Cambridge Audio Azur 751BD Uma questão de pedigree

CINEMA EM CASA
João Zeferino
Cambridge Audio Azur 751BD
Uma questão de pedigree
A Cambridge Audio é uma das marcas de
alta-fidelidade há mais tempo em laboração
contínua. As suas origens remontam a 1968,
quando começou por fabricar amplificadores
e sintonizadores. Sob a batuta do guru Stan
Curtis, a Cambridge Audio obteve especial
relevância na década de 1980, graças a um
conjunto de produtos muito considerados
pela comunidade audiófila, com especial
destaque para o CD1, que foi o primeiro
leitor de CD’s concebido em duas caixas
separadas.
Após um período conturbado por
dificuldades financeiras que praticamente
levaram à falência da empresa, esta acabou
por ser adquirida pelo grupo Audio
Partenership PLC, tendo a partir de então
diversificado a sua oferta de produtos, que
passou a incluir, para além do áudio,
equipamentos para cinema em casa e
soluções multi-room, com especial ênfase
nos segmentos de entrada e médio do
Audio & Cinema em Casa 74
mercado e com uma deslocalização da
produção para a China, onde possui uma
unidade de produção própria.
Descrição
O Audio Azur 751BD é um leitor digital
universal, capaz de assegurar a reprodução
de discos Blu-ray 2D e 3D, CD, HDCD, DVDVideo, DVD-Audio e SACD. Para além dos
formatos em suporte físico, o 751BD pode
ainda reproduzir mais de duas dezenas de
tipos de ficheiros de música e vídeo
gravados em suportes externos, como
discos rígidos portáteis, contando para o
efeito com duas portas USB 2.0 colocadas
no painel traseiro.
O painel frontal é espartano e conta com a
gaveta de carregamento, colocada ao centro, sob a qual se encontra o mostrador. À
esquerda apenas o comutador standby/on,
seguido de uma entrada USB e de um
comutador que permite a aplicação de
diferentes tipos de filtragem. Do lado direito
apenas os comutadores básicos de controlo
do disco: open/close, play/pause, stop e
faixa anterior/seguinte. Na traseira, uma
ficha BD Live/Ethernet, seguida de HDMI 2,
saída de vídeo composto e por
componentes, IR Emitter, USB, e-Sata, HDMI
1, saídas digitais óptica e coaxial, ficha
RS232, saídas analógicas 7.1, saída estéreo
dedicada e, por fim, a ficha de corrente.
Sendo um leitor universal de Blu-ray de perfil 2.0, é compatível com as funcionalidades
BonusView e BD-Live. O leitor é baseado
num chipset da Mediatek e integra a mais
recente geração de processadores de
imagem da Marvell – os QDEO. Para
assegurar a máxima qualidade da ligação a
um televisor ou a um videoprojector, ambas
as saídas HDMI disponibilizadas estão de
acordo com o standard 1.4, permitindo a
passagem de sinal de Video Full HD 3D com
suporte aos protocolos 3DTV e Deep Colour.
Novembro/Dezembro 2011 | Nº232
Uma das saídas HDMI inclui mesmo um
processador QDEO dedicado, com sistema de
redução de ruído, para imagens ainda mais
naturais e livres de artefactos, o que é
especialmente útil em sistemas de
projecção de topo com grandes diagonais
de imagem. O processador da Marvell é
também o responsável pelo up-sampling da
resolução de vídeo até 1080p.
Um equipamento da Cambridge não
poderia descurar a qualidade de som, e
assim é também com o 751BD; este encontra-se equipado com cinco conversores
(DAC’s) Wolfson WM8740 de 24/192 kHz, os
quais asseguram uma conversão rigorosa
das bandas sonoras em Blu-ray ou DVD, incluindo os formatos DTS HD Master Audio,
DTS HD, DTS, Dolby True HD, Dolby Digital e
DD Plus. O Cambridge está ainda equipado
com a tecnologia de up-samplig Q5 da Anagram Technologies, cuja implementação no
Cambridge Audio DacMagic já lhe assegurou
diversos prémios da crítica especializada, e
que se encontra implementada num DSP
Sharq de 32 bit. Sempre que o leitor seja
utilizado exclusivamente como equipamento
de áudio, pode ser comutado o modo Pure
Audio, o qual optimiza a reprodução do
equipamento para a função áudio, desligando
todos os circuitos desnecessários, a fim a permitir a melhor reprodução possível das faixas
de música, quer a partir da saída analógica
estéreo dedicada, quer para a saída de
áudio 7.1.
O registo grave possui uma boa extensão e
uma assinalável limpeza e recorte, o que
proporciona uma sensação de firmeza e
estabilidade do edifício musical. Sem poder
ser comparado com o meu leitor de CD’s
dedicado, que custa quase seis vezes mais,
consegue ainda assim demonstrar um arrojo
dinâmico e uma pujança vigorosa, que se
assume como um jogo de equilíbrio entre
extensão e tensão, e que nos faz julgar estar
na presença de um equipamento de nível
superior.
O registo agudo é, sob todos os aspectos,
excelente. Ao contrário do que sucede com
muitos leitores A/V, o Cambridge possui um
registo agudo bastante extenso, límpido e
muito detalhado, mas sem excessos que
possam acusar frieza ou analiticidade.
Soando sempre notavelmente aberto e livre
de efeitos de compressão, mesmo com as
gravações mais exigentes neste aspecto,
como no 2.º Concerto para Piano de
Rachmaninov.
As grandes massas orquestrais são distribuídas por um palco sonoro de dimensões
amplas e com uma excelente focagem de
todos os intervenientes. Resultado de uma
gama média calorosa e envolvente, o
751BD consegue sempre a proeza de soar
pleno, encorpado e envolvente, ainda que
possa mascarar o mais ínfimo dos
pormenores, algo que, a este nível,
certamente é bem menos importante do
que a apresentação global e a capacidade
para envolver o ouvinte no acto de reprodução musical, e isso é algo que o Cambridge faz de forma exímia. As vozes
soaram muito naturais, bem projectadas e
com uma óptima dicção, sendo perfeitamente possível perceber as interessantes inflexões da peculiar voz da
Nina Simone.
Passando agora à vertente de vídeo, o
751BD está ao nível do melhor que é
possível encontrar no mercado. Com o DVD
do filme O Senhor dos Anéis – A Irmandade
do Anel, na cena da perseguição dos
Hobbits pelo cavaleiro negro, o 751BD
demonstrou um notável nível de detalhe e
um recorte de grande nível, facultando uma
fácil identificação das personagens que se
movem na quase total escuridão. Ainda do
Análise
O Cambridge foi ligado ao projector
Panasonic PT-AX100E para as sessões de
cinema em casa. O sistema de áudio incluiu
o processador A/V TagMclaren AV32R, o
prévio Mark Levinson 326S, o amplificador
Mark Levinson 432 e três Vincent SP-996
nos canais surround. Nas colunas estiveram
as Revel Ultima Studio 2 como frontais, e as
Sonus Faber Solo e Wall como central e
traseiras, respectivamente.
As primeiras audições foram feitas em áudio
puro com discos CD e SACD em estéreo. Timbricamente o Cambridge é capaz de uma
performance
indistinguível
de
equipamentos dedicados de preço semelhante. Sem apresentar efeitos nefastos que
possam causar qualquer tipo de aberração,
é capaz de nos presentear com timbres
verdadeiros, que facultam a correcta percepção dos instrumentos, quer a nível individual quer quando inseridos numa
orquestra.
75 Audio & Cinema em Casa
TESTE Cambridge Audio Azur 751BD
mesmo filme, outra cena que não me
dispenso de analisar é a inicial, quando
Gandalf chega à aldeia. Antes de se deter à
porta de Bilbo, é-nos mostrada uma
panorâmica de toda a aldeia num imenso
varrimento lateral da câmara que costuma
dar que fazer aos circuitos de
processamento. Pois este varrimento foi-nos
mostrado com total segurança e uma
estabilidade e ausência de hesitações
verdadeiramente exemplares. Outra cena
que costuma dar que fazer aos circuitos de
processamento é a inicial do primeiro
episódio da série Os Tudors em Blu-ray, na
qual se vê a chegada de uma carruagem ao
palácio ducal e que inclui um varrimento
simultaneamente horizontal e oblíquo que
origina não poucas vezes o aparecimento de
hesitações na fluidez da imagem e efeitos
de escada, mas que o Cambridge resolveu
como os melhores, e só não digo de forma
perfeita porque ainda não vi aquela cena
resolvida de forma perfeita por nenhum
leitor.
Do inevitável Star Wars Ep. II, foram várias
as cenas visionadas, mas quase obrigatória
é aquela em que Obi-Wan Kenobi vista o
planeta Kamino. O 751BD fez uma vez mais
um excelente trabalho, sem apresentar
quaisquer indícios de saturação dos brancos
e permitindo perceber o conjunto de cores
azul, violeta, verde e castanho, que surgem
de um modo muito estável e bem
recortado. A global limpeza da imagem
faculta a reprodução de segundos planos
muito estáveis e plenos de detalhe, con-
tribuindo para uma sensação de
profundidade verdadeiramente cinematográfica e que é tanto mais impressionante
quanto melhor for a origem. Basta comparar
as cenas que têm como fundo o negro do
espaço em filmes como Star Wars em DVD
ou Star Trek em Blu-ray para se perceber a
diferença que a resolução nativa faz para o
resultado final.
Conclusão
Não pense caro leitor que me esqueci da
comparação com o Oppo BDP-95; não podia
esquecer depois de vários amigos meus
terem insistido nessa questão ao saberem
que eu estava analisar o Cambridge. No que
à imagem diz respeito são praticamente indistinguíveis, pelo menos fazendo uso de
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um dispositivo de visionamento de
qualidade mediana, como é o caso do meu
projector Panasonic. Também não estou a
ver ninguém utilizar qualquer um destes
leitores com um projector do segmento
ultra-high-end, de modo que por aqui
estamos conversados.
No que diz respeito ao áudio, a verdade é
que ambos os equipamentos se equivalem,
o que é uma forma politicamente correcta
de dizer as coisas. E não, não estou a fugir
com o dito cujo à seringa. Na verdade, estou
convencido que as diferenças são mais de
forma do que de conteúdo. Em termos
globais e se utilizadas as saídas analógicas
XLR, o Oppo apresenta um som com uma
transparência, uma dinâmica e um recorte
superiores. Contudo, o Cambridge, que
apenas dispõe de saídas RCA, contrapõe um
som mais caloroso, encorpado e envolvente,
ainda que não tão resoluto quanto o do
Oppo. A escolha irá depender, assim, não
apenas do sistema em que irão ser
inseridos, como também e principalmente
do gosto pessoal.
Tal como se apresenta o Cambridge 751BD
é um excelente leitor universal. Tanto no
capítulo da imagem, onde é capaz de om-
brear com os melhores no respectivo
escalão de preços, como no que ao áudio
puro se refere, onde pode facilmente ser
comparado com equipamentos dedicados
de preço semelhante, o 751BD é mais um
produto que dignifica a marca que ostenta e
que será capaz de recompensar quem o
escolher com muitas e boas horas de puro
prazer visual e auditivo.
Preço: 1095 euros
Representante: Supportview
Telefone: 21 868 61 01/2
Web: www.supportview.pt
COMPOSITOR / OBRA
INTÉRPRETES
EDITORA
FORMATO
S. Rachmaninov
Concerto p/ Piano e Orquestra n.º 2
em Dó menor, Op. 18
Werner Haas
Orquestra Sinfónica da Rádio de
Frankfurt
Eliahu Inbal
PENTATONE
SACD
Richard Strauss
Suite O Cavaleiro da Rosa
Orquestra Filarmónica da Rádio da
Holanda
Edo de Waart
OCTAVIA RECORDS
SACD
A. Bruckner
Motetes:
– Christus Factus Est
– Ave Maria
– Afferentur Regi
– Locus Iste
Coro Filarmónico Checo de Brno
Petr Fiala
2+2+2
SACD
Nina Simone
My Baby Just Cares for Me
Nina Simone & Trio
PHOENIS RECORDS
CD
Carol Kidd
Havin’ Myself a Time
Carol Kidd
LINN RECORDS
SACD
Barb Jungr
I’ll Be Your Baby Tonight
Barb Jungr
LINN RECORDS
SACD
Dire Straits
Brothers in Arms
Dire Straits
VERTIGO
CD
Blu-ray
– Os Tudors – Ep. 1
– Gladiador
– Star Trek – A Ira de Khan
DVD
– Star Wars Ep. II – O Ataque dos
Clones
– O Senhor dos Anéis – A Irmandade
do Anel
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