponíveis, tais
como : Manuais de operação/ manutenção de todos os sistemas como UPS,
geradores, painéis de controle, detectores de fumaça, extintores de incêndio, etc;
Conjunto completo de desenhos e diagramas; Diagrama unifilares de toda a
distribuição de energia; Diagrama de blocos do sistema de climatização; Cópia de
todos relatórios de testes dos fabricantes dos equipamentos; Cópia dos testes de
aceite do CPD; Registro das leituras de operação; Procedimentos de operação de
todos os equipamentos, subsistemas e sistemas; Procedimento para gerência de
mudanças; Procedimentos para controle das manutenções.
166
A metodologia deve ainda abranger os tópicos que segue:54
♦ Plano de Teste de Sistema Crítico: um plano de teste detalhado e documentado
deverá ser desenvolvido para cada sistema, que apóia estas operações críticas. O
plano simulará situações reais de perda e deverá ser testado com freqüência
específica, com cargas mais altas e mais baixas.
♦ Operadores e Treinamento: treinamentos documentados e planos de recertificação devem estar sempre em regime para garantir, que o pessoal da
operação tem conhecimento e experiência para operar o sistema e responder
prontamente a seus alarmes.
♦ Procedimentos de Ação em caso de Emergência: procedimentos documentados
para ações em caso de emergência devem estar definidos e implantados. Estes
procedimentos definem ações, papéis e responsabilidades para responder a uma
emergência. Os procedimentos devem incluir mecanismos de notificação de
alarme, procedimentos de resposta, números a serem acionados em caso de
emergência, procedimentos de escalonamento e procedimentos de desligamento
de cargas. Deve estar prevista no projeto o acionamento automático de
operadores e este implantado no Sistema de Automação Predial.
♦ Capacidade Critica da Infra-estrutura: o pessoal operacional deverá medir e
documentar periodicamente as cargas dos equipamentos e comparar estas
medidas com os padrões estabelecidos no projeto. É importante que a equipe de
operação possa ser engajada ao projeto em suas fases iniciais.
♦ Plano de Manutenção Preventiva: um plano documentado deve ser implantado
para todos os equipamentos críticos instalados. O plano deve incluir todos os asbuilt e especificações, desenhos detalhados dos equipamentos, descrição dos
projetos e manuais de operação e manutenção (O&M).
♦ Procedimentos para Sala dos computadores: procedimentos documentados
devem ser desenvolvidos para estabelecer e manter os parâmetros de energia e
refrigeração para cada sala específica de equipamentos que suportam a
Tecnologia da Informação.
167
♦ Atividades de Contratadas/Vendedor: treinamento e procedimentos devem ser
aplicados e desenvolvidos para garantir que as empresas contratadas e fabricantes
estejam aptas a garantir os níveis exigidos de segurança e operação. Os
operadores devem estar
treinados para garantir
e acompanhar
estes
procedimentos.
♦ Manuais de Operação e de Manutenção: um jogo completo de manuais de
operação e manutenção deve ser preparado e estar na sala de operação e controle.
Todos os sistemas, subsistemas, equipamentos e componentes devem estar
documentados.
♦ Inspeções do Site: deve ser preparado um detalhado programa de inspeção das
instalações para revisão e aprovação. Todo o pessoal de operação e manutenção
executará uma inspeção total a cada troca de turno e elaborará um relatório
completo de pontos a serem revisados.
♦ Fabricante de Equipamento Original (OEM): a manutenção e o serviço de
todo equipamento ou sistema crítico deve ser executado, preferencialmente, pelo
fabricante ou um autorizado do mesmo (não um terceiro). O suporte da
engenharia do fabricante e seus engenheiros de campo devem ser contratados
para os serviços programados ou emergenciais. Os as-built, toda documentação e
desenhos necessários à manutenção dos sistemas e equipamentos deve ser
mantido pelo fabricante e atualizados sempre que houver mudanças.
♦ Gerenciamento de chamadas: deve haver documentação e acompanhamento e
registro das chamadas técnicas recebidas e feitas entre o cliente e terceiros
provedores de serviço.
♦ Relatórios de Serviço de campo: relatórios detalhados com conclusão de todos
os serviços de manutenção preventivos e emergenciais realizados.
♦ Operação 24x365: a operação deve monitorar cada sistema/componente crítico.
Este monitoramento deve supervisionar alarmes em tempo real. Eventos não
atendidos no tempo planejado devem ser reportados a um Centro de Operações
para gerenciamento do problema e para os responsáveis da cadeia de
escalonamento.
168
Capítulo 6 – GOVERNANÇA EM FACILIDADES PREDIAIS
Neste capítulo, como último ponto do presente trabalho trataremos os detalhamentos
da proposta de um Modelo de Governança em Facilidades Prediais para Centros de
Tecnologia da Informação de Instituições Financeiras, incluindo um plano básico de
reestruturação para o Gerenciamento de Facilidades com uma visão estratégica e um
conjunto de ações práticas visando estabelecer a Governança em Facilities.
Qual o cenário das empresas que experimentam um enorme crescimento de suas
operações, fundamentadas em Tecnologia da Informação, e, neste contexto, também
agravado por novas exigências de agências reguladoras do mercado, precisam de
novos prédios e melhorias significativas nas demais instalações físicas de Missão
Crítica, bem como no demonstrativo de controles internos do processo de Gestão de
Infraestrutura e Instalações Prediais ? O pesadelo acontece como no adágio popular
do ramo da construção - “Qualidade, Rapidez e Custos Moderados são essenciais,
mas não se pode ter todos os três, portanto, escolha os dois mais importantes” – o
grande desafio é o de se equacionar os resultados que os recursos de MCF-Mission
Critical Facilities (Facilidades de Missão Crítica) devem entregar às áreas de “TI &
Business” (suportar os requisitos imediatos de TI ou promover um planejamento
estratégico de longo alcance e alinhado aos negócios da empresa?) e este é o
caminho mais curto para os desentendimentos de clientes e prejuízos de reputação da
Organização. Como resultado, o Gerenciamento de Facilidades deve amparar e
proteger este negócio, no qual as empresas com aplicações de Missão Crítica
encontram-se apoiadas por técnicas de Governança Corporativa que fizeram emergir
a necessidade de um modelo de “Governança em TI”, e assim, também se faz
necessário desenvolver um novo padrão de controles internos dos ativos físicos ora
denominado de “Governança em Facilities”, onde o ‘know-how’ de TI, Legislações,
Administração e “Expertises Multidisciplinares” do Gerenciamento de Facilidades,
devem ser sobrepostos aos princípios tradicionais do desenho e modelo de atuação da
engenharia e arquitetura.
169
Além
das
diretrizes
de
acionistas
assertivos,
competição
agressiva
e
legislações/normativas emergentes, há muitas outras questões que ocupam o tempo
do CEO-Chief Enterprise Officcer e que afetam toda a estrutura de Governança
Corporativa, de modo que, tanto as questões de TI quanto de MCF-Mission Critical
Facilities são alvos freqüentes de pouco entendimento e, consequentemente, de
menor prioridade, a despeito do crescente suporte destas áreas aos negócios da
empresa. Portanto, em alinhamento às práticas da “Governança em TI”, como seria
possível se estabelecer uma “Governança em Facilities” ? As empresas de sucesso
podem entender os requisitos de “TI & Facilities” e explorar os benefícios
associados à gestão de riscos operacionais, da seguinte forma :
$ Alinhando o Gerenciamento de Facilidades (GF) com as estratégias de TI e de
negócios da empresa;
$ Difundindo as estratégias e objetivos de GF por toda a organização;
$ Provendo estruturas adequadas para facilitar a implementação da estratégia e
objetivos de GF (“Facilities Management”);
$ Criando relacionamentos construtivos e comunicações efetivas entre os
“Negócios, TI & GF”, bem como junto aos clientes e parceiros externos;
$ Insistindo que um modelo para o controle interno do GF seja adotado e
implementado;
$ Mensurando e incrementando o desempenho do GF (“Facilities Management”);
Enquanto o desenvolvimento da “Governança Corporativa” tem sido essencialmente
dirigida em busca de transparência e proteção do valor das ações da empresa, a
complexidade e criticidade do
Gerenciamento de Facilidades (“Facilities
Management”), com ênfase ainda mais específica na Gestão de Facilidades de
Missão Crítica em ambientes de TI, tem criado um degrau de dependência que
chama por um foco na “Governança em Facilities” a ser estabelecida como um
imperativo dos negócios atuais. A “Governança em Facilities” não é uma tarefa
isolada e constitui-se parte integrante da “Governança em TI” e de todas as práticas
de “Governança Corporativa”, sendo necessário integrar estas três partes com o
170
reconhecimento do Gerenciamento de Facilidades (“Facilities Management”) como
também essencial e prioritário na empresa, ao invés de algo praticado em isolado e
secundário, considerando a sua atuação como demonstrado a seguir na Figura 27.
Não se pode prescindir que a atuação do Gerenciamento de Facilidades deve
acompanhar toda a evolução do ciclo de vida da edificação, considerando desde a
fase de concepção (escolha de local e projeto), bem como a construção, operação,
manutenção, modernização, aquisição ou disposição, atribuindo uma visão holística
de conhecimentos multidisciplinares que visa tornar o espaço construído plenamente
apropriado às pessoas, equipamentos e funções de atividade-fim no suporte aos
negócios da Organização.
Figura 28 – Descrição do Processo da Gestão de Facilities
Fonte : ARCHIBUS INC.
Volume de trabalho
Evolução do Ciclo de Vida das Edificações
0,5 a
2
anos
1a2
anos
20 a 50
anos
Projeto
Projeto
Construção
Construção
Gerenciamento
Gerenciamento
da Obra
da Obra
Manutenção
Manutenção
Manutenção
Manutenção
Predial
Predial
Mudanças
Mudanças
Corporativas
Corporativas
Controle de
Controle de
Ativos
Ativos
Controle
Controle
Espaços e
Espaços e
alterações de
alterações de
layout
layout
Retrofits
Retrofits
Aquisições ou
Aquisições ou
Disposição
Disposição
GERENCI
GERENCIAMENTO
AMENTO DE
DE FACI
FACILI
LIDADES
DADES
tempo
Certamente que, no exercício efetivo da “Governança em Facilities”, torna-se
essencial incluir nas posições de Diretoria Executiva (“Board”) um adequado perfil
profissional específico de GF, o qual permita elaborar as questões corretas e garantir
que as respostas sejam perfeitamente entendidas, as ações precisas sejam formuladas
171
e os resultados sejam monitorados. Este cenário pode ser alcançado através da
seguinte combinação de fatores :
" Criação do cargo de CFMO-Chief of Facilities Management Officer servindo o
“Board” (Alta Direção Executiva), ao lado dos CIO-Chief Information Officer
e do CFO-Chief Finance Officer, como providência apropriada às instituições
com elevada dependência de TI e, consequentemente, também de MCFMission Critical Faciliites (Facilidades de Missão Crítica);
" O membro do “board” (Alta Direção Executiva) cujo CFMO se reporta deve
possuir um perfil apropriado aos negócios relacionados com TI e MCFMission Critical Facilities;
" Eleição de um Diretor Departamental de Facilities (não executivo), com o
apropriado perfil profissional em Gerenciamento de Facilidades (“Facilities
Management”);
" Participação indispensável do Diretor Departamental de Facilities em reuniões
periódicas do Comitê Executivo de TI;
" Programa de educação formal aos membros do “board” (Alta Direção
Executiva) aos negócios relacionados com o MCF-Mission Critical Facilities
(Facilidades de Missão Crítica).
Não por mero acaso, ao se conceber um novo modelo de atuação da Gestão de
Facilities que se proponha a ser capaz de realizar a “Gestão Completa de Infraestrutura e Instalações” e oferecer um efetivo controle de informações dos ativos
físicos da empresa, o planejamento estratégico deve considerar um ambiente
visionário de atuação, cuja primeira onda de implantação deve centrar-se no
atendimento aos Departamentos de Informática (orgãos vitais da empresa), a
segunda onda, utilizando-se do aprendizado anterior, pode se estender aos demais
elementos do corpo da empresa e, por último mas não menos importante, a terceira
onda pode ser o grande alvo de atuação da Gestão de Facilities em Instituições
Financeiras de Classe Mundial, na qualidade de um novo segmento de “business” no
setor bancário, ou seja, a criação do Bank Facility como uma ferramenta de venda
do conhecimento adquirido na gestão dos próprios ativos físicos e um canal de
escoamento deste novo produto, além dos diversos outros produtos específicos
172
existentes no setor, tornando ainda mais efetiva a participação do Gerenciamento de
Facilidades como Alavanca de Negócios no Setor Bancário.
O presente trabalho, objeto também de seu próprio planejamento estratégico,
pretende ater-se somente à primeira onda do planejamento de Gestão de Facilities
para Instituição Financeira de Classe Mundial, visando atender ao requisito de
dissertação para a conclusão do curso de MBA/Gerenciamento de Facilidades da
Universidade de São Paulo. A segunda onda, com enfoque na modelagem de um
sistema detalhado de “Governança em Facilities”, pode ser alvo de um plano de
pesquisa para mestrado e a terceira onda, com enfoque num plano de negócios para
viabilizar a idéia de Bank Facility, pode ainda ser a base de um plano de pesquisa
para doutorado no Gerenciamento de Facilidades para Instituições Financeiras de
Classe Mundial, haja visto o tamanho do desafio, abrangência e complexidade do
contexto de atuação deste tipo de organização, cuja função transcende o universo
econômico, envolvendo também a esfera da responsabilidade sócio-ambiental,
significando ser capaz de atender à mais completa gama de necessidades e
públicos do mercado, ou seja, ser um banco completo, capaz de ajudar a vida de
seus clientes a ser também mais completa.
O conceito “completo” é muito simples em sua forma, e, exatamente pela força de
síntese que só as coisas simples e simbólicas possuem, ele é capaz de expressar de
forma abrangente toda a nossa proposta para a “Gestão Completa de Infra-estrutura e
Instalações” expressa na atuação da Gestão de Facilities, com base numa visão do
“Gerenciamento de Facilidades como Alavanca de Negócios no Setor Bancário”,
a ser concebido com base no lançamento de uma proposta de Modelo de
Governança em Facilidades Prediais para Centros de Tecnologia da Informação
em Instituições Financeiras.
Portanto, a proposta de um Modelo de Governança em Facilities encontra-se
centrada na visão de que o controle efetivo das informações sobre os ativos físicos
de uma empresa, constitui-se fator crítico de sucesso no desenvolvimento de
ações para o efetivo Gerenciamento de Facilidades, com o propósito de atender
173
as exigências do cenário atual no setor bancário, pois os requisitos neste
mercado, apontam para a necessidade de uma estrutura autônoma com atuação
no âmbito estratégico de negócios, contando com soluções integradas na
automatização das ferramentas de apoio à gestão especializada e que possam
gerar segurança através da Gestão Completa de Infra-estrutura e Instalações
das Organizações, ou seja, através de um modelo de Governança em Facilidades
Prediais para Centros de Tecnologia da Informação em Instituições Financeiras
de Classe Mundial.
Assim, o Gerenciamento de Facilidades Prediais do setor bancário tem a necessidade
de uma estrutura autônoma com atuação no âmbito estratégico de negócios,
contando com soluções integradas na automatização das ferramentas de apoio à
gestão especializada, cujos recursos podem ser alvo de uma defesa sólida na
abordagem de no mínimo 10 (dez) razões que podem justificar o argumento,
conforme segue :55
1) Reduzir o Custo Total de Propriedade – o imperativo de contenção das
despesas com infra-estrutura e instalações existentes pode ser alcançado ao se
prolongar a vida útil dos ativos com uma melhor manutenção preventiva,
maximizando-se os investimentos com um acompanhamento confiável da
posse, utilização, condição física, localização, desempenho e várias outras
informações gerenciáveis sobre pessoas, processos e propriedades;
2) Minimizar os Investimentos Desnecessários – com um inventário preciso
pode-se evitar a compra ou locação desnecessárias de novos espaços,
equipamentos ou outros ativos físicos, permitindo-se economizar recursos
realocando ativos ao invés de adquirir novos;
3) Controlar e Gerir os Ativos de modo eficaz – não se pode gerenciar o que
não se controla; torna-se necessário ter acesso imediato aos detalhes da
utilização dos espaços, ativos, propriedades, estatísticas dos equipamentos,
inventários de bens, inspeções de condições físicas, relatórios gerenciais,
planos de manutenções, e outras informações em tempo real que permitam
alocar recursos de acordo com as necessidades da organização;
174
4) Aumentar a Eficiência Operacional – economia de tempo ao agregar valor
ao trabalho de todos aproveitando a informação existente ao invés de
reconstruí-la; a implantação de um repositório centralizado com toda a
informação da infra-estrutura e instalações evita redundâncias, melhora a
consistência e proporciona a exatidão dos dados sobre os ativos físicos;
5) Facilitar a Tomada de Decisões Estratégicas - o fato de dispor de toda a
informação de infra-estrutura e instalações em um único local, facilita a
avaliação do portifólio de ativos assim como a previsão de necessidades
futuras;
6) Compartilhar facilmente a informação através de toda a organização –
acesso facilitado aos dados de diversas aplicações, sistemas e locais,
compartilhando
de
forma
transparente
a
informação
com
outros
departamentos da organização, incluindo-se os sites remotos;
7) Aumentar a produtividade do pessoal – a eliminação virtual da tarefa
improdutiva de se manter várias bases de dados pode reduzir o esforço
empregado na realização das tarefas cotidianas, ainda que necessárias,
reduzindo também a energia e os recursos de pessoal;
8) Produzir rapidamente relatórios gerenciais confiáveis – as solicitações de
informações podem ser satisfeitas em questão de segundos, tanto internas
quanto externas, em formato padrão de apresentação com excelência na
composição automatizada de dados; a ligação dos desenhos com uma base de
dados pode oferecer facilmente a informação sobre espaços, ativos e pessoal,
em cumprimento de legislações específicas que assim requerem a
disponibilidade destas em inspeções regulares;
9) Visualizar a imagem gráfica dos ativos – a atualização simultânea e
bidirecional entre desenhos e bases de dados acelera o fluxo da informação de
forma gráfica e precisa através da corporação;
10) Melhorar a visibilidade na organização – um verdadeiro processo
coordenado de Gerenciamento de Facilidades Prediais somente pode ser
alcançado ao se compartilhar de forma automatizada toda a informação
inerente à gestão da infra-estrutura e instalações da organização, junto aos
175
demais departamentos incluindo Finanças, Tecnologia da Informação,
Recursos Humanos, Patrimônio e outros gestores envolvidos;
A área responsável por sistemas de Facilidades Prediais de Missão Crítica em
Instituições Financeiras de Classe Mundial, encontra neste cenário um conjunto de
condições favoráveis ao lançamento de um Plano Básico de Reestruturação,
visando a atualização do modelo existente e alinhamento às mais recentes boas
práticas do mercado, desta forma, sendo capaz de estabelecer um contexto facilitador
ao crescimento e desenvolvimento pleno do potencial que tem, como elemento
fundamental e crucial no suporte das funções estratégicas de Tecnologia da
Informação (TI), responsável por alavancar a vantagem competitiva e negócios da
Organização.
A efetivação de um Plano Básico de Reestruturação que permita estabelecer o
posicionamento pró-ativo da Gestão de Facilities e a negociação de seu
planejamento estratégico, inicialmente junto às áreas de Tecnologia da Informação
(TI) visando contribuir para a garantia de segurança operacional através da
“Governança em Facilities” e, posteriormente, na efetividade do suporte aos
demais elos de “Governança em TI” e “Governança Corporativa”, de tal maneira
que seja preconizada a implantação de um Modelo de Governança em Facilidades
Prediais para Centros de Tecnologia da Informação em Instituições Financeiras
de Classe Mundial, pode ser concebido conforme as considerações dos tópicos que
seguem.
6.1
Proposta de Modelo Básico de Governança em Facilities
A proposta de um Modelo Básico de Governança em Facilities que parte da visão de
uma estrutura organizacional autônoma com elevado nível de automatização e
176
especialização em processos, pode ser melhor definida a partir do entendimento da
Figura 28 a seguir.
Figura 29 – Idéia Básica de Governança em Facilities
Fonte : AUTOR
Assim concebida a idéia da Governança em Facilities, temos ao centro a estrutura
organizacional do TI-GFAC, ou seja, a área de Gerenciamento de Facilidades de
Missão Crítica para TI com todos os seus recursos físicos e humanos. O primeiro elo
indicado na cor vermelha representa os controles porporcionados pelo conjunto de
ferramentas
de
apoio
automatizado,
sistemas
de
informações
gerenciais,
metodologias, boas práticas, normas e regulamentos, políticas de segurança e todas
as ações que possibilitem efetivamente controlar e dirigir os resultados esperados dos
ativos físicos na Gestão Completa de Infra-estrutura e Instalações de Facilidades de
177
Missão Crítica para TI, essencialmente sob os controles de um sistema que ora
denominamos de CAFG-Computer Aided Facilities Governance (ex: produto
ApertureVista400 das empresas Aperture Technologies, Inc./SPARKEL Soluções em
Tecnologia). O segundo elo indicado na cor amarela representa os controles
proporcionados pelo conjunto de ferramentas de apoio automatizado, sistemas de
informações gerenciais, metodologias, boas práticas, normas e regulamentos,
políticas de segurança e todas as ações que possibilitem efetivamente controlar e
dirigir
os resultados esperados dos recursos terceirizados aplicados por
Gerenciadores de Facilidades (GF’s) constituídos por empresas especializadas em
MCFM-Mission Critical Facilities Management (Gerenciamento de Facilidades de
Missão Crítica), essencialmente integrados aos sistemas do cliente e que possibilitam
estabelecer a Governança em Facilities, sob os controles de um sistema que ora
denominamos de CAFS-Computer Aided Facilities Suppliers (ex: produto Foconet
da empresa FOCO Gerenciamento de Serviços). O terceiro elo indicado na cor verde
representa os controles proporcionados pelo conjunto de ferramentas de apoio
automatizado, sistemas de informações gerenciais, metodologias, boas práticas,
normas e regulamentos, políticas de segurança e todas as ações que permitam
efetivamente controlar e dirigir os resultados esperados dos ativos de TI & Telecom
na Gestão dos Serviços de TI, essencialmente sob os controles de sistemas que visam
estabelecer a Governança em TI como o denominado de ITSM-Information
Technology Service Management (ex: produto Remedy IT Service Management para
Gestão de Serviços em TI das empresas BMCRemedy/CSC Brasil) . O quarto elo
indicado na cor azul escuro representa os controles proporcionados pelo conjunto de
ferramentas
de
apoio
automatizado,
sistemas
de
informações
gerenciais,
metodologias, boas práticas, normas e regulamentos, políticas de segurança e todas
as ações que possibilitem efetivamente controlar e dirigir os resultados esperados de
todos os demais ativos físicos da Organização na visão da Gestão Completa de Infraestrutura e Instalações, essencialmente sob os controles de um sistema denominado
de CAFM-Computer Aided Facilities Management (ex: produto Archibus/FMEnterprise das empresas ARCHIBUS, Inc./Grapho Design Software). O último elo
na cor azul claro representa os controles proporcionados pelo conjunto de
ferramentas
de
apoio
automatizado,
sistemas
de
informações
gerenciais,
178
metodologias, boas práticas, normas e regulamentos, políticas de segurança e todas
as ações que possibilitem efetivamente controlar e dirigir os resultados esperados de
todos os ativos físicos de clientes da Instituição Financeira de Classe Mundial, na
visão de criação de um novo segmento de negócios que ora denominamos de
“Business Facility” (BF’s) ou ainda como “Bank Facility”, essencialmente sob os
controles
do
conjunto
de
sistemas
citados
para
os
elos
anteriores
(CAFG/CAFS/ITSM/CAFM). Assim concebido, temos um modelo completo de
Governança em Facilities tanto da própria Organização quanto para os seus clientes
em potencial neste âmbito de negócios.
6.2
Ferramentas de Apoio Automatizado (CAFG/CAFM)
Como já vimos, o controle efetivo das informações sobre os ativos físicos de uma
empresa constitui-se fator crítico de sucesso no desenvolvimento do Gerenciamento
de Facilidades, com o propósito de atender as exigências do cenário atual no setor
bancário, portanto, deve contar com uma estrutura organizacional autônoma de
atuação no âmbito estratégico de negócios e com soluções integradas na
automatização das ferramentas de apoio à gestão especializada. O contexto de
“Governança Corporativa” dos negócios em Instituições Financeiras de Classe
Mundial encontra-se apoiado em Tecnologia da Informação e ao enfrentar o desafio
de se estabelecer a “Governança em TI” nasce o novo paradigma de se implantar um
modelo para a “Governança em Facilities” da Organização.
Assim, se faz oportuno conceber a Gestão de Facilities para TI (TI-GFAC) que se
proponha a ser capaz de realizar a “Gestão Completa de Infra-estrutura e
Instalações”, oferecendo um efetivo controle de informações dos ativos físicos da
empresa e contando com gestores especializados (GF’s), cujo planejamento
estratégico pode considerar três ondas de implantação – Departamentos de
179
Informática (Tecnologia da Informaçào-Data Centers), Unidades de Negócios &
Demais Gestores (Agências, Auto-atendimento, Departamentos, ATM’s, PACB’s,
PAB’s e Empresas Ligadas) e o Mercado de Business Facilities (BF’s), além de
objetivar o atendimento da mais completa gama de necessidades internas e de
públicos deste segmento do mercado, contando com uma estrutura física de apoio
que deve incluir uma central de monitoração de todos os ativos físicos da
Organização, também denominado de FCC-Facilities Comand Center, o qual
constitui-se um recurso essencial ao Modelo de Governança em Facilities ora
idealizado, conforme o ilustrativo que consta da Figura 30 a seguir.
Figura 30 – Exemplo de Facilities Comand Center
Fonte : ELLERBE BECKET
A idéia do Gerenciamento de Facilidades ou “Facilities Management” como
atividade multidisciplinar em benefício das edificações produtivas em ambientes de
Missão Crítica para TI, a partir de um novo modelo de estrutura organizacional que
considere o contexto regulatório e normativo do setor bancário nacional e as
exigências do cenário para as Instituições Financeiras de Classe Mundial, não pode
prescindir da Tecnologia da Informação nem mesmo para o próprio funcionamento,
cujos controles automatizados do processo na “Gestão Completa de Infra-estrutura e
Instalações” deve ser moldado com a utilização de ferramentas de apoio
denominadas de CAFM-Computer Aided Facilities Management ou ainda com o
enfoque de CAFG-Computer Aided Facilities Governance, nomenclatura que ora se
180
cria para denominar as ferramentas de controles específicos na Gestão de Facilities
de Missão Crítica para TI, as quais se integram às demais ferramentas de apoio ao
Gerenciamento de Facilidades Prediais da Organização.
O volume de informações necessárias para o correto desempenho do Gerenciamento
de Facilidades é considerável, logo, gerenciar esta complexidade e a maneira como
os dados são estruturados, coletados, ordenados, apresentados e atualizados,
determina a utilidade e conveniência para sua utilização como suporte ao processo
decisório. A própria informação também é um ativo da organização e como tal deve
ser gerenciada, observando-se para ela os mesmos conceitos de qualidade, valores e
riscos. A utilização de ferramenta de apoio automatizado na Gestão de Facilities
como o CAFM, se bem empregada, tem o potencial de criar novas maneiras de
desempenhar as atividades, agregando valor ao processo produtivo no suporte de
funções gerenciais. A execução automatizada destas funções pode ser alcançada
através do gerenciamento de informações relativas a quatro categorias: 55
♦ Recursos Físicos : locais, infra-estruturas, edifícios e seus ativos;
♦ Serviços de Suporte : administração, manutenção de propriedades, segurança,
saúde, alimentação, limpeza, controle de frotas e de contratos;
♦ Recursos Humanos : gerenciamento de pessoal, contratos, recrutamento e
treinamento;
♦ Informações de Negócios : processos, custos, contratos e políticas.
O Gerenciamento de Facilidades em Ambientes de Missão Crítica para TI, no
contexto de elevadas exigências regulatórias para o efetivo demonstrativo de
controles internos (ITIL, COBIT, COSO, ISO, SOX, BASILÉIA II, ABNT e outros),
requer ainda maiores controles automatizados cuja ferramenta de apoio ora
denominada de CAFG deve proporcionar o atendimento de aspectos específicos
como os relacionacionados a seguir :56
" Suportar os padrões e definições do ITIL para o gerenciamento de serviços e
processos de estruturação da área de operações do Data Center, oferecendo uma
solução integrada para gerenciar e automatizar os processos de Gerência de
Configuração e Mudanças relacionados à infra-estrutura física do CPD;
181
" Localizar qualquer equipamento do CPD por número de inventário, número de
série, endereço IP ou qualquer outro critério e atributo, visando a redução do
MTTR-Mean Time to Repair mediante a visualização em planta ou em rack’s;
" Indicar os equipamentos e aplicações críticas de TI afetadas por eventuais falhas
ocorridas em disjuntores e PDU-Power Distribution Unit;
" Gerar relatórios que simplifiquem o gerenciamento da uilização e da capacidade
dos recursos de infra-estrutura física do CPD;
" Priorizar e gerenciar a disponibilidade e continuidade dos serviços no CPD, bem
como o esforço de recuperação em caso de alguma interrupção através de telas
gráficas que identifiquem e classifiquem os níveis de criticidade dos
equipamentos de TI na distribuição de lay-out do Data Center;
" Emitir alertas e condições de limites permitindo gerenciar os SLA-Service Level
Agreement através do monitoramento dos principais indicadores de desempenho
da infra-estrutura física do CPD;
" Controlar o acesso de técnicos em processos de serviços no CPD, mediante a
liberação somente dos executantes com ordens de serviços aprovadas;
" Gerenciar os contratos de manutenção dos equipamentos e instalações do CPD,
mediante o registro do histórico de intervenções, a visualização dos ativos físicos
sem contrato em telas gráficas coloridas para a representação do lay-out e a
emissão de relatórios por dados do contrato;
" Armazenar o histórico de todos os pedidos e detalhes para análises de mudanças
e registro de desempenho para os SLA’s;
" Gerenciar as conectividades de redes de comunicação de dados do CPD,
mediante a documentação e emissão de relatórios de configurações;
" Permitir a integração com outras ferramentas de Gerenciamento em Ambientes
de TI (Gerência de Redes, Gerência de Mudanças e Configurações, CAFM,
CMMS, GED, BMS e outros).
182
6.3
Plano de Reestruturação da Infra-estrutura
A proposta de um Modelo de Governança em Facilidades Prediais para Centros de
Tecnologia da Informação de Instituições Financeiras de Classe Mundial, além de
contar com as ferramentas de apoio automatizado (CAFG/CAFM) tambem inclui a
visão de uma estrutura organizacional autônoma como já vimos nos tópicos
anteriores, portanto, em uma análise prática de planejamento do Gerenciamento de
Facilidades para MIssão Crítica podemos nos deparar com a necessidade de
elaboração de um plano de Reestruturação da Infra-estrutura existente, cujos
requisitos mínimos apresentamos no plano referencial exposto a seguir.
6.3.1 Objetivos
Desenvolver em linhas gerais as diretrizes para atualização da estrutura técnica e
administrativa da área de Infra-estrutura Básica e Instalações para TI, visando
estabelecer um alinhamento às mais recentes boas práticas do mercado e posicionar
este seguimento de modo que todos possam entender claramente aquela que é a sua
missão maior em Instituição Financeira de Classe Mundial, ser capaz de garantir a
máxima segurança operacional dos ativos físicos nos espaços construídos destinados
para abrigar e suportar os equipamentos e funções críticas dos Departamentos de
Informática.
Estabelecer um novo posicionamento moderno, humano e multifuncional nos
cuidados para o atendimento completo das necessidades expressas na crescente
demanda por elevação dos níveis de conforto das pessoas e de máxima
confiabilidade no ambiente físico de trabalho para TI.
183
Refletir todos os fatores críticos de sucesso para a “Gestão Completa de Infraestrutura e Instalações”, em busca de inovações, produtos e serviços que possibilitem
o constante trabalho de crescimento e desenvolvimento pleno do potencial que tem,
como área de Missão Crítica para o suporte das funções estratégicas de Tecnologia
da Informação (TI), responsável por alavancar a vantagem competitiva e negócios da
Organização.
O objetivo maior deste Plano Básico de Reestruturação da Área de Infra-estrutura e
Instalações para TI é o de contribuir efetivamente para a Instituição Financeira de
Classe Mundial estar entre as primeiras do mercado, portanto, significa ter a mais
completa gama de sistemas em infra-estrutura básica de instalações físicas de Missão
Crítica para TI, bem como maior eficácia no controle de informações de seus ativos
de facilidades prediais.
6.3.2 Sumário Executivo
O conjunto básico de diretrizes para a reestruturação técnica e administrativa da Área
de Infra-estrutura Básica e Instalações para Tecnologia da Informação (TI),
compõe-se de 05 (cinco) ações preliminares, a serem detalhadas e complementadas
oportunamente, ora propostas conforme descrito a seguir :
❐ Estabelecer um novo nome para a área, a ser denominada de TI-Gestão de
Facilities, ou simplesmente de TI-GFAC;
❐ Oferecer uma nova descrição de “Missão e Foco” e “Visão de Futuro” da
Área de Infra-estrutura ora denominada conforme o tópico anterior;
184
❐ Apresentar um “Redesenho do Organograma da Área de Infra-estrutura,
contendo a distribuição de responsabilidades em níveis estratégico, tático e
operacional, de forma clara e transparente para a nova realidade do
TI-GFAC;
❐ Definir um “Conjunto de Premissas Básicas do TI-GFAC que permita uma
atuação coerente com o nível crescente de exigências estabelecido por
agências reguladoras, legislações específicas, auditorias internas/externas,
acordos de mercado, entidades de classes, políticas e códigos de ética, em
âmbitos nacionais e internacionais;
❐ Propor um “Plano de Cargos e Funções” de acordo com o novo
organograma da área TI-GFAC, contendo o descritivo de todos os cargos,
perfil de profissionais e funções requeridas, visando contribuir e servir de
base para o desenvolvimento posterior de um “Plano de Carreira, Salários e
Treinamento” neste segmento;
6.3.3 Nova Denominação da Área
O “Gerenciamento de Facilities” é uma atividade relativamente recente, de nível
superior, envolvendo campos da engenharia, arquitetura, administração, direito, TI e
outros campos multidisciplinares do conhecimento, com o objetivo de otimizar de
forma abrangente tanto a utilização de recursos quanto a funcionalidade do edifício
e seus sistemas, de maneira a torná-los instrumentos de alavancagem das atividades
desenvolvidas em edificações produtivas, como bem nos ensina os professores Dr.
Moacyr Eduardo Alves da Graça e MSc.Paulo Eduardo Antonioli no Boletim
Técnico BT/PCC/358 do Departamento de Engenharia da Construção Civil da Escola
185
Politécnica de Engenharia da Universidade de São Paulo-USP (sugestão : anexar
cópia ao plano de reestruturação proposto).
Como conseqüência do avanço tecnológico, verificado sobretudo na última década
do século XX, o uso do espaço construído, principalmente em aplicações de Missão
Crítica para TI, alterou-se significativamente pela aplicação de tecnologia de
eletrônica embarcada, demanda crescente por elevação dos níveis de confiabilidade,
disponibilidade e flexibilidade da infra-estrutura básica de instalações físicas, bem
como, pelo efetivo controle das informações dos ativos físicos e dos cuidados de
necessidades específicas das pessoas e do ambiente de trabalho, num contexto de
responsabilidade sócio-ambiental e de gestão dos riscos operacionais.
Em alinhamento às iniciativas do mercado, divulgadas por mídias específicas
(revistas INFRA, CORPORATE, FACILITY e outras), além de associações,
institutos, entidades de classe e o meio acadêmico (ABRAFAC, IFMA, BIFM,
MBA/USP-GF, dentre outros), vimos através do presente documento sugerir a nova
denominação da Área de Infra-estrutura como sendo TI-Gestão de Facilities, ou
simplesmente TI-GFAC.
6.3.4 Descrição de “Missão” e “Visão”
O
conjunto
de
recursos
humanos
e
físicos,
a
serem
destinados
ao
TI-Gestão de Facilities ou TI-GFAC conforme Planejamento Estratégico a ser
desenvolvido oportunamente, têm por objetivo maior o de atender a “Missão e
Foco” e “Visão de Futuro” oferecidas em novas descrições, conforme segue :
186
Missão e Foco
“Prover o Gerenciamento de Facilities de Missão Crítica aos Departamentos de
Informática, visando contribuir na busca por um máximo funcionamento ininterrupto
dos equipamentos e funções estratégicas de Tecnologia da Informação (TI), através
do efetivo controle de ativos físicos da infra-estrutura básica de instalações prediais –
elétrica, climatização e segurança física”.
Visão de Futuro
“O TI-GFAC como referencial de excelência da comunidade dos Departamentos de
Informática (Processamento e Comunicação de Dados / Desenvolvimento de
sistemas / Serviços Centralizados / Tecnologia do Negócio / Pesquisa de Informática)
na “Gestão Completa de Infra-estrutura e Instalações”, reconhecido pelo seu
contínuo e sólido crescimento na capacidade de responder com efetividade aos
desafios propostos pela Organização, plenamente integrado e comprometido com as
demandas estratégicas de Tecnologia da Informação (TI) e no cuidado permanente
das necessidades para o conforto das pessoas no ambiente de trabalho”.
6.3.5 Redesenho de Organograma
O contexto de atuação proposto para a nova estrutura do TI-Gestão de Facilities, ou
simplesmente TI-GFAC, requer um redesenho das posições de trabalho, alinhado ao
tamanho do desafio envolvido e às boas práticas de mercado, conforme hierarquia
básica descrita a seguir :
187
Nível Estratégico de TI
♦ Diretoria Executiva – responsável pela direção estratégica de TI nos
departamentos em que a área da “Gestão de Facilities” presta serviços,
♦ Superintendência Executiva – responsável pela administração estratégica de TI
nas suas áreas específicas nos departamentos em que a “Gestão de Facilities”
presta serviços;
Nível Estratégico de Facilities
♦ Diretoria Departamental de Facilities (DDF) – responsável pela direção
estratégica de Facilities;
♦ Superintendência Executiva de Facilities (SEF) – responsável pela
administração estratégica de Facilities sobre as suas áreas específicas no
departamento de Gestão de Facilities;
♦ Gerência Executiva de Facilities (GEF) – responsável pela gestão técnica e
administrativa da área de Facilities de Missão Crítica para TI nos Departamentos
de Informática, bem como, a interação junto ao nível estratégico de TI dos
departamentos que suporta, ou seja, todos os segmentos de Tecnologia da
Informação da Organização;
Nível Tático de Facilities
♦ Gerência de Planejamento, Automação e Controles (GPAC) – responsável
pelo gerenciamento técnico de planejamento, automação e controles, incluindo-se
o processo de “Inteligência do Negócio & Gestão do Conhecimento (BI&KM)”,
da área de Gestão de Facilities de Missão Crítica para TI;
♦ Gerência de Operação, Manutenção e Instalações (GOMI) - responsável pelo
gerenciamento técnico de operação, manutenção e instalações nos ambientes
físicos sob a jurisdição da área Gestão de Facilities de Missão Crítica, bem como,
a interação junto aos demais gestores da Organização em questões operacionais
que possam envolver impactos negativos ao funcionamento ininterrupto dos
equipamentos e funções estratégicas de TI;
188
Nível Operacional de Facilities
♦ Coordenadoria de Apoio Administrativo – responsável pela coordenação
administrativa dos assuntos estratégicos em nível executivo da área Gestão de
Facilities de Missão Crítica para TI;
♦ Coordenadoria de Planejamento - responsável pela coordenação em projetos
de planejamento de sistemas ou soluções em Facilities de Missão Crítica para TI;
♦ Coordenadoria de Automação – responsável pela coordenação em projetos de
automação das soluções em Facilities de Missão Crítica para TI;
♦ Coordenadoria de Controles - responsável pela coordenação em projetos de
controles para as soluções em Facilities de Missão Crítica para TI, incluindo-se
os controles de “compliance” (aderência às normas técnicas e legislações
vigentes) e de “performance” (indicadores de desempenho);
♦ Coordenadoria de “BI&KM” (Inteligência do Negócio & Gestão do
Conhecimento) - responsável pela coordenação em projetos de “BI&KM” para
as soluções em Facilities de Missão Crítica para TI, incluindo-se os processos de
disponibilização e acompanhamento de uso dos meios para facilitar a busca de
inovações, produtos e serviços que possibilitem o constante trabalho de
crescimento e desenvolvimento pleno do potencial da equipe de trabalho da área;
♦ Coordenadoria CPD Site Principal – responsável pela coordenação técnica
operacional (O,M&I-Operação, Manutenção e Instalações) dos sistemas de
Facilities de Missão Crítica nos espaços construídos ocupados pelos
Departamentos de Informática alocados na sede Matriz da Organização;
♦ Coordenadoria CPD Site de Contingência - responsável pela coordenação
técnica operacional (O,M&I) dos sistemas de Facilities de Missão Crítica nos
espaços construídos ocupados pelos Departamentos de Informática, alocados na
sede do “site back-up”;
♦ Coordenadoria PSC (Pólos de Serviços Centralizados) - responsável pela
coordenação técnica operacional (O,M&I) dos sistemas de Facilities de Missão
Crítica nos espaços construídos ocupados pelos Departamentos de Informática,
alocados em sedes regionais de serviços centralizados (Nível Brasil);
♦ Coordenadoria de PRA (Pólos Regionais de Atendimento) - responsável pela
coordenação técnica operacional (O,M&I) dos sistemas de Facilities de Missão
189
Crítica nos espaços construídos ocupados pelos ambientes de automação e
informática, alocados em sedes regionais de atendimento (Nível Brasil);
Totalização dos Recursos Humanos Propostos
Assim considerado, o novo organograma do TI-Gestão de Facilities, ou
simplesmente TI-GFAC, pode ser concebido para um quadro interno de funcionários
contando-se um total mínimo de 32 (trinta e dois) postos de trabalho (pt), sendo, 01
pt de “Diretor Departamental de Facilities” (DDF), 01 pt de “Superintendente
Executivo de Facilities” (SEF), 01 pt de “Gerente Executivo de Facilities” (GEF), 02
pt de “Gerente de Facilities” (GPAC e GOMI), 08 pt de “Coordenador de Facilities”
(08 coordenadorias específicas descritas acima), 16 pt de “Analista de Facilities”
(distribuídos em dupla para cada coordenadoria descrita acima), 01 pt de
“Coordenador de Apoio Administrativo” (01 coordenadoria específica descrita
acima) e 02 pt de “Assistente de Apoio Administrativo” (dupla que se reporta à
coordenadoria de apoio administrativo). Neste modelo, todos os demais cargos e
funções devem ser supridos via processos de terceirizações, mediante uma
reestruturação específica deste, visando incluir um novo modo operacional através do
modelo de gestão especializada de terceiros em substituição ao eventual modelo de
autogestão vigente.
6.3.6 Conjunto de Premissas Básicas do TI-GFAC
♦ “As recomendações da ABNT-Associação Brasileira de Normas Técnicas e
Legislações Vigentes são o padrão mínimo necessário ao adequado desempenho
das funções de Gestão de Facilities de Missão Crítica para TI”;
190
♦ “A Engenharia em Facilities de Missão Crítica para TI se faz acima do padrão
mínimo estabelecido pelas exigências requeridas por normas técnicas da ABNT e
Legislações Vigentes”;
♦ “A Gestão de Facilities de Missão Crítica para TI visa promover a Interação
PPP – Pessoas, Processos e Propriedades”;
♦ “A propriedade é o espaço construído ou sistema predial e seus subsistemas,
bem como, a informação sobre os ativos físicos dos complexos submetidos ao
processo de Gestão de Facilities de Missão Crítica para TI”;
♦ “A garantia de qualidade no processo de provimento das soluções de Facilities
de Missão Crítica para TI, envolve, no mínimo, cinco pontos básicos de avaliação
de conformidade através de ensaios específicos, a saber - de tipo; de rotina; de
comissionamento; de certificação; de manutenção – conforme estabelecido em
um modelo processual definido para criar uma base de Governança em
Facilities ”.
6.3.7 Essência da Governança em Facilities
O processo de provimento das soluções técnicas em Facilities de Missão Crítica
(FMC) para Tecnologia da Informação (TI), visando garantir a máxima
confiabilidade dos sistemas e/ou soluções técnicas (alta disponibilidade : de
funcionamento dos ativos e de flexibilidade para mudanças), constitui-se de um
conjunto de ações definidas com o objetivo de criar uma base de Governança em
Facilities, conforme etapas básicas descritas a seguir.
191
RFP/RFI : desenvolvimento e envio ao Departamento de Compras da RFP-Request
for Proposal (definição de requisitos técnicos para a cotação do sistema e/ou solução
técnica) e da RFI-Request for Information (definição do conjunto de informações
comerciais, referenciais de mercado, de responsabilidade social e ambiental
requeridas das empresas pretendentes à concorrência);
Projeto : desenvolvimento do conjunto de idéias e suas representações gráficas em
desenhos, cortes, plantas, detalhes, dentre outros;
Protótipo : desenvolvimento de corpo físico preliminar conforme detalhado em
projetos visando facilitar as análises e ensaios experimentais do sistema e/ou solução
técnica proposta;
Ensaio de Tipo* : destina-se ao primeiro nível de verificações de conformidade
com os requisitos colocados para um determinado tipo de sistema e/ou solução
técnica, descritos na RFP de base para as cotações de preços;
Produtos em Série : desenvolvimento e disponibilização dos elementos em série,
conforme detalhamentos em projetos e resultados obtidos com o protótipo, os quais
visam possibilitar a fabricação da solução técnica e/ou sistema a ser fornecido ao
cliente final;
Fabricação : produção em série dos sistemas e/ou soluções técnicas ofertados e
negociados junto ao cliente final;
Ensaio de Rotina* : destina-se ao segundo nível de verificações de conformidade
com os requisitos colocados para um determinado tipo de sistema e/ou solução
técnica, descritos na RFP de base para as cotações de preços;
Transporte : procedimentos para a entrega dos sistemas e/ou soluções técnicas no
destino final requerido pelo cliente que deve constar da RFP;
Instalação : procedimentos de montagens para instalação do sistema e/ou solução
técnica fornecidos pelo fabricante;
Ensaio de Recebimento (Comissionamento)* : destina-se ao terceiro nível de
verificações de conformidade com os requisitos colocados para um determinado tipo
de sistema e/ou solução técnica, descritos na RFP de base para as cotações de preços;
Ativação : procedimentos para o star-up (ativação) do sistema e/ou solução técnica
fornecidos pelo fabricante;
192
Projeto As Built : desenvolvimento de atualizações do conjunto de representações
gráficas das idéias aplicadas no sistema e/ou solução técnica fornecidos pelo
fabricante, mediante revisão dos desenhos, cortes, plantas, detalhes, dentre outros;
Inspeção Sistêmica : procedimentos para verificações do funcionamento do sistema
e/ou solução técnica em conjunto aos demais sistemas interdependentes ou
pertencentes à sua envoltória, avaliando-se os resultados e os impactos;
Ensaio de Certificação/Etiquetagem* : destina-se ao quarto nível de verificações
de conformidade com os requisitos colocados para um determinado tipo de sistema
e/ou solução técnica, descritos na RFP de base para as cotações de preços;
Início de Operação : colocação do sistema e/ou solução técnica fornecida em
regime de produção, conforme capacidade especificada nos requisitos que constaram
da RFP, projetos, ensaios e demais etapas anteriores deste processo de garantia da
qualidade;
ULC-Usefull Life Cycle (Ciclo de Vida Útil) : período máximo especificado para
utilização do sistema e/ou solução técnica, o qual compreende desde a fase de
concepção, operação, manutenção e até a fase de disposição;
Ensaios Periódicos de Manutenção* : destina-se ao quinto nível de verificações de
conformidade com os requisitos colocados para um determinado tipo de sistema e/ou
solução técnica, descritos na RFP de base para as cotações de preços;
(*) Pontos Essenciais de Avaliação de Conformidade, prioritários ao
acompanhamento pela Gestão de Facilities (representantes ou seus prepostos),
visando a Garantia de Qualidade nas funções para as quais o sistema e/ou
solução técnica foram projetados, sob pena de serem prejudicados os
indicadores de desempenho e/ou a segurança operacional esperados, cujos
efetivos controles (procedimentos e informações) constituem-se a base do
processo de Governança em Facilities.
O modelo básico de Governança em Facilities ora proposto, destina-se a garantir a
segurança operacional dos ativos físicos objeto da Gestão Completa de Infraestrutura e Instalações, em níveis coerentes às mais elevadas expectativas definidas
em projetos de sistemas e/ou soluções técnicas de FMC-Facilities de Missão Crítica
193
para TI, visando corresponder aos desafios impostos por exigências formuladas nas
mais diversas fontes, tais como: agências reguladoras, associações, institutos,
legislações específicas, acordos, tratados, normativas técnicas, padrões de qualidade,
desempenho, confiabilidade, disponibilidade, flexibilidade, sustentabilidade, dentre
outros.
Cabe ressaltar ainda, o contexto atual das organizações onde a necessidade de
imprimir e demonstrar os controles dos seus pilares essenciais – Pessoas, Processos e
Propriedades - fez nascer o conceito de Governança Corporativa, o qual encontrou
elevada dependência de Tecnologia da Informação, portanto, desencadeou o
surgimento do processo complementar de Governança em TI, da mesma forma, a
Tecnologia da Informação encontra a sua base de sustentação nos ativos físicos de
infra-estrutura e instalações, cujo funcionamento adequado, ininterrupto e com
alternativas flexíveis para manutenções sem implicar em interrupções para a carga
crítica (TI), constitui-se o grande desafio do processo definido como Governança
em Facilities , ou seja, o maior objetivo da Gestão de Facilities de Missão Crítica
para TI.
6.3.8 Plano de Cargos e Funções
O conjunto de cargos e funções, incluindo-se o descritivo de perfil e experiência dos
profissionais para a formulação de uma matriz de postos de trabalho e suas
respectivas modulações em graus de hierarquia, isso tudo, constituindo-se um “Plano
de Cargos e Funções” que permita, posteriormente, definir um “Plano de Carreira,
Salários e Treinamento” para a equipe técnica e administrativa do TI-Gestão de
Facilities ou simplesmente TI-GFAC, ora se faz expresso nas formulações a seguir.
194
% GERENTE EXECUTIVO DE FACILITIES
" Trainee – engenheiro inscrito no CREA (qualquer habilitação) ou técnico
inscrito no CREA (qualquer habilitação) com nível superior em áreas
multidisciplinares de interesse da Organização (administração, direito,
economia, TI, arquitetura e outras) e pós-graduação em Facilities (ex:
MBA/USP-Gerenciamento de Facilidades); inglês básico; experiência
profissional de 2 anos nesta área;
" Junior – perfil descrito para o nível “Trainee”; experiência profissional de 2
anos na função;
" Pleno - engenheiro inscrito no CREA (qualquer habilitação) com pósgraduação em Facilities; inglês intermediário; experiência profissional de 3
anos nesta área;
" Senior – perfil descrito para o nível “Pleno”; inglês avançado; experiência
profissional de 5 anos na função;
Função :
gerenciamento técnico e administrativo da área de Gestão de
Facilities de Missão Crítica para TI em Instituição Financeira de
Classe Mundial, facilitando as tratativas dos assuntos técnicos de
Facilities com as funções estratégicas de Tecnologia da Informação.
% GERENTE DE FACILITIES
" Trainee – engenheiro inscrito no CREA (qualquer habilitação) ou técnico de
nível médio inscrito no CREA (qualquer habilitação); inglês básico;
experiência profissional de 2 anos nesta área;
" Junior – perfil descrito para o nível “Trainee”; experiência profissional de 2
anos na função;
" Pleno – engenheiro inscrito no CREA (qualquer habilitação) ou técnico de
nível médio inscrito no CREA (qualquer habilitação) e nível superior em
áreas de interesse do Banco (administração, direito, economia, TI,
195
arquitetura e outras); inglês intermediário; experiência profissional de 3 anos
na função;
" Senior – perfil descrito para o nível “Pleno” com pós graduação em
Facilities (ex: MBA-USP/Gerenciamento de Facilidades); inglês avançado;
experiência profissional de 5 anos na função;
Função : gerenciamento técnico em divisão operacional ou de planejamento da
área de Gestão de Facilities de Missão Crítica para TI.
% COORDENADOR DE FACILITIES
" Trainee – engenheiro/arquiteto inscrito no CREA (qualquer habilitação) ou
técnico de nível médio inscrito no CREA (qualquer habilitação); inglês
básico; experiência profissional de 2 anos nesta área;
" Junior – perfil descrito para o nível “Trainee”; experiência profissional de 2
anos na função;
" Pleno – engenheiro/arquiteto inscrito no CREA (qualquer habilitação) ou
técnico de nível médio inscrito no CREA (qualquer habilitação) e nível
superior em áreas de interesse do Banco (administração, direito, economia,
TI, arquitetura e outras); inglês intermediário; experiência profissional de 3
anos na função;
" Senior – perfil descrito para o nível “Pleno” com experiência profissional de
5
anos
na
função
ou
pós-graduado
em
Facilities
(ex:
MBA-
USP/Gerenciamento de Facilidades) com experiência profissional de 3 anos
na função; inglês avançado em ambos os casos;
Função : coordenação técnica dos projetos de sistemas e/ou soluções técnicas
em Facilities de Missão Crítica para TI.
196
% ANALISTA DE FACILITIES
" Trainee – tecnólogo ou técnico de nível médio inscrito no CREA (qualquer
habilitação); noções de inglês; experiência profissional de 2 anos nesta área;
" Junior – perfil descrito para o nível “Trainee”; experiência profissional de 2
anos na função;
" Pleno – tecnólogo ou técnico de nível médio inscrito no CREA (qualquer
habilitação) e nível superior em áreas de interesse do Banco (administração,
direito, economia, TI, arquitetura e outras); inglês básico; experiência
profissional de 3 anos na função;
" Senior – perfil descrito para o nível “Pleno” com experiência profissional de
5
anos
na
função
ou
pós-graduado
em
Facilities
(ex:
MBA-
USP/Gerenciamento de Facilidades) com experiência profissional de 3 anos
na função; inglês intermediário em ambos os casos;
Função : análise, suporte técnico e acompanhamento dos projetos de sistemas
e/ou soluções técnicas em Facilities de Missão Crítica para TI.
% COORDENADOR ADMINISTRATIVO EM FACILITIES
" Trainee – graduação de nível médio ou superior em áreas multidisciplinares
de interesse do Banco; noções de inglês; experiência profissional de 2 anos
nesta área;
" Junior – perfil descrito para o nível “Trainee”; experiência profissional de 2
anos na função;
" Pleno – graduação de nível superior em áreas multidisciplinares de interesse
do Banco; inglês básico; experiência profissional de 3 anos na função;
" Senior – perfil descrito para o nível “Pleno” com experiência profissional
de 5 anos na função ou pós-graduado em áreas multidisciplinares de
interesse do Banco com experiência profissional de 3 anos na função; inglês
básico em ambos os casos;
Função : coordenação administrativa dos assuntos estratégicos da área de
Gestão de Facilities de Missão Crítica para TI.
197
% ASSISTENTE ADMINISTRATIVO EM FACILITIES
" Trainee – graduação de nível médio em áreas multidisciplinares de interesse
do Banco; noções de inglês; experiência profissional de 2 anos nesta área;
" Junior – perfil descrito para o nível “Trainee”; experiência profissional de 2
anos na função;
" Pleno – perfil descrito para o nível “Trainee”; experiência profissional de 3
anos na função;
" Senior – perfil descrito para o nível “Trainee” com experiência profissional
de 5 anos na função ou graduação de nível superior em áreas
multidisciplinares de interesse do Banco; com experiência profissional de 3
anos na função; inglês básico em ambos os casos;
Função : assistência administrativa e acompanhamento dos assuntos estratégicos
da área de Gestão de Facilities de Missão Crítica para TI.
6.3.9 Consolidação
O presente Plano de Reestruturação da Infra-estrutura existente não tem a pretensão
de esgotar as possibilidades de apresentação de idéias para a reestruturação da Área
de Infra-estrutura e Instalações para TI, que, conforme proposto e desde logo, foi
tratado com a nova denominação de TI-Gestão de Facilities ou simplesmente TIGFAC, portanto, uma vez admitida a hipótese de serem aceitas as sugestões ora
formuladas, tão logo quanto possível aos profissionais destacados para ocuparem os
cargos propostos, deve ser elaborado um Planejamento Estratégico desta nova área,
considerando todo o exposto ora apresentado.
198
O conceito de “Gestão de Facilities” demonstra-se muito simples em sua forma
quando entendido como um conjunto de recursos que, uma vez disponibilizados,
permitem garantir a segurança operacional e máxima condição de ininterruptibilidade
das funções de TI para o suporte e alavancagem de negócios da Organização.
Afinal, longe de ter um fim, esse é um processo perene e que vai obrigar a equipe de
Facilities de Missão Crítica (FMC) para TI, a se superar e melhorar sempre, o que se
acredita ser possível com a significativa contribuição que poderá ser evidenciada a
partir da implementação do conceito de “Governança em Facilities”, objeto de
abordagem preliminar neste documento.
Assim, a partir deste trabalho, fica submetido o plano básico para reestruturação da
Área de Infra-estrutura e Instalações, desde logo tratada com a nova denominação de
TI-Gestão de Facilities ou simplesmente TI-GFAC, uma vez consideradas válidas
as idéias e os argumentos apresentados, além de, cumpridos todos os trâmites
necessários que possibilitem levar a termo a autorização pretendida.
Um conjunto de documentos anexos ao presente Plano de Reestruturação da Infraestrutura existente pode oferecer maiores subsídios quanto ao assunto “Gestão de
Facilities”,
mediante a disponibilização de
matérias com o enfoque da mídia
especializada neste seguimento (ex: citar publicações com destaque para os “Facility
Managers” ou “Gerentes de Facilities”), além de, salientar eventuais publicações
acadêmicas (ex: acervo da Escola Politécnica de Engenharia da Universidade de São
Paulo) contendo uma série de conceitos sobre o Gerenciamento de Facilities para
aplicação em edificações produtivas.
199
CONCLUSÃO
Este estudo procurou abordar de maneira estruturada e analítica as diversas
legislações específicas de impacto no setor bancário, sob uma abordagem aos
conceitos necessários para o suporte e planejamento dos sistemas de Gerenciamento
de Facilidades de Missão Crítica em edificações de alto desempenho e de elevada
criticidade, além de oferecer um panorama de TI e o contexto para o
desenvolvimento de uma proposta de Modelo de Governança em Facilidades
Prediais para Centros de Tecnologia da Informação de Instituições Financeiras.
A modalidalidade gerencial dos ativos físicos de infraestrutura e instalações no setor
bancário foi estruturada, sendo propostas as bases de um programa visando utilizar o
Gerenciamento de Facilidades como alavanca de negócios das Organizações, o que
incluiu os elementos que possibilitam este entendimento e os meios necessários para
atingir os objetivos propostos, visando garantir as certificações de que as efetivas
melhorias de controle dos riscos de segurança da informação encontram-se
adequadamente implementadas inclusive para os ativos físicos da Organização, cujo
complexo de recursos também podem ser reforçados para se enfrentar os novos
desafios impostos às Instituições Financeiras de Classe Mundial.
O primeiro capítulo abordou uma descrição preliminar de como os ativos físicos, tais
como propriedades, edifícios, equipamentos, materiais e móveis representam
significativos montantes dos custos anuais de manutenção e relevante percentual de
participação nos ativos totais das organizações, principalmente no Gerenciamento de
Facilidades Prediais de Missão Crítica nos ambientes de TI de Instituições
Financeiras. Adicionalmente, uma abordagem ao contexto legislacional do setor
bancário procurou oferecer uma visão das mais novas e complexas exigências para as
Instituições Financeiras que atuam no mercado globalizado, passando pelas mais
variadas normas e regulamentos exigidos por auditorias internas e externas que
visam evidenciar os procedimentos adotados pela organização para oferecer
200
desempenho e aderência aos diversos dispositivos regulatórios deste mercado, onde
tais necessidades fundamentam as bases da Governança Corporativa e da
Governança em TI, as quais ora precisam contar com os mais efetivos controles dos
ativos físicos da empresa e, assim, torna o momento oportuno para se desenvolver os
conceitos e uma proposta de Modelo de Governança em Facilities.
No segundo capítulo, foram vistos os componentes principais do panorama atual de
Tecnologia da Informação, incluindo análises sobre a gestão de segurança da
informação e conceitos de Facilidades Prediais de Missão Crítica que descreveram o
o novo paradigma estabelecido pela Governança em TI de Instituições Financeiras,
onde questões fundamentais, como a natureza intangível de muitos dos resultados
esperados, precisam ser endereçadas com a aplicação de novas técnicas de gestão, o
que não poder ser diferente na Gestão de Facilities em ambientes de Missão Crítica.
A “Pirâmide de Tecnologia da Informação” demonstrou o elevado nível de
dependência de TI evidenciado no setor bancário, bem como, o elevado nível de
dependência de Facilities no segmento de TI em Instituições Financeiras. As análises
sobre a gestão de segurança da informação demonstraram os diversos fatores de
riscos e ameaças que podem ser identificadas nos ambientes físicos de CPD, as quais
requerem as mais diversas ações da Gestão de Facilities para garantir a segurança
operacional dos ambientes de Missão Crítica, os quais também foram alvo das
considerações sobre as frentes de trabalho neste mercado que visam estabelecer de
forma definida e balanceada os parâmetros para a classificação do desempenho físico
em ambientes de CPD.
No terceiro capítulo, foram apresentados os conceitos de Planejamento Estratégico
aplicados no Gerenciamento de Facilidades de Missão Crítica para TI, com a visão
de um diagnóstico geral alinhado às necessidades de todas as áreas de Tecnologia da
Informaçào da organização, objetivando imprimir excelência na prestação dos
serviços de TI aos seus clientes internos e externos. Foram abordados os principais
pontos do planejamento de Facilities, tais como os Gerenciamentos de Valores, de
Qualidade, de Riscos, de Mudanças e o Ambiental, resultando numa ampla gama de
análises situacionais, de metodologias e de resultados esperados.
201
No quarto capítulo, foram abordadas as questões de especificações de padrões
prediais nos ambientes de Missão Crítica para TI onde foi possível verificar que a
flexibilidade constitui-se qualidade fundamental de projeto que facilitam as
mudanças em Centros de Tecnologia da Informação, além de, terem sido abordados
todos os aspectos ideais aos sistemas prediais de um CPD, desde as diretrizes
construtivas, o fornecimento e distribuição de energia com os seus diagramas e
detalhamentos especiais, os sistemas de climatização/ventilação/resfriamento
considerando as questões para qualidade do ar e as necessidades específicas dos
ativos de TI&Telecom, os diversos conceitos e dispositivos para a segurança física, o
cabeamento lógico do CPD com ênfase nos cabos de cobre UTP e os sistemas de
monitoração e inteligência predial.
No quinto capítulo, foram identificadas as informações necessárias aos Contratos no
Gerenciamento de Facilidades com enfoque principal nos requisitos técnicos de
qualificação dos fornecedores e dos aspectos específicos da prestação de serviços de
projetos e gerenciamento de ambientes de Missão Crítica para TI, em abordagem aos
diversos conjuntos de condições e estabelecimento de características referentes às
obrigações das partes envolvidas, por meio de documentos denominados de RFPRequest for Proposal (Solicitação de Propostas) e RFI-Request for Information
(Pedido de Informações dos Fornecedores).
No sexto capítulo, foram desenvolvidas as bases fundamentais de uma proposta de
Modelo de Governança em Facilidades Prediais para Centros de Tecnologia da
Informação de Instituições Financeiras, como sendo um terceiro elemento que
também se faz necessário para contribuir na plena Governança das Organizações,
alinhando-se aos conceitos de Governança Corporativa e de Governança em TI na
qualidade de base fundamental para o desenvolvimento destas. Por ocasião do
desenvolvimento de conceitos do Modelo de Governança em Facilities também
foram analisadas as ferramentas de apoio automatizado (CAFG/CAFM) e foi
apresentado um Plano de Reestruturação da Infra-estrutura Organizacional visando
servir de referencial básico e avaliação dos recursos mínimos para se efetivar a
implementação da Governança em Facilities.
202
Desta maneira, a chegada da nova economia preconizada por diversos autores que
estabelece
a
informação
como
o
único
recurso
realmente significativo,
principalmente num cenário de elevada competitividade, mudanças de valores e
paradigmas, impõe-se na globalização das economias, os conceitos de Governança
Corporativa e Governança em TI, os quais
também são dependentes de uma
Governança em Facilities, como foi apresentado no presente trabalho sobretudo por
ocasião da proposta de um Modelo de Governança em Facilidades Prediais para
Centros de Tecnologia da Informação de Instituições Financeiras.
O objetivo deste estudo foi tratar os conceitos fundamentais do Gerenciamento de
Facilidades aplicados em ambientes de Missão Crítica para TI, como resposta aos
mais recentes desafios lançados ao setor bancário em âmbitos nacional e
internacional, onde a necessidade de um efetivo controle das informações dos ativos
físicos das organizações constitui-se fator crítico de sucesso com o propósito de
atender uma ampla gama de exigências formuladas pelas mais diversas agências
reguladoras, neste sentido, a proposta de um Modelo de Governança em Facilidades
Prediais para os Centros de Tecnologia da Informação procurou descrever a visão da
necessidade de uma estrutura organizacional autônoma e automatizada, com o
reforço dos recursos que possibilitem manter a organização nas primeiras posições
classificatórias do mercado, por meio de uma “Gestão Completa de Infra-estrutura e
Instalações” em Instituições Financeiras de Classe Mundial.
“Não há nada mais poderoso do que uma idéia que chegou no tempo certo”
Victor Hugo
203
ANEXO A
Caracterização do Sistema Predial Centro de Tecnologia da Informação
Fonte : ELLERBE BECKET
204
ANEXO B
Diagrama da Visão para Governança em TI
Fonte : COBIT
205
ANEXO C
Características Funcionais dos Sistemas Prediais
Fonte : GONÇALVES (1999)
Sistemas
Prediais
Flexibilidade
Gerenciamento
Alimentação Alternativa
Administrativo
Geradores
Conservação de Energia
No-breaks
Fontes Alternativas
Baterias stand-by
Operação/Manutenção
Administrativo
Sistemas de
Espaços
Alimentação Alternativa Uso Racional da Água
Suprimento e
Modularidade
Equipamentos stand-by
Operação
Disposição de
Dutagem
Manutenção
Águas
Modularidade
Fontes Ininterruptas
Administrativo
Cruzamento de
Técnico
Sistemas de Acessibilidade
Segurança
Cablagem
Informações
Operação
Dutagem
Rotina de Testes
Manutenção
Modularidade
Administrativo
Equipamentos stand-by
Sistemas de
Pré-cablagem
Energético
Alimentação Alternativa
Conforto
Dutagem
Operação
Setorização
Ambiental
Espaços
Manutenção
Fluxo
Espaços
Alimentação Alternativa
Administrativo
Sistemas de
Equipamentos
Setorização
Transporte
Operação
Cablagem
Manutenção
Administrativo
Espaço
Equipamentos stand-by
Interface
Sistemas de
Modularidade Alimentação Alternativa
Comunicação
Operação
Cablagem
Protocolos
Manutenção
Espaços
Modularidade Alimentação Alternativa
Sistemas de
Cablagem
Protocolos
Auto-gerenciamento
Automação
Dutagem
Setorização
Remotos
Sistemas de
Suprimento
de Energia
Shafts, dutos
Modularidade
Cablagem
Dutagem
Confiabilidade
206
ANEXO D
Gerenciamento de Facilidades – Funções e Responsabilidades
Fonte : IFMA (2004)
Operações de Manutenção
♦ Manutenção de mobiliário
♦ Manutenção de revestimentos
♦ Manutenção preventiva
♦ Manutenção corretiva
♦ Manutenção de fachadas
♦ Zeladoria e limpeza
♦ Manutenção de jardins
Serviços Administrativos
♦ Material fotográfico corporativo
♦ Serviços de mensagens
♦ Envio/Recebimento
♦ Conservação de arquivos
♦ Segurança
♦ Telecomunicações
♦ Cópias Reprográficas
Gerenciamento de Espaço
♦ Inventário de Espaço
♦ Políticas para Espaços
♦ Alocação de Espaços
♦ Controle de Mobiliário
♦ Reformas (retrofits)
♦ Resíduos e lixo sólido
♦ Materiais Perigosos
Imóveis
♦ Aluguel de Edifícios
♦ Seleção de Locais
♦ Aquisição
♦ Demolição
♦ Avaliação de Propriedades
♦ Sub-locações
Saúde e Segurança
♦ Ergonomia
♦ Qualidade do Ar Interno
♦ Reciclagem de Resíduos
♦ Emissões de Poluentes
Arquitetura e Engenharia
♦ Conformidade às Normas
♦ Projetos
♦ Construções
♦ Sistemas Prediais
Planejamento Operacional
♦ Operação de Sistemas
♦ Plano de Emergências
♦ Plano Estratégico
♦ Plano Energético
Planejamento Financeiro
♦ Previsão Orçamentária
♦ Programa de Capital
♦ Financiamentos
207
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1.
ACKOFF, RUSSEL L. Re-creating Corporation – A design of
organizations for 21st Century. Oxford University Press, Oxford,
1999.
2.
GRAÇA, MOACYR EDUARDO ALVES DA. Formulação de modelo
para avaliação das condições determinantes de necessidade de
ventilação secundária em sistemas prediais de coleta de esgotos
sanitários. São Paulo, 1985, Tese (Doutorado) – Escola Politécnica da
Universidade de São Paulo.
3.
ANTONIOLI, PAULO EDUARDO. Estudo crítico sobre subsídios
conceituais para suporte do planejamento de sistemas de
gerenciamento de facilidades em edificações produtivas. São Paulo,
2003, Tese (Mestrado) – Escola Politécnica da Universidade de São
Paulo.
4.
INTERNATIONAL
FACILITIES
MANAGEMENT
ASSOCIATION-
EUA. Associação Internacional de Gerenciamento de Facilidades,
disponível em http://www.ifma.com, acessado em 18 de fevereiro de
2005.
5.
TEICHOLZ, ERIC. Facility Design and Management Handbook.
McGraw-Hill, New York, 2001.
6.
REVISTA
EXECUTIVOS
FINANCEIROS.
Publicação
do
Setor
Bancário, disponível em http://www.executivosfinanceiros.com.br,
acessado em 18 de fevereiro de 2005.
7.
REVISTA BANCO HOJE. Publicação do Setor Bancário, disponível em
http://www.bancohoje.com.br, acessado em 18 de fevereiro de 2005.
8.
COMUNIDADE DA LISTA DE RISCOS. Entidade que trata questões de
Gestão de Risco, disponível em http://www.listaderiscos.com.br,
acessado em 18 de fevereiro de 2005.
208
9.
LEX EDITORA. Entidade nacional que efetua publicações no ramo do
Direito, disponível em http://www.lex.com.br, acessado em 20 de
março de 2005.
10.
COSO-COMMITTEE OF SPONSORING ORGANIZATIONS OF THE
TREADWAY COMMISSION. Aentidade que trata questões de
Governança
Corporativa,
disponível
em
http://www.coso.org
acessado em 20 de março de 2005.
11.
REVISTA TI. Publicação de Tecnologia da Informação, disponível em
http://www.timaster.com.br, acessado em 20 de março de 2005.
12.
EQUATOR PRINCIPLES. Princípios do Equador, Conjunto de
Princípios de Sustentabilidade para Instituições Financeiras,
disponível em http://www.equator-principles.com, acessado em 24 de
abril de 2005.
13.
IT GOVERNANCE INSTITUTE. Instituto de Governança em TI,
disponível em http://www.itgi.org, acessado em 24 de abril de 2005.
14.
PRITCHARD CARL L. Risk Management Concepts and Guidance.
Editora ESI International, 1997.
15.
BERTALANFFY, LUDIWIG VON. Teoria Geral dos Sistemas. Editora
Vozes Ltda, Petrópolis, 1977.
16.
ABCR-ASSOCIAÇÃO
BRASILEIRA
DE
CAPITAL
DE
RISCO.
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