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O ESTADO DE S. PAULO
QUINTA-FEIRA, 19 DE DEZEMBRO DE 2013
Política A7
WERTHER SANTANA/ESTADÃO-26/9/2013
Suspeitos de ligação
com cartel mantêm
cargos em estatais
Dois funcionários que ocupam funções estratégicas no Metrô e na
CPTM são investigados pela PF e pelo Ministério Público Estadual
Fernando Gallo
Ricardo Chapola
Fausto Macedo
O Metrô e a CPTM mantêm
em seus altos escalões funcionários investigados pela Polícia Federal e pelo Ministério
Público sob suspeita de receberem propina do cartel de
trens em São Paulo.
José Luiz Lavorente, diretor
de operação e manutenção da
CPTM, e Décio Tambelli, assessor técnico e ex-diretor de operações do Metrô, são alvos dos
inquéritos que apuram a existência do cartel de trens no Supremo Tribunal Federal e também no Ministério Público do
Estado de São Paulo.
Outro funcionário do Metrô,
Nelson Scaglione, também investigado sob suspeita de receber propina, foi exonerado do
cargodegerentedesistemasanteontem. Reportagem do jornal
OGloborevelouqueumaempresa da qual Scaglione foi sócio, a
Celog, teve participação societária em outra empresa, a Façon, que foi subcontratada pela
multinacional francesa Alstom
para obras na Linha 2-Verde do
Metrô. A extensão desse ramal
faz parte do grupo de obras em
que o cartel denunciado pela
Siemens teria agido.
Scaglione,contudo,foiexonerado apenas do cargo de confiança que ocupava. Ele continua sendo servidor do Metrô.
Lavorente e Tambelli também
são funcionários de carreira.
‘Não fiz nada daquilo
de que sou acusado’,
diz diretor da CPTM
O engenheiro José Luiz Lavorente desafiou quem o acusa.
“Estou à disposição do Ministério Público e da Polícia Federal
para quantas acareações forem
necessárias, a qualquer tempo,
em qualquer lugar. Tudo indica
que seja ele (Everton Rheinheimer) o autor das acusações,
mas não posso afirmar peremptoriamente que seja.”
Lavorente, desde 1999 na
CPTM, hoje diretor de operações e manutenção da companhia, demonstra preocupação
com sua imagem. “Uma vida inteira dedicada ao trabalho não
pode ser jogada na lama. Não fiz
nada daquilo de que sou acusa-
do.Sou vítima deuma denúncia
falsa, da qual não tenho ideia da
origem e desconheço a motivação.Nãopossoadmitirqueatinjam minha honra. A área jurídica da CPTM acompanha o caso.
Fui informado que por falta de
qualquer indício a Polícia Federal me excluiu da investigação.”
“Prestei os esclarecimentos
em todos os órgãos que me chamaram”, ressalta. “Abro espontaneamente meu sigilo bancário. Eu não devo, eu não tenho o
que temer. Só tenho medo da
mácula da honra”, pondera.
Ele disse que conhece Rheinheimer. “Eu o encontrei meia
dúzia de vezes, se tanto, em
Os três foram acusados pelo
ex-diretor da Siemens Everton
Rheinheimer em um relatório
não assinado – datado de 17 de
abril de 2013 –, posteriormente
entreguepeloministroda Justiça,José Eduardo Cardozo, àPolícia Federal. No texto, o executivoafirmaqueLavorente,Tambelli e Scaglione estavam “há
mais de dez anos na folha de pagamento da MGE”, empresa
que, segundo investigadores,
era subcontratada pela Siemenscomafunçãodepagarpropina a agentes públicos.
Rheinheimer também afirmou que cada um dos três levava “uma vida incompatível com
sua remuneração” nas estatais
paulistas. Ele ainda disse que
Scaglione era a “eminência par-
eventossociais,comonoaniversário de 100 anos da empresa na
Sala São Paulo. Algumas vezes
emreuniões de trabalho na execução de objeto contratual.”
Disse que conhece Arthur
Teixeira. “Eu o conheci quando
do fornecimento do Expresso
Leste,anos 2000. Elevinha junto com as empresas do consórcio que forneceu o trem. Era
um contratado das empresas e
as representava.”
O criminalista José Luís Oliveira Lima disse que Ronaldo
Moriyama sempre pautou sua
conduta pela correção. “Jamais
efetuouou autorizou pagamento de valores ilegais. Tão logo
tenhaacessoformaladocumentos e depoimentos com ilação a
seurespeitotomarámedidasjudiciais cabíveis.”
OengenheiroNelsonScaglione disse que é funcionário do
Metrô desde 1974, quando foi
coordenadorde montagem. Estava exercendo o cargo de gerente de implantação de siste-
Parcial. Jurandir Fernandes tirou cargo de confiança de um dos três funcionários suspeitos
da” do Metrô, e que foi “através
dele que a MGE conseguiu monopolizaroslucrativos(superfaturados) contratos de reforma
de rotativos do Metrô”.
O executivo depois corroborou as declarações em depoimentos à Polícia Federal e ao
Ministério Público Federal.
Na carta anônima que enviara ao ombudsman da Siemens
em junho de 2008, o ex-diretor
da multinacional já afirmara
que os três estiveram na “lista
de pagamento” da MGE “por
muitos anos”.
Mariângela Gallucci / BRASÍLIA
A Controladoria-Geral da
União (CGU) decidiu proibir a
Técnica Construções S.A. de
firmar contratos com órgãos e
entidades da administração
pública. A Técnica é subsidiária da construtora Delta, do
empresário Fernando Cavendish, suspeita de envolvimento em um esquema de corrupção e já alvo de medida semelhante no Estado de São Paulo.
De acordo com informações
divulgadas ontem pela CGU, o
órgão estendeu à Técnica os
efeitos da declaração de inidoneidade aplicada à Delta, em
2012, por suspeita de pagamento de propinas. A medida tem o
objetivo de impedir fraude à
lei, segundo a CGU.
ConformeaComissãodeProcesso Administrativo de Fornecedores, que é responsável por
● Resposta
“Admitir a existência de
fraude na constituição da
Técnica implica atribuir a
credores, Judiciário e
Promotoria a condição de
participantes da fraude”
Técnica Construções
EM NOTA OFICIAL
apurar suspeitas de fraudes cometidas por empresas, seria absurdo deixar de fora da medida
uma subsidiária integral. “É como se um cidadão que comete
Políticos. Reinheimer também
afirmou, nas cartas e em depoi-
mentos, que o consultor Arthur
Teixeira–apontadocomolobista pela Polícia Federal – lhe disse que o secretário da Casa Civil
de São Paulo, Edson Aparecido
(PSDB) e o deputado Arnaldo
Jardim (PPS-SP) recebiam propina. O ex-diretor citou ainda
os secretários José Aníbal
(PSDB) e Rodrigo Garcia
(DEM) como envolvidos em
“acordos financeiros”.
Os quatro figuram como partes do inquérito que agora está
sobaresponsabilidadedaministra Rosa Weber, do STF.
● Defesa
“Nunca recebi propinas de
quem quer que seja. Levo
uma vida condizente com a
carreira que construí”
Nelson Scaglione
FUNCIONÁRIO DO METRÔ
mas. “Por ser um cargo de confiança acabei sendo exonerado
paraqueaadministraçãopudesse ter total liberdade de promover as apurações necessárias e
também para que eu pudesse
apresentar minha defesa. Conheci Rheinheimer e com ele
mantive pouquíssimos contatos, exclusivamente profissionais. Nunca recebi propinas de
quem quer que seja. Não sei por
qual razão esse sujeito faz afirmações falsas. Não tive nenhuma participação no processo de
contratação de reforma dos
trens. Levo uma vida condizente com a carreira profissional
que construí.” F.M., F.G. e R.C.
CGU também declara subsidiária da Delta inidônea
Técnica já havia sido alvo
de medida semelhante
em São Paulo; para
órgão federal, empresa
tenta ‘fraudar a lei’
Ontempela manhã,osecretário dos Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, afirmou que Nelson Scaglione
“achou importante se afastar
um pouco” de seu cargo.
“É melhor que ele possa também trabalhar na defesa dele.
Ele já apresentou uma série de
motivos. Agora vai ter mais espaço e mais tempo para poder
se defender melhor e explicar”,
afirmou o secretário.
um crime venha a encontrar um
meio legal de alterar seu nome
para fugir dos rigores de uma
condenação”, afirma o órgão.
A CGU concluiu que, nesse
caso, haveria uma “manobra”
com o objetivo de tentar substituir a Delta, que sofreu uma crise de imagem por causa de suspeitas de envolvimento com
corrupção. A Controladoria
ressaltou que a extensão da declaração de inidoneidade é reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Em julho, o Estado revelou
que a Técnica, criada em feve-
No inquérito. Em relatório não assinado de abril, ex-executivo
da Siemens citou três dirigentes do Metrô e da CPTM
reiro, participava de licitações
em São Paulo, envolvendo
obras na bacia do Rio Tietê, orçadas em R$ 2 bilhões, e a duplicação de uma rodovia, por R$
54,6milhões. A empresa funcionava no mesmo endereço da
Delta na capital paulista.
Na ocasião, a CorregedoriaGeral da Administração e a Procuradoria-Geral do Estado apuravamseaparticipaçãodaTécnicanoseditaiseralegalounão.Na
semana passada, o Tribunal de
Contas do Estado (TCE) declarouaempresainidônea,aoanalisar certame do Departamento
de Estradas e Rodagem (DER) e
recomendou ao governo estadual que estendesse o efeito da
medida a outras licitações.
Em nota, a Técnica diz que
tentará anular a decisão da
CGU via ação judicial. A empresa alega que a medida tomada
pelo órgão “ignora o fato – notório edevidamente comprovado – de a Técnica ter sido constituída no âmbito do Plano de
Recuperação Judicial (PRJ) da
sua controladora”, com aval
do Judiciário e do Ministério
Público. “Admitir a existência
de fraude na constituição da
Técnica implica atribuir aos
credores, ao Poder Judiciário e
ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro a condição de participantes da fraude,
o que deixa ainda mais evidente o desacerto quanto ao entendimento da CGU.”
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