Denon | AVR-1611 | CINEMA EM CASA Artur Marques

CINEMA EM CASA
Artur Marques
O Denon AVR-1611 é um amplificador para áu
Esta classe de equipamentos mudou muito desde a sua infância, durante a década de 1990. Algumas
alguns dos canais de som descodificados, as fichas de vídeo estavam omissas, e o manual para o
dominantes, tendo crescido muito em quantidade de funções, como amplificação integrada até 7.1 ca
pavorosos, assustadores só pela lombada! Mais recentemente a quantidade deu lugar à qualidade, com
A primeira evidência de que o AVR-1611 é
diferente está no seu painel posterior,
menos sobrepovoado do que o habitual, por
exemplo com «apenas» cinco conjuntos de
terminais para coluna, correspondentes aos
canais frente-esquerdo, centro, frentedireito, surround-esquerdo e surrounddireito. Como eu nunca identifiquei uma
vantagem óbvia em transitar de uma
configuração 5.1 para 7.1, entendo os 5.1
Audio & Cinema em Casa 2
como «sensatos» e senti-me confortado em
operar um equipamento sem excessos que
não transmite a sensação de desperdício.
A parte de trás deste Denon está bem
organizada e contém as fichas certas. Da
esquerda para a direita, encontramos:
● os terminais para antenas de rádio AM e FM;
● 3 entradas para áudio, por fichas RCA;
● saídas pre-out para canais surround-back
ou front height, estes últimos utilizados
em Dolby Pro-Logic IIz;
saída pre-out para subwoofer;
● 1 saída de áudio digital, por ficha coaxial;
● 1 saída de áudio digital, por ficha óptica;
● 3 entradas de vídeo analógico, por fichas RCA;
● 1 entrada de vídeo analógico, por ficha S-Video;
● 1 entrada de vídeo por componentes;
● 5 terminais de coluna;
4 entradas HDMI 1.4a;
● 1 saída HDMI.
●
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Denon AVR-1611
áudio e vídeo (AV) com um receptor/sintonizador de rádio AM/FM RDS integrado – diz-se por isso um AVR.
mas das primeiras propostas confiavam que o utilizador teria amplificadores externos que poderiam tratar de
ara o utilizador não intimidava. Em poucos anos os amplificadores estéreo tornaram-se minoritários e os AVR
1 canais e suporte a todos os Dolby e DTS que se conseguirem imaginar, tudo isto acompanhado de manuais
com as propostas no mercado a tentarem diferenciar-se pelo seu nível de desempenho. O Denon AVR-1611
parece corresponder a uma terceira grande vaga de AVR’s, que simplifica, sensatamente.
A frente também é simples, sóbria e
apelativa, estando dominada por um
selector de fonte de sinal à esquerda, por
um controlo de volume à direita, e por um
mostrador generoso.
Uma série de pequenos botões escondemse abaixo do mostrador: selecção de
favoritos, invocação do menu principal, teclas para navegação pelo sistema de menus
e selectores de modo surround. Só falta
mencionar um conjunto de fichas frontais
(vídeo composto, áudio esquerdo, áudio
direito), incluindo uma tomada MIC, à qual
se poderá ligar um microfone fornecido, para
a autoconfiguração do sistema, utilizando
uma tecnologia designada Audyssey.
O microfone fornecido é o Denon DM-A409,
que lembra uma pirâmide e pode, como é
habitual, ser enroscado num tripé elevado,
para que os testes sejam feitos à distância e
à altura certas. A execução da configuração
Audyssey faz-se em cinco passos: detecção
das colunas presentes, mensuração das
distâncias, cálculos de ajuste das intensidades por canal e das frequências de
crossover, e verificação/confirmação. Os
resultados são bons. Para os utilizadores
que investem nos detalhes, a configuração
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CINEMA EM CASA Denon AVR-1611
manual poderá ser mais proveitosa, mas
exige repetidas iterações de experimentação e o mais provável é que seja um
processo de dias, com ajustes cada vez
menos expressivos, até estabilizar.
Os menus no ecrã são muito simples, quase
teletexto, mas estão bem organizados e são
informativos do andamento através de
objectos de interface familiares, como
barras de progresso.
Todas as fichas HDMI deste Denon são
v1.4a, suportando vídeo 3D (pass-through),
Deep Color, Auto Lip Sync (de 0 a 200 ms),
x.v.Color, áudio HD, ARC (Audio Return
Channel) e HDMI control.
A versão 1.4a da HDMI diz respeito às
características ARC – que significa que o AVR1611 pode amplificar o áudio do televisor
ao qual estiver ligado por HDMI, sem
necessidade de mais cabos – e 3D passthrough.
Este Denon AVR-1611 integra assim cinco
amplificadores de 75 W @ 8 Ohm. Utilizei-o
quase sempre em sessões de Dolby Digital
5.1 ou DTS 5.1. Terei gostado?
A equipa de colunas utilizadas foi:
● Paradigm Reference Studio 100 (canais
frente-esquerdo + frente-direito);
● Castle Keep (canal central);
● Energy EX16 (canais posterior-esquerdo +
posterior-direito).
Opinião
Episódios da quarta season de Mad Men,
emitidos BBC HD (1080i, AC3 estéreo),
documentários da série South Pacific
(1080p, DTS 6 canais, 1500+ kbps) e alguns
filmes foram os conteúdos com que construí
a minha opinião deste Denon.
É importante notar que as fontes de vídeo
analógico são convertidas para HDMI, mas
não são escaladas.
Mad Men é uma série centrada na vida de
um «criativo» na área de publicidade,
durante a década de 1960. Sempre que vejo
um episódio admiro como existem tantos
personagens solidamente construídos;
também aprecio o facto de tentarem
ensinar alguma coisa ao espectador – por
exemplo, como era um focus group em
acção – e acho interessante que se utilize
pouca a nenhuma orquestração, com excepção de uma música de encerramento.
Creio que a predominância de vozes e
silêncios contribui para a credibilização dos
ambientes e dos personagens.
Inevitavelmente estão disponíveis ambientes como jazz club e rock arena, graças
ao Sharc DSP de 32 bit. Perdi algum tempo
em jazz club numa sintonia de rádio FM,
mas não consigo livrar-me da sensação de
Assim, numa perspectiva AV, Mad Men é um
desafio vocal ao qual o ouvinte estará
particularmente atento, sem ser sujeito a
distracções. E há vozes muito diferentes: do
personagem principal (Don Draper, re-
São suportados todos os modos de som
envolvente relevantes, incluindo Dolby
Digital, Dolby Digital Plus, Dolby True HD,
DTS e DTS HD. Está também disponível Dolby
Pro-Logic IIz (variantes cinema, music,
height), uma modalidade que exige amplificadores e colunas extra para uma
ambiência frontal aumentada.
Audio & Cinema em Casa 4
estar a adulterar a música e acabo sempre
por preferir a versão neutra.
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presentado por Jon Hamm), homem
maduro na segunda idade, à sua filha
adolescente Sally (Kiernan Shipka),
passando por diversas outras presenças
femininas e masculinas, algumas com vozes
«especiais», como Bertram Cooper (Robert
Morse), que arrasta e arranha as palavras.
Os silêncios podem ser importantes. A
técnica do silêncio a seguir a um evento,
para reforçá-lo, pode em cinema em casa
alertar para zumbidos de funcionamento
desconfortáveis.
O Denon AVR-1611 esteve muito bem em
Mad Men: as vozes permaneceram firmes
no seu palco, sem estridências nos agudos,
com naturalidade em todo o espectro, incluindo a reprodução do que eu chamo
efeito residual, que consiste em não se
sentirem subitamente os fins acústicos,
deixando a onda mecânica fluir por uns
milissegundos extra, tal como numa
conversa real. Alguns equipamentos são
«secos»: reproduzem enquanto há sinal,
cessam totalmente logo após, o que transmite uma sensação de ambiente artificial,
como se as pessoas de repente ficassem em
vácuo, sem atmosfera para dar continuidade
ao que tinham acabado de dizer.
Estas observações são válidas até volumes
sensatos. Cruzada certa fronteira e
insistindo-se no sentido do demasiado
festivo, o agudo granula e emagrece,
embora continuem a ser evidentes detalhes
delicados, o que sugere que o que na
realidade está a acontecer é uma retracção
das frequências mais baixas, o que torna a
percepção tendenciosa no sentido contrário.
Não é nada de inesperado e não é nada de
severo, mas verifica-se – a minha atitude é
interpretar a situação como uma mensagem
do sistema (fonte de sinal + Denon +
colunas) que diz: «o meu melhor é a um
volume inferior».
A sensação de surround é «esférica» e
consistente. Isso foi notório, principalmente
na série documental South Pacific, em
sequências em que as câmaras rodavam em
torno de eventos como rebentação de
ondas e pessoas a remarem em barcos: foi
fácil sentir a rotação do palco virtualizado,
que se sentiu mais «redondo» do que o
habitual, pois a informação frontal tende a
ser dominante e a contribuir para uma percepção de volume mais esticado e profundo
nesse sentido. Para compensar, corrigi os
parâmetros Audyssey, aumentado um
pouco a pressão nos canais frente-esquerdo
e frente-direito e aliviando-a atrás. Suponho
que o Audyssey tenha correctamente
considerado as colunas Paradigm Reference
Studio 100 muito maiores que as Energy
EX16, mas depois tenha desequilibrado os
seus níveis, ao menos para as minhas
preferências.
Não tive sorte no primeiro filme que vi com
o Denon AVR-1611.
After Life (2009) é um lixo completo, com
uma
classificação
IMDB
razoável,
provavelmente apenas pela presença de
actores populares, como Christina Ricci e
Liam Neeson. Este filme talvez seja sobre
uma rapariga que talvez morra. Os «talvez»
a dobrar são propositados. Miserável. Um
bom exemplo de como não contar uma
história e passar o tempo todo numa
obsessão estética com caixões. Numa perspectiva estritamente AV este filme tem uns
momentos que se querem assustadores,
acompanhados de orquestrações súbitas e
breves, às quais o Denon respondeu bem.
Outros filmes, como District 9 (2009)
confirmaram o bom desempenho, com uma
atenção surpreendente para detalhes.
Resumo
O Denon AVR-1611 é um amplificador AV
5.1, que suporta todos os modos sonoros
comercialmente relevantes, incluindo todos
os Dolby Digital e DTS mais recentes.
É um equipamento relativamente simples,
com menos fichas do que muitas alternativas, mas funcionalmente quase tudo
permanece possível, incluindo a autoconfiguração por microfone fornecido, com uma
excepção importante: não existem saídas
para os canais descodificados, pelo que não
pode ser usado como descodificador para
amplificação externa.
O seu desempenho, a volumes razoáveis, é
bom e natural, incluindo na reprodução de
detalhes.
Preço: 449 E
Representante: Videoacústica
Telefone: 21 424 17 70
Web: www.videoacustica.pt
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