fenotipagem em milho para tolerância à seca e ao calor na região

PARTE 1
FENOTIPAGEM EM MILHO PARA TOLERÂNCIA À SECA E AO
CALOR NA REGIÃO MEIO-NORTE DO BRASIL*
Milton José Cardoso1
* Palestra apresentada no painel Seca e Calor e seus Impactos na Produção de Milho e Sorgo,
durante o XXVIII CONGRESSO NACIONAL DE MILHO E SORGO – Goiânia, GO. 29/08 a
02/09/2010.
1
Eng. Agrôn., D.Sc., pesquisador da Embrapa Meio-Norte, Caixa Postal 01, CEP 64.006-220
Teresina, Piauí, Brasil. E-mail: miltoncardoso@cpamn.embrapa.br
Em todo o Brasil a cultura do milho tem sua importância sócioeconômica entre as
culturas de grãos pelo seu destaque tanto na alimentação humana como animal.
Anualmente são plantados cerca de 13 milhões de hectares com um rendimento médio de
grãos em torno de 4,13 Mg ha-1 (Figura 1).
Figura 1. Área, rendimento de grãos e produção de milho no Brasil nas safras 2008/2009 e 2009/2010.
O Nordeste do Brasil, com uma área total de 1.561.177 km², é dividido em quatro subregiões: Meio-Norte, Sertão, Agreste e Zona da Mata, as quais são caracterizadas a
seguir, segundo o IBGE) (Figura 2):
Meio-Norte: é uma faixa de transição entre a Amazônia e o Sertão, abrange os
estados do Maranhão e Piauí, também é chamada de Mata dos Cocais, devido às
palmeiras de babaçu e carnaúba, no litoral chove cerca de 2.000 mm anuais, indo
mais para o leste e/ou para o interior, esse número cai para 1.500 mm anuais. No sul
do Piauí, uma região mais parecida com o sertão, só chove 700 mm por ano, em
média.
Sertão: localizado, geralmente, no interior do Nordeste, possui clima semiárido. Em
estados como Ceará e Rio Grande do Norte, chega a alcançar o litoral, descendo
mais ao sul, o Sertão alcança o Norte de Minas Gerais, no Sudeste. As chuvas são
irregulares e escassas, existem constantes períodos de estiagem. A vegetação típica
é a Caatinga.
Agreste: zona de transição entre a Zona da Mata e o Sertão, localizado no alto do
planalto da Borborema (serra da Borborema ou serra das Russas – região
montanhosa), é um obstáculo natural para a chegada das chuvas ao sertão, se
estendendo do sul da Bahia até o Rio Grande do Norte. O principal acidente
geográfico da região é o planalto da Borborema. Do lado leste do planalto estão as
terras mais úmidas (Zona da Mata); do outro lado, para o interior, o clima vai
ficando cada vez mais seco (sertão).
Zona da Mata: localizada ao leste, entre o planalto da Borborema e a costa, se
estende do Rio Grande do Norte ao sul da Bahia. As chuvas são abundantes. A zona
da mata recebeu este nome por ter sido coberta pela Mata Atlântica.
Figura 2. Sub-regiões e estados localizados no Nordeste brasileiro. 1) Meio-Norte, 2)
Agreste, 3) Sertão e 4) Zona da Mata.
Na região Nordeste são plantados anualmente, aproximadamente, dois milhões e
setecentos mil hectares de milho com um rendimento médio de grãos de 1,51 Mg ha-1,
bastante baixo quando comparado aos rendimentos médios obtidos no Centro-Oeste,
Sudeste e Sul do Brasil (Figura 3). Esse baixo rendimento está relacionado, no geral, aos
sistemas de produção praticados em cada região, bem como a fatores edafoclimáticos como
solos de baixa fertilidade e a distribuição de chuvas irregulares associados muitas das vezes
a altas temperaturas e baixa umidade de ar.
Figura 3. Área, rendimento de grãos e produção de milho por região no Brasil nas safras 2008/2009 e
2009/2010.
No Meio-Norte brasileiro o milho também tem destaque, pois anualmente são
semeados cerca de 692 mil hectares com um rendimento médio de grãos de 1,27 Mg ha-1
(Figura 4).
Figura 4. Área, rendimento de grãos e produção de milho por região no Brasil nas safras 2008/2009 e
2009/2010.
Considerando as estações do ano no hemisfério sul (verão, outono, inverno e
primavera), somente duas são observadas na região Meio-Norte, conhecidas popularmente
como “inverno” (dezembro a maio - período chuvoso) e “verão” (junho a novembro período seco) onde, dependendo da região de cada estado, as chuvas têm início em outubro,
dezembro ou fevereiro. Semelhante a todos os estados do Nordeste brasileiro, as chuvas são
irregulares e são frequentes as estiagens conhecidas como “veranicos”, onde são mais
agravantes em anos de “El Niño” (aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico
Tropical Central e do Leste), conhecidos também como “seca verde”, pois as chuvas são
intensas em um curto espaço de tempo sem ocorrer precipitação em um longo período. No
Brasil apresentam sinais consistentes de El Niño as regiões Nordeste, Amazônia (tendência
para secas) e Sul (mais chuvas). As outras regiões não apresentam sinal claro de impactos
na chuva, porém durante o El Niño todo o país tende a apresentar temperaturas atmosféricas
mais elevadas, seja no verão ou no inverno. A região Sul apresenta os impactos do El Niño
desde o inverno e primavera do ano anterior ao pico do fenômeno (que acontece no verão),
e apresenta tendência às secas ou menos chuvas durante La Niña (esfriamento das águas
superficiais do Oceano Pacífico Tropical Central e do Leste), no inverno e primavera. É
claro que secas e enchentes podem também ter outras causas, além do El Niño ou La Niña.
Se isso ocorrer na fase crítica (florescimento) de uma lavoura de sequeiro como, por
exemplo, milho, soja, arroz de terras altas, feijão-caupi, as consequências no rendimento
final da cultura são drásticas. Nesses anos, além das estiagens frequentes ocorrem também
períodos de altas temperaturas diurnas e noturnas (> 32 oC) onde aumentam mais os efeitos
deletérios sobre o desenvolvimento e crescimento das plantas, pois ficam submetidas ao
estresse hídrico e a altas temperaturas. O milho é extremamente sensível à deficiência
hídrica durante a fase vegetativa, e se ocorrer na fase de florescimento e enchimento de
grãos haverá redução de rendimento de grãos. Isso está relacionado à diminuição na
expansão foliar; na redução do aproveitamento dos nutrientes do solo e na redução da área
fotossintetizante das plantas. A pressão do estresse na planta fica mais agressiva quando
além da deficiência hídrica ocorre ao mesmo tempo o estresse de altas temperaturas,
contribuindo ainda mais para a redução da taxa fotossintética líquida, devido ao aumento da
taxa da respiração o que vai afetar diretamente o rendimento final. A elevação das
temperaturas no período noturno aumenta o consumo energético da planta em função do
aumento da respiração celular, o que provoca menor saldo de fotoassimilados,
proporcionando menor rendimento da cultura. O ciclo da planta é reduzido acentuadamente
quando submetida à temperatura elevada. O estresse provocado pelas altas temperaturas,
seja transitório ou contínuo, já afeta algumas regiões onde se pratica agricultura, inclusive
no Brasil. Por meio da transferência entre indivíduos de características que garantem
termotolerância, acredita-se ser possível superar o estresse térmico. O estresse por altas
temperaturas pode ocorrer em diferentes fases de desenvolvimento da planta, desde a
germinação ao enchimento de grãos, o que alimenta o desafio para a pesquisa de controlar
essa característica.
O aquecimento global está afetando os ecossistemas, causando a destruição ou a
degradação do habitat e a perda permanente da produtividade, ameaçando tanto a
biodiversidade como o bem-estar da humanidade. O Intergovernmental Panel on Climate
Change (IPCC) enfatiza que, até o ano 2100, a taxa média global aumentará de 1,60 oC a
5,8 oC – taxa de aquecimento de 0,1 oC a 0,4 oC por década. No Brasil, valores mais
elevados da taxa de aquecimento serão na Floresta Amazônica e as menores na região
Sudeste, junto à Costa da Mata Atlântica. As regiões tropicais e subtropicais, ou de baixas
latitudes, serão as mais afetadas pelas mudanças climáticas, em longo prazo, conforme
previsão dos modelos climáticos.
As mudanças climáticas, no que diz respeito ao aquecimento global, poderão ter
forte efeito na produção agrícola nacional, onde alternativas que controlem e/ou mitiguem
esses efeitos são necessários como, por exemplo, a diminuição de emissão dos gases do
efeito estufa (CO2; CH4; N2O etc.), a mitigação e o aumento de pesquisas nas áreas de
fitomelhoramento e agrobiotecnologia.
No caso do milho, em cenários otimistas e pessimistas futuros, será a terceira
cultura mais prejudicada no país em termos de valor de produção com o aquecimento
global. Com o aumento da temperatura, espera-se que a quantidade de graus-dias seja
atingida mais rapidamente, encurtando o ciclo da planta. O Agreste nordestino, atualmente
responsável pela maior parte da produção regional de milho, sofrerá uma forte redução da
área de baixo risco para a cultura, assim como o sul do Maranhão, o sul do Piauí, o oeste da
Bahia e o Centro-Oeste do país. Uma das principais fontes alimentares para aves, suínos e
bovinos, o milho chegará a 2020 com uma área favorável 12 % menor nos dois cenários,
número que sobe para 15 % em 2050 e 17 % em 2070. Tomando como base a produção de
42,6 milhões de toneladas, que teve como valor R$ 9,9 bilhões, segundo números de 2006
do IBGE, o aquecimento deve provocar uma queda em torno de R$ 1,2 bilhão no valor da
produção em 2020. O prejuízo pode passar a cerca de R$ 1,5 bilhão em 2050, chegando a
R$ 1,7 bilhão em 2070.
Para o Meio-Norte brasileiro, no caso específico do milho, a Embrapa Meio-Norte,
em parceria com a Embrapa Milho e Sorgo, vem executando trabalho desde 2006 voltados
à fenotipagem para tolerância à seca e a altas temperaturas onde alguns resultados mostram
o comportamento de genótipos de milho em situações contrastantes. Ressalta-se que no ano
de 2002 trabalhos conduzidos em sistema de plantio convencional, sob regime de sequeiro,
no município de Bom Jesus, PI, onde os ensaios sofreram deficiência hídrica em vários
estádios, mostram genótipos altamente sensíveis ao estresse e outros tolerantes. Neste
mesmo ano, em outros municípios localizados em Baixa Grande do Ribeiro, PI, e São
Raimundo das Mangabeiras, MA, trabalhos cultivados em sistema de plantio direto
mostram pouca influência da deficiência hídrica no rendimento de grãos, proporcionada
pelos efeitos do benefício da prática do plantio direto e pelo aumento do teor da matéria
orgânica do solo, o que favorece a retenção de umidade e o teor de nutrientes para as
plantas.
Resultados de trabalhos executados, durante os meses de setembro a dezembro de
2008, no sítio de fenotipagem em Teresina, PI, também mostram genótipos de milho com
características para tolerância à seca (Tabelas 1 e 2). Os componentes de rendimento
número de espiga por área, peso de espiga por área, número de grãos por área e peso de
cem grãos foram os mais afetados pela deficiência hídrica aplicados durante as fases de
florescimento e início de enchimento de espigas. A redução no rendimento de grãos devido
à deficiência hídrica foi de 75,7 %.
Tabela 1. Valores médios do número de espigas (NE), peso de espigas (PE), relação grão espiga
(Gr/Es), número de grãos (NGr), peso de 100 grãos (P 100g) e de produtividade grãos (PG) de seis
genótipos de milho sob deficiência hídrica. Teresina, PI, 2008(¹)
Genótipos
6626-5 x 6626-19
6618-13 x 6618-18
6620-56 x 6620-57
6619 LPS C7 F2
6620-3 x 6620-15
6618-3 x 6618-14
NE (m²)
3,3 a
3,2 a
2,3 b
2,5 ab
2,3 b
2,3 b
PE (g/m²)
361 ab
380 a
305 ab
319 ab
276 ab
252 b
Gr/Es (%)
63 a
59 ab
56 ab
50 b
54 ab
52 b
NGr(m²)
800 a
654 ab
618 abc
585 abc
516 bc
386 c
P 100g (g)
29,4 bc
32,1 b
27,7 c
27,1 c
29,5 bc
34,1 a
PG (kg ha-1)
2.289 a
2.283 a
1.720 ab
1.620 ab
1.507 b
1.342 b
2,6
316
56
593
30,1
1.794
Média
11,62
13,95
6,64
14,45
3,77
14,35
CV (%)
()
¹ Médias seguidas da mesma letra na coluna, não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de significância.
Tabela 2. Valores médios do número de espigas(NE), peso de espigas(PE), Relação grão espiga
(Gr/Es), Número de Grãos (NGr), peso de 100 grãos (P 100gr) e de produtividade grãos(PG) de 6
genótipos de milho, sob Irrigação plena. Teresina, PI, 2008(¹).
Genótipos
NE (m²)
PE (g/m²)
Gr/Es (%)
NGr(m²)
P100gr (g) PG (kg ha-1)
6618-13 x 6618-18
6,6 a
1.154a
79 a
2.682 a
34,3 b
9.110 a
6626-5 x 6626-19
6,4 a
1.042 ab
75 ab
2.250 ab
34,6 b
7.893 b
6619 LPS C7 F2
7,1 a
921 bc
78 a
2.165 b
33,5 bc
7.207 b
6620-3 x 6620-15
6,4 a
1.009 ab
70 b
2.171 b
31,4 bc
7.077 bc
6618-3 x 6618-14
6,9 a
970 bc
72 ab
2.203 ab
38,4 a
7.075 bc
6620-56 x 6620-57
5,3 a
807 c
73 ab
2.053 b
30,8 c
5.927 c
6,4
984
74
2.254
33,8
7.381
Média
13,98
6,45
3,06
8,25
3,55
5,84
CV (%)
( )
¹ Médias seguidas da mesma letra na coluna, não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de significância.
Em outro estudo, no mesmo período, no ano de 2009, no mesmo sítio, com 36
híbridos comerciais, sendo oito testemunhas, a amplitude de variação para o rendimento de
grãos foi de 1.157 kg ha-1 a 7.946 kg ha-1, com média geral do ensaio de 3.718 kg ha-1.
Dezessete híbridos produziram acima dessa média com destaque para os híbridos DKB
390, 2 B 707, BRS 1001, BRS 1040, BRS 2020 e BRS 1031 com rendimentos de grãos
acima de 5.000 kg ha-1. (Tabela 3). Os componentes de rendimentos, números de grãos por
área, número de espiga por área, número de fileiras de grãos por espiga, número de grãos
por fileira e peso de cem grãos foram os mais afetados pela deficiência hídrica. A
deficiência hídrica aplicada foi moderada no período de pré-florescimento a início de
enchimento de espiga (em média 70 % do nível de esgotamento de água no solo).
Provavelmente, o aumento do intervalo entre as fases do pendoamento e espigamento, bem
como a redução da taxa fotossintética tenham favorecido para o abortamento de pólen, além
de serem agravados por fatores climáticos como altas temperaturas e baixa umidade relativa
do ar (Figuras 5, 6 e 7), afetando assim os componentes de rendimento com consequente
redução no rendimento de grãos. Neste trabalho, foi possível identificar materiais com
características para tolerância à seca o que certamente servirão de informações para
trabalhos voltados para o fitomelhoramento, bem como para a agrobiotecnologia. Trabalhos
têm mostrado que a deficiência hídrica aumenta a temperatura foliar e reduz a condutância
estomática, a transpiração, o potencial de água nas folhas e o rendimento de grãos.
Outros trabalhos, na região, estão sendo desenvolvidos, como é o caso do
Zoneamento de Risco Climático para os Estados do Piauí e Maranhão, com objetivo de
mostrar uma definição das épocas de semeaduras através do balanço hídrico do solo, o que
contribui para reduzir o risco climático causado pela distribuição irregular das chuvas.
Figura 5. Temperaturas médias mínimas e máximas do ar e umidade relativa média do ar mensais
durante os anos de 2008 e 2009 obtidas em estações meteorológicas próximas aos campos experimentais do
sítio de fenotipagem no município de Teresina, PI.
Figura 6. Índice de área foliar de dois genótipos de milho com e sem deficiência hídrica. Estresse
durante vinte dias com início uma semana antes do pendoamento e término após o início da fase de
enchimento das espigas. Teresina, 2009.
As respostas fisiológicas para tolerância à seca podem variar de acordo com a
severidade e a duração de imposição do estresse, o estádio fenológico e o material genético.
Com relação ao estádio fenológico, o milho é particularmente muito sensível no estádio de
florescimento. Seca durante este período leva a um aumento no intervalo entre o
florescimento masculino e o feminino, que é negativamente correlacionado com o
rendimento.
Com deficiência hídrica-58 DAP
Com deficiência hídrica-85 DAP
Sem deficiência hídrica-58 DAP
Sem deficiência hídrica-85 DAP
Figura 7. Ensaio de fenotipagem para tolerância à seca em milho. DAP: número de dias após o plantio.
Teresina, PI, 2009. Fotos de Milton José Cardoso.
Neste sentido, é bom ressaltar que a temperatura e o regime de distribuição da água
são as principais variáveis do clima que terão impacto na agricultura global devido às
mudanças climáticas. Nesse caso, o fitomelhoramento é de grande importância na
adaptação das culturas às condições de estresse, que poderão ocorrer em maior intensidade
em cenários futuros.
A Embrapa, em cooperação com o governo japonês, está testando uma nova
variedade de soja que recebeu, por meio da agrobiotecnologia, um gene que lhe dá maior
capacidade de tolerar períodos mais secos extraído da primeira espécie de planta a ter o
genoma sequenciado, denominada Arabidopsis thaliana. É uma planta herbácea da família
das Brassicaceae, a que também pertence à mostarda. É um dos organismos modelo para o
estudo de genética, em botânica, tendo um papel semelhante ao da drosófila, noutros tipos
de pesquisa genética. As pesquisas ainda estão em andamento para avaliar o desempenho
em condições de campo e possíveis impactos no ambiente, antes de ser liberada para uso
comercial.
Tabela 3. Rendimento de grãos e componentes de rendimentos de 36 híbridos comerciais de milho
sob deficiência hídrica. Teresina, Piauí, 2009.
Híbrido
TIP
RGHA
NGM²
PGM²
NFE
G1FIL
NEM²
DKB 390
HS
7.946 a
2.791 a
795 a
17,40 a
32,8 a
5,52 a
2B 707
HS
6.826 b
2.542 a
683 b
17,35 a
35,15 a
6,56 b
BRS 1001
HS
5.799 c
1.989 b
580 c
13,65 c
28,1 a
4,58 c
BRS 1040
HS
5.791 c
1.791 b
579 c
14,15 c
31,6 a
5,00 c
BRS 2020
HD
5.286 c
1.908 b
529 c
13,93 c
33,75 a
4,90 c
BRS 1031
HS
5.270 c
1.839 b
527 c
13,0 d
30,40 a
5,10 c
3740 109
HT
4.941 c
1.662 b
494 c
13,94 c
22,33 c
4,69 c
CIMMYT 6618
HS
4.875 c
1.764 b
488 c
14,15 c
23,85 b
4,17 d
1F6405
HS
4.857 c
1.745 b
486 c
15,45 b
28,85 a
5,52 b
AG 9040
HS
4.629 c
1.716 b
463 d
16,30 b
26,48 b
4,63 c
BRS 1035
HS
4.500 c
1.586 b
450 d
12,25 d
27,45 a
4,11 d
3740129
HT
4.285 c
1.560 b
429 d
13,53 d
26,23 b
3,89 d
CIMMYT 6626
HS
4.104 c
1.477 b
410 d
12,25 d
28,90 a
4,72 c
BRS 3061
HT
4.017 c
1.371 c
401 d
13,67 c
26,45 b
4,17 d
3E528-5
HT
4.010 c
1.308 c
401 d
13,05 d
24,67 b
4,00 d
2F633-5
HD
3.783 e
1.339 c
378 e
13,00 d
21,82 c
5,23 c
BRS 306
HT
3.782 e
1.267 c
378 e
13,37 d
18,78 c
3,53 d
BRS 3035
HT
3.531 e
1.193 c
353 e
13,50 d
26,15 b
4,27 c
BR 201
HD
3.483 e
1.169 c
348 e
13,80 c
30,95 a
3,36 d
BRS 1030
HS
3.477 e
1.172 c
348 e
13,10 d
24,85 b
3,84 d
BRS 1010
HS
3.241 e
1.062 c
324 e
14,30 c
21,53 c
4,05 d
BRS 3150
HT
3.230 e
1.134 c
323 e
14,60 c
22,12 c
2,71 e
BR 206
HD
3.089 e
1.114 c
309 e
16,34 b
33,15 a
3,91 d
AS 1567
HS
3.032 e
1.084 c
303 e
14,50
26,40 b
3,34 d
P 30F35
HS
2.961 e
1.065 c
296 e
16,09 b
25,66 b
3,85 d
5780280
HS
2.865 e
969 c
287 e
14,43 c
22,45 c
4,03 d
BRS 3035
HT
2.829 e
1.068 c
283 e
13,93 c
20,15 c
3,54 d
5780235
HS
2.694 e
967 c
269 e
15,25 b
21,85 c
4,33 c
BRS 2022
HD
2.428 f
877 d
243 f
14,40 d
19,99 c
3,13 e
5780287
HS
2.268 f
768 d
227 f
13,40 d
25,40 b
3,71 d
BRS3003
HT
2.259 f
731 d
226 f
12,70 d
21,65 c
3,69 d
DKB 330
HS
1.944 f
727 d
194 f
14,51 c
21,70 c
3,08 e
2B710
HS
1.769 f
656 d
177 f
16,60 a
23,68 b
2,66 e
BRS 2223
HD
1.540 f
514 d
154 f
13,22 d
26,84 b
2,08 e
BR 2114
HD
1.346 f
506 d
135 f
13,45 d
24,27 b
2,50 e
BR 205
HD
1.157 f
381 d
116 f
14,53 c
30,97 a
2,38 e
3.718
1.300
372
14,3
26,0
4,02
Média
18,4
20,2
18,4
6,3
15,3
13,5
CV%
**
**
**
**
**
**
Teste-F
HD: híbrido duplo; HT: híbrido triplo; HS: híbrido simples; RGHA: Rendimento de grãos (kg ha-1); NGM2:
número de grãos por m2; PGM2: peso de grãos por m2; NFE: número de fileiras de grãos por espiga; G1FIL:
número de grãos por fileira e NEM2: número de espiga por m2. ** Significativo ao nível de 5% pelo teste F.
Na coluna média seguidas da mesma letra são iguais ao nível de 5% pelo teste de Scott-Knott.
Deve ser enfatizado que as soluções não estão só voltadas para a tolerância à seca e
a altas temperaturas, mas devem ser alertadas para as mudanças climáticas, de um modo
geral, e seus efeitos sobre o planeta, pois não se pode ignorar essa situação. Sivakumar,
M.V.K., diretor da Organização Meteorológica Mundial (OMM), que é indiano, alertou
para as mudanças climáticas e seus efeitos sobre o planeta. Cita o exemplo de seu país,
onde a temperatura já atinge mais de 40 oC em certas épocas do ano e em uma década pode
passar dos 50 oC como consequência do aquecimento global. Enfatiza que a dificuldade
para manter a oferta de alimentos é uma ameaça real e já não pode ser contestada, e que a
emissão de gases e o aquecimento global, na última década, alcançaram níveis nunca
registrados.
No caso do Brasil, o IPCC simulou cenários agrícolas futuros para aumentos de
temperatura de 1,0 ºC, 3,0 ºC e 5,8 ºC e de precipitação de 5 %, 10 % e 15 %. Esses
aumentos foram simulados de maneira homogênea para todo o país e desconsideraram
qualquer evolução tecnológica, tanto no manejo das culturas quanto no seu melhoramento
genético, e qualquer adaptação fisiológica das plantas às novas condições. Os resultados
dessa simulação para as culturas da soja, milho, arroz e feijão, no caso do cenário de
aumento de 1,0 ºC a partir de 1990 e o cenário de 3,0 ºC que é praticamente certo. As
estimativas para esse último cenário mostram perdas de área em torno de 18 % para o arroz,
11 % para o feijão, 39 % para a soja, 58 % para o café e 7 % para o milho. Embora as
condições iniciais dessa simulação desconsiderem questões importantes, esses cenários já
nos dão indicações essenciais ao planejamento das pesquisas, principalmente quanto à
adaptação dos sistemas de cultivos e de novas cultivares mais tolerantes às altas
temperaturas e mais resistentes à seca.
Uma das consequências do aquecimento global é a alteração do desenvolvimento e
do crescimento das plantas, que leva à aceleração do processo de maturidade fisiológica
das plantas, com redução do rendimento. Essa é uma ameaça real diante da necessidade de
se produzir alimentos para cerca de nove bilhões de pessoas em todo o mundo, nos
próximos anos. Ressalta-se também para a gravidade da perspectiva quanto à
disponibilidade futura de água no mundo, pois, aproximadamente, um terço da população já
está sujeita à escassez.
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