UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ
INSTITUTO DE TECNOLOGIA
FACULDADE DE ENGENHARIA ELÉTRICA
DISCIPLINA: INSTALAÇÕES ELÉTRICAS
Prof.a: CARMINDA CÉLIA M. M. CARVALHO
CAPÍTULO 4- INSTALAÇÕES EM RESIDÊNCIAS
4.1- ELEMENTOS
ELÉTRICA
COMPONENTES
DE
UMA
INSTALAÇÃO
 Ponto: termo geral de designação de centros de luz, tomadas,
arandelas, interruptores, botões de campainha e aparelhos fixos de
consumo.
 Ponto útil ou ativo: dispositivo onde a corrente elétrica é realmente
utilizada ou produz efeito. Exemplo: local onde é instalada uma
lâmpada; tomada na qual se liga um aparelho eletrodoméstico.
 Ponto simples: chuveiro elétrico; lâmpada ou grupo de lâmpadas
funcionando em conjunto (lustres).
 Tomada simples: quando se pode ligar somente um aparelho. Em
geral são de 15A-250V. Existem também tomadas para uso industrial
de 30A-440V.
 Ponto de comando: dispositivo por meio do qual se governa um ponto
ativo. Exemplo: Interruptores, disjuntores.
 Interruptor simples ou unipolar: acende e apaga uma só lâmpada ou
um grupo de lâmpadas funcionando em conjunto. Em geral são de
10A-250V.
 Interruptor paralelo (Three-Way): quando operado com outro da
mesma espécie acende ou apaga, de pontos diferentes, o mesmo
ponto útil. Em geral é de 10A-250V.
 Interruptor intermediário (Four-Way): é colocado entre interruptores
paralelos, podendo-se acender ou apagar, de três pontos diferentes,
o mesmo ponto ativo.
4.2- EXEMPLOS DE ESQUEMAS FUNDAMENTAIS DE LIGAÇÕES
LEGENDA:
: luz incandescente no teto
: luz incandescente na parede (arandela)
: eletroduto embutido no teto ou parede
: condutores fase, neutro e retorno
no eletroduto, respectivamente
: interruptor de uma seção
: interruptor de duas seções
: interruptor three way
: interruptor four way
: tomada baixa na parede (30 cm do piso acabado)
1- Ponto de luz e interruptor simples (uma seção) (figura 4.1):
Esquema
Planta
Fase
Neutro
Retorno
Figura 4.1: Ponto de luz e interruptor simples (uma seção)
Instalações Elétricas - Capítulo 5: Instalações em Residências
2
2- Ponto de luz, interruptor de uma seção e tomada (figura 4.2):
Planta
Figura 4.2: Ponto de luz, interruptor de uma seção e tomada
3- Ponto de luz no teto, arandela e interruptor de duas seções (fig. 4.3):
Planta
Figura 4.3: Ponto de luz no teto, arandela e interruptor de duas seções
4- Ligação de uma lâmpada com interruptores “three-way” (figura 4.4):
Esquema
Planta
Fase
Neutro
R1
R2
R3
Figura 4.4: Ligação de uma lâmpada com interruptores “three-way”
Instalações Elétricas - Capítulo 5: Instalações em Residências
3
5- Ligação de uma lâmpada com dois “three-way” e um “four-way”
(figura 4.5):
Esquema
Planta
Fase
Neutro
R1
R2
R3
Figura 4.5: Ligação de uma lâmpada com dois “three-way” e um “four-way”
Observação: Instalação de campainhas (figura 4.6):
 Para as campainhas podem ser utilizados circuitos independentes
com condutores de 0,5mm2 ou 1,0mm2.
 Também pode ser usada a fase de uma tomada ou de um interruptor
próximos ao botão e o neutro de um ponto de luz ou tomada
localizados próximo à campainha.
 Pode também ser utilizado o mesmo eletroduto de um circuito de
iluminação ou tomada para conduzir a alimentação da mesma.
Esquema de ligação:
Simbologia:
campainha
fonte

neutro
fase
.
.

fase ou
neutro
retorno
retorno
botão de campainha
Figura 4.6: Instalação de campainhas - esquema de ligação e simbologia
Por serem de carga muito pequena e de rápida utilização, as
campainhas não são computadas durante o levantamento da carga total
da instalação.
Instalações Elétricas - Capítulo 5: Instalações em Residências
4
4.3- SÍMBOLOS E CONVENÇÕES
São utilizados para facilitar a execução do projeto e a
identificação dos elementos que constituem os circuitos elétricos (ver
tabela em anexo).
4.4- CARGA DOS APARELHOS E PONTOS DE UTILIZAÇÃO
A potência média dos aparelhos eletrodomésticos e de
aquecimento e as potências nominais de condicionadores de ar tipo
janela consideradas pela CELPA podem ser encontradas nas tabelas
1.1 e 1.2, respectivamente, da NTD-01.
As cargas de iluminação em unidades residenciais, hotéis e
similares podem ser determinadas utilizando-se o seguinte critério:
Em cômodos ou dependências com área igual ou inferior a 6m2 deve
ser prevista uma carga mínima de 100VA.
Em cômodos ou dependências com área superior a 6m2 deve ser
prevista uma carga mínima de 100VA para os primeiros 6m2 e um
acréscimo de 60VA para cada aumento de 4m2 inteiros.
Exemplo: Para uma área com 29m2, deve-se considerar:
 100 VA para os primeiros 6m2.

23
5,75 para os restantes 23m2
4
considerando-se somente o
inteiro, tem-se: 5 x 60 = 300VA.
Então, a carga total a ser considerada será de 400VA.
4.5- TOMADAS DE CORRENTE
Utilizadas para alimentar os aparelhos e máquinas em
residências, escritórios, oficinas e outros. Podem ser divididas em duas
categorias:
Instalações Elétricas - Capítulo 5: Instalações em Residências
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- Tomadas de uso específico: são aquelas projetadas para atender
aparelhos fixos ou estacionários, que embora possam ser removidos,
trabalham sempre em um determinado local (Exemplos: Chuveiros
elétricos, aparelhos de ar condicionado e máquinas de lavar roupa).
Devem ser instaladas a no máximo 1,5m de distância do local previsto
para a colocação do aparelho.
- Tomadas de uso geral: são aquelas projetadas para alimentar outros
aparelhos em geral, que não sejam os fixos e os estacionários.
4.5.1- POTÊNCIA A SER PREVISTA NAS TOMADAS
- Tomadas de uso específico (TUE’s): utiliza-se nos cálculos de projeto
a potência nominal do aparelho a ser alimentado.
- Tomadas de uso geral (TUG’s): os valores mínimos de potência a
serem considerados durante a execução do projeto são os seguintes:
a) Em instalações residenciais:
Em banheiros, cozinhas, copas, copas-cozinhas, áreas de
serviço, lavanderias e locais semelhantes: 600VA por tomada
para as três primeiras tomadas; 100VA para as demais. Quando
o total de tomadas, no conjunto desses ambientes, for superior a
seis pontos, admite-se que o critério de atribuição de potências
seja de, no mínimo, 600VA por ponto de tomada até dois pontos
e 100VA por ponto para os excedentes, sempre considerando
cada um dos ambientes separadamente.
Outros cômodos ou dependências: 100VA por tomada.
b) Em instalações comerciais:
200VA por tomada.
4.5.2- NÚMERO MÍNIMO DE PONTOS DE TOMADAS DE USO GERAL
a) Em instalações residenciais:
Salas e dormitórios: pelo menos um ponto de tomada para cada
5 metros ou fração de perímetro, uniformemente distribuídos.
Cozinhas ou copas-cozinhas: um ponto de tomada para cada
3,5m ou fração de perímetro. Acima de cada bancada com
largura superior a 30cm devem ser previstos, pelo menos, dois
pontos de tomada.
Instalações Elétricas - Capítulo 5: Instalações em Residências
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Banheiros: um ponto de tomada perto da pia.
Subsolos, sótãos, garagens e varandas: uma tomada no
mínimo.
Para outros cômodos ou dependências, que não os
mencionados anteriormente: pelo menos um ponto de tomada a
cada 5m ou fração de perímetro quando a área do cômodo for
maior que 6m2. Se a área do cômodo for igual ou inferior a 6m² e
superior a 2,25m² deve ser previsto, pelo menos, um ponto de
tomada. No caso de área inferior a 2,25m² deve ser previsto, no
mínimo, um ponto de tomada admitindo-se que, em função das
dimensões reduzidas desse local, o ponto possa ser posicionado
externamente à dependência, a até 80cm, no máximo, da sua
porta de acesso.
b) Em instalações comerciais:
Escritório com área
40 m2: uma tomada para cada 3m ou
fração de perímetro, ou uma tomada para cada 4m2 ou fração de
área (adota-se o critério que conduzir ao maior número de
tomadas).
Escritório com área > 40 m2: dez tomadas para os primeiros
40m2; uma tomada para cada 10 m2 ou fração de área restante.
Lojas: uma tomada para cada 30 m2 ou fração, não computadas
as tomadas destinadas a lâmpadas, vitrines e demonstração de
aparelhos.
Obs.: Os pontos de tomada destinados a alimentar mais de um
equipamento devem ser providos com a quantidade adequada de
tomadas.
4.6- DIVISÃO DAS INSTALAÇÕES EM CIRCUITOS
O conjunto de pontos de consumo alimentados pelos
mesmos condutores e ligados ao mesmo dispositivo de proteção (chave
ou disjuntor) constitui um circuito. Nas instalações elétricas polifásicas
os circuitos devem ser distribuídos com o objetivo de assegurar o melhor
equilíbrio de cargas entre as fases, atendendo às seguintes
recomendações:
Os circuitos de iluminação devem ser separados dos circuitos de
tomadas. Nas instalações em residências, hotéis e similares são
permitidos pontos de iluminação e tomadas em um mesmo circuito,
exceto nas cozinhas, copas e áreas de serviço.
Instalações Elétricas - Capítulo 5: Instalações em Residências
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Aparelhos com potência
1500 VA, como chuveiros elétricos e
aquecedores de um modo geral, máquinas de lavar, fogões e fornos
elétricos, bem como aparelhos de ar condicionado, devem ser
alimentados por circuitos independentes. É permitida a alimentação
de mais de um aparelho do mesmo tipo através do mesmo circuito.
Quando um mesmo alimentador abastece vários aparelhos de ar
condicionado deve ser prevista uma proteção individual para cada
aparelho, caso esses não possuam proteção interna própria, além da
proteção geral do circuito.
Cada circuito deve possuir seu próprio alimentador neutro.
Devem ser obedecidas as seguintes prescrições mínimas:
- Em residências: um circuito para cada 60m2 ou fração.
- Em escritórios e lojas: um circuito para cada 50m2 ou fração.
Costuma-se também dividir os circuitos de iluminação e tomadas
colocando, aproximadamente, 1200W de potência para cada um.
4.7- CÁLCULO DA SEÇÃO DOS CONDUTORES
Existem dois critérios básicos para se determinar a seção
dos condutores de uma instalação, conforme estudado no capítulo 3: o
critério da capacidade de condução de corrente e o critério da máxima
queda de tensão admissível. Em circuitos curtos, como o de residências,
é suficiente a utilização do critério da capacidade de condução de
corrente. Em circuitos longos (acima de 15m, por exemplo), deve-se
utilizar os dois critérios, adotando-se a maior seção encontrada.
4.7.1- SEÇÕES MÍNIMAS DOS CONDUTORES EM INSTALAÇÕES
RESIDENCIAIS
Tabela 4.1 :Seções mínimas dos condutores em instalações residenciais
Iluminação
1,5 mm2
Tomadas de corrente em quartos, salas e similares
1,5 mm2
Tomadas de corrente em cozinhas, áreas de serviço,
garagens e similares
2,5 mm2
Aquecedor de água em geral
4,0 mm2
Máquina de lavar roupa
2,5 mm2
Aparelhos de ar condicionado
2,5 mm2
Instalações Elétricas - Capítulo 5: Instalações em Residências
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4.7.2- CORES DOS CONDUTORES
Os condutores utilizados nas instalações de baixa tensão
geralmente obedecem ao seguinte código de cores:





Fase: preto, branco, vermelho ou cinza
Neutro: azul-claro
Terra: verde
PE: verde ou verde-amarelo
PEN: azul-claro
4.8- DETERMINAÇÃO DA PROTEÇÃO DOS CIRCUITOS
 Os condutores e equipamentos que fazem parte de um circuito
elétrico devem ser protegidos contra sobrecorrentes (correntes
elétricas cujos valores excedem o valor da corrente nominal).
 Os equipamentos de proteção contra sobrecorrentes devem ser
capazes de proteger os circuitos contra curto-circuitos (provocados
por falta elétrica) e sobrecargas (resultantes da solicitação do circuito
acima das suas características de projeto).
 Como exemplos desses dispositivos podem
disjuntores, os relés e os fusíveis, entre outros.
ser
citados
os
Obs.: Os dispositivos de manobra ou de comando são equipamentos
elétricos cuja função é ligar ou desligar um circuito em condições
normais de operação.
Portanto, esses equipamentos não têm a função de proteger os
circuitos, mas somente de comandá-los, sendo dimensionados a partir
das características nominais do circuito ao qual estão conectados
(tensão, corrente e freqüência nominal, entre outros).
Os dispositivos de manobra mais utilizados nas instalações
prediais de baixa tensão são: interruptores, chaves seccionadoras,
contactores, botoeiras e chaves-faca.
Os disjuntores termomagnéticos em caixa moldada são os
dispositivos de proteção mais utilizados nas instalações elétricas de
baixa tensão. Possuem acionamento manual e são equipados com
disparadores que atuam em caso de curto-circuito (bobina
Instalações Elétricas - Capítulo 5: Instalações em Residências
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eletromagnética) e disparadores térmicos que atuam em caso de
sobrecarga (lâminas bimetálicas).
Esses dispositivos operam de acordo com as suas curvas de
características térmicas (curva T) e magnéticas (curva M), conforme
pode ser observado na figura 4.7. São dimensionados para correntes
nominais de 6, 10, 13, 16, 20, 25, 32, 35, 40, 45, 50, 63, 80, 90 e 100 A.
tempo (seg. e min.)
característica
térmica
característica
magnética
múltiplo da corrente (A)
Figura 4.7 :Curva característica de um disjuntor termomagnético
Deve-se prestar atenção para a temperatura de operação
para a qual os disjuntores foram projetados, sendo necessário se utilizar
um fator de correção para o caso de os mesmos terem sido projetados
para serem utilizados a uma temperatura mais baixa (geralmente 25ºC).
Os disjuntores tropicalizados são constituídos por um bimetal duplo que
permite que a corrente nominal dos mesmos seja mantida até uma
temperatura superior, normalmente de 50ºC, sem que o mecanismo de
atuação opere.
4.8.1- DIMENSIONAMENTO DOS DISPOSITIVOS DE PROTEÇÃO
4.8.1.1- Proteção contra as Sobrecargas
Os dispositivos de proteção contra sobrecargas devem
interromper os circuitos antes que a corrente possa provocar um
aquecimento prejudicial à isolação dos condutores, aos terminais de
ligação ou aos equipamentos. Esses dispositivos devem ser
dimensionados de forma a satisfazer as seguintes condições:
Instalações Elétricas - Capítulo 5: Instalações em Residências
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a) IP
b) I2
IN Iz
1,45Iz
IP: corrente de projeto do circuito.
IN: corrente nominal de operação do dispositivo de proteção.
Iz: capacidade máxima de condução de corrente do condutor.
I2: corrente que assegura efetivamente a atuação do dispositivo de
proteção, sendo normalmente considerada igual à corrente convencional
de atuação, no caso de disjuntores, ou à corrente convencional de
fusão, para os fusíveis.
Nota: A condição b) é aplicável quando for possível assumir que a
temperatura limite de sobrecarga dos condutores1 não seja mantida por
um tempo superior a 100 h durante doze meses consecutivos ou por
500 h ao longo da vida útil do condutor. Quando isso não ocorrer a
condição b) deve ser substituída por2:
I2
Iz
O valor da Corrente Convencional de Atuação I2 para
disjuntores termomagnéticos em geral pode ser obtido utilizando-se a
tabela a seguir (tabela 4.2).
Tabela 4.2: Tempos e correntes convencionais de atuação (I2) para disjuntores termomagnéticos
Corrente
(IN)
Convencional de
Não-Atuação
1,05
IN 63 A
IN > 63 A
1,05
(I2)
1,35
1,25
Tempo
Temperatura
Convencional (h) Ambiente de
Referência
1
25oC
2
25oC
4.8.1.2- Proteção contra os Curto-Circuitos
Os dispositivos de proteção contra curto-circuito devem
interromper as correntes antes que os efeitos térmicos e mecânicos
provocados pelas mesmas possam se tornar perigosos aos condutores,
às ligações a aos equipamentos. Esses dispositivos devem ser
dimensionados obedecendo as seguintes recomendações:
1
Ver capítulo 4 – Tabela 4.1
NBR 5410 / 2004
Instalações Elétricas - Capítulo 5: Instalações em Residências
2
11
a) IR
Ics
IR: corrente de ruptura do dispositivo de proteção.
Ics: corrente de curto-circuito presumida no ponto da instalação do
dispositivo.
b) Tdd t
Tdd: tempo de disparo do dispositivo de proteção para o valor de Ics.
t: tempo limite de atuação do dispositivo de proteção, em segundos.
Para curto-circuitos simétricos ou assimétricos com duração
inferior a cinco segundos, o tempo limite de atuação do dispositivo de
proteção pode ser calculado pela seguinte expressão:
t
K 2S 2
I cs2
S: seção nominal do condutor, em mm2
K: constante relacionada ao material do condutor e a sua isolação,
sendo admitidos os seguintes valores para condutores de seção nominal
entre 10mm² e 300mm²:
K = 115 para condutores de cobre com isolação em PVC;
K = 143 para condutores de cobre com isolação em EPR ou XLPE;
K = 76 para condutores de alumínio com isolação em PVC;
K = 94 para condutores de alumínio com isolação em EPR ou XLPE;
As correntes presumidas de curto-circuito devem ser
determinadas em todos os pontos da instalação que forem necessários,
nos quais serão aplicados os dispositivos de proteção. O cálculo dessas
correntes em instalações prediais de baixa tensão pode ser realizado
utilizando-se o procedimento simplificado mostrado a seguir.
4.8.2- DETERMINAÇÃO DA CORRENTE DE CURTO-CIRCUITO
PRESUMIDA EM INSTALAÇÕES ELÉTRICAS PREDIAIS
Para o caso de uma falta para a terra, o valor da corrente de
curto – circuito depende basicamente da impedância existente entre a
fonte e o ponto de falta. Nesse caso, o cálculo de Ics em instalações
elétricas prediais pode seguir um procedimento simplificado que
despreza a impedância do sistema de energia da concessionária (a
montante do transformador) e as impedâncias internas dos dispositivos
Instalações Elétricas - Capítulo 5: Instalações em Residências
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de proteção e comando. Para um curto-circuito trifásico simétrico
(condição mais desfavorável) direto (desprezando-se a resistência de
contato), pode-se determinar Ics a partir da seguinte equação:
I cs
V
3Z cc
onde
V: tensão de linha nominal (V)
Zcc: impedância total de curto-circuito (m )
Sendo a impedância de curto – circuito igual a:
Z cc
( RL
RE ) 2
(XL
X E )2
com:
RL: resistência da linha a montante do circuito (m )
RE: resistência equivalente secundária do transformador conectado ao
circuito de alimentação do circuito (m )
XL: reatância da linha a montante do circuito (m )
XE: reatância equivalente secundária do transformador conectado ao
circuito de alimentação do circuito (m )
A reatância do transformador é obtida a partir de:
XE
Z E2
RE2
onde:
ZE: impedância equivalente secundária do transformador (m )
Sendo:
ZE
Z %V 2
100 Sn
com:
Z%: impedância percentual do transformador
Sn: potência nominal do transformador (kVA)
E:
RE
1000 Pcu
3 I n2
Instalações Elétricas - Capítulo 5: Instalações em Residências
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onde:
Pcu: perdas no cobre (tabelado) (W)
In: corrente nominal do transformador (A)
A resistência e a impedância do condutor de alimentação do
circuito são dadas por:
RL
rL
N
e
XL
xL
N
com:
r: resistência específica do condutor (m /m)
x: reatância específica do condutor (m /m)
L: comprimento do condutor a montante do circuito (entre a fonte e o
ponto de curto-circuito) (m)
N: número de condutores em paralelo em uma mesma fase
A impedância total até o ponto de falta deve ser igual a soma
de todas as impedâncias de todos os circuitos do percurso, desde o
transformador até o ponto de falta.
A figura 4.8 fornece um diagrama simplificado para a
determinação de Ics nos circuitos monofásicos ou trifásicos3.
3
Referência: Lima Filho, Domingos Leite, “Projetos de Instalações Elétricas Prediais”, Editora Érica
Instalações Elétricas - Capítulo 5: Instalações em Residências
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Figura 4.8: Diagrama simplificado para determinação da corrente de curto-circuito presumida
Instalações Elétricas - Capítulo 5: Instalações em Residências
15
4.9- ALIMENTAÇÃO MONOFÁSICA, BIFÁSICA E TRIFÁSICA DE
CONSUMIDORES
A alimentação de um consumidor é determinada de acordo
com o tipo de carga que o mesmo possui e pela sua carga total
instalada, que é a soma de todas as potências nominais dos
equipamentos (lâmpadas, motores), incluindo as tomadas.
De acordo com a NTD-01 da CELPA, os consumidores
podem ser classificados segundo o seguinte critério:
Consumidores monofásicos (F-N): são aqueles com carga total
instalada de até 7,5KW. São atendidos em 127V através de redes
alimentadas por transformadores monofásicos ou trifásicos.
Consumidores bifásicos (F-F-N): são aqueles que possuem carga total
instalada de até 15KW. São atendidos em 127/220V através de redes
alimentadas por transformadores trifásicos.
Consumidores trifásicos (F-F-F-N): são aqueles que possuem carga
total instalada de até 75KW (demanda provável de até 66KVA), em
tensão de 127/220V. São atendidos em 127/220V através de redes
alimentadas por transformadores trifásicos.
Consumidores com carga total instalada superior a 75KW
devem ser alimentados pela rede de alta tensão e possuir subestação
abaixadora própria.
As tabelas 9 e 10 da NTD-01 da CELPA determinam a
classe dos consumidores, dimensionam os ramais de ligação e de
entrada (ver seção 4.11) e a potência limite de motores e máquinas de
solda que podem ser utilizados por cada tipo de consumidor.
4.10- CÁLCULO DA DEMANDA
 Nas instalações de energia elétrica raramente são utilizados todos os
pontos de luz ou tomadas ao mesmo tempo.
 Durante o projeto elétrico deve-se fazer o levantamento da carga total
prevista e verificar a categoria na qual se encaixa a instalação
(monofásica, bifásica ou trifásica).
Instalações Elétricas - Capítulo 5: Instalações em Residências
16
 De acordo com essa classificação, pode ser necessário fazer um
levantamento mais aproximado da utilização da carga, a fim de
dimensionar os equipamentos de proteção mais próximos da
realidade (cálculo da demanda).
 Para calcular a demanda, deve-se levar em consideração o fator de
demanda.
Os valores dos fatores de demanda a serem considerados
em diversos tipos de instalações, assim como para diversos tipos de
equipamentos, encontram-se nas tabelas da NTD-01 da CELPA.
Segundo essa norma, nas instalações com potência instalada até 15KW
deve ser considerado fator de demanda igual a 1.
4.10.1DEMANDA
DAS
INSTALAÇÕES
CONSUMIDORAS
ATENDIDAS EM TENSÃO SECUNDÁRIA (DE ACORDO COM A NTD01 DA CELPA)
D (KVA) = d1 + d2 + d3 + d4 + d5 + d6
d1 (KW): demanda para circuitos de iluminação e tomadas.
d2 (KW): demanda para aparelhos de aquecimento de água (chuveiros,
torneiras, aquecedores).
d3 (KVA): demanda para aparelhos de ar condicionado tipo janela
utilizados em residências e escritórios (para outros tipos de utilização
FD = 1).
d4 (KVA): demanda de centrais de condicionamento de ar.
d5 (KVA): demanda para motores elétricos e máquinas de solda.
d6 (KVA): demanda para máquinas de solda a transformador e aparelhos
de raio-X.
4.11- RAMAIS
4.11.1- DENOMINAÇÕES DA CELPA
- Via pública: é a parte da superfície que se destina a circulação pública.
- Ponto de entrega: é o ponto até o qual a CELPA se obriga a fornecer
energia elétrica, responsabilizando-se pelos investimentos necessários,
pela execução dos serviços e pela operação e manutenção dos
mesmos. O ponto de entrega não é, necessariamente, o ponto de
medição.
Instalações Elétricas - Capítulo 5: Instalações em Residências
17
- Centro de medição: local onde estão instalados os medidores de
energia, convenientemente aterrados.
- Caixa para medição: caixa destinada à instalação dos medidores de
energia.
- Entrada de serviço: conjunto de equipamentos, condutores e
acessórios que são instalados desde o ponto de derivação da rede até o
equipamento de medição. Divide-se em ramal de ligação e ramal de
entrada.
- Ramal de ligação: conjunto de condutores e acessórios instalados
entre o ponto de derivação e o ponto de entrega.
- Ramal de entrada: conjunto de condutores e acessórios instalados
entre o ponto de entrega e a caixa para proteção.
Observações:
O ramal de ligação deverá ser instalado pela CELPA, não podendo
ser acessível por janelas, sacadas, telhados, escadas, áreas
adjacentes ou outros locais de acesso de pessoas. A distância mínima
dos condutores a qualquer um desses pontos deve ser de 1,20m na
horizontal;
O ramal de ligação deve ter comprimento máximo de 30m, não
devendo exceder 6m dentro da propriedade do consumidor;
Distância mínima entre o condutor inferior e o solo, na vertical:
 Ruas, estradas ou outros locais com trânsito de veículos: 5,5m.
 Garagens ou outros locais com passagem restrita de veículos: 4,5m.
 Circulação exclusiva de pedestres: 3,5m.
O ramal de entrada deverá ser instalado pelo consumidor,
obedecendo as prescrições contidas nos desenhos da NTD-01.
OUTRAS DEFINIÇÕES DA NTD-01:
- Entrada individual: é todo ramal de entrada que alimenta um único
consumidor com medidor próprio.
Instalações Elétricas - Capítulo 5: Instalações em Residências
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- Entrada coletiva: é quando o ramal de entrada possui a finalidade de
alimentar uma propriedade com mais de um consumidor com área de
serventia comum.
Quando o ramal de ligação excede 6m dentro da propriedade
do consumidor, ou os 30m permitidos, pode-se instalar um poste
particular para fixar o ponto de entrega. Nesse caso, a entrada de
serviço pode ser com ramal de ligação e ramal de entrada aéreos, ramal
de ligação aéreo e ramal de entrada subterrâneo ou ambos os ramais
subterrâneos.
Obs: Poste particular: 5m para consumidor localizado do mesmo lado
do secundário da CELPA.
7m para consumidor localizado do lado oposto
ao secundário da CELPA.
Engastamento mínimo: 1,2m.
4.12- LEVANTAMENTO
TÉCNICAS
DE
MATERIAL
E
ESPECIFICAÇÕES
Para a execução de um projeto elétrico residencial precisa-se
previamente realizar o levantamento do material, que consiste em
relacionar todo o material que aparece na planta residencial a ser
empregado na construção.
Para determinar as medidas dos eletrodutos e fios deve-se:
 Medir diretamente na planta os eletrodutos representados no plano
horizontal.
 Somar, quando for o caso, os eletrodutos que sobem e descem até as
caixas.
Medidas do eletroduto no plano horizontal: são feitas na própria planta
residencial.
Medidas dos eletrodutos que descem até as caixas: são determinadas
descontando-se a altura em que a caixa está instalada da soma da
medida do pé direito com a medida da espessura da laje da instalação.
Instalações Elétricas - Capítulo 5: Instalações em Residências
19
Exemplo: Instalação com pé direito igual a 2,80m e espessura da laje
igual a 15cm.
2,80 + 0,15 = 2,95m
Caixa para tomada alta (instalada a 2,00m do piso acabado)
comprimento do eletroduto: 2,95 - 2,00 = 0,95m
Caixa para interruptor e tomada média (instalada a 1,30m do piso
acabado)
medida do eletroduto: 2,95 - 1,30 = 1,65m
Medidas dos eletrodutos que sobem até as caixas: são determinadas
somando-se a medida da altura da caixa com a espessura do
contrapiso.
Exemplo: Instalação com 0,10m de espessura de contrapiso:
Caixa para tomada baixa (instalada a 0,30m do piso acabado)
comprimento do eletroduto: 0,30 + 0,10 = 0,40m
Caixa para tomada média (instalada a 1,30m do piso acabado)
comprimento do eletroduto: 1,30 + 0,10 = 1,40m
Observações:
O quadro de distribuição é instalado a 1,20m do piso acabado.
A medida dos condutores de alimentação é a mesma medida dos
eletrodutos por onde eles passam.
Tendo-se medido e relacionado os condutores e os eletrodutos,
determina-se também o número de:
caixas (retangular - 4” x 2”; quadrada - 4” x 4”; octogonal - 4” x 4”)
curvas (45o; 90o ); luvas; buchas e arruelas
tomadas (bipolar; tripolar; simples; dupla)
interruptores (simples; duas teclas; três teclas; quatro teclas;
conjugado; “three way”)
outros componentes: quadro de distribuição; disjuntores; botão de
campainha; campainha; barras de aterramento, etc.
Instalações Elétricas - Capítulo 5: Instalações em Residências
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